Neste mundo sempre há acontecimentos bizarros, mais do que as histórias nos contam, mas agora as coisas parecem estar num outro patamar.
O acordo de "paz" firmado entre os Estados Unidos e o Irã foi motivo de estranheza porque as forças beligerantes não saíram de perto, isto é, os navios permanecem no estreito de Ormuz, um lado para dificultar a navegação e o outro para, nominalmente, tentar liberar a passagem. Além disso, mesmo incluindo o Líbano, houve bombardeios na capital, Beirute, por parte das forças israelenses. Nem as tropas que invadiram e ocuparam o sul do Líbano sob o pretexto de neutralizar os terroristas do Hizbollah saíram do território, e nem este grupo apoiado pelo Irã renunciou às suas práticas de bombardear o norte de Israel. Este parece ser uma tentativa de ganhar tempo para não atrapalhar as eleições parlamentares nos Estados Unidos, nem as festividades do 4 de julho, e muito menos a Copa do Mundo realizada na América do Norte.
E, hoje mesmo, o time iraniano está participando do torneio. No país inimigo. Sofrendo para tentar vencer os neozelandeses. 2 a 2, (mais) um empate. Do lado de fora e mesmo no estádio, desafiando a proibição da Fifa, torcedores que apoiavam a sua equipe, mas deploram o regime dos aiatolás, exibiram a antiga bandeira no tempo do xá Reza Pahlavi, cujo filho luta pelo fim da tirania fundamentalista (sendo ele próprio um fruto de uma ditadura corrupta, embora laica). O acordo firmado para ser assinado na Suíça não prevê mudança alguma no regime, um dos motivos pelos quais a oposição iraniana depositava alguma esperança na batalha travada pelos americanos, israelenses e sunitas.
| Os iranianos jogaram em Los Angeles, uma das grandes cidades do "Grande Satã" (Divulgação/Instagram/UOL) |
Este dia também foi marcado por outros empates. Ninguém acreditou numa poderosa Espanha não conseguir fazer gols em Cabo Verde, nem o Uruguai não conseguir vencer a Arábia Saudita (a grande rival do Irã), ou a Bélgica se impor diante do Egito (outra nação do Oriente Médio, e da África, como Cabo Verde). Um empate, para as equipes mais fracas, é comemorada como vitória. Os cabo-verdianos não levaram nenhum, embora não tivessem feito, enquanto os egípcios e os sauditas marcaram um.
E também fica muito estranho ver jogos com tantas interrupções para os jogadores beberam água, dando espaço para os patrocinadores lançarem seus comerciais em todos os veículos de mídia autorizados a cobrir o grande evento. Realmente, há muita gente lucrando com essa bizarrice toda. Nos estádios e no grande campo de batalha montado na Ásia Ocidental.
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