Muitos comemoram a primeira reunião de Lula com Trump na Casa Branca, desde a posse do americano. Outros imaginavam como seria o evento. E agora continum imaginando: o encontro não teve a presença da imprensa no Salão Oval.
| Lula e Trump finalmente conversaram (Ricardo Stuckert) |
Eles certamente falaram de assuntos espinhosos, como a exploração dos minérios de terras-raras pela empresa USA Rare Earth, a partir da compra da única empresa brasileira especializada, a Serra Verde. Também falaram sobre o risco de novas sobretaxas de produtos brasileiros como o aço e os produtos agrícolas. Outros assuntos talvez foram explorados, como as fortes relações comerciais entre o Brasil e a China e a situação econômica global com a crise provocada pela guerra EUA-Israel versus Irã. Mas a relação de Lula com o ex-presidente Nicolas Maduro e os ministros do STF responsáveis pela prisão de Jair Bolsonaro e pelas ações contra empresas americanas é algo para ser explorado melhor quando alguém mais fornecer informações adicionais sobre o encontro. Até onde se sabe, não houve conversa sobre a questão das organizações criminosas brasileiras serem enquadradas como terroristas, Estavam lá o vice-presidente J. D. Vance e o secretário do Comércio Howard Lutnick, entre outros.
Lula esteve acompanhado de cinco de seus ministros, como Mauro Vieira (Relações Internacionais) e Dario Durigan (Fazenda), e entrou pelo portão sul da Casa Branca, após atraso de 15 minutos. A pedido do visitante, e não do anfitrião, a imprensa não pôde acompanhar, e esperou cerca de três horas, até Lula aparecer. As respostas do presidente aos repórteres, de acordo com a mídia, foram algo vagas, enquanto Trump limitou-se a fazer alguns elogios a Lula, chamando-o de "dinâmico", e dizer, nas redes sociais, que o encontro foi "produtivo".
A repercussão internacional não foi entusiasmada. Há muito mais a tratar, como a visita de Marco Rubio ao Vaticano para tentar normalizar as relações entre a Santa Sé e Washington, após as críticas feitas de Trump ao papa Leão XIV. E também há sinais de reinício das hostilidades no Oriente Médio, com lançamentos de mísseis e drones iranianos em Ormuz contra navios americanos. Esse pequeno ataque não abalou o presidente americano, que negou alguma violação do cessar-fogo.
Para os brasileiros, o encontro não teve o resultado esperado e ficou com aura de mistério. Aguardemos os próximos dias.
N. do A.: Possivelmente a situação da JBS não vai melhorar após um de seus donos, Joesley Batista, praticamente arranjar o encontro alguns dias antes, para ver se Lula vai abordar a questão das ameaças do governo americano às empresas de carne brasileiras, acusadas de formar um cartel nos Estados Unidos, assim como estão fazendo no Brasil. Washington oferece US$ 1 milhão por informações sobre a JBS, a Marfrig, e as americanas Cargill e Tyson Foods, supostamente membros do cartel, e todas elas podem sofrer pesadas sanções.
