Neste sábado os Estados Unidos, a democracia mais pujante e poderosa fo mundo, completam 250 anos de independência em relação à Grã-Bretanha.
Enquanto o Brasil era uma colônia de Portugal onde as ideias de independência ainda não afloraram totalmente, Portugal, por sua vez, era administrada pelo implacável Marquês de Pombal, a Prússia tinha como senhor Frederico, o Grande, e os outros países, como a França e o Sacro Império Romano-Germânico, eram governados por monarcas absolutos. A própria Grã-Bretanha era uma monarquia constitucional, embora longe da democracia, no reinado de Jorge III, considerado um rei insano.
Thomas Jefferson, John Adams e Benjamim Franklin redigiram a Declaração de Independência, assinada por eles e por outros políticos emancipacionistas, como John Hancock, em Filadélfia. O general George Washington comandava a resistência contra os britânicos, numa guerra ainda em curso. Eles só se tornaram realmente independentes após a rendição dos antigos colonizadores.
| O dia 4 de julho de 1776 mudou a História dos Estados Unidos - e do mundo; Thomas Jefferson (ao centro) viria a ser eleito presidente em 1800 (quadro de John Trumbull) |
No texto, já havia as bases para a futura democracia norte-americana, defendendo a liberdade como direito natural dos cidadãos das então Treze Colônias. De acordo com os princípios iluministas, abraçados pelos americanos mas temidos pelas cabeças coroadas do outro lado do Atlântico, estava definido um sistema de governo com três poderes separados e certa igualdade jurídica. O voto masculino, ainda definido segundo as suas propriedades de terras (escravos eram proibidos de votar) e os Colégios Eleitorais seriam regulamentados na Constituição de 1787. Dois anos após a promulgação da Carta, vigente até hoje, George Washington foi eleito presidente e John Adams foi eleito em pleito separado, como vice-presidente.
Desde então os Estados Unidos tornaram-se uma nação progressivamente mais livre, solidificando suas instituições e garantindo os direitos individuais, embora seu sistema político-eleitoral, baseado na autonomia dos Estados e dos colégios eleitorais, ainda esteja longe da perfeição, e haja muitas sequelas de práticas nefastas como a segregação racial (que permaneceu mesmo muito depois da abolição da escravidão durante a Guerra Civil). Mas é muito melhor do que certas "democracias" surgidas bem depois, como as de outros países americanos (Brasil, inclusive), vulneráveis à corrupção, ao populismo e à falta de responsabilidade quanto à observância das leis e das reais necessidades de seus povos.
E o que dizer das várias tiranias, como a do Irã, e de regimes autoritários, como os da China, da Rússia, dos países africanos e asiáticos, ainda firmes e fortes?


