De acordo com os resultados do primeiro turno destas eleições, transcorridas sem grandes tumultos - felizmente - o governo, e também o STF, foram derrotados.
A maioria dos governadores eleitos no primeiro turno são opositores, a começar por Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito com facilidade com 62,65% dos votos válidos, contra 36,42% de Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e ex-prefeito de São Paulo, entre outros. Sérgio Moro (PL), por muito tempo o nome mais difamado pelo PT, foi eleito no Paraná, e Cleitinho (Republicanos) venceu em Minas Gerais. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) ainda espera pela anulação dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos) para se considerar o novo governador. Santa Catarina elegeu Jorginho Melo (PL) e o Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL). Otaviano Pivetta (Republicanos) conseguiu a reeleição no Mato Grosso, e Eduardo Riedel (PP) ganhou no Mato Grosso do Sul. Estes são os principais eleitos pela oposição ao atual governo.
No Senado, Tarcísio e Flávio Bolsonaro conseguiram fazer eleger Derrite (PP) e André do Prado (PL), que engrossam a lista de senadores eleitos defendendo partidos conservadores e liberais, um pesadelo para Alexandre de Moraes, e talvez até para Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Eles formarão uma maioria capaz de votar o impeachment de ministros do STF.
Na Câmara dos Deputados, houve o destaque dado a Nikolas Ferreira (PL-MG), de novo campeão de votos, superando por pouco Lucas Pavanato (PL-SP), ambos recebendo mais de 3 milhões de votos. Eles irão centrar fileiras para apoiar Flávio Bolsonaro, se ele for eleito. E serão terríveis contra Lula, caso ele conseguir ser reeleito. No nosso sistema "presidencialista de coalizão", o presidente não consegue governar se não tiver uma base no Congresso. E ela é majoritariamente bolsonarista (PL), ou pelo menos anti-Lula (NOVO, Missão), com menor proporção de membros dos partidos do "Centrão" (Republicanos, PP, PSD, MDB, União Brasil, Podemos, Avante) e dos socialistas/sociais democratas (PSOL, PSB, PSDB, PDT, Cidadania, Solidariedade, REDE, PSTU, PCdoB e outros). A proporção pode ser comparada à do Congresso eleito em 2018, com quem Jair Bolsonaro teve de se entender. O PL elegeu mais deputados e senadores do que o então PSL de oito anos atrás. O ex-capitão foi filiado a este antigo partido, agora União Brasil, após ser abandonado pelos bolsonaristas e fundir-se com o Democratas.
Assim, para Lula resta ser derrotado novamente por Flávio Bolsonaro no segundo turno, ou conquistar uma vitória de Pirro no caso de conseguir uma improvável reversão de trajetória. Ele recebeu 45% dos votos, contra 47% do primogênito de Jair Bolsonaro, o nome mais lembrado por muitos eleitores.
| O presidente Lula não vai desistir da luta, mas seu processo de reeleição está ameaçado de verdade. Flávio Bolsonaro vai ter um apoio maior do Congresso, se comparado ao pai (Divulgação) |
