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| O mundo será um palco de dor e sofrimento, mas sem a pirotecnia mostrada nos filmes |
Estamos tão contaminados mentalmente pelo romantismo, pela ansiedade, pelos medos de catástrofes e por imaginar os grandes eventos como espetáculos, como se tudo fosse um circo ou um filme de ação, que não consideramos estar à beira de uma guerra mundial.
Talvez já estejamos vivenciando a indesejada de toda a gente.
Hackers estão agindo para destruir cadeias de suprimentos, com a ajuda de algoritmos, da IA e de interesses escusos, sem a necessidade de dispararem um único tiro. Esses ataques, que provocaram milhões, talvez bilhões de Euros na Europa, foram causados por gente incapaz de manejar uma pistola com destreza, mas com habilidade e conhecimento para invadirem protocolos de segurança de empresas e governos.
Drones pequenos e aparentemente sem graça estão fazendo o trabalho de mísseis muito mais caros, chamativos e sofisticados, destruindo alvos militares e civis na Ucrânia e na Rússia, prolongando o morticínio. A paz ainda parece longe, apesar das palavras de Donald Trump, que continuam a soar como bravata, ainda mais depois que seu partido, o Republicano, foi humilhado nas eleições de meio de mandato.
As forças americanas e israelenses muito provavelmente não vão usar artefato nuclear algum no Irã, que seria algo espetacular e escandaloso, capaz de provocar histeria e frenesi e levando a humanidade toda à falência. Os ataques vão se concentrar nas usinas de dessalinização e nas redes de energia, como preveem os analistas. Isso provocará o mesmo efeito, sem a aparência espalhafatosa de um cogumelo gigante: a morte de milhares de inocentes e a preparação para uma ação decisiva, visando derrubar a tirania da Guarda Revolucionária. Enquanto isso, os contra-ataques poderão ser terríveis, afetando toda a região diretamente, levando prejuízos, destruição e caos às potências do petróleo como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Qatar. A guerra contra o Irã e seus aliados houthis também irá alcançar a África, continente que já está mergulhado em conflitos horríveis e não devidamente registrados nas mídias. Não é só o Egito, tradicionalmente considerado mais como um país do Oriente Médio, mas também as outras nações do outro lado do Mar Vermelho, em relação à Arábia Saudita e ao Iêmen. Isso inclui a Eritréia (país próximo do Bab el-Mandeb cujo Exército faz incursão na vizinha Etiópia), o Sudão e a Somália.
Toda essa tensão mundial motiva os governos da Europa, do Japão, da Coréia do Sul e da América do Norte a lançarem os alertas para estocarem comida e água, e se prepararem para uma eventual falta de comunicações ou de energia. Isso nos levaria de volta aos trágicos tempos dos anos 1940.
Devemos, como brasileiros, tomar isso como uma advertência, porque ninguém está a salvo dos acontecimentos iminentes. Já estamos sofrendo com o aumento no preço dos combustíveis e dos insumos agrícolas, por conta dos confrontos bélicos na Europa Oriental e na Ásia Ocidental, que se revelam, mais claramente, como parte de um único grande evento. Também toda a atividade industrial e a economia global estão seriamente prejudicadas pela crise nos semicondutores provocada por essas guerras, pela tensão entre China e Taiwan e pelas demandas da IA. Não nos enganemos: tudo isso irá só piorar no curto prazo, antes de conseguirmos reordenar tudo de novo no médio prazo.
Assim, logo precisaremos sofrer as consequências de nossa própria negligência e das ações do governo, que não parece estar preocupado com nada além de sua permanência no poder e se servir do povo, como há séculos ocorre, bem longe da condição ideal de servir o povo.
















