A pandemia de COVID-19 acabou, mas a guerra política, já em curso antes da grande tragédia, acirrou-se. Desde então, a chamada "esquerda" aproveitou o período para se mobilizar e dar prosseguimento às pautas progressistas e woke, enquanto a "direita" satanizava o distanciamento social e as vacinas.
Por outro lado, a origem do coronavírus, responsável pelas mortes e por prejuízos irreparáveis, não foi devidamente investigada. Como e por que um laboratório em Wuhan teria provocado a maior calamidade mundial deste século?
Anthony Fauci, infectologista especializado em retrovírus como o HIV, esteve à frente da política americana para enfrentar o coronavírus - outro retrovírus - durante a gestão de Joe Biden. Ele foi convocado para responder a algumas questões relativas ao seu diário, onde ele anotava os seus procedimentos, e também ao que ele sabia sobre a origem do parasita e os financiamentos públicos recebidos.
Na sessão do Senado presidida por Rand Paul, um crítico das medidas adotadas para o combate à pandemia desde quando ela estava assolando os Estados Unidos e o mundo, ele se recusou terminantemente a responder às perguntas, invocando a Quinta Emenda, que pune o perjúrio, reservando-se o direito de permanecer calado e não se auto-incriminar.
| O doutor Anthony Fauci precisou responder no Senado americano sobre a política sanitária adotada no governo Biden contra a pandemia de COVID-19 (Kevin Dietsch/Getty Images) |
Isso deu munição aos críticos das medidas sanitárias, como os adeptos de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, que viram nas imposições de distanciamento social e uso de máscaras como um atentado às liberdades individuais e um fator a mais para paralisar as atividades econômicas, pois boa parte delas precisa de contato humano. Eles também acusam as vacinas de provocaram efeitos colaterais graves, como trombose. Há também vários registros de mal estar e fraqueza ao tomá-las. Fora a imensa quantia em dinheiro recebida pelas empresas, gigantes do setor farmacêntico, responsáveis pela fabricação.
No entanto, mais do que condenar as vacinas, apontar os interesses da poderosa indústria farmacêutica (e, por extensão, das gigantes do setor químico), queixar-se de um suposto boicote a remédios usados para combater parasitoses de outras origens, como a ivermectina (vermífugo) e a hidroxicloroquina (anti-protozoário) e criticar as medidas sanitárias aprovadas por Fauci e, também, pela OMS, cabe se ater ao que realmente está sob investigação: a responsabilidade da ditadura chinesa e de quem comandava o laboratório em Wuhan na origem da pandemia, e até que ponto as autoridades de todos os países são culpadas pela desastrosa gestão da crise usando o suado dinheiro dos contribuintes.
Isso também pode ajudar a compreender como os diversos povos (e seus grupos de poder) aprendem a lidar com os diversos tipos de crises, inclusive as sanitárias, e isso vai além das brigas ideológicas. Isso precisa servir-nos de aprendizadado, para gerar maior capacidade de enfrentar os problemas, e eles sempre virão. Mais conhecimento, resiliência e preparo, e menos energia desperdiçada em diatribes inúteis.




