| O capitão Rodri ergue a taça de campeões (Reuters) |
| Lionel Messi chora por causa da derrota argentina e de ser sua (provável) última partida oficial pela Albiceleste (Divulgação/Instagram) |
| O capitão Rodri ergue a taça de campeões (Reuters) |
| Lionel Messi chora por causa da derrota argentina e de ser sua (provável) última partida oficial pela Albiceleste (Divulgação/Instagram) |
Existiram confrontos tão estranhos que pareceram uma pane na Matrix, o tal sistema de controle da humanidade como se toda a História fosse um amontoado de simulações. Enquanto as disputas oscilavam entre a mera formalidade para ver quem parecia ter razão até verdadeiras batalhas épicas para serem mitificadas e mistificadas com o tempo, virando assunto de livro escolar, algumas dessas contendas fugiram totalmente do roteiro.
Assim, tivemos na Áustria uma batalha onde soldados bêbados se confundiram e atiraram uns nos outros em 1788, durante a guerra contra os turcos. Na Idade Média, houve uma guerra entre Modena e Bologna motivada por causa de um balde. Até na longínqua Austrália, em 1932, os soldados tiveram uma batalha bizarra contra... emus, aquelas aves gigantes não voadoras parecidas com avestruzes - e os militares perderam porque os animais escapavam dos tiros e deram um baile nos atacantes.
E houve em Miami uma disputa de terceiro lugar numa Copa do Mundo que poderia ser uma chatice e acabou sendo uma quebra de paradigmas, com os franceses tomando quatro gols no primeiro tempo, dois deles de Saka. Depois, houve a reação, com Mbappé fazendo dois gols e conseguindo a artilharia do torneio. Mas ele não conseguiu transformar o esculacho numa virada improvável. O 4 a 0 virou 4 a 3. Houve uma cobrança de pênalti feita por Saka, e o jogo voltou a ficar nos pés dos ingleses. Nos acréscimos, Dembelé fez um, e Bellingtam respondeu para encerrar a folia. O jogo terminou 6 a 4 e divertiu todo mundo. Não foi uma vingança pela derrota na Guerra dos Cem Anos (1337-1450), mas será lembrada também por muito tempo.
| Saka fez seu hat-trick e fez a Inglaterra ganhar da milenar rival França numa batalha alucinante sem armas e com uma bola (Roberto Schmidt/AFP) |
Apontada como a montadora de veículos mais inovadora do século passado, a Fiat completou 50 anos de Brasil e promete muito mais, num dos mercados mais rentáveis para ela.
Em julho de 1976, a fábrica italiana começou a produzir em Betim, Minas Gerais, e muitos caçoavam daquele carrinho feio, batizado com um número: 147, mesmo com propagandas irreverentes mostrando as qualidades dele: agilidade, relativa robustez (embora a aparência sugira o contrário), economia de combustível e espaço interno, bem superior ao do Fusca em carroceria cerca de 45 cm mais curta. Este carro era uma versão do 127 italiano, e inaugurava no Brasil o conceito de motor transversal, uma novidade para deixar o capô menos comprido e o carro como um tudo mais fácil de estacionar. O motor transversal agora é hegemônico no mundo, inclusive aqui.
| O primeiro 147, carro de 50 anos atrás, um dos destaques da década de 1970 (Henrique Rodriguez/Acervo pessoal) |
O mesmo carrinho, após conquistar o mesmo público que debochava da sua feiúra, foi o escolhido para testar o primeiro motor a álcool, sendo chamado de "cachacinha", em 1979. No ano anterior, veio a primeira picape derivada de automóvel, de início bem pequena, mas depois suas dimensões aumentaram para poder acomodar uma quantidade considerável de carga, e só aí ganhou um nome: City. Já havia a Fiorino, um furgãozinho que logo fez sucesso.
Em 1984, surgiu o Uno, a "botinha ortopédica", com suas linhas relativamente avançadas para a época, ainda mais considerando o mercado fechado de então, onde não entravam os carros vindos da Europa, mais acostumados com inovações e tecnologia. Este carro sucedeu o 147 dois anos mais tarde, e em 1990 ganhou o primeiro motor de "mil cilindradas", na versão Mille. Ficou quase 30 anos em produção, virando até um meme quando era equipado com uma escada no teto, como nos vários Unos usados por empresas. O sedã Prêmio, derivado do Uno, foi o primeiro carro com computador de bordo, e a perua Elba tinha um porta-malas inacreditavelmente grande.
O primeiro carro fabricado no país a não merecer fama de "carroça", xingamento dado pelo então presidente Fernando Collor, foi o Tempra, também o primeiro carro médio da marca, em 1991, Derivada do Fiat Tipo, um hatch que concorria com o Escort e o Kadett desde 1993 e, em 1996, foi o primeiro carro a ter um air-bag como opcional, pouco antes do mais sofisticado Chevrolet Vectra, o mais moderno concorrente do Tempra. Primeiro carro a ter 4 válvulas por cilindro (16 no total), e um dos primeiros a ter turbo de série (ao lado do também nervosinho Uno Turbo, que não precisava de escada no teto para humilhar donos de carros maiores), foi substituído pelo Marea, cujo motor de 5 cilindros e 20 válvulas era complexo demais para o gosto do brasileiro, e, sem manutenção adequada, virou um problema no mercado.
Veio o Palio, em tese sucessor do Uno, para ser o primeiro carro com air-bag de série na versão 16 válvulas (1.6). O carro, mais um complemento do que um herdeiro do veterano Mille, trouxe algumas inovações, mas a mais lembrada foi o câmbio de seis marchas, de triste memória, e o famigerado Dualogic, um automatizado problemático. Sua versão perua, a Weekend, foi um dos carros mais longevos da categoria, e inovou com a Adventure, equipada com um sistema Locker de controle de tração que lhe permitia vencer as estradas ruins abundantes no Brasil. Do Palio veio a Fiat Strada, a campeã de vendas do segmento e até de todo o mercado automotivo, por mais maluco que isso possa soar.
Embora a montadora de Turim seja mais conhecida pelos carros pequenos e picapes, onde tem fortes representantes como o Argo e seu sucessor, o Argo X prestes a ser lançado, ela arriscou muito nos segmentos superiores, onde amarga fracassos, apesar de ter alguns bons produtos como o Stilo.
Recentemente parte do grupo Stellantis, a Fiat tem no Brasil um dos mercados mais valiosos. Em 2024, de cada cinco veículos da marca vendidos no mundo, dois foram montados em nosso país. Isso não mudará no curto e médio prazo, mesmo com a acirrada concorrência de várias montadoras, inclusive as chinesas.
Uma medida certamente mais perigosa e impiedosa do que a seleção argentina na Copa do Mundo, que vai para as finais da Copa para desgosto de ingleses (e brasileiros...) é o "tarifaço" confirmado pelo governo Trump contra produtos brasileiros.
Carne, café e alguns minérios vão ficar de fora dos 25% a mais de taxas, mas a maior parte dos produtos agropecuários não escapará.
Não adiantou nada a visita de Flávio Bolsonaro para dissuadir Trump. Mas a tarefa de fazer isso cabia ao governo, não ao principal líder da oposição. Pelo menos, isso reforçou a posição dos bolsonaristas e de boa parte de quem não endossa a administração petista.
Serão inúteis as tentativas de "reciprocidade" a serem adotadas pelo governo. E um dos principais responsáveis nem se manifesta: o STF, que há muito deixou de exerceu seu papel e quis intervir até em empresas e cidadãos de outros países, particularmente os americanos, donos da maior parte das redes sociais, vistas como uma ameaça.
É isso que deveria frustrar o brasileiro, não qualquer resultado no futebol, com os argentinos a um passo de serem tetracampeões enquanto o sonho do hexa fica para daqui a 4 anos - ou talvez nunca.
| This is gonna hurt you more than it hurts me, Brazil! (Jonathan Ernst / Reuters) |
Mais uma vez, uma postagem sobre a Copa do Mundo, e a equipe francesa, favorita ao título, foi jogar em pleno aniversário da data mais conhecida envolvendo o país, o dia da queda da Bastilha, ou o dia da Revolução de 1789.
Foram enfrentar uma das poucas equipes a lhes dar boas dores de cabeça. O time espanhol os derrotou várias vezes recentemente, e os resultados na Eurocopa de 2024 e na Liga das Nações de 2025 ainda estão vivos na memória francesa. E, pela terceira vez, também numa semifinal, a Fúria dominou o jogo. De pênalti, Oyarzabal abriu o placar. Pedro Porro, no segundo tempo, definiu. Mbappé e Dembelé, a dupla mais temida da Copa, não conseguiu fazer a diferença. Muito menos Olise, que costuma desequilibrar as partidas, mas foi neutralizado pelo infame Cucurella. E os franceses passaram a ser chamados de "fregueses". Em pleno dia da Revolução.
Yamal, o jogador mais badalado do time vermelho, não precisou nem brilhar (descontando aquele gol anulado), mas terá a chance na grande final, quando enfrentarão a Inglaterra ou a Argentina.
| A Seleção Espanhola consagrou-se como algoz dos franceses (Hannah McKey / Reuters) |
Sim, o mundo irá piorar, querendo a humanidade ou não. E será um impulso para um processo de mudanças dramáticas, até a estabilização a médio prazo.
Teremos que nos adaptar às mudanças, e para isso precisamos tomar o controle do que for possível, não delegando nossas responsabilidades a mais ninguém, seja ele o governo, a IA ou mesmo aos entes queridos. Muito provavelmente isso significa se desligar da Internet, das redes sociais, das bets e todas as fontes de dopamina existentes, e tomar atitudes com base na realidade e nos fatos.
Busque fontes de informação para praticar algum método eficaz de sobreviver a um cenário difícil. Considere qualquer evento, até um apagão global ou um risco de ataque motivado por criminosos ou terroristas. Use as ferramentas disponíveis, com as quais você tiver mais familiaridade. Isso muitas vezes é melhor do que comprar kits prontos de sobrevivência. E vá se acostumando a obter as informações fora da Internet, porque ela pode ser uma das primeiras a colapsar numa crise global. Caso houver alguém com maior conhecimento de sobrevivência em ambiente adverso, siga as instruções dele sem hesitação.
Não descarte a possibilidade de uma escassez generalizada de suprimentos. Água e alimentos não perecíveis, mais fáceis de preparar, são necessários até certo ponto, e muitas vezes haverá a necessidade de se deslocar para locais mais seguros, levando só o possível como carga. Atenção às rotas de fuga, fluxo de multidões, obstáculos no caminho escolhido, meios para se orientar. Caso a fuga não for possível, saber gerar e usar o fogo ou distribuir os suprimentos é tão importante quanto a defesa do local contra invasores.
Há dicas de especialistas em sobrevivência para informações mais detalhadas.
N. do A.: O Oriente Médio está se tornando a cada dia um problema do mundo inteiro, com os ataques dos terroristas houthis contra posições militares e aeroportos na Arábia Saudita, e em resposta o aeroporto de San'a, a capital do Iêmen, foi atacada. Há a ameaça de fechar o Bab el-Mandeb, o estreito entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden, entre o Iêmen, na Ásia, e o Djibuti, na África. Isso estrangula as rotas entre a Europa e regiões como a Ásia, a África Oriental e a Oceania. O estreito de Ormuz continua em perigo, e agora o presidente americano Donald Trump ameaça tomar o lugar do que resta da tirania xiita do Irã no papel de cobrança dos navios que precisam usar o local. Tanto um quanto outro lembram os antigos corsários dos séculos XVI ao XVIII, mas o presidente Lula só apontou um dos lados - o americano - quando se referiu à "pirataria", E o regime iraniano não vai resistir em atacar Israel, sujeitando-se a um novo ataque contra seus membros, ou até a uma incursão terrestre, cuja execução é tecnicamente difícil mas possível, mas com remotas chances de sucesso devido à imensidão do Irã e seu relevo montanhoso. Seriam necessários milhares ou até milhões de soldados, e o número de baixas pode ser terrivelmente alto, sem falar nos ataques terroristas ou o alastramento do conflito até uma guerra mundial com direito a uso de artefatos capazes de fazer aqueles usados em 1945 parecerem brinquedos. O Afeganistão, vizinho bem menor e menos populoso, teve uma experiência parecida e tanto a Rússia quanto o Ocidente nada conseguiram nele, a não ser criar as condições para um regime jihadista sunita oprimindo um povo mergulhado na miséria e na ignorância.
O acordo entre Estados Unidos e Irã, considerado de "faz de conta" para a guerra não disputar atenção da mídia com a Copa do Mundo ainda em curso e nem para prejudicar a campanha política republicana oara as eleições parlamentares de novembro, mostrou realmente não ter o valor gasto no papel onde foi escrito.
Desde o começo, notava-se que o regime iraniano, mesmo com sua liderança aniquilada no dia 28 de fevereiro pelos ataques americanos e israelenses, ainda teimava em demonstrar força e insolência, chegando a marcar o enterro de seu líder supremo bem na semana dos 250 anos de independência da potência inimiga, e insistir em cobrar "pedágio" para os navios no estreito de Ormuz. De forma deliberada, as forças iranianas atacaram navios mercantes que tentaram driblar o pagamento do tal "pedágio", passando na costa do exclave de Musandam sob escolta militar americana, e isso foi o pretexto para a volta dos bombardeios na costa sul persa.
| Imagem com veracidade discutível de um míssil caindo na costa sul do Irã (Divulgação/TruthSocial) |
Trump está na cúpula da OTAN, em Ancara, a capital da Turquia, país vizinho do Irã. Ele ameaçou com pesados bombardeios se o Irã continuar a ameaçar a navegação em Ormuz, e até o momento os ataques foram ainda bem localizados, com número considerado muito reduzido de baixas. Mas tudo pode piorar, ainda mais se o regime se atrever a lançar um míssil na direção oeste. A Turquia mantém-se neutra, mas faz um malabarismo diplomático notável ao dizer-se aliada do Ocidente e de Trump enquanto sua postura em relação a Israel é beligerante, e ambígua em relação ao Irã.
A mídia aproveita para reforçar a cobertura dos ataques enquanto não há jogos na Copa do Mundo. Mas as quartas-de-final começarão amanhã. Como nem as equipes americana ou iraniana estão mais participando do evento esportivo, poderemos ver notícias de bombardeios e partidas em execução ao mesmo tempo. E ainda não se pode descartar uma tentativa de atentado na Copa, cujas partidas estão em solo americano, pois os eventos no México e no Canadá terminaram.
Autor de obras inesquecíveis que retratam os costumes de um Brasil rural, longe dos centros urbanos, Benedito Ruy Barbosa deixa este mundo aos 95 anos.
Quando o Brasil parava para ver novelas da Globo, ou da saudosa Manchete, era ele o responsável. Foi autor de Meu Pedacinho de Chão, de 1971, Cabocla, em 1979, Sinhá Moça, de 1986, Pantanal, de 1990, Renascer, de 1993, O Rei do Gado, de 1996, e Terra Nostra, de 1999, para citar apenas os seus maiores sucessos. Eram trabalhos onde os cenários eram zonas afastadas de Minas Gerais, do Centro-Oeste, da Bahia, do interior paulista, em épocas distantes ou contemporâneas. Pantanal, aliás, foi o seu sucesso mais lembrado, quando o autor estava na Manchete, dando um trabalho enorme para a Globo. Naquele tempo, estavam mais interessados na Juma Marruá e nas paisagens do interior do Mato Grosso do Sul do que na "bailarina da coxa grossa" paulistana vivida pela Cláudia Raia. Quando voltou para a emissora dos Marinho, ele compensou toda aquela dor de cabeça.
Alguns remakes também foram bem sucedidos, sendo todos da Globo, como Meu Pedacinho de Chão, Cabocla e Sinhá Moça. Eram raros os insucessos, ou os trabalhos que todos querem esquecer, como Velho Chico, em 2016, quando houve a morte do ator Domingos Montagner (1962-2016) num trágico acidente, enquanto ele interpretava o personagem Santo, um dos protagonistas. O remake de Pantanal também não gerou a repercussão esperada, por ser uma obra muito particular, onde qualquer versão modernizada, mesmo a do autor, não fazia jus à original.
Benedito Ruy Barbosa foi o representante de uma época onde a Globo era soberana na televisão, e não havia internet, streaming, videojogos, celulares, ou qualquer outro meio alternativo para distrair a população.
| A Globo não terá outro autor como Benedito Ruy Barbosa (1931-2026) para se salvar da decadência (Simone Marinho/O Globo) |
| Vini Jr. assumiu o papel de protagonista da Seleção, mas isso não foi o suficiente para impedir a eliminação precoce da Copa para os noruegueses (Matthew Childs/Reuters) |
Neste sábado os Estados Unidos, a democracia mais pujante e poderosa fo mundo, completam 250 anos de independência em relação à Grã-Bretanha.
Enquanto o Brasil era uma colônia de Portugal onde as ideias de independência ainda não afloraram totalmente, Portugal, por sua vez, era administrada pelo implacável Marquês de Pombal, a Prússia tinha como senhor Frederico, o Grande, e os outros países, como a França e o Sacro Império Romano-Germânico, eram governados por monarcas absolutos. A própria Grã-Bretanha era uma monarquia constitucional, embora longe da democracia, no reinado de Jorge III, considerado um rei insano.
Thomas Jefferson, John Adams e Benjamim Franklin redigiram a Declaração de Independência, assinada por eles e por outros políticos emancipacionistas, como John Hancock, em Filadélfia. O general George Washington comandava a resistência contra os britânicos, numa guerra ainda em curso. Eles só se tornaram realmente independentes após a rendição dos antigos colonizadores.
| O dia 4 de julho de 1776 mudou a História dos Estados Unidos - e do mundo; Thomas Jefferson (ao centro) viria a ser eleito presidente em 1800 (quadro de John Trumbull) |
No texto, já havia as bases para a futura democracia norte-americana, defendendo a liberdade como direito natural dos cidadãos das então Treze Colônias. De acordo com os princípios iluministas, abraçados pelos americanos mas temidos pelas cabeças coroadas do outro lado do Atlântico, estava definido um sistema de governo com três poderes separados e certa igualdade jurídica. O voto masculino, ainda definido segundo as suas propriedades de terras (escravos eram proibidos de votar) e os Colégios Eleitorais seriam regulamentados na Constituição de 1787. Dois anos após a promulgação da Carta, vigente até hoje, George Washington foi eleito presidente e John Adams foi eleito em pleito separado, como vice-presidente.
Desde então os Estados Unidos tornaram-se uma nação progressivamente mais livre, solidificando suas instituições e garantindo os direitos individuais, embora seu sistema político-eleitoral, baseado na autonomia dos Estados e dos colégios eleitorais, ainda esteja longe da perfeição, e haja muitas sequelas de práticas nefastas como a segregação racial (que permaneceu mesmo muito depois da abolição da escravidão durante a Guerra Civil). Mas é muito melhor do que certas "democracias" surgidas bem depois, como as de outros países americanos (Brasil, inclusive), vulneráveis à corrupção, ao populismo e à falta de responsabilidade quanto à observância das leis e das reais necessidades de seus povos.
E o que dizer das várias tiranias, como a do Irã, e de regimes autoritários, como os da China, da Rússia, dos países africanos e asiáticos, ainda firmes e fortes?
Queremos que o mundo seja justo e equilibrado, mas ele não foi feito para atender as vontades de cada um.
Lamentamos quando os fortes abusam e os fracos não conseguem se erguer. Por que os bons morrem cedo enquanto os maus sucumbem de velhice? Como aquele gato foi comer aquela ninhada de passarinhos? Por que uma civilização adiantada acabou enquanto impérios sanguinários progridem?
Dizem que o mundo é dos fortes ou dos astutos, mas isso não cobre toda a verdade. Porque muitas vezes o forte sente o peso dos anos e o astuto pode deixar de considerar um ou outro detalhe importante em suas maquinações, e ser punido ou vencido justamente por causa disso. Charles Darwin considerou isso ao proferir sua frase: "Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas sim o que melhor se adapta às mudanças". Mas, talvez, isso não seja abrangente o bastante quando se trata do destino humano, pois houve exceções, como os inexplicáveis casos de boa ou má sorte, ou quando as mudanças ocorrem de maneira muito rápida, dificultando as adaptações. Muitos apontam os casos da IA e dos fenômenos climáticos, que impõem desafios talvez difíceis demais para a imensa maioria de nós.
Queremos que a realidade se molde aos nossos desejos. Mas isso geralmente não acontece. Então é mais sensato fazer nossos desejos se moldarem à realidade. Não adianta bancar a torcida. É necessário ser o agente ativo deste jogo.
Isso lembra os resultados da Copa do Mundo. Ontem muitos torceram pela República Democrática do Congo ou para Senegal, que tiveram chance contra a Inglaterra e a Bélgica, respectivamente. Reclamam dos "países colonizadores", como se a questão fosse de justiça e não de futebol. E, em outro caso, lamentam hoje que a Croácia não tivesse vencido Portugal, pois para muitos ela teria jogado melhor. Em todos esses casos, os resultados foram determinados pelos jogadores e pelos árbitros (incluindo o VAR), nunca pelas torcidas.
E o mundo segue seu caminho.
N. do A.: Muito se fala de um conluio entre federações, grandes empresas e um poder obscuro, capaz de transformar cada um de nós em meras peças de um imenso tabuleiro. Mas isso é uma especulação.
A Guiana Francesa é um território muito pouco citado por aqui, ou por qualquer outra fonte vinda do Brasil, mas ela é um "pedaço" ultramarino da França vizinho ao Amapá.
Com o acordo assinado hoje na sede do Itamaraty (Brasília) entre o Ministério das Relações Exteriores e o ministro francês da Europa e dos Negócios Estrangeiros Jean-Nöel Barrot, brasileiros podem visitar o território, pertencente à Amazônia, por até 30 dias sem exigência de visto, considerando um período de seis meses. Ou seja, é possível visitar ou fazer trabalhos temporários por até 60 dias/ano.
| O ministro Mauro Vieira e o representante europeu dos Negócios Estrangeiros assinam acordo em Brasília para liberação de vistos provisórios de brasileiros na Guiana Francesa (Matheus Santos/Rede Amazônica) |
É necessário elogiar o Supremo quando ele acerta. E, neste fim de mês, a Primeira Turma acertou ao definir a perda do cargo como a punição máxima para os juízes, no lugar da aposentadoria compulsória, algo que a população nem considera um castigo. Neste caso, pode-se dizer que eles fizeram um "golaço", aproveitando o clima de Copa do Mundo.
| Agora, segundo o STF, quem cometer faltas graves poderá ser punido, a critério da Justiça, com a perda do cargo e do salário (Instagram/aquivaleoficial) |
Por outro lado, o corporativismo do meio jurídico que pressionou a PGR os fez recuar na questão dos chamados "penduricalhos", aqueles ganhos a mais capazes de engordar substancialmente o salário dos magistrados. Entre esses ganhos estão licenças-prêmio e, principalmente, verbas indenizatórias, como ajudas de custo, auxílios-saúde, auxílio-alimentação, gratificações por plantão, a Parcela de Valorização por Tempo de Antiguidade (recebido por juizes com mais de cinco anos de atividade, limitado a 35% do salário) e outros privilégios nem sequer sonhados por trabalhadores comuns, e capazes de sangrar (ainda mais) o NOSSO DINHEIRO.
O plenário aceitou pagar, retroativamente, parte desses "penduricalhos". Mais uma vez em clima de Copa, pode-se dizer que isso foi um gol contra com direito a um "frango", próprio de gente que diz defender uma meta, mas não a faz de forma muito dedicada. Ou faz o jogo do adversário.
Todos estão comentando a Copa do Mundo, principalmente os jogos do Brasil x Japão e Alemanha x Paraguai. Mas vou abordar um assunto diferente. Comento sobre os jogos no final do texto.
Há muito tempo, existe um projeto de "desextinção" de uma espécie extinta. O projeto Quagga existe desde 1987 para reviver a zebra Quagga, uma espécie do sul do continente africano com listras "meio apagadas", desaparecida em 1883 por causa da caça e da perda de habitat.
Os zoólogos envolvidos estão cruzando espécimes de zebras das planícies (Equus quagga), o animal mais próximo do quagga (Equus quagga quagga), gerando indivíduos com listras cada vez menos aparentes na parte traseira, ficando mais próximos do objetivo. Todavia, os animais mais recentes gerados ainda não podem ser classificados como quaggas propriamente ditos.
| Um dos indivíduos mais recentes gerados pelo projeto; o verdadeiro Quagga tinha listras menos evidentes e de cor marrom. |
| Ninguém esperava nada do time de Cabo Verde, mas ele conseguiu vaga para a fase eliminatória da Copa do Mundo, enquanto equipes muito mais tradicionais, como o Uruguai, sucumbiram (Roberto Schemidt/AFP) |
Finalmente!
Daqui a alguns dias será inaugurado o primeiro trecho da linha 6 "Laranja" ou "das universidades", entre João Paulo I, na Zona Norte, e Perdizes, na Zona Oeste.
Este primeiro trecho vai, a princípio, ligar bairros como a Freguesia do Ó para outros, como a Água Branca, permitindo acesso mais rápido para alguns pontos relevantes, como o SESC Pompéia e o estádio do Palmeiras. O governador Tarcísio de Freitas já promete integração com a linha 7 (Rubi), que liga Barra Funda a Jundiaí, para acesso fácil a outros pontos da cidade.
| Tempo de viagem dos moradores de Brasilândia e Freguesia do Ó ao centro irá despencar com o metrô (Divulgação/Governo de São Paulo) |
Milhares de moradores da Zona Norte há anos esperavam por esta obra. Desde o século passado havia expectativas para a construção, iniciada somente em 2015. Ou seja, 11 longos anos, devido aos problemas de licitação, acidentes (este blog falou sobre a cratera formada junto à Marginal Tietê), a pandemia de COVID-19 e escândalos de corrupção envolvendo empreiteiras como a OAS, a Andrade Gutierrez e a Odebrecht, e o próprio Metrô. Somente nos últimos anos, coincidindo com o fim da era tucana no governo paulista (Geraldo Alckmin e João Dória), as obras aceleraram.
No primeiro dia do mês que vem, haverá a inauguração, e muitos verão as estações ainda inacabadas, em processo de acabamento. Ainda neste ano, as estações Hospital Vila Penteado e Brasilândia estarão na ativa, e somente em 2027 haverá a ligação direta com a linha 1, pelo metrô São Joaquim, e a inauguração das diversas estações agora ainda em construção, para acesso à PUC e ao Mackensie, daí o apelido "linha das universidades".
N. do A.: A estação São Joaquim fica no bairro da Liberdade, e isso lembra a classificação dos japoneses para a fase das 16ªs de final; eles enfrentam a Seleção no dia 29 de junho, uma segunda-feira. Existe um abismo entre o histórico dos dois times, mas a equipe nipônica já venceu os canarinhos num amistoso no ano passado, por 3 a 2, fato exposto neste blog.
Em outros tempos, os brasileiros ficavam mais anestesiados durante a Copa do Mundo. O evento muitas vezes fazia esquecer os problemas do cotidiano, dando razão ao sábio Nelson Rodrigues.
Sim, a mídia está dando destaque ao CR7, que fez dois gols e mostrou a sua categoria sobre o pobre time uzbeque, à maneira do antigo imperador Cômodo, que se exibia no Coliseu lutando com escravos. Mas outros assuntos estão chamando a atenção.
Temos a investigação da Polícia Federal sobre o banco Digimais, financiador da Igreja Universal do Reino do Deus, de Edir Macedo. A instituição financeira está com déficit bilionário, e se ofereceu para venda ao BTG Pactual, mas ainda falta esclarecer o rombo. A agência Moody classifica o rating do Digimais como quase próximo da insolvência, com a baixíssima nota CCC+.
| Edir Macedo, dono da IURD e do Grupo Record, é acionista no banco Digimais (Divulgação/Fotomontagem) |
Trump também atua ativamente na América Latina, onde as forças conservadoras ganham terreno. Muitos brasileiros esqueceram a Copa e estão mais interessados na atuação do presidente americano e seu secretário Marco Rubio, que ameaçam retomar as sanções contra o Brasil em geral e contra Alexandre de Moraes em particular. Além disso, na América Latina as forças conservadoras ganham terreno com a vitória eleitoral de Abellardo de La Espriella ("El Tigre") na Colômbia e a confirmação da vitória de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, nas eleições peruanas realizadas em abril. Haverá uma confirmação da vitória, contestada pelo candidato derrotado Roberto Sánchez, que ameaça pedir a impugnação dos votos no exterior.
A Copa do Mundo pode até monopolizar a atenção de boa parte dos veículos de imprensa, mas no domingo houve competições importantes em outros esportes.
Comecemos por João Fonseca, que tentou, junto com o alemão Daniel Altmaier, o título do Terra Wortmann de Halle (ATP 500). Perderam dos franceses Theo Arribagé e Albano Olivetti, por 2 sets a 0 (7/6 e 6/4). Eles haviam conseguido uma rara chance de voltarem ao torneio, após desistência do australiano Nick Kyrgios na chave de duplas. Conseguiram uma vitória suada contra o americano Ben Shelton e o italiano Flavio Cobolli por 2 sets a 1, na semifinal. Mas na final os franceses atuaram melhor, perdendo menos pontos nos games de serviço.
Rayssa Leal também competiu, no skate, pelo Mundial de Roma. Recuperada de lesão, ela sentiu ainda a falta de ritmo e terminou em quinto lugar.
Hugo Calderano, no tênis de mesa, disputou a final do WTT Star Contender em Ljubljana, na Eslovênia, com o japonês Shunsuke Togami em jogo eletrizante, mas perdeu por 4 sets a 3, parciais de 7/11. 12/10, 11/8, 4/11, 11/5, 7/11 e 11/7. Atualmente, o brasileiro é o oitavo no ranking da ITTF.
Por outro lado, Rebeca Andrade não decepcionou e ganhou o ouro no individual do Pan de Ginástica Artística no Rio de Janeiro. Após ficar no topo do pódio, surgiram rumores de um affair com outra mulher, negados pela ginasta.
Outra a brilhar foi a pugilista Bia Ferreira, campeã dos 65 kg no Mundial da China ao derrotar, por pontos, a inglesa Sacha Hickey.
| A baiana Bia Ferreira ficou dois anos afastada do esporte antes de voltar a brilhar no Mundial de Boxe na China (Divulgação/X/Piu Esportes) |