Mostrando postagens com marcador Indústria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Indústria. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Messi passa o bastão. Para Yamal?

Com o fim desta Copa do Mundo, podemos tentar discutir o legado, considerando as decisões da FIFA motivadas pelo interesse comercial em detrimento do futebol, e o péssimo precedente de atender às vontades do presidente americano Donald Trump, que deveria ser tratado como um torcedor como todos os outros, como faz entender o próprio regimento da entidade. Não em relação à premiação, onde ele tem o direito de tocar na taça e entregá-la à cerimônia como bem entender, como chefe de Estado de um país anfitrião, mas naquele vergonhoso episódio envolvendo o Balogun. 

De toda forma, ela foi vencida pela Espanha com méritos e com direito a um papel ridículo mostrado pelo time argentino, que não demonstrou nada do futebol mostrado até antes da final e insistiu em fazer encenações e faltas desleais mesmo quando caíram na armadilha espanhola e não conseguiram jogar. O pior é a falta de espírito esportivo após o jogo terminar, provocando uma briga com os espanhois. A arbitragem também merece questionamentos, mostando novamente conivência com o anijogo, embora não fosse das piores. 

Depois de um gol de Nico Williams anulado de forma estranha no tempo normal, Ferran Torres marca o único gol válido da partida e comemora (Franck Fife/AFP)




Gianni Infantino e Donald Trump se preparam para entregar a taça ao time espanhol (Karl Pfaffenbach/Reuters)

Cubarsí (esq.) foi a revelação, como melhor jogador jovem, e Unai Simón (dir.) foi o melhor goleiro; em decisão questionada, Rodri foi escolhido como o melhor jogador (Divulgação/X)


O capitão Rodri ergue a taça de campeões (Reuters)


Lionel Messi chora por causa da derrota argentina e de ser sua (provável) última partida oficial pela Albiceleste (Divulgação/Instagram)


Mesmo assim, considerando toda a campanha, não há como desmerecer Messi, o maior jogador do nosos tempo. Responsável por todos os tíutlos conquistados pelo Barcelona, PSG, Inter Miami e, principalmente, pela Seleção Argentina, ele fará falta no cenário futebolístico. O time Albiceleste precisará se virar sem ele, após ganhar duas Copas América (2021 e 2024) e um título da Copa do Mundo (2022) dependendo de sua genialidade. 

Ele passará seu legado de alguma forma, e há rumores de haver um sucessor. Não pelo seu desempenho atual, mas pelo que ele ainda poderá vir a fazer, com base nas propagandas da Adidas e em uma foto onde ele dava banho num Yamal ainda bebê. O "sucessor" seria Lamine Yamal, o jovem astro do time espanhol (que nem foi lembrado na premiação de melhor jogador jovem, apesar dos seus 19 anos, poucos meses até mais jovem que Cubarsí apesar de estar na seleção titular há mais tempo). Yamal, que não é somento o "único negro numa seleção de brancos", pela sua ascendência africana e mestiça (pai marroquino e mãe guineense, imigrantes residentes na Catalunha), foi o grande destaque da Eurocopa 2024, vencida pelos espanhois. 

De acordo com a propaganda da Adidas, Messi, o seu mais ilustre patrocinado, é o "goat" (greatest of all time, uma sigla coincidente com o termo em inglês para "bode"), e Yamal, também patrocinado pela marca alemã, é um "goat" em formação, ou "kid", termo originalmente usado pelos britânicos para filhotes de capirnos. Isso gera várias interpretações, algumas de teor acusatório, devido ao aparente poder do futebol ser o "ópio do povo" no mundo inteiro e às discutíveis relações entre o futebol moderno e a maçonaria, sendo o bode incorretamente associado a esta organização por ser um símbolo de animal capaz de guardar segredos (e, para alguns, símbolo demoníaco). 

Há 19 anos, o jovem Messi deu banho no bebê Yamal numa campanha publicitária do jornal Sport (Oan Monfort/Divulgação)


Campanha publicitária da Adidas após Messi ganhar a Copa América e Yamal, a Eurocopa, em 2024. os dois são patrocinados pela poderosa marca, que também financia a FIFA (Divulgação/Adidas)


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Origens dos corantes

Nesta semana o FDA proibiu o uso do corante vermelho eritrosina (Vermelho 3 INS 127) para qualquer fim em solo americano, após evidências de câncer em ratos, em decorrência do consumo dessa substância, obtida a partir da reação entre outro corante vermelho, a fluorosceína, com iodo e bicarbonato de sódio. Por sua vez, a fluorosceína, empregada para fins não alimentícios (como uso em análises da saúde da córnea em clínicas oftalmológicas), é produto da reação entre o resorcinol e o anidrido ftálico, duas substâncias de origem benzênica, tendo o petróleo como fonte. No Brasil, esse pigmento é a base da fabricação de muitos doces, como aqueles pirulitos vermelhos famosos. 

Outros corantes também são problemáticos, por terem origem semelhante. O vemelho 40 (allura red, INS 129), acusado de também ser cancerígeno, é também de origem benzênica e empregado em sucos e doces. Outro vermelho, o INS 123 (Amaranto), mais um derivado do petróleo, e é o responsável por dar a cor à groselha (não à fruta, mas à bebida). O amarelo tartrazina (INS 102), evitado por quem tem alergias e usado no refrigerante Fanta no Brasil, é obtido a partir do alcatrão de carvão, embora possa ser extraído em pequenas quantidades da beterraba. Do alcatrão também é possível extrair o amarelo crepúsculo (INS 110) usado nos chicletes e nos iogurtes. Formado à base de hidrocarbonetos do petróleo, o azul brilhante (Azul 1) é usado para tingir bebidas alcoólicas e doces, muitas vezes combinados a outros corantes para formar substâncias roxas e verdes. O corante caramelo IV presente nos refrigerantes tipo cola não é produzido pela queima do açúcar, como se costuma pensar, e sua origem é algo obscura, portanto digna de preocupação. 

Por outro lado, existem os corantes naturais, como o amarelo cúrcuma, o vermelho urucum, as betalaínas (extraídas da beterraba), as antocianinas (popularmente conhecidas como flavonóides) e a verdíssima clorofila responsável pela fotossíntese das folhas. Ainda existe, para o asco dos veganos, o corante vermelho carmim, extraído a partir da trituração de milhões de parasitas de cacto, as cochonilhas. 

A indústria emprega corantes como a eritrosina para seduzir os consumidores com alimentos e bebidas coloridas (Divulgação: Freepik)


quinta-feira, 25 de julho de 2024

Da série 'Grandes marcas (sumidas) do Brasil', parte 3

Olimpíadas lembram esportes, que exigem uma alimentação saudável. E uma das fabricantes nacionais mais conceituadas nesta área é a Olvebra, empresa gaúcha de produtos à base de soja. 


A Olvebra foi fundada pelos chineses Sheun Ming Ling (1921-2020) e Charles Kung Wei Tse (?-?), em 1955. Eles, fugitivos do regime comunista chinês, viram na soja um potencial alimentício muito valioso, Fundaram a empresa em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Essa marca é uma sigla para "Óleos Vegetais Brasileiros". 

Com isso, a leguminosa, antes pouco apreciada, passou a ser melhor aproveitada, não só para a produção de óleo, mas também para o extrato de soja em pó, para a substituição do leite em pó, para quem é alérgico à lactose e quer perder peso. 

As marcas mais conhecidas da Olvebra são o Soymilke e o Choco Soy, este último um chocolate com leite de soja, sem produtos animais. Também existe o já tradicional óleo Violeta (agora propriedade da Celena Alimentos, desde o abandono da comercialização do óleo para o varejo por parte da Olvebra) e o Sustare, para concorrer com a Sustagen da gigante Reckitt Benckiser, multinacional da indústria química. Também há produtos à base de óleo de coco, muito procurados por quem acredita em suas propriedades nutricionais, e produzidos por uma empresa do grupo, a Caeté. 

Curiosamente, nunca houve uma divulgação ostensiva dos produtos desta marca gaúcha na mídia. Também ela vem aparecendo pouco nas reportagens dos jornais, apesar dos consumidores estarem preocupados com a situação da empresa, que chegou a ficar em recuperação judicial recentemente (2018), devido às dívidas de R$ 448 milhões. Por outro lado, os produtos da marca são muito presentes nos supermercados, hipermercados e outras varejistas. 

sexta-feira, 1 de março de 2024

Alta do PIB em 2023

O desempenho do Brasil em 2023 na economia foi moderado, com alta de 2,3%, um pouco abaixo da média de 3,1%. 

Mais uma vez, a agropecuária foi a responsável, graças ao bom desempenho na safra da soja e do milho, produtos de alta demanda mundial. No entanto, preocupa o encolhimento no setor industrial, com queda de 1,3% no setor de transformação, isto é, as áreas de metalurgia, mecânica, elétrica e automotiva. 

Em geral, não dá para comparar com o desempenho da China e da Índia, as grandes potências asiáticas, mas o PIB cresceu mais do que o dos Estados Unidos, ainda a maior economia do mundo, enquanto países como a Alemanha se saíram mal no ano passado. 

Crescimento do Produto Interno Bruto em alguns países, com o Brasil em destaque (Reprodução/Folha de S. Paulo/IBGE)

N. do A.: Em março provavelmente vou evitar tocar em assuntos de economia e política, procurando variar os assuntos. 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Será que teremos um novo ciclo de industrialização?

Em São Bernardo do Campo, o presidente Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, foram até a Volkswagen para um acordo de R$ 16 bilhões para a produção de veículos até 2026, com destaque para os modelos híbridos. Para a cerimônia, eles imitaram a foto histórica de 1959, de JK embarcado num icônico Fusca. O modelo escolhido atualmente nem é tão chamativo, um Virtus conversível, modelo não existente no mercado. Na foto, Ciro Possobom, o presidente da filial da fábrica alemã, estava no volante. 

Haverá mais investimentos da indústria automobilística para a produção de veículos elétricos e híbridos, mas só isso não indica uma retomada na industrialização. 

Lula e Alckmin posando de incentivadores da indústria na fábrica da Volkswagen (Ricardo Stuckert/Presidência da República do Brasil)

De concreto, mesmo, apenas um plano de intenções lançado no último dia 22, com o nome de "Nova Indústria Brasil", prometendo investir ao todo R$ 300 bilhões, com boa parte do dinheiro financiada pelo BNDES. Mas não há nada de muito detalhado, para explicar como eles irão realmente incentivar a indústria, assolada pela alta tributação e infra-estrutura ainda com muito por fazer, apesar das melhorias paulatinas ao longo do tempo. 

Teme-se a reedição de velhas políticas já testadas e reprovadas pelo PT, usando grandes empresas para algo além da geração de riquezas - vide o caso do Quadrilhão. 

A industrialização irá decolar, mesmo, com melhorias no quadro educacional do Brasil, para formação de pessoas mais capacitadas e para combater o analfabetismo funcional, ou seja, a incapacidade de interpretar textos simples, que impede a pessoa de entender as instruções necessárias para a prática de alguma profissão. Isso favoreceria não só a indústria, mas o agronegócio e os serviços, ou seja, toda a cadeia econômica, para fazer o Brasil realmente pensar em um crescimento sustentável, gerar riquezas e distribuí-las de forma menos deletéria para a população. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 16 - Criação de novas razões sociais

Este é um post complementar sobre a série "(Des)industrialização no Brasil atual", relativo ao registro das empresas, de acordo com a legislação atual. 

Segundo a Lei Complementar N. 123/2006, ou seja, o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, as empresas enquadradas no Simples Nacional, que institui vantagens tributárias às pequenas empresas, devem ser identificadas em EPP - Empresa de Pequeno Porte - e ME - microempresa. O limite de distinção entre uma e outra é o faturamento atual, de R$ 360 mil em valores atuais. 

Além disso, a lei 12.441, de 2011, estabeleceu recentemente um novo tipo de empresa, a EIRELI, ou Empresa Individual de Responsabilidade Limitada, onde existe apenas um dono registrado. Antes, era necessário filiar-se a pelo menos um sócio para formar uma empresa, identificada como sociedade limitada, conhecida pela sigla LTDA. Quando mais de sete sócios estão envolvidos, a empresa é do tipo S.A. (Sociedade Anônima). 

Por isso, nos últimos anos muitas empresas deixaram de ser identificadas como LTDA. e passaram a utilizar a sigla EIRELI, dizendo que agora possuem o controle de apenas uma pessoa. Um exemplo é a Ultrafarma, cujo dono é Sidney Oliveira. O nome oficial (contrato social) é Ultrafarma Saúde Eireli. 

Entre as sociedades limitadas, a empresa de chocolate citada no escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro é chamada de Bolsotini Chocolates e Café Ltda., indicando que o filho do presidente não é o único dono do estabelecimento acusado de lavar dinheiro obtido das "rachadinhas", exploração ilegal de funcionários públicos para sustentar um esquema de milicianos e funcionários fantasmas. O outro sócio é Alexandre Santini. Mas a imensa maioria das LTDA. (e das empresas em geral) não possui tantos problemas com a Justiça.

Um exemplo de sociedade anônima é a BRF - Brasil Foods S.A. (dona da Sadia e da Perdigão). Em geral, mas nem sempre, as sociedades anônimas, principalmente as de capital aberto (com ações negociadas na Bovespa) são de maior porte do que as sociedades limitadas ou as EIRELI. Algumas sociedades anônimas não são identificadas como S.A., mas como Companhias (Cia.), como a Melhoramentos, fábrica de papel, celulose e derivados (cadernos, livros), cujo nome social é Cia. Melhoramentos de São Paulo. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 15 - Indústrias de materiais elétricos

Encerrando a série sobre as indústrias brasileiras, este blog fala sobre a (triste) situação do setor elétrico. Assim como na indústria eletrônica, a indústria de materiais elétricos é dominada pelas multinacionais. 

Lâmpadas, por exemplo, são de procedência chinesa, tanto as já obsoletas fluorescentes quanto as de LED, quando não são da Osram (alemã), da Philips (holandesa) ou da Luxfort (americana). Havia a FLC e a Golden, mas ambas faliram. Existem as lâmpadas mais sofisticadas, de halogênio ou dicroicas, onde os produtos chineses são menos predominantes, mas ainda assim este mercado não é explorado por empresas brasileiras. 

Fios e cabos elétricos também são dominados por estrangeiras, como a Prysmian italiana e a Furukawa japonesa, mas existem fabricantes locais como a Sil e a Induscabos. 

Disjuntores e outras peças para instalações elétricas também estão neste caso, embora haja empresas fortes como a Wetzel, a Fame e a Steck. A Eletromar é um caso curioso de empresa antes brasileira que passou para mãos de estrangeiras como a Westinghouse e a Eaton, americanas, e a alemã Hager, e agora está nas mãos de um grupo brasileiro, a Mec-Tronic. Trata-se de uma empresa "repatriada", como a Coqueiro ou a CCE. 

A Suprens, empresa que nasceu no bairro paulistano da Casa Verde, e a Inca, de Mococa (cidade interiorana paulista, próxima à divisa com Minas Gerais), precisam disputar, com desvantagem, o mercado de abraçadeiras e outros equipamentos de fixação de cabos elétricos com a britânica HellermannTyton e a americana 3M. 

Resistores, capacitores e indutores, peças fundamentais para qualquer sistema elétrico, são produzidos, em maior parte, pela Siemens, existindo pequenas fabricantes tanto brasileiras quanto chinesas e de outras procedências. 

Equipamentos de controle de iluminação, aparentemente prosaicos, há tempos possuem uma marca hegemônica, a Legrand francesa. Ela adquiriu várias marcas nacionais, como a Pial, a HDL, a Bticino e a famosíssima Lorenzetti. Esta última ainda é sinônimo de chuveiro, embora divida o mercado com a também famosa Corona (marca do grupo brasileiro Hydra) e a já citada Fame. 

Grandes indústrias como a Eaton e a ABB (sueca), além da Siemens, controlam o mercado de equipamentos de alta tensão. Neste nicho as empresas brasileiras praticamente inexistem. 

Em suma, o mercado de produtos elétricos é quase tão ingrato para as fabricantes nacionais quanto no caso dos produtos eletrônicos, abordados na primeira postagem da série. As empresas nacionais, ao longo dos anos, ou fecham ou são adquiridas por empresas estrangeiras, com algumas exceções. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 14 - Indústrias ligadas à construção

Voltando às chamadas indústrias de transformação, este blog irá exibir duas postagens ligadas às indústrias ligadas à construção. A primeira tratará de móveis, ferragens e materiais de construção em geral. A segunda, em breve, tratará dos materiais elétricos, os quais, de certa forma, estão ligados à indústria eletrônica, primeiro tópico da série. 

O Brasil ainda pode se considerar privilegiado nestes setores, em termos gerais.

Na indústria de mobiliário, ligada de certa forma ao post anterior, que tratava das indústrias extrativas, por utilizar madeira como matéria prima, há ainda uma profusão de pequenas e médias fábricas, as quais fabricam mesas, cadeiras, estantes, armários, guarda-roupas e outros utensílios domésticos. Alguns móveis são feitos com chapas metálicas de alumínio ou aço. Destacam-se a Itatiaia, Kappesberg, Dalla Costa, Mobilarte, Foscarini, entre outras. 

Empresas ligadas à construção civil incluem as empreiteiras para fabricar grandes obras (edificações, rodovias, ruas, pontes), como as (infelizmente muito difamadas) Odebrecht, Camargo Correa, OAS e Queiroz Galvão, e as indústrias para acabamento e reforma, como a Duratex, a Votorantim, a Tigre, e outras fabricantes de materiais de construção. São exemplos de grandes empresas ainda muito fortes no cenário brasileiro, mas que já tiveram dias melhores, nos anos JK e no regime militar, quando havia maior crescimento econômico e demanda por infraestrutura. As empreiteiras são, ultimamente, muito vistas como parte ativa na corrupção, por suas ligações com a classe política.

Ainda existe o setor de ferragens, como fechaduras, dobradiças, cadeados e outros. Este setor passa por uma desnacionalização e atualmente está dominado por multinacionais, embora existam pequenas fábricas nacionais. A Assa Abloy, gigante sueca, apoderou-se nos últimos anos das maiores empresas brasileiras, como a Papaiz, a Arouca e a Silvana, todas de muita tradição no país. A única grande ainda em mãos "tupiniquins" é a Pado, empresa com mais de 80 anos de história.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 13 - Indústria extrativa e de minérios

Outro setor considerado "indústria de base" é a indústria extrativa, seja vegetal ou mineral, pois extrai os recursos naturais para serem aproveitados por outras indústrias, como a alimentícia e a metalúrgica. 

As indústrias extrativas vegetais diferem do simples extrativismo por sua atividade em larga escala. Dentre elas, destaca-se a indústria florestal, com a extração de madeira provinda do corte de árvores. A maior parte das grandes empresas do setor exploram florestas não nativas, geralmente eucaliptos, para a fabricação de papel e celulose, como é o caso da Klabin, da Suzano, da VCP (Votorantim Celulose e Papel) e da Melhoramentos Florestal (pertencente ao grupo Melhoramentos, responsável por várias publicações de livros). Não houve uma desindustrialização dramática neste setor, a não ser as compras da Aracruz pela VCP e a Ripasa pela Suzano. A International Paper tem forte presença no Brasil, mas a concorrência forte com as empresas nacionais limita seu poder. 

Por outro lado, existem as madeireiras. No Brasil, as madeireiras nacionais são de pequeno porte e estão proibidas de extrair determinadas madeiras. Muitas delas também se dedicam ao plantio de árvores, para serem derrubadas, certificadas e comercializadas. Existem grandes madeireiras estrangeiras dedicadas a fazer a extração ilegal nas florestas, constituindo um sério problema ambiental, principalmente na Amazônia.

Dentre as indústrias extrativas minerais temos a indústria petrolífera, cuja grande representante é a Petrobras, gigante estatal de economia mista e, por muito tempo, a maior empresa brasileira, até acontecer o famigerado "Petrolão", ou "Quadrilhão", responsável pelo intenso sangramento dos recursos. Voltando a recuperar a pujança de antes, ela se dedica à extração, refino e distribuição de petróleo e seus derivados (gasolina, diesel, querosene, lubrificantes, hidrocarbonetos para a indústria de plásticos) e também gás natural. Uma de suas subsidiárias, a BR Distribuidora, teve a maior parte de suas ações vendidas para milhares de investidores (pessoas físicas), boa parte deles estrangeiros. 

Na parte referente à indústria de minérios, temos gigantes como a Vale, tristemente conhecida como responsável pelas tragédias de Mariana (em conluio com a BHP Billiton, anglo-australiana que divide igualmente com a Vale o controle da Samarco) e Brumadinho, mas também pela extração de matéria-prima importante, como minérios ferrosos e minerais como a bauxita (aluminio), cassiterita (estanho), caulim e óxidos de manganês, níquel, titânio e outros metais. Nasceu como estatal em 1942, sob o nome Companhia Vale do Rio Doce, e foi privatizada em 1997. Outras mineradoras brasileiras são principalmente ligadas às indústrias metalúrgicas e siderúrgicas, previamente abordada neste blog, como é o caso da CSN, Alunorte, Açominas e MMX, esta última do grupo EBX, de Eike Baptista.

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 12 - Indústrias metalúrgica e siderúrgica

Até agora este blog não havia exposto a indústria de base, importantíssima na História do Brasil desde o governo de Getúlio Vargas. 

Foi durante essa época ditatorial e nacionalista que surgiu a primeira grande siderúrgica brasileira, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). Esta empresa foi a pioneira na fabricação do aço brasileiro, e até agora, já privatizada e atualmente nas mãos de Benjamin Steinbruch, é a responsável pela maior parte das ligas ferrosas no país. Teve uma história acidentada, principalmente quando era estatal: foi palco da morte de três trabalhadores por forças do Exército em 1988, episódio explorado politicamente e que levou à vitória da oposição em boa parte das grandes cidades nas eleições municipais.

A partir de 1946, a Gerdau, empresa tradicional fundada no século XIX por Johann Heinrich Kaspar Gerdau, imigrante alemão, passou também a se destacar no ramo, não se limitando mais à fabricação de pregos. O Grupo Gerdau é um dos maiores impérios privados da América Latina e um dos maiores recicladores de sucata do mundo.

Não se pode esquecer outras grandes siderúrgicas, como a Usiminas e a COSIPA (Companhia Siderúrgica Paulista), fundadas na década de 1950. A Usiminas se tornou a primeira estatal a ser privatizada na Nova República, em 1991, e melhorou ainda mais seu desempenho. É a líder na fabricação de aços planos na América Latina. Em 1993, a COSIPA foi adquirida pela Usiminas ao ser privatizada, e agora é uma subsidiária da gigante mineira. 

Recentemente, em 2008, a Votorantim passou a produzir aço, com capacidade para 2,7 milhões de toneladas por ano. 

Pode-se dizer que o Brasil ainda está muito bem neste ramo, apesar da forte concorrência de multinacionais como a Arcelor-Mittal e a ARMCO. 

A siderurgia é, no entanto, apenas um ramo da metalurgia, a arte de fabricar metais cultivada desde a Pré-História, inicialmente para fabricar armas brancas de ferro, cobre e bronze (liga de cobre e estanho). Depois, foram produzidos utensílios de outros metais, como ouro, prata, chumbo e mercúrio. Os metais "nobres" foram e ainda são muito empregados em joalheria. A metalurgia conheceu grande avanço na Revolução Industrial, quando houve uma grande demanda por matérias primas para diversas máquinas e ferramentas. Depois, os metais foram empregados nos veículos, utensílios domésticos, fios e cabos elétricos, computadores e diversos equipamentos com graus variados de sofisticação. Metais antes pouco explorados como o alumínio e o titânio tornaram-se fundamentais para a humanidade.

No Brasil, a metalurgia em geral ficou nas mãos de várias empresas, muitas delas de pequeno porte e boa parte delas sofrendo com as incertezas da economia, como a maior parte do setor industrial. A exceção é a Votorantim, já citada, referência na produção de alumínio com a sua subsidiária, a CBA (Companhia Brasileira de Alumínio). Ela tem concorrência forte das multinacionais Rio Tinto Alcan, Alcoa e Rusan. 

Um caso à parte é a indústria de metais sanitários, que não faz parte das indústrias de base: a Tigre e a Itaúsa (Deca, Hydra) são as referências. Outro é a indústria de utensílios de cozinha, com destaque para a Mundial e a Tramontina. O sofisticado mercado de joias está concentrado em poucas e pequenas empresas (Dryzun, A Suissa, H Stern). Já a produção de bijuterias é dividida entre outras fábricas também de porte reduzido, algumas de "fundo de quintal". Ferramentas, máquinas e autopeças foram abordadas anteriormente. Materiais elétricos terão um post mais adiante.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 11 - Indústria bélica e armamentista

Continuando a série sobre a atual situação da indústria brasileira e, particularmente, da indústria bélica, este blog vai expor a situação de um setor não muito considerado, mas importante para a economia do país. 

Este setor ainda é relativamente controlado por brasileiros desde os tempos da Fábrica da Estrela, nos anos 1930. Mas a maior parte das armas em circulação não é fabricada aqui, e boa parte delas é contrabandeada. O tráfico de armas é um dos maiores problemas de segurança do Brasil. 

Já antecipei o caso da Avibrás, fabricante de veículos militares. Sua especialidade, porém, é a fabricação de armas, como mísseis e foguetes, além de sistemas de rastreamento e radares. É uma das maiores indústrias do ramo na América Latina, e possui instalações próximas ao CTA - Centro Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos. 

Outra fábrica de material bélico pesado é a IMBEL, estatal criada em 1975. Contudo, já havia outras fábricas, como a Indústria Nacional de Armas, a Lerap e a Caramuru (pertencente ao grupo dos famosos fogos Caramuru, os tais que "não dão chabu" e ainda estão firmes no mercado de fogos de artifício). 

Uma fabricante de armas leves e portáteis, muito em evidência atualmente devido à polêmica em torno do Estatuto do Desarmamento, questionado pelo presidente Bolsonaro e seus apoiadores, é a Taurus, de São Leopoldo. Praticamente domina o mercado de pistolas, algo contestado pelos parlamentares defensores de uma maior comercialização de armas, a chamada "bancada da bala". Foi fundada em 1939. 

Outra empresa de destaque é a CBC, a Companhia Brasileira de Cartuchos, líder hegemônica no mercado interno de munição leve. Começou como subsidiária de multinacionais (a americana Remington e a britânica ICI), mas se tornou nacional em 1979.

A indústria bélica do Brasil tem esperança de vender mais produtos no mercado interno, já que a maior parte vai para a exportação, mas teme uma possível abertura para as armas importadas legalmente. Ela sofre com o contrabando e o Estatuto do Desarmamento, um empecilho aos seus negócios. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Da série "(Des)industrialização do Brasil atual", parte 10 - Indústria de aeronaves e veículos militares

Depois de algum tempo sem postar um artigo da série "(Des) industrialização do Brasil atual", é com certa comoção que este blog chega a dois setores onde o Brasil teve uma história gloriosa: o de aviões e veículos militares.

Quando se pensa em fábrica de aviões no Brasil, logo se pensa na ex-estatal Embraer, mas parte do negócio dela, relacionado à aviação civil de jatos comerciais de médio e grande porte, está associado à Boeing, por meio da difamada joint-venture entre essas duas empresas, ainda não efetivamente consolidada devido às questões levantadas pela Europa. Quanto aos aviões militares, estes ainda estão resguardados da gigante americana, mas a demanda já foi bem maior. Felizmente, na área de jatinhos executivos, a empresa ainda fabrica os Praetor, pequenos e luxuosos aviões expostos na feira Labace, em agosto passado. 

Ainda existem pequenos fabricantes, pouco conhecidos mas dignos de nota, como a Volato (ex-fornecedora da Embraer), a Seamax, a Impaer, a Scoda Aeronáutica, a Novaer e a ACS Aviation. Esta última está para fabricar o primeiro avião elétrico tripulado do Brasil. 

Na área de helicópteros temos a Helibras, fabricante de veículos civis e militares de Itajubá, mas esta nunca foi propriamente brasileira, sendo subsidiária da francesa Aérospatiale entre 1978 e 1992, e da Airbus Helicopters, após a fusão da Aérospatiale com a DaimlerChrysler Aerospace AG, da Alemanha.

História bem menos feliz é a dos veículos militares. Sua maior representante foi a Engesa (Engenheiros Especializados S.A.), criada em 1958 durante os "anos dourados" do governo JK. Era conhecida pelos tanques de guerra, como o Urutu e o Cascavel, mas também fabricava veículos menores para trafegar em terrenos difíceis. Infelizmente, faliu em 1992, devido às incertezas econômicas da época e à queda na demanda. Há um projeto para a ressuscitação da empresa, com capital da EADS (grupo Airbus) parado desde 2009. Talvez ganhe novo impulso neste governo. 

A Avibras, empresa de material bélico, foguetes e veículos blindados, também deve ser lembrada. Fundada em 1961, teve seus anos de glória entre as décadas de 1970 e 1980, e no setor de veículos militares destacou-se em pequenos blindados como o Tupi e o AV-VBL. Será abordada no próximo post da série, sobre a indústria de armamentos.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Da série "(Des)industrialização no Brasil atual", parte 9 - Indústria de cosméticos

Continuando a série sobre a industrialização no Brasil, é bom abordar um setor ligado às postagens anteriores, partes 7 (química) e 8 (farmacêutica). 

Cosméticos, como desodorantes, colônias, batons, rimeis, estojos de maquiagem e perfumes em geral, são na verdade parte da indústria química (latu sensu), por envolverem produtos químicos, em geral compostos aromáticos e ésteres, além de substâncias de origem vegetal (principalmente extratos de flores e especiarias) e animal (já foram predominantes no passado, como óleos extraídos de glândulas de animais e o âmbar gris das baleias). 

Historicamente, remetem à Antiguidade, para realçar a beleza, principalmente feminina, e preservar a saúde da pele. Muitos compostos foram utilizados, como cera de abelha, gordura animal, azeite, óxido de chumbo e stibium (sulfeto de antimônio, para dar aspecto metálico à pele). Mas, no Brasil, a fabricação de cosméticos só começou em 1801, já no alvorecer do século XIX, a partir das primeiras indústrias de sabões, autorizada pelo príncipe regente D. João, futuro D. João VI, na então colônia de Portugal. A maior parte dos perfumes e outros utensílios, no entanto, era importada. Somente em 1870 houve um incremento com a Casa Granado, ainda existente, fabricante do famoso polvilho. Desde então, outras empresas foram fundadas, a maior parte delas já não existente na nossa época. 

Atualmente, a indústria de cosméticos possui uma boa participação de empresas brasileiras, como a Natura, uma das mais poderosas do mundo desde a aquisição da Avon. Não se pode esquecer a Boticário e a inesquecível Jequiti, da Patrícia Abranavel (filha do Sílvio Santos). Como sempre acontece, as transnacionais abocanham boa parte do mercado, representadas pela Coty, L'Oreal, Procter & Gamble, Chanel, Unilever, Kao e Revlon, entre outras. Esta participação estrangeira já foi bem maior no passado. 

Houve uma certa retração nos últimos dois anos, após um período de expansão relativamente forte. Porém, no primeiro trimestre deste ano, as vendas aumentaram em 10,6%. E a tendência é haver uma certa expansão, explorando a avidez dos brasileiros e das brasileiras pela conservação da beleza. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 8 - Indústria farmacêutica

Um caso à parte, dentro do nicho formado pela indústria química, é o setor farmacêutico. 

Dominado pelas grandes corporações, como a já citada Bayer (no post anterior), a Eurofarma, a Roche, a Ciba-Geigy, a Pfizer, a Sanofi, a Bristol-Myers-Squibb e outras gigantes, existem brasileiras que conseguem a proeza de resistir e faturar, fabricando principalmente remédios que dispensam receita médica, como o paracetamol, e medicamentos genéricos. A EMS, a Hypera Pharma (dona de marcas famosíssimas como o Doril, o Vitasay, o Benegrip, o Engov, o Epocler e o Gelol) e a Aché são testemunhas disso. 

Ao contrário dos outros tipos de indústria, o faturamento cresce a cada ano, devido à maior expectativa de vida e à preocupação com a saúde. Embora a quantidade de remédios seja, em volume, liderada pelos genéricos, o faturamento é puxado ainda pelos fármacos novos, um negócio lucrativo mas explorado quase exclusivamente pelas gigantes. Os dados, correspondentes aos anos anteriores a 2017, podem ser lidos AQUI. 

Também ao contrário dos outros setores, a tendência para as empresas de remédios é de crescimento e expansão. Pelo menos, há por aqui motivos para otimismo. 

Infelizmente, porém, é um caso isolado, a exceção que confirma a regra. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 7 - Indústria química

Como os outros setores industriais, a fabricação de produtos químicos tem sofrido grandes transformações no Brasil, um país pujante neste caso desde meados do século passado, mas também com alguns problemas, agravados atualmente. 

No meio das gigantes multinacionais como a Bayer, a Monsanto (adquirida pela precedente), a Basf, a Du Pont, a Oxiteno, a Dow Chemical, a Akso, a Henkel, a Bünge e outras, algumas brasileiras vinham se destacando. Era o caso da Braskem, atualmente nas mãos da Odebrecht. Como todas as outras indústrias do grupo, ela também foi prejudicada pela gestão de pessoas envolvidas em corrupção, responsáveis pelos prejuízos bilionários para o conglomerado (e para o resto do país). Premidas pelas dificuldades causadas pelas incertezas na economia e por questões administrativas, houve outros casos de dificuldades financeiras (Fertilizantes Heringer) e extinções (Companhia Nacional de Álcalis, antiga estatal). Outras, como a White Martins, foram adquiridas por empresas estrangeiras. 

As poucas empresas brasileiras com destaque no mercado estão relacionadas à indústria de bens de consumo, como a Química Amparo (produtos Ypê), e à indústria petroquímica, como as subsidiárias da Petrobras. 

Há crescente importação de produtos químicos, devido ao encolhimento da produção local, e a tendência é o agravamento da situação, a não ser que haja uma reação consistente da economia e das outras indústrias, como as de metalurgia, alimentos e remédios. Segundo o Valor Econômico, no primeiro semestre houve a importação de US$ 20,4 bilhões em insumos, um aumento de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado. 


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 6 - Motores, geradores e veículos

Continuando a parte sobre a indústria metal-mecânica, ainda há o setor de motores e geradores, para o aproveitamento das diversas fontes de energia disponíveis. Atrelados a eles, ainda há o setor de veículos. 

Infelizmente, este nunca foi um terreno muito fértil para a indústria brasileira. Os grandes fabricantes são, em geral, estrangeiros. 

Na parte de motores a combustão, que transformam líquidos inflamáveis em energia mecânica, além dos fabricados pelas montadoras de veículos, como a Volkswagen, General Motors, Fiat, Ford, Renault, Toyota, Honda, Yamaha e outros, temos ainda a MWM (antes alemã, mas agora nas mãos da Navistar, americana) e a britânica Perkins no mercado de propulsores a óleo diesel. A Agrale é a única empresa nacional com poder para competir com estas gigantes. 

A situação do mercado de motores elétricos é melhor. Há diversos fabricantes no mundo, mas existem empresas nacionais que dominam boa parte do mercado, como a Weg e a Nova. A Eberle também disputava o mercado, mas o grupo Voges, que controlava a empresa desde a aquisição em 2013, entrou em falência recentemente, há dois meses atrás. 

Também dominado pelas transnacionais, o mercado de geradores de energia, para fornecimento de eletricidade, já foi mais favorável para as empresas brasileiras. A Stemac ainda resiste, mas a Leon Heimer faliu em 2018. Multinacionais como a alemã Deutz e a MWM, entre outras, aumentaram sua participação no mercado. 

Por fim, o conhecido mercado de veículos. Já houve uma empresa brasileira notável, a saudosa Gurgel. Agora apenas a Agrale fabrica veículos em pequena escala. O resto é dividido entre as poderosas montadoras cujas marcas foram citadas na parte de motores a combustão. Menção honrosa para as fabricantes de carrocerias para ônibus e veículos comerciais, como a Marcopolo e a Induscar (Caio).

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 5 - O setor de máquinas e ferramentas

As indústrias de máquinas e equipamentos são consideradas produtoras de bens intermediários ou de capital, dependentes principalmente da metalurgia (bens de produção) e cujos clientes são também industriais, ligados aos bens de consumo. 

Por máquinas entende-se todo o conjunto ordenado de peças mecânicas para a produção de outros bens. Isso inclui as chamadas máquinas operatrizes, como prensas, tornos, fresadoras, retificadoras e aplainadoras, e também bombas, betoneiras, guindastes, compressores, macacos hidráulicos e equipamentos destinados a fins específicos, como misturadoras de ingredientes para tintas ou para produtos alimentícios. 

Um caso particular são as máquinas agrícolas, como os tratores, colheitadeiras, motosserras e roçadeiras. Elas são destinadas principalmente ao agronegócio, embora os equipamentos menores também se destinem aos consumidores comuns. Destacam-se empresas como a Agrale e a Tatu Marchesan.

As ferramentas são auxiliares na produção de bens e na manutenção dos equipamentos citados acima. Abrangem desde as chaves de fenda e alicates, que dependem fundamentalmente da aplicação de uma certa quantidade de força ou pressão exercida diretamente pelo operador, até as ferramentas elétricas e pneumáticas, que podem ser consideradas como máquinas portáteis e dependem de pequenos motores internos, geralmente elétricos.

Motores e geradores serão abordados em outra postagem.

Já houve uma variedade bem maior de empresas desta área, as quais prosperaram entre o governo Vargas e a ditadura militar. Muitas pequenas fabricantes de máquinas para determinados fins, embora juntas empregassem intensivamente mão de obra, ao lado de grandes corporações para a produção de ferramentas, como é o caso da Bosch, da Makita, da Black & Decker, da Starrett, da Gedore. Também havia mais fabricantes de peças para máquinas: engrenagens, polias, correias, rebolos (ferramentas feitas de material abrasivo para lixar e polir), rolamentos, etc. 

O setor sentiu fortemente as graves crises ao longo do tempo. Houve fechamento de estabelecimentos, enquanto outros foram adquiridos por corporações de maior porte. Enfim, a "mortalidade" de indústrias foi bastante severa. 

A Tramontina e a Romi são algumas das indústrias nacionais sobreviventes de destaque.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 4 - Indústria têxtil e de confecções

Este blog abordará dois setores industriais interligados, também dependentes do agronegócio, como os precedentes imediatos, abordados nas partes 2 e 3. O setor têxtil está mais ligado aos bens de produção, pois fornece insumos para o setor de confecção, que lida com bens de consumo. Na verdade, o setor têxtil também pode ser considerado como fabricante de bens de consumo, quando fabrica toalhas, tapetes, cortinas e outros produtos. 

Possuem uma história longa e tumultuada no Brasil. Antes do período colonial, os índios fabricavam tecidos e roupas rudimentares com técnicas como o entrelaçamento de fibras vegetais como a juta e o algodão. Entre os séculos XVI e XVIII, havia o crescimento e a diversificação das fábricas de tecidos locais, destinados ao consumo interno, mas interrompido pelo alvará de 1785, quando a rainha D. Maria I, dita "a louca", proibiu toda a atividade, em benefício das manufaturas da metrópole. Quando a atividade voltou a ser permitida, outro obstáculo foi a concorrência com os tecidos fabricados na Inglaterra, por força dos acordos comerciais feitos no periodo joanino (1808 a 1821). Naquela época, os ingleses conquistaram grande progresso com a Revolução Industrial, aumentando enormemente a produção. No século XIX, as classes mais abastadas usavam roupas de linho e seda, adaptadas ao gosto europeu, não muito de acordo com o clima tropical, enquanto os pobres e os escravos se conformavam com os tecidos mais grosseiros.

O setor voltou a ter grande expansão no século XX, com o surgimento de grandes fabricantes como a Hering, a Matarazzo, a Artex, a Tabacow, a Ferreira Guimarães, a Vicunha e outros bem conhecidos na população. Houve grande interesse no design de roupas, ao gosto do consumidor brasileiro. Isso se acentuou no período entre os anos JK e os anos 1980. Com a abertura às importações, sobretudo aos produtos vindos da China, e a desorganização econômica provocada pelo Plano Collor, nossas indústrias sofreram um choque. Empresas fecharam ou precisaram investir de forma mais intensa para se adaptarem. 

A tendência no século XXI é a permanência da pressão dos importados, nem sempre com melhor qualidade e vendidos em lojas e comércio de rua, enquanto a distribuição dos fabricantes locais, entre pequenos e grandes, segue relativamente equilibrada, com muitas pequenas fábricas enquanto as relativamente poucas empresas de grande porte concentram a maior parte do faturamento. No geral, continuam a empregar muita mão de obra, só perdendo para a área alimentícia, mas são particularmente vulneráveis às incertezas na economia e aos problemas de gestão e logística, além do encarecimento do maquinário exigido para a fabricação dos tecidos e das roupas, a sazonalidade (mais acentuada em São Paulo e no sul do Brasil, onde as estações são mais bem definidas) e a forte dinâmica imposta pela moda e pelos modismos ao longo do tempo. 

Estes fatores explicam a alta "mortalidade" das empresas têxteis e de confecções no Brasil. Segundo o Sinditextil-SP e o Sindivestiario, só em São Paulo, entre 2012 e 2016, 17% desses empreendimentos deixaram de existir. Uma triste realidade.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 3 - O setor de calçados e couro

Outro setor ligado ao agronegócio ao lado da indústria alimentícia é o setor de calçados, bolsas e outros objetos de couro. 

Embora também não haja propriamente uma crise, os fabricantes enfrentam uma concorrência acirrada vinda do exterior, principalmente dos produtos asiáticos. Não só a China, mas também a Malásia e o Vietnã apresentam produtos competitivos em preço. Muitos fazem alusão à qualidade inferior, mas o baixo poder aquisitivo acaba por induzir ao consumo desses produtos. Outro problema é o contrabando, principalmente se o produto desse crime for comercializado nas barracas e lojas populares das grandes cidades. 

Este é um setor onde existem muitas pequenas empresas, as mais vulneráveis à concorrência desleal exercida pelo contrabando. Boa parte delas ainda conseguem sobreviver e estão situadas em locais específicos. Por exemplo, no Estado de São Paulo, em Franca predominam os calçados masculinos (sapatos), enquanto em Jaú a especialidade são os femininos (sapatos, sandálias, sapatilhas) e em Birigui temos fabricantes de tênis e sandálias infantis. 

Os fabricantes de grande porte, como a Vulcabrás-Azaléia, a Grendene (apontada como próxima de comprar a precedente), a Alpargatas (pertencente ao grupo Itaúsa, que reúne também o Banco Itaú, a Duratex e a Deca) e a BR Sports (dona das marcas Rainha e Topper), possuem força considerável no mercado, mas sofreram retração no faturamento, devido à queda nas exportações para outros países, principalmente os da América Latina. A Grendene, por exemplo, teve queda de 11,8% no lucro líquido no ano passado, para R$ 585 milhões. 

Já o mercado de bolsas é bem mais restrito. com fabricantes de porte relativamente modesto como a Arzon e a Danka, enquanto as marcas mais prestigiadas são sempre as estrangeiras, como a Louis Vutton, a Gucci, a Prada e a Chanel. 

Este setor inteiro é abastecido pela pecuária e pela indústria de plásticos, vistos com muitas ressalvas pelos ambientalistas. Ainda irá demorar para haver alternativas viáveis às peles animais (principalmente a do gado bovino) e aos plásticos derivados de petróleo, mas algumas técnicas minimizam o impacto ambiental, como o couro ecológico, onde o processamento envolve menos produtos químicos nocivos, e os materiais reciclados para a fabricação dos chamados "sapatos ecológicos". 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Da série '(Des)industrialização no Brasil atual', parte 2 - O setor de alimentos e bebidas

Ao contrário da indústria eletrônica abordada anteriormente, os setores alimentício e de bebidas, também pertencentes à cadeia de bens de consumo, estão relativamente bem.

É um dos poucos setores da indústria onde não há uma crise séria, pela presença de empresas sólidas do ramo. Além das multinacionais citadas, temos outras, como a J. Macedo (farinhas e massas), Camil (cereais e produtos de pescado), Batavo (laticínios e carnes), entre outras. A ABIA, Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, estimou o crescimento das vendas em 2 a 3%. No primeiro semestre, já cresceu 1,3%.

Por aqui há a presença de grandes multinacionais de origem brasileira, total ou parcialmente, como a BRF (que reúne Sadia e Perdigão), a InBev e a famigerada JBS.

Por outro lado, o problema deste setor é a crescente desnacionalização. O Brasil sempre esteve aberto às grandes transnacionais do ramo de alimentos, e as aquisições sempre existiram, mas a tendência a perder marcas acentuou-se nos últimos anos. Empresas famosas no passado foram incorporadas a multinacionais, como a Arisco, a Yoki, a Vigor e a Garoto, além da Schin. 

Além disso, muitas indústrias foram se extinguindo, como as famosas marcas do passado Cica, Balas Juquinha, Dulcora, Frigorífico Chapecó. Problemas de gestão somadas às crises econômicas nas últimas décadas foram responsáveis por este fenômeno.

Neste setor, a tendência é a concentração de mercado entre as grandes indústrias, mas sempre é possível vislumbrar o surgimento de novos empreendimentos locais. Existem frutas nativas cujo potencial ainda não foi devidamente explorado. É possível explorar nichos do agronegócio, como o cultivo em áreas antes não exploradas, como no sertão nordestino (apesar das falhas graves no projeto de transposição do rio São Francisco) e a criação de peixes em cativeiro.