terça-feira, 21 de abril de 2026

(O que resta do) Regime iraniano ganha mais tempo (mas...)

O regime iraniano está condenado a perecer. Trump havia se recusado a estender o cessar-fogo, mas voltou a afrouxar a corda nas últimas cordas. Isso não é um recuo definitivo. Ele pretende acabar com o serviço, mandando um recado para os inimigos da América. Donald Trump deixou clara a sua intenção de matar três coelhos com um só golpe do seu big stick: destruir o maior sustentáculo do terrorismo contra o maior aliado na Ásia Ocidental (Israel), impor limites à influência da Rússia na região e, principalmente, prejudicar economicamente o maior inimigo econômico dos Estados Unidos - a China. Tanto Putin quanto Xi Jinping estão por trás dos aiatolás e da Guarda Revolucionária, embora não tivessem participado diretamente do conflito. 

Essa iniciativa de estender o prazo para dar ao Irã uma oportunidade de elaborar um plano de cessar fogo não parece sensata, principalmente aos olhos de Tel Aviv, mas possivelmente um ataque maciço dos Estados Unidos gastaria muitos recursos, como munição, combustível e os caríssimos mísseis e equipamentos de controle. Os americanos pretendem ainda usar seu arsenal contra Cuba, o próximo alvo dos americanos, e também contra a China no caso de um ataque a Taiwan. 

Certamente o resto do regime iraniano vai tentar se rearmar e preparar seus mísseis, mas conforme o tempo passa eles mostram mais divisões e desunião, e isso será usado pelos atacantes contra eles. Existe a possibilidade de um ataque desesperado, mas a resposta será um contra-ataque intensivo a curto prazo, capaz de afetar boa parte da infraestrutura e da energia do país asiático. 

Os americanos não pretendem ficar muito tempo. Depois vão para Cuba, onde a ditadura local não oporá tanta resistência. No caso da China, a situação é bem mais complicada, pois isso envolveria duas das três maiores forças militares do mundo, mas há indícios segundo os quais Taiwan pode sofrer uma tentativa de invasão a qualquer momento. 

Porta-aviões Abraham Lincoln (U.S. Navy)

Israel ainda pode continuar o conflito, mas suas forças também temem por uma guerra muito longa. Eles ainda acham que, após a queda do Irã, os países árabes podem vir a se tornar uma ameaça, principalmente os mais aguerridos, como a Síria. A Turquia e a Rússia também inspiram, no mínimo, cautela, pois estão próximos demais, possuem exércitos muito fortes e suas relações com o Estado hebreu não são boas, principalmente com o governo de Netanyahu. 

Mesmo assim, o estado deixado pelos bombardeios e as pesadas baixas no governo iraniano, incluindo o aiatolá Ali Khamenei e vários de seus colaboradores, facilita a destruição do regime. Pode haver um período de anarquia, pois os Estados Unidos não estão dispostos a colocar automaticamente o Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, avaliando que ele não tem tanta força assim para unificar e pacificar o país. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Androides superam humanos na corrida

O androide da Honor que superou recordistas humanos (Xinhua/China Daily)

Na China, a Honor, mais conhecida pelos seus celulares, surpreendeu a todos com seus modelos de robôs humanoides, entre os quais o Lightning, que venceu a meia maratona de Pequim correndo em 50 minutos e 26 segundos, superando o ugandense Jacob Kiplimo, vencedor da meia maratona de Lisboa levando 57 minutos e 20 segundos. 

Os robôs humanoides, conhecidos também como androides, conseguiram o feito sem suar, usando apenas seus motores elétricos. O propulsor do Lighting tem 400 Nm de torque, ou pouco mais de 40 kgfm, superior a da maioria dos carros de passeio. 

Mais rápido do que o Lighting em Pequim, só a celeridade da Justiça brasileira para agir de forma inapropriada. Gilmar Mendes, o decano do STF, quer censurar o governador de Minas Gerais por divulgar um vídeo satírico onde os fantoches de Gilmar e Dias Toffoli conversam sobre o Caso Master. Zema não se intimidou, e reagiu: "Teria que prender o Brasil inteiro". 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Notícias inesperadas (mas obviamente aconteceriam)

1. Oscar Schmidt, o maior jogador do basquete brasileiro, faleceu aos 68 anos, derrubado pelos seus problemas de saúde que o atormentaram há anos. A notícia pegou muita gente de surpresa, por ser um ex-atleta relativamente jovem, e por ser tão querido, um dos maiores ídolos do esporte, consagrado no mundo inteiro. Mas para seus familiares e amigos, o sofrimento do "Mão Santa" acabou. 

Oscar Schmidt (1958-2026) consagrou-se em partidas como o Pan de Indianápolis, fazendo os brasileiros vencerem os americanos em 1987 (David Madison/Getty Images)

2. Senadores resolveram falar grosso com o STF, cansados de tantos desmandos em nome da preservação da democracia. O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, pediu inquérito contra os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, acusados de estarem envolvidos com o Banco Master. Houve protestos e ameaças por parte dos ilustres togados, mas um dia a atuação do Judiciário como Moderador precisava ouvir um basta. 

3. O regime iraniano, ou as sobras dele, anunciaram a liberação do estreito de Ormuz, e testemunhas confirmaram que a situação por lá está melhor, com navios atravessando sem serem atacados. Muitos achavam que o bloqueio iria perdurar por muito mais tempo, mas a Guarda Revolucionária, o poder efetivo dentro do país, está arruinada por causa dos ataques à infraestrutura, energia e instalações militares, e mesmo com suas bravatas e exigências, sabe que não pode enfrentar ao mesmo tempo as forças dos Estados Unidos e de Israel. 

4. Outro assunto totalmente a ver com a guerra no Irã é o desaparecimento inesperado, e as mortes misteriosas de físicos de grande renome nos Estados Unidos, ligados a segredos tecnológicos envolvendo energia e armas nucleares. O presidente americano Donald Trump disse que mandará investigar. E há os suspeitos de sempre: terroristas, corporações inimigas da paz e os governos considerados inimigos (China e Rússia). Sumiço e morte de cientistas é algo preocupante e geralmente ocorre em momentos de conflito, velado ou declarado. Uma das vítimas, Nuno Loureiro, de origem portuguesa, gerou ampla repercussão. 

5. Por aqui, o preço dos derivados do leite está assustando os consumidores, embora o produto in natura ainda esteja relativamente acessível. A indústria em geral está sofrendo com o aumento dos impostos e do maquinário necessário para a fabricação, além da energia, por conta da crise envolvendo o Irã e dos problemas crônicos para gerar e distribuir eletricidade e petróleo. 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Triste destino para alguém que já foi presidente

Fernando Henrique Cardoso, chamado por aliados e adversários pela sigla FHC, foi presidente por oito anos, entre 1995 e 2002, considerado o melhor presidente da história da Nova República, pelo menos por boa parte da imprensa que antes via Lula como um perigo para as instituições e sem bagagem intelectual, e agora o apoia, sob o pretexto de assegurar o Estado Democrático de Direito contra a "ameaça" bolsonarista. E também por setores mais letrados da sociedade, identificados com o pensamento mais refinado vindo da Europa e com a social-democracia. Enfim, um "tucano" na Presidência, como líder do PSDB. 

Seu governo manteve o legado do Plano Real, instituido no governo anterior de Itamar Franco, sendo ele, então, o ministro da Fazenda. Conseguiu manter os preços sob relativo controle, apesar das crises econômicas provocadas pela Ásia, pelos atentados do 11/9 e pelas limitações de um país ainda sonhando em ser "Primeiro Mundo". Sua política, principalmente a externa, fez a mídia dizer que ele está conduzindo o Brasil neste rumo, mas em 2001 um apagão nacional desmentiu isso. No ano seguinte, José Serra, candidato "tucano", perdeu para Lula no segundo turno, em meio aos temores de uma política menos moderada e crise do dólar, com a moeda americana ameaçando ir para R$ 4,00, quando, no início do mandato de FHC, estava abaixo de R$ 1,00. 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC, durante uma de suas últimas aparições públicas com repercussão nacional, em 2015 (Wilson Dias/Agência Brasil)



Era uma época saudosa por muita gente, quando a Internet estava se popularizando e a vida social ainda era essencialmente offline e sem os shows das bandas de música (ainda perfeitamente audíveis) com preços (muito) nas alturas. A TV aberta transmitia programas de qualidade, principalmente na Cultura, e as novelas da Globo ainda eram muito assistidas, mas já com a tendência dos reality shows quererem invadir as telinhas de tubo. 

FHC era uma imagem de estadista para uns, acadêmico e articulado, enquanto para outros era um títere do sistema político-eleitoral e seu presidencialismo de coalizão, obrigado a se aliar com nomes considerados nefastos como o governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães e o do Pará Jader Barbalho, enquanto escândalos políticos e financeiros sangravam o NOSSO DINHEIRO, mas não na voracidade pantagruélica durante os governos petistas seguintes. Uma manobra política permitiu uma emenda constitucional sobre o direito à reeleição, e ele conseguiu se candidatar pela segunda vez, vencendo as eleições presidenciais de 1998. Mas não podia se candidatar a um terceiro mandato. E desde a sua saída do poder, em 2002, não tem aparecido publicamente com frequência. 

Continuava a ter força política para mobilizar os "tucanos", mas com o avanço do bolsonarismo após a crise institucional do governo Dilma, ele e seus partidários se tornaram incapazes de representarem uma "terceira via", e um dos poucos bem sucedidos, João Dória Jr., contribuiu para a ruina do PSDB quando foi prefeito da capital paulista e depois governador do Estado, atendendo mais às ambições pessoais e se aliando ao bolsonarismo para depois se tornar um desafeto deste ao defender as medidas sanitárias durante a pandemia, combatidas por Jair Bolsonaro e seus apoiadores mais fieis, passando a ser odiado por todos no espectro político brasileiro inteiro. 

Agora, Fernando Henrique é um idoso esquecido e senil, consumido pelo mal de Alzheimer e juridicamente interditado pelos próprios filhos, considerado sem capacidade ou responsabilidade para administrar suas próprias finanças. Um fim terrível para um ex-presidente. 

Ontem, a Justiça deu ganho de causa para Paulo Henrique Cardoso, na prática gestor dos bens do pai há anos, e seus irmãos. A facilidade no processo mostra a pouca capacidade de reação de FHC, agora beirandos os 95 anos (*). Parece que o velho sociólogo formado na Sorbonne de Paris e considerado um dos consolidadores do atual Brasil está conformado em terminar seus dias. Provavelmente este blog voltará a escrever sobre ele em breve, e o próximo artigo será após sua morte. Mas esta postagem já parece ser um obituário. 


(*) Não é o ex-presidente mais idoso, pois José Sarney, vice de Tancredo Neves, o "fundador" da Nova República após o fim do regime militar, e presidente entre 1985 e 1990, cujo legado é considerado pior devido à péssima situação econômica ao fim de seu mandato, tem 96 e com as capacidades cognitivas mais preservadas, embora com a saúde física também delicada, agravada por uma queda em 2024. 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Imprensa em conflito com a verdade

Parte expressiva da imprensa destacou a detenção do ex-diretor da Polícia Federal e ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), como se isso tivesse a ver com a sua fuga para os Estados Unidos, por ter sido condenado a 16 anos pelo Supremo por suposto envolvimento com uma tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e simpatizantes, um processo irregular do ponto de vista legal e constitucional. 

Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos pelo STF (Tomaz Silva/Ag. Brasil)

Ramagem foi detido por dois dias, por um visto de turista vencido, enquanto aguardava pedido de asilo político. No Brasil, jornalistas especulavam sobre a sua extradição, com base em declarações de membros da PF, e pelas suas interpretações dos fatos sem checá-los com mais rigor, além do velho viés anti-bolsonarismo. 

A cobertura da mídia sobre a guerra em curso entre Estados Unidos, Israel e Irã também é falha. Há muita discussão sobre as motivações do conflito e as violações do direito internacional por parte de Trump e Netanyahu, além de ver na tenacidade do regime iraniano como uma forma de prever um fracasso da empreitada, apesar dos milhares de bombardeios. Isso tem a ver com o desconhecimento da região e de seus povos, da crença numa inexistente força do direito internacional representado pela ONU, além da má vontade para com Israel, a única democracia da Ásia Ocidental, e cujos preceitos democráticos, embora bastante pouco observados (um exemplo disso é o uso frequente de tortura contra presos), ainda são melhor obedecidos do que na maioria dos países do mundo. Enquanto isso, o regime dos aiatolás e sua Guarda Revolucionária era um tirania, responsável pelo massacre recente de milhares de manifestantes por mais liberdade, e financiava o terrorismo, ensinando métodos de combate e defesa para apoiadores como o Hamas, o Hizbollah e os guerrilheiros houthis do Iêmen. E, agora, o que resta da ditadura xiita também viola o direito internacional com o bloqueio ao estreito de Ormuz. 

Muito se discute sobre a formação e capacitação dos jornalistas. As causas seriam a ideologia marxista quando eles se formam em alguma faculdade, ou então o alinhamento com a linha de pensamento imposto pelos órgãos de imprensa, com suas práticas consideradas em desacordo com a ética e o respeito às diferenças culturais dos povos, favorecendo a venda de jornais pela prática de explorar notícias ruins, escandalosas ou geradoras de entretenimento, e refletir o ponto de vista de grupos de interesse ou financiadores, distorcendo a realidade dos fatos. 

Este blog já abordou o assunto em algumas postagens, como na época da pandemia (ver AQUI). Exigir um tratamento melhor da imprensa com a verdade é direito de cada cidadão, que depende de informações para tomar melhores decisões quando acontecimentos de grande repercussão afetam seu cotidiano, e/ou saber mais sobre o mundo onde habitamos. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Israel e Líbano se reúnem

Com a presença do secretário de Estado americano Marco Rúbio, os representantes de Israel e Líbano se reuniram pela primeira vez desde 1993, em Washington, a capital dos Estados Unidos. 

Marco Rubio (ao centro) se disse otimista com a reunião entre os representantes de Israel (dir.) e Líbano (esq.) (Andrew Harnik/Getty Images)

Isso tem a ver com o enfraquecimento do Irã e de seus acólitos, como o Hizbollah, que está entranhado na política libanesa e, segundo americanos e israelenses, faz o governo libanês de refém, aproveitando sua impotência e fragilidade para atacar o Estado hebreu há décadas. Por conta das ações terroristas do Hizbollah e das atuações das forças de Israel, o Líbano se transformou em ruínas. Com os ataques ao Irã, os grupos fundamentalistas foram seriamente atingidos, possibilitando tomadas mais firmes de decisão por parte do governo libanês. 

Ainda resta vencer a forte influência do Hizbollah entre os mais pobres e marginalizados do Líbano, e fazer o grupo deixar de ser uma ameaça armada. Isso só vai acontecer com o tempo, com novas negociações entre Tel Aviv e Beirute, e mudanças no regime iraniano. 


N. do A.: Trump deu prosseguimento ao cerco em Ormuz e continuou a usar o seu very big stick para atacar inclusive o papa Leão XIV, seu conterrâneo, chamando-o de "fraco" e "péssimo" na política internacional. Também aproveitou para dar suas bordoadas no governo italiano, criticando Georgia Meloni, até então considerada aliada de Trump, por sua falta de ação na crise mundial desencadeada pelo conflito. Esss rusgas têm deixado a chamada "esquerda política" e boa parte da mídia interessada. Meloni é acusada pela oposição de "neofascismo" e fazer uma política hostil à imigração na Europa, e pelos críticos mais à "direita" de ser anti-Israel (mais precisamente, anti-Netanyahu), alinhando-se, neste ponto, com a França. 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Lua e Marte na mira

Com o sucesso festejado da missão Artemis II, a NASA e algumas empresas para exploração espacial, como a própria SpaceX, de Elon Musk, estão já cogitando viagens para Marte, o planeta mais próximo de nós. 

Não será qualquer passeio, usando a tecnologia atual: a missão Artemis levou cerca de cinco dias para chegar à órbita lunar e nem aterrissou, por não fazer parte de suas tarefas. Para Marte, segundo cálculos recentes do brasileiro Marcelo de Oliveira Souza, que se fundamentou nas trajetórias de satélites para estimar a viagem, serão sete meses. 

Ir para qualquer um desses corpos celestes é a parte mais fácil, mas levará um bom tempo até serem criadas as condições mínimas para a ocupação, usando os recursos naturais. É sabido que tanto a Lua quanto Marte possuem uma atmosfera rarefeita, e com base nos estudos astronômicos, são inviáveis para a ocupação por parte dos "terráqueos", apesar das evidências de ter abrigado vida. 

Criar ambientes artificiais para a colonização nem é o pior de tudo, pois existem fatores capazes de arruinar os planos, levando os colonizadores a uma morte quase certa, como atividades sísmicas, tempestades, distância para o fornecimento de suprimentos, insucessos na preparação do terreno para eventuais atividades agrícolas, entre outros. 

Todavia, o site "humanmars.net" exibe um cronograma detalhado para preparar os terrenos, incluindo missões tripuladas no Planeta Vermelho já em 2035. A SpaceX e a Estação Espacial Internacional estarão envolvidas nos trabalhos. 

Nasa e SpaceX vão ser responsáveis pelas primeiras missões tripuladas para Marte já na década de 2030 (humanMars.net)


N. do A.: Além da guerra no Irã, muita gente acompanhou as eleições parlamentares na Hungria, considerada uma espécie de posição pró-Trump (e, ao mesmo tempo, pró-Putin) na Europa. O partido governista Fidesz, conhecido pelo nacionalismo ferrenho e pelo combate à imigração, perdeu, e Victor Orbán deixará o poder. Peter Magýar, ex-membro do Fidesz e representante do Tisza, foi eleito, e promete uma política mais moderada e pró-Europa, sem deixar de combater a onda de imigrantes vindos da Ásia e África. Muitos combatentes do chamado "globalismo" criticam o novo premiê por ser apoiado por George Soros, o bilionário de origem húngara, acusado de estar junto com a BlackRock e outras grandes corporações para financiar projetos contra as políticas conservadoras; eles também são acusados de quererem fomentar guerras e estimular membros da "elite global" a fugirem para outros planetas em caso de catástrofe nuclear. 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sim, temos um general mulher

Num país onde os feminicídios infestam as páginas de portais da Internet e de jornais físicos, pouca gente sabe que uma mulher já ocupa o posto de general no Exército. 

A general-de-brigada Cláudia Lima Gusmão Cacho (Centro de Comunicação Social do Exército)

No início deste mês, a oficial recifense Cláudia Lima Gusmão Cacho foi promovida a general-de-brigada, sendo a primeira mulher brasileira a alcançar este posto. 

Como todos os coronéis, ela precisou passar por um processo de avaliação, considerando mérito, capacidade de comando, currículo acadêmico e tempo de serviço. 

Ela está no Exército há 29 anos, no posto de Oficial Médica, liderando grupo de profissionais de saúde ligados às Forças Armadas. 

Antes disso, no ano passado mais de 33 mil mulheres foram alistadas nas Forças Armadas, e 1.010 delas se tornaram recrutas do Exército. Houve também uma promoção de uma sargento ao posto de subtenente. 

Apesar disso, a participação feminina nas Forças Armadas não é assim tão recente. Como a agora general Cláudia, muitas mulheres exerceram o posto de médicas e enfermeiras militares, e há o caso de Maria Quitéria de Jesus (1792-1853), a soldado que lutou na Guerra da Independência na Bahia. 

Para mais informações, clique AQUI (página do Exército Brasileiro). 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Falsas origens de palavras

Quando se usa certas palavras, muita gente é criticada por usá-las, com base numa suposta origem etimológica. Isso se tornou mais comum após as militâncias sociais, sob o pretexto de defender certas causas, considerar alguns termos como ofensivos. 

Por exemplo, o uso de "criado-mudo" não tem a ver com a escravidão. O móvel usado para guardar peças de roupa enquanto serve de suporte para outros objetos, como abajures e despertadores, é derivado da tradução literal da palavra inglesa "dumbwaiter", empregada pelos britânicos e americanos a partir do século XVIII a partir de pequenos elevadores de carga, e depois para as populares mesas de cabeceira. 

Outra palavra atualmente pouco aceita é "denegrir", originária da palavra latina "denigrare", ou "tornar escuro", "manchar". Isso não tem tanto a ver com a ideia preconceituosa de associar, em contexto sociológico, branco à pureza e negro à maldade. Muitos acabam usando o termo "manchar a reputação de (fulano)". 

Por falar em fulano, existe outra palavra relacionada, "sicrano", que possui origem contraversa, correndo-se o risco de apontar uma falsa origem. "Fulano" (do árabe fulan) e "Beltrano" (do francês Bertrand), são de origem menos obscura, usados às vezes pejorativamente para designar pessoas cujo nome não se conhece (ou não há interesse em conhecer). 

Existe um termo considerado ofensivo e xenofóbico para se referir aos estrangeiros, principalmente aos americanos, "gringo", com origens falsas. Uns dizem que se originou de green grow, usado em cantigas do Velho Oeste no século XIX, enquanto outros apontam para os mexicanos, quando eles queriam expulsar os militares americanos ("Green go home"). É mais provável que se origine da corruptela do termo espanhol "griego" (grego). 

Por outro lado, existe uma falsa origem, esta acusada de ter vindo de gente que adula americanos, para o popular forró. Não deriva de "for all" (para todos), usada supostamente após a vinda de soldados americanos no Nordeste durante a II Guerra Mundial, mas de "forrobodó", palavra mais antiga, derivada, por sua vez, do galego "forbodô", uma dança popular. Alguns apontam uma origem africana para o termo "forrobodó", um "arrasta-pé" dos escravos, mas isso também não é verdade. 

Outro termo originário do inglês, "golfe", também não é originalmente uma sigla para "Gentleman only, ladies forbidden", ou "Apenas para cavalheiros, proibido para damas". 

Uma outra palavra, menos elegante e agradável de ouvir, "cadáver", às vezes tem sua origem explicada com uma certa expressão latina "CAro DAta VERmibus" ("Carne dada aos vermes"), mas vem de "cadere", outra palavra latina, que significa "cair". 

"Coito" também não é uma palavra que soe agradável, mas "coitado" não deriva dela. A origem verdadeira é o latim vulgar "coctare", coagir ou afligir alguém. Já a outra palavra vem do latim vernacular "coitus", do verbo "coire", cujo significado é "ir junto" ou "unir". 

Agora, uma palavra bem brasileira, "borogodó", cujas origens seriam do tupi-guarani ou de alguma lingua dos escravos trazidos de Angola ou de Moçambique. Não se sabe direito. O termo ficou conhecido na primeira metade do século passado, principalmente no tempo da Carmen Miranda, a cantora portuguesa mais brasileira da História, de muito sucesso nos Estados Unidos. Dizia que ela tinha muito "borogodó", como sinônimo de carisma ou magnetismo pessoal. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Essas pombas não são as da paz

 

Aguardemos a próxima partida!

terça-feira, 7 de abril de 2026

Ninguém foi para a Idade da Pedra (ainda)

Depois de muitos combates onde parece não haver trégua, com a teimosa resistência da Guarda Revolucionária do Irã, o governo de facto do país e cujos membros são acusados de propagar métodos terroristas contra todo o mundo, visando dobrar os "infieis" (leia-se todos que não forem xiitas) e tentar destruir Israel, parecia haver um impasse, com uma possível escalada do conflito. 

Um dos países ainda aliados do Irã, o vizinho Paquistão, lançou nova proposta de cessar-fogo, aceita pelo presidente americano Donald Trump, e pelos representantes do governo iraniano, vistos como meros instrumentos para o regime totalitário fundamentalista ganhar tempo enquanto a infraestrutura do Irã ameaçava ser posta abaixo pelos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos. 

Depois de um discurso aterrorizante de Trump, mais para a opinião pública mundial do que para a Guarda Revolucionária, ameaçando acabar com "uma civilização" e fazer os iranianos "voltarem à Idade da Pedra", houve novamente uma distensão. O prazo para o Irã liberar o estreito de Ormuz acabou agora, mas a proposta de cessar fogo veio, e Trump deu mais duas semanas. Para muitos, parece uma prova da insanidade mental de ambos os contendores, com motivações muito diferentes: um quer ser o salvador da civilização, usando métodos truculentos e heterodoxos, e outro quer destruí-la por ser corrupta, sacrílega e ainda ter matado o líder supremo deles, representante de Deus na Terra. 

Nestas duas semanas, ninguém habituado a usar mais o cérebro do que o cerebelo acredita numa paz de verdade. Os combates continuarão, mas não na intensidade prometida caso o estreito de Ormuz não deixe de o um verdadeiro gargalo de navios à mercê dos ataques iranianos. E o regime anteriormente dos aiatolás está perdendo rapidamente todos os recursos para financiar a guerra, pois houve ataques às usinas petroquímicas para processamento de ácido nítrico, matéria-prima para bombas, e a ilha de Kharg foi atacada novamente, com promessa de ser tomada pelas forças americanas e israelenses. 

Trump recua após nova ameaça de "acabar com a civilização iraniana" ( © ANSA/EPA)
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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Missão Artemis II em ação

Após mais de meio século, a Nasa está realizando missões na Lua, com o Artemis II. Desta vez, não houve o pouso para rivalizar com os astronautas de 1969, mas eles captaram imagens do lado escuro da Lua, quando estavam orbitando o satélite com a cápsula especial Orion. 

No momento, eles estão retornando para a Terra, após também bater outro recorde: o de maior distância percorrida em relação à nossa superfície: 252.760 milhas, ou mais de 406.000 km. Isso superou o recorde da Apollo 13, o tumultuado projeto que quase resultou em tragédia, em 1970, quando eles ultrapassaram as 248 mil milhas de forma involuntária na viagem de volta. 

Abaixo, um dos vários vídeos de quando eles conseguiram se aproximar da face oculta do nosso satélite natural, e este é um dos poucos com comentários em português (canal Diego San Araújo): 



N. do A. 1: O presidente Trump fez questão de enaltecer a missão, falando com os astronautas no interior da cápsula Orion, enquanto eles registravam as imagens do lado oculto da Lua. Mas não faltarão quem questione este trabalho, dizendo ser "fake", principalmente entre quem não acredita nas missões feitas em 1969. 

N. do A. 2: Está terminando o prazo para o Irã liberar o estreito de Ormuz. Caso contrário, Trump ameaça colocar o país na "Idade da Pedra", com ataques maciços às usinas de energia e dessalinização. Israel já realiza ataques pontuais, usando bombas de grafite capazes de inutilizar transformadores em redes de transmissão, e também fazendo bombardeios ao maior campo de extração de gás natural do Irã. A ONU já adverte sobre os ataques à infraestrutura civil, classificando-os como possíveis crimes de guerra. 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A maior estátua de Cristo do Brasil e do mundo (e não é o Cristo Redentor)

O Cristo Redentor do Corcovado é o mais famoso do Brasil e do mundo, e foi eleito como uma das maravilhas do mundo moderno, segundo a New Open World Organization, mas ele não é o maior Cristo do mundo. E nem do Brasil. 

Markus Moura, em 2010, construiu o Cristo Redentor de Elói Mendes, em Minas Gerais, com altura 1,5 m maior que o célebre monumento carioca, de 38 m (30 m sem o pedestal). E, mais tarde, em 2022, após o fim da grande crise sanitária, fez uma estátua ainda maior, com 43,5 m, sendo 6 m de pedestal, no Encantado, Rio Grande do Sul. A atração gaúcha só foi inaugurada ano passado, com a presença do Cardeal Silvano Maria Tomasi, enviado do então papa Francisco.

Os Cristos Redentores do Brasil (Do site Melhores Destinos)

O Cristo Protetor está começando a atrair turistas na pequena Encantado, e se destaca por ter um coração por onde o turista pode desfrutar da paisagem. Existe um site próprio, para conhecer os preços da visita (ver AQUI). Durante a construção da obra, a cidade foi uma das atingidas pelas enchentes do Rio Grande do Sul, assim como todo o vale do Rio Taquari, e a exploração turística está ajudando na reparação dos prejuízos de toda a região.

A maior estátua de Cristo da América Latina, até então, era o Cristo de La Concórdia, em Cochabamba, na Bolívia, com 34,2 m. Porém, a maior do mundo havia sido a estátua de Cristo Rei de Swiebodzin, na Polônia, com 36 m sem o pedestal, sendo 33 m da estátua em si e mais 3 m com a coroa. Ainda vão construir uma estátua gigante de Cristo na Armênia, o primeiro país onde o Cristianismo se tornou a religião oficial, com 33 m de estátua e 44 m de pedestal. A construção, no monte Hatis, próximo à capital do país, Ierevan, pode atrasar devido ao risco da proximidade com o Irã. Desconsiderando o enorme pedestal, este Cristo ainda será menor do que o de Encantado. 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Comerciais mentirosos do Brasil

Vamos deixar de lado os responsáveis por fazerem o Pinóquio ou o Barão de Munchausen parecerem meros amadores na arte da mentira, sejam eles na política, na Justiça, em Teerã ou em Washington. Abordemos algo diferente, que marcou a vida do brasileiro. 

Vejamos alguns comerciais históricos bastante divertidos, porém exagerados e que transformavam o produto numa espécie de artefato mágico. 

Comercial antigo dos anos 1990, quando a Ipiranga e outras distribuidoras lançaram a gasolina aditivada (canal Guterson)

Se fosse tão fácil assim... este era o efeito Axe, o famoso desodorante masculino (canal Pontiacpenha)

Um dos comerciais do Red Bull, aquele energético que "te dá asas" (canal Antiguidades Virtuais)

Paródia do comercial da Activia, zombando das propagandas em geral exageradas sobre o produto (canal músicas e aberturas)

Um dos comerciais originais da Activia (canal VML_Brasil). Qual era o mais hilariamente mentiroso?


Facas Ginsu, um daqueles vendidos pelo antigo Grupo Imagem (canal Tempo de Recordar)

Comerciais de empresas fraudulentas como a Encol e a Boi Gordo existem no Youtube para a gente não esquecer (canal alxqueiroz)