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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Imprensa em conflito com a verdade

Parte expressiva da imprensa destacou a detenção do ex-diretor da Polícia Federal e ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), como se isso tivesse a ver com a sua fuga para os Estados Unidos, por ter sido condenado a 16 anos pelo Supremo por suposto envolvimento com uma tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e simpatizantes, um processo irregular do ponto de vista legal e constitucional. 

Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos pelo STF (Tomaz Silva/Ag. Brasil)

Ramagem foi detido por dois dias, por um visto de turista vencido, enquanto aguardava pedido de asilo político. No Brasil, jornalistas especulavam sobre a sua extradição, com base em declarações de membros da PF, e pelas suas interpretações dos fatos sem checá-los com mais rigor, além do velho viés anti-bolsonarismo. 

A cobertura da mídia sobre a guerra em curso entre Estados Unidos, Israel e Irã também é falha. Há muita discussão sobre as motivações do conflito e as violações do direito internacional por parte de Trump e Netanyahu, além de ver na tenacidade do regime iraniano como uma forma de prever um fracasso da empreitada, apesar dos milhares de bombardeios. Isso tem a ver com o desconhecimento da região e de seus povos, da crença numa inexistente força do direito internacional representado pela ONU, além da má vontade para com Israel, a única democracia da Ásia Ocidental, e cujos preceitos democráticos, embora bastante pouco observados (um exemplo disso é o uso frequente de tortura contra presos), ainda são melhor obedecidos do que na maioria dos países do mundo. Enquanto isso, o regime dos aiatolás e sua Guarda Revolucionária era um tirania, responsável pelo massacre recente de milhares de manifestantes por mais liberdade, e financiava o terrorismo, ensinando métodos de combate e defesa para apoiadores como o Hamas, o Hizbollah e os guerrilheiros houthis do Iêmen. E, agora, o que resta da ditadura xiita também viola o direito internacional com o bloqueio ao estreito de Ormuz. 

Muito se discute sobre a formação e capacitação dos jornalistas. As causas seriam a ideologia marxista quando eles se formam em alguma faculdade, ou então o alinhamento com a linha de pensamento imposto pelos órgãos de imprensa, com suas práticas consideradas em desacordo com a ética e o respeito às diferenças culturais dos povos, favorecendo a venda de jornais pela prática de explorar notícias ruins, escandalosas ou geradoras de entretenimento, e refletir o ponto de vista de grupos de interesse ou financiadores, distorcendo a realidade dos fatos. 

Este blog já abordou o assunto em algumas postagens, como na época da pandemia (ver AQUI). Exigir um tratamento melhor da imprensa com a verdade é direito de cada cidadão, que depende de informações para tomar melhores decisões quando acontecimentos de grande repercussão afetam seu cotidiano, e/ou saber mais sobre o mundo onde habitamos. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Da série 'Notícias para encher página de portal da Web', parte 8

A imprensa já foi comparada, neste blog, a uma deliciosa mas pouco saudável sobremesa, o sorvete napolitano, por ser em parte amarela de escândalo, marrom de porcaria e rosa de futilidade, com base nos trabalhos mal feitos ou tendenciosos de muitos jornalistas. 

Poucas notícias são realmente dignas de apreço, pois boa parte se dedica a explorar a desgraça alheia, prejudicar reputações e mostrar intimidade de celebridades, ou subcelebridades. 

Neste último caso está o economista e ex-participante do BBB Gil do Vigor, e o ginasta Diego Hypólito. Os dois  que são homossexuais, foram supostamente vistos de mãos dadas, mas eles negam o relacionamento. 

Diego Hypolito é ginasta conhecido e Gil do Vigor é ex-participante do BBB (Montagem sobre fotos do Instagram)

Enquanto isso, Alexandre de Moraes manda cercar a residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, medida louvada por boa parte da mídia, enquanto a outra parte, menor, questiona a legalidade da medida. Cada uma das partes acusa a outra parte de má prática jornalística para endeusar ou demonizar Moraes, mas isso ao mesmo tempo dá mais visibilidade ao ex-presidente. 


sexta-feira, 10 de maio de 2024

Revistas semanais abordam o mesmo tema

É muito raro haver um único assunto na capa das principais revistas semanais, as já tradicionais Veja, IstoÉ e CartaCapital, e as mais novas, Crusoé e Oeste. A Veja é sempre acusada de "isentona", enquanto a IstoÉ e a Carta são apontadas como "esquerdistas" e as duas últimas são "direitistas", sendo a Oeste mais conservadora e a Crusoé mais liberal. 

A tragédia no Rio Grande do Sul ocorrida desde o final do mês passado conseguiu fazer esses cinco veículos de comunicação abordarem o mesmo tema, sempre considerando o viés ideológico de cada um deles. 







quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Charges políticas não são mais as mesmas

 As charges políticas são uma válvula de escape para o leitor dos jornais, cansado de ver os desmandos das pessoas públicas, nas democracias. 

Infelizmente, está difícil ver uma boa charge. O que se vê são trabalhos muito presos ao conceito do "politicamente correto" e do chamado "woke" (a famigerada ideologia do "acordado" para as questões sociais), tentando mostrar seu engajamento a determinadas causas. Assim, eles se voltam principalmente para "conscientizar" o leitor do "perigo" de algumas figuras, como Jair Bolsonaro no Brasil e Donald Trump nos Estados Unidos. Isso acaba poupando o governante vigente das sátiras, fazendo o jornalismo ficar mais próximo de um "armazém de secos e molhados", como disse o saudoso Millor. 

No Brasil, os trabalhos dos chargistas realmente se encaixam no conceito descrito no parágrafo anterior, com poucas exceções. É muito difícil encontrar uma crítica bem humorada ao atual presidente, Lula. Todavia, os jornais não se preocupam com o risco de afastar os leitores mais críticos. Para boa parte deles, é importante comemorar a "recuperação" do país após um período de governo bolsonarista, mesmo apagando o passado de muitos profissionais, que antes não perdoavam o Lula durante os seus dois primeiros mandatos, principalmente após a descoberta do Mensalão. 

sexta-feira, 3 de março de 2023

Imprensa começa a abandonar postura favorável a Lula

A mídia recebe críticas por sua leniência ao falar do governo atual, comparada com a postura hostil em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que também costumava revidar as cutucadas dadas pelas reportagens. 

Isto se deve ao acúmulo de fatos comprometedores, desde o escândalo no Ministério das Comunicações com Juscelino Filho (União-MA) acusado de improbidade administrativa, até a invasão do MST, aliada do governo, em três fazendas de eucalipto da Suzano Papel e Celulose no extremo sul da Bahia. Além disso, repercutiu mal a aprovação do requentado projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo, prometido para 2014 mesmo que os prazos irrealmente curtos fossem para a "Velhinha de Taubaté" acreditar no projeto. Agora, nem os gatos dela creem na construção desta obra até 2032, ainda mais porque o governo não quer bancá-lo. Taubaté seria uma das cidades supostamente beneficiadas. 

O governo também foi bem sucedido ao fazerem esquecer o tema da corrupção, em contraste com a verborragia do ex-presidente, negando a roubalheira por parte do governo apesar das denúncias em contrário. Teme-se que descubram um novo esquema para roubar NOSSO DINHEIRO tarde demais. 

Também não é esquecida a briga com o presidente do Banco Central e com a Petrobras, adotando a clássica postura dos governantes de culpar outros pela falta de resultados positivos em suas gestões, adotado sistematicamente por Lula atualmente e em seus mandatos anteriores, assim como Bolsonaro, Temer, Dilma, FHC, Collor, Sarney, militares, JK, Getúlio, etc. A mídia não engole a versão chapa branca de querer baixar juros e preços dos combustíveis no grito, ainda mais com a postura oficial não colaborativa, sem planos para a economia e preocupado apenas em vender uma imagem para o povo. Ele reclama que o PIB de 2022, ainda no governo anterior, "não cresceu nada", mas nada garante um número melhor para 2023, e isso contribuirá para um desfecho nada favorável na relação entre Lula e a imprensa. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Divisão na grande mídia

Nunca se viu em vários anos uma diferenciação tão nítida entre as versões dos fatos contadas pelas facções da grande mídia, cuja credibilidade está em xeque no mundo inteiro, não só no Brasil. 

Enquanto a maioria dos portais destaca a viagem de Lula ao Cairo, a capital do Egito, para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP27, outros veículos mais conservadores destacaram os protestos dos apoiadores do presidente em exercício, Jair Bolsonaro, furiosos com o que eles consideram parcialidade do TSE para favorecer Lula, além de pedirem liberdade de expressão, tendo Alexandre de Moraes e o resto do STF como alvos por perseguirem as fake news sem uma legislação ainda aprovada para isso. Em comum, apenas a denúncia sobre o jatinho executivo do empresário José Seripieri Filho, usado para conduzir o líder petista até o país africano. Seripieri é o fundador da Qualicorp, grupo ligado a planos de saúde, e chegou a ser preso em 2020 por caixa dois durante a campanha feita para José Serra em 2014 para o Senado, durante investigações da Polícia Federal. 

Manifestantes lotaram o QG do Exército em Brasília e foram elogiados pelos portais conservadores de notícias, mas desprezados pela maioria da imprensa (Divulgação/Twitter)


Lula foi louvado pela imprensa internacional e por muitos portais brasileiros ao participar da COP27, no Cairo, mas outras fontes de informação só destacaram o uso de um poluidor jatinho de um empresário (Nariman el-Mofty/AP)

As manifestações foram numerosas ontem, dia 15 de novembro, e contaram com milhares de pessoas. Grande parte delas limitou-se a rezar e cantar o Hino Nacional nas portas dos Comandos Militares, como o do Sudeste, no Ibirapuera (zona sul de São Paulo), sem tumultos e exercendo o direito de protestar contra o resultado das eleições a favor do "descondenado" Lula, mas o grosso da imprensa, que chama as manifestações de "atos antidemocráticos", destaca a fúria de um grupo de revoltosos contra os seis ministros do STF (além de Moraes, participaram Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli) que participaram da reunião organizada pelo grupo empresarial LIDE em Nova York, junto com o ex-presidente Michel Temer e o presidente do BC, Roberto Campos Neto. As autoridades presentes foram xingadas com termos pesados, como "vagabundo", "bandido" e "filho da p***", tentando abalar o clima de "torre de marfim" dos ministros, que atiçaram ainda mais a ira ao tratar a turba com desdém e escárnio. Luís Roberto Barroso chegou a falar "Perdeu, mané" para um manifestante apoiador de Bolsonaro, referindo-se ao resultado oficial das urnas. 

Enquanto isso, o grupo de transição foi tratado de forma condescendente pela maioria dos órgãos de imprensa, mesmo anunciando nomes como Alexandre Boulos e André Janones, e provocando nervosismo na Bovespa com a PEC da Transição, acusada pelos sites mais conservadores de ser um atentado à Lei de Responsabilidade Fiscal por colocar gastos fora do teto, e não só o Auxílio Brasil de R$ 600, a ser rebatizado de Bolsa Família como nos mandatos petistas anteriores (leia a minuta AQUI). 

Alguns sites, como o da revista Oeste, tomaram por verdadeiros um suposto pedido do PL para anularem as eleições, mas o partido nega e diz ser ideia de alguns deputados, como Carla Zambelli, acusada de prejudicar a campanha de Bolsonaro no segundo turno ao reagir de forma desproporcional, com uma arma na mão, a uma provocação de um cidadão apoiador do PT, no sábado antes dos brasileiros irem às urnas de novo (29 de outubro). Zambelli e outros dizem representar os anseios de muitos brasileiros insatisfeitos com o resultado das urnas, considerado uma fraude, e que clamam por uma eleição com voto impresso para, segundo eles, ajudar na auditoria do resultado. 

Por fim, não faltam acusações entre as partes. A maioria dos portais de notícias chama os outros de serem "bolsonaristas" e mesmo "extremistas", enquanto alguns jornalistas desses veículos, não todos, denunciam a "velha imprensa". Isto não é de hoje e vem desde a campanha de 2018, mas piorou com a abordagem sobre a pandemia de COVID-19, com a divisão entre os apoiadores das medidas sanitárias e os críticos do "fique em casa", e se tornou biliosa, às vezes explicitando rancor e sectarismo por parte dos mais exaltados, com a campanha eleitoral deste ano. 

quarta-feira, 16 de março de 2022

Preocupação com a verdade e os fatos

Recentemente, durante pronunciamento na cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes, o ministro da Economia Paulo Guedes disse que no Brasil há "mais iPhones do que habitantes". Ele teria se referido aos aparelhos celulares, imensa maioria de Androids (mais de 91%, segundo o Statcounter), enquanto os iPhones, cujo preço está acima do poder aquisitivo de muita gente,representa 9,36% das vendas. 

Foi o bastante para a mídia e a oposição atacarem-no sem piedade, apontando-o como alienado da realidade brasileira, praticamente insinuando que ele estaria deliberadamente tentando nos convencer de que o Brasil é uma espécie de Shangri-Lá. 

Considerando todos os celulares e não só os iPhones, são 242 milhões de aparelhos no total, bem mais que os 212 milhões de habitantes, sendo que muitos tem mais de 2 celulares. Há muita gente sem posse de um celular, na maioria bebês e idosos. 

As declarações de Guedes demonstram ser extremamente frágeis e, vindo de uma alta autoridade do governo, representam uma agressão contra a verdade. Porém, a mídia também não pode se sentir muito superior ao ministro, por muitas vezes submeter os fatos às suas ideologias particulares e interesses financeiros, com o intuito de tentar influenciar os leitores, não informá-los. 

Estamos vivendo uma pandemia de desinformação, ainda mais persistente do que a do coronavírus, e a capacidade de sobrevivência da civilização depende de um acesso às notícias com um mínimo de qualidade, e não versões inventadas, por falta de adequada consulta às fontes ou por má fé. Quanto às pessoas em geral, é preciso resistir à tentação de fugir da verdade, quando ela contraria nossas convicções e crenças. Isso quando temos acesso à informação e capacidade de compreendê-la. 

O Brasil terá muito a ganhar se os donos do poder e os das mídias tiverem um pouco mais de apreço pela verdade e não quererem, com tanto despudor, transformar fatos em narrativas. 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Assunto COVID-19 está perdendo espaço na mídia

A pandemia de COVID-19 parece estar próxima do fim, mesmo com a variante ômicron. Houve um agravamento momentâneo no número de casos e mortes, mas os números voltaram a ficar menos alarmantes. 

Com isso, notícias sobre esse flagelo perderam espaço para outros temas. Nem todos eles são agradáveis, como o BBB 22 e a recente expulsão de uma das participantes, Maria. Ou a morte de Arnaldo Jabor, o talentoso cineasta de Eu Sei Que Vou Te Amar e comentado polemista. Ou a nova etapa nos debates políticos, marcados pela polarização e pelos debates sobre ideologias que deveriam estar sepultadas, como o nazismo (e o comunismo). 

Deveríamos tratar de propostas para melhorar a vida do povo e fazer o Brasil trilhar o caminho da prosperidade sem as velhas e sedutoras ilusões populistas. Isso passaria pela melhoria na educação, após a normalização das atividades escolares para crianças e adolescentes. Temas construtivos ainda precisam de mais espaço na mídia. 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

O avanço da mídia conservadora

O Brasil possui vários veículos de imprensa, sendo a maioria defensora das ideias liberais, do capitalismo e da democracia. Esta tendência começou a firmar-se durante a abertura política (a partir de 1979), no fim do regime militar, quando muitos se cansavam do autoritarismo vigente, mas ao mesmo tempo constatavam o atraso do Brasil, frente aos países mais avançados na América do Norte e na Europa, e às economias em rápido crescimento na Ásia. Vivíamos num país fechado, com terrível desvalorização no poder de compra, desejoso de ter mais liberdades públicas e direitos fundamentais como o de votar em seus representantes. 

Com os governos seguintes, o Brasil conseguiu a democracia, e a abertura econômica, culminando no Plano Real, que domou a hiperinflação. A imprensa foi favorável a este status quo, embora estivesse atenta aos desmandos dos governantes, principalmente Fernando Collor, punido por corrupção. 

Mais tarde, durante os governos do PT (Lula e Dilma), as ideias moderadas perderam espaço. De um lado, as mídias autoproclamadas "independentes", mas alinhadas ideologicamente com a situação, e favoráveis às ideias consideradas "progressistas". Por outro lado, a mídia tradicional voltou a ter uma postura mais combativa, após a constatação das várias falcatruas cometidas por setores do governo, com a conivência oficial, principalmente o Petrolão, um dos maiores escândalos de corrupção da História recente. 

Muitos não estavam contentes com a abordagem da grande imprensa, considerada conivente com o petismo devido aos avanços sociais, obtidos à custa da roubalheira e do populismo, segundo a visão destes críticos. Os conservadores, defensores dos valores religiosos e contrários aos que consideravam excessos, como o aborto, a liberação no consumo de drogas e a divulgação de costumes homossexuais, estavam até então marginalizados, embora sejam uma parcela importante da população brasileira. Eles ganharam força como uma oposição mais convicta ao petismo, exigindo moralidade e respeito aos valores consagrados ao longo de séculos. Apoiaram fervorosamente a Operação Lava Jato e, depois, a candidatura de Jair Bolsonaro, visto como um defensor do tradicionalismo, apesar de seu passado como capitão rebelde do Exército. 

Esta tendência não surgiu sem motivo, pois parte expressiva da população se incomodou com a rápida mudança nos costumes em poucas décadas (a partir dos anos 1950) e a desvalorização de noções arraigadas como o pátrio poder e a desigualdade como fator inerente à natureza. Eles também estão cansados das políticas de segurança adotados pelos governos, considerados frouxos contra a criminalidade, e sempre foram menos tolerantes com desvios de conduta, querendo punições severas ou até a pena de morte para casos graves como estupro ou homicídio. Esta parcela não tinha apoio dos meios de comunicação, que defendiam as inovações e, em maior ou menor grau, desvalorizavam aspectos como a religião, ridicularizavam a falta de cultura (boa parte da sociedade não tinha e ainda não tem acesso adequado à educação) e comparavam os tradicionalistas (de forma generalizada) com os fascistas do passado. 

Com a ascensão de Donald Trump em 2016, os grupos conservadores ganharam ainda mais alento, e passou-se a fazer críticas mais abertas ao "politicamente correto", visto como costume progressista e fomentador do vitimismo de alguns grupos sociais que se consideram marginalizados. Alguns, mais radicais, fizeram a associação do "politicamente correto" com supostas campanhas dos "progressistas" para destruírem os valores tradicionais e tentarem novas formas de implantar o socialismo, submetendo os cidadãos a um governo totalitário e implementador de um falso regime de igualdade, em detrimento da liberdade. 

A eleição de Jair Bolsonaro foi ainda mais favorável à "direita" defensora do liberalismo econômico clássico combinado com o tradicionalismo cultural e social, e mesmo à "extrema-direita" defensora de atos violentos para consertar os estragos feitos pelo petismo (reais ou não). Veículos de imprensa assumiram-se claramente conservadores, como o jornal Gazeta do Povo e a rádio Jovem Pan. Surgiram revistas como a Oeste. Blogs e espaços na Internet tornaram-se mais populares, como o Brasil Paralelo. Mais jornalistas assumiram-se defensores da tradição e passaram a se expressar mais claramente neste sentido, sem medo de serem apontados como "reacionários", "golpistas" ou "(neo)fascistas" pelos colegas, como acontecia na época de Lula ou Dilma. Alguns até mostraram admiração por polemistas como o recém falecido Olavo de Carvalho, ou radicais como Steve Bannon, defensores de uma ruptura contra os sistemas políticos, para eles infestados de burocratas. 

A revista Oeste é porta-voz do conservadorismo, destoando do teor liberal ou progressista das concorrentes (Divulgação/Revista Oeste)

Atualmente, estes veículos tendem a apontar a pandemia como uma manobra dos adeptos do regime chinês, muito admirado como exemplo de pujança econômica e combate à miséria, mas criticado pela ausência de liberdade e pelo dirigismo sobre o cotidiano das pessoas. Os lockdowns adotados em países da Europa e a palavra-chave "Fique em casa" são vistos como uma tentativa de fazer as pessoas abrirem mão de sua liberdade e obedecerem às imposições estatais, tal como ocorre dentro da ditadura chinesa. Acham exagerados os temores contra o coronavírus, principalmente a variante ômicron, cuja taxa de letalidade está se revelando menor em relação às das outras cepas. Chega-se ao ponto de ignorar o perigo deste parasita, ou mesmo defender o "direito de morrer exercendo sua liberdade". 

Não há nada a fazer contra a divulgação de tais pensamentos, porque as leis garantem plena liberdade de expressão. A defesa dos "cancelamentos" e dos fechamentos de contas por parte das mídias sociais ferem o espírito democrático e alimentam as acusações de totalitarismo, ainda mais porque os defensores do marxismo ou mesmo do terror como forma de "combate à opressão" não sofrem tantas retaliações. E a tendência é pela consolidação das vozes "anti-progressistas", ainda mais quando a pandemia terminar. 

É saudável um ambiente com vários pontos de vista e debates entre ideologias diferentes, desde que estejam dentro dos limites impostos pela Constituição. 

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Adeus à revista Época

A partir desta semana não haverá a revista Época, semanário de informação do Grupo Globo, originalmente criado para competir com a Veja e a IstoÉ há exatos 23 anos. Portanto, a revista teve uma vida relativamente curta. Ela passará a ser um suplemento do jornal O Globo. 

Uma das últimas edições da revista Época, da Globo (Divulgação)

Vítima da enorme crise do mercado editorial, assolado pela Internet, a Época foi pouco lamentada pela opinião pública. Representa uma publicação considerada obsoleta no mundo inteiro, por ser considerada pouco adequada à dinâmica das notícias. Atualmente, para se informar muitos preferem os smartphones. 

Mesmo a Veja, muito mais antiga (de 1968), está enfrentando problemas para sobreviver. Carro-chefe da Editora Abril no passado, ela nunca esteve tão perto de sair de circulação quanto agora. A própria Abril enfrenta um processo de recuperação judicial, com dívida superior a R$ 1 bilhão. Na sexta-feira, esta dívida foi levemente diminuída com o leilão de um de seus prédios, o histórico e já desativado existente na Marginal Tietê, bairro da Freguesia do Ó. A edificação, que ainda tem a marca da editora, foi vendida para as Lojas Marabraz por R$ 118 milhões, um preço relativamente baixo. Antes, o maquinário em seu interior foi totalmente vendido. 

Tanto a Época quanto a Veja são publicações de editoras atualmente mais detestadas do que admiradas, devido às suas contravertidas atuações durante o regime militar e a sua acirrada oposição tanto ao petismo quanto ao bolsonarismo, sendo repudiadas por estas forças políticas e consideradas oportunistas por muitos dos que não se declaram partidários destes extremos. Porém, não se pode negar a importância destas revistas, e de seus donos, os Marinho e os Civita (até 2018, pois eles transferiram o comando para o empresário Fábio Carvalho), na história da imprensa brasileira. 


N. do A.: Além de Aristóteles, vão aparecer outros filósofos antigos sob forma de um "debate" imaginário, ainda neste mês, confrontando as principais correntes de pensamento no final da Idade Antiga: o estoicismo e o epicurismo, representados por Sêneca e Epicuro. Também estará lá o cínico Diógenes, para esquentar ainda mais a "conversa". 

terça-feira, 31 de março de 2020

Tempos favoráveis para a desinformação

Em cenários como guerras e epidemias, há uma verdadeira proliferação de notícias de má qualidade, visando fazer sensacionalismo ou desviar a atenção do público. 

Para conseguir atenção, certos veículos de mídia, jornalistas ou influenciadores digitais podem se valer de informações exageradas, distorcidas ou escandalosas, para conseguirem audiência ou cliques nos seus espaços na Internet. 

Não só as fake news nas redes sociais são utilizadas, mas as seguintes categorias de desinformação: 

- Imprensa amarela (yellow press): praticada há séculos, desde a invenção do jornal, visa causar escândalo ou alertar de forma exagerada sobre determinados temas; a atual pandemia de COVID-19 é assunto para sensacionalismo, aumentando a inquietação no público, como escrever a respeito de milhões de mortes em determinado país - mas isso seria o pior cenário, caso o lugar não tivesse tomado medidas para diminuir a incidência;

- Imprensa marrom: é a variante da imprensa amarela, utilizando-se do sensacionalismo para fins mais torpes, como difamação, injúria e descrédito da vítima dessa modalidade de mau jornalismo; as fake news são exemplo moderno para esta modalidade; outros meios são utilização de notícias para distorcer a verdade em favor ou contra determinados países, como a China, ora vista como um exemplo de controle na pandemia, ora como uma gigantesca horda para destruir o Ocidente;

- Imprensa rosa: é uma modalidade de jornalismo igualmente desinformativo, explorando motivos fúteis, como a vida de celebridades ou o BBB 20, agora muito falado; chega-se a dizer que este programa de qualidade questionável é uma das principais diversões do brasileiro, principalmente porque os campeonatos de futebol estão paralisados. 

Um verdadeiro sorvete napolitano, que todos devem evitar, porque faz muito mal, para a reputação dos veículos de imprensa e para o público, e agrava as consequências de uma pandemia em curso. 


Por isso, é necessário consultar mais de uma fonte, para não cair em mentiras que muitos, mesmo involuntariamente, acabam divulgando. Sites confiáveis de informação existem, gratuitos ou pagos. Consultem-nos.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Como vocês ousam, editores da TIME?

Tradicionalmente, a revista TIME elege a personalidade do ano, isto é, a pessoa (ou mesmo a instituição) de maior destaque. 

Desta vez, a escolhida foi a ativista Greta Thunberg, que usou palavras duras contra a falta de ação das autoridades adultas sobre as mudanças climáticas causadas pela poluição humana. Ficou marcante o uso da pergunta na cúpula da ONU sobre o clima: Como vocês ousam?

Ela acusou os líderes mundiais de roubarem os sonhos e a infância dos jovens e disse que a nova geração não os perdoará por falar em dinheiro enquanto "estamos no início de uma extinção em massa", segundo a adolescente sueca de 16 anos.

Nunca uma personalidade foi tão jovem no momento de se tornar capa de uma das revistas mais importantes do mundo. 

A jovem sofre de Síndrome de Asperger, transtorno típico de pessoas com alto QI mas com limitações na afetividade e na interação com outras pessoas. Talvez isso a tenha ajudado a sacudir a opinião pública mundial, mas ao mesmo tempo pode atrapalhar a compreensão da dinâmica do mundo e de como as pessoas interagem para fazer esse mesmo mundo funcionar. Não se sabe como ela irá trabalhar esse potencial para defender causas tão nobres, mas ao mesmo tempo tão contravertidas, quando se tornar adulta.

É uma aposta ousada da TIME, ao escolher Greta como representante de 2019. 

A revista TIME escolheu pessoas mais questionáveis do que a jovem Greta para estampar a capa de "Personalidade do Ano" Um deles foi Adolf Hitler, em 1938 (Divulgação/Revista TIME)

N. do A.: Dias antes, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro chamou Greta de "pirralha" nas redes sociais. Muitos a julgam uma marionete dos movimentos anticapitalistas, do globalismo e da chamada "psicose ambientalista", termo usado por D  Bertrand de Orléans e Bragança, um dos herdeiros do trono brasileiro, com o qual o ministro do Meio Ambiente, Ernesto Araújo, concorda e faz coro. Outros veem um grande futuro de Greta como líder e exemplo para a nova geração, para influenciar positivamente na melhoria dos esforços para consertar os estragos provocados por séculos de descaso contra a natureza e a vida na Terra.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Das séries 'Oitentolatria', parte 27 e 'Noventolatria', parte 15

Havia um jornal famoso por suas manchetes escandalosas regidas a muito sexo e violência, chamado de "Notícias Populares". O diário era famoso por conotações sexistas, explorações de crimes, postura sensacionalista e linguagem policialesca.

Para muitos, era uma fonte de humor. Para outros, uma escatologia. Como diria quem usa a linguagem dessa publicação, foi "pro bico do corvo" em 2001, devido à onda politicamente correta, que baniu quase todo esse tipo de mídia, à exceção do Charlie Hebdo e alguns outros, e também à queda na demanda por publicações impressas, sejam elas jornais ou revistas. Deixou um sucessor, no Rio de Janeiro: o jornal "Meia Hora", com notícias bem humoradas e formato tablóide.

Começou a ter ampla repercussão com o suposto "desaparecimento" do cantor Roberto Carlos, em 1968, quando ele viajou para Nova York. Sete anos depois, não parava de falar sobre o "bebê diabo", história comentada até agora como uma lenda urbana.

Eis outros tipos de reportagem, datados dos anos 1980 e 1990:










Agora tudo isso parece até um humor do tipo "Os Trapalhões", para falar do que havia de mais inocente nos anos 80 e 90, diante das notícias atuais no Brasil e no mundo, que REALMENTE são escandalosas. E, diante das fake news que infestam as redes sociais, o "Notícias Populares" parece, agora, ser tão apegado à verdade quanto o também finado "Gazeta Mercantil", um dos jornais econômicos mais prestigiados até sair de circulação em 2009.


N. do A.: Não bastava o dólar ficar no indecente movimento "sai, entra, sai, entra" contra a vontade dos brasileiros (e a favor da vontade dos especuladores financeiros), como se fosse um assunto típico do "Notícias Populares" (estupro), ainda se confirmou a morte da tenista Maria Esther Bueno, assunto de uma postagem recente.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Capas das revistas semanais

As revistas semanais, como ocorre em eventos importantes, lançaram capas com o mesmo tema. 

Como era de se esperar, a Veja e a IstoÉ, que fizeram campanhas contra o PT, mostraram um teor mais combativo, e negativo, contra o ex-presidente. A Veja foi, e continua sendo, uma revista odiada pelos simpatizantes de Lula, enquanto a IstoÉ se tornou mais crítica contra ele - e várias outras figuras políticas - nos últimos anos, com capas muitas vezes agressivas. 




Enquanto isso, a CartaCapital, simpatizante do PT, lamentava a condenação de Lula em segunda instância. 



Por fim, a revista Época, acusada pelos governistas de ser militante anti-Temer, foi relativamente equilibrada, mostrando a força de Lula mesmo condenado. A revista, em geral, também mostrou reportagens comprometedoras contra o ex-presidente, entre elas uma referente ao motivo da sentença: o triplex do Guarujá.