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segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Orgulho e vergonha de dezembro

2018 está no fim e este blog resolveu não deixar a avaliação do Orgulho e da Vergonha Nacional para o ano que vem. Também este espaço se vê obrigado a avaliar se iremos continuar com essa avaliação. 

Desta vez a avaliação será sucinta. O "Orgulho Nacional" está mais fácil de ser concedido. Houve a escolha entre alguns candidatos do meio esportivo: os nadadores do Mundial de Piscina da Curta e Gabriel Medina, bicampeão mundial de surfe. O selo fica com o surfista de Maresias, mas vale pelo menos uma menção honrosa aos nadadores, que quebraram o recorde mundial no revezamento 4x200 m. 

Depois de se tornar bicampeão, o jovem desfilou nas ruas de Maresias (São Sebastião) em carro de bombeiros, homenagem destinada aos grandes nomes do esporte

E, para o outro selo, restou apenas um candidato, que se destacou sobre todos os outros. João de Deus, o médium que aproveitou seu dom para construir um patrimônio milionário e abusar das clientes. Não é preciso dizer mais nada. 

Os espíritos não o salvaram da Justiça terrena e nem de levar o selo da "Vergonha"

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Orgulho e vergonha de novembro

Como é praxe, este blog vai apresentar quem se destacou positivamente, merecendo o selo do Orgulho Nacional, ou, pelo contrário, quem acabou levando o outro selo, o da Vergonha. 

Ainda vou avaliar se o tema vai ser mantido em 2019. Em caso afirmativo, não seguirá esta ou aquela ideologia, mas deve se pautar em critérios objetivos, tendo a ética em primeiro lugar. Pelo menos até agora isso está sendo mais ou menos observado.

Em novembro, quem levou o selo do "Orgulho Nacional" foram os arquitetos Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes, que levaram o prêmio de melhor prédio do mundo pela Royal Institute of British Architects (Riba). Eles projetaram o prédio Moradias Infantis, um modelo de construção de ótimo custo-benefício para escolas de regiões pobres e quentes, em regime de internato, como um modelo deles feito no Tocantins. 

Escola feita no Tocantins pelo Aleph Zero, empresa dos curitibanos... (Estúdio Palma)

.. Utrabo (esquerda) e Buschenes (direita), representantes do talento nacional (adaptado de foto de Vinícius Postiglioni)

Agora, quem mereceu mesmo o outro selo foi o executivo Carlos Ghosn. Ele foi preso por acusação de desviar milhões de dólares quando era CEO da Nissan, além de mentir ao Fisco japonês, indicando ganhos inferiores aos reais. Por isso, ele foi demitido. A descoberta virou um escândalo internacional. Ghosn foi o responsável pela recuperação financeira da fábrica japonesa, controlada pela francesa Renault. Esse talento para os negócios cobrou um alto preço para o grupo, ainda formado pela também japonesa Mitsubishi. Se a falcatrua fosse no Brasil, nem seria descoberta. Como ele não recebeu ainda uma sentença, embora esteja na prisão, não escapará de ser selado aqui. 

Carlos Ghosn também usou seu talento na Nissan, mas protagonizou um escândalo financeiro que o tornou não só uma vergonha nacional, mas também mundial (Vanderlei Almeida/AFP)


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Orgulho e vergonha nacional de outubro

Desta vez, este blog será conciso e irá se concentrar nos vencedores dos selos "Orgulho Nacional" e "Vergonha Nacional".

O vencedor do "Orgulho" já foi comentado aqui, mas não o vencedor do outro selo, escolhido quase de última hora porque havia um candidato certo.

Como sempre, primeiro os agraciados pelo "bom" selo. Como foi difícil conseguir fotos apenas dos brasileiros vencedores do Lara (Latin America Reseach Awards) no mês passado, foram escolhidos pesquisadores isolados, mas os outros também são considerados "Orgulho Nacional".

Wagner Meira Jr. e Manoel Horta foram 2 dos 17 brasileiros que ganharam o LARA 2018, organizado pelo Google; todos os agraciados são "Orgulho Nacional" (baseado em foto de Isabela Moreira)


Depois, a "Vergonha Nacional". Era para ser Eduardo Bolsonaro, autor da frase insinuando que um cabo e um soldado seriam capazes de fechar o STF. No entanto, um assassino apareceu em cadeia nacional e roubou o selo do boquirroto filho do presidente eleito: é Edson Brittes, responsável pela morte violentíssima do jogador Daniel, do São Bento, emprestado pelo São Paulo.

Este selo era para ser do Eduardo Bolsonaro e sua frase anti-republicana, mas... (adaptado do G1)


N. do A.: Por falar em Eduardo Bolsonaro, seu pai, o presidente eleito, fez um breve discurso defendendo a obediência à Constituição, durante cerimônia solene no Congresso em homenagem aos 30 anos da Carta. É algo louvável, e será ainda mais se ele fazer jus às palavras e governar obedecendo ao império da lei. 

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Orgulho e vergonha de setembro

Este blog tem menos prazer em fazer a selagem de pessoas a cada mês, devido à dificuldade de escolher quem merece, para o bem ou para o mal. 

Entre os candidatos ao selo de "Orgulho Nacional", existem algumas pessoas que fizeram iniciativas interessantes: 

- Pesquisadores da UFSC que divulgaram, no mês passado, um método inusitado para diminuir os efeitos da quimioterapia: criando sorvete feito com azeite de oliva e proteína vegetal, elementos que minimizam as náuseas e a sensação de dificuldade para engolir típicas de pacientes submetidos a esse tratamento contra o câncer. 

- A associação sem fins lucrativos "Amigos do Bem" completou 25 anos de serviços para matricular crianças carentes no Nordeste, e organizou um show no Espaço das Américas, aqui em São Paulo; 

- Thiago Mattar Cunha, professor da USP de Ribeirão Preto, ganhou o prêmio TWAS-LACREP Young Scientist Prize 2018, destinado a jovens cientistas da América Latina e Caribe, devido às pesquisas sobre doenças inflamatórias; ele lidera um grupo de pesquisas a respeito de medicamentos contra o câncer que minimizam as respostas adversas, como dores; 

- Marta se consagrou como a maior jogadora dos últimos tempos ao ganhar o prêmio da FIFA pela sexta vez. 

Analisando os candidatos ao selo, decidiu-se que ele vai para o pesquisador Thiago Mattar Cunha pela sua pesquisa que o levou a ganhar o prêmio, oferecido pela Academia Mundial de Ciências. 

Thiago Mattar é pesquisador financiado pela FAPESP. 

Pior do que escolher o "Orgulho Nacional" é fazer algo a respeito dos candidatos ao outro selo; desta vez, apenas três se destacaram: 

- O reitor da UFRJ Roberto Leher, filiado ao PSOL, se eximiu de culpa pelo monstruoso incêndio no Museu Nacional, onde quase todo o acervo foi perdido, e responsabilizou o governo federal pela escassez de verbas para a manutenção do prédio; é verdade que a verba é uma miséria, mas não assumir sua parte da culpa e posar de vítima é uma postura longe da grandeza de um líder responsável por uma das melhores universidades do país e por um patrimônio que agora está aniquilado. 

- O general Hamilton Mourão quase colocou em perigo a campanha de Jair Bolsonaro ao aproveitar o atentado sofrido pelo candidato do PSL à Presidência e fazer declarações contrárias ao décimo terceiro salário, uma cláusula pétrea da Constituição, e, além disso, ameaçar fazer um "conselho de notáveis" para praticamente outorgar uma nova Carta, como nas ditaduras. 

- O responsável pelo atentado contra o aludido candidato, Adélio Bispo de Oliveira; o ato poderia mergulhar o Brasil numa época de fúria e violência, mas felizmente isso não ocorreu e sua vítima está para voltar ao controle de sua campanha para presidente. 

Os três merecem o selo, mas apenas um vai ganhar. Pelo ato criminoso, cujo intento de matar sua vítima foi quase bem sucedido, Adélio, que está preso mas ainda não foi sentenciado pelo crime, vai ser agraciado:

Ele não incendiou o Museu Nacional e nem é vice querendo rasgar a Constituição, mas tentou matar um candidato à Presidência!

N. do A.: Orgulhos mundiais são os ganhadores do Prêmio Nobel; hoje, foi a vez dos físicos, destacando a canadense Donna Strickland, a terceira mulher a ganhar o prêmio, e o americano Arthur Ashkin, um dos mais idosos ganhadores da História (96 anos); eles e mais o francês Gérard Mourou receberam o prêmio por seus trabalhos sobre o laser como ferramenta para diversos usos, como pinças ópticas e tratamentos médicos; ontem, imunoterapeutas ganharam o Nobel de Medicina. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Orgulho e vergonha de agosto

A impressão que o autor deste blog tem é de não haver limites para a capacidade do Brasil de tentar se autodestruir por culpa da beotice, obtusidade, sandice, boçalidade e torpeza de alguns capadócios, filisteus, entrevados mentais e depravados morais que, ao longo dos séculos, impedem a nação de encontrar o seu verdadeiro caminho. 

Tragédia para o mundo, num país onde a independência será comemorada nesta semana. E tem gente que não valoriza esse status e quer ver o Brasil como colônia da China ou dos Estados Unidos...

Mas agora não adianta "elogiar" os responsáveis pela deterioração e posterior incêndio do Museu Nacional, o mais importante e antigo do país, no Rio de Janeiro. Agora o momento é de cuidar do pouco que sobrou e recolher os destroços para avaliação, enquanto se faz a apuração das causas e estuda como reformar o prédio. Fósseis, obras de arte, artefatos, documentos, tudo isso perdido para sempre. Pedir cadeia ou algo mais severo (leia AQUI) para os culpados e explorar a tragédia em época eleitoral, como fazem os políticos e as redes sociais para não variar, não irá recuperar nem a mais humilde das 20 milhões de peças perdidas.

Enquanto isso, o blog vai expor quem é o "orgulho nacional", responsável por trazer alegrias ou alento a uma nação entregue aos merecedores de outro selo, o da "vergonha", e de quem tem tanta capacidade de causar estragos que é considerado um hors concours, como são os ex-presidentes da República.

Primeiro, o orgulho nacional, na ordem estabelecida desde fevereiro. 

Foi feita uma análise de candidatos, e um deles, citado em uma postagem, se destacou: Isaquias Queiroz, medalha de ouro no Mundial de canoagem (disputado em Portugal) na categoria C1 500 m e também na medalha C2 500 m (este último prêmio conquistado juntamente com Erlon de Souza; por isso, ele ganha o selo. 

Isaquias Queiroz é um dos favoritos ao ouro nas Olimpíadas de Tóquio. Em 2016, ele foi um dos destaques no Rio

Por outro lado, os merecedores do outro selo, o da "Vergonha", não podem ser os presidenciáveis, porque eles são, desde já, não passíveis dessa "punição", para não prejudicá-los em suas campanhas, assim como não podem receber o selo de "Orgulho", para não haver favorecimento. Assim, verificando outros "seláveis", temos: 

- Luiz Felipe Manvailer, assassino da própria mulher, a advogada Tatiane Spitzner, em Curitiba;
- Paulo Maluf, cujo mandato de deputado foi cassado recentemente;
- grupos de brasileiros xenófobos que agrediram venezuelanos em Roraima; 
- ladrões que furtaram a medalha Fields do iraniano de origem curda Caucher Birkar.

Não tenho aqui imagens dos criminosos que furtaram a medalha Fields e nem os arruaceiros de Roraima, e por isso não posso selá-los, ainda mais porque seus nomes não foram divulgados. Maluf foi punido com a cassação pela Mesa da Câmara por determinação do STF e, como cumpre pena (prisão domiciliar) por lavagem de dinheiro, não se enquadra nos critérios do selo. Logo, o selo vai para um assassino. Todo e qualquer homicida sem sentença definida está sujeito a isso. Caso tiver uma sentença, não pode ser selado aqui: a Justiça já se encarregou da punição.

Feminicídio, uxoricídio, não importa o termo: é assassinato, e isso não se pode tolerar
E, devido ao incêndio no Museu Nacional, caso se comprovar negligência ou crime, os responsáveis serão fortes candidatos ao selo da "Vergonha".


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Orgulho e Vergonha Nacional de julho

Mais uma vez, escolher o Orgulho Nacional de julho foi difícil.

Caso o Brasil tivesse ganho a Copa do Mundo na Rússia, iria receber o selo, mas infelizmente isso não aconteceu. Mais uma vez se provou que a Seleção da CBF não é a melhor do mundo, embora tenha méritos. Jogadores e o técnico Tite tiveram sua parcela de culpa pela eliminação da Copa, embora, com a exceção de um nome a ser destacado mais adiante, nenhum deles fosse motivo de vergonha. Pelo contrário, uma torcida a cada ano menos numerosa viu o esforço e empenho de cada um - e também notou a limitação de um time que joga bem, mas com a impressão de que perdeu há tempos o antigo padrão de qualidade, enquanto outras seleções evoluíram: não tem porte físico, pouco eficaz nos chutes a gol, psicologicamente vulnerável, traumatizado pelo "7 a 1" na Copa de 2014, desprovido de figuras carismáticas e com liderança, às vezes burocrático e pouco agressivo, com valores inflacionados e longe de merecer estar entre os melhores do mundo.

Portanto, quem quis ver Tite, por exemplo, com o selo do orgulho, realmente deve esperar. Talvez ganhe em 2022, se ele se mantiver no comando do time nacional até lá.

Por outro lado, existiram bons exemplos, como a Dra. Carina Cotrim, pesquisadora de Ribeirão Preto, cujo trabalho pode significar uma alternativa de tratamento para a degeneração macular, os ganhadores da Olimpíada de Matemática em Bucaresti, na Romênia (12 de julho) e os voluntários brasileiros que ajudaram no resgate dos meninos presos em uma caverna na Tailândia.

A escolha foi realmente complicada, e este blog resolveu dar o selo à Tatiane Araújo, voluntária do resgate que trabalhou como intérprete e ajudou na localização dos meninos presos na caverna.

Tatiane de Araújo (direita) colaborou no incrível resgate dos "Javalis Selvagens", a equipe de jovens futebolistas tailandeses


Agora, a Vergonha Nacional de julho...

Foram três candidatos fortíssimos a levar o selo. 

Primeiro, o jogador de futebol Neymar Jr., do Paris Saint-Germain e da Seleção Brasileira, participante da Copa do Mundo na Rússia. A despeito de seu incrível talento e capacidade de jogar futebol, sua participação foi considerada ignominiosamente ridícula para o Brasil, e para o mundo inteiro. O time do Brasil foi eliminado pelo da Bélgica de maneira normal, para uma equipe que jogou melhor. O que não é normal é o comportamento do maior jogador da Seleção, em toda a campanha, principalmente nos primeiros jogos. Simulou, chorou de forma cênica, se jogou e quis manipular os árbitros. Parece sofrer de algum transtorno de personalidade (histriônica), agindo como um astro excêntrico e não abandonando velhos hábitos de seu tempo como jogador do Santos e do Barcelona. Isso irrita os fãs, afugenta torcedores, faz o apoio à Seleção se esvair e o faz, em particular, ser alvo de sátira e de escárnio. Por isso, foi esquecido na premiação da Bola de Ouro e, se não se emendar, sua carreira irá definhar, como a de tantos outros ídolos do futebol que prometeram e não cumpriram, como Adriano (o "Imperador") e Robinho. E recentemente fez um comercial considerado vitimista e emocionalmente manipulador, feito pela Gillette, uma de sua patrocinadoras.

Existiu a figura do desembargador plantonista do TRF-4 Rogério Favreto, ex-integrante do PT, que se deixou levar pelos argumentos da defesa de Lula ao determinar, de forma impetuosa, a soltura do ex-presidente, alegando que houve novos fatos capazes de mudar o julgamento do processo. Fez isso, porém, com argumentos muito subjetivos e pessoais, aludindo à campanha presidencial dele. O juiz Sérgio Moro errou ao não medir as palavras a respeito da decisão de Favreto, dizendo que ele era "autoridade absolutamente incompetente" para julgar o caso. Moro quis dizer que Favreto não era a autoridade certa para determinar a soltura, e não questionou a competência e a capacidade jurídica do plantonista da TRF-4. Mas por causa disso os petistas quiseram processar o magistrado de primeira instância, visto por eles como um "Torquemada de Curitiba", disposto "fanatica e tiranicamente" a manter preso um ex-presidente por "razões políticas". Como a atitude de Favreto foi considerada pelo STJ mais juridicamente insustentável e errática do que a de Moro, embora ambos tivessem culpa por terem contribuído para a corrosão das instituições, é o desembargador o maior candidato ao selo.

Finalmente, temos Dênis Furtado, o "Doutor Bumbum", responsável pela morte da paciente Lilian Calixto, e cujo currículo levantou dúvidas sobre a sua capacitação e mesmo seu direito de possuir um CRM. Outros profissionais de saúde estética foram envolvidos em casos semelhantes, operando em locais inadequados e usando materiais impróprios como silicone industrial.  

O que desempata em "favor" de um é a sua capacidade de gerar estragos para os outros. Neymar só prejudicou a si mesmo e, em menor grau, aos seus companheiros do time, ao técnico Tite e à imagem da Seleção da CBF, que há muito não é considerada como representante de uma nação. O "Doutor Bumbum" e outros magarefes prejudicaram famílias de suas pacientes e levaram suas vítimas a uma morte terrível em nome da estética. O desembargador prejudicou a normalidade jurídica, afetando o Brasil todo. Logo, é o magistrado o ganhador do selo.

Rogério Favreto não se deu ao trabalho de agir em favor de um condenado, quando a função de um desembargador é ser imparcial. Pelo menos, não matou ninguém, como fez o "Dr. Bumbum".

N. do A.: Hoje, pela primeira vez, uma cidade do Hemisfério Sul, o Rio de Janeiro, foi sede da premiação com a medalha Fields, considerada pela mídia como o "Nobel da Matemática", concedido a quatro estudiosos: o italiano Alessio Fighali, o alemão Peter Scholze, o australiano de origem indiana Akshay Venkatesh e o iraniano Caucher Birkar. Este último teve a medalha furtada logo depois da premiação, dentro do prédio do Riocentro. Se uma pessoa qualquer, turista ou não, tivesse deixado seus pertences em espaço qualquer no Rio, fatalmente será roubada, e a responsabilidade é dela por sua imprudência, mas em um lugar fechado e vigiado como o Riocentro a culpa se deve ao esquema de segurança, o que é intolerável por se tratar de um evento com tamanha importância e repercussão no planeta. Desde já o autor do furto da medalha Fields de Birkar é candidato sério ao título de "Vergonha Nacional", assim que for identificado, caso for brasileiro, por sua contribuição em fazer o Brasil ser visto outra vez como pária internacional.


N. do A.: Candidatos oficiais à Presidência da República são hors concours e não serão selados EM HIPÓTESE ALGUMA. 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Orgulho e vergonha de junho

Este blog não se esqueceu dos "seláveis" de junho e vai exibi-los, sem enrolação. 

Como a Copa do Mundo foi o assunto do mês passado (e é assunto deste mês), o "Orgulho Nacional" vai para um brasileiro especial, o simpático mas também zangado e cheio de marra Canarinho Pistola. 

A Seleção Brasileira ou Tite só receberão o selo do "Orgulho" se ganharem o hexa neste mês

É a primeira vez, e espero ser a última, que este blog dá o selo a um personagem, e não a uma pessoa real ou a uma instituição. Também se fazem duas ressalvas: o canarinho possui um apelido "politicamente incorreto" por aludir a uma arma e é cria da CBF, uma entidade apodrecida. O selo não se estende à "Confederação Brasileira de Futebol". Mesmo assim, por falta de candidatos, o "Orgulho Nacional" é ele.

Por falar nisso, houve alguns nomes para serem "premiados" com o selo da "Vergonha Nacional":

- o presidente da CBF, Coronel Nunes, que foi à Rússia e acumulou vexames por sua postura tacanha e por seus assessores terem agredido um torcedor brasileiro com um copo de vidro num bar;

- Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras que saiu da empresa no início do mês;

- aqueles torcedores idiotas que fizeram uma brincadeira boba (a tal da "b****a rosa") com uma russa em Moscou; viraram motivo de críticas e de escárnio no Brasil e no mundo todo, por não saberem se comportar em um outro país; tachá-los simplesmente de machistas está fora de contexto, ainda mais porque por aqui se louvam aquelas horríveis "músicas" (??!!) de funk que cantam peitos e bundas fartas, e também as b****as; a crítica deve ser dada pelo total descaso com as regras de conduta que os turistas devem ter, ainda mais envolvendo uma cidadã do país onde eles se encontram.

Neymar até poderia estar nessa pequena lista, por seu comportamento em campo, simulando faltas e agindo de forma histriônica e exagerada para tentar ser o centro das atenções e enganar os árbitros. Parece influenciar até outros jogadores, como Henderson e Maguire, jogadores da Inglaterra, que fizeram algo parecido no jogo contra a Colômbia. Porém, é preciso levar em consideração o seu desempenho na Copa do Mundo e o fato de, realmente, ele ser muito "caçado" em campo. Também era muito individualista e abusava do virtuosismo, mas agora passou a jogar pela equipe, não o contrário: fazer o time jogar por ele. Por isso, ele não é uma "Vergonha Nacional". Não no mês passado.

O selo fica mesmo para aqueles torcedores, pela repercussão no mundo: 
 
Obviamente o selo não vai para a russa que foi vítima inocente de alguns palermas que não agiram como gente em solo estrangeiro

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Orgulho e vergonha de maio

O mês passado foi terrível, até para conseguir escolher alguém que se destacasse positivamente no cenário atual brasileiro. Este blog analisou dois candidatos ao selo de "Orgulho Nacional": 

- os bombeiros que trabalharam para achar os corpos das sete vítimas do edifício Wilton Paes de Almeida, incendiado e destruído no "primeiro de maio sombrio"; 

- um ex-catador de lixo, Dorival Gonçalves Santos Filho, que defendeu tese de doutorado em Linguística na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

É realmente uma escolha difícil, mas pelo esforço em superar uma situação de miséria e chegar à elite do conhecimento, Dorival vai receber o selo.

O agora doutor em Linguística pela UFSC precisou lutar contra a miséria
Por outro lado, existiram muitos candidatos ao selo de "Vergonha Nacional". A lista é bastante aterrorizante: 

- um tal de Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), acusado de cobrar até R$ 400,00 de aluguel, explorando os moradores do edifício Wilton, aquele mesmo citado acima;

- indivíduos presos por guardarem material pornográfico envolvendo crianças, entre os quais um policial civil e um advogado, que teria a maior quantidade de fotos e vídeos de meninas e meninos tendo suas infâncias destruídas; como os nomes deles não foram revelados, fica bem mais difícil "premiá-los"; 

- o agora ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, responsável por uma política equivocada de preços atrelada ao dólar e ao preço internacional do petróleo, mesmo que o Brasil seja um grande produtor de petróleo; essa política estimulou a importação de derivados de petróleo e desestimulou o refino do produto por aqui, e tornou o país excessivamente vulnerável às oscilações externas;

- os agitadores do movimento que desestruturou o Brasil, alegando lutar contra os impostos sobre combustíveis, o baixo valor dos fretes e os pedágios caros; o movimento dos caminhoneiros, com apoio de setores produtivos e de muitas transportadoras, acabou degenerando em uma situação de anomia política, dando espaço a oportunistas querendo "intervenção militar", eufemismo para golpe; esse transtorno causou prejuízos bilionários e escassez imensa de combustíveis, ainda não solucionada;

Neste último caso, alguns dos nomes do movimento apareceram muito nas redes sociais: o advogado André Janones, filiado ao PSC e ex-membro do PT, e o motorista Wallace Landim, o "Chorão", além de empresários do setor de transporte.

Devido ao estrago econômico feito no Brasil, Parente e os líderes do movimento merecem o selo da "Vergonha", mas quando são dois ou mais os escolhidos, eles devem lutar pela mesma pauta. Além disso, é preciso reconhecer que Pedro Parente, apesar de, ou por causa de, sua odiada política de combustíveis, tornou a Petrobras rentável novamente após o descalabro das gestões anteriores, onde a estatal não tinha independência e manteve os preços de forma populista por ordem da então presidente Dilma Roussef. Assim, os detentores do selo são mesmo os líderes caminhoneiros:

Fazer o Brasil ficar em situação de calamidade não é para qualquer um. E Pedro Parente não ficou muito atrás na sua política que salvou a Petrobras da quebradeira, mas à custa do povo (baseado em imagem do Youtube)

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O orgulho e a vergonha de abril

Como já foi feito antes, todo começo de mês este blog aponta quem merece os selos. Mas já aviso: está difícil fazer uma avaliação, a ponto de, mais de uma vez, o autor deste espaço cogitar em desistir dessa iniciativa. 

Primeiro, os bons exemplos, dignos do "orgulho nacional". Este blog não conseguiu encontrar nada extraordinário, embora boas ações feitas por brasileiros comuns não faltem - infelizmente, a grande maioria não tem divulgação na imprensa. Sérgio Moro foi levado, sim, em consideração, por ter feito cumprir a sentença de prisão contra o ex-presidente Lula, e o fez com rapidez. Em compensação, ele disse no mês passado a respeito do auxílio-moradia, esse privilégio execrável, e justificou dizendo que era para compensar a falta de aumento dos juízes, que já ganham muito em relação aos brasileiros comuns...

Então, fiquei sabendo da iniciativa feita no mês passado de estudantes da escola Cejar, de Aquidauana, cidade do Mato Grosso do Sul. Recentemente, esta mesma escola foi palco de uma briga divulgada no Youtube, em 2014, mostrando que esta escola sofre dos mesmos problemas das demais. No entanto, as estudantes do ensino médio Camila Rocha Oliveira, Clara Bianca e Juliana Ximenes, no mês passado, arrecadaram lacres de alumínio em prol de pacientes vítimas de câncer. Os lacres foram enviados ao Hospital do Câncer em Barretos, um dos maiores do Brasil, e a destinação dos artefatos é a venda para reciclagem, custeando parte das despesas no hospital.

Uma atitude louvável: ajudar um hospital para tratamento de câncer, mesmo com lacres de alumínio que não renderão muita verba adicional (Luiz Guldo Jr.)

Depois, os exemplos ruins, e o Brasil está infestado deles. Dois dos piores foram muito comentados. 

Um deles foi a militância da presidente do PT e sua presidente, Gleisi Hoffmann, explorando politicamente a prisão de Lula e tratando o ex-presidente como um "mártir" e um "perseguido político", quando ele só foi cumprir a sua sentença de 12 anos por uma das várias acusações feitas pela Lava Jato, e nem é a mais grave: receber o triplex do Guarujá como propina da Odebrecht, uma das co-protagonistas da grande rapina. Na verdade, muitos apontam Lula como o grande chefão dessa horda que prejudicou severamente a nação, mas é necessário tanto formalizar as provas disso quanto ter a coragem de investigar mais a fundo todo esse caso, respeitando-se a Constituição - e, para isso, não basta a propaganda feita por muitos membros da força tarefa da PF e do Ministério Público.

Outro é a demonstração cabal de carreirismo político feita pelo ex-prefeito João Dória Jr., agora candidato ao governo paulista. Ele queria mesmo era ser candidato à Presidência, mas Geraldo Alckmin está praticamente consolidado, e suas realizações na Prefeitura não foram o suficiente para ele ganhar projeção nacional. Repetir à exaustão dizendo que não é um político não adiantou muito, e tampouco iniciativas como a famigerada "farinata" para amenizar o problema crônico da desnutrição. Não se pode esquecer dos vários projetos travados, mas a culpa não é necessariamente dele, e sim da Câmara Municipal. Projetos como a desocupação de prédios estão travados - e o desastre do edifício no Primeiro de Maio trágico da cidade não é, por si só, garantia de que isso vá acelerar. Outros, como a reforma nas Unidades Básicas de Saúde e a construção de piscinões contra as enchentes, também não vão muito melhor. E a reformulação das linhas de ônibus - um projeto criado na gestão de Fernando Haddad revivida por Dória - não agrada nem um pouco os paulistanos e pode prejudicar sua campanha, embora signifique uma maior racionalização no sistema, com menos micro-ônibus pequenos e apertados. 

Foi uma decisão difícil, mas necessária, pois apenas um vai receber o selo da "Vergonha". O critério é a reincidência. Só se abandona um cargo público uma vez para embarcar em outra aventura. Já um ato de militância pode ser repetido à exaustão, não sendo exclusivo de determinado mês. Logo, quem recebe o selo de abril é mesmo o ex-prefeito. 

Ele já prometeu cumprir o mandato até o fim, mas "cortou-o" para disputar o governo de São Paulo (Folhapress)

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O orgulho e a vergonha de março

Falei sobre a iniciativa da Unibes Cultural em facilitar o acesso dos deficientes visuais à leitura, por meio dos óculos OrCam MyEye (leiam AQUI). Em meio a tantos procedimentos deploráveis explorados na mídia, isso merece ser apoiado. 

Instituições podem ser apontadas como bons exemplos, nunca como maus, por isso o selo sempre é o de "Orgulho Nacional", e não de "Vergonha Nacional", que se aplica a pessoas. 

O Unibes Cultural merece o selo de "Orgulho Nacional" de março. 

O prédio da Unibes Cultural, em São Paulo

Quanto aos outros procedimentos aludidos, fica mais difícil saber quem merece o outro selo, o da "Vergonha Nacional". Quem mais merece o selo são os assassinos da vereadora Marielle Franco, mas existe um complicador: eles não foram identificados ainda, e este blog não pode selar desconhecidos. A polícia precisa apurar quem fez esse crime, explorado por oportunistas de todas as matizes políticas, a começar pelos membros do próprio partido dela, o PSOL, passando pelos apoiadores de Jair Bolsonaro, defensores das minorias raciais e sexuais (Marielle era negra e homossexual) e, ao mesmo tempo, os críticos da intervenção federal (como Marielle) e os defensores da medida.  

Também houve a contraversa decisão que deixou o ex-presidente Lula livre da prisão, mas o STF, responsável por isso, é uma instituição, e como tal não pode ser selada, apesar de ser aclamada como "vergonha nacional" por muitos manifestantes anti-Lula, que sempre enxergam-no como o grande chefão da quadrilha que tratou o Brasil como um predador trata sua presa.

Se o Supremo poderia ser taxado assim por deixar o ex-presidente solto, não menos merecedor de vergonha são os autores dos disparos contra a caravana de Lula. Isso nos remete às práticas de pistolagem durante a República Velha, antes de 1930. 

Houve uma manobra da CBF para o presidente da entidade Marco Polo del Nero continuar a exercer a sua influência mesmo após o fim de seu mandato. Ele é apontado como um dos chefes da corrupção que corroi a Fifa, a poderosa federação internacional de futebol, e teme sair do país para não ser preso pelo FBI. Rodrigo Caetano vai ser o candidato único na eleição da CBF. O estatuto permite isso, mas revela bem o sistema oligárquico de poder, dominado por dirigentes mais versados em politicagem do que em futebol.

Os "amigos de Temer", como foram apelidados o empresário José Yunes, o dono da Rodrimar Antônio Celso Grecco, o coronel Lima e o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, foram presos provisoriamente sob suspeita de corrupção no caso das licitações de portos, como o de Santos. As acusações são graves, mas de cara não se pode selá-los, porque a concorrência, como se nota nos parágrafos anteriores, é forte, e existem apenas indícios, e não provas, contra eles. E, na visão dos acusadores, quem mereceria o selo é o beneficiário do esquema, o presidente Michel Temer, posto de fora da avaliação por ser hors concours. 

Assim, quem ficou com o selo foi Marco Polo del Nero. 

Marco Polo não viaja por medo de ir para a cadeia. Mas, e os assassinos de Marielle?


sexta-feira, 2 de março de 2018

A "Vergonha" de fevereiro

Já foram avaliados os candidatos de fevereiro à "Vergonha Nacional". Pelos critérios, condenados pela Justiça não serão selados, pois já receberam a punição - e se recorrem em liberdade ou fogem, isso é problema da Justiça, e os facilitadores por eventual fuga é que podem vir a receber o selo da "Vergonha". 

Dessa forma, o ex-deputado do Paraná Fernando Ribas Carli Filho, condenado por dirigir embriagado e causar um acidente que matou dois jovens, entre eles o filho de uma colega deputada, Christiane Yared, não é selável. O crime aconteceu a 7 de maio de 2009.

Também não recebe o selo o mentor daquele crime abominável, no qual quatro meninas foram estupradas em Castelo do Piauí, no dia 27 de maio de 2015. Uma delas foi trucidada. Adão José Soares da Silva já recebeu a pena de 100 anos de cadeia, dispensando um rótulo adicional.


Este homem foi a vergonha nacional em maio de 2015, e agora ele foi condenado (Fernando Brito/G1)

Outro caso emblemático foi a tragédia de Barcarena, no Pará, acontecida no dia 17. A empresa Hydro Alunorte despejou clandestinamente toneladas de resíduos provenientes do beneficiamento da bauxita, matéria prima do aluminio. Houve morticínio de peixes. Como a empresa é norueguesa, não recebe o selo, pois pela regra estrangeiros não são "puníveis". 

Mas quem, cargas d'água, seria o escolhido?

O governo atual do Pará, por negligência na fiscalização da Hydro? Simão Jatene (PSDB), além disso, foi alvo de um processo de cassação por envolvimento em corrupção.

Ou Roberto Veloso, o presidente da Ajufe, a associação dos juízes federais que anunciou uma greve contra o fim do auxílio moradia e outros privilégios?

Esses dois casos são dignos do "prêmio", mas apenas um dele receber. E esse alguém é o presidente da Ajufe, pela nobre defesa de um direito que os juízes julgam ter, mesmo à custa do NOSSO DINHEIRO.

Parabéns, Meritíssimo!

N. do A.: O mundo ficou estarrecido pelo discurso do presidente russo Vladimir Putin, que teria o controle de supostas superarmas indetectáveis aos radares norte-americanos. Se existesse o selo de "Vergonha Mundial ad aerternum", o líder da Rússia seria candidato a recebê-lo.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O(s) premiado(s) de janeiro

Houve um páreo duro para disputar o selo de janeiro, aquele destinado aos ilustres cidadãos, tirando as exceções, como os chamados hors concours, gente que desequilibraria muito a escolha, e os condenados pela Justiça - cujo status dispensa um rótulo adicional, por redundância. 

O atropelador de Copacabana disputou com a "não ministra" Cristiane Brasil - se ela já fosse ministra de fato, devidamente empossada antes do final do mês passado, não poderia ser escolhida - e seu vídeo constrangedor na lancha e os participantes (todos) do BBB 18 e seu diretor Boninho, embora neste último caso quem é o candidato mais forte seja a tal família Lima. 

E o vencedor foi: 

CRISTIANE BRASIL!

Os amigos da quase ministra, ainda não efetivada no cargo, também podem ser considerados dignos da insígnia.
Parabéns, futura ministra. Se tivesse conseguido o cargo antes de janeiro terminar, e não tivesse gravado aquele vídeo, Vossa Senhoria não teria chances de obter este prêmio. Naturalmente o selo não tem o poder de impedir a sua posse algum dia, e nem condenar um trabalho que ainda não começou.