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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A estranha história de um jacaré nos esgotos... de Saquarema

Existe uma história do folclore nova iorquino sobre a presença de jacarés nos esgotos da grande metrópole, vivendo de ratos, gatos, cães e, às vezes, infelizes humanos que caem nos bueiros. Não há, porém, provas disso. 

Contudo, em Saquarema, no Rio, o caso é diferente. Um espécime de jacaré-de-papo-amarelo foi se refugiar nos esgotos da cidade costeira, vivendo de ratos e outros animais infelizes. Não se sabe como ele foi parar lá, mas a Guarda Ambiental foi acionada para recolher o predador da nossa fauna. 

O réptil foi encontrado num esgoto de uma cidade brasileira! (Divulgação/G1)

Este animal não causa tanto medo quanto a violência urbana nas cidades brasileiras. 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Peixe-leão avança

Com a mídia concentrada na guerra do Irã e nos escândalos envolvendo as decisões do Judiciário acerca do Banco Master e da candidatura de Renan Santos, este blog vai fazer algo um pouco diferente para diversificar os assuntos: abordar o problema de certas espécies invasoras. 

Os peixes-leão vermelhos (Pterois volitans), originários do Oceano Pacífico, estão devastando a fauna no Atlântico, desde a sua introdução imprudente nas costas da Flórida, por volta dos anos 1980, Aquaristas teriam liberado a espécie, sem o devido cuidado, ignorando que este peixe não existia no Atlântico. Voraz, com poucos predadores naturais, peçonhento e com veneno mortal, além de ter carne pouco apreciada, a espécie se espalhou pelo Atlântico central e pelo Mar do Caribe, até chegar ao Atlântico Sul, próximo às costas do Norte e do Nordeste brasileiros. 

500 espécimes foram capturados próximo à Bahia (Semac/Divulgação)

Recentemente, foram recolhidos 500 espécimes, como amostra deste desastre. A invasão desses animais na Bahia é bastante recente, e já prejudica a pesca comercial e artesanal no Estado. Em outras regiões, a situação é mais grave. 

Medidas como a captura seletiva para pesquisa e também para consumo desse peixe amenizam a crise, mas o monitoramento constante pelo Ibama e outras autoridades ambientais é um imperativo. Não se pode deixar tudo para a população, que não aprecia muito o peixe-leão, devido aos espinhos venenosos e à pouca familiaridade. Povos do Pacífico e do Índico estão mais acostumados, mas mesmo nessas regiões a espécie não é a mais comum nas receitas culinárias.

Isso mostra a necessidade de adotar medidas quando a situação ainda é controlável, pois a tendência de se negligenciar um problema é vê-lo aumentar. Isso vale no meio ambiente, na política, na economia e outras atividades humanas. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Da série 'Mondo Cane', parte 94 - Mais para 'Mondo Gatti Selvatico'

Os felinos são os predadores mais admirados pelos humanos, por suas habilidades de caça e, no caso de muitas espécies, ocuparem o topo da cadeia alimentar. 

Dois casos de felinos selvagens viram notícia nesta semana. Um deles é trágico, e outro gera esperança. 

No caso trágico, um gato feral, descendente de bichanos que ronronavam nas casas, transformou-se por anos em um problema na Nova Zelândia. Em três anos, ele atacou e devorou uma grande quantidade de animais, principalmente aves. Por sua astúcia e capacidade de escapar das diversas tentativas de captura, ele foi apelidado de "Nine Lives" ("Nove Vidas"). Ao final de muito esforço e muitas vítimas feitas na vida selvagem, o felino foi capturado e abatido, para consternação de muitas entidades da vida selvagem, divididas entre a necessidade de preservação e a aparente crueldade contra um predador carismático (pois animais carismáticos recebem muito mais atenção das mesmas entidades, deixando outros, como anfíbios, répteis e insetos, em segundo plano). Ainda há centenas de milhares de gatos ferais na Nova Zelândia, e eles continuam a ser uma ameaça à fauna nativa. 

Outro felino, muito maior, é um espécime de tigre siberiano solto no Cazaquistão, um país onde há 80 anos não havia nenhuma espécie similar. No país, havia uma espécie muito próxima do siberiano, o tigre do Mar Cáspio, que chegou a habitar áreas pertencentes à Europa, mas está totalmente extinto. A fêmea Umit ("esperança", em cazaque) foi introduzida na reserva natural de Ile-Balkhash, no leste do país. Ela fará parte de um projeto de longo prazo, onde ambientalistas monitorarão as condições de futuros tigres na reserva por pelo menos 25 anos, caso não houver um desastre. Outras subespécies do mais formidável e temível felídeo do mundo também estão muito próximas de parar de urrar para sempre, caso eles continuem a perder seus habitats ao longo de diversos pontos na Ásia. 

Umit é solta com a "missão" de refazer uma população extinta de tigres na Ásia Central (Divulgação/X)


segunda-feira, 29 de junho de 2026

Projeto Quagga

Todos estão comentando a Copa do Mundo, principalmente os jogos do Brasil x Japão e Alemanha x Paraguai. Mas vou abordar um assunto diferente. Comento sobre os jogos no final do texto. 

Há muito tempo, existe um projeto de "desextinção" de uma espécie extinta. O projeto Quagga existe desde 1987 para reviver a zebra Quagga, uma espécie do sul do continente africano com listras "meio apagadas", desaparecida em 1883 por causa da caça e da perda de habitat. 

Os zoólogos envolvidos estão cruzando espécimes de zebras das planícies (Equus quagga), o animal mais próximo do quagga (Equus quagga quagga), gerando indivíduos com listras cada vez menos aparentes na parte traseira, ficando mais próximos do objetivo. Todavia, os animais mais recentes gerados ainda não podem ser classificados como quaggas propriamente ditos. 

Um dos indivíduos mais recentes gerados pelo projeto; o verdadeiro Quagga tinha listras menos evidentes e de cor marrom. 

Zebras raras assim lembram alguns jogos, como Alemanha e Paraguai pela Copa do Mundo. Depois de um tempo normal onde Enciso abriu o placar para os sul-americanos e Karl Havertz empatou, o jogo acabou nas penalidades. O próprio Havertz desperdiçou, assim como Woltemade e Tah. Pelo lado paraguaio, Sanabria e o conhecido Fabián Balbuena também perderam, mas os demais (Kimmich, Musiala e Amiri pela Alemanha; Maurício, Gustavo Gómez, Galarza e Canale pelo Paraguai) converteram. E o time alemão amarga mais um vexame, como foi em 2018 e 2022, tornando-se piada mundial após o infame 8/7. Na verdade, eles não convenceram nem quando bateram o infeliz time de Curaçao pelo famigerado placar de 7 a 1, o que só torna a equipe mais cômica. Deram razão ao ex-jogador inglês Gary Lineker, que os criticou, dizendo ser um dos times mais fracos já vistos por ele. Agora, a zebra paraguaia vai esperar França (provavelmente) ou Suécia. 

E quase houve outra zebra, antes, com o Japão abrindo o placar com Kaishu Sano, com falha de Danilo. Para piorar, Casemiro tomou outro cartão amarelo. Ele se redimiu fazendo o gol de empate no segundo tempo, mas não joga nas oitavas-de-final contra a Noruega ou a Costa do Marfim. Gabriel Martinelli virou o placar no finalzinho, salvando a reputação da Seleção. 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Registro raro (e grave) de um ataque de leopardo das neves

No Parque Nacional Geológico de Keketuohai, localizado na província de Altai, na China, uma turista imprudente conseguiu algo raríssimo de acontecer: ser atacada por um leopardo-das-neves, espécie rara e arisca que normalmente evita humanos a todo custo. 

Ela desobedeceu às recomendações dos guias locais e saiu do carro para se aproximar e tentar tirar uma selfie com o grande felino. Conseguiu, e logo se nota que o animal não estava nem um pouco à vontade com a intrusa. Em seguida, houve o ataque. 

A turista chinesa conseguiu uma rara selfie com uma fera potencialmente perigosa, e foi atacada por ela (X/Divulgação)


Com lacerações no rosto devido provavelmente às fortes garras, usadas para derrubar e abater carneiros selvagens e outros herbívoros, a mulher foi socorrida enquanto o felino era afugentado. Segundo o hospital local para onde ela foi levada com urgência, ela está fora de perigo. 

Os registros de ataques de leopardos-das-neves são raros. O urso panda, outro animal raríssimo e tido como inofensivo, tem mais casos, a maioria deles em cativeiro. 

A província de Altai fica no território autônomo de Xinjiang, onde são relatados casos de escravidão e perseguição ao povo nativo, de origem turcomana e religião muçulmana. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O que é mais certo de acontecer até 2026

 a) O ditador bigodudo da Venezuela vai acabar em Guantanamo ou El Salvador após ser capturado pelos americanos. 

b) As ararinhas azuis vão conseguir algum tratamento paliativo ao citovírus e resistir à profunda negligência do Brasil em tentar preservá-las. 

c) O Jair Bolsonaro vai conseguir reverter a sua prisão e conseguir se registrar para as eleições, ou indicar alguém competitivo caso não houver tempo.

d) Gabriel Bortoleto vai conseguir chegar a algum pódio na Fórmula 1. 

e) Este blog chato e cheio de enquetes mequetrefes vai sair da internet. Eba!

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Começa oficialmente a COP30

Novamente, a ONU organiza uma conferência sobre as mudanças climáticas, destinada a fracassar por suas metas ambiciosas e irrealistas, derrotadas pelos grandes interesses corporativos e pelos responsáveis pela devastação ambiental e pela poluição. 

Além das velhas promessas de financiamento de fundos ambientais pagos pelos contribuintes de países ricos e pobres, suscetíveis a desvios e corrupção (*), houve, como sempre, a politização dos temas ambientais. Lula, como presidente do país anfitrião da COP30, fez críticas aos líderes de países não participantes (Argentina, México, Canadá, Rússia, e os maiores poluidores do mundo, China, Estados Unidos e Índia) e transformou a tragédia de Rio Bonito do Iguaçu num trampolim para falar sobre os "negacionistas" do clima, incluindo não só os críticos da teoria do aquecimento global, mas todos os que ousam questioná-la. 

Ou seja, o presidente não está comovido com as moetes e com a destruição da cidade paranaense. Quem anunciou ajuda federal, inicialmente de R$ 15 milhões, foi o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional Waldez Góes. Foi prometida também uma ajuda humanitária, que já deveria atuar, mas esbarra na burocracia. Por enquanto, a maior parte da ajuda vem das pessoas físicas, por meio de doações. O governo do Paraná divulgou a conta corrente do Banco do Brasil para o Fundo Estadual de Calamidades Públicas (ver AQUI). 

Outros problemas também afetam o evento da ONU em Belém, como a denúncia de cinco criminosos entre os voluntários. Por falar em crime, os preços altíssimos dos serviços e diárias de hoteis mostra o assanhamento de quem quer lucrar com a vinda dos estrangeiros. E houve a denúncia de abusos nos preços dos alimentos comercializados para a COP30. Sem falar na péssima repercussão do presidente e da primeira-dama se refestelando num barco de luxo, o Iana III, cujo funcionamento já contribuiu para impactar o meio ambiente, pois consome 50 litros de diesel por hora. 

E a conferência já começou com as infiltrações de água nas instalações, por causa da chuva, e alguns pavilhões sem energia elétrica. 

Foto dos líderes mundiais participantes (Divulgação/Estadão)

Nem as promessas e as novas metas impostas para acelerar a transição energética, substituindo o petróleo e o carvão pelas energias consideradas "limpas" (fotovoltaica, eólica, motores elétricos a bateria) poderão ser suficientes para considerar esta nova conferência do clima melhor ou mais efetiva do que a anterior, a COP28, feita em Dubai e agora praticamente esquecida. Pelo menos os brasileiros e, principalmente, paraenses, não irão esquecer essa edição. 


(*) Agora, o Brasil propõe um fundo de renda fixa, o TFFF (Tropical Forest Forever Facility), destinado não só à Amazônia, mas a outras florestas tropicais localizadas na parte central do continente africano e no sul e sudeste asiático. República Democrática do Congo e Indonésia seriam alguns dos países mais beneficiados. Mas os países ricos, como a Alemanha, não estão muito dispostos a sustentar este novo investimento. 

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Peixes abissais bonitinhos?

Os livros sobre biologia marinha parecem ter prazer em mostrar os peixes abissais como horríveis, verdadeiros monstros apavorantes, habitantes do inferno, criados por Satanás e não por Deus. Uns são cheios de dentes, outros possuem órgãos semelhantes a lanternas para iluminarem o ambiente (e revelarem sua feiúra), e alguns possuem bocas enormes maiores do que as próprias cabeças. Isso no caso dos peixes. Existem também alguns outros tipos de animais igualmente apavorantes, como as lulas gigantes de 10 m e as lulas-vampiras de 10 cm (mas assustam do mesmo jeito que as suas primas avantajadas). 

São comparáveis aos políticos (ainda mais agora) ou aos membros do STF, mas essas pobres criaturas não merecem isso. 

Em contraste com isso, existem alguns animais que não são feios de doer. Na Baía de Monterrey, na Baixa Califórnia, México, foram encontrados peixes-caracol a 4 mil metros de profundidade. Mas eles não psrecem ser criadas para apavorar ninguém. Os peixes-caracol, como a espécie abaixo Careproctus collicoli, foram considerados até "fofos". 

O Careproctus collocoli é um peixe das profundezas, mas não parece (Mbari)

Graciosos ou não, os peixes das profundezas são adaptados ao ambiente onde vivem, e precisam resistir às altíssimas pressões e à dificuldade para obter alimentos em meio a uma escuridão quase completa. 

terça-feira, 27 de maio de 2025

Questões deixadas no ar na reunião de Marina com o Senado

Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente, foi convidada para comparecer à Comissão de Infraestrutura para tratar das unidades de conservação próximas ao litoral do Amapá. Ela aparentemente não esperava pelo tratamento recebido pelos senadores. 

Ela foi humilhada e espezinhada sob a cúpula côncava. Omar Aziz (PSD-AM) a acusou de "atrasar" o desenvolvimento do país, culpando-a inclusive por não favorecer a reforma da rodovia BR-319, entre Manaus e Porto Velho, uma das estradas que possibilitaram o povoamento da Amazônia. A BR-319, embora vital para muitas famílias locais, não tinha a ver com o principal tema do debate. 

Não acostumada a ser questionada e sempre ser vista como uma guru do ambientalismo, a ministra passou a agir com mais agressividade. Ela está ressentida com o Senado por facilitar a emissão de licenças ambientais, o que poderia, em tese, beneficiar produtores rurais, mas pode também aprovar projetos ecologicamente insustentáveis, danos ao meio ambiente. Ela tentou defender o seu trabalho no Ministério do Meio Ambiente, mas muita vezes tratava as críticas como algo pessoal, e se irritou. Marcos Rogério (PL-RO), presidente da Comissão, desligou algumas vezes o microfone, e isso foi interpretado como "machismo". Então, a discussão passou a girar em torno das acusações de Marina de comportamento machista diante do Senado. Os parlamentares não ajudaram em nada na correção de rota, e um desafeto de Marina, Plínio Valério (PSDB-AM), o mesmo autor de uma frase imprudente e impudente segundo a qual ele queria "enforcar" a ministra por ser contra as obras da BR-319, e voltou a cobrar esta pauta, e também tocou na frase considerada misógina, acrescentando que não a respeitava como ministra, apenas como mulher. Ela ameaçou retirar-se do recinto, e cumpriu a promessa.


Marina Silva atacou Marcos Rogério, presidente da Comissão, ao desligar os microfones após falas consideradas "exaltadas" pela ministra: "Não sou mulher submissa!" (Geraldo Magela/Ag. Senado)


Enquanto a maior parte da imprensa acusou os senadores de "machismo estrutural" e de fazer espírito de corpo contra Marina, ficam no ar algumas questões: 

a) Por que os desmatamentos continuam a devastar a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, com Marina Silva, vista como símbolo de conservacionismo, à frente do Ministério do Meio Ambiente?

b) A relação do estado atual da BR-319, construída durante a famigerada época do "milagre econômico", com certas ONGs acusadas de travar o progresso na região sob o pretexto de preservar a fauna e a flora. Há acusações de envolvimento de ONGs em explosões intencionais, danificando trechos asfaltados. Ao contrário da Transamazônica, esta estrada era asfaltada em toda a sua extensão. 

c) O suposto envolvimento das mesmas ONGs com Marina Silva. Há a acusação genérica de todos eles serem "agentes do globalismo" ou de interesses estrangeiros. 

d) Por que o PT não a preparou para lidar com os senadores? Será tão somente por ela ter a tendência de defender suas ideias como verdades absolutas, mas ter dificuldade em implementá-las?

e) Por que o Senado deixou a conversa descambar para a discussão alegadamente "misógina", deixando de aproveitar a oportunidade para defender a facilitação do licenciamento ambiental não como uma ameaça, mas como benefício aos habitantes estabelecidos na Amazônia?

f) Como se deixou passar a oportunidade de debater as obras da Petrobras próximas à foz do Amazonas? A maioria das pessoas ainda nem se informou a respeito delas. 


N. do A.: Este blog ainda tratará da BR-319, e a sua história como símbolo da integração na Região Norte, e seus impactos ambientais. 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Trabalho surpreendente

No parque nacional de Brdy, localizado na República Checa, no centro da Europa, houve algo incrível: uma represa estava para ser planejada, estava levando sete anos para a construção devido à burocracia para liberar a licença ambiental, mas acabou sendo construída. Em dois dias. Por castores. 

Os roedores levaram tanta vantagem em relação aos humanos apenas fazendo a sua tarefa na natureza: roer árvores para construir abrigos com as toras para se esconderem, e involuntariamente eles desviam os cursos d'água. 

Barragem feita por castores no Parque Nacional de Brdy, na República Checa (Nature Conservation Agency of Czech Republic)

Este acontecimento inusitado serviu para vários fins: ridicularizar a burocracia checa (e europeia), criticar a presunção humana, louvar a sabedoria da natureza, ou da Divina Providência, ou demonstrar a engenhosidade desses animais. 


N. do A.: E não há burocracia que pare Donald Trump em estarrecer o mundo com suas medidas aparentemente impulsivas mas com métodos táticos inquestionáveis para impor sua vontade. Agora, para punir o Tribunal Internacional de Haia por decretar a prisão do líder israelense Binyamin Netanyahu, e para forçar Putin e Zelensky a negociar a paz entre a Rússia e a Ucrânia, em termos considerados muito favoráveis aos atacantes, segundo a Europa. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Rumo a outubro

Setembro está terminando e outubro promete, com as eleições municipais e a reta final da campanha presidencial nos Estados Unidos. 

Muitos estão preocupados com os acontecimentos sobre os quais eles não possuem controle algum, como a guerra encarniçada entre a Rússia e a Ucrânia ou Israel ter, usando uma gíria dos anos 1980, "estourado a boca do balão", no mau sentido, dos grupos terroristas Hamas e Hizbollah, com seus ataques ferozes no Líbano, em Gaza, na Síria e até no Iêmen dos houthis, visando neutralizá-los definitivamente. As queimadas continuam, afetando a qualidade do ar e pressionando o preço dos produtos agricolas, além de devastarem o meio ambiente. Faz um calor atípico para o início da primavera, e a estiagem já afeta bastante o nível dos reservatórios para a produção de eletricidade e o fornecimento de água. E as decisões do governo, do Congresso e do STF?

Em tese, outros acontecimentos estariam sob o nosso controle, como as eleições municipais. A campanha para a prefeitura está ainda frenética em São Paulo, e isso repercute no Brasil todo. As cidades brasileiras em geral não apresentam campanhas políticas tão acirradas, e isso, até certo ponto, é bom, mas lembram alguns casos de assassinatos de candidatos pelos rivais, pessoalmente ou por meio dos "jagunços". 

Mas no cotidiano, onde se reúnem os acontecimentos mais controláveis, ainda há muita dificuldade. O trabalho de cada um, a administração do orçamento doméstico para pagar as contas e as compras do mês, o lazer nas horas de folga, acabam dependendo do imponderável, ainda mais em tempos tão incertos e aparentemente ameaçadores. 

Não falta quem faça a pergunta a cada fim de mês: sobreviveremos ao mês seguinte? Os mais pessimistas fazem a pergunta a cada dia, referindo-se ao amanhã. 


segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Breves do fim do "mês de desgosto"

1. Um terremoto atingiu a costa portuguesa, sem causar vítimas devido à sua intensidade de apenas 5,4 graus Richter. Portugal não costuma ter grandes sismos, com exceção da grande tragédia de 1755, quando milhares de pessoas morreram. 

2. Continuam as investigações sobre o naufrágio do barco Bayesian, na costa da Sicília, se houve negligência da tripulação que teria deixado as escotilhas abertas inadvertidamente. O caso gerou até rumores sobre assassinato, pois as vítimas eram nada menos que o bilionário Mike Lynch, absolvido das acusações de fraude fiscal, e seus principais colaboradores. 

3. O Ibama e as autoridades estaduais estão também averiguando os inúmeros casos de queimadas que assolaram o Estado de São Paulo. Muitos deles foram criminosos, como o caso de um colaborador do PCC que ateou fogo a um pasto deliberadamente, ou por descuido. Agosto é um mês seco, propício a esses acidentes. 

4. A Bolsa está no recorde histórico de 136.888 pontos, graças ao aumento das ações da Petrobras, mas isso não é um motivo para comemorar: há o risco de uma guerra regional na Ásia Ocidental, devido à troca de bombardeios entre Israel e o grupo terrorista Hizbollah, na fronteira com o Líbano. Isso repercute nos preços do petróleo. 

5, O dono do Telegram foi preso em Paris, vindo de Moscou. Essa história envolve gente que possui dados de milhões de usuários, e muitos temem que esteja havendo disputa por essas informações para fins de espionagem, controle ou mesmo perseguição, ameaçando a privacidade, a liberdade ou até a vida de quem usa as redes sociais. 

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Mondo mucca

A partir de 2030, a Dinamarca vai passar a cobrar imposto sobre... gases emitidos por bois e porcos, acusados de serem emissores de gás metano, considerado um dos principais responsáveis pelo aumento da temperatura global. 

A representação de um boi segundo certos ativistas ambientais - e agora, o governo dinamarquês

Vão multar em 300 coroas dinamarquesas (o país não usa o Euro) por tonelada de gás emitido, ou o equivalente a R$ 240, aproximadamente. Quem vai pagar isso não são, obviamente, os animais, mas os donos deles, os fazendeiros. Depois, em 2035, a multa sobe para 500 coroas. 

Essa bizarrice em nome da sustentabilidade ambiental pode agravar o problema do abastecimento de alimentos na Europa. Há quem defenda a medida para outros países, principalmente alguns ambientalistas. Por aqui, não se fala no assunto, nem mesmo a Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. 

Em 2022, o governo neozelandês chegou a cogitar a mesma coisa, mas não levou isso adiante. 


sábado, 22 de junho de 2024

Peixe de três olhos aparece

 Na Argentina, pescadores capturaram uma traíra, com uma característica peculiar: três olhos. 

Mais uma vez, a vida imitou Os Simpsons, mas desta vez a estranha aparição teria pouco ou nada a ver com uma mutação causada por acidente nuclear, como aconteceu num episódio da segunda temporada da série, onde apareceu o peixe laranja olhudo Blink. 

Como estamos em tempos muito estranhos, não faltou quem sugerisse ser mais um sinal do Apocalipse! 

Qualquer semelhança com o Blink é mera coincidência (ou não)

Mais recentemente, um bacalhau foi capturado na costa da Groenlândia com as mesmas características. 

Outro peixe parecido com o Blink (usuário Drahy / Reddit)


N. do A.: Isto poderia fazer parte da série Mondo Cane, ou Mondo Pesce. Menos catastrófico do que a língua afiada do presidente Lula, ao opinar sobre juros, Roberto Campos Neto, mercado e até o 7 a 1, que vai fazer 10 anos no próximo dia 8. Como resultado, o dólar ameaçou superar a marca dos R$ 5,50. 

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Vândalos atacam Stonehenge

Mais uma vez os vândalos ecoterroristas do Just Stop Oil cometem atrocidades. Desta vez, eles atacaram as pedras de Stonehenge com tinta laranja, para pressionar pelo fim do uso de combustíveis fósseis. Fizeram isso às vésperas da visitação de milhares de pessoas para comemorar o solstício de verão naquele local considerado místico. 

Isso é um ato em favor do meio ambiente? (Just Stop Oil/Divulgação)

A imprensa insiste em dizer que esses criminosos são ativistas ambientais, quando na verdade eles fazem isso por falta de noção de civilidade, tentando danificar patrimônios culturais como Stonehenge ou a Mona Lisa, alvo de arruaceiros ligados ao grupo em 2022, armados com sopa de tomate. O que isso tem a ver com ambientalismo?

Esse "argumento" não pode ser considerado válido para convencer as pessoas a abandonarem o consumo de petróleo, mesmo porque ele não é usado somente nos combustíveis como gasolina ou diesel, mas é matéria-prima dos plásticos, elementos vitais para a nossa tecnologia. Seria necessário continuar as pesquisas e o desenvolvimento de substitutos viáveis e menos poluentes para o líquido negro, algo ainda em curso. Vandalismo em nome de uma causa não resolverá nada e só se torna mais um problema para a sociedade. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Maceió em perigo

Uma área enorme de Maceió, envolvendo os bairros de Bebedouro, Mutange e Pinheiro, localizados em torno de uma mina abandonada de salgema, está afundando rapidamente, correndo o risco de desabrigar centenas de famílias.

Por negligência da dona da mina, a Braskem, empresa petroquímica controlada pela Petrobras e pela Novonor (antiga Odebrecht, empresa envolvida radicalmente com o Quadrilhão), a capital alagoana pode ter prejuízos milioinários e ser palco de mais um desastre ambiental em curso. 

Área de Maceió ameaçada pela mina da Braskem (Divulgação)

Este incidente envenena ainda mais as relações do governo com Arthur Lira, um dos caciques políticos de Alagoas. Lula não demonstra a mesma preocupação de Lira com a sorte do lugar, mas já vê os prejuízos na reputação da Braskem. Já Lira não quer posar de omisso na área onde ele disputa poder com seu inimigo, Renan Calheiros, este aliado de Lula. O presidente, aliás, estava na COP28 para tratar do ingresso do Brasil na Opep+, extensão do velho cartel dos países produtores de petróleo, e ao mesmo tempo mostrar seu engajamento na causa ambiental. Caso parte de Maceió afunde e haja uma catástrofe por toneladas de dejetos indo para o ocenao, será mais uma mancha na imagem do país, considerado historicamente um vilão pelos ambientalistas. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Peixes invasores, um problema

Introduzir espécies em um ambientes não nativos pode gerar graves prejuízos ao meio ambiente. Um dos casos mais conhecidos é o javali europeu em terras da América do Sul, onde se tornou uma praga, ameaçando colheitas e até animais de criação, sem falar no perigo de enfrentar esse animal capaz de matar uma matilha de cães ou até pessoas se for acuado. 

Com os peixes, também há casos assim. Um exemplo disso é o bagre africano, Clarias gariepinus, um predador voraz agora encontrado em boa parte dos rios do Estado de São Paulo, inclusive o rio Tietê em seu trecho próximo à foz, onde ele é relativamente limpo. Foram capturados espécimes de 12 kg, graças à sua voracidade, destruindo a ictiofauna nativa. Outro peixe do mesmo grupo, cujo potencial negativo para as espécies nativas não pode ser desprezado, é o Pangasiodon, conhecido como Panga, cuja carne é muito apreciada. Mas ele também não é nativo, vindo do rio Mekong, no sudeste asiático. 

Os bagres africanos podem superar os 12 kg de peso, às custas dos peixes nativos (Isaac Souza)



Outro caso é o tucunaré, do gênero Cichlia, encontrado na Amazônia, mas introduzido em outras regiões com resultados consideravelmente danosos às outras espécies. Este peixe é aparentado com as aparentemente inofensivas tilápias, mas elas também não são daqui, e sim da África. Só são tolerados devido à carne saborosa e serem apreciados na pesca esportiva. 

Não se pode esquecer o perigo dos peixes-leão, gênero Pterois. Ao contrário dos demais, são espécies oceânicas, e não possuem valor comercial. Eles invadiram o mar territorial brasileiro a partir do Norte, e agora estão próximos à costa de oito Estados, do Amapá a Sergipe. Esses peixes da ordem Scorpeaniformes ameaçam toda a fauna, assim como os recifes de corais, e são recobertos de espinhos venenosos. Originalmente, eles vêm dos mares do sudeste e leste asiático. 

O belo, porém nocivo, peixe-leão, é um flagelo para a fauna marinha brasileira (Angel Valentim)


N. do A.: Hoje faleceu meu pai, eletricista de automóveis, corintiano e pescador nas horas vagas. Finalmente, descansou, após muito sofrimento depois de uma cirurgia na coluna. Descanse em paz!

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Registro no quintal

Hoje, apareceu uma criatura estranha no quintal. Um gambá!

O bicho estava no muro e não tentou fugir. Foram obtidas algumas fotos, tiradas à distância para não assustá-lo. Como era de se esperar, não ficaram boas, devido ao ambiente noturno. A melhor está aqui embaixo. 



Existem relatos de aparições desses animais em todo o Brasil, nos centros urbanos. São também chamados de sariguê, "raposa" ou timbu, dependendo da região. Nos campos, possuem a má fama de atacarem galinheiros, mas eles também se alimentam de ratos, baratas, pombos e outras pragas, além de escorpiões, cobras e restos deixados pelos humanos. Ao contrário dos cangambás ou zorrilhos (Mephitidae), também chamados de gambás, esses animaizinhos não lançam líquidos de odor fétido, embora também cheirem mal. São marsupiais, ou seja, as fêmeas carregam os filhotes dentro de uma bolsa. Não existem registros de doenças transmitidas por eles. 

São espécies bastante adaptadas a quaisquer ambientes, mas seu habitat é mesmo a mata. Por aqui, eles ficam sujeitos a atropelamentos, ataques de cães e de gatos, e maus tratos por parte dos humanos. 


N. do A.: Este blog ainda vai tratar de algumas curiosidades relacionadas ao reino animal, e como a classificação das espécies pelos zoólogos parece - e é - complicado, muito mais do que os leigos imaginam. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Indiana Jones não vai gostar

Recém descoberta no Parque Nacional Otishi, no Peru, uma espécie de cobra foi batizada de Tachymenoides harrisonfordi, em homenagem ao ator Harrison Ford, também ativista das causas ambientais. 

Curiosamente, o personagem mais famoso vivido pelo ator, o aventureiro Indiana Jones, tinha muito medo de cobras, daí a ironia. 

Não há razão para temer esta espécie de cerca de 40 cm, sendo um colubrídeo pequeno e inofensivo, sem dentes inoculadores de peçonha. Nem mesmo Indy, embora ele não gostaria de encontrar uma espécie dessas caso resolver ir ao Peru para uma de suas aventuras envolvendo arqueologia e mistério. 

A espécie foi catalogada pelo herpetologista Edgar Lehr (Conservation Internationa)

Infelizmente, talvez seja melhor para o velho Indy encarar esta serpente ou qualquer outra do que as críticas e a repercussão de seu último filme, Indiana Jones e a Relíquia do Destino, lançada no último mês de junho e indigna de encerrar a série de longas com o aventureiro, mesmo com a direção de James Mangold (Logan) e a supervisão do próprio Steven Spielberg.


quinta-feira, 15 de junho de 2023

Carrapatos voltam a receber a devida atenção

Mesmo em um lugar onde áreas verdes são uma raridade, como em vários bairros da capital paulista, a febre maculosa causa inquietação. Somente neste mês, foram quatro mortes pela doença, provocada pelo carrapato-pólvora ou micuim, a forma larval do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) normalmente encontrado em pastagens por onde vivem hospedeiros animais como cavalos, bois e capivaras. 

Não existe outra forma de transmissão: ela só ocorre em contato com o parasita, não havendo possibilidade de contaminação direta com pessoas doentes. Assim, não há risco de uma pandemia, como a COVID-19. Embora as manchas (máculas) não sejam impressionantes para fazer o povo temer a doença, ela possui, no entanto, alta taxa de letalidade. 

Aliás, é relativamente difícil lidar com o micuim, por sua picada ser em geral indolor e não causar coceira, a não ser em grandes quantidades - o que não é raro. Essas formas minúsculas (menos de 1 mm) e com apenas seis patas, enquanto o carrapato-estrela adulto tem oito como todo aracnídeo, podem ficar no hospedeiro por horas, possibilitando a introdução do agente causador da moléstia, a Rickettsia, uma forma de bactéria parasitária que depende de células vivas para se reproduzir. Os micuins devem ser removidos o mais rápido possível.

Também são perigosas as outras fases do carrapato, como o "vermelhinho", a ninfa ainda não capaz de se reproduzir, mas já com as oito patas do adulto. Aí já é possível sentir a dor no momento da picada, e a coceira. Os adultos já são mais visíveis e podem ser percebidos mais facilmente quando atacam, mas ao mesmo tempo são mais difíceis de remover, precisando usar pinças para arrancá-los pelas quelíceras (caso eles forem segurados pelo corpo podem injetar mais saliva e contaminar ainda mais a ferida provocada por eles). 

As fêmeas são maiores do que os machos e tendem a ficar muito mais tempo sugando o sangue, necessário para a formação de centenas de ovos. Para isso a fêmea incha e fica do tamanho de uma jabuticaba. Depois ela morre, mas os ovos sobrevivem e, sem predadores, formam novos micuins. Os machos, ainda, podem acasalar com várias fêmeas. E assim a população dessas pragas se torna um flagelo em todo o país. 

Deve-se evitar o contágio, usando roupas claras e fechadas, evitando expor as pernas e os pés nos locais infestados pelos carrapatos. É necessário evitar deixar os animais soltos nessas áreas. Também seria adequado conter os desmatamentos, pois os aracnídeos só vivem em lugares abertos, e a perda do habitat das capivaras, hospedeiras naturais, fazem-nas entrar em contato, perigosamente, com as fazendas. 

O carrapato-estrela, transmissor da febre maculosa que vem matando muitas pessoas neste ano. Da esquerda para a direita, o micuim (quase um pontinho), o "vermelhinho", o macho adulto e a fêmea (Divulgação)