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domingo, 28 de outubro de 2012

Terminou!

O segundo turno definiu os últimos candidatos a prefeito de 2012. A maioria, de certa forma, confirmou as pesquisas, embora haja, em vários casos, uma diferença bem grande entre os números estatísticos e os reais. 

Nem todos os eleitos seguiram o desejo do governo federal, que interferiu à vontade neste pleito. A derrota mais significativa foi em Salvador, onde o candidato petista Nelson Pellegrino perdeu, e por pouco, de ACM Neto, um dos mais aguerridos e atrevidos opositores do PT e seus aliados. ACM Neto (DEM) é herdeiro de seu avô, um dos últimos 'coronéis' da política brasileira, mas não o último (José Sarney ainda está na ativa, e no cargo de presidente do Senado). Outra derrota para o governo federal foi a vitória de Arthur Virgílio (PSDB), outro opositor tenaz, em Manaus, capital do Amazonas e uma das cidades mais importantes da Região Norte.
O prefeito eleito de São Paulo e seu partido em crise devido à investigação do mensalão (fonte: UOL)

Em geral, o ex-presidente Lula e a presidentA Dilma podem ficar satisfeitos, porque Gustavo Fruet, ex-oposicionista, despachou facilmente a 'zebra' de Curitiba, isto é, o filho de Ratinho. Foram mais de 60% dos votos válidos a favor de Fruet. Mas a maior vitória ficou mesmo em São Paulo: Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, foi eleito, derrotando José Serra. 

Quanto a este resultado, é bom que se diga: boa parte dos paulistanos detestam o PT, principalmente após o escândalo do mensalão, mas também desaprovaram a gestão de Gilberto Kassab, que apoiava Serra mas ao mesmo tempo quer que seu partido, o PSD, apoie Dilma. Haddad, a despeito de ser desconhecido para a maioria até há pouco (e os poucos que o conheciam lamentavam os graves erros cometidos durante seu trabalho como ministro da Educação), conseguiu a proeza de conquistar a maior parte dos votos (na verdade, não é uma maioria tão expressiva: 56% dos votos válidos), derrotando um político experiente e tarimbado, porém carcomido pela fama de 'traidor' ao abandonar a prefeitura em 2006 para se candidatar à governador, erros lamentáveis de sua campanha e a má impressão deixada pelo grande aliado, o prefeito Kassab.

Haddad e os outros prefeitos eleitos terão sérios desafios a enfrentar, e espera-se que eles tenham capacidade para melhorar a vida das pessoas e tornar suas cidades mais estruturadas e justas para seus habitantes. Caso contrário, os eleitores darão uma resposta dura ao final de seus mandatos, nas eleições de 2016 - ou, pior ainda, as próprias Câmaras Municipais irão se manifestar, por meio de processos de impeachment. Qualquer outra hipótese foge à normalidade democrática.

É hora da definição

As votações para o segundo turno estão em curso neste momento e somente o final da apuração pode realmente definir quem vai ganhar as vagas restantes para as diversas prefeituras do Brasil. 

Os próximos mandatários do governo municipal, servidores maiores do povo, terão, em maior ou menor grau, desafios inadiáveis. O bem-estar de cada cidadão depende da boa administração do prefeito. 

Aqui em São Paulo os desafios chegam a ser maiores até que a própria cidade, a capital econômica do país. Vão desde um transporte público precário até a segurança nas escolas, passando pela urbanização deficiente, saúde, corrupção, trânsito, enfim, problemas que precisam ser atacados ao longo de todo o mandato do prefeito, e também nos próximos. Tudo o que o próximo prefeito de São Paulo pode fazer é colaborar para a amenização de tudo o que vem nos atormentando devido ao crescimento desordenado da nossa metrópole. Acabar com tudo isso é impossível, apesar das promessas mirabolantes, indignas de serem levadas a sério.

No próximo post, vou abordar o resultado das urnas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O esforço da campanha de Serra para o segundo turno

As pesquisas, embora tenham mostrado que não são meios de avaliação muito precisos, ainda servem de guia para muitos coordenadores de campanhas políticas, entre as quais a do PSDB paulistano. 

Visando alcançar os números do candidato do PT, Fernando Haddad, a inteligentsia da campanha tucana em São Paulo apelou para os ataques. Disse algumas verdades a respeito da relação entre o ex-ministro da Educação e os mensaleiros, mostrando também as falhas de seu trabalho em tentar melhorar a educação no Brasil - que foram muitas, e graves, como já abordei. 

Porém, a própria campanha de José Serra também abusa da paciência do eleitor expondo o que o outro supostamente faria, ao invés de se ater ao que o candidato deles vai fazer. Com isso a rejeição ao ex-governador continua altíssima. 

Para piorar, inventaram de colocar no site de José Serra um jogo inspirado nos Angry Birds dos smartphones para mostrar um 'pássaro' Haddad destruindo a cidade juntamente com alguns membros da 'revoada', como Maluf e Dirceu. As brilhantíssimas cabeças responsáveis por isso só esqueceram de alguns 'pequenos' detalhes: a maioria do eleitorado é adulta e não dispõe de um smartphone no bolso. De forma sensata, a Justiça Eleitoral ordenou que retirassem o jogo. Porém, trataram de colocar outro, chamado 'missão impossível', inspirado no seriado e no filme, onde o jogador tenta descobrir o que Haddad fez, de acordo com o tema. 

Essas iniciativas não só não melhoraram o ibope do candidato tucano como ainda viraram motivo de gozação nas redes sociais. Prejudicaram a imagem de Serra como homem sério e sisudo, transformando-o praticamente num bufão histriônico, raivoso, desesperado, decadente - o que está longe de fazer justiça a ele. A campanha petista só está tendo o trabalho de responder aos ataques, inclusive com o conhecido mote petista da 'privataria tucana' e outras coisas que o partido dito 'dos trabalhadores' está acostumado a espalhar nas campanhas para demonizar os adversários. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Primeiras pesquisas mostram vantagem de Haddad

O Datafolha diz que Fernando Haddad (do PT) está na frente de José Serra (do PSDB) em 10 pontos percentuais: 47% contra 37%, com outros 16% capazes de mudar tudo a favor de um ou de outro. Devido aos resultados das urnas, os institutos de pesquisa estão sob forte desconfiança. A imprensa também ficou desacreditada, por proclamar um ou outro no segundo turno. É uma tarefa ingrata querer fazer previsões de qualquer coisa neste país, principalmente de resultados eleitorais.

Haddad é o preferido da periferia, região com gravíssimos problemas de desigualdade social e oportunidades de emprego. Já Serra é mais votado nos bairros centrais, mais ricos. 

Os números das pesquisas ainda podem mudar consideravelmente, principalmente quando o horário político invadir novamente a televisão e as rádios. Serra e Haddad farão de tudo para convencer o eleitorado, e com fortes argumentos (principalmente no sentido de um querer desqualificar o outro). Contudo, somente as urnas, de novo, vão dizer quem terá o direito de administrar uma cidade infestada de problemas: violência, creches, trânsito, drogas, deficit habitacional, favelas, poluição, educação de má qualidade, mau atendimento nos hospitais, etc., etc. Nem eles, nem ninguém, poderão resolver tudo isso de forma definitiva. Levará pelo menos 5 ou 6 mandatos. Isso se São Paulo aguentar até lá. 


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Quem conseguiu vaga na Câmara Municipal paulistana

Na cidade de São Paulo, 55 pessoas conseguiram a vaga na Câmara Municipal. A renovação não foi muito expressiva: 40% foram para nomes novos. Um deles é um veterano, mas da Polícia Militar, e ainda por cima da famigerada Rota, a temida força de repressão do Estado: o coronel Telhada. 

Alguns filhos e netos de políticos tradicionais foram eleitos, como o tucano Mário Covas Neto (filho do falecido Mário Covas), Dr. Calvo do PMDB (filho do também médico Alberto Calvo) e George Hato, também do PMDB, filho do veterano Jooji Hato.

Não houve muito espaço para os 'filhotes' do Tiririca na cidade. Netinho de Paula, o pagodeiro acusado de espancar a mulher, não pode ser considerado exatamente como um deles, pois já foi vereador em 2008. As celebridades que infestaram o horário político foram banidas: Kiko do KLB (cuja candidatura foi impugnada por ele não ter justificado sua ausência nas eleições de 2010), Dinei, Serginho BBB ('a louca'), Ademir da Guia, a inesquecível Mulher-Pera. Marcelinho Carioca quase foi eleito mas ficou pelo caminho. Agnaldo Timóteo, apesar de ser político tarimbado, é também uma celebridade - e não recebeu votos suficientes. Talvez um dos mais excêntricos candidatos seja Marquito, assistente de palco do Ratinho e quase tão histriônico quanto o Tiririca. Ele quase chegou lá mas ficou bem longe de repetir o fenômeno.

Eis os eleitos:

LISTA DE ELEITOS EM 2012:
PT - 11 eleitos
DONATO - 47.039 votos
JULIANA CARDOSO - 46.757
SENIVAL MOURA - 46.524
NABIL BONDUKI - 42.411
ALFREDINHO - 36.634
JOSÉ AMÉRICO - 34.291
ARSELINO TATTO - 32.135
JAIR TATTO - 31.685
VAVA DOS TRANSPORTES - 29.242
REIS - 28.627
PAULO FIORILO - 27.805
PSDB - 9 eleitos
ANDREA MATARAZZO - 117.617 votos
CORONEL TELHADA - 89.053
MARIO COVAS NETO - 60.697
FLORIANO PESARO - 37.780
CLAUDINHO - 37.441
PATRICIA BEZERRA - 34.511
GILSON BARRETO - 31.995
AURÉLIO NOMURA - 29.236
EDUARDO TUMA - 28.756
PSD - 7 eleitos
GOULART - 104.301 votos
MARCO AURELIO CUNHA - 40.130
SOUZA SANTOS - 39.658
EDIR SALES - 34.476
MARTA COSTA - 32.914
DAVID SOARES - 32.081
POLICE NETO - VEREADOR NETINHO - 28.278
PV - 4 eleitos
TRIPOLI - 132.313 votos
DALTON SILVANO - 39.304
RICARDO TEIXEIRA - 30.698
GILBERTO NATALINI - 26.806
PTB - 4 eleitos
CELSO JATENE - 52.099 votos
ADILSON AMADEU - 40.100
CONTE LOPES - 31.947
PAULO FRANGE - 30.891
PMDB - 4 eleitos
RICARDO NUNES - 30.747 votos
GEORGE HATO - 24.611
DR. CALVO - 24.282
NELO RODOLFO - 18.219
PR - 3 eleitos
ANTONIO CARLOS RODRIGUES - 67.161 votos
TONINHO PAIVA - 48.613
AURELIO MIGUEL - 32.520
PSB - 3 eleitos
OTA - 62.693 votos
ELISEU GABRIEL - 53.634
NOEMI NONATO - 35.601
PPS - 2 eleitos
RICARDO YOUNG - 42.098 votos
ARI FRIEDENBACH - 22.597
DEM - 2 eleitos
MILTON LEITE - 101.664 votos
SANDRA TADEU - 45.770
PRB - 2 eleitos
JEAN MADEIRA - 35.036 votos
ATILIO FRANCISCO - 32.513
PHS
LAÉRCIO BENKO - 17.918 votos
PSOL
TONINHO VESPOLI - 8.722 votos
PC do B
NETINHO DE PAULA - 50.698 votos
PP
PASTOR EDEMILSON CHAVES - 45.858 votos

domingo, 7 de outubro de 2012

Serra e Haddad continuam na disputa


As urnas mostraram que os institutos de pesquisa cometeram novamente equívocos importantes, ao apontar Celso Russomanno como favorito à Prefeitura de São Paulo. Chegaram até, no auge da popularidade dele, a dizer que ele teria chances de ser eleito já no primeiro turno. 

Pesquisas são estatísticas, sujeitas a erros de metodologia, que não se limitam às "margens de erro". Mas as urnas são a realidade. O candidato do PRB recebeu pouco mais de 21,5% dos votos. Ficou de fora do segundo turno, porque Fernando Haddad, do PT, conseguiu quase 29%. José Serra, do PSDB, conquistou um pouco mais: ficou menos de 2% na frente do adversário petista. 

Muitos paulistanos se decepcionaram com a falta de propostas de Russomanno, e uma delas era dura de engolir: a tal 'tarifa proporcional', ou seja, quem tem a infelicidade de morar longe do trabalho ou do estudo, além de sofrer com o trânsito, vai pagar mais. O não comparecimento a muitos debates e o vínculo do candidato à Igreja Universal do Reino de Deus também afugentou muita gente. 

Russomanno teve uma ascensão contundente nas intenções de voto, mas nas urnas sua queda foi meteórica (foto: divulgação, pelo blog 'Pragmatismo Político')

Serra e Haddad já têm munição garantida para o segundo turno: o primeiro vai explorar a relação entre Haddad e a desastrosa passagem pelo Ministério da Educação, além do envolvimento do PT no mensalão e o apoio de gente como José Dirceu e Paulo Maluf. Já o petista vai falar bastante de Gilberto Kassab, cuja gestão foi reprovada pelos paulistanos, e da falta de garantias a respeito do cumprimento integral do mandato. Serra deixou a prefeitura com menos de 2 anos de mandato para disputar o governo do Estado e depois a Presidência, em 2006, perdendo as eleições para Lula.

Os outros candidatos foram coadjuvantes na disputa, e o mais importante deles foi Gabriel Chalita, ex-tucano e agora do PMDB (o partidão do Brasil sempre visto como enorme balaio de gatos); o também escritor conquistou 13% dos votos e serviu de 'fiel da balança' nas urnas. O apoio de caciques do partido, como o vice-presidente Michel Temer (e, indiretamente, José Sarney) não ajudou muito, mas ele conseguiu atrair votos dos que rejeitavam outros candidatos. 

Nas outras cidades, vale destacar a vitória tranquila de Eduardo Paes, do PMDB, diante de Marcelo Freixo (PSOL), apoiado por boa parte da classe artística no Rio de Janeiro. Paes contava com o apoio de Dilma, Lula e o governador do Rio Sérgio Cabral. Em Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), apoiado por Aécio Neves, venceu já no primeiro turno. Em Salvador, ACM Neto (DEM) vai ter de disputar novamente, com Pelegrino (PT).

Já em Curitiba, houve a disputa mais interessante: o filho do Ratinho, filiado ao PSC, vai disputar o segundo turno com Gustavo Fruet, político tarimbado do PDT que já foi tucano e conseguiu tirar do caminho o atual prefeito da cidade, Luciano Ducci, talvez um dos maiores perdedores destas eleições, ao lado de Russomanno. Enquanto Fruet parecia longe do segundo turno, Ducci contava com o apoio do governador Beto Richa e as pesquisas - de novo elas - o apontaram como participante certo do segundo turno. As urnas desfizeram esse sonho.

Há uma saída para São Paulo e não é o aeroporto

Tom Jobim já disse, em uma crítica indireta à situação do país durante o regime militar, que a saída para o Brasil era o aeroporto. 

Naquele época não havia eleições e as pessoas eram obrigadas a suportar atos de arbitrariedade e agressão vindas do governo, que se valia de seus poderes para abusar deles. 

A democracia veio, e os governantes... continuam a abusar do poder que lhes foram concedidos pelas eleições. Continuam os atos de arbitrariedade e agressão ao povo, por meio de corrupção, taxas absurdas, descaso com a segurança, saúde, educação. 

Pelo menos, a saída deixou de ser única. E há um meio melbor do que o aeroporto para garantir um futuro melhor: o voto consciente. É uma chance valiosa de manifestar a vontade popular, para votar no mais capacitado, apto para satisfazer as exigências de seus eleitores. Ou no menos pior, como parece ser o caso da cidade de São Paulo, onde a escolha para prefeito e vereadores está longe de ser considerada uma tarefa fácil e agradável. Todavia, ninguém pode viver só fazendo o que gosta. Pelo menos, há escolhas, e elas devem ser feitas com sabedoria. Não é como naqueles anos de chumbo, onde a única escolha para quem não suportava o arbítrio era sair do país.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Até agora, a indefinição

A eleição paulistana está quente e turbulenta, mas ainda não se sabe quem vai enfrentar Celso Russomano, da coligação "Por Uma Nossa São Paulo", que reúne o seu partido, o PRB, o PTB que já abrigou Jânio Quadros e Celso Pitta e os nanicos PTN, PT do B e PRP. 

José Serra, da coligação "Avança São Paulo", que reúne os tucanos, os democratas, o PPS, o PV e o PR do Tiririca, bateu firme na tecla da experiência administrativa e reforçou a munição contra seus adversários, mas não consegue escapar de Fernando Haddad, o candidato petista da coligação "Para Mudar e Renovar São Paulo", união do PT com o PC do B, o PSB e o 'conservador' PP do Maluf. Haddad também caprichou nos ataques, apontando falhas nas propostas de Russomano e ligando Serra ao atual prefeito, Gilberto Kassab. 

Recentemente, o Ibope deu vantagem de Haddad sobre Serra. Uma vantagem ainda pequena: 1%, quando a margem de erro é de 3%. Assim, há empate técnico. As urnas, porém, vão dizer quem vai para o segundo turno. E o dia está chegando: 7 de outubro.