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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

O mundo deve se preparar

Com 90% dos votos apurados, outra eleição vai definir o futuro do mundo. Não é a eleição brasileira, mas a israelense. 

Por enquanto, o Likud, partido do atual premiê Binyamin Netanyahu, está liderando, mas o número de votos não é suficiente para a coligação conservadora, reunindo ultranacionalistas e religiosos ortodoxos, assegurar a governabilidade. Outra coligação, mais moderada, reune o Yashar, do principal oposicionista, o general reformado Gadi Eisenkot, e ainda tem chances de levar o governo. Para isso, precisará do apoio das minorias, inclusive dos países árabes, como o Ra'am. 

Netanyahu, que descarta categoricamente qualquer aliança com os árabes, por evidentes diferenças ideológicas, iria precisar dialogar com parte da oposição para poder governar. Mas boa parte dos votos ainda não computados são de militares, a maioria deles favoráveis à permanência de Bibi. 

Cabine eleitoral em Tel Aviv, usada nas eleições de ontem (Nir Keidar/Anadolu/Getty Images)

O resultado é vital a médio prazo, quando o país liderá com as consequências de um inevitável e iminente ataque contra o Irã, governado ainda por uma Guarda Revolucionária que ainda resiste. Não se sabe realmente se o regime xiita possui realmente alguma arma devastadora para responder aos bombardeios. Por enquanto, seria fundamental para o sucesso da operação criar condições para a oposição e o povo iraniano se manifestarem e combaterem um governo responsável pela morte de dezenas de milhares de quem queria experimentar um pouco das liberdades desfrutadas pelo Ocidente. 

Netanyahu já exerceu seis mandatos, e ainda é contestado por acusações de corrupção política e obstrução da Justiça, além de sua política favorável à expansão dos assentamentos na Cisjordânia, o nome dado pelo Ocidente à região da Judeia e Samaria, nome original dado pela Carta da ONU em 1948, e adotado pelo governo israelense. Mesmo o Ocidente ainda critica a política de anexação em Gaza e no sul do Líbano, mas Bibi crê ser necessário para combater efetivamente o Hamas e o Hizbollah, que ainda ameaçam o país. E vai manter essa política, mesmo precisando enfrentar o grande aliado, Donald Trump, que nem sempre concorda com as decisões tomadas em Givat Ram. 

Por enquanto, tudo transcorre normalmente, mas até o fim do mês isso poderá mudar, e a guerra irá causar muita apreensão e incerteza na Ásia Ocidental e fora dela, com um aumento expressivo do já altíssimo preço do barril de petróleo, em torno dos 110 dólares, e a indesejável perda de vidas humanas, principalmente de civis. 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Trump e o truque

Após souber dos dados coletados pela inteligência americana e pelo Mossad, o presidente americano Donald Trump teria feito algo típico de filmes ou seriados de espionagem, particularmente aqueles com veia cômica, como "Agente 86" ou "A Pantera Cor de Rosa", a fim de iludir os inimigos iranianos, quando esteve na Turquia no mês passado.

Pelo menos é esta a versão divulgada nesta semana pelo The Washington Post. 

Ele embarcou normalmente para o Air Force One, o avião presidencial ganho pelo governo do Qatar, ao deixar o aeroporto de Ancara, na Turquia, no dia 8 de julho, mas, sem as câmeras registrarem, ele saiu do avião e foi entrar num caminhão de transporte de alimentos, sendo conduzido secretamente para outra aeronave, o C-32A, que o transportou até Londres, de onde ele se transferiu novamente para o avião presidencial. 

Esta manobra seria digna de um James Bond, mas há detalhes importantes: ele já não tem idade para fazer essas aventuras, e nem todos da Casa Branca ficaram sabendo desse manobra. Existia também uma possibilidade remota de terroristas vindos do Irã ou de algum proxy atacarem os dois aviões envolvidos, não se limitando ao Air Force One. Ou os mísseis de longo alcance em posse da Guarda Revolucionária os acertarem em voo, considerando que eles possuem rotas e horários diferentes para se deslocarem de Ancara a Londres, pois a Turquia está dentro do raio de ação dessas armas. O homem forte do governo, Marco Rubio, aliás, estava no avião presidencial. 

O plano (no original publicado em inglês) para Trump deixar Ancara, sede da última cúpula da OTAN (The Washingtonb Post / BBC)

Mais tarde, ele faria uma outra medida, menos complicada: diminuir a quantidade obrigatória de vacinas do tipo tríplice viral (sarampo, rubéola e coqueluche), alegando problemas como o suposto aumento dos casos de autismo, como defendem alguns lunáticos defensores das tais "teorias conspiratórias" (um termo usado como clichê pelos opositores). Para muitos, os dois atos são maluquices. 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Cai o acordo, e veremos coisas bem desagradáveis

O acordo entre Estados Unidos e Irã, considerado de "faz de conta" para a guerra não disputar atenção da mídia com a Copa do Mundo ainda em curso e nem para prejudicar a campanha política republicana oara as eleições parlamentares de novembro, mostrou realmente não ter o valor gasto no papel onde foi escrito. 

Desde o começo, notava-se que o regime iraniano, mesmo com sua liderança aniquilada no dia 28 de fevereiro pelos ataques americanos e israelenses, ainda teimava em demonstrar força e insolência, chegando a marcar o enterro de seu líder supremo bem na semana dos 250 anos de independência da potência inimiga, e insistir em cobrar "pedágio" para os navios no estreito de Ormuz. De forma deliberada, as forças iranianas atacaram navios mercantes que tentaram driblar o pagamento do tal "pedágio", passando na costa do exclave de Musandam sob escolta militar americana, e isso foi o pretexto para a volta dos bombardeios na costa sul persa. 

Imagem com veracidade discutível de um míssil caindo na costa sul do Irã (Divulgação/TruthSocial)

Bases americanas no Kuwait, no Qatar e no Bahrein sofreram ataques, e não ficará apenas nisso. Os Emirados Árabes ameaçaram participar da reação se receber um ataque vindo do outro lado do Golfo, enquanto a Arábia Saudita ainda está recolhida em um silêncio inquietante. Israel também está preparado para os mísseis, e também vai continuar sua ofensiva no sul no Líbano. 

Trump está na cúpula da OTAN, em Ancara, a capital da Turquia, país vizinho do Irã. Ele ameaçou com pesados bombardeios se o Irã continuar a ameaçar a navegação em Ormuz, e até o momento os ataques foram ainda bem localizados, com número considerado muito reduzido de baixas. Mas tudo pode piorar, ainda mais se o regime se atrever a lançar um míssil na direção oeste. A Turquia mantém-se neutra, mas faz um malabarismo diplomático notável ao dizer-se aliada do Ocidente e de Trump enquanto sua postura em relação a Israel é beligerante, e ambígua em relação ao Irã. 

A mídia aproveita para reforçar a cobertura dos ataques enquanto não há jogos na Copa do Mundo. Mas as quartas-de-final começarão amanhã. Como nem as equipes americana ou iraniana estão mais participando do evento esportivo, poderemos ver notícias de bombardeios e partidas em execução ao mesmo tempo. E ainda não se pode descartar uma tentativa de atentado na Copa, cujas partidas estão em solo americano, pois os eventos no México e no Canadá terminaram. 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Voltemos à realidade

A Seleção Brasileira conheceu o debacle na Copa do Mundo. Saiu até antes do esperado, graças ao mau futebol, muito inferior ao esperado, diante de um Haaland decisivo, fazendo dois gols. Neymar só foi entrar no fim do jogo, tomou um cartão amarelo idiota por provocar o goleiro Nyland antes de converter um pênalti. A vergonha mundial consolidou-se com o apito final. O volante Casemiro, visto como o capitão de facto do grupo, irreconhecível na partida, chorou ao dar entrevista e fez a repórter Fernanda Gentil chorar também. Ele e vários outros jogadores, Neymar inclusive, encerram seu ciclo na Seleção, como a "nova geração perdida". Foi a pior participação do Brasil no torneio desde 1990, quando, na Itália, eles foram eliminados de forma humilhante por Caniggia, Maradona e os outros hermanos. Desde 2002 os torcedores esperavam por um título. E podem ainda ver o risco de "italianização", ou seja, o time começar a ter dificuldades crescentes para se classificar para novos torneios mundiais, até não conseguir mais, ou alguém que não entenda de futebol mas de guerra - de verdade - decidir os rumos do mundo. O técnico, aliás, já é italiano: Carlo Ancelotti. Ele ainda vai permanecer para cumprir contrato até 2030, isso se resolver rescindí-lo para não arriscar seu até então elogiável currículo como ex-comandante de times como Milan, PSG, Bayern de Munique e, principalmente, Real Madrid. 

Vini Jr. assumiu o papel de protagonista da Seleção, mas isso não foi o suficiente para impedir a eliminação precoce da Copa para os noruegueses (Matthew Childs/Reuters)


Mas agora parte do Brasil volta à realidade, porque muitos dos nossos compatriotas não saíram dela, ou nunca a conheceram. 

Flávio Bolsonaro foi até os Estados Unidos em meio às rusgas com Michelle Bolsonaro, pioradas por conta de opinião infeliz do aliado de Flávio, Paulo Figueiredo, a respeito do voto das mulheres, e também pela insistência de querer o apoio de Ciro Gomes no Ceará, por meio de Alcides Fernandes, pré-candidato ao Senado pelo Estado. O filho do Jair quer conversar para reverter o risco de "tarifaço" contra produtos brasileiros. Ele aproveita para defender duas pautas, uma boa e outra ruim. A boa é o PIX, criado no governo do pai dele, que se revelou um meio confiável e eficiente para transações bancárias, mas contestado pelas empresas administradoras de cartões de crédito, todas americanas. A ruim é propor um acordo de equiparação do álcool brasileiro de cana com o americano, feito a partir do milho, algo potencialmente lesivo aos nossos produtores. 

Isso dá uma certa munição para as bravatas do presidente Lula, que chama o "01" de "entreguista", mas nada faz de concreto para defender a soberania do Brasil como ele diz. 

Enquanto isso, pouco se falou das festividades dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, pela grande mídia brasileira, que preferiu destacar a "politização" do evento por Donald Trump, algo que todo político faz em qualquer lugar do mundo. A cobertura das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques dos EUA e Israel em Teerã no dia 28 de fevereiro foi mais presente nos portais de notícias, assim como o anúncio do Hamas ter deixado, surpreendentemente, o governo de Gaza, para entregar ao Conselho da Paz criado pelo presidente americano, mas não fala em depor as armas, como quer o governo israelense. 

Ainda há assuntos também extensamente abordados e comentados, como o escândalo do banco Master, o envolvimento do filho de Lula no escândalo do INSS, a guerra sem fim na Ucrânia. 


N. do A.: A Copa continua, com a eliminação de Portugal pela Espanha e a possível despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Portuguesa, diante de mais um fracasso em lutar pelo título. E repercutiu muito mal a suspensão do cartão vermelho tomado pelo atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. A FIFA não convenceu na sua justificativa, após receber um telefonema do próprio presidente do país anfitrião, Donald Trump, criticando a expulsão e o juiz brasileiro que aplicou corretamente a pena, durante jogo com a Bósnia pelas 16ªs de finais. Isso gerou protestos irritados de jornalistas, esportistas e até do ex-dirigente Joseph Blatter. E Maurício Pochettino, técnico da equipe americana, agiu mal ao escalar Balogun para o jogo com a Bélgica. Essa polêmica teve como resultado a derrota dos americanos para os belgas em Seattle, eliminando o último dos representantes anfitriões desta Copa. Os canadenses perderam de Marrocos facilmente (3 a 0), em Houston, mas os mexicanos lutaram até o fim contra os ingleses. no Azteca (Ciudad de México), perdendo de 3 a 2. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

E a mídia nao fala só de Copa

Em outros tempos, os brasileiros ficavam mais anestesiados durante a Copa do Mundo. O evento muitas vezes fazia esquecer os problemas do cotidiano, dando razão ao sábio Nelson Rodrigues. 

Sim, a mídia está dando destaque ao CR7, que fez dois gols e mostrou a sua categoria sobre o pobre time uzbeque, à maneira do antigo imperador Cômodo, que se exibia no Coliseu lutando com escravos. Mas outros assuntos estão chamando a atenção. 

Temos a investigação da Polícia Federal sobre o banco Digimais, financiador da Igreja Universal do Reino do Deus, de Edir Macedo. A instituição financeira está com déficit bilionário, e se ofereceu para venda ao BTG Pactual, mas ainda falta esclarecer o rombo. A agência Moody classifica o rating do Digimais como quase próximo da insolvência, com a baixíssima nota CCC+. 

Edir Macedo, dono da IURD e do Grupo Record, é acionista no banco Digimais (Divulgação/Fotomontagem)

Continuam também os esforços para um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Israel aponta os aspectos estranhos da iniciativa de Donald Trump, pois não foi convidado para assinar o acordo, sendo uma das partes envolvidas ativas. O sul do Líbano continua ocupado por tropas israelenses, dispostas a permanecer enquanto o grupo terrorista Hizbollah não se desarmar e o regime iraniano continuar a exercer influência no Líbano, há décadas padecendo como um joguete dos países mais poderosos da região. 

Trump também atua ativamente na América Latina, onde as forças conservadoras ganham terreno. Muitos brasileiros esqueceram a Copa e estão mais interessados na atuação do presidente americano e seu secretário Marco Rubio, que ameaçam retomar as sanções contra o Brasil em geral e contra Alexandre de Moraes em particular. Além disso, na América Latina as forças conservadoras ganham terreno com a vitória eleitoral de Abellardo de La Espriella ("El Tigre") na Colômbia e a confirmação da vitória de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, nas eleições peruanas realizadas em abril. Haverá uma confirmação da vitória, contestada pelo candidato derrotado Roberto Sánchez, que ameaça pedir a impugnação dos votos no exterior. 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Tudo estranho

Neste mundo sempre há acontecimentos bizarros, mais do que as histórias nos contam, mas agora as coisas parecem estar num outro patamar. 

O acordo de "paz" firmado entre os Estados Unidos e o Irã foi motivo de estranheza porque as forças beligerantes não saíram de perto, isto é, os navios permanecem no estreito de Ormuz, um lado para dificultar a navegação e o outro para, nominalmente, tentar liberar a passagem. Além disso, mesmo incluindo o Líbano, houve bombardeios na capital, Beirute, por parte das forças israelenses. Nem as tropas que invadiram e ocuparam o sul do Líbano sob o pretexto de neutralizar os terroristas do Hizbollah saíram do território, e nem este grupo apoiado pelo Irã renunciou às suas práticas de bombardear o norte de Israel. Este parece ser uma tentativa de ganhar tempo para não atrapalhar as eleições parlamentares nos Estados Unidos, nem as festividades do 4 de julho, e muito menos a Copa do Mundo realizada na América do Norte. 

E, hoje mesmo, o time iraniano está participando do torneio. No país inimigo. Sofrendo para tentar vencer os neozelandeses. 2 a 2, (mais) um empate. Do lado de fora e mesmo no estádio, desafiando a proibição da Fifa, torcedores que apoiavam a sua equipe, mas deploram o regime dos aiatolás, exibiram a antiga bandeira no tempo do xá Reza Pahlavi, cujo filho luta pelo fim da tirania fundamentalista (sendo ele próprio um fruto de uma ditadura corrupta, embora laica). O acordo firmado para ser assinado na Suíça não prevê mudança alguma no regime, um dos motivos pelos quais a oposição iraniana depositava alguma esperança na batalha travada pelos americanos, israelenses e sunitas. 

Os iranianos jogaram em Los Angeles, uma das grandes cidades do "Grande Satã" (Divulgação/Instagram/UOL)

Este dia também foi marcado por outros empates. Ninguém acreditou numa poderosa Espanha não conseguir fazer gols em Cabo Verde, nem o Uruguai não conseguir vencer a Arábia Saudita (a grande rival do Irã), ou a Bélgica se impor diante do Egito (outra nação do Oriente Médio, e da África, como Cabo Verde). Um empate, para as equipes mais fracas, é comemorada como vitória. Os cabo-verdianos não levaram nenhum, embora não tivessem feito, enquanto os egípcios e os sauditas marcaram um. 

E também fica muito estranho ver jogos com tantas interrupções para os jogadores beberam água, dando espaço para os patrocinadores lançarem seus comerciais em todos os veículos de mídia autorizados a cobrir o grande evento. Realmente, há muita gente lucrando com essa bizarrice toda. Nos estádios e no grande campo de batalha montado na Ásia Ocidental. 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

A Copa caminhará para um fracasso histórico

 A Copa 2026 na América será o maior desastre esportivo da década, tirando, logicamente, os tais "Jogos Aprimorados" em Las Vegas, neste mesmo ano. 

Terá repercussão morna, certamente ofuscada pelas guerras em curso, no Irã e na Ucrânia. Aliás, espera-se que não haja interferência direta entre esses eventos. Caso contrário, não teremos mais Copas (e nem Olimpíadas, nem qualquer outro evento esportivo). 

Já havia a tendência ao desinteresse pela Copa, vista agora sem tanta inocência. Há menos interesse no futebol, principalmente por causa dos sucessivos escândalos envolvendo principalmente os dirigentes, mas também os árbitros, os jogadores e os técnicos, e do escancarado interesse financeiro suplantando o espírito esportivo. 

Para a população, em sua maioria sem condições de custear um ingresso, o torneio não vai melhorar a vida de ninguém. Antes, até funcionava como uma distração para esquecer os problemas. Agora, não se sentem representados pelos seus jogadores, cada vez mais bem pagos pelos seus clubes, favorecendo o comportamento deslumbrado e distante de suas origens. Por aqui, há o agravante do desempenho desses jogadores ficar aquém do demonstrado pelos antigos craques do passado, responsáveis pelas conquistas dos títulos mundiais. 

Existem coisas mais sérias para despertar a atenção do público. Além das guerras citadas acima, existem os conflitos armados na África, as crises imigratórias, o temor do extremismo político e religioso, a violência, o colapso dos valores tradicionais e das instituições. Estamos mais preocupados em não levar um tiro ou uma bomba destruir nosso bairro ou vila, e menos com o Messi, o Cristiano Ronaldo ou o Neymar (muitos passarão a rir disto) serem os responsáveis pela eliminação do time que representa nosso país. 

O desinteresse do torcedor pela Seleção não é um caso isolado: para muitos povos, suas equipes nacionais não são consideradas representantes deles (Jefferson Bernardes/Shutterstock)

A Fifa esperava vender muito mais ingressos para as partidas, a serem feitas em território dos países da América do Norte, e principalmente nos Estados Unidos, mas os preços da aquisição (e também os anexos, como comidas e bebidas) e a logística não favorecem os deslocamentos até os estádios. 

E tudo poderá se tornar uma catástrofe caso houver algum ato terrorista mesmo longe das cidades-sede da Copa. Será um escândalo de proporções nunca vistas, além de causar pânico coletivo e o foco da grande mídia na tragédia, e não no esporte. Espera-se que não haja nada neste sentido, mas a possibilidade existe, e é considerável. Estamos num mundo convulsionado, e não podemos imaginar o segundo maior evento esportivo do mundo (o primeiro é representado pelos Jogos Olímpicos de Verão) como uma fuga para um universo fantástico, onde os conflitos se dão por uma disputa de bola. 

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Animação ainda mais bizarra

 Este blog ficou infestado de animações toscas e de qualidade questionável para baixo. Mas a culpa não é só do autor. 

Viralizou um vídeo divulgado pela embaixada do Irã na Tunísia, onde o Cristo Redentor enfrentava a Estátua da Liberdade. É uma interpretação nada cristã do poder de Jesus, além de ir contra os ensinamentos Dele. E envolve dois países alheios à sua guerra contra os Estados Unidos e Israel. 


O governo brasileiro continua a ser acusado de apoiar o regime iraniano, classificado como fomentador do terrorismo e de ideias nefastas, como divulgar um vídeo desses. 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Encontro misterioso

Muitos comemoram a primeira reunião de Lula com Trump na Casa Branca, desde a posse do americano. Outros imaginavam como seria o evento. E agora continum imaginando: o encontro não teve a presença da imprensa no Salão Oval. 

Lula e Trump finalmente conversaram (Ricardo Stuckert)

Eles certamente falaram de assuntos espinhosos, como a exploração dos minérios de terras-raras pela empresa USA Rare Earth, a partir da compra da única empresa brasileira especializada, a Serra Verde. Também falaram sobre o risco de novas sobretaxas de produtos brasileiros como o aço e os produtos agrícolas. Outros assuntos talvez foram explorados, como as fortes relações comerciais entre o Brasil e a China e a situação econômica global com a crise provocada pela guerra EUA-Israel versus Irã. Mas a relação de Lula com o ex-presidente Nicolas Maduro e os ministros do STF responsáveis pela prisão de Jair Bolsonaro e pelas ações contra empresas americanas é algo para ser explorado melhor quando alguém mais fornecer informações adicionais sobre o encontro. Até onde se sabe, não houve conversa sobre a questão das organizações criminosas brasileiras serem enquadradas como terroristas, Estavam lá o vice-presidente J. D. Vance e o secretário do Comércio Howard Lutnick, entre outros. 

Lula esteve acompanhado de cinco de seus ministros, como Mauro Vieira (Relações Internacionais) e Dario Durigan (Fazenda), e entrou pelo portão sul da Casa Branca, após atraso de 15 minutos. A pedido do visitante, e não do anfitrião, a imprensa não pôde acompanhar, e esperou cerca de três horas, até Lula aparecer. As respostas do presidente aos repórteres, de acordo com a mídia, foram algo vagas, enquanto Trump limitou-se a fazer alguns elogios a Lula, chamando-o de "dinâmico", e dizer, nas redes sociais, que o encontro foi "produtivo". 

A repercussão internacional não foi entusiasmada. Há muito mais a tratar, como a visita de Marco Rubio ao Vaticano para tentar normalizar as relações entre a Santa Sé e Washington, após as críticas feitas de Trump ao papa Leão XIV. E também há sinais de reinício das hostilidades no Oriente Médio, com lançamentos de mísseis e drones iranianos em Ormuz contra navios americanos. Esse pequeno ataque não abalou o presidente americano, que negou alguma violação do cessar-fogo. 

Para os brasileiros, o encontro não teve o resultado esperado e ficou com aura de mistério. Aguardemos os próximos dias. 


N. do A.: Possivelmente a situação da JBS não vai melhorar após um de seus donos, Joesley Batista, praticamente arranjar o encontro alguns dias antes, para ver se Lula vai abordar a questão das ameaças do governo americano às empresas de carne brasileiras, acusadas de formar um cartel nos Estados Unidos, assim como estão fazendo no Brasil. Washington oferece US$ 1 milhão por informações sobre a JBS, a Marfrig, e as americanas Cargill e Tyson Foods, supostamente membros do cartel, e todas elas podem sofrer pesadas sanções. 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Novamente, o noticiário

Se depender das notícias divulgadas nos jornais e portais da Internet, estamos próximos do Juízo Final pregado pelas Escrituras. Não é só devido à retomada dos conflitos na região do Estreito de Ormuz, com os Estados Unidos se preparando para iniciar a nova fase, chamada de "Projeto Liberdade", prometendo proteger os navios cargueiros durante a travessia do Estreito, tomado pelas forças da Guarda Revolucionária. Caso estas atacarem algum navio americano, este será o pretexto perfeito para uma incursão violenta, talvez até com invasão do país até então dominado pelos aiatolás. 

Donald Trump anunciou o "Projeto Liberdade (Project Freedom)" no último domingo, para substituir a "Operação Fúria Épica" (do canal LiveNOW from Fox) 


Há muitas más notícias, capazes de causar apreensão nas pessoas mais impassíveis e fleumáticas, acostumadas a se informarem pela grande mídia. 

Vou comentar sobre o trágico acidente em Belo Horizonte, onde um monomotor com cinco ocupantes colidiu com um prédio, e três morreram. Entre eles, o empresário Leonardo Berganholi, que não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. Seu irmão Arthur, que também estava na aeronave, acabou parando dentro da escadaria do prédio, e resgatado. Ele está internado em estado grave. Não houve feridos entre os moradores do prédio. 

Também está em curso a guerra na Ucrânia, com a promessa de um cessar-fogo iminente. Mas nos últimos dias um brasileiro de Feira de Santana (Bahia) que lutava junto aos ucranianos foi morto por um drone russo. Dias antes, outro brasileiro, morador de São Mateus (Espírito Santo) também foi abatido nas mesmas circunstâncias. 

Outras notícias são também exasperantes, como a suposta agressão de Neymar em Robinho Jr., que ameaça deixar o clube, e um assassinato na Índia por causa de um bolo na cara do aniversariante, que se enfureceu e matou três dos envolvidos na brincadeira. Ainda há as atuações do crime organizado no Brasil, mesmo com a ameaça do governo americano, que considera esses grupos como terroristas. Não se pode esquecer do hediondo caso de estupro de dois meninos por quatro adolescentes e um adulto por aqui em São Paulo (este caso tem muita repercussão, e eu me recuso a comentar sobre esta abominação). 

terça-feira, 21 de abril de 2026

(O que resta do) Regime iraniano ganha mais tempo (mas...)

O regime iraniano está condenado a perecer. Trump havia se recusado a estender o cessar-fogo, mas voltou a afrouxar a corda nas últimas horas. Isso não é um recuo definitivo. Ele pretende acabar com o serviço, mandando um recado para os inimigos da América. Donald Trump deixou clara a sua intenção de matar três coelhos com um só golpe do seu big stick: destruir o maior sustentáculo do terrorismo contra o maior aliado na Ásia Ocidental (Israel), impor limites à influência da Rússia na região e, principalmente, prejudicar economicamente o maior inimigo econômico dos Estados Unidos - a China. Tanto Putin quanto Xi Jinping estão por trás dos aiatolás e da Guarda Revolucionária, embora não tivessem participado diretamente do conflito. 

Essa iniciativa de estender o prazo para dar ao Irã uma oportunidade de elaborar um plano de cessar fogo não parece sensata, principalmente aos olhos de Tel Aviv, mas possivelmente um ataque maciço dos Estados Unidos gastaria muitos recursos, como munição, combustível e os caríssimos mísseis e equipamentos de controle. Os americanos pretendem ainda usar seu arsenal contra Cuba, o próximo alvo dos americanos, e também contra a China no caso de um ataque a Taiwan. 

Certamente o resto do regime iraniano vai tentar se rearmar e preparar seus mísseis, mas conforme o tempo passa eles mostram mais divisões e desunião, e isso será usado pelos atacantes contra eles. Existe a possibilidade de um ataque desesperado, mas a resposta será um contra-ataque intensivo a curto prazo, capaz de afetar boa parte da infraestrutura e da energia do país asiático. 

Os americanos não pretendem ficar muito tempo. Depois vão para Cuba, onde a ditadura local não oporá tanta resistência. No caso da China, a situação é bem mais complicada, pois isso envolveria duas das três maiores forças militares do mundo, mas há indícios segundo os quais Taiwan pode sofrer uma tentativa de invasão a qualquer momento. 

Porta-aviões Abraham Lincoln (U.S. Navy)

Israel ainda pode continuar o conflito, mas suas forças também temem por uma guerra muito longa. Eles ainda acham que, após a queda do Irã, os países árabes podem vir a se tornar uma ameaça, principalmente os mais aguerridos, como a Síria. A Turquia e a Rússia também inspiram, no mínimo, cautela, pois estão próximos demais, possuem exércitos muito fortes e suas relações com o Estado hebreu não são boas, principalmente com o governo de Netanyahu. 

Mesmo assim, o estado deixado pelos bombardeios e as pesadas baixas no governo iraniano, incluindo o aiatolá Ali Khamenei e vários de seus colaboradores, facilita a destruição do regime. Pode haver um período de anarquia, pois os Estados Unidos não estão dispostos a colocar automaticamente o Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979, avaliando que ele não tem tanta força assim para unificar e pacificar o país. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Notícias inesperadas (mas obviamente aconteceriam)

1. Oscar Schmidt, o maior jogador do basquete brasileiro, faleceu aos 68 anos, derrubado pelos seus problemas de saúde que o atormentaram há anos. A notícia pegou muita gente de surpresa, por ser um ex-atleta relativamente jovem, e por ser tão querido, um dos maiores ídolos do esporte, consagrado no mundo inteiro. Mas para seus familiares e amigos, o sofrimento do "Mão Santa" acabou. 

Oscar Schmidt (1958-2026) consagrou-se em partidas como o Pan de Indianápolis, fazendo os brasileiros vencerem os americanos em 1987 (David Madison/Getty Images)

2. Senadores resolveram falar grosso com o STF, cansados de tantos desmandos em nome da preservação da democracia. O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, pediu inquérito contra os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, acusados de estarem envolvidos com o Banco Master. Houve protestos e ameaças por parte dos ilustres togados, mas um dia a atuação do Judiciário como Moderador precisava ouvir um basta. 

3. O regime iraniano, ou as sobras dele, anunciaram a liberação do estreito de Ormuz, e testemunhas confirmaram que a situação por lá está melhor, com navios atravessando sem serem atacados. Muitos achavam que o bloqueio iria perdurar por muito mais tempo, mas a Guarda Revolucionária, o poder efetivo dentro do país, está arruinada por causa dos ataques à infraestrutura, energia e instalações militares, e mesmo com suas bravatas e exigências, sabe que não pode enfrentar ao mesmo tempo as forças dos Estados Unidos e de Israel. 

4. Outro assunto totalmente a ver com a guerra no Irã é o desaparecimento inesperado, e as mortes misteriosas de físicos de grande renome nos Estados Unidos, ligados a segredos tecnológicos envolvendo energia e armas nucleares. O presidente americano Donald Trump disse que mandará investigar. E há os suspeitos de sempre: terroristas, corporações inimigas da paz e os governos considerados inimigos (China e Rússia). Sumiço e morte de cientistas é algo preocupante e geralmente ocorre em momentos de conflito, velado ou declarado. Uma das vítimas, Nuno Loureiro, de origem portuguesa, gerou ampla repercussão. 

5. Por aqui, o preço dos derivados do leite está assustando os consumidores, embora o produto in natura ainda esteja relativamente acessível. A indústria em geral está sofrendo com o aumento dos impostos e do maquinário necessário para a fabricação, além da energia, por conta da crise envolvendo o Irã e dos problemas crônicos para gerar e distribuir eletricidade e petróleo. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Israel e Líbano se reúnem

Com a presença do secretário de Estado americano Marco Rúbio, os representantes de Israel e Líbano se reuniram pela primeira vez desde 1993, em Washington, a capital dos Estados Unidos. 

Marco Rubio (ao centro) se disse otimista com a reunião entre os representantes de Israel (dir.) e Líbano (esq.) (Andrew Harnik/Getty Images)

Isso tem a ver com o enfraquecimento do Irã e de seus acólitos, como o Hizbollah, que está entranhado na política libanesa e, segundo americanos e israelenses, faz o governo libanês de refém, aproveitando sua impotência e fragilidade para atacar o Estado hebreu há décadas. Por conta das ações terroristas do Hizbollah e das atuações das forças de Israel, o Líbano se transformou em ruínas. Com os ataques ao Irã, os grupos fundamentalistas foram seriamente atingidos, possibilitando tomadas mais firmes de decisão por parte do governo libanês. 

Ainda resta vencer a forte influência do Hizbollah entre os mais pobres e marginalizados do Líbano, e fazer o grupo deixar de ser uma ameaça armada. Isso só vai acontecer com o tempo, com novas negociações entre Tel Aviv e Beirute, e mudanças no regime iraniano. 


N. do A.: Trump deu prosseguimento ao cerco em Ormuz e continuou a usar o seu very big stick para atacar inclusive o papa Leão XIV, seu conterrâneo, chamando-o de "fraco" e "péssimo" na política internacional. Também aproveitou para dar suas bordoadas no governo italiano, criticando Georgia Meloni, até então considerada aliada de Trump, por sua falta de ação na crise mundial desencadeada pelo conflito. Esss rusgas têm deixado a chamada "esquerda política" e boa parte da mídia interessada. Meloni é acusada pela oposição de "neofascismo" e fazer uma política hostil à imigração na Europa, e pelos críticos mais à "direita" de ser anti-Israel (mais precisamente, anti-Netanyahu), alinhando-se, neste ponto, com a França. 

terça-feira, 7 de abril de 2026

Ninguém foi para a Idade da Pedra (ainda)

Depois de muitos combates onde parece não haver trégua, com a teimosa resistência da Guarda Revolucionária do Irã, o governo de facto do país e cujos membros são acusados de propagar métodos terroristas contra todo o mundo, visando dobrar os "infieis" (leia-se todos que não forem xiitas) e tentar destruir Israel, parecia haver um impasse, com uma possível escalada do conflito. 

Um dos países ainda aliados do Irã, o vizinho Paquistão, lançou nova proposta de cessar-fogo, aceita pelo presidente americano Donald Trump, e pelos representantes do governo iraniano, vistos como meros instrumentos para o regime totalitário fundamentalista ganhar tempo enquanto a infraestrutura do Irã ameaçava ser posta abaixo pelos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos. 

Depois de um discurso aterrorizante de Trump, mais para a opinião pública mundial do que para a Guarda Revolucionária, ameaçando acabar com "uma civilização" e fazer os iranianos "voltarem à Idade da Pedra", houve novamente uma distensão. O prazo para o Irã liberar o estreito de Ormuz acabou agora, mas a proposta de cessar fogo veio, e Trump deu mais duas semanas. Para muitos, parece uma prova da insanidade mental de ambos os contendores, com motivações muito diferentes: um quer ser o salvador da civilização, usando métodos truculentos e heterodoxos, e outro quer destruí-la por ser corrupta, sacrílega e ainda ter matado o líder supremo deles, representante de Deus na Terra. 

Nestas duas semanas, ninguém habituado a usar mais o cérebro do que o cerebelo acredita numa paz de verdade. Os combates continuarão, mas não na intensidade prometida caso o estreito de Ormuz não deixe de o um verdadeiro gargalo de navios à mercê dos ataques iranianos. E o regime anteriormente dos aiatolás está perdendo rapidamente todos os recursos para financiar a guerra, pois houve ataques às usinas petroquímicas para processamento de ácido nítrico, matéria-prima para bombas, e a ilha de Kharg foi atacada novamente, com promessa de ser tomada pelas forças americanas e israelenses. 

Trump recua após nova ameaça de "acabar com a civilização iraniana" ( © ANSA/EPA)


quinta-feira, 19 de março de 2026

Chuck Norris não vai salvar o mundo desta vez

O famoso Chuck Norris, conhecido por seu imenso repertório de filmes de ação como Braddock e Comando Delta, está internado no Hawaii, por problemas de saúde. 

Chuck Norris destruía os inimigos dos Estados Unidos - nos seus filmes (Getty Images)

Com 86 anos, o veterano foi tema de vários memes envolvendo suas técnicas de luta, como o houndhouse kick, usado em seus filmes. Segundo as piadas, um golpe bem potente poderia mandar um extremista muçulmano (ou qualquer outro inimigo) para o inferno. 

Devido à idade, ele achou que não seria uma boa ideia se alguém o levasse para o Estreito de Ormuz, para desmantelar a rede de bloqueio iraniano. Pelo bem dos Estados Unidos, e de sua própria saúde, é melhor deixar os jovens marines cuidarem disso. 

terça-feira, 17 de março de 2026

Breves de uma semana explosiva

1. Os caminhoneiros ameaçam paralisar o país se o governo não deter o aumento no preço do diesel, algo considerado inevitável se o preço do petróleo continuar a subir. Agora, o barril custa US$ 103. Isso faz voltar o fantasma da grande paralisação em 2018, causadora de muitos transtornos. 

Veremos isso novamente? (Reuters)

2. A causa imediata é a guerra no Oriente Médio, ainda muito longe de parar. O que resta do governo iraniano ainda mantém fechado o estreito de Ormuz, enquanto o considerado "braço direito" de Ali Khamenei, Ali Larijani, chefe da segurança do governo xiita, foi abatido num ataque de forças israelenses. 

3. A Yoki vai mudar de mãos novamente. Antes uma empresa nacional consolidada, passou para a General Mills após o terrível caso Marcos Matsunaga, e agora a empresa americana vende a marca e também a Kitano, outra ex-empresa de alimentos independente, para a 3Corações, marca cujo controle é parcialmente brasileiro, dividido com a Strauss B.V., empresa israelense, para desgosto dos antissemitas e de quem vê a guerra contra o Irã um ato de agressão. 

4. Para não variar, o Real Madrid está fazendo outra campanha sólida na Champions League, despachando o Manchester City com duas vitórias nas oitavas-de-final. A última foi no Etihad Stadium por 2 a 1, com direito a provocação da torcida local contra Vini Jr. relembrando a Bola de Ouro de Rodri, jogador dos citizens. Sempre disposto a não aceitar desaforo, o brasileiro fez o primeiro gol e comemorou com gesto de silêncio. 

5. Vini Jr. certamente jogará, mas muitos comentaristas ainda acreditam na convocação de Neymar, mesmo com uma fase bem longe do convincente. Ancelotti não se deixou dobrar pela pressão, e outros comentaristas, mais ponderados, aplaudem a postura do técnico da Seleção Brasileira. 

6. Para boa parte dos brasileiros, o futebol já não interessa. Quer saber qual será a próxima decisão de Alexandre de Moraes, e como estão as investigações sobre o Banco Master, no qual o ministro é acusado de estar envolvido até a careca. Flávio Bolsonaro diz ter conversado com ele para pedir a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, cujo estado de saúde é preocupante. Enquanto isso, o ex-presidente Michel Temer defende a atuação de Moraes no STF, assim como sua decisão de tê-lo indicado durante seu mandato, em 2017.

7. E o Lulinha? Vai depor mesmo no inquérito que apura os desvios bilionários no INSS?

quinta-feira, 12 de março de 2026

Oscar se protege contra o terror

A poucos dias da versão mais aguardada do Oscar entre os brasileiros, devido à possibilidade do filme O Agente Secreto vencer (pois as chances de Wagner Moura parecem menores já que ele foi convidado para anunciar quem será o melhor ator, e via de regra quem anuncia não ganha), a Academia se prepara para enfrentar hipotéticos ataques terroristas. 

O FBI alertou Los Angeles sobre possíveis ataques de drones vindos do Irã ou de alguma organização terrorista vinculada ao país. Seria a oportunidade perfeita para os criminosos em nome da causa dos aiatolás fazer um ataque midiático e, de quebra, levar alguns infieis para o Jannaham (o inferno, segundo os islâmicos). 

Caso as medidas de segurança fracassarem e o terror conseguir atacar Hollywood, a edição do Oscar pode vir a ser a mais lembrada de todos os tempos, e não no bom sentido. Mas este blog espera escrever algo bem diferente na segunda-feira. 

quarta-feira, 11 de março de 2026

O único país que pode dividir o Irã

Entre os vários países envolvidos na guerra contra o Irã, um deles pode mudar geograficamente o Irã de forma mais literal, mesmo se o regime dos aiatolás não cair. 

No noroeste do Irã, existe uma região com várias províncias chamada de Azerbaijão, o mesmo nome do país vizinho. E é este mesmo o país com potencial para fazer o território do grande vizinho encolher. Os azeris, povo turco habitante dos mesmos locais, podem aproveitar a anarquia reinante no governo xiita para se rebelarem, pegarem em armas e lutarem pela independência da região. 

Tabriz é a maior cidade, e é fortemente industrializada. Outras cidades são também importantes, como Ardabil e Zanjã. Existe uma indústria tradicional de tapetes, cuja qualidade é conhecida de séculos. Teares famosos foram feitos em Tabriz para esta finalidade. A região ainda é banhada pelo Mar Cáspio e pelo lago Urmia, também salgado, por serem ambos remanesccentes do antigo Mar de Paratétis, extensão do Oceano Atlântico há milhões de anos antes da formação da Europa e da Ásia. O lago Urmia chegou a ser o maior da Ásia Ocidental, mas agora está ameaçado de desaparecer pela seca e pela intensa exploração de suas águas. 

Parte do Irã compartilha o idioma e, em parte, a cultura do Azerbaijão (Divulgação)

A maioria dos azeris do Irã fala tanto a língua original de seu povo, que lembra o idioma falado na Turquia, quanto o persa, e a princípio não quer a independência da região e nem a anexação ao Azerbaijão, mas a situação política pode degenerar. O país do Cáucaso na fronteira entre os dois continentes (Ásia e Europa) pode interferir para proteger os "povos irmãos", com ajuda da Turquia, sua aliada histórica, e de Israel, que lhe fornece armamentos e está interessado na dissolução do Irã. Mas isso também depende da Rússia, de quem o Azerbaijão é satélite como país ex-soviético, e com a qual ainda existem fortes relações. Moscou é totalmente contrária a qualquer mudança na política do Irã, ainda mais pela força das armas, mas ainda está mais empenhada em tentar vencer a guerra na Ucrânia. 

Recentemente, o aeroporto de Nakhitchevan, localizado no exclave de mesmo nome, foi atacado, gerando a fúria do ditador azeri, Ilham Aliev, que promete usar as Forças Armadas contra os aiatolás, mas ainda não autorizou uma única bala a ser disparada contra o outro lado da fronteira. As forças azeris são dignas de respeito, ainda mais depois da vitoria na guerra contra a Armênia pela disputa de Karabash, praticamente assegurando definitivamente a posse da região com muitos minérios em seu subsolo, e muitos armênios agora fugindo do local. A Armênia, parceira e também satélite da Rússia, e outrora aliada do Irã apesar de seu povo ser cristão, ainda não se envolveu na guerra, mas o risco de ser atingida por algum míssil, seja ele iraniano, turco ou azeri, é grande. 

De toda forma, o Azerbaijão promete reagir de forma muito mais decisiva caso houver a tentativa de atacar os oleodutos para conduzir o petróleo extraído da região do mar Cáspio à Turquia. Isso ainda pode acontecer, pois até agora as atitudes de Teerã são completamente imprevisíveis, como uma grande serpente acuada de muitas cabeças, das quais as principais foram decapitadas, tentando armar o bote para todos os lados. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Até agora um ator não está atuando

Com a escalada da guerra, os países europeus estão começando a se mobilizar para defenderem seus interesses na região da Ásia Ocidental. Não exatamente por preocupação com os civis da região, potenciais vítimas dos bombardeios, mas por terem bases militares e serem extremamente dependentes do petróleo da região. 

A Grã Bretanha já se dirigiu para o Mediterrâneo oriental após os ataques a Akrotiri, uma base na ilha de Chipre, pelas forças iranianas. A França também deslocou suas forças militares para a defesa de sua base nos Emirados Árabes, e Emanuel Macron já fala em expandir seu arsenal nuclear e realizar testes de bombas alegando aumento dos riscos ao seu país. Também a Alemanha deslocou militares para lá, sem deixar a preocupação com a Rússia. 

Quem ainda não tomou medidas relevantes é a ONU, projetada para garantir a paz mundial e a soberania das nações, mas na prática jamais funcionando como deveria, sendo praticamente um órgão protocolar nas diversas guerras e conflitos ocorridos desde a Segunda Guerra Mundial. 

Ela está se limitando a anunciar uma investigação sobre os supostos crimes de guerra cometidos até agora, notavelmente um míssil que matou centenas de meninas dentro de uma escola na cidade de Minab. A imprensa acusa Israel e EUA de negligência, no mínimo, e até de dolo, enquanto algumas fontes principalmente em Israel dizem que um míssil iraniano teria caído por acidente e acertado o prédio, com base nas imagens divulgadas. Também a ONU não acredita que o Irã esteja desenvolvendoo armas nucleares, embora EUA e Israel acreditem nisso e apontam evidências para endossarem suas convicções. 

Donald Trump durante discurso na ONU; a entidade agora é solenemente ignorada por ele e por Binyamin Netanyahu nos ataques ao Irã (Loey Felipe/ONU)

A inoperância da ONU, sua atuação burocrática, a presença de um Conselho de Segurança e os países mais fortes militarmente (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) tendo poder de veto em qualquer decisão, a forma com que trata o assunto dos direitos humanos, tendo vários regimes autoritários lotando o Conselho de Direitos Humanos, sua falta de ação efetiva para combater a fome (FAO), a mortalidade infantil (Unicef), os problemas econômicos (FMI) e a destruição dos patrimônios culturais (Unesco), fazem a existência da entidade ser questionada por todos os lados, e, com este conflito e mais a presença do "Conselho da Paz" montado por Donald Trump para a reconstrução de Gaza, a importância e até a existência das Nações Unidas está ameaçada. 

Neste cenário explosivo, não será a ONU a influenciar no destino do conflito. Rússia e China também não estão agindo, mas uma possível interferência desses países iria levar o mundo ao abismo. Mesmo os vizinhos do leste, o Paquistão e o Afeganistão, no momento se digladiando entre eles numa guerra também potencialmente perigosa, poderiam causar muito mais efeitos do que qualquer decisão vinda de Genebra. E eles poderão se envolver também, devido à aliança do Paquistão com o Irã e a presença de grupos terroristas no Afeganistão, inclusive governado pelo maior deles, os talibãs. 

O mundo olha também para a Turquia, que teve bases militares americanas atacadas, mas não entrou na guerra e, como a Rússia e a China, condenou os ataques ao Irã de forma nominal, sendo um dos aliados de ocasião do vizinho persa, e um dos signatários do finado acordo nuclear juntamente com os Estados Unidos, então governados por Barack Obama, considerados por Trump uma farsa que encobriu o projeto de bombas atômicas desejado pelos aiatolás. 

Ainda se fala muito pouco do Egito, do Iêmen (ocupado pelos terroristas houthis) e dos países africanos como Sudão e Somália, mas todos eles poderão ser obrigados a agir, devido ao Mar Vermelho, uma passagem de petroleiros e navios mercantes, se tornar um local com altíssima possibillidade de virar cenário bélico. 

Também mais importante que a ONU, em termos práticos, é um possível ataque iraniano aos oleodutos do Azerbaijão, país vizinho do norte e tendo parte de seu território no Leste Europeu, além de ser aliado e vizinho da Rússia e da Turquia. A maioria do povo azeri também é xiita, mas o que restou do governo dos aiatolás não levará isso em conta, e sim a possibilidade de agir desesperadamente para impedir o fluxo de petróleo e prejudicar o Ocidente de todas as formas. Mas isso poderá fazer a Turquia e a Rússia se voltarem contra os persas. 

A ONU sempre teve, na prática, uma atuação pouco significativa, e não será desta vez que ela será vista como importante. Caberá a cada cidadão tomar medidas para se precaver contra a crise do petróleo, o risco do terrorismo e um possível conflito em escala planetária, e às forças militares envolvidas para alcançarem seus objetivos com o mínimo de perdas civis e danos à economia local e global. 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Quem será o próximo a cair?

As forças americanas capturaram o ditador venezuelano Nicolas Maduro no início de janeiro e, em fevereiro, mostraram seu poder contra a tirania xiita que oprimia o Irã desde a deposição de uma monarquia corrupta liderada pelo xá Reza Pahlevi em 1979. 

O governo fundamentalista islâmico insistia em desenvolver seu programa nuclear sob o pretexto de não ficar tão dependente do petróleo, sua maior fonte de divisas, mas a finalidade era mesmo a obtenção de armas nucleares, para incrementar o seu já temível arsenal. Isso ficou demonstrado pelas próprias atitudes do governo teocrático, enquanto o povo era sufocado, alijado de qualquer direito fundamental e sujeito a prisões arbitrárias. 

Ninguém pôde desprezar o poder de reação dos comandantes da República Islâmica, pois eles atacaram Israel quando alvos estratégicos iranianos foram atingidos, inclusive a residência do líder supremo, Ali Khamenei. Segundo fontes de informação israelenses, e de acordo com o próprio presidente americano, o velho e doente, mas ainda perigoso, ditador de 86 anos foi atingido pelos ataques e morreu. O mesmo aconteceu com outras lideranças. 

O governo do Irã e seu líder supremo, Ali Khamenei, foram os alvos do ataque dos EUA e de Israel (Reprodução/TV Record)



Mesmo assim, o Irã ainda lançou ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Bahrein, no Catar, na Arábia Saudita, no Kuwait, além de lançar mísseis contra os Emirados Árabes Unidos, a Jordânia e a Síria. Ainda conseguiu fechar totalmente o estreito de Ormuz, para impedir o escoamento de petróleo de todos os países do Golfo Pérsico. 

Os ataques estratégicos dos EUA e Israel continuarão enquanto o Irã demonstrar capacidade de resistênncia, e isso pode levar dias ou até semanas. A participação do povo iraniano poderia abreviar a luta caso a Guarda Revolucionária esteja suficientemente enfraquecida. Somente depois do fim das contendas, será possível colocar em prática um regime mais democrático, embora a História mostre vários casos de títeres a fingir governar após países sofrerem intervenção externa. 

Quanto ao grande aliado de ocasião do Irã, a Rússia, ela se limitou a fazer críticas severas à Israel e aos EUA, sem tomar medidas efetivas, pois ainda está em guerra com a Ucrânia. Ainda poderá ter influência no processo de transição, assim como a Turquia, que também quer afirmar seu poderio na Ásia Ocidental. 

Enquanto isso, Cuba, com sua economia falida e seu povo faminto e desesperado após o fracasso da política castrista, pode vir a ser o próximo país a sentir o porrete de Trump. Outras nações poderiam vir a ser alvos em um futuro próximo, mas países muito grandes e suficientemente organizados, apesar de mal governados de acordo com os críticos, estão totalmente fora de cogitação. Poderiam no máximo ser enfraquecidos por meio de retaliações comerciais, tentativas de asfixia econômica ou neutralização de seus aliados. Este seria o caso da China, eleito como o nêmesis da América.