quarta-feira, 8 de julho de 2026

Cai o acordo, e veremos coisas bem desagradáveis

O acordo entre Estados Unidos e Irã, considerado de "faz de conta" para a guerra não disputar atenção da mídia com a Copa do Mundo ainda em curso e nem para prejudicar a campanha política republicana oara as eleições parlamentares de novembro, mostrou realmente não ter o valor gasto no papel onde foi escrito. 

Desde o começo, notava-se que o regime iraniano, mesmo com sua liderança aniquilada no dia 28 de fevereiro pelos ataques americanos e israelenses, ainda teimava em demonstrar força e insolência, chegando a marcar o enterro de seu líder supremo bem na semana dos 250 anos de independência da potência inimiga, e insistir em cobrar "pedágio" para os navios no estreito de Ormuz. De forma deliberada, as forças iranianas atacaram navios mercantes que tentaram driblar o pagamento do tal "pedágio", passando na costa do exclave de Musandam sob escolta militar americana, e isso foi o pretexto para a volta dos bombardeios na costa sul persa. 

Imagem com veracidade discutível de um míssil caindo na costa sul do Irã (Divulgação/TruthSocial)

Bases americanas no Kuwait, no Qatar e no Bahrein sofreram ataques, e não ficará apenas nisso. Os Emirados Árabes ameaçaram participar da reação se receber um ataque vindo do outro lado do Golfo, enquanto a Arábia Saudita ainda está recolhida em um silêncio inquietante. Israel também está preparado para os mísseis, e também vai continuar sua ofensiva no sul no Líbano. 

Trump está na cúpula da OTAN, em Ancara, a capital da Turquia, país vizinho do Irã. Ele ameaçou com pesados bombardeios se o Irã continuar a ameaçar a navegação em Ormuz, e até o momento os ataques foram ainda bem localizados, com número considerado muito reduzido de baixas. Mas tudo pode piorar, ainda mais se o regime se atrever a lançar um míssil na direção oeste. A Turquia mantém-se neutra, mas faz um malabarismo diplomático notável ao dizer-se aliada do Ocidente e de Trump enquanto sua postura em relação a Israel é beligerante, e ambígua em relação ao Irã. 

A mídia aproveita para reforçar a cobertura dos ataques enquanto não há jogos na Copa do Mundo. Mas as quartas-de-final começarão amanhã. Como nem as equipes americana ou iraniana estão mais participando do evento esportivo, poderemos ver notícias de bombardeios e partidas em execução ao mesmo tempo. E ainda não se pode descartar uma tentativa de atentado na Copa, cujas partidas estão em solo americano, pois os eventos no México e no Canadá terminaram. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário