segunda-feira, 6 de julho de 2026

Voltemos à realidade

A Seleção Brasileira conheceu o debacle na Copa do Mundo. Saiu até antes do esperado, graças ao mau futebol, muito inferior ao esperado, diante de um Haaland decisivo, fazendo dois gols. Neymar só foi entrar no fim do jogo, tomou um cartão amarelo idiota por provocar o goleiro Nyland antes de converter um pênalti. A vergonha mundial consolidou-se com o apito final. O volante Casemiro, visto como o capitão de facto do grupo, irreconhecível na partida, chorou ao dar entrevista e fez a repórter Fernanda Gentil chorar também. Ele e vários outros jogadores, Neymar inclusive, encerram seu ciclo na Seleção, como a "nova geração perdida". Foi a pior participação do Brasil no torneio desde 1990, quando, na Itália, eles foram eliminados de forma humilhante por Caniggia, Maradona e os outros hermanos. Desde 2002 os torcedores esperavam por um título. E podem ainda ver o risco de "italianização", ou seja, o time começar a ter dificuldades crescentes para se classificar para novos torneios mundiais, até não conseguir mais, ou alguém que não entenda de futebol mas de guerra - de verdade - decidir os rumos do mundo. O técnico, aliás, já é italiano: Carlo Ancelotti. Ele ainda vai permanecer para cumprir contrato até 2030, isso se resolver rescindí-lo para não arriscar seu até então elogiável currículo como ex-comandante de times como Milan, PSG, Bayern de Munique e, principalmente, Real Madrid. 

Vini Jr. assumiu o papel de protagonista da Seleção, mas isso não foi o suficiente para impedir a eliminação precoce da Copa para os noruegueses (Matthew Childs/Reuters)


Mas agora parte do Brasil volta à realidade, porque muitos dos nossos compatriotas não saíram dela, ou nunca a conheceram. 

Flávio Bolsonaro foi até os Estados Unidos em meio às rusgas com Michelle Bolsonaro, pioradas por conta de opinião infeliz do aliado de Flávio, Paulo Figueiredo, a respeito do voto das mulheres, e também pela insistência de querer o apoio de Ciro Gomes no Ceará, por meio de Alcides Fernandes, pré-candidato ao Senado pelo Estado. O filho do Jair quer conversar para reverter o risco de "tarifaço" contra produtos brasileiros. Ele aproveita para defender duas pautas, uma boa e outra ruim. A boa é o PIX, criado no governo do pai dele, que se revelou um meio confiável e eficiente para transações bancárias, mas contestado pelas empresas administradoras de cartões de crédito, todas americanas. A ruim é propor um acordo de equiparação do álcool brasileiro de cana com o americano, feito a partir do milho, algo potencialmente lesivo aos nossos produtores. 

Isso dá uma certa munição para as bravatas do presidente Lula, que chama o "01" de "entreguista", mas nada faz de concreto para defender a soberania do Brasil como ele diz. 

Enquanto isso, pouco se falou das festividades dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, pela grande mídia brasileira, que preferiu destacar a "politização" do evento por Donald Trump, algo que todo político faz em qualquer lugar do mundo. A cobertura das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques dos EUA e Israel em Teerã no dia 28 de fevereiro foi mais presente nos portais de notícias, assim como o anúncio do Hamas ter deixado, surpreendentemente, o governo de Gaza, para entregar ao Conselho da Paz criado pelo presidente americano, mas não fala em depor as armas, como quer o governo israelense. 

Ainda há assuntos também extensamente abordados e comentados, como o escândalo do banco Master, o envolvimento do filho de Lula no escândalo do INSS, a guerra sem fim na Ucrânia. 


N. do A.: A Copa continua, com a eliminação de Portugal pela Espanha e a possível despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Portuguesa, diante de mais um fracasso em lutar pelo título. E repercutiu muito mal a suspensão do cartão vermelho tomado pelo atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. A FIFA não convenceu na sua justificativa, após receber um telefonema do próprio presidente do país anfitrião, Donald Trump, criticando a expulsão e o juiz brasileiro que aplicou corretamente a pena, durante jogo com a Bósnia pelas 16ªs de finais. Isso gerou protestos irritados de jornalistas, esportistas e até do ex-dirigente Joseph Blatter. E Maurício Pochettino, técnico da equipe americana, agiu mal ao escalar Balogun para o jogo com a Bélgica. Essa polêmica teve como resultado a derrota dos americanos para os belgas em Seattle, eliminando o último dos representantes anfitriões desta Copa. Os canadenses perderam de Marrocos facilmente (3 a 0), em Houston, mas os mexicanos lutaram até o fim contra os ingleses. no Azteca (Ciudad de México), perdendo de 3 a 2. 

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