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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Maria Corina conseguiu fazer Trump e Maduro pensar a mesma coisa

 "Ela não merece o Nobel da Paz!"

Maria Corina Machado é a principal líder da oposição venezuelana, lutando tenazmente pelo fim do regime de Nicolás Maduro. Ela competia com seu aliado do norte, o presidente americano Donald Trump, que estava selando acordos de paz entre países vizinhos inimigos mortais, como Armênia e Azerbaijão, Índia e Paquistão, Israel e Faixa de Gaza. 

Quando a Academia anunciou o nome de Corina, a Casa Branca protestou, dizendo que se tratava de uma escolha política (uma motivação sempre muito forte desde a criação dos prêmios Nobel) e não técnica. Maduro, envolto em rumores de uma invasão americana no território venezuelano, deve ter amaldiçoado até a centésima geração de cada membro do juri em Estocolmo. 

Os partidários de Trump se enfureceram, os defensores do "bolivarianismo" se irritaram, e Corina vai precisar enfrentar uma espécie de consenso contra ela, por algum tempo. Quando a Venezuela voltar a ser uma democracia, no entanto, irão se lembrar dela. 

Maria Corina Machado se tornou a mais celebrada, e ao mesmo tempo, a mais criticada, personalidade a ganhar o Nobel deste ano (Divulgação/Academia Sueca)


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Dia inesquecível

Este dia 9 de outubro foi marcado por acontecimentos notáveis, seja pela importância histórica, ou pelo inusitado. 

Certamente, no primeiro caso está a oficialização do fim dos conflitos em Gaza, com a aprovação pelo Parlamento israelense do plano elaborado pelo governo Trump. Muitos julgam isso bom demais para ser verdade, dada a rapidez com que as partes em conflito aceitaram algo com muitos pontos desfavoráveis a ambos. O Hamas vai praticamente ser expulso do governo em Gaza, e Israel não poderá ocupar o território, como queriam os membros mais radicais do governo de Netanyahu. Para os Estados Unidos, o resultado foi amplamente positivo, e será uma surpresa, pelo menos aos simpatizantes do atual governante da América, se o "homem laranja" não ganhar o prêmio Nobel da Paz, a ser anunciado amanhã. 

Por falar em Nobel, uma premiação inusitada foi a do húngaro Laszlo Krazsnahorkai, de 71 anos. Escritor de um idioma difícil de ser compreendido mesmo para alguém da Hungria, e radicalmente diferente do falado entre os vizinhos deste país da Europa Central, o novo premiado era conhecido pela sua técnica, chegando a escrever frases únicas preenchendo dezenas de páginas. E os temas são tão duros e ásperos quanto a língua: medo, violência, cenas grotescas e opressivas, enfim um verdadeiro apocalipse, bem de acordo com nossos tempos angustiantes. 

Estranho ou emblemático, também, é a renúncia de Luís Roberto Barroso à sua cadeira no Supremo Tribunal Federal. Ele acabou de sair da presidência da Corte, e agora se aposenta, mesmo com 67 anos, 8 a menos do máximo permitido por lei. Surpreendeu a todos, apesar dos sinais dados nos últimos dias, e agora dará uma chance ao presidente Lula escolher alguém de sua confiança antes de terminar o terceiro mandato (e com esperança, para os apoiadores, de ser eleito para mais um, apesar da saúde de Lula, à beira dos 80 anos, não ser das mais auspiciosas, e não contar mais com o apoio do Congresso para questões como a reforma tributária). 

Para os opositores do governo e do STF, Barroso teria renunciado por medo de receber as mesmas sanções da lei Magnitsky, sofridas pelo colega Alexandre de Moraes. Ele negou ter medo desta ou qualquer outra razão, no seu discurso de despedida. 

Luís Roberto Barroso saiu do STF, dividindo a atenção da mídia com o processo de paz em Gaza e as premiações do Nobel (Valter Campanato/Ag. Brasil)

O agora ex-ministro do STF poderá descansar, e suas próximas atividades são uma incógnita. Certamente, ele não tentará aprender húngaro para ler algum livro de Krazsnahorkai. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Dois escritores (e outros dois)

Durante a premiação do Nobel para diversas categorias, o escritor norueguês Jon Fosse, 64 anos, foi premiado com a láurea. Ele escreve obedecendo à nova norma do idioma, o "Ninorsk", mais parecida com o que se falava entre os vikings no passado. Ele é considerado o "Samuel Beckett norueguês" e já levou vários prêmios, como o Ibsen (2010). Há dois livros traduzidos para o português, É a Ales e Melancolia. O primeiro romance fala sobre uma mulher escrevendo suas memórias após ser abandonada pelo marido. O segundo fala sobre a juventude do pintor Lars Hertevig (1830-1902), cuja vida foi repleta de tormentos, como uma internação num sanatório. Jon Fosse é também sacerdote católico. 

Jon Fosse ganhou o Nobel de Literatua neste ano (Divulgação)

Aílton Krenak é mais conhecido pelo ativismo pró-indígena (Fondation Cartier)

Por aqui, Aílton Krenak, de 71 anos, foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras. Ele é considerado o primeiro escritor indígena a vestir o fardão dos acadêmicos, e seus livros estão bastante ligados à sua luta pelos direitos indígenas. Ele escreveu A vida não é útil, ensaio sobre a pandemia de COVID-19, e Futuro ancenstral, sobre o modo de vida das comunidades autóctones antes e depois da vinda dos portugueses. Há quem critique a Academia, já irrelevante para a literatura nacional há décadas, por suposto "identarismo". Os outros dois candidatos à vaga de José Murilo de Carvalho, antigo ocupante da cátedra número 5, também são conhecidos por defensores de causas, como o também indígena Daniel Munduruku e a historiadora Mary del Priore, considerada feminista. 

Quando se fala de Nobel e ABL, muitos também se lembram de Haruki Murakami, o japonês que há décadas aspiara por ser lembrado pela Academia Sueca, e Conceição Evaristo, a linguista e ativista da causa negra, muito lembrada pelos movimentos antirracistas. Os dois não foram considerados neste ano. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Nobel da paz para ativistas contra Rússia

A ditadura russa aumentou seu isolamento no Ocidente após a premiação do preso político de Belarus Ales Bialatski, a organização ucraniana Centro para Liberdades Civis e o grupo russo oposicionista Memorial. 

Bialatski foi preso pelo regime de seu país, por acusações de evasão fiscal, mas na verdade para silenciá-lo após participar de manifestações de oposição. O Centro para Liberdades Civis foi criado em 2007 inicialmente para denunciar abusos contra os direitos humanos dentro da própria Ucrânia, mas depois tornou-se um dos meios de resistência contra a invasão russa. O Memorial já existia desde 1987, na era Gorbatchev, contra os abusos cometidos pelo governo soviético, e, a partir de 1991, passou a vigiar as atividades dos governos russos. 

Por coincidência, o dirigente russo Vladimir Putin fez 70 anos no mesmo dia da premiação, e não demonstrou nenhuma reação, mas ele está preocupado com os insucessos das tropas russas dentro do território ucraniano. Os territórios conquistados não foram pacificados após os referendos contestados internacionalmente, e o plano de ocupação rápida está se tornando um indesejável conflito prolongado. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Sina no Nobel está vindo um folclore

Há anos, o escritor japonês Haruki Murakami, um dos mais lidos do Japão, é cotado para receber o Nobel de Literatura, mas outra vez ele foi preterido. Desta vez, quem ganhou foi um nome relativamente desconhecido, Abdulrazak Gurnah, da Tanzânia. 

Radicado no Reino Unido, Gurnah escreveu sobre os efeitos da colonização europeia sobre os africanos, sobretudo os da África Oriental, em obras como Memory of Departure. 

Abdulrazak Gurnah, nascido em 1948, se tornou o segundo africano a ganhar o Nobel de literatura, depois do nigeriano Wole Solinka, em 1986

Murakami é bem mais conhecido fora de seu país, e um de seus livros, 1Q84 (propositalmente o título lembra 1984, de George Orwell), tornou-se um best-seller. Ele parece engrossar uma lista de injustiçados, como Lev Tolstoi, James Joyce e, mais recentemente, Philip Roth e Milan Kundera. No caso de Roth, ele morreu em 2018, esnobado pela Academia, e Kundera está em 91 anos. Murakami ainda é relativamente jovem (nasceu em 1949), mas suas indicações seguidas já o fazem motivo de piada. Talvez ele possa vencer em 2022, caso não haja a descoberta de outro escritor talentoso mas sem repercussão fora de seu país de origem ou de um restrito círculo de críticos. 


N. do A.: Houve alguns brasileiros que chegaram perto de um Nobel de literatura, como os poetas Coelho Neto (1864-1934) e Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), e o escritor Jorge Amado (1912-2001), mas agora a chance de alguém destes trópicos vencer é nula. Haruki Murakami vencer um Nobel já seria algo impactante, mas um Paulo Coelho conseguir o prêmio já pareceria um sinal do Armagedom. E pensar que nós tínhamos um Machado de Assis ou um Guimarães Rosa!

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Nobel de Química para os criadores das baterias de lítio

Esta semana há as premiações do Prêmio Nobel, e um deles, o de Química, foi concedido hoje, para o trio de pesquisadores responsável pelo desenvolvimento das baterias de lítio, velhas conhecidas dos usuários de smartphones. 

O primeiro a analisar as propriedades do metal lítio como armazenador de energia foi o americano Stanley Wittingham, na década de 1970, durante a crise do petróleo. Primeiro, ele desenvolveu uma bateria com lítio metálico como ânodo (polo negativo, que sofre oxidação), tendo como cátodo (polo positivo) o dissulfeto de titânio. Obteve certo sucesso, mas logo notando o pouco potencial do elemento em seu estado elementar, muito instável quimicamente, isto é, sujeito a explosões. 

John B. Goodenough retomou as pesquisas e empregou o óxido de lítio, fornecedor de íons, desenvolvendo um protótipo em 1980 com os dois polos feitos com o material, permitindo a troca mútua de cargas e a possibilidade de recarga por fonte de energia externa; ele estava com 58 anos na época, logo recebeu o Nobel, agora, com 97 anos, tornando-se o ganhador mais idoso da História.

Mais tarde, em 1985, o japonês Akira Yoshino empregou coque de petróleo no ânodo, material capaz de armazenar íons de lítio, tornando a bateria mais durável.

Nos dias anteriores, foram concedidos pela Academia Sueca os prêmios de Medicina (segunda), pelas pesquisas sobre afinidade das células pelo oxigênio e a adaptação dos organismos a diferentes concentrações desse gás, e os de Física (terça), pelo estudo sobre o Universo após o Big bang e as técnicas para a descoberta de exoplanetas.

Amanhã, é a vez de descobrir quem ganha o Nobel de literatura. Sexta-feira, o prêmio mais esperado - o da Paz. O prêmio especial de Economia ficará para a próxima segunda. 


N. do A.: No Brasil, país com a "proeza" de não ter Nobel algum, há interesse maior no pré-sal e na repercussão da rixa entre o presidente Jair Bolsonaro e seu próprio partido, o PSL, do que nos prêmios da Academia.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Americanos levam Nobel de Medicina e Física

Ontem, os pesquisadores Jeffrey Connor Hall e Michael Rosbach, ambos da Universidade Brandeis, e Michael W. Young, da Universidade Rockefeller, ganharam o Prêmio Nobel de Medicina por estudarem genes ligados ao relógio biológico, para alertar o organismo sobre horários adequados para dormir e acordar. Eles estudaram cromossomos de moscas-de-fruta, conhecidas por suas grandes dimensões em comparação com os humanos.

Também americanos, um pesquisador do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets, um dos melhores centros de tecnologia do mundo), Rainer Weiss, e dois do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Barry Barish e Kip Thorne, receberam o Nobel de Física deste ano por comprovarem a existência de ondas gravitacionais. Eles integram o Ligo (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory), associado ao MIT e construíram um interferômetro a laser, para medirem perturbações relacionadas às ondas gravitacionais. O projeto Ligo envolve dois observatórios que trabalham em sincronia, um Livingston, na Lousiania, e outro em Richland, Washington, separados por um túnel por onde passam dois feixes de laser, um em sentido contrário ao outro, para gerarem as perturbações. Em 2016, a colisão de dois buracos negros a 1,2 bilhão de anos-luz da Terra gerou ondas gravitacionais medidas pelo Ligo. 

Enquanto isso, os nossos pesquisadores ainda não se encontram em condições de ganhar um prêmio Nobel. Brasileiros já receberam, por outro lado, três prêmios IgNobel (o anti-Nobel), por pesquisas consideradas bizarras. A primeira, por comprovar o poder destrutivo dos tatus em sítios arqueológicos (ler AQUI) e as outras foram ganhas neste ano (ler AQUI). E viva o Brasil!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Bob Dylan, o Nobel de Literatura

Para quem achou que o Nobel não podia inovar, eis a prova em contrário: Bob Dylan, o compositor norte-americano, famoso nos anos 1960 e 1970 na época da chamada "contracultura", ganhou a láurea. 

Consideraram as letras de suas músicas como obras de arte para a língua inglesa, devido ao seu lirismo poético. Cazuza e Renato Russo, no Brasil, fizeram algo semelhante, mas sem tanto rigor no trato com o idioma (no caso dos dois músicos, o português). 

Eis algumas provas de sua qualidade como poeta, embora ele não tenha publicado livro nenhum: clique AQUI. 

No Youtube também há muito material com os trabalhos do cantor nascido em Minnesota. Eis uma das canções, chamada de Homem de paz, lançado em 1983, quando Dylan mostrava uma certa amargura ao ver seus ideais pacifistas em choque com um mundo repleto de boas intenções que mascaram a maldade; ele também demostra suas convicções religiosas neste poema cantado: 


Man of peace

Look out your window, baby, there's a scene you'd like to catch,
The band is playing "Dixie," a man got his hand outstretched.
Could be the Fuhrer
Could be the local priest.
You know sometimes
Satan comes as a man of peace.

He got a sweet gift of gab, he got a harmonious tongue,
He knows every song of love that ever has been sung.
Good intentions can be evil,
Both hands can be full of grease.
You know that sometimes Satan comes as a man of peace.

Well, first he's in the background, then he's in the front,
Both eyes are looking like they're on a rabbit hunt.
Nobody can see through him,
No, not even the Chief of Police.
You know that sometimes Satan comes as a man of peace.

Well, he catch you when you're hoping for a glimpse of the sun,
Catch you when your troubles feel like they weigh a ton.
He could be standing next to you,
The person that you'd notice least.
I hear that sometimes Satan comes as a man of peace.

Well, he can be fascinating, he can be dull,
He can ride down Niagara Falls in the barrels of your skull.
I can smell something cooking,
I can tell there's going to be a feast.
You know that sometimes Satan comes as a man of peace.

He's a great humanitarian, he's a great philanthropist,
He knows just where to touch you, honey, and how you like to be kissed.
He'll put both his arms around you,
You can feel the tender touch of the beast.
You know that sometimes Satan comes as a man of peace.

Well, the howling wolf will howl tonight, the king snake will crawl,
Trees that've stood for a thousand years suddenly will fall.
Wanna get married? Do it now,
Tomorrow all activity will cease.
You know that sometimes Satan comes as a man of peace.

Somewhere Mama's weeping for her blue-eyed boy,
She's holding them little white shoes and that little broken toy
And he's following a star,
The same one them three men followed from the East.
I hear that sometimes Satan comes as a man of peace.


Outra canção, mais digna de seu talento, foi feita no auge, em 1965. É a famosa Like a Rolling Stone, gravada por vários outros cantores, como Jimmy Hendrix e os imortais Rolling Stones: 


Once upon a time you dressed so fine
You threw the bums a dime in your prime, didn't you?
People'd call, say,
"Beware doll, you're bound to fall"
You thought they were all kiddin' you
You used to laugh about
Everybody that was hangin' out
Now you don't talk so loud
Now you don't seem so proud
About having to be scrounging for your next meal.

How does it feel
How does it feel
To be without a home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You've gone to the finest school all right, Miss Lonely
But you know you only used to get juiced in it
And nobody has ever taught you how to live on the street
And now you find out you're gonna have to get used to it
You said you'd never compromise
With the mystery tramp, but now you realize
He's not selling any alibis
As you stare into the vacuum of his eyes
And ask him do you want to make a deal?

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

You never turned around
to see the frowns on the jugglers and the clowns
When they all did tricks for you
You never understood that it ain't no good
You shouldn't let other people
get your kicks for you
You used to ride on the chrome horse
with your diplomat
Who carried on his shoulder a Siamese cat
Ain't it hard when you discover that
He really wasn't where it's at
After he took from you everything he could steal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

Princess on the steeple and all the pretty people
They're drinkin', thinkin' that they got it made
Exchanging all kinds of precious gifts and things
But you'd better lift your diamond ring,
you'd better pawn it babe
You used to be so amused
At Napoleon in rags
and the language that he used
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you got nothing to lose
You're invisible now,
you got no secrets to conceal.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?


Os mais conservadores podem até se escandalizar com a decisão do júri em Estocolmo, chegando até a sugerir que a Academia deveria levar o IgNobel em 2017, não só por premiar cantores de folk music e obscuros escritores de idiomas que ninguém lê, mas por não premiar James Joyce, Lev Tolstói, Jorge Luís Borges ou Júlio Cortázar, entre vários outros escritores. Por outro lado, boa parte da imprensa aprovou, e os fãs do compositor apreciaram muito.

Talvez seja este o motivo do Nobel de Literatura ter demorado tanto, uma semana depois do cronograma: o choque e a surpresa causados pela escolha. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Nobel da polêmica

A premiação com o Nobel sempre gera polêmicas, mas o da Paz é sempre o maior causador de discussões. 

Hoje, o presidente Juan Manuel Santos suplantou os "capacetes brancos", favoritos para ganhar o prêmio por socorrerem as vítimas da guerra na Síria e outros conflitos, por comandar o processo de paz com as FARC, a narcoguerrilha causadora de milhares de mortes, juntamente com seus inimigos, os paramilitares, também financiados com o dinheiro ilegal vindo do tráfico de drogas.

Esta não foi a primeira vez que o Nobel da paz causou celeuma. Já foram premiados o secretário-geral da ONU Dag Hammarskjold (postumamente), em 1961; Henry Kissinger, secretário de Estado norte-americano, e o líder do Vietnã do Norte Le Duc Tho em plena Guerra do Vietnã, em 1973; o presidente sul-africano Frederick De Klerk, último líder do regime segregacionista, junto com Nelson Mandela (este não teve o prêmio contestado), em 1993; o líder palestino Yasser Arafat e os israelenses Yitzhak Rabin e Shimon Perez, em 1994; o vice-presidente americano e advogado da teoria do aquecimento global Al Gore, em 2007; o presidente americano Barack Obama, em 2009; o Quarteto para o Diálogo Nacional da Tunísia, no ano passado (por terem iniciado a Primavera Árabe, que depôs muitos regimes tirânicos como o da Líbia e do Egito, mas involuntariamente favoreceu movimentos radicais como o Daesh). 

A guerra civil na Colômbia durou 52 anos, desde o agravamento dos conflitos entre conservadores, liberais e socialistas. Os extremistas pegaram em armas e formaram as FARC e o Exército de Libertação Nacional. Após muitos anos de resistência desorganizada, conservadores formaram grupos paramilitares, contribuindo para aumentar o clima de terror, a pretexto de lutarem contra a narcoguerrilha. Foram inúteis os esforços para pacificar a Colômbia, até o enfraquecimento progressivo dos grupos e de seus financiadores, os grandes cartéis (Medellin e Cali foram os mais conhecidos). As FARC foram responsáveis por vários sequestros, de civis inocentes e políticos que não seguiam sua ideologia, como a então senadora Ingrid Betancourt, que passou seis anos nas mãos dos extremistas, até ser resgatada. O governo colombiano aproveitou a perda do poder das guerrilhas para ganhar o controle do país, de início com a política dura de Álvaro Uribe, responsável, entre outros atos, pelo resgate de Betancourt (2008), e depois com negociações, sob Juan Manuel Santos. 

Uribe e Santos ficaram em posições opostas. O primeiro era partidário do não, chefiando aqueles que desejavam punições para os guerrilheiros, considerados terroristas por muitos países, mas não pelo Brasil. O segundo, ex-partidário de Uribe, quis obter os frutos políticos do sim para fazer seu sucessor (pois já foi reeleito) e fazer as pazes com a opinião pública internacional, que não apreciava os atos do antecessor.

A maioria dos colombianos ficou aliviada pelo fato das FARC deixarem as armas, mas muitos deles queriam punição, e não anistia e possibilidade de guerrilheiros serem políticos. Eles, como Santos, desejam a paz e o fim dos confrontos, mas achavam que as concessões foram exageradas. Não gostaram da mediação de Raul Castro, de Cuba (embora ele não seja o único, pois o outro mediador foi o diplomata de carreira Dag Nylander, em nome do governo norueguês). E vêem com sérias ressalvas a atuação do representante da guerrilha e também seu líder, Timoleón Jiménez, o Timochenko, ainda mais porque ele não saiu da lista da Interpol, por ser ainda considerado um terrorista, e ter se convertido num partidário da paz somente em 2012, após ser um leal seguidor do antigo chefe, Manuel Marulanda, o Tirofijo, considerado um atirador frio, sanguinário e comunista radical.

Santos, à esquerda, foi um dos lados do acordo para a paz na Colômbia, junto com "Timochenko", à direita (AFP)

Por fim, em um plebiscito com alta abstenção (mais de 60%), as opiniões se dividiram e o não ganhou por uma margem muito pequena. O agora Nobel da paz sofreu uma derrota inesperada, mas não pretende desistir do acordo, que entrou num impasse. Continuar o processo de paz - que é absolutamente necessário - exigirá toda a habilidade política do presidente colombiano, e ele, ao mesmo tempo, não pode desprezar as opiniões divergentes, que sentiram a violência das FARC e de todos os agentes da antiga guerra civil no país sul-americano. Pelo menos o prêmio, hoje, lhe garantiu uma vitória, ao menos momentânea, sobre os seus críticos. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O polêmico Nobel da Paz

Muitos, sobretudo no mundo árabe mais ocidentalizado, comemoram a premiação de ativistas tunisianos com o Nobel da Paz, o prêmio mais esperado da Academia Sueca. Foi na Tunísia o estopim da chamada "primavera árabe", que derrubou tiranias na Ásia e na África, com os efeitos colaterais sérios que vou comentar a seguir. 

Outros acham um equívoco não premiar, por exemplo, o papa Francisco, considerado o mais cotado para ter recebido o prêmio, devido ás suas viagens e sua atuação no progressivo reestabelecimento das relações bilaterais entre Estados Unidos e Cuba. Afinal, a "primavera árabe" teve várias consequências negativas, como o fugaz regime democrático no Egito (a eleição do radical Mohammed Morsi), que foi derrubado por um golpe militar e gerou uma nova tirania no país banhado pelo rio Nilo, e o enfraquecimento de um outro regime despótico, o da Síria, para dar espaço ao Estado Islâmico, a maior ameaça à humanidade atualmente. 

Enfim, para muitos, parece ser a vitória do "Ignobelistão" sobre a Academia. 
 
Porém, espera-se que um dia o mundo árabe realmente conheça, de verdade, os benefícios dos regimes democráticos. Tudo indica que o processo terá de levar bastante tempo e precisar de muita habilidade e vontade políticas, pois há interesses econômicos das potências (e dos líderes do mundo árabe) em jogo e os povos locais ainda não estão habituados a viver sem opressão.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Ainda o Nobel e o Ignobelistão

Continuam as premiações do Nobel. Ontem premiaram os estudos sobre como o DNA é capaz de se regenerar, graças ao sueco Thomas Lindahl, o americano Paul Modrich e o turco Aziz Sancar. Hoje, a bielorrussa Svetlana Alexeievich ganhou o Nobel de Literatura, por seus trabalhos sobre o colapso do comunismo e a história recente dos países que se tornaram independentes com o fim da União Soviética. Ela é crítica ferrenha do governo russo, visto como uma tirania. 

A Rússia também faz parte do Ignobelistão, por ser uma nação decadente, corrupta e com a economia frágil, apesar do poderio militar. Continuam a atacar a Síria enquanto o Estado Islâmico e a autocracia local permanecem como as causas do êxodo de milhares de pessoas. Fazem isso, aliás, de maneira intempestiva, ameaçando seriamente as relações diplomáticas com a Turquia, que acusa Moscou de invadir deliberadamente seu espaço aéreo, e também atingindo acidentalmente território iraniano. O Irã apoia Assad e, principalmente, a milícia xiita Hizbollah, vista como grupo terrorista e considerado pouco digno de confiança pelo ditador sírio, apesar de sua colaboração no combate ao Estado Islâmico e na dominação do Líbano. 

Como os dois países citados no parágrafo anterior, um certo país continua digno de estar na imensa terra dos ignóbeis. Dilma não consegue engolir a derrota sofrida pela batalha no TCU e praticamente quer comandar os parlamentares de sua base no Congresso, para evitar o impeachment. Este processo corre o risco de não ocorrer, porque um de seus maiores defensores não consegue se livrar das acusações de ter contas secretas na Suíça. Enquanto isso, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, está com a cabeça a prêmio em decorrência de sua atuação desastrosa para tentar atacar o Tribunal de Contas e seu relator, Augusto Nardes, fazendo o jogo do Planalto, em relação ao qual tinha a obrigação de agir com mais independência. 

Ignóbil de verdade foi o futebol de uma certa Seleção vestida de amarelo, derrotada pelo Chile por 2 a 0; a ausência de Neymar não justifica a inépcia dos comandados de Dunga. Pode-se argumentar que a Argentina também passou vergonha e perdeu do Equador (e, pior, foi no Monumental de Nuñez), mas aquele jogo foi encarado como acidente, uma zebra. A derrota canarinha foi quase encarada como algo esperado. Começar as Eliminatórias com o pé esquerdo é um forte indício de que algo inédito irá ocorrer: a ausência dos representantes da CBF numa Copa do Mundo.

Isto é, caso houver uma Copa em 2018, pois a crise está terrível na Fifa (também integrante do Ignobelistão, diga-se), obrigando a entidade a suspender por três meses as atividades de Joseph Blatter, de seu virtual desafeto - e também acusado de corrupção - Michel Platini e do ex-secretário geral Jérome Valcke. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Nobel e o imenso Ignobelistão

Continuam as premiações do Nobel enquanto o mundo enlouquece.

Hoje, foi a premiação dos físicos cujo trabalho é o estudo dos neutrinos, partículas subatômicas sem carga extremamente abundantes no Universo. Os contemplados são o japonês Takaaki Kajita e o canadense Arthur McDonald, respectivamente da Universidade de Tóquio e da Queen's University. Essas partículas mudam de estado durante sua trajetória entre os locais de emissão e os de recepção. Tais propriedades são incompatíveis com partículas consideradas sem massa.

Enquanto isso, no Ignobelistão, isto é, boa parte do mundo, continuam os conflitos.

A animosidade entre israelenses e palestinos continua, enquanto os russos bombardeiam a Síria - e seus alvos são, na maior parte, locais onde estão rebeldes contra Assad, longe do território ocupado pelos terroristas do Estado Islâmico. Para piorar, as forças armadas russas são acusadas de invadir espaço aéreo turco, provocando grande irritação em Ancara. O presidente Rayyip Erdogan chamou o embaixador em Moscou para consultas.

Continuam as investidas do Boko Haram para instalar um califado na África, ao estilo dos seus aliados do Estado Islâmico. Na América Latina, os governos ditos "bolivarianos" continuam oprimindo seus países com falsas promessas de melhorar a vida dos pobres, enquanto mergulham as economias no marasmo e perseguem a oposição. 

Este nosso país também faz parte do Ignobelistão, com os teimosos esforços do PT de se manter no poder, enquanto o maior colaborador para o impeachment é acusado de desvios de dinheiro e ter contas na Suíça. Esta luta pelo poder ganhou um novo round, com o TSE decidindo abrir processo para cassar o mandato de Dilma e também de Temer, devido às denúncias de suposto "estelionato eleitoral". De fato, a campanha de 2014 foi uma das mais sórdidas de nossa história recente. Nosso país ainda vai demorar muito para deixar de ser uma terra dominada pelos ignóbeis, e, repito, só esforços cabais pela melhoria da educação no Brasil vão nos salvar. Esses esforços podem produzir, quem sabe, futuros agraciados com o Nobel. Há vida, há esperança...

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ainda sobre os Nobel

Hoje terminou a premiação dos prêmios mais famosos vindos da Escandinávia, com a entrega do Prêmio Especial de Economia (não idealizado por Alfred Nobel, pois começou a ser oferecido em 1969, e também não entregue em Estocolmo, mas em Oslo, na Noruega) ao francês Jean Tirole, pelo seu estudo sobre a dinâmica das grandes corporações, sua influência sobre os mercados e a sua tendência a se tornarem ineficientes, caso não houver um planejamento complexo. 

O Nobel de literatura foi para outro francês, Patrick Modiano, pelo conjunto da obra que reúne os traumas sofridos pela ocupação nazista em seu país. Os franceses já ganharam muitos prêmios, como Anatole France, André Gide, Albert Camus, Jean-Paul Sartre. Quem recebeu o primeiro Nobel de literatura foi Sully Proudhomme. 

Por fim, o considerado mais nobre de todos os Nobel foi entregue a uma jovem paquistanesa, vítima da violência talibã: Malala Yousafzai, de apenas 17 anos. Ela foi impedida de estudar pelos terroristas radicais, e ainda levou um tiro na cabeça. Conseguiu sobreviver para mostrar a terrível situação das meninas em seu país. É a pessoa mais jovem a ganhar um Nobel. Ganhou juntamente com o professor indiano Kailach Satyarthi, ativista na luta contra a exploração do trabalho infantil. Os dois representam duas nações inimigas entre si - Paquistão e Índia - e representam os esforços para uma humanidade mais justa. 

No Brasil, a repercussão de todos esses prêmios foi, como sempre, morna. Continuamos mais preocupados com a Seleção Brasileira, que venceu a Argentina por 2 a 0 no "Superclássico das Américas". Falou-se muito no Diego Tardelli e nas falhas de Neymar e Messi, mas pouco sobre a possibilidade do nosso país vir a produzir talentos dignos de ganhar um Nobel, a longo prazo. Por enquanto, não temos a capacidade nem de gerar craques no futebol. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Estão premiando os Nobel em Estocolmo, mas por aqui...

Até agora foram distribuídos três Prêmios Nobel: 

- Medicina, para o americano John O'Keefe e o casal de noruegueses May-Britt e Edvard Moser, responsáveis pelos estudos sobre a capacidade do cérebro de indicar rotas, como se houvesse um GPS na memória; 

- Física: para o trio de japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura e a fabricação das lâmpadas de LED, mais eficientes do que qualquer outro tipo de lâmpada; 

- Química: para William Moemer, Eric Betzig e Stefan Hell, pela técnica de fluorescência para microscópios capazes de detectar moléculas e possibilitar a observação de interações químicas em células. 

Ainda restam as categorias Paz e Literatura, assim como o prêmio especial para as Ciências Econômicas. 

Por falar em Ciências Econômicas, o Brasil, que jamais ganhou um Nobel em sua história, merecia o anti-Nobel (igNobel) de Economia pelos índices econômicos mostrados neste ano:

1. A inflação saiu de controle e ultrapassou o topo da meta: 6,75% nos últimos 12 meses. 
2. O FMI reviu o crescimento do PIB brasileiro para míseros 0,3% em 2014. 
3. A Bovespa entrou em pânico quando Dilma cresceu nas pesquisas, passou a subir bastante após as eleições, mas está voltando a cair devido às notícias vindas do Fed, que deve diminuir os estímulos à economia norte-americana. 
4. Há tendências ao aumento no desemprego. 
5. O impacto da crise hídrica nas contas de água e luz poderá ser bastante significativo. Pode haver um grande aumento nas tarifas principalmente devido ao uso de termoelétricas, cujo custo operacional é bem mais elevado do que o das hidrelétricas. 
6. Em setembro, houve um déficit comercial de US$ 939 milhões, ou seja, importamos mais do que exportamos, e isso é péssimo. Ficamos dependentes de matérias-primas como milho, soja, minério de ferro e carne bovina, e esses itens tiveram forte redução: 16,1% para a carne e 38,9% para o milho, por exemplo, em relação ao mesmo mês em 2013. 

Não há como aprovar um governo que mostra tais números. O próximo governo deve se esforçar para melhorá-los, ou todos nós, brasileiros, estaremos condenados. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

As premiações do Prêmio Nobel seguem em curso


A medalha do Prêmio Nobel de Química, ganha por Linus Pauling (divulgada pelo blog da Duke University)

Continuam as premiações do Prêmio Nobel, o mais famoso e importante para a ciência e o conhecimento humano. 

Segunda, dia do Nobel de medicina ou fisiologia, foram premiados James E. Rothman, de Yale; Randy W. Schekman, de Berkeley; e Thomas C. Sudhof, alemão, de Stanford. Os três pesquisaram o mecanismo de transportes de moléculas dentro das células. 

Terça, como era esperado, ganharam o Nobel de física os descobridores do bóson de Higgs, Peter Higgs, britânico da Universidade de Edinburgh, e François Englert, professor emérito da Universidade de Bruxelas. O bóson é conhecido pela mídia como "partícula de Deus". Na verdade, era a última partícula subatômica constituinte do Universo a ser descoberta.

Quarta, pelo trabalho computacional envolvendo vários fenônemos da bioquímica e da química orgânica, como a fotossíntese, foram laureados o austríaco Martin Kaplus, de Harvard, o sul-africano Michael Levitt, da universidade de Stanford, e o israelense Ariel Warshe, da universidade do Sul da Califórnia. 

Quinta, a escritora canadense Alice Munro ganhou o Nobel de Literatura pelo conjunto da obra; ela é conhecida pelos contos em anos recentes, como Fugitiva (2006). 

Amanhã, será a vez do outrora mais esperado Nobel de todos, o da Paz, que já causou polêmicas demais com a premiação de gente como Henry Kissinger (secretário de Estado norte-americano durante a Guerra do Vietnã), Yasser Arafat (líder palestino considerado para muitos como terrorista), Yitzhak Rabin (presidente de Israel premiado juntamente com Arafat, em 1994) e o atual presidente Barack Obama, e entidades, para muitos, fadadas ao fracasso como a União Européia e a ONU (presidida na época da premiação, 2001, por Kofi Annan).

Por último, há o prêmio especial de Economia, criado bem depois dos demais, em 1969, e pago à custa do governo sueco. Pelo menos dinheiro obtido do imposto pago pelos suecos é decentemente empregado, apesar da contravérsia acerca deste prêmio não idealizado por Nobel. A economia, ao lado da paz, é sempre um ítem crítico para a humanidade, já calejada em crises econômicas e guerras.

Todos ganharam, além da medalha correspondente à sua área de atuação, 8 milhões de coroas suecas, ou pouco mais de 900 mil euros. O prêmio já foi maior: 10 milhões, mas a situação econômica forçou a redução do valor. Quando a premiação iniciou, em 1901, pagava-se 140 mil coroas suecas pelo prêmio, sujeitas anualmente a correções principalmente devido à inflação. Ou seja, uma coroa sueca, em 1901, valia muito mais do que atualmente.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Nobel da Paz à União Européia

Muitos estranharam a premiação do Nobel da Paz, no último dia 12. Até os líderes europeus parecem surpreendidos. A Europa está numa crise terrível, o euro pernamece ameaçado, há risco de distúrbios nos países integrantes, principalmente o mais combalido deles - a Grécia - e ela está envolvida, sim, numa guerra, travada não com armas de fogo, mas com cifras: a guerra cambial, que afeta negativamente a nossa economia ainda muito dependente da exportação de commodities como soja e álcool. 

Talvez a justificativa seja a ausência de candidatos dignos de receber o prêmio mais famoso de todos os concedidos pela Fundação Alfred Nobel. 

De qualquer forma, é algo estranho, digno de figurar em outra lista: a do IgNobel da Paz, em 2013. O prêmio satírico aconteceu antes, e premia os trabalhos mais bizarros e estapafúrdios do mundo (o deste ano laureou, entre outros, estudos sobre a atividade cerebral de salmões mortos). Premiar a Europa com o Nobel da Paz não está longe de merecer ser lembrado por sua versão paródica, ainda mais com o histórico milenar de guerras sangrentas.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Prêmios Nobel

Em 2009, já foram concedidos todos os prêmios Nobel, com exceção do de Economia.
  
Como costuma ocorrer, premiou os cientistas de países que levam a sério a educação (não é o caso de um certo país onde houve a fraude numa prova que avalia a capacidade dos alunos do segundo grau, e cuja melhor universidade deixou de ser considerada entre as 200 melhores do mundo).

O prêmio de Física, dois americanos e um chinês. O de Medicina foi faturado por três americanos. O de Química foi ganho por um indiano (mas radicado na Inglaterra), um americano e uma israelense.

O prêmio Nobel da paz, que dá mais chances a outros países, foi ganho por nada menos do que o homem mais poderoso do mundo, Barack Obama, que reverteu a política belicista e aberrante do antecessor, ao sepultar o projeto do escudo anti-mísseis. E olha que o homem nem retirou suas tropas do Iraque nem do Afeganistão, nem desativou (ainda) a famigerada prisão de Guantanamo.

Muita gente achava que um brasileiro (leia-se: Lula) ia ganhar o Nobel da Paz. Por causa do quê? As grandes cidades e até as pequenas estão ainda em clima de guerra contra a criminalidade. Os ladrões, além de roubarem e matarem, ainda usam de métodos de tortura (como bater e ameaçar bebês na frente dos seus pais), um crime hediondo. Por falar em tortura, muitos policiais ainda adoram usá-la. Ganhar o Prêmio Nobel por quê?

Ainda tem o Prêmio Nobel de economia, que vai certamente ser de um profissional sério, de um país sério.

Mas o Brasil ainda pode ganhar um prêmio famoso, sim. É o IgNobel. E temos boas chances de ganhar pelo menos mais um. E não foi a primeira vez, já que um pesquisador da USP recebeu esse prêmio por uma pesquisa acusando inocentes tatus de destruírem sítios arqueológicos. Tem gente se dedicando a coisas ainda mais estranhas neste país.