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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Bruno Covas terá nova chance

Bruno Covas (ao centro) foi reeleito com promessa de moderação política; ele foi apoiado pelo seu mentor político, João Dória, que quer a Presidência em 2022 (Fábio Tito/G1)

Vice-prefeito na chapa de João Dória, vitoriosa em 2016, Bruno Covas, neto do falecido líder político Mário Covas, ficou com a vaga quando o titular praticamente abandonou a prefeitura para disputar e vencer a eleição para governador. Durante os pouco mais de dois anos de governo efetivo, ele apareceu nos noticiários mais por causa da saúde, abalada por um câncer, que por outros motivos. Nada de grandes realizações, mas também sem grandes escândalos, até a chegada da pandemia, quando ele, Dória, o presidente Jair Bolsonaro e os outros governantes mostraram-se incapazes de contê-la. Quem contribuiu para a implantação de um super-feriado, em maio, verdadeiro fiasco por não conter o coronavírus, além de ser motivo de piada até hoje?

Agora, reeleito, Covas terá nova chance de deixar um legado para a cidade. Ele precisará ter saúde para cumprir seus compromissos de campanha, como zerar o déficit para as creches, reforçar a segurança pública, criar áreas com atividades 24 horas (isso existe em Londres) e implantar um sistema de transporte público nas represas da Zona Sul, usando barcos (algo inacreditável até ficar pronto). 

O vice, vereador Ricardo Nunes (MDB), gera preocupação por seu perfil um tanto misterioso e pelas acusações de corrupção, improbidade administrativa, tráfico de influência e agressão contra a mulher. Por enquanto, Nunes não é réu em nenhum processo, mas será ele quem governará na ausência de Covas.

Ainda há outros problemas, como o subsídio a ser pago para as empresas de transporte manterem o sistema de ônibus, verdadeira dor de cabeça para o paulistano tanto pelo custo quanto pela qualidade abaixo da crítica, embora já tenha sido ainda pior. Sem falar no trânsito, na criminalidade e na famigerada "Cracolândia". 

Bruno Covas irá encarar estes e outros problemas, após disputar o cargo por Guilherme Boulos, que teve desempenho relativamente robusto, principalmente na periferia, onde há maior déficit habitacional. Boulos é o líder do MTST e precisou moderar seu discurso e até seu tom de voz para conseguir votos na cidade. Saiu mais forte da campanha, com fôlego para 2022, quando certamente irá disputar novamente a Presidência. 

Em outras cidades importantes, o prefeito carioca Marcelo Crivella perdeu a eleição para Eduardo Paes, numa das eleições mais difamadas pela inteligentsia do Rio de Janeiro. Manuela d'Avila, ex-candidata a vice na chapa de Fernando Haddad para a presidência da República em 2018, perdeu a disputa para Sebastião Melo. O filho de Eduardo Campos, finado ex-candidato à Presidência em 2014, Jorge Campos, venceu no Recife. No interior, destaque para a prefeita eleita de Bauru, Suellen Rosim, jovem negra e conservadora. 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Covas e Boulos no Roda Viva (continuação)

Confesso que não foi uma medida muito brilhante comentar o programa do Roda Viva com os candidatos à prefeitura de São Paulo, em meio a outros assuntos mais comentados, como a repercussão do ataque covarde de seguranças contra o João Alberto (a vítima da agressão brutal no Carrefour) ou o faniquito de uma advogada ofendendo funcionários e clientes, negros e homossexuais, de uma padaria na Pompéia, zona oeste de São Paulo. Ou ainda a inépcia e ausência de senso de planejamento por parte de nossos governantes, ou seja, do Presidente e dos governadores, em deixarem de usar milhões de testes para a COVID-19 próximos da data de validade.

Vamos lá: o programa não foi dos melhores. O Roda Viva fez uma espécie de debate onde cada um dos candidatos foi entrevistado, mas de forma separada, sem o confronto direto, como fez, por exemplo, a CNN na segunda-feira anterior. No final, tudo ficou bem raso, sem propostas notáveis, e o eleitor ainda vai precisar se preparar para algumas, ou várias, surpresas desagradáveis após a eleição, seja lá qual for o vencedor. 

O programa Roda Viva, da TV Cultura, teve a participação dos dois candidatos à prefeitura de São Paulo (TV Cultura/Divulgação)

Houve alguns estocadas da apresentadora, Vera Magalhães, em alguns pontos sensíveis, como o vice de Covas, vereador Ricardo Nunes (MDB), contra o qual há algumas acusações de improbidade administrativa e agressão à mulher; e também disse que o programa de governo de Boulos era "utópico"., 

No primeiro ponto, o prefeito candidato à reeleição acusa a imprensa de fazer perseguição e até citou supostos benefícios feitos pelo candidato a vice em Parelheiros, sua principal área de atuação. Por outro lado, No segundo, Guilherme Boulos pareceu usar a vice, ex-prefeita Luiza Erundina, como "muleta", para compensar a sua inexperiência administrativa. Ele também tentou dar alguma sustentação de suas poucas propostas na realidade, mas sempre há a questão de como ele irá implantar cada item, dependente do Orçamento da cidade. Ele também disse respeitar os contratos da Prefeitura com as empresas para afastar a imagem de radical.

Houve a preocupação com a COVID-19, tanto na emissora estatal do governo paulista quanto na filial da americana, mas isso não impediu a CNN de ter feito um debate em geral mais interessante, com os dois candidatos se enfrentando e apresentando mais dados a respeito de questões como população de rua, vagas em creches e empregos perdidos, embora eles, como boa parte dos políticos, tivessem a tendência de distorcer os números, por distração, imprecisão ou má-fé. 


segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Covas e Boulos no Roda Viva

Hoje, o programa Roda Viva entrevistou os dois candidatos à prefeitura de São Paulo, Bruno Covas e Guilherme Boulos.

Não é usual mostrar dois entrevistados neste programa, ainda mais dois candidatos a um cargo político. Normalmente, só um é chamado e o outro deve esperar o programa seguinte. É a primeira vez que isso acontece no formato "pandemia", onde os jornalistas e o entrevistado minimizam o contato devido ao risco de contaminação. No formato convencional, com a bancada cercando o entrevistado como uma roda, isso era raro, mas houve casos excepcionais onde os entrevistados ficaram juntos, como no caso dos filósofos Luiz Felipe Pondé e Leandro Karnal (por duas vezes, em 2016 e 2019, e neste último ano sentaram-se junto com Mário Sérgio Cortella), e, em 2015, com Hélio Bicudo (já falecido) e Janaína Paschoal.

O programa já foi melhor em épocas passadas, quando tinha mais repercussão, apesar de seus índices de audiência sempre serem baixos, mas pelo formato pouco convencional do programa de hoje, vale comentar. 

Próxima postagem, irei opinar sobre os dois candidatos e alguns pormenores da entrevista. Não assisti ao Roda Viva agora, mas eles disponibilizam na Internet. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Vo(l)taremos no dia 29...

A população precisou cumprir o seu dever (e seu direito) cívico de votar em meio à pior pandemia deste século. E, em muitas cidades, vai fazer a mesma coisa daqui a menos de duas semanas. 

Em São Paulo, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), vai disputar o segundo turno, ao ficar com 32,9%. Não será com Celso Russomanno (Republicanos), mais uma vez mal-sucedido em uma eleição, após os fracassos de 2012 e 2016, quando ele liderava as pesquisas e acabou ficando de fora do segundo turno. Desta vez ele tinha o apoio do presidente Jair Bolsonaro, mas só o apoio de nomes poderosos nunca foi garantia de sucesso. Russomanno teve 10,5% dos votos válidos.

Também não será com o ex-governador Márcio França (PSB), vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014 e ocupante da cadeira no Palácio dos Bandeirantes quando o titular foi se aventurar na candidatura à presidente e se deu muito mal. França disputou a reeleição com João Dória (PSDB) e perdeu. Neste ano, ficou em terceiro, na frente de Russomanno, com 13,6%. 

Arthur do Val (Patriotas) surpreendeu e abocanhou 9,8% dos votos válidos, graças à sua postura agressiva e popularidade nas redes sociais. Ficou à frente do petista Jilmar Tatto, este com 8,7%. Tatto é mais um exemplo do fiasco petista nestas eleições. 

Quem acabou indo para o segundo turno é um político ainda mais aguerrido na chamada "esquerda", o psolista Guilherme Boulos. Ex-candidato à presidência, ele faturou 20,2% dos votos. Apesar desse número ser bem expressivo, e até surpreendente numa cidade avessa a radicalismos, é bem menos do que a porcentagem altíssima de abstenções: 29,3%. 

Bruno Covas e Guilherme Boulos ainda vão disputar a prefeitura paulistana (montagem/Estadão)
 

O fenômeno Boulos despertou a atenção de muita gente, principalmente os radicais no outro espectro da ideologia política, que desconfiam de fraudes generalizadas.

O TSE sofreu um ataque hacker e, segundo o presidente da entidade, ministro do STF Luís Roberto Barroso, não foi isso a causa da paralisação na divulgação dos votos. Segundo ele, foi uma sobrecarga no computador principal, responsável pela soma dos votos. Nem todos engoliram a história, e não falta quem acuse o sistema político de ter feito uma trama para prejudicar os candidatos (principalmente os bolsonaristas) e favorecer a "velha política". 

Enquanto não apurarem os problemas, restará à população de muitas cidades se preparar para voltar às urnas no dia 29 deste mês. E não apenas São Paulo, entre as grandes cidades. No Rio, o atual prefeito Marcelo Crivella (PRB) vai disputar com o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), do mesmo clã cujo membro mais poderoso foi o ex-governador, já falecido, Miguel Arraes, vão disputar a prefeitura do Recife. Em Fortaleza, continuam no páreo Sarto Nogueira (PDT) e Capitão Wagner (PROS). Na capital gaúcha, Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) enfrentará a ex-candidata à vice-presidente na chapa de Boulos, Manuela d'Avila (PCdoB). Já em outras grandes cidades, entre outros nomes, Alexandre Kalil (PSD/Belo Horizonte), Bruno Reis (DEM/Salvador) e Rafael Greca (DEM/Curitiba) foram reeleitos. 

Já entre os vereadores, foram muitos os nomes já consagrados, como Eduardo Suplicy (PT), Mílton Leite (DEM), Fernando Holiday (Patriotas) e Roberto Trípoli (PV). Poucas celebridades, porém, conquistaram vagas, como o radialista Eli Correia (DEM), Felipe Becari (PSD) e Thammy Gretchen (PL).

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Voltemos às eleições em São Paulo

Por aqui, o assunto é menos comentado do que a morte de uma ciclista e ativista social, por atropelamento, numa avenida de São Paulo, mas tem relação com os próximos quatro anos de existência da nossa cidade. 

A campanha eleitoral em São Paulo está chegando ao fim, e ainda há dúvidas sobre o que será feito da cidade até 2024, seja qual for o eleito. Se o nível de desinteresse, até apatia, é com os candidatos à prefeitura, imaginem com os postulantes às vagas para a Câmara Municipal. 

Destaques maiores ficaram para a Justiça proibir a divulgação das pesquisas feitas pelo Datafolha, a pedido de Celso Russomanno, e o jornal Folha de S. Paulo não tardou em apodar essa decisão de "censura", e um debate promovido pelo maior rival da Folha, o Estadão, em conjunto com a Faap, com os candidatos a ocuparem o prédio junto ao viaduto do Chá. 

Infelizmente, não houve a repercussão esperada. Celso Russomanno (Republicanos) falou em implantar o "vale-creche" para tentar fazer a sua popularidade voltar aos níveis de antes, quando liderava as pesquisas. Márcio França (PSB) e Jilmar Tatto (PT) focaram nos transportes, e Guilherme Boulos (PSOL), na moradia, lembrando de seu passado como líder do movimento sem-teto. Bruno Covas (PSDB), o atual prefeito, aproveitou para questionar os outros candidatos, e o mesmo fez o combativo Arthur do Val (Patriotas), o "Mamãe Falei", com mais agressividade.

(Faap/Youtube)


N. do A.: Muito exploradas foram as falas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes. Bolsonaro, mostrando ser aquele mesmo deputado que defendia a porrada para filhos não virarem gays e o fuzilamento da "petralhada" e de outros políticos (inclusive Fernando Henrique Cardoso, quando ele era presidente), falou para o Brasil "deixar de ser um país de maricas" diante da pandemia. Entre outras fanfarronices, ele também falou sobre "pólvora" ao criticar supostos planos do presidente americano eleito, Joe Biden, sobre a Amazônia, e cantou vitória sobre o governador paulista João Dória porque a Anvisa mandou suspender os testes com a polêmica CoronaVac no Butantan, porque um dos voluntários morreu (por suicídio, e não pela "vacina chinesa"). Paulo Guedes, por sua vez, alertou sobre o perigo da hiperinflação, caso o Brasil não administrar a dívida pública de forma responsável e não levar adiante algumas privatizações.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Candidatos a vereador

Ano sim, ano não, aparecem alguns candidatos com nomes bizarros ou curiosos para tornar as eleições mais divertidas. Neste ano mais horroroso do que bater na própria mãe, há motivos para soltar gargalhadas ao invés de urros furiosos: 





















Será que alguém aí vai conseguir uma vaguinha para vereador?

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Começa amanhã o horário eleitoral!

Nesta eleição afetada pela pandemia, a propaganda eleitoral na televisão vai começar apenas agora, quando em tempos normais ela recomeçaria para os candidatos à prefeitura no segundo turno, após as eleições que seriam no domingo passado, dia 4. 

Bruno Covas, atual prefeito, terá o maior tempo, com 3 minutos e 29 segundos, graças à coligação Todos por São Paulo, formada por PSDB, PP, MDB, Podemos, PL e DEM. O ex-governador Márcio França terá 1 minuto e 36 segundos, pois seu grupo é menos representativo, formado por PSB, PDT, Avante e Solidarieade. Celso Russomanno, o líder das pesquisas, terá apenas 51 segundos, pois é apoiado apenas pelo partido dele, o Republicanos. Os demais têm tempos ainda menores. 

O tempo total de cada inserção na TV aberta é de 10 minutos, entre 13h e 13h10 e 20h30 e 20h40. Nas rádios, será entre 7h e 7h10 e 12h e 12h10. É pouco, o que pode representar um alívio para a maioria, mas deixa um horário bem limitado para conhecer melhor os candidatos a vereador, e isso é ruim, pois eles irão formar as Câmaras Municipais, responsáveis pelos projetos de lei para os municípios. Por aqui, há o costume de ver as câmaras como inúteis, quando não como súcias de parasitas. 

Até o dia 12 de novembro, a propaganda irá ao ar, e as chances de aumentar o estímulo dos eleitores para irem às urnas são bem pequenas, como a possibilidade de algum escritor brasileiro ganhar algum Nobel de literatura, que neste ano foi para a relativamente pouco conhecida poetisa Louise Gluck, dos Estados Unidos. 


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Começou a campanha!

Periodicamente, este blog vai abordar as eleições mais estranhas da história do Brasil, marcadas por uma série de restrições, que esperamos serem temporárias. Nada de aglomerações, nem cumprimento de candidatos aos eleitores. O calendário eleitoral também está totalmente modificado, e as datas para votar são em novembro. Não muda a obrigatoriedade de voto, e isso é lamentável, mas faz parte das regras do jogo. 

Não anima nem um pouco ter uma porção de candidatos à prefeitura, aparentemente não à altura da enorme responsabilidade de governar a maior cidade do país. Este não é um feudo, como alguns políticos teimam em tratar as cidades menores. 

O atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), está disputando, mas há dúvidas se a saúde deteriorada pelo câncer irá resistir a mais um mandato. Ele está em segundo na pesquisa Datafolha, com 20%, atrás do candidato do Republicanos, Celso Russomanno, com 29%. 

Russomanno tem a seu favor o apelo popular e está atrelado ao presidente Jair Bolsonaro, que também está em alta nas pesquisas, inclusive a Datafolha, devido ao auxílio emergencial contra a COVID-19 e às constantes viagens para inauguração de obras. Os adversários já estão fazendo ataques a ele, mas não há garantias de sucesso, como nas outras vezes. Agora acusam a filha e o genro dele de explorarem pirâmides financeiras. Russomanno perdeu várias eleições após estar em primeiro nas pesquisas. 

 

Bruno Covas tenta a reeleição e tem o apoio do governador João Dória, mas vai enfrentar o favorito Celso Russomanno (Divulgação/Revista Exame)

Guilherme Boulos (PSOL) está em terceiro no Datafolha, com 9%, e promete seguir o caminho de atacar os outros candidatos. Ele falou dos 50 tons de Temer em 2018 e decerto vai acusar seus oponentes de serem mais ou menos bolsonaristas, ao mesmo tempo que vai tentar falar dos problemas da cidade com o seu estilo combativo, e explorar o eleitorado anti-Bolsonaro.

O ex-governador Márcio França (PSB) está logo atrás, com 8%, e seu eleitorado é "progressista", embora em 2018, na campanha para a reeleição, França tivesse apoio de alguns políticos "conservadores", como o Major Olímpio (PSL). 

Arthur do Val, o "Mamãe Falei" (Patriota), é conhecido por sua militância no MBL e seu combate contra a "esquerda" e, também, contra os bolsonaristas e olavistas, considerados "seitas"; "Mamãe Falei" tem somente 2% das intenções de voto e é conhecido apenas pelos simpatizantes do MBL. 

Jilmar Tatto (PT) tem também apenas 2% e reflete o desprestígio dos petistas na capital paulista, principalmente nos últimos anos, quando o partido foi associado ao Petrolão e à roubalheira sistematizada. Ele tem o desafio de apagar essa imagem ruim, mas será difícil. 

Andrea Matarazzo (PSD) também conta com uma porcentagem relativamente baixa nas intenções de voto, mas deve atrair o eleitorado considerado de "centro", que não suporta a ideia de ver Russomanno ou Boulos na prefeitura. O PSD faz parte do "centrão", o bloco de partidos que antes apoiava o governo Lula e agora está com Bolsonaro. 

Vera Lúcia (PSTU) é mais uma candidata que abraça o socialismo; ela é a mulher com mais intenções de votos (2%) e certamente vai abordar a questão do racismo, por ser negra, e tentará atacar o capitalismo de forma mais dogmática do que Boulos. 

Joice Hasselmann (PSL) só tem 1% das intenções de votos e, como Arthur do Val, quer explorar o nicho dos conservadores que não confiam no presidente Jair Bolsonaro, e apoiam a Lava Jato. Curiosamente, o filho "03" do presidente, Eduardo Bolsonaro, ainda está no PSL. 

Levy Fidelix (PRTB) está se candidatando de novo e não vai falar do "aerotrem", como no passado, mas quer crescer nas pesquisas como defensor do conservadorismo e das privatizações. 

Filipe Sabará (Novo) consta na pesquisa do Datafolha, mas está suspenso pelo próprio partido, por motivo ainda incerto. Sabará, recentemente, elogiou o ex-governador e ex-deputado Paulo Maluf, malvisto pela cúpula do partido. 

Marina Helou (Rede) é outra candidata para disputar o voto "progressista", mas praticamente ninguém a conhece. Isso pode mudar durante a campanha. 

Por outro lado, o ex-ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff, Orlando Silva (PCdoB), também está na briga, mas enfrenta rejeição dos poucos que o conhecem, devido às acusações de corrupção - apesar de não haver investigação em curso - e à má fama dos partidos-satélites do PT na cidade.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Quem sabe os nomes dos pré-candidatos à prefeitura?

Por causa do coronavírus, as eleições municipais foram seriamente afetadas. 

No último dia primeiro, o Congresso aprovou uma PEC que adiou os pleitos para 15 e 29 de novembro. As convenções partidárias ficaram adiadas para o fim de agosto. Registros de candidaturas serão aceitos até o dia 26 de setembro. 

Eventos que geram aglomerações, como comícios, foram proibidos. Isso pode dificultar a ação dos candidatos, sobretudo aqueles mais chegados às práticas populistas, muito em voga no nosso século. 

Enquanto isso, quase ninguém sabe quem pretende concorrer à Prefeitura de São Paulo. Celso Russomanno (Republicanos) é um deles, assim como o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), e o psolista Guilherme Boulos. O ex-vice-governador Márcio França (PSB) também concorre, junto com Arthur do Val, o "Mamãe Falei" (Patriota), Joice Hasselmann (PSL) e Jilmar Tatto (PT).

Celso Russomanno, Guilherme Boulos, Arthur do Val e Joice Hasselmann, da esquerda para a direita, querem disputar a prefeitura de São Paulo, ocupada por Bruno Covas (Reprodução)

Além da COVID-19, outro fator de desinteresse do povo é o descrédito pela política - ainda infestada de motivos para a execração graças às denúncias de roubalheira contra NOSSO DINHEIRO, como as feitas contra o senador José Serra e o empresário Júnior, da empresa Qualicorp, acusada de pagar propina ao "tucano" durante a campanha eleitoral de 2014.


N. do A.: O presidente Jair Bolsonaro, ainda parasitado pelo coronavírus, fez uma live onde lamenta o isolamento e diz temer pelo Brasil, aludindo ao risco de aumentar a pobreza e a busca por soluções simples para problemas complexos, como o socialismo. Ele teria ainda desobedecido novamente às normas sanitárias ao passear de moto sem máscaras em Brasília.