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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Corremos perigo disso ocorrer aqui?

Em vários países da Europa, principalmente na França, na Itália, na Espanha e na pequena Albânia, grupos inteiros estão se sublevando e promovendo saques, vandalismo, destruição e morte, sob o pretexto de apoio a estudantes, pobres e imigrantes vindos da Ásia e da África, principalmente islâmicos. Portugal também está enfrentando o mesmo problema, mas ainda não chega ao extremo da França, que já prendeu milhares e está correndo o risco de adotar uma lei marcial. 

Há rumores da influência radical islâmica, anti-Israel, e também de elementos pró-Rússia, ou defensores de ideias trotskistas, anarquistas ou um misto dessas ideologias, o anarcocomunismo (grupos "antifascistas" e outros são acusados de serem dessa forma por nacionalistas e apoiadores de Donald Trump). Ou defensores da já decadente ideologia woke, ridicularizada e vista como uma espécie de "esquerda Nutella" (a "esquerda raiz" defende mais abertamente Karl Marx); os wokes estão perdendo terreno rapidamente para a "direita" e para a dura realidade. 

Por aqui, o ambiente é, infelizmente, favorável. O Brasil é um país onde a maior parte da população está na ignorância, vivendo precariamente, e muitos estão influenciados pela polarização política. Apoiadores de Lula já pressentem a derrota iminente, e opositores estão cansados da corrupção, dos impostos, do abuso de poder, da insegurança, péssimos serviços públicos, etc., etc. 

Um resultado nas urnas convincente neste segundo turno irá acalmar um pouco os ânimos, mas quem confia no TSE? E quem garante que não haverá protestos violentos, daqueles capazes do 8/1 parecer um incidente quase normal? 

Estejamos preparados para um mundo diferente do que estamos querendo construir. Haverá choro e ranger de dentes. Poderemos repetir longos períodos de levantes e agitações, como costuma ocorrer sempre no planeta em tempos de crise. Ou ver algo nunca visto antes, geralmente uma coisa pior ou mais dramática. Quem tiver preparo psicológico e/ou discernimento nestes meses que virão estará em vantagem. 

A França é o país mais atingido pela onda de manifestações violentas (Carl Court/Getty Images)


domingo, 18 de outubro de 2026

A mega-manifestação na Paulista e o debate na Band

Este domingo foi marcado por uma das maiores manifestações na Paulista desde 2024. Com 71 mil pessoas (estimativa da USP), podendo ser muito mais, Flávio Bolsonaro foi a São Paulo e pediu apoio. 

Apesar do grande número de pessoas, não houve os atos de vandalismo no metrô na última manifestação, esta a favor do governo Lula e contando com número bem menor de pessoas, apesar de terem ocupado um número maior de quarteirões (7 contra 6). Isso porque o ato pró-Lula foi menos concentrado, com base numa foto publicada no próprio jornal Folha de S. Paulo, muito lido por eleitores do próprio presidente: 

Comparação entre as manifestações pró-Lula (esq.) e pró-Flávio (dir.) divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo (Divulgação/Folha de S. Paulo)

Houve quem so apontasse os aspectos negativos da manifestação deste último domingo, como o jornal O Globo, visto como inimigo da família Bolsonaro: ele se concentrou em alguns desequilibrados mentais que tiveram a coragem de desfilar com uma imagem simulando um míssil, pedindo para Trump jogar um míssil nuclear no Brasil. Isto realmente é uma cena asquerosa, se ela realmente aconteceu: ninguém poderia ter deixado esse descalabro acontecer. Fora essa bizarrice, tudo transcorreu sem o tumulto da semana passada. Flávio Bolsonaro, que aparentemente não se pronunciou sobre aqueles apalermados, prometeu colocar o Brasil no Escudo das Américas, um mecanismo que impede tais agressões aos países integrantes, e serve para combater a ação do crime organizado no Hemisfério Ocidental. 

Mais tarde, o candidato da oposição foi até o debacle, aliás, o debate na Band, marcado por discussões, bate-boca e uma série de regras confusas que afugentou o eleitor indeciso. Lula, visivelmente nervoso, e Flávio, aparentemente mais calmo, falaram para quem já se decidiu. No primeiro bloco, eles trocaram agressões e acusações, no espaço dedicado a perguntas de um candidato para o outro responder. Foi uma verborragia de vários minutos, que deve despertar risos ou vergonha alheia de quem assistiu, envolvendo Daniel Vorcaro, Roberta Luchsinger e milícias. No segundo, responderam às perguntas dos jornalistas. Este bloco não dissipou o clima de circo de horrores. Quem, a não ser quem passou os últimos anos no País das Maravilhas (o de Alice, não o Brasil de certas propagandas oficiais) ou em Nárnia, esperaria propostas viáveis para o país?


N. do A.: Roberta Luchsinger deu uma entrevista na CNN e rebateu Lula, que disse "não conhecer" a lobista amiga de Lulinha, acusado de vários crimes, como ter participado de desvios de verbas na Previdência e tráfico de influência. No passado, ela fez campanha a favor do atual presidente, e agora, mostrando sua decepção com o tratamento dado por ele, chamou-o de "canalha" e anunciou uma delação premiada. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Mais um recado

Manifestantes aproveitaram a data cívica da Independência do Brasil para pedirem o impeachment de Alexandre de Moraes e disseram "não" para a continuidade do governo Lula. 

Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Renan Santos puxaram o coro dos descontentes em São Paulo. O primeiro, candidato do PL, compareceu à grande manifestação na Avenida Paulista, onde dezenas de milhares reuniram-se. O segundo, representante do Novo, também esteve lá, mas não se juntou ao grupo em torno do rival no mesmo espectro político (ambos representam a "direita"). Renan Santos, do Missão, foi ao Ibirapuera, longe da Paulista, para mostrar sua distância do bolsonarismo. Como os outros, ele exigiu o impeachment de Moraes. 

Manifestantes voltaram a encher a Avenida Paulista (Divulgação)

Os números, como sempre, divergem fortemente. A USP teria contado 28 mil pessoas, com margem de erro de 12%, um número significativamente maior do que o avaliado na última grande manifestação na Paulista, porém os apoiadores de Flávio Bolsonaro discordam, falando em números bem maiores. 

Novamente, Silas Malafaia teria organizado o protesto, chamando Alexandre de Moraes de "ditador", ao lado de nomes como Nikolas Ferreira, Alfredo Gaspar, o governador paulista Tarcísio de Freitas, entre outros. Flávio Bolsonaro evitou, como era esperado, comentar sobre as acusações de ter procurado Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark House, apontando-o como um desestabilizador da República, ao lado de Moraes e Lula. Eles também disseram apoiar a iniciativa de André Mendonça, considerado o único ministro confiável do STF, na condução das investigações envolvendo os colegas (também Dias Toffoli é suspeito de se envolver com o Master). 

Mais cedo, o presidente Lula esteve no desfile cívico em Brasília juntamente com Edson Fachin, do STF, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente, em evento esvaziado. Eles falavam em "soberania", acusando opositores de quererem uma intervenção americana nas eleições, mas não comentando as causas do descontentamento de muitos brasileiros contra os Três Poderes. Alexandre de Moraes e André Mendonça não comparecerem ao evento. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A marcha de Nikolas

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) reuniu uma multidão que foi aumentando conforme elesse dirigiam a Brasília, partindo da cidade mineira de Paracatu, numa longa marcha, chamada de "Caminhada pela Liberdade", exigindo anistia aos presos políticos e revogação da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Nikolas Ferreira, com uma bandeira enrolada sobre a camiseta, liderou a Caminhada pela Liberdade e reuniu milhares de pessoas (Instagram/conta pessoal)

Após alguns percalços, inclusive um raio que atingiu centenas de participantes e causou internações em vários deles, o grupo se dirigiu à Brasília, fazendo protestos na Praça do Cruzeiro, sob chuva. 

Milhares encheram Brasília exigindo melhor tratamento para os manifestantes presos no 8/1 (Alice Weichmann/Gazeta do Povo)

Enquanto isso, setores do governo e boa parte da imprensa destacaram o acidente e os riscos da empreitada, e isso não passou despercebido nas redes sociais, que mantiveram viva a chama da polarização política. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Manifestações a favor do governo e do STF também mobilizaram

A insatisfação contra as arbitrariedades do STF e as decisões do governo alimentaram as manifestações da oposição, reunindo um número expressivo de pessoas. 

Sem algo de positivo para oferecer, as forças da situação ganharam uma boa oportunidade para voltarem a ter relevância, com a aprovação da chamada "PEC da Blindagem", também conhecida como "PEC da Impunidade", mesmo por veículos conservadores como o jornal Gazeta do Povo, por dificultar muito a prisão de parlamentares acusados de crimes, como o uso do plenário e o voto secreto para decidir se o acusado deve ser indiciado pela Justiça, mesmo em casos de flagrante. Esta era uma resposta dos deputados às constantes ingerências do STF no Legislativo, muitas vezes tomando o lugar dele para julgar novas leis. Mas a forma deixou muita gente insatisfeita, até mesmo dentro do Senado, que promete barrar a proposta. 

Usando-se de artistas e formadores de opinião, os situacionistas usaram esta pauta para mostrar a insatisfação das pessoas com os rumos da política. Aproveitaram para colocar outra pauta, essa menos consensual: a rejeição da anistia para os presos do 8/1. 

Manifestantes, desta vez da "esquerda", ocuparam a Av. Paulista (CNN Brasil)

Embora haja fortes indícios de que não superaram a última manifestação oposicionista promovida no dia da Independência, a USP contabilizou cerca de 41 mil pessoas. Muitos questionam a Universidade por seus vínculos com os "progressistas" e anti-bolsonaristas, mas a PEC da Blindagem acabou sendo uma péssima ideia. 

Várias outras cidades tiveram protestos, mas nenhum deles foi relevante como em Salvador, onde Daniela Mercury e Wagner Moura, além de outros artistas, lideraram os protestos. A capital baiana é conhecida por ter muitos adeptos do petismo. 

Salvador também se tornou palco de manifestantes contra a famigerada PEC (Lorena Andrade/Brasil de Fato)

Os protestos parecem ter surtido efeito, e os deputados falam em revisar o texto, para se concentrarem nos chamados "crimes de opinião", algo praticamente criado pela atual situação político-juridíca para perseguir gente (congressista ou não) que ousa discordar das decisões do Supremo de forma mais conduntente. 

Isto mostra a importância da população agir de forma mais proativa em tudo envolvendo os Três Poderes, em teoria os servidores do povo, mas na prática, em muitos casos, servindo-se dele impiedosamente. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Novamente, os protestos

O dia 7 de Setembro foi marcado pelas manifestações de centenas de milhares de pessoas, em vários locais como Brasília e Rio de Janeiro. Novamente, São Paulo e a Avenida Paulista voltaram a ter repercussão, com ao menos 40 mil pessoas pressionando pela anistia aos presos do 8/1 - e a Jair Bolsonaro, cujo processo judicial é considerado irregular e crivado de erros, principalmente ao permitir que Alexandre de Moraes assuma seus vários papeis no caso. 

Muitos integrantes do governo, vendo que foram fracas e sem repercussão as poucas manifestações situacionistas, visando defender pautas como a taxação dos milionários e o fim da jornada 6x1, passaram a ironizar elementos dos protestos oposicionistas, como a presença de uma grande bandeira americana, usada para dar mais visibilidade nos Estados Unidos, onde está Eduardo Bolsonaro, pois boa parte dos manifestantes defende as medidas de Donald Trump. 

Alguns extrapolam, pedindo intervenção estrangeira, dando mais pretexto para quem está no poder em Brasília apontar as manifestações como contrárias ao Brasil. 

Na Paulista, com a manifestação comandada novamente pelo pastor Silas Malafaia, alvo da Polícia Federal por supostos contatos diretos com Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, o governador, voltou a aparecer e foi defender quem ele havia servido como ministro da Infra-Estrutura, mesmo sendo cotado a assumir a candidatura caso não haja condições de reverter a situação política do ex-presidente. Michelle Bolsonaro chorou e foi um destaques nas críticas ao STF. Ela também havia participado de forma indireta, com um áudio atacando a "tirania" do Judiciário, nos protestos do Rio, onde o destaque foi o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-capitão, que cobrou seus colegas pela anistia e pelo impeachment de Moraes. Em Florianópolis, Carlos Bolsonaro também chorou e apoiou os manifestantes. Eduardo Bolsonaro mandou videos para apoiadores em Curitiba e Porto Alegre. 

A Paulista voltou a ser tomada por manifestantes no dia da Pátria; USP contabilizou cerca de 41 mil pessoas, mas bolsonaristas defendem um número bem maior (Divulgação/Whatsapp)


Enquanto isso, nem os ministros do Supremo compareceram à cerimônia oficial do Dia da Pátria em Brasília. O evento esteve esvaziado, com poucas pessoas e repercussão na mídia não muito maior, mesmo com o apoio dos grandes veículos de imprensa ao governo e ao Judiciário. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

O povo ainda mostra sua insatisfação

As repercussões do tarifaço ainda não parecem ter influenciado muito as atitudes do governo e, principalmente, dos ministros do STF, estes últimos ainda se comportando como os éforos da antiga Esparta, mas em uma escala ainda mais autocrática por não conseguirem os mandatos pelo voto (aberto, naquela época, e ainda mais manipulável que as urnas eletrônicas de agora) e nem terem seus cargos limitados a um ano, como naquele regime oligárquico. E serem onze no lugar de cinco. 

Pelo menos, alimentaram a indignação de muitos, principalmente os já insatisfeitos com a administração petista praticamente sustentada pelo Judiciário, e com ainda tênue limitação pelo Legislativo, com pouca força para lembar aos outros dois Poderes sobre a harmonia e a independência apregoadas pela Constituição. 

Os manifestantes tentaram novamente mostrar a sua indignação. Na Paulista, reuniram-se dezenas de milhares de pessoas. A USP contabilizou "apenas" 37 mil, mas já é praticamente o triplo de pessoas presentes no movimento anterior. Segundo o site Poder360, criticado por ser "isentão" pelos críticos, o numero foi bem maior: 57 mil. E isso sem a presença física do clã Bolsonaro. Novamente, Silas Malafaia foi o líder e organizador, com a presença de políticos como o presidente do PL Valdemar Costa Neto e o prefeito Ricardo Nunes, mais o deputado Nikolas Ferreira, entre outros. 

Imagem aérea mostra a Paulista tomada por apoiadores de Jair Bolsonaro e/ou críticos do atual governo (Divulgação)

Em outras cidades, como Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Belém, também houve protestos, em números suficientes para um governo sério começar a tomar medidas, dentro das regras democráticas. 

Mais do que dar apoio ao ex-presidente e aos atos de Eduardo Bolsonaro, considerado ainda um agente valioso da luta contra a extrapolação de poderes de Alexandre de Moraes, mostra a voz dos descontentes. E eles não são poucos. Não será tão fácil para o governo nas eleições de 2026, mesmo se Bolsonaro for impedido de concorrer. Por ora, está impedido até de sair de casa, por conta da decisão de Moraes impondo-lhe prisão domiciliar por ter se reunido com apoiadores via redes sociais. Se depender da vontade dos manifestantes, e também do parecer da Justiça, o ex-capitão e os presos pelos acontecimentos do 8/1 serão anistiados, possibilitando um embate muito esperado nas urnas. Com direito a novos questionamentos sobre os resultados delas, caso o modelo de votação continuar sendo as tais "caixas da discórdia". 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Manifestantes começam a aparecer na Praça dos Três Poderes

A insatisfação com o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal continua, mesmo com a percepção de que Donald Trump radicalizou ao ameaçar taxar os produtos brasileiros em 50%. Aliás, fala-se em até 100%. 

Para muitos, a culpa recai sobre as decisões monocráticas e arbitrárias tomadas por Alexandre de Moraes e outros membros do STF, considerados demasiado coniventes ou mesmo cúmplices, mesmo os três não atingidos pela retaliação americana: André Mendonça, Kassio Marques e Luiz Fux. Essas decisões acabam beneficiando o governo, desejoso de se livrar da oposição mais radical, apodada de "extrema direita", um termo empregado para qualquer um não disposto a conversar com o governo, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou não. 

Algumas centenas de manifestantes já aparecem na Praça dos Três Poderes, preparando-se para a grande manifestação do dia 3 de agosto. 

Faixas penduradas em protesto contra Lula e Moraes (Divulgação/X)


segunda-feira, 30 de junho de 2025

Manifestação para inglês (e americano) ver

Novamente, milhares de pessoas foram para a Paulista, para mostrar o nível de descontentamento com o governo, acusado de ser o responsável pelos problemas econômicos pelos quais os brasileiros passam, além de favorecer os gritantes casos de roubalheira nos Correios e no INSS e, por fim, estar em conluio com o STF para calar a oposição. 

A USP fala em apenas 12 mil pessoas, mas mesmo assim é um número bem superior às manifestações promovidas a favor do governo. Não vale comparar com a parada LGBTQIA+ ocorrida no mesmo local na semana passada, avaliada em 50 mil pessoas pela mesma Universidade de S. Paulo, pois são eventos de natureza diversa. Mas vale comparar com as manifestações passadas, que reuniram bem mais gente. 

Jair Bolsonaro foi de novo o protagonista da manifestação, e novamente deu ares de campanha política visando 2026, deduzindo que o Brasil irá aguentar até lá e elegê-lo, ou eleger alguém escolhido por ele, como algum dos filhos mais atuantes (o 02 Carlos e o 03 Eduardo) ou a esposa Michelle. Bolsonaro sofre das sequelas do atentado de 2018, em Juiz de Fora, e não consegue se recuperar da facada, e isso . Ele acusou o governo de apoiar a Rússia contra a Ucrânia e os grupos terroristas contra Israel, além de destruir a economia e a liberdade, esta última em conjunto com o STF. Conclamou os participantes a garantirem 50% dos deputados e senadores no Congresso, elegendo gente ligada aos valores conservadores ou, ao menos, liberais, 

Desta vez, a ex-primeira dama não compareceu, e nem o Nikolas Ferreira, um dos mais ativos apoiadores, mas Tarcísio de Freitas, o governador, foi uma das vozes, vestindo a camisa azul da Seleção, como forma de dizer que é um "reserva" enquanto Bolsonaro é o "titular". Silas Malafaia foi o organizador do evento e mais uma vez usou a sua palavra para atacar o Supremo, e responsabilizá-lo pela morte de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, preso por envolvimento no 8/1, e cujo processo judicial é marcado por irregularidades. Ele morreu na prisão antes de haver uma sentença. 

Os manifestantes gritaram palavras como "assassinos" para se referirem aos membros do Supremo no caso Clezão, e, para não variar, "mito", dirigindo-se a Bolsonaro. 

Gustavo Gayer (PL-GO), contribuiu para tentar dar mais visibilidade ao ato no exterior, por se dirigir também aos brasileiros residentes fora do país e aos congressistas aliados de Donald Trump. Mas isso tem efeito limitado no caso desses últimos, pois eles só agirão quando os cidadãos e/ou os interesses dos Estados Unidos forem atacados diretamente, de acordo com a Lei Magnitsky contra estrangeiros. Gayer fez seu protesto fluentemente em inglês não-nativo (do canal AuriVerde Brasil, prestigiado pelos apoiadores do ex-presidente): 



N. do A.: Para os apoiadores de Bolsonaro, o ato repercute mais do que a eliminação do Botafogo e do Flamengo no Mundial. Este blog se referiu à boa campanha dos dois cariocas na fase de grupos, mas as oitavas-de-final chegaram. O Glorioso perdeu para o Palmeiras por 1 a 0, e o Flamengo sucumbiu ao Bayern de Munique, apesar de ter tentado jogar à altura do gigante alemão: 4 a 2. Enquanto isso, outro carioca, o Fluminense, logo o menos cotado dos quatro brasileiros, conseguiu passar pela Internazionale, vice-campeã da UEFA Champions League, fazendo 2 a 0 e fazendo inveja aos rivais. 


segunda-feira, 7 de abril de 2025

Manifestação pela anistia incomoda o governo

No Rio, a manifestação do último dia 16 não gerou reação entre o governo e a maior parte da imprensa, mas ontem a Paulista conseguiu mobilizar muito mais gente.

Com Michele Bolsonaro como destaque, lembrando do caso Débora dos Santos e fazendo o coro "Anistia Já", as dezenas, talvez centenas de milhares de pessoas mostraram seu descontentamento. Silas Malafaia cobrou Hugo Motta, presidente da Câmara, para fazer andar o projeto de anistia, e acusou os militares de covardia e omissão por não terem impedido os atos de vandalismo do 8/1, logo interpretados pelo Executivo e pelo Judiciário como "golpe".

Jair Bolsonaro também falou, para aumentar o clima de campanha pela sua candidatura em 2026, não crendo que ele fique de fato inelegível. Ele lembrou que Lula também estava irregular quando se candidatou, após o rumoroso processo de soltura.

Quanto ao tamanho da multidão, o Cebrap fala em 44 mil pessoas, número abaixo das manifestações anteriores, porém maior do que os alegados 18 mil no Rio, e também bem mais do que qualquer movimento promovido pelos apoiadores do governo. Também fez a pauta da anistia acelerar, de acordo com informações de veículos de comunicação oposicionistas, como a revista Oeste. Isso deixou o governo incomodado, tentando pensar em uma reação, embora os principais alvos, Lula e o STF, tentem mostrar tranquilidade, principalmente Alexandre de Moraes, que chegou a fazer um argumento ad hitlerum para defender a regulamentação das redes sociais. Para ele, se Goebbels tivesse acesso ao X, os nazistas "teriam conquistado o mundo". Já Lula e Haddad foram até Cajamar, na Grande São Paulo, para um evento do Mercado Livre. 

Ato pela anistia aos presos do 8/1 reuniu milhares na Paulista (Miguel Schincariol/AFP)


segunda-feira, 17 de março de 2025

Manifestação no Rio não teve a repercussão esperada

A manifestação pela anistia aos presos no 8/1 acusados de fomentarem um golpe de Estado em processos judiciais considerados irregulares, afetados pela atuação dos membros do STF nestes casos, reuniu um número bastante considerável de pessoas, bem mais do que os 18 mil registrados pela USP e não tanto quanto os 400 mil avaliados pela PM do Rio. 

Houve Jair Bolsonaro em tom de campanha falando de alguns presos, citando principalmente aquelas senhoras idosas condenadas a penas desproporcionais e comparáveis às sentenças de assassinos confessos. Houve Nikolas Ferreira, tentando se posicionar como um nome para o futuro da política. Houve Silas Malafaia listando as irregularidades processuais, em desacordo com a Constituição. Houve políticos de renome, como o governador do Rio, Cláudio Castro, e o de São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado uma alternativa para a Presidência em 2026. Mas o movimento teve repercussão restrita. 

Não houve pedidos por intervenção militar, apelos pela ação de Donald Trump ou coisa parecida. Mas também não houve aquelas manifeistações paralelas em outras cidades, o que contribuiu para o comportamento indiferente dos principais alvos do protesto, o Executivo e o Judiciário. 

Bolsonaro fala aos manifestantes pela anistia aos presos do 8/1, no Rio (Felix Averburg/Ato Press/Estadão)

Tanto eles quanto boa parte da mídia acham que Bolsonaro perdeu relevância e não irá evitar a condenação no STF, tornando-se inelegível e passível de prisão sob as acusações de alimentar desejos golpistas. Mas não pouca gente discorda, e continua a apoiar o ex-presidente. 

Copacabana ficou lotada, e não houve grandes incidentes (Divulgação/Youtube/canal do pt. Silas Malafaia)

A anistia está em pauta no Congresso para ela ser votada, e depois submetida à sanção presidencial (e Lula certamente não demostrará boa vontade em sancionar o projeto). Outras pautas desejadas pela oposição, como o impechment de Alexandre de Moraes ou de Lula, ficaram em segundo plano. 


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O novo recado da Paulista

Milhares de pessoas voltaram a encher a Avenida Paulista contra as atuações do ministro Alexandre de Moraes e também o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, por não autorizar um processo de impeachment contra ele. 

Novamente, Jair Bolsonaro apareceu, apesar dos problemas de saúde. Ele voltou ao clima de palanque, protestando contra a cassação de seus direitos políticos em um rumoroso e questionável processo, e chamou Moraes de ditador. 

Pablo Marçal também apareceu, mas não foi bem recebido pela organização do evento, mostrando divergências notáveis entre o ex-presidente e o seu aparente "discípulo", e sensação na corrida à Prefeitura paulistana. 

Os veículos de imprensa em geral trataram de destacar essas rusgas, e também divulgaram números mais baixos do que os registrados em fevereiro: o Poder360 fala em 58.000 pessoas e o Globo, apenas 45.000. Quem foi diz ter visto muito mais. 

Manifestantes encheram de novo a Av. Paulista no Dia da Independência (Poder360)

Estas manifestações irão continuar enquanto persistirem as práticas antirrepublicanas adotadas em Brasília. Isso se a situação política não degenerar numa verdadeira ditadura, algo não desejado por ninguém em sã consciência. 

segunda-feira, 22 de abril de 2024

Bolsonaro mostra força política de novo

Em Copacabana, o ex-presidente Jair Bolsonaro reuniu milhares de manifestantes (a USP fala em 33 mil, mas provavelmente houve muito mais). 

Falando à multidão, juntamente com seus apoiadores, como a mulher Michelle Bolsonaro, o deputado Nicolas Ferreira, o organizador da manifestação Silas Malafaia - o mesmo do grande evento na Paulista - e vários outros, Bolsonaro aproveitou para exaltar Elon Musk e sua plataforma X, visto como um veículo pela liberdade de expressão nas redes sociais. Ele também apontou o governo Lula como apoiador de ditaduras como a da Venezuela, e voltou a falar em anistia para os presos no 8/1, excluindo os diretamente envolvidos no vandalismo contra os Três Poderes. 

A maior aglomeração no Rio desde o Carnaval (Divulgação)

Ele também aproveitou para fazer campanha em prol de Alexandre Ramagem, candidato do PL à prefeitura do Rio e nome envolvido no rumoroso processo de demissão do seu ministro da Justiça, Sérgio Moro, em 2020, pois Bolsonaro o queria para chefiar a Polícia Federal. Moro pediu demissão, mas Ramagem, então diretor da Abin, não ocupou o cargo na PF. Tarcísio de Freitas, atual governador de São Paulo, foi também citado. 

Mais uma vez, a voz forte da manifestação foi a de Silas Malafaia, atacando diretamente Alexandre de Moraes e o governo Lula. Ele também exaltou Musk e defendeu nomes envolvidos em problemas com a Justiça, acusados de divulgarem "fake news", como Oswaldo Eustáquio e Alan dos Santos. 

Segundo os apoiadores, a força do bolsonarismo e as diatribes do bilionário contra o STF representam uma "redescoberta" do Brasil, aproveitando que estamos no data do descobrimento. 

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Breves do dia bissexto

 1. Israel vê sua imagem perante o mundo se deteriorar por uma carnificina ocorrida em uma fila de assistência humanitária formada por palestinos na cidade de Gaza. No ocorrido, 112 pessoas teriam morrido. Embora a maior parte das mortes tenha sido por pisoteamento durante a confusão, ao menos 16 pessoas foram mortas por tiros vindos das forças de ocupação israelenses, que fracassaram em conter o tumulto. 

2. O Fluminense superou o jogo de ida em Quito e venceu o segundo jogo da Recopa Sul-Americana por 2 a 0 no Maracanã contra a "algoz" LDU, gols de Jhon Arias, e segurou o resultado mesmo com dois a menos, pois John Kennedy e Diogo Barbosa foram expulsos no final da partida. Com o resultado, a "maldição" de nunca ter vencido o time equatoriano em competições internacionais virou mais uma daqueles histórias do folclore do esporte. 

O colombiano foi o herói de mais uma conquista internacional do Fluminense (Marcelo Gonçalves/Fluminense FC)

3. Continuam as investigações sobre as fugas no presídio de Mossoró e há indícios da participação do Comando Vermelho no acobertamento dos fugitivos. Também há acusações de negligência por parte da direção do complexo, como costuma ocorrer. 

4. O STF não se abalou com a fortíssima repercussão da grande manifestação feita no domingo e continua a apoiar as investigações contra a suposta tentativa de golpe planejada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. Mas as chances de prendê-lo, como querem setores do atual governo, estão mais remotas, devido à demonstração de força política e a aparente fragilidade das acusações, baseadas na minuta defendendo o emprego do estado de sítio. 

5. E a Globo? Não consegue emplacar o remake da novela Renascer, pálida versão do sucesso de 1993, e apesar da grande divulgação do BBB 24, considerado a mais interessante versão deste infame reality show em anos, a audiência na TV aberta é bem modesta, sendo maior no canal de streaming da marca, o Globoplay. Definitivamente, a era da TV aberta já se foi há muito tempo. 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Bolsonaro renova sua força na Paulista

Para surpresa de muitos, principalmente dos apoiadores do atual governo, a multidão reunida na Av. Paulista, ontem, reuniu-se aos milhares para demonstrar sua insatisfação com o status quo. 

Não faltou empenho do governo, em parceria com o Judiciário, para tentar intimidar a chamada "extrema direita", como são denominados os defensores do conservadorismo em geral, algo bem mais variado e abrangente do que os defensores do atual governo. 

Pois não houve nada de "extremismo" entre os milhares que ocuparam quase toda a avenida. Nada de apologia à violência e nem quebra-quebra. Apenas a defesa do estado de Israel, cujo governo foi atacado por Lula durante sua visita à África, e o mais próximo das ideias de "extrema direita" foi a crítica ao estado laico, garantido pelo artigo 5º da Constituição, feita pela ex-primeira dama Michele Bolsonaro, a dona do discurso mais emocionado, com forte teor religioso. Falou-se muito na defesa do "Estado Democrático de Direito" e da liberdade, algo historicamente vilipendiado pelos extremistas.Crianças e até cães foram levados para lá.  Segundo levantamento da USP, são 185 mil pessoas, mas se fala em muito mais, até dois milhões, uma estimativa para lá de otimista, pois a capacidade da avenida dificilmente iria conter uma multidão desse porte. 

Independente dos números, esta é só uma amostra dos milhões de eleitores de Bolsonaro em 2022, na mais contravertida eleição da Nova República. Por falar nisso, um dos motes era a defesa do voto impresso, algo não votado a tempo no Congresso para o pleito em questão. 

Bolsonaro foi ouvido por uma gigantesca multidão insatisfeita com os rumos do Brasil (Divulgação)

Discursaram apoiadores, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) - o mais votado em 2022 - , o também deputado Gustavo Gayer (PL-GO), o senador Magno Malta (PL-ES), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a já citada Michele Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia, principal organizador do evento. Este foi o responsável pelos ataques mais duros contra o governo, comparando o vandalismo do 8/1 com aqueles promovidos pelo MST. 

Jair Bolsonaro foi o último a discursar e adotou um tom mais moderado, mas falou em anistia para os presos a mando da PF e do STF devido aos acontecimentos do mesmo 8/1, e desmentiu categoricamente ter sido um apoiador de um plano golpista, explicando que os documentos apreendidos pela Polícia Federal falavam no uso de estado de sítio, um mecanismo previsto pela Constituição, e tal plano não foi colocado em prática. 

Essa fala não foi exatamente ao gosto dos mais exaltados, mas mostrou a força política do ex-presidente. E mais uma vez exerceu-se o direito de protestar. Centenas de milhares fizeram isso. 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

E a (nova) greve?

 A terceira greve do ano no Metrô e na CPTM, e na Sabesp, está recebendo ainda mais repúdio da população por seu caráter político, visando somente os interesses dos próprios trabalhadores do setor. 

Quem precisou trabalhar enfrentou um trânsito pior, ainda mais com a chuva forte que castigou a cidade. Há a promessa de normalização dos serviços nesta quarta, sinal de fracasso nesta nova tentativa de paralisar São Paulo. 

Usuários desamparados diante de estações fechadas (Amanda Perobelli/Reuters)

Ademais, a greve só aumentou o esforço do governo em dar sequência à privatização da Sabesp, além das concessões das linhas férreas ainda sob controle direto das entidades estatais. 

Esta paralisação absurda só aumentou os transtornos e está favorecendo politicamente os atuais prefeito e governador, e certamente isso terá consequências bastante sérias não só em 2024, mas em 2026. O prefeito Ricardo Nunes e o governador Tarcísio de Freitas podem não ser os nomes mais adequados para a administração, mas certamente são muito melhores do que qualquer um a ser apoiado pelos grevistas. 

O povo paulistano merece ser respeitado e não ser vítima de quem não quer prestar serviços a ele. Precisa mostrar a eles quem manda na cidade, e exercer os seus direitos. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Como já foi anunciado

Metrô, CPTM e Sabesp vão entrar em greve, para tentar deter o processo de privatização e medir forças com o governador Tarcísio de Freitas, apodado de "bolsonarista" por muitos dos simpatizantes da paralisação, por ter sido ex-ministro de Jair Bolsonaro, embora de "bolsonarista" mesmo seja pouco. 

Eles querem também um "plebiscito" para o povo decidir se eles querem ou não as empresas em questão fora das mãos do Estado. Mas isso é uma manobra para dificultar ainda mais a venda delas. Tarcísio foi eleito prometendo justamente privatizá-las, e já definiu o movimento como "político". 

Um plebiscito, de verdade, seria definido pelo Poder Legislativo e seu título não é tão enviesado, induzindo o povo a votar em apenas uma das opções. 

As privatizações geram alívio para o bolso da população, pois os impostos deixam de ser gastos com tantas estatais, usadas como verdadeiras "cabides de emprego". Não necessariamente tornam um serviço precário digno de elogios, como se pode notar no caso da energia elétrica: o trabalho das concessionárias ainda é muito ruim, e boa parte da culpa é do crescimento desordenado das grandes cidades e principalmente das favelas. Era pior quando eram empresas públicas, ainda mais coniventes com desvios no fornecimento ("gatos") e burocratizadas. 

No caso do transporte público, o Metrô há anos é parasitado por esquemas de corrupção. Privatizar as linhas não vai acabar com a corrupção de uma vez, mas vai deixá-la mais controlável. Dentre as linhas, a melhor é justamente a 4 (Amarela, entre Luz e Vila Sônia), operada pelo consórcio ViaQuatro, e não diretamente pelo Metrô. Quanto à CPTM, a Via Mobilidade, controladora das linhas 8 (Diamante, entre Júlio Prestes e Itapevi) e 9 (Esmeralda, entre Osasco e Mendes-Vila Natal), é muito cobrada por causa das constantes falhas, mas as outras não sofrem tanta cobrança e fazem um serviço pior, com trens mais desconfortáveis e antigos. Além disso, o governo paulista não vai deixar tudo para a iniciativa privada, mesmo porque é inviável, e sim diminuir as atribuições do poder público, encarregando-o de definir os novos projetos e fiscalizar as linhas existentes. 

Mas o "ponto chave" é o temor pela perda de empregos por parte de funcionários sem compromisso com a população, ou, quando diz se preocupar com ela, a vê mais como uma "massa de manobra" para defender seus interesses particulares. 


terça-feira, 6 de junho de 2023

Defensores da Lava Jato acumulam fracassos na semana

Quem ainda acreditava na Lava Jato como a salvação do Brasil contra sua doença crônica mais insidiosa, a corrupção, pode se desiludir de vez. 

A Mesa Diretora da Câmara aprovou a decisão da Justiça Eleitoral em cassar Deltan Dallagnol, considerado o porta-voz da operação quando era procurador. Por unanimidade, eles aceitaram o parecer do TSE, e, dessa forma, o Congresso autoriza a cassação de mandato, para desespero de quem votou nele e nos representantes da Lava Jato. 

No domingo, houve um protesto a favor do ex-procurador em Curitiba. Infelizmente, a mídia nacional não deu atenção, só recebendo o devido destaque entre os jornais da cidade, considerando que milhares foram às ruas. 

Um grupo relativamente grande deu apoio ao ex-procurador e agora ex-deputado Deltan Dallagnol em Curitiba, mas não houve nenhuma outra manifestação fora da capital paranaense (Divulgação)


Em tempos recentes, a imprensa estaria divulgando o protesto com grande destaque. Isso é mais uma prova cabal da morte de um trabalho para combater a corrupção em nosso país. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Democracia sofre ameaças

Aquele regime definido por Winston Churchill (1874-1965), ex-primeiro ministro britânico, como "a pior forma de governo, com exceção de todas as outras que foram tentadas", corre perigo não só aqui no Brasil, mas no mundo. 

Temos aqui noções profundamente enviesadas e confusas do que é democracia. O TSE e o STF, em nome dela, censura perfis questionadores do atual sistema eleitoral, a pretexto de combater as notícias falsas e o extremismo político, sem base legal, pois a lei das fake news não foi aprovada pelo Congresso. Por outro lado, os manifestantes espalhados pelo Brasil exercem seu direito de protestar contra uma eleição, para eles, irregular, viciada e de resultados estranhos. Eles clamam por alguma forma de intervenção das forças armadas, como elas pudessem exercer algum tipo de Poder Moderador para forçar o equilíbrio entre os poderes (algo não previsto no artigo 142 da Constituição); muitos mesclam o conceito de democracia com o de oclocracia, o governo exercido pelas multidões, sem o intermédio de representantes eleitos, ou seja, o presidente da República, os governadores, deputados e senadores. 

Em um de nossos países vizinhos, o Peru, houve um claro atentado à democracia, pelo presidente Pedro Castillo, que tentou dar um autogolpe e dissolver o Parlamento, formado majoritariamente pela oposição. A manobra não deu certo, e os parlamentares o destituíram. Castillo ainda foi preso pela Polícia Nacional. Ele tentou usar o expediente do antigo ditador Alberto Fujimori, mesclado com sua ideologia "bolivariana". Este é mais um acontecimento no meio da crise política da nação andina, que já dura seis anos e derrubou outros cinco governantes. A nova líder é Dina Boluarte, que deverá governar como se a espada de Dâmocles pairasse sobre sua cabeça. 

Pedro Castillo, agora ex-presidente peruano (Divulgação)

Na Alemanha, também foram presos membros de uma quadrilha extremista formada por neonazistas e monarquistas, acusados de ter um plano para dar um golpe de Estado por meio de ataques armados, à maneira das republiquetas, bem diferente da maneira europeia de se resolver problemas políticos. 

Mesmo em democracias consolidadas, não faltam pessoas querendo um regime à moda fascista, ou neonazista, ou marxista, ou parecido com os governos da China e da Rússia. Outros não querem nada disso, e clamam por um rei, seja ele Jesus Cristo ou um homem virtuoso qualquer. 

Correremos o risco dos regimes de força voltarem a ganhar espaço no mundo?

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Tensão em partes do mundo continua

Na Rússia, drones atribuídos a forças ucranianas foram usados para bombardear bases aéreas, acusadas de serem usadas para atacar alvos civis no país assolado pelas tropas comandadas pelo Kremlin. Mesmo a subsecretária de Estado para assuntos políticos dos Estados Unidos, Victoria Nuland, admitiu a autoria dos ataques aos ucranianos, mas voltou a negar ajuda americana a Kiev. 

Enquanto isso, os protestos no Irã contra a ditadura fundamentalista islâmica continuam, e lojas da capital, Teerã, e de outras cidades como Isfahan, passam a fechar as portas em sinal de apoio aos manifestantes. O país vive num regime restritivo, onde a pena de morte é aplicada para quem se rebela contra o governo. Como medida para acalmar o povo, a polícia moral, usada para reprimir mulheres que não usam o hijab para cobrir os cabelos, foi declarada extinta. Isso não parece ser o suficiente. 

O povo também está se revoltando na China, contra a draconiana e discricionária lei de "COVID zero", que restringe os direitos de locomoção com lockdowns para tentar conter um surto de coronavírus em Xangai e outras grandes cidades chinesas. Recentemente, as medidas foram amenizadas e foram feitas vacinações, mas ainda há muitas críticas, inclusive do exterior, pois a ditadura está controlando manifestantes por meio de aplicativos nos celulares, e as vacinas empregadas são fabricadas exclusivamente no país - e o Ocidente diz que a eficácia desses imunizantes é inferior à dos equivalentes fabricados por laboratórios como Pfizer e AstraZeneca. 

Nem a Copa do Mundo consegue fazer esquecer essas manifestantes, e mesmo ela é alvo da irritação de ativistas, pelas medidas restritivas adotadas contra quem ousa defender a causa LGBTQIA+ em um país islâmico, e também pelo uso intensivo de mão-de-obra em condições alviltantes de trabalho. 



N. do A.: Aliás, dentro das quatro linhas onde os torcedores ficam temporariamente longe da realidade, houve as duas partidas mais impactantes das oitavas-de-final. A Espanha, uma das favoritas ao título, foi eliminada nos pênaltis pelo Marrocos, após jogo sem gols e cobranças bisonhas por parte dos jogadores da península: até mesmo Busquets errou sua tentativa. Algumas horas depois, Portugal massacrou a Suíça por 6 a 1, passando a maior parte do tempo sem Cristiano Ronaldo, e seu substituto Gonçalo Ramos, jogador do Benfica, fez um hat-trick, ou seja, três gols, contribuindo para o verdadeiro "chocolate" na equipe do país do... chocolate.