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quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Se for verdade, é uma propaganda "jenial"

A propaganda não parece verdadeira, mas é veiculada nos veículos de imprensa, principalmente aqueles mais críticos ao presidente e candidato à reeleição. 

Segundo o tal folheto veiculado supostamente pelo parque Beto Carrero, haverá um desconto de 25% para quem for de verde e amarelo até o próximo dia 31. E também para quem não for, mas só no dia 30 - o dia da eleição. Isso chamou a atenção da equipe do ex-presidente Lula, que denunciou o citado anúncio como crime eleitoral. 

Caso for mesmo um trabalho do marketing do parque temático catarinense, trata-se de algo "jenial", com "j" mesmo, pois seria facilmente visto como uma forma de favorecer o atual presidente, e o parque seria mal visto por muitos frequentadores. Santa Catarina, aliás, é um dos Estados onde Jair Bolsonaro ganhou mais votos em relação ao adversário. 

"Esquenta" para a Copa do Mundo? (Divulgação)

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Anglicismos

A intelectualidade brasileira sempre acusa o povo de se sujeitar demais aos termos em inglês, elaborando teses sobre a nossa suposta pobreza vernacular, a desvalorização da língua pátria, a ignorância, a subserviência a culturas mais avançadas tecnologicamente ou ao viralatismo (aludindo ao "complexo de vira-lata" do Nelson Rodrigues). 

Antes, usavam-se termos ingleses para substituir os franceses, após a ascensão dos Estados Unidos como grande potência, no começo do século passado. Deixou de ser tão chic usar o galicismo como no século XIX. O uso de termos como "futebol" (de football), cowboy (ao invés de vaqueiro), "checagem" (de check), "carro" (de car, no lugar de automóvel), shampoo, entre outras palavras, vem de décadas. 

Depois, com a globalização e o uso da internet, houve maior emprego de palavras em inglês, pois o mundo dos negócios (business) e para o virtual, este é praticamente o idioma oficial. Ninguém fala sobre ratos na mesa, tempestade de ideias para fazer um projeto render ou paradas para o café durante o trabalho. Usa-se mouse, brainstorming e coffee-break. 

A pandemia de COVID-19 (outro termo originário do inglês) popularizou termos como home office, delivery, "testagem" e lockdown. Como o número de mortes está diminuindo, também não é tão comum ler essas palavras, mas teme-se a volta das práticas relacionadas a elas, caso houver uma nova variante do vírus que já matou gente demais no mundo. 

Modernamente, com a disseminação do "politicamente correto", os antigos críticos do chamado imperialismo "ianque" (de yankee) estão usando termos como "stalkear", bullying, woke, cringe, gaslighting, fake news, "trolagem" (de troll), para denunciar o racismo, o machismo, a perseguição contra grupos considerados oprimidos, o mau comportamento nas redes sociais, e por aí vai. Chega-se ao exagero de adotar comportamentos intolerantes e extremistas, a pretexto de combater a... intolerância e o extremismo. 

Não vai adiantar levantar velhas bandeiras ufanistas ou denunciar o Tio Sam como uma espécie de demônio escravizador. O uso de palavras e termos modistas em inglês reflete a necessidade de se expressar para determinadas pessoas, principalmente nos grupos dentro dos quais os indivíduos convivem. Como tudo nesta vida, é necessário bom senso para empregar tais palavras, principalmente em provas, avaliações e concursos. OK?