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quarta-feira, 16 de julho de 2025

A USP Santos morreu de vez

Pouca gente conhece o campus da USP em Santos, inaugurado em 2012. E vai ficar sem conhecer, pois esta unidade em breve desaparecerá. 

Por algum tempo, existia apenas uma faculdade, a Engenharia de Minas e Petróleo, vinculada à Escola Politécnica. Desde 2021 ela deixou de ser oferecida e a maioria dos já escassos estudantes abandonou o curso. Uma parcela ínfima deles era da cidade litorânea. A partir daí, o curso passou a ser oferecido na própria sede da Poli, no campus do Butantã, sendo um dos melhores existentes no Brasil. 

Agora, apenas algumas atividades restaram, como um laboratório de pesquisa, o InTRA-USP, onde trabalham engenheiros, geólogos, químicos e físicos. Em 2026, talvez nem isso continue. 

Com a desativação deste campus litorâneo, o que restou do corpo de funcionários teme pelo seu futuro. Eles não querem ser transferidos para São Paulo, pois moram em Santos e nas cidades vizinhas. 

Já os antigos estudantes do campus não têm boas lembranças. O prédio, localizado entre o Centro e a Vila Belmiro, não apresentava boas condições, devido ao estado de conservação. Uma pena, pois o edifício é tombado pelo Condephaat e abrigou, anteriormente, o histórico colégio Cesário Bastos. 

O prédio ocupado pela USP possui grande valor histórico, mas há muito tempo precisa de reformas (Condephaat)


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Boa medida para as escolas

A partir de hoje os alunos do ensino fundamental vão ter que aprender mais algo na escola: não ficarem grudados no celular todo o tempo. 

Aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Lula, a lei passará a valer em 30 dias, já após o início do ano letivo. Será proibido usar o celular dentro e fora da sala de aula, a não ser em casos excepcionais, como aulas especiais, ou em emergências. Alguns alunos com problemas específicos, como diabéticos, poderão usar os aplicativos para monitoramento de saúde. 

Boa parte dos pais está de acordo com as medidas, embora muitos não gostassem, pois isso seria "tolher a liberdade" dos filhos. Porém, o uso de celulares por alunos nas escolas possui muitos problemas, como já é sabido pelos professores: falta de atenção nas explicações, dificuldade na socialização, maior facilidade em usar a "cola", agravamento dos problemas de visão, menor desenvolvimento das habilidades de escrita e caligrafia. 

Uso do celular gera problemas no aprendizado (Divulgação)


terça-feira, 15 de outubro de 2024

Origem do dia do professor

O Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro. Pela importância dessa profissão para formar milhões de brasileiros, muitos defendem a sua inclusão na lista de feriados, embora já haja tantos deles no Brasil. Nas instituições de ensino, há uma pausa nas atividades, embora com várias exceções, motivada pela adequação à carga horária e à necessidade de reposição de aulas.

Muitos não sabem a origem da data: 1827, quando D. Pedro I, por decreto, autorizou a construção das primeiras escolas primárias no Brasil; Apesar de ser conhecido por seu autoritarismo e estar bem longe de ser um intelectual, o primeiro imperador valorizava a educação ao seu modo, e isso contribuiu para melhorar o nível de educação - algo realmente vital, pois o analfabetismo era quase generalizado.

Para ler o decreto, clique AQUI

Foi um dos primeiros meios para o ingresso das mulheres no mercado de trabalho, e, curiosamente, era imposta a igualdade salarial no decreto, embora na prática isso não acontecia. Os salários ficavam entre 200 e 500 mil réis, ou 200$000 - 500$000, algo difícil de converter para a nossa moeda, mas não era grande coisa, mesmo considerando o maior valor, pago nas cidades com mais recursos. O método a ser adotado, obrigatoriamente, era o Lancaster, concebido pelo pedagogo inglês Joseph Lancaster (1778-1838), considerado o mais eficiente e moderno da época para escolas sem muitos recursos, valorizando a memorização e a repetição dos conceitos, e o uso de alunos mais experientes como auxiliares para conduzir os mais novos. O método era bastante difundido na Europa, mas teve limitado sucesso no Brasil, devido às deficiências de formação dos professores e às falhas da implementação do método em um país tão vasto e sem infra-estrutura, estagnado pela economia escravista. Existe um trabalho interessante publicado no IX ANPED SUL, de 2012, sobre o tema (ler AQUI). 

Salomão Becker teve a iniciativa de fazer comemorar a data, para que docentes e estudantes possam criar festividades e valorizar a importância dos profissionais de ensino. Isso ocorreu muitos anos depois do decreto imperial, ou seja, na República, culminando com o decreto n. 52.682, de 1963, colocando o Dia do Professor no calendário oficial. Originalmente, o decreto feito pelo presidente da época, João Goulart, cujo cargo estava ameaçado pela insatisfação com seu governo, instituía um feriado para estudantes, professores e funcionários. Isso, porém, é condicionado à decisão final de cada escola. 

quarta-feira, 20 de março de 2024

Proposta do Novo Ensino Médio a caminho

Após um acordo entre o MEC e o relator da proposta para reformar o Ensino Médio, Mendonça Filho (União Brasil-PE), ex-ministro da Educação no governo de Michel Temer, o texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados. 

Segundo o projeto, o aluno precisa optar por um currículo tradiconal com 2.400 horas de disciplinas tradicionais (português, matemática, física, química, biologia, história, geografia) e 600 horas de optativas. Para o ensino técnico, são 1.800 horas de disciplinas tradicionais e 1.200 de outras adequadas para o curso. 

O governo queria dar ênfase às disciplinas ligadas às ciências sociais, como filosofia e sociologia, mas is defensores do projeto original queriam mais destaque à língua portuguesa e à matemática. Após uma reunião tensa ontem, o texto começa a tramitar no Congresso. 

É preciso fazer algo além da reforma no Ensino Médio para a melhoria efetiva na educação brasileira, considerada uma máquina de produzir analfabetos funcionais, segundo os críticos. Necessariamente, o Ensino Fundamental precisaria de revisão, além de estruturar melhor a carreira de professor, uma das mais importantes para o futuro da sociedade. 

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Pisa

A famosa pesquisa de avaliação para estudantes do mundo todo reservou más notícias para o Brasil (e para o mundo)

Devemos comparar o futuro da humanidade com a famosa torre inclinada de Pisa? Pelo menos de acordo com os geólogos e topólogos, a atração turística da cidade toscana não corre o risco de desabar. 

Desabando está o desempenho dos estudantes em geral, de acordo com o maior sistema de avaliação de ensino, cuja sigla é a mesma da torre italiana. A pandemia de coronavírus prejudicou o aprendizado dos jovens no mundo todo, e num país onde a educação é tradicionalmente ruim como o Brasil, isso seria, teoricamente devastador. Mas a realidade é algo mais complexa. 

73% dos alunos brasileiros de 15 anos avaliados é incapaz de fazer contas algébricas básicas ou fazer uma avaliação de distância entre duas cidades. Não houve avanço em relação a 2018, ano de referência do último Pisa, divulgado no ano seguinte. Mas, no caso do Brasil, não houve (muito) retrocesso. Naquele ano, o desempenho dos alunos foi igualmente pífio. O país recuou ligeiramente em matemática (379 pontos, contra 384 de antes), estacionou em leitura (410 pontos, ante 413 em 2018) e em ciências (403 pontos, quase o mesmo dos 404 há quatro anos atrás). Historicamente, o país não avança, enquanto os países mais ricos costumavam ter progressos, ou seja, o desempenho escolar melhorava ao longo dos anos. E não dá para atribuir esse desempenho fraco com o governo Bolsonaro, a despeito da confusão administrativa do MEC, marcada por excesso de ideologia e falta de resultados. 

Na Alemanha, país onde sempre houve desempenho satisfatório, houve um forte recuo entre 2018 e 2022, a exemplo de outros países europeus, reflexo, em boa parte, da pandemia. Isso é um perigo para a humanidade, que precisa voltar a avançar no desempenho educacional, ou terá mais chances de colapsar do que a própria Torre de Pisa. 


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Breves do início de novembro

1. Novamente, há acusações de vazamento da prova do ENEM, ocorrida ontem. Além disso, 28% dos inscritos não compareceram, e questões com viés ideológico contrário ao agronegócio viraram alvo de alguns parlamentares. Dessa forma, a prova nacional de ingresso ao ensino superior conseguiu roubar a atenção da imprensa da...

2. ...guerra entre Israel e o Hamas, perto de completar um mês de carnificina, onde os dois lados parecem agir com fúria sanguinária, enquanto civis inocentes são trucidados; boa parte da imprensa quer saber, no entanto, quando os brasileiros retidos em Gaza sairão, insinuando uma suposta retaliação do governo israelense contra o Lula. 

3. Max Verstappen vence o GP de Interlagos ocorrido ontem, consagrando-se como o maior piloto de F-1 atualmente, mas a prova foi cheia de acidentes, O "holandês voador" se apresentou com o autódromo lotado, e onde não costuma vencer. Enquanto isso, não longe dali...

4. ... a chuva forte provocou queda de energia na região do Campo Limpo, também na Zona Sul paulistana, e milhares ainda estão sem luz; o governo paulista pressiona a Enel para resolver o problema, sendo ele também alvo por defender, mesmo assim, as privatizações de estatais como a Sabesp. 

5. Fernando Diniz, técnico titular do Fluminense e interino da Seleção, finalmente convocou Endrick, do Palmeiras, além de Paulinho, do Atlético-MG, e deixou Neymar, lesionado e em tratamento no joelho até 2024, de fora da lista dos jogadores para atuarem contra Colômbia e Argentina nas Eliminatórias; no entanto, a Seleção não chama mais tanto a atenção pois...

6. ... o Fluminense continua a repercutir, com a inédita Libertadores conquistada no sábado. Os jogadores se preparam para atuar no Mundial de Clubes em dezembro, na Arábia Saudita, e em 2025 a equipe irá participar da Copa do Mundo de Clubes. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Mais uma polêmica envolvendo o governador

Qualquer ato do governador Tarcísio de Freitas será questionado (Amanda Perobelli / Reuters)

Entidades ligadas à Educação e boa parte da imprensa prometem dificultar o novo projeto do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para remanejamento de gastos. Ele propõe aumentar a porcentagem mínima dos gastos com Saúde (12%) em detrimento da Educação (30%). 

Segundo ele, os gastos com insumos relacionados à Saúde aumentaram, devido à pandemia e à adoção de novas tecnologias. Para isso, deverá haver corte em alguma outra área para poder investir no setor. Tarcísio quer diminuir em 5% o piso de gastos com escolas e creches, para favorecer a compra de remédios e equipamentos médicos. 

Para a imprensa e as entidades educativas, em boa parte delas formada por opositores ao atual governo paulista, ha o risco de contingenciar os gastos com as universidades, por exemplo. O montante para a educação diminuiria de pouco menos de R$ 58 bilhões para R$ 48,3 bilhões. São quase R$ 10 bilhões a menos, argumentam. 

Além disso, a Constituição paulista fixou os patamares de gastos com cada área da governança, prometendo gerar uma guerra jurídica e um caminho considerado árduo para o governador: fazer uma emenda à lei máxima do Estado. Os 25% para a Educação ainda estão de acordo com a Constituição Federal. 

Cientistas sociais lembram que o piso não é cumprido pelos governadores, alegando que boa parte da verba é para pagamento de aposentadorias. Eles também, em geral, fazem coro aos professores, funcionários e movimentos estudantis, dizendo ser inaceitável o corte nos repasses, quando seria necessário investir em escolas. 

Para os defensores do governador, há uma solução, mas ela não é popular entre os críticos: o corte de despesas, com maior rigor contra o desperdício e os desvios. Muitos, aliás, querem que as universidades públicas cobrem mensalidades dos estudantes, algo intragável para os movimentos estudantis.

Enquanto isso, o governo ainda precisa lidar com outros problemas, como o roubo das armas no quartel de Barueri. Parte delas foi recuperada no Rio de Janeiro, indicando o envolvimento do crime organizado. Outras metas também tomam atenção do governo, como o avanço no trem "Intercidades" para ligar São Paulo a Campinas. Este blog ainda vai abordar este tema. E não vai faltar gente para tentar miná-lo, pois ele é cotado para ser candidato à Presidência em 2026, como uma das principais opções no caso de Jair Bolsonaro não conseguir reverter sua difícil situação política (a outra é Romeu Zema, o governador mineiro). 

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Jovem cearense ganha ouro na Olimpíada Internacional de Matemática

Entre tantas notícias ruins ou desagradáveis, como a morte do grande escritor checo Milan Kundera, a crise de saúde no Peru e a violência cometida pelos usuários de drogas na Cracolândia, temos uma boa: um jovem brasileiro ganhou medalha de ouro na Olimpíada Internacional da Matemática, em Chiba, no Japão. 

Matheus Alencar de Moraes, 16 anos, aluno do segundo ano do ensino médio do Colégio Farias Brito, saiu-se muito bem na prova e foi recompensado. Alunos da mesma instituição também foram bem. Rodrigo Salgado ganhou a prata e Luiz Felipe Giglio obteve o bronze. 

Antes disso, ele já ganhou outras competições internacionais, como a Cone Sul no ano passado. 

Matheus Alencar de Moraes destacou-se na Olimpíada Internacional de Matemática no Japão (Divulgação)



N. do A.: Enquanto isso, o nosso presidente diz valorizar a educação, mas trata o assunto de forma ideologizada, e não como um instrumento para formação de estudantes. Ele mandou encerrar o programa de escolas cívico-militares no país, criado no governo Bolsonaro. A medida não impede os governos estaduais de instituírem programas semelhantes, como anunciou, por exemplo, o governador paulista Tarcísio de Freitas. 

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Primeira professora trans na Escola de Comunicações da USP

Já faz alguns dias que a Escola de Comunicações e Artes da USP, a ECA, tem em seus quadros a primeira professora trans (de transgênero), Dodi Leal, do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas. 

Ela possui licenciatura em Artes Cênicas pela mesma faculdade onde esta lecionando, e também bacharelado em Ciências Contábeis pela FEA, prédio quase vizinho, separado pela Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues. Fez mestrado na FEA, com ênfase em Educação e Pesquisa, e doutorado em Psicologia Social, fazendo estágio doutoral na Universidade de Coimbra, de acordo com sua página na Wikipedia. 

Professores trans são minoria mesmo nas universidades (Divulgação / Instagram)


Publicou livros sobre assuntos como o Teatro do Oprimido, e também sobre a transexualidade (De Trans Para Frente), além de artigos diversos. Atua na pesquisa sobre cenografia e atuação. Também atua na defesa dos direitos das pessoas trans. 

Em 2017 apareceu na mídia lutando na Justiça pelo uso do nome pelo qual é agora conhecida. Curiosamente, a reportagem do jornal O Globo referiu-se a ela apenas como uma "estudante de psicologia" e destacou o fato de ela não ter feito cirurgias para mudança de sexo biológico, como fazem os transexuais, mas não os transgêneros (ambos identificados pela letra T na sigla identificadora das minorias sexuais, LGBTQIA+). Seu nome de batismo, masculino, não é divulgado, mas ela não vê importância nisso para o seu trabalho. 

Mesmo num ambiente considerado mais liberal como a USP, professores trans são raridade e ainda causam estranheza, mas isso poderá mudar aos poucos. Não se pode descartar a possibilidade de outras faculdades terem pessoas não cisgêneras à frente das salas de aula, mesmo as menos ligadas às áreas de ciências sociais. 


N. do A.,: A sigla LGBTQIA+ ainda causa muita confusão na maioria das pessoas, não identificadas nem como lésbicas (L), gays (G), bissexuais (B), trans/transgêneros/transexuais (T), queers - como as drag queens e pessoas assemelhadas (Q), intersexo (I; indivíduos antigamente denominados "hermafroditas"), assexuais (A) e outros casos (o símbolo de +). Sob o pretexto de não querer excluir esses casos, os defensores da chamada "ideologia de gênero" querem colocar mais letras para abranger os "sexualmente curiosos", os pansexuais (que possuem atração sexual por qualquer pessoa em idade reprodutiva), os kink (antigamente chamados de "fetichistas sexuais") e quaisquer pessoas pejorativamente vistas como "taradas" ou "sexualmente desviantes" pelos mais conservadores. Ao contrário do que dizem calúnias e acusações sem fundamento, não há letra para identificar pedófilos, embora haja muitos desses criminosos sexuais entre os LGBTQIA+, e também entre os heterossexuais. 

quarta-feira, 5 de abril de 2023

ChatGPT vai mal em Matemática no ENEM!

Pode parecer estranho o ChatGPT, maior chatbot do mundo e atual sinônimo de inteligência artificial, ser uma verdadeira lástima em matemática, mas ele se saiu bem mal, pior até que a estarrecedora média dos estudantes do ensino médio nessa matéria: média de 433 pontos, contra 527 dos humanos. Patético? Não é bem assim. 

Segundo testes feitos pelo Deltafolha, a seção de jornalismo de dados do jornal Folha de S. Paulo, usando provas do ENEM entre 2017 e 2021, ele conseguiu se dar bem em ciências humanas e da natureza, valendo-se de seu banco de dados imenso. Basta consultá-lo para conseguir as respostas. Neste caso, ele superou a média dos estudantes, embora longe de gabaritar nos testes: a melhor nota foi 785, na prova de 2017 para ciências humanas. Na redação, o robô fez um texto onde ainda se pode notar ser de uma máquina e não de um ser humano, sendo bastante coerente com a gramática, mas com um emprego de acentuação relativamente pobre, comparado com a escrita de escritores fluentes. 

No caso das questões de ciências exatas, como matemática, a inteligência artificial precisava interpretar as informações e empregar uma metodologia para fazer os cálculos. Neste caso, não adianta usar bancos de dados. Pelos testes do Deltafolha, o robô falhou miseravelmente, mostrando que seu raciocínio ainda não pode ser comparável ao dos humanos, em termos de lógica, e seu funcionamento é muito diferente dos computadores. Em alguns tópicos, o ChatGPT só acertou 13%, enquanto alguém habituado a fazer tudo na base do "chute", respondendo sempre uma das cinco alternativas em todas as questões, teria algo em torno de 20%. 

Seria o caso do ChatGPT? Existem vários dados disponíveis que afrontam a lógica e o robô pode utilizá-los para responder às questões (Divulgação)

Leigos em inteligência artificial, como a maioria das pessoas, inclusive jornalistas e o autor deste blog, podem fazer troça do robô por ser muito parecido com eles em termos de fazer contas, mas as inteligências artificiais baseadas em bancos de dados ainda podem ser aperfeiçoadas neste sentido. 


N. do A.: Enquanto o ChatGPT parecia no caminho certo para agir feito um humano, alguns seres humanos estão no caminho da bestialização, como o criminoso que atacou crianças numa creche em Blumenau, matando quatro delas e ferindo outras cinco. Robôs com mentalidade de gente, e gente com mentalidade de monstro: eis uma distopia perfeita!

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Reforma do Ensino Médio em pauta

Criada em 2017 durante o governo Michel Temer para tentar melhorar o (terrível) nível do ensino médio, a reforma é alvo de críticas de alguns educadores e boa parte das entidades estudantis, alegando não serem consultados durante a elaboração do projeto. Eles alegam também dificuldades de adaptação de escolas com menores recursos. 

Por outro lado, vários colégios já se adaptaram às exigências, como destinar 60% do tempo para as disciplinas tradicionais, como Matemática e Português, e 40% para as matérias consideradas de especialização. Estes estabelecimentos são contrários à revogação total e pedem, no máximo, ajustes. 

Em decorrência das mudanças o Enem irá mudar, a partir de 2024, e isso preocupa as entidades estudantis e o PT, pois dará menos margem para colocar questões caras a eles, como as chamadas "pautas identárias" e as críticas aos pensamentos mais à "direita" em relação aos deles. 

O ministro da Educação Camilo Santana é favorável à reforma, mas o PT e o governo em geral estão inclinados a suspendê-la. Hoje, o chefe do MEC já admite ceder às pressões pela suspensão. No entanto, ainda existem manifestações pela revogação pura e simples da reforma, que está longe de ser a panacéia para os males da educação brasileira. Seria necessário também uma profunda melhoria no Ensino Fundamental, e não há nenhum plano neste sentido. 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Ainda sobre a PEC da "faculdade pública paga"

Há um burburinho imenso sobre a PEC 206/19, elaborada pelo deputado General Peternelli (União Brasil-SP), que não foi votada no último dia 24. Assim, a proposta de emenda do artigo 206 da Constituição Federal irá permitir a cobrança de mensalidades aos alunos das universidades públicas, federais, estaduais ou municipais, salvo se houver comprovação de renda insuficiente. 

Entidades ligadas aos estudantes não querem saber de conversa acerca do tema, e irão continuar sua defesa da gratuidade. Parlamentares de oposição aproveitam para acusar o governo Bolsonaro de desmantelar a educação pública, embora boa parte dos apoiadores do governo não vejam isso como prioridade. 

Foi aprovada a criação de uma comissão especial sobre o tema, ainda sem data para entrar em vigor, e só depois disso haverá votação no plenário. 

Ocasionalmente, os veículos da chamada "grande imprensa" questionam a gratuidade nas universidades públicas, garantida pela Constituição (Folha/O Globo) 

Existem argumentos contra e a favor da medida, que não pode ser tratada como tabu. Os opositores veem isso como uma elitização ainda maior do ensino, tornando-o ainda mais inacessível aos pobres, enquanto os defensores querem a cobrança para quem pode pagar uma universidade, dizendo que os alunos, por serem adultos, podem trabalhar para custear as despesas, caso não puderem usar seus próprios recursos. Além disso, para os últimos, não seria justo ver o dinheiro dos impostos continuar a financiar estudantes de renda mais alta. 

De qualquer forma, a cobrança de mensalidades dificilmente custearia, isoladamente, as despesas operacionais das universidades, que precisam não só bancar o ensino, mas a pesquisa acadêmica; para isso, existem soluções já em vigor, como as parcerias com empresas, fundações e outras instituições. Já o problema da baixa porcentagem de estudantes de menor renda se deve aos problemas no ensino básico e médio, cuja qualidade é historicamente pior no ensino público em relação ao privado. 

Muito provavelmente, a PEC 206 será derrotada em futura votação, mas até lá haverá muito burburinho. E outras questões envolvendo a educação pública continuarão marginalizadas. 

sexta-feira, 11 de março de 2022

Universidades paulistas voltam às aulas presenciais

Depois de dois anos com o funcionamento prejudicado devido à pandemia de coronavírus, as universidades voltaram, progressivamente, às atividades normais. 

Na USP, por exemplo, as aulas presenciais começam na próxima segunda, dia 14. Continua a obrigatoriedade de comprovar as duas doses (ou a dose única) da vacinação, mais a dose de reforço fortemente recomendada pelos profissionais de saúde. As máscaras continuam a ser obrigatórias, até ordem em contrário. 

Unesp e Unicamp também vão começar as aulas no dia 14, assim como as faculdades de tecnologia, as Fatec, do Centro Paula Souza. 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Maior crise na Capes está em curso

Hoje, mais 28 pesquisadores ligados à área de avaliação de cursos da CAPES, o programa de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, renunciaram, na maior crise deste órgão nos últimos anos. 

Estes pesquisadores são da área de Química, e juntaram-se aos profissionais nas áreas de Matemática e Física, que também pediram desligamento. 

A crise na CAPES (e no CNPq) está ameaçando o futuro da pesquisa e desenvolvimento tecnológico no Brasil 

Isto significa uma ameaça aos programas de Pós-Graduação, essenciais para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia no Brasil, além de representar perdas de talentos, os quais verão mais vantagens em trabalhar em outros países. 

Infelizmente, não há dinheiro para custear sequer a parte mais importante da educação - o ensino básico. Alega-se que é necessário racionalizar os custos, mas enquanto não há iniciativas para serem colocadas em prática neste sentido, o sistema educacional e a pesquisa acadêmica estão perigosamente disfuncionais. Assim, estamos com o futuro ameaçado. 

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Considerações sobre o primeiro dia do mais famoso exame do Brasil

A história do ENEM foi marcada por polêmicas, muitas das quais foram abordadas por este blog desde 2009. Foram casos notáveis de fraudes, questões mal formuladas e falhas na organização. 

Logotipo do Enem 2021, que (felizmente) não teve a "cara do governo" Bolsonaro

Recentemente, houve demissão em massa de profissionais do Inep, que protestaram contra uma alegada intervenção política no órgão. 35 funcionários saíram. 

Isto não foi o suficiente para prejudicar o andamento do ENEM. Não houve casos notáveis de fraude, e nem grandes questionamentos sobre a qualidade das questões, a não ser o lado ideológico de algumas delas. Numa delas, na prova de Língua Portuguesa, foi mostrado o trecho de Admirável Gado Novo, de Zé Ramalho, crítica à passividade do povo brasileiro e considerada muito "esquerdista" pelo atual governo. O presidente Jair Bolsonaro e os seus apoiadores não cansou de criticar as ideologias diversas das suas. 

Critérios técnicos e a arraigada formação ideológica dos formuladores das provas impediram as provas de terem "a cara do governo". Pois o ENEM não pode ser a cara de governo algum. Só precisa ser bem formulada e se pautar pela avaliação dos conhecimentos, e não das posições políticas, dos candidatos. 

Esta edição do exame, criado originalmente para a avaliação da qualidade do ensino médio em 1998, foi também prejudicada pela pandemia, embora menos do que no ano passado. 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Sexta feira, 13 de agosto

Eis os assuntos mais importantes ou curiosos desta sexta-feira 13, no mês mais difamado pelos brasileiros: 

1. A USP, a Unesp e a Unicamp, maiores universidades públicas de São Paulo, vão exigir vacinação de todo o corpo docente ou discente, além dos funcionários. Segundo as reitorias, é uma condição para a volta do ensino presencial. No caso da USP, as atividades começarão a normalizar-se no dia 4 de outubro. 

2. Roberto Jefferson, um dos pivôs do Mensalão e também um dos líderes mais fieis ao presidente Jair Bolsonaro, apesar de ser mais por oportunismo do que por convicção, foi preso por decisão monocrática do ministro Alexandre de Morais, por ameaça e incitação ao ódio contra as instituições; a prisão é contestada, pois a liberdade de expressão é assegurada e muita gente emprega termos mais chulos e rasteiros do que "orcrim" (organização criminosa), ao se referir ao STF. 

3. Também houve outra prisão de destaque, a da deputada cassada Flordelis, acusada de ter matado o marido e explorar seus filhos adotivos para atos ilícitos, inclusive prostituição. A Justiça do Rio decretou prisão preventiva. 

4. O Ocidente está voltando a perder o frágil controle sobre o Afeganistão para os terroristas do grupo islâmico Taleban. Eles tomaram cidades importsntes, como Herat, e marcham para se apodereram da capital, Cabul, aproveitando a retirada das tropas norte-americanss no país da Ásia Central onde a al-Qaeda de Osama bin Laden desenvolveu suas atividades, culminando no 11/9 em 2001. 

5. Novamente, a China está dificultando as investigações sobre a origem da pandemia, alegando motivos políticos. Recentemente, a OMS, tida como aliada de Pequim, passou a considerar os laboratóriso de Wuhan como os maiores suspeitos do surgimento da praga. Enquanto isso, em Berlim, a capital alemã, estão organizando eventos públicos onde é preciso se vacinar para entrar. 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

O que teria causado a pane no CNPq?

A plataforma Lattes do CNPq, usada para registro curricular de milhares de pesquisadores, professores e estudantes universitários, está normalizada desde domingo, mas ainda há o temor de novas instabilidades. 

Segundo consta, os dados estão guardados em discos rígidos cujo sistema é coordenado por um conjunto de servidores VNX8000, fabricados pela EMC, atualmente parte da Dell. Este equipamento está fora de catálogo e aparentemente o servidor principal ficou sem manutenção por falta de verba, e a comunicação entre os discos ficou comprometida, agravada pelos equipamentos antigos (computadores, cabos de transmissão e barramento, entre outros), gerando todos os transtornos enfrentados por quem precisava criar ou atualizar o currículo Lattes. 


Os R$ 1,2 bilhão liberados para a CNPq ficam divididos entre as bolsas de pesquisa, reservas técnicas e custos de manutenção. Este montante diminuiu ao longo dos anos: eram R$ 2,6 bilhões em 2015. A situação não deve mudar no futuro, tornando a administração da verba um desafio para os gestores e para quem precisa custear seus projetos. 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Olimpíadas de Economia

Enquanto ocorrem os Jogos, outras disputas foram feitas, mas não como fizeram a Seleção de vôlei feminino (que derrotou as temidas russas por 3 sets a 1 e avançaram para as semifinais), ou os atletas que correram para ver quem é o mais rápido. Fizeram cálculos de modelos matemáticos e fizeram análises do mercado financeiros. 

As Olimpíadas de Economia estão ainda longe de serem conhecidas, mas já estão na sua quarta edição. A equipe brasileira sempre se destacou, conquistando o campeonato em 2019 e 2020. Isso repetiu-se em 2021. No último dia 1, a equipe brasileira, formada por Caio Bento da Silva Luize, de Florianópolis (SC); Nicolas Goulart de Moura, de São Paulo (SP); Sebastião Froes Gomes Navarro, de São Paulo (SP); Vitor Alexandre Theodosio de Carvalho, de São José dos Campos (SP); e Ishan Matheus de Campos Unni, de São José dos Campos (SP), resolveram questões de oferta e demanda, taxas de juros, efeitos da pandemia de COVID-19 e um complexo jogo envolvendo gestão financeira. A equipe faturou quatro medalhas de ouro e uma prata, à frente dos canadenses, dos norte-americanos e de mais 41 países. 



Isso mostra o potencial dos estudantes brasileiros, dignos de um sistema educacional melhor, menos preocupado com questões ideológicas e mais com a formação de cidadãos para a construção de um país mais bem estruturado e preparado para as crises. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Precisamos falar sobre cultura. De novo!

Estamos vivendo tempos amargamente estranhos. Não basta a pandemia e suas trágicas consequências sociais e econômicas, ainda temos outros aspectos capazes de nos questionarmos sobre nosso futuro como civilização. 

Um dos principais é a valorização da cultura. E nosso país é acusado de não ter um mínimo de apreço por ela. 

Temos mais uma edição do BBB, verdadeira mina de ouro para a Globo e para a Endemol. 

Temos um presidente com nível de educação considerado abaixo da crítica. Nem mesmo Lula, menos escolarizado, foi tão achincalhado pela capacidade de produzir verdadeiras asneiras e boçalidades. O presidente Bolsonaro faz questão de desprezar as regras de civilidade e se entrega com afinco à arte de insultar chulamente quem ele considera seus inimigos e fontes de aborrecimento. Tudo para se fazer entender pelo povo, sem se meter à besta!

Temos memória curta, a ponto de esquecermos o incêndio no Museu Nacional, verdadeira tragédia ocorrida em 2018. Até agora não fizeram uma investigação, e corremos o risco de ver algo semelhante repetir-se. 

E ainda temos influenciadores com a coragem (ou será a insolência) de questionar a leitura de Machado de Assis e Álvares de Azevedo. O youtuber Felipe Neto - ele, mais uma vez! - disse que esses autores do século XIX não são para adolescentes, devido à linguagem ser muito distante do cotidiano. Valorizar a literatura nacional é algo consagrado nos países considerados civilizados. Ler os clássicos é próprio das mentes saudáveis, e o contato com os livros dos autores do passado não só reforça o vocabulário como ainda faz o leitor aprender muito sobre os costumes de diversas épocas. Felipe Neto tem o direito de opinar sobre tudo, mas também deve assumir as consequências de fazer isso sobre assuntos que julga conhecer, mesmo sendo confrontado galhardamente pelos fatos. 

Felipe Neto envolve-se em várias polêmicas, e por isso é alvo de várias críticas (Divulgação)

Precisamos valorizar nossa cultura, e temos bons exemplos disso, mas infelizmente os maus exemplos tomam espaço na mídia. Em breve, haverá uma postagem, talvez mais, para mostrar iniciativas positivas. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Dilema

Estamos prestes a iniciar o ano letivo, mas a Justiça atendeu a um pedido de liminar feito pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e suspendeu as aulas presenciais. 

Caímos então no risco de judicializar a questão do ensino, sem resolver o dilema: 

Abrir as escolas para as crianças e adolescentes retomarem o aprendizado, algo fundamental para as suas vidas e para o futuro do nosso país

ou

Impedir que eles frequentem as aulas por serem vistos como vetores, muitas vezes assintomáticos, do coronavírus, ameaçando pais e avós idosos ou com comorbidades?



N. do A.: O autor deste blog defende a volta das aulas, obedecendo todos os protecolos de segurança nas escolas - algo não tão fácil de ser implementado, para muitos locais.