Mostrando postagens com marcador Crise Brasil-EUA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise Brasil-EUA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Reunião entre Mauro Vieira e Marco Rubio

 Não foi histórica, certamente. 

O secretário americano ainda insiste no fim da atuação de Alexandre de Moraes como juiz, executor, promotor e vítima dos processos envolvendo o 8/1, enquanto o ministro das Relações Exteriores classificou a reunião como 'produtiva'.

Ele espera ter preparado o terreno para o encontro dos dois patrões deles, os presidentes Donald Trump e Lula, em data ainda incerta. Mas nem a possível visita de Lula à Casa Branca poderá levantar as sanções econômicas, que dependem mais da boa vontade de Alexandre de Moraes do que a do próprio presidente. 

O conteúdo do encontro não foi revelado, mas possivelmente envolveu a tensão na costa da Venezuela, sendo conhecida a aliança entre Lula e Nicolás Maduro, os Brics e o comércio de ambos os países com a China. 

Marco Rubio (dir.) cumprimenta o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira (Embaixada do Brasil)


segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Novamente, os protestos

O dia 7 de Setembro foi marcado pelas manifestações de centenas de milhares de pessoas, em vários locais como Brasília e Rio de Janeiro. Novamente, São Paulo e a Avenida Paulista voltaram a ter repercussão, com ao menos 40 mil pessoas pressionando pela anistia aos presos do 8/1 - e a Jair Bolsonaro, cujo processo judicial é considerado irregular e crivado de erros, principalmente ao permitir que Alexandre de Moraes assuma seus vários papeis no caso. 

Muitos integrantes do governo, vendo que foram fracas e sem repercussão as poucas manifestações situacionistas, visando defender pautas como a taxação dos milionários e o fim da jornada 6x1, passaram a ironizar elementos dos protestos oposicionistas, como a presença de uma grande bandeira americana, usada para dar mais visibilidade nos Estados Unidos, onde está Eduardo Bolsonaro, pois boa parte dos manifestantes defende as medidas de Donald Trump. 

Alguns extrapolam, pedindo intervenção estrangeira, dando mais pretexto para quem está no poder em Brasília apontar as manifestações como contrárias ao Brasil. 

Na Paulista, com a manifestação comandada novamente pelo pastor Silas Malafaia, alvo da Polícia Federal por supostos contatos diretos com Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, o governador, voltou a aparecer e foi defender quem ele havia servido como ministro da Infra-Estrutura, mesmo sendo cotado a assumir a candidatura caso não haja condições de reverter a situação política do ex-presidente. Michelle Bolsonaro chorou e foi um destaques nas críticas ao STF. Ela também havia participado de forma indireta, com um áudio atacando a "tirania" do Judiciário, nos protestos do Rio, onde o destaque foi o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-capitão, que cobrou seus colegas pela anistia e pelo impeachment de Moraes. Em Florianópolis, Carlos Bolsonaro também chorou e apoiou os manifestantes. Eduardo Bolsonaro mandou videos para apoiadores em Curitiba e Porto Alegre. 

A Paulista voltou a ser tomada por manifestantes no dia da Pátria; USP contabilizou cerca de 41 mil pessoas, mas bolsonaristas defendem um número bem maior (Divulgação/Whatsapp)


Enquanto isso, nem os ministros do Supremo compareceram à cerimônia oficial do Dia da Pátria em Brasília. O evento esteve esvaziado, com poucas pessoas e repercussão na mídia não muito maior, mesmo com o apoio dos grandes veículos de imprensa ao governo e ao Judiciário. 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Esta semana promete

 Poderemos ver, por exemplo: 

a) Mais taxas e embargos vindo dos EUA para o Brasil. 

b) O Maduro caindo de podre do poder, com a força dos EUA. 

c) As relações entre Brasil e Israel continuando a se deteriorar também. 

d) Mais goleadas como a do Flamengo surrando o Vitória por 8 a 0 no Brasileirão. 

e) Mais surras de verdade, e espancamentos, e assassinatos, e massacres...

Bônus: E este blog metido a engraçadinho parar de atualizar por falta de boas pautas e colocar enquetes no lugar delas. 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Uma ajuda de peso

 ... para o Brasil cair de vez na crise. 

A decisão do ministro Flávio Dino sobre a decisão da Justiça do Reino Unido sobre o caso Mariana foi mais um oportunismo político do que um ato jurídico, dizendo que ela não tem poder sobre os municípios mineiros que pressionam por indenizações maiores por parte da empresa anglo-australiana BHP Billiton, uma das controladoras da Samarco junto com a Vale. A joint-venture foi condenada por sua atuação no desastre responsável por devastação ambiental, prejuízos econômicos bilionários e mortes. 

Ele aproveitou para estender a decisão a toda e qualquer Corte estrangeira, claramente beneficiando Alexandre de Moraes, atingido pela Lei Magnitsky. E vai sancionar quem cumprir as decisões de fora. Ou seja, os bancos poderiam ser penalizados se cumprirem as determinações americanas. 

Divididas entre obedecer a (mais uma) decisão monocrática vinda do STF e as prerrogativas do governo americano, as instituições financeiras sentiram um temor muito maior do que, por exemplo, punições da Justiça por permitirem os débitos automáticos de contas correntes de aposentados por causa de dívidas por empréstimos consignados. 

Hoje, o valor de mercado dos bancos caiu drasticamente, totalizando R$ 41 bilhões em perdas. Os maiores prejudicados foram o Banco do Brasil, com queda de 6,03% na Bovespa, e o Santander, cujo tombo foi de 4,88%. Outros bancos tiveram também quedas expressivas, como o Itaú (3,05%) e o Bradesco (3,43%). 

Como resultado, o pânico se alastrou no mercado, e a Bovespa como um todo tombou 2,1%, ficando com menos de 135.000 pontos, e o dólar beirou os R$ 5,50, em alta de 1,1%. A situação pode se agravar ainda mais, com o prolongamento do impasse. 

Bancos poderiam ser impedidos de fazer operações em dólar e administrar cartões de crédito (Mastercard e Visa são americanas) caso descumpram os termos da lei Magnitsky (Valter Campanato/Agência Brasil)


E a tensão pode ficar pior no curto prazo, não só pelos efeitos em cascata da Magnitsky sobre Alexandre de Moraes e, provavelmente, sobre outros ministros do STF. O Pentágono mandou navios de guerra em direção ao Atlântico Sul para atuar, oficialmente, contra o narcotráfico. A Venezuela e o Brasil se inquietam. Nicolás Maduro, o ditador venezuelano, é acusado de ligação com grupos produtores e exportadores de cocaína, e teria mobilizado 4,5 milhões de milicianos para defender a pátria, segundo ele. Já no Brasil a oposição acusa o PT de ser aliado do PCC, do CV e outros grupos, considerados também terroristas pelos Estados Unidos. Não há provas concludentes, mas os indícios expostos pelas mídias, principalmente veículos ligados aos conservadores e liberais (vulgo "extrema direita") incomodam bastante. 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Um nome

Estão debatendo dobre o nome de Eduardo Bolsonaro, o filho do ex-presidente nos Estadod Unidos. Por causa de sua atuação decisiva para as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, mas também para a megataxação sobre produtos brasileiros, as opiniões ficaram divididas. Muitos o consideram um "traidor da pátria", prejudicando todo o Brasil, inclusive seu próprio pai, cuja situação política acabou ficando pior, obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica e tendo seus direitos sociais e políticos ainda mais cerceados. 

A associação de Eduardo Bolsonaro com Judas Iscariotas, sinônimo de traição, se escaixa dentro da tradição cultural religiosa do Brasil. Contudo, Judas traiu Jesus Cristo em particular, não a sua pátria. 

Outro nome citado foi Joaquim Silvério dos Reis, o traidor dos inconfidentes mineiros. Considerado um nome sinônimo de perfídia no Brasil, Silvério não foi o único, mas foi o mais destacado entre os denunciadores do movimento de libertação de Minas Gerais. Neste caso, há a tentação de comparar Trump à rainha de Portugal, Maria I, sendo ambos considerados mentalmente perturbados. Mas o governo brasileiro está bem longe de ser formado por gente oprimida por tiranias sedentas de impostos, sendo comparado a uma delas. 

Também se fala em Domingos Fernandes Calabar, um proprietário de terras de origem mestiça ("mameluco"), considerado outro traidor do Brasil. No caso, da colônia portuguesa, pois viveu no século XVII, entre 1609 e 1635. Ele se aliou aos invasores holandeses e ajudou-os nas pilhagens e nas batalhas contra os lusitanos, visando satisfazer seus interesses pessoais, mas foi emboscado, capturado e estrangulado, sendo sua memória amaldiçoada até hoje. Mas Calabar não visava beneficiar outras pessoas, como Eduardo Bolsonaro faz, e nem era sua intenção prejudicar o Brasil, ainda muito longe de ser um verdadeiro país naquela época. 

Outro nome citado, desta vez pelo ex-ministro do STF Celso de Mello, foi (Vidkun) Quisling, um ex-governante da Noruega, que teria entregado seu país aos nazistas. Virou um adjetivo para gente pérfida, inimiga da democracia. Mas esse termo seria mais adequado para alguém amante do totalitarismo e da tirania, coisa que o governo americano não é, apesar de Trump adotar às vezes medidas autoritárias. Para os opositores de Lula e do STF, quem se parece mais com o nazismo é o governo brasileiro, por sua perseguição tenaz a quem tenta erguer a voz contra ele. 

Eduardo Bolsonaro ainda será um nome muito falado, mas nem sempre será como traidor, ou como um defensor dos conservadores contra uma tirania "esquerdista". Para muitos, ele não se encaixa nesses papeis, e sim como alguém capaz de causar grandes estragos sem conseguir benefício pessoal, pois o risco de perder o mandato ou ser preso não pode ser desprezado. 


segunda-feira, 28 de julho de 2025

Faltam três dias...

... parece que o tarifaço de Trump está mesmo para ser aplicado. 

Muitos empresários e parlamentares não quiseram esperar a resposta de Lula à medida do governo americano e estão agindo. Uma comitiva de parlamentares foi a Washington para conversar com colegas do Capitólio, tanto do Partido Republicano (o de Donald Trump) quanto o do Democrata. Eles querem evitar a taxação de produtos importantes nas exportações brasileiras, como o aço. 

O governo prefere agir de outra forma. Sabe-se que existem vários motivos para a taxação, além dos políticos. Uma motivação bastante forte é a exploração de recursos minerais valiosos, como as "terras raras" (metais como o neodímio, o disprósio, o gadolínio e outros, cujos compostos são usados para imãs de alta potência, motores elétricos, turbinas e outros equipamentos de alto valor agregado). O Brasil ainda possui outros minerais cobiçados, como o nióbio, muito falado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Por causa disso, o discurso do governo acabou se aproximando do adotado pelo antecessor e "inimigo", mas discursos nada significam sem ações efetivas, e a exploração clandestina dos minerais continua, assim como a falta de controle e fiscalização, pois a exploração desses recursos possui alto impacto ambiental. Para piorar, não existem fábricas brasileiras para transformar essa matéria bruta, pois o processo é muito caro.

Lula (esq.) sabe que jabuticabas não bastam para aplacar a ira de Trump. Mas as ações efetivas dos brasileiros contra o tarifaço não vêm do governo (EFE/EPA/Christophe P. Tesson e Will Oliver)


Esse aparente nacionalismo de um governo até há pouco avesso a isso e sempre acusado de servir ao "globalismo" pelos opositores bolsonaristas, não vai impedir a implantação do tarifaço. E o Brasil sofrerá as consequências. Será que isso será o suficiente para Lula chorar de arrependimento por ter desafiado o seu poderoso colega? Pois os brasileiros certamente irão (e isso foi mostrado em postagem anterior).