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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Marca de cerveja tripudia de Aécio

Uma marca de cerveja pouco conhecida fora do Rio de Janeiro, a Rio Carioca, resolveu fazer um marketing ousado: usando as redes sociais, a pequena cervejaria, usando o humor e a irreverência atribuídos ao espírito carioca, fez um anúncio inspirado na insólita sentença do STF atribuída ao (oficialmente) senador Aécio Neves: ele fica proibido de sair de casa à noite e de viajar ao exterior, e seu mandato é suspenso, até apurarem as gravações da JBS envolvendo o senador e os alegados repasses de dinheiro da empresa envolvendo terceiros com destino final ao tucano. 

A cervejaria Rio Carioca usou o senador Aécio Neves como inspiração (Divulgação)

Usar as redes para divulgar produtos é algo já bem corriqueiro entre as empresas, devido ao valor investido relativamente baixo e ao potencial de disseminação, mas, como no marketing tradicional, tudo depende da aceitação do produto. Aécio Neves não vai querer saber dessa marca nem se conseguir reerguer-se politicamente (e ele não está sozinho, pois conta com o apoio da maior parte dos colegas no Senado, que se revoltou com a interferência do STF e apontou uma nova crise entre os Poderes), e deve torcer para a cerveja não cair no agrado dos consumidores. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Lista das coisas mais estranhas da semana

1. Calor de mais de 30 graus no fim do inverno paulista.

2. Joesley Batista, o novo "vilão" nacional, falando em "confrontar os donos do poder".

3. Gilmar Mendes citando poeta Bocage para falar do desafeto Rodrigo Janot (*).

4. Gisele Bundchen aparecendo descalça para apresentar o Rock in Rio, que começou hoje.

5. As pesquisas "premiadas" com o IgNobel, entre elas dois trabalhos de brasileiros (**).

6. Peixe encontrado morto na costa do Texas após o furacão Harvey virou motivo de polêmica (***).


(*) Ele citou o título de um poema escrito quando o poeta português estava à beira da morte: Saiba morrer quem viver não soube. 

(**) Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco constataram a mudança de cardápio de uma espécie de morcego vampiro que passou a chupar sangue humano ao invés de atacar aves (categoria Nutrição); bem mais bizarro é uma outra pesquisa feita em Lavras, também premiada, que estuda insetos com vagina masculina e pênis feminino (categoria Biologia, ou seria sexualidade?). Não é bem o caso de fazê-los candidatos ao selo "Vergonha Nacional" de setembro para eles, e muito menos taxar o Brasil de "Vergonha Mundial" pelo fato de ganhar mais "IgNobeis" enquanto nem sinal de Nobel para brasileiro algum. Pelo contrário, essas pesquisas têm, com certeza, valor científico, e indicam a capacidade de adaptação das espécies. Contudo, quem cantar "Sou brasileiro com muito orgulho" por causa disso merece levar o selo de setembro ou um tratamento psiquiátrico.

(***) Parece um daqueles peixes das profundezas, mas não passa de uma enguia, que vive em profundidades relativamente baixas: é o Aplatophis chauliodus, confundido com um monstro marinho. 

O infeliz peixe causou celeuma (Preeti Desai/Twitter)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Mais um dia de depoimentos, julgamentos, prisões

Hoje foi um dia movimentado para a Polícia Federal e o Judiciário, em meio aos desdobramentos da grande rapinagem. O trabalho é árduo, está bem longe de terminar, e ainda estão começando a incomodar de verdade o núcleo político da megaquadrilha. Além da Lava Jato, outras operações no sentido de investigar as falcatruas dos últimos anos estão em curso.

Rodrigo Janot, procurador-geral e um dos protagonistas de toda a ação, foi julgado pelo STF, que acolheu a denúncia do presidente Temer para tentar colocá-lo em suspeição, por ser supostamente parcial e querer a incriminação dele a todo custo. O STF rejeitou a denúncia por unanimidade - apenas Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso não participaram. Ainda há o julgamento do pedido feito pela defesa de Temer para impedir Janot de apresentar nova denúncia. 

Houve a prisão do irmão de Joesley Batista, Wesley, e a Justiça mandou que os dois cumpram prisão preventiva, ou seja, sem prazo para serem soltos. Joesley já cumpre prisão temporária. Os dois são pivôs da grande crise envolvendo a Procuradoria-Geral e a Presidência, decorrente daquele questionado acordo entre a J&F, holding que controla a JBS, comandada pelos Batista, e Janot.

Wesley Batista estava exercendo a presidência da J&F quando foi preso (Marcos Bezerra/Futura Press)

Também houve o depoimento do ex-presidente Lula em Curitiba. Como no primeiro, este foi gravado. Mais uma vez Lula negou as acusações e chegou a usar a palavra usada por alvos da Lava Jato (ilações) para desqualificar as denúncias, inclusive e principalmente as feitas por seu ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci. Acusou-o de ser dissimulado e calculista, recebendo uma resposta igualmente dura do advogado de Palocci, Adriano Bretas, horas depois ("dissimulado é ele"). No final, ele questionou a parcialidade de Sérgio Moro, que não gostou da observação e mandou interromper o vídeo. Não é possível saber o que aconteceu depois disso. 



Em outra ação da Polícia Federal, Anthony Garotinho foi detido novamente enquanto apresentava seu programa de rádio, por acusações de destruir provas e ameaçar testemunhas. Ele também é acusado de comprar votos para beneficiar seu candidato à prefeitura de Campos, em 2016, Dr. Chicão (PR-RJ). Vai ficar em prisão domiciliar enquanto a segunda instância analisa o caso. Ele foi condenado a quase 10 anos de cadeia.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Já temos alguns candidatos neste mês

Algumas personalidades andaram se destacando neste mês de setembro, sejam elas brasileiras ou estrangeiras, por suas atitudes que afetam o nosso país.

Comecemos pelo banco Santander, que tentou fazer uma mostra de arte em Porto Alegre com o tema "diversidade sexual". Isso seria louvável, mas a abordagem levou muita gente a se questionar sobre o que seria realmente arte. Algumas obras do chamado "Queermuseu" pareciam ter valor nulo, destinadas apenas a chocar e afrontar os valores morais da sociedade. Usuários das redes sociais chegaram a acusar a mostra de "estimular" parafilias, como a sexualização de animais e crianças, algumas delas travestidas nos quadros. O MBL chegou a sugerir um boicote ao Queermuseu, e os organizadores apodaram o movimento de quererem a censura. Se fosse o caso, o MBL é que mereceria o selo "Vergonha Nacional" de setembro, mas não é nada disso: boicotar não significa proibir a mostra de expor ou impedir alguém de ir até lá ver as obras. E muito menos este blog se atreveria a isso, mesmo para um candidato ao selo como o banco.

A mostra do banco Santander... (Marcelo Liotti Junio)



... e o selo ao qual este blog se refere (do autor)

Outro candidato ao selo de setembro é o cantor sertanejo Zezé di Camargo. Durante o período mais sombrio do regime militar, entre 1968 e 1979, ele era menor de idade (tinha 17 anos quando o AI-5 foi extinto e houve a abertura política), mas isso não justifica dizer que "não houve ditadura no Brasil". Ele chegou a citar casos extremos, como Cuba, Coréia do Norte e China, que são tiranias genocidas, mas o regime militar foi, sim, um regime de exceção, com mortes, torturas e desaparecimentos forçados. Houve censura e sérias restrições ao voto e às manifestações pacíficas. O regime militar, caro Zezé, foi DITADURA, sim! Pior é sugerir que o "militarismo" possa vir a ser algo viável para o Brasil. E o cantor, um dos que conseguem se salvar da cacofonia vigente no Brasil, ainda se diz "muito politizado".

Mais merecedores do tal selo da vergonha no mês são os protagonistas do caso JBS: o presidente da empresa e da holding que a controla (a J&F), Joesley Batista, o procurador e ex-braço direito da PGR Marcelo Miller e o executivo da J&F, Ricardo Saud. Como já foi antecipado, líderes políticos dos Três Poderes e do Ministério Público (que NÃO é um quarto poder como muitos querem crer, mas é um instrumento para a normalidade institucional com funções definidas pela Constituição) não podem concorrer porque são hors concours, incluindo aí o presidente Michel Temer e o ainda procurador-geral Rodrigo Janot. 

Por fim, existe um pastor intitulado "apóstolo" que comparou a figura da Virgem Maria a uma Coca-Cola. A liberdade religiosa é garantida neste país, mas o proselitismo agressivo e ofensivo deve ser coibido. Gente que prega o sectarismo e espezinha outras religiões merece o selo da vergonha, seja ele evangélico, católico, islâmico, judeu, budista ou ateu.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Semana começa terrível

Mais uma semana de 2017 começa e, para (não) variar, com muitas notícias pesadas. 

1. O acordo firmado entre o Ministério Público e a JBS está com sinais de que vai ser desfeito. Rodrigo Janot constatou, não por falta de aviso ou prudência, que Joesley Batista, seu irmão Wesley e outros delatores da empresa estão omitindo informações, além de seu ex-braço direito, Marcelo Miller, ter-se transformado em suspeito de cometer atos ilícitos, como fazer acordos de delação à revelia da Justiça. Batista recebeu tantos benefícios em sua delação que lhe foi permitido até ir para o exterior, negociar ações em Nova York enquanto houve um circuit-breaker na Bovespa, devido ao pânico causado pelas denúncias contra Michel Temer, em maio, quando o caso JBS estourou. Parece que desta vez os irmãos Batista estão bem mais perto da cadeia, e Michel Temer, um pouco mais longe dela, quando sair do poder no dia 31 de dezembro de 2018 - não será antes.

2. A segunda-feira começou tensa em São Paulo, com a notícia de mais uma tentativa de assalto feita por uma quadrilha. Pelo menos 14 criminosos tentaram assaltar uma casa de alto padrão no Morumbi, zona nobre da cidade, mas a polícia interveio e matou dez deles, após intenso tiroteio, inclusive o líder, conhecido como "Sassá". Quatro policiais ficaram feridos sem gravidade. A contundente reação teve o apoio da população, não só do Morumbi mas de todo o Brasil, cansada de tantos roubos e assaltos.

3. Em mais um caso de violência, não tão feroz quanto o tiroteio no Morumbi mas muito pior por envolver uma criança inocente, ladrões realizaram um arrastão em Duque de Caxias, cidade do subúrbio carioca, e atiraram; uma das balas perdidas acertou na cabeça de um menino de oito anos, que morreu.

4. Mais terrível do que tudo isso é a perda de controle na Ásia, a partir dos testes de uma suposta bomba de hidrogênio feita a mando do tirano de Pyongyang, Kim Jong-un. Bombas de hidrogênio, ou de fusão nuclear, são potencialmente mais mortíferas do que as bombas de fissão, como as usadas contra Hiroshima e Nagasaki. O episódio mostrou o fiasco da política externa norte-americana com Barack Obama e Donald Trump, além de colocar o governo chinês num dilema: condenar seu aliado norte-coreano e evitar, ao mesmo tempo, uma possível atuação de forças norte-americanas perto de suas fronteiras terrestres e marítimas. São cada vez mais frequentes os temores de uma Terceira Guerra Mundial.

5. Por último, e não o pior, morreu a transgênera mais conhecida do Brasil, Rogéria, aos 74 anos. A artista, nascida como Astolfo Pinto, começou sua carreira de atriz depois de exercer a profissão de maquiadora, quando já se assumiu homossexual e passou a se vestir de mulher publicamente. Desafiou os padrões morais, principalmente durante a ditadura militar, e atuou em vários filmes e novelas da Rede Globo. Era figura frequente nos programas de auditório e nos desfiles de Carnaval. Mais do que um símbolo da diversidade sexual no Rio de Janeiro, Rogéria era uma artista carismática. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Enquete do dia

Quem vai para a cadeia primeiro?

a) Lula, cuja defesa está tentando demonizar o juiz Sérgio Moro comparando-o a um czar?

b) Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, acusado pela Justiça espanhola de lavar dinheiro com os jogos da Seleção juntamente com Sandro Rosell, ex-executivo do Barcelona?

c) Michel Temer, assim que sair da Presidência?

d) Joesley Baptista, o presidente da JBS, visto como o inimigo número 1 do Brasil (junto com Lula e Temer)?

e) Qualquer um de nós, brasileiros, menos os quatro nomes acima?

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Breves da quinta

Os brasileiros estão acompanhando com apreensão casos como a nomeação da nova procuradora-geral da República, a primeira mulher a ocupar esse cargo de vital importância para continuar o combate aos predadores do NOSSO DINHEIRO. Raquel Dodge já concorreu ao posto em 2015, junto com Rodrigo Janot, que tentava a reeleição naquele período. Como Janot não pode concorrer a um terceiro mandato, ele apoiou Nicolau Dino, mais votado pelos procuradores, com 621 votos (contra 587 de Raquel e 564 de Mário Bonsaglia). Isso pesa contra ela, mas por outro lado ela atuou em casos como a investigação dos esquadrões da morte e a Operação Caixa de Pandora, da PF, para investigar o ex-deputado Hildebrando Pascoal, conhecido como o "homem da motosserra", por agir assim contra seus inimigos no Acre. 

Enquanto isso, aquele mal ajambrado acordo entre a Procuradoria Geral e a JBS foi considerado válido pelo Supremo, mas eles alertam que fatos novos a serem descobertos podem tornar a medida ilegal. Gilmar Mendes e Marco Aurélio pediram medidas mais duras contra as medidas que deram privilégios a Joesley Batista, inclusive viajar a Nova York enquanto a Bovespa sofria uma das piores panes de sua história. Ele também foi o autor daquela famigerada gravação para tentar depor Michel Temer. 

Não se pode, porém, ficar nem um pouco contente com este governo, ainda mais porque houve um rombo de US$ 29 bilhões no mês passado e, para evitar novo ano de déficit monstruoso nas contas, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse que pretende aumentar os impostos, já extorsivos, para remediar a crônica voracidade estatal, marcada por cabides de emprego, tráfico de influência e má gestão do dinheiro. Existe, contudo, uma boa notícia: a meta de inflação vai diminuir para 4,25% em 2019 e 4% para 2020, mantendo o desvio padrão em 2%. 

Por tudo isso, ninguém está interessado na Copa das Confederações. A Alemanha fez mais uma vítima, o México de Chicharito Hernandez e Ochoa, com uma goleada nada impressionante para quem já fez 7 na última Copa: 4 a 1, com dois gols de Goretzka (apesar do sobrenome polonês, ele nasceu na Alemanha) em menos de dez minutos. Werner e Younes completaram, e Marco Fabián fez o gol de honra quando estava 3 a 0. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Sobre o novo pronunciamento

Hoje não faltaram más notícias, como mais um enorme ataque cibernético que atingiu boa parte da Europa, principalmente a Ucrânia, afetando sites de empresas e governos. É mais um caso de ramsonware, como no caso do último e devastador ataque em maio deste ano. Alguns sites brasileiros também foram atingidos, como o Hospital do Câncer em Barretos, segundo informações constantes no site do Estadão. 

Porém, pelo menos por aqui nada teve mais repercussão do que o novo pronunciamento do presidente Michel Temer, alvo de denúncias da Procuradoria Geral da República. Ele voltou a se defender atacando seus detratores, inclusive Rodrigo Janot, mas não explicou as razões de ter recebido Joesley Baptista, presidente da JBS e alvo de pelo menos cinco grandes operações da PF por irregularidades, corrupção, fraude e outros atos ilícitos. 

Chamou o trabalho da PGR de "trôpego", falou sobre as "ilações" e a "infâmia" da chamada "trama de novela", criticou a falta de consistência nas denúncias e chegou a dizer que o ataque dirigido a ele é um ataque à instituição Presidência da República, o que é descabido. O pior é ter ouvido: "Não sei como Deus me colocou aqui (a Presidência da República)", trecho mais próprio de países ficcionais distópicos, como "Lulistão" ou "Petistão", em alusão aos responsáveis por tê-lo colocado como vice da presidente cassada Dilma Rousseff, e não de uma nação em tese democrática como a nossa. Ele discursou para os congressistas, ainda capazes de lhe dar sustentação, apesar de sua minúscula popularidade, certo de que o tempo até as eleições em 2018 é curto demais e torna contraproducentes os esforços para depô-lo (na verdade, o cenário é - ainda - favorável para antecipar uma hipotética volta do grande "beneficiário" de todo a rapinagem, ou seja, o ex-presidente Lula). 


Leia o discurso abaixo (de acordo com o site de O Globo): 



Declaração à imprensa do Presidente Michel Temer


Se eu fosse presidente da Câmara dos Deputados, eu faria uma sessão pois temos quórum.

Eu quero agradecer muitíssimo, a propósito, a presença dos colegas senadores, colegas deputados, senhores ministros.

Foi até um aviso de última hora. Eu estou agradavelmente surpreso com este apoio extremamente espontâneo.

Quero agradecer muito aos senhores e às senhoras.

E o meu objetivo aqui, agora me dirijo mais uma vez cumprimentando a imprensa, toda a imprensa brasileira, não sei se há internacional também, mas eu quero me dirigir à imprensa para salientar, preambularmente, preliminarmente que eu me sinto no dever de fazer esta declaração. Não vou chamá-la de pronunciamento, acho que é um pouco pretensioso, mas é uma declaração, de alguma maneira, esclarecedora, tendo em vista uma denúncia ontem apresentada.

Vocês sabem que eu sou da área jurídica. Eu não me impressiono, muitas vezes, com os fundamentos, ou quem sabe até a falta de fundamentos jurídicos, porque advoguei por mais de 40 anos. Eu sei bem como são essas coisas. Eu sei quando a matéria é substanciosa, quando tem fundamentos jurídicos e quando não tem.

Então, sob o foco jurídico a minha preocupação é mínima. É claro que eu aguardarei com toda tranquilidade uma decisão do Judiciário. Respeito absoluto meu pelas decisões judiciais. Mas, evidentemente, se fosse só o aspecto jurídico, eu não estaria fazendo esse esclarecimento à imprensa brasileira e ao povo brasileiro.

Eu o faço em função da repercussão política e, particularmente, em função do ataque injurioso, indigno, infamante à minha dignidade pessoal. Convenhamos, de vez em quando eu brinco que eu já tenho mais de 50 anos, e eu tive ao longo da vida, uma vida, graças a Deus, muito produtiva e muito limpa. E exatamente neste momento, em que nós estamos colocando o país nos trilhos, é que somos vítimas dessa infâmia de natureza política.

Os senhores sabem que eu fui denunciado por corrupção passiva. Notem, vou repetir a expressão, corrupção passiva a essa altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi o dinheiro e não participei de acertos para cometer ilícitos. Afinal, isto é que vale.

Onde estão as provas concretas de recebimento desses valores? Inexistem. Aliás, examinando a denúncia, eu percebo - e falo com conhecimento de causa - eu percebo que reinventaram o Código Penal e incluíram uma nova categoria, a denúncia por ilação. Se alguém cometeu um crime, e eu o conheço, ou quem sabe se eu tirei uma fotografia ao lado de alguém, logo a relação é que eu sou também criminoso.

Abriu-se, portanto, meus amigos deputados, deputadas, senadores e senadoras, minhas senhoras e meus senhores, um precedente perigosíssimo em nosso Direito. Esse tipo de trabalho trôpego permite as mais variadas conclusões sobre pessoas de bem e honestas. Até dou um exemplo, se me permitem: como nós estamos falando de ilações - a ilação inaugurada por essa denúncia, ela não existe no Código Penal -, permitiria construir-se a seguinte hipótese: o assessor muito próximo ao procurador-geral da República, e dou o seu nome. E dou o nome por uma única razão, porque o meu nome foi usado deslavadamente inúmeras vezes na denúncia. Havia até, digamos assim, um desejo de ressaltar quase em letras garrafais o meu nome. Por isso eu dou o nome desse procurador da República de nome Marcelo Miller. Homem da mais estrita confiança do senhor procurador-geral.

Pois bem, eu que sou da área jurídica, meus amigos, eu digo a vocês que o sonho de todo acadêmico em Direito, de todo advogado era prestar concurso para ser procurador da República. Pois bem, este senhor, que eu acabei de mencionar, e lamento ter de fazê-lo, deixa um emprego, que como disse, é um sonho de milhares de jovens acadêmicos, advogados, abandona o Ministério Público para trabalhar em empresa que faz delação premiada ao procurador-geral.

E vocês sabem que quem deixa a Procuradoria tem uma quarentena, se não me engano, de dois ou três meses. Não houve quarentena nenhuma. O cidadão saiu e já foi trabalhar, depois de procurar a empresa para oferecer serviços, foi trabalhar para esta empresa e ganhou, na verdade, milhões em poucos meses. O que talvez levaria décadas para poupar. Garantiu ao seu novo patrão, o novo patrão não é mais o procurador-geral, é a empresa que o contratou, um acordo benevolente, uma delação que tira o seu patrão das garras da Justiça, que gera, meus senhores e minhas senhoras, uma impunidade nunca antes vista.

Basta verificar o que aconteceu ao longo desses dois, três últimos anos para saber que ninguém saiu com tanta impunidade. E tudo, meus amigos, ratificado. Tudo assegurado pelo procurador-geral.

Pelas novas leis penais, que eu estou dizendo da chamada ilação, ora criada nesta denúncia, que não existe no Código Penal, poderíamos concluir nessa hipótese que estou mencionando, que talvez os milhões de honorários recebidos não fossem unicamente para o assessor de confiança, que, na verdade, deixou a Procuradoria para trabalhar nessa matéria.

Mas eu tenho responsabilidade. Eu não farei ilações. Não farei ilações. Eu tenho a mais absoluta convicção de que não posso denunciar sem provas. Não posso fazer, portanto, ilações. Não posso ser irresponsável.

E no caso do senhor grampeador, o desespero de se safar da cadeia moveu a ele e seus capangas, para, na sequência, haver homologação de uma delação, e distribuir o prêmio da impunidade. Criaram uma trama de novela.

Eu digo, meus amigos, minhas amigas, sem medo de errar, que a denúncia é uma ficção. Eu devo explicações, como disse, ao povo brasileiro, a cada cidadão brasileiro, especialmente à minha família e amigos. Porque, olhe, vou fazer um parênteses aqui: Não há nada mais desagradável, os senhores têm familiares, do que a sua família estar a todo momento ligando a televisão, ou os jornais, e dizendo que o seu irmão, seu tio, seu pai é corrupto. Não há nada mais desagradável que isso. Este é o ponto que mais me toca.

Então, talvez neste tópico da dilação [ilação], pelas novas leis da dilação [ilação], da ilação, da ilação, que disse ora criada pela denúncia, poderíamos, talvez, concluir que os milhões não fossem unicamente para o assessor de confiança que deixou o cargo de procurador da República. E eu volto a dizer que eu não quero fazer ilações, não denuncio sem provas.

O que eu tenho consciência é que não posso criar falsos fatos, para atingir objetivos subalternos. Por tradição e formação, eu acredito na Justiça. Não serei irresponsável. O desespero de se safar da cadeia é que moveu o cidadão Joesley e seus capangas. Foi isto que fez com que se houvesse homologação de uma delação e a distribuição de um prêmio de impunidade.

Eu volto a dizer que a denúncia é uma ficção. Volto a sustentar que eu devo essas explicações, por isso estou insistindo nelas, talvez esteja sendo um pouco longo. E tentaram imputar a mim, como sabem, um ato criminoso, e não conseguirão, porque não existe jurídica e politicamente.

Mas exatamente quem deveria estar na cadeia, está solto para voar a Nova Iorque ou Pequim, ainda voltar para cá e criar uma nova história. Já que a coluna inicial referente à gravação começou a ser questionada, então disseram: vamos trazê-lo de novo, por uma nova história que ele venha a contar. Ele foi trazido. Até de chapeuzinho, é interessante, ele veio de boné para se disfarçar, nós não precisamos andar de boné, não temos o que disfarçar.

E eles conseguiram isso, o delator, porque foram preparados, treinados, prova armada, conversas induzidas. Eu sei, para enfrentar o tema, que criticam-me por ter recebido tarde da noite em minha casa o empresário Joesley. Recebi, sim, naquela oportunidade o maior produtor de proteína animal do País, senão do mundo, do mundo.

Interessante, que eu descobri o verdadeiro Joesley, o bandido confesso, junto com todos os brasileiros, quando ele revelou os crimes que cometeu ao Ministério Público, sem nenhuma punição.

Quero lembrar que o fruto dessa conversa é uma prova ilícita, inválida para a justiça. Basta até dizer aos senhores e às senhoras, quem deitar os olhos sobre a Constituição, eu recomendo a leitura do artigo 5°, inciso LVI, onde está dito expressamente como direito fundamental que não se pode admitir provas ilícitas. Ora bem, essa gravação foi questionada por um jornal, dois jornais, três jornais, pelo perito que eu coloquei, e agora mesmo na pesquisa feita seriamente pela Polícia Federal, pelo seu Instituto de Criminalística, está dito que há cerca de 120 interrupções, não é? O que torna a prova inteiramente ilícita.

Não fosse isso, a verdade é que quem lê a gravação, quando querem me imputar a ideia de que eu mandei pagar isso, mandei pagar aquilo, ao contrário. O que está dito na sequência de uma frase que o cidadão disse que é amigo de um ex-deputado, mantém boa amizade, eu digo: mantenha isso. Pois a conexão que se pretendeu fazer, daí a ilação, essa nova teoria do Direito Penal que os alunos da faculdade de Direito vão ficar de cabelos em pé quando souberem desta nova teoria. Disseram que não. Quando eu disse isso eu estava mandando pagar. E, aliás, o próprio ex-deputado, no dia seguinte, publicou uma carta desmentindo, e depois em depoimento desmentiu.

Pois são esses fatos que me assustam porque a regras mais básicas da Constituição não podem ser esquecidas, jogadas no lixo, tripudiadas pela embriaguez da denúncia que busca a revanche, a destruição e a vingança.

Portanto, eu não fugirei das batalhas, nem a guerra que temos pela frente. A minha disposição não diminuirá com ataques irresponsáveis à instituição Presidência da República, não quero ataques a ela, e muito menos ao homem Michel Temer. Não me falta coragem para seguir na reconstrução do País e, convenhamos, na defesa da minha dignidade pessoal.


Muito obrigado a vocês.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Brasil não é o Bananistão nem Westeros

O Brasil não é um daqueles países terminados com -istão, e nem aquela terra onde está o Trono de Ferro, tão cobiçado pelos representantes dos Sete Reinos. 

Infelizmente, também não está muito longe de se parecer com nenhum desses locais fictícios. Nunca se passou por uma turbulência tão grande na história deste país, nem mesmo em 1964, data do golpe militar que implantou um regime de exceção no país. Os períodos das guerras pela independência (início do século XIX) e as inconfidências mineira (1788) e baiana (1798) foram muito mais tranquilos. 

Pelo menos as instituições estão muito mais sólidas do que nessas datas. Até quando?

Michel Temer está se mantendo no poder, mas as reformas trabalhista e previdenciária estão ameaçadas com ou sem ele, que não consegue mais convencer a base aliada como antes. Ainda existe o perigo chamado Joesley Batista, o dono da Friboi, e o "homem da mala" Rocha Loures ainda não abriu a boca. Nem o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, ainda na prisão. Somam-se a isso tudo os depoimentos de Lúcio Funaro, ex-corretor de valores e agora preso no complexo da Papuda, em Brasília, por corrupção, acusando Temer e Moreira Franco de usarem recursos do Fundo de Investimentos do FGTS para beneficiar a BR Vias, dona da Gol, e a LLX, cujo sócio é Eike Baptista. 

A situação do ex-presidente Lula poderia ser mais confortável, ainda mais porque Edson Fachin retirou investigações contra ele relacionadas à Odebrecht das mãos de Sérgio Moro, alegando incompatibilidade de foro, ou seja, as ocorrências devem ser investigadas nos locais dos delitos (São Paulo e Distrito Federal), não em Curitiba. Não é, porém. Lula pode não se livrar de Moro, por causa de nova denúncia de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, a respeito do triplex no Guarujá. O ex-executivo disse que o imóvel foi oferecido como propina. 

Postulantes à Presidência da República em caso de destituição de Temer também mostram ser tão digeríveis como chumbo quente. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, os próximos da linha de sucessão, estão querendo recriar o "distritão", para 2018, ao lado da lista fechada, esta considerada inevitável. Regiões muito grandes e até Estados inteiros podem virar "distritões", acabando com os "puxadores de votos", mas aumentando o risco de candidatos sem voto suficiente, fazendo uma porcentagem enorme de votos válidos ser simplesmente desconsiderada na hora de escolher os candidatos. Ou seja, eles podem matar a democracia em nome dela e aumentar ainda mais o risco de uma kakistocracia, o governo dos piores (se não estamos em uma...). Além disso, eles parecem não ter um perfil muito favorável para a implantação das reformas. 

Fora isso, não temos outras opções à vista, numa implantação (pouco provável) das eleições diretas. Marina Silva provou sua fragilidade ideológica e pouca sintonia entre o que ela é capaz de implantar e as reais necessidades do povo. Jair Bolsonaro é um extremista amalucado seguido por pessoas apelidadas de "bolsominions" pelos detratores dele. Aécio Neves, mesmo se escapar da prisão pelo STF, é praticamente um ex-senador politicamente moribundo. 

Jesus Cristo tem outras ocupações a fazer, e não pode se ocupar só do Brasil. Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck não podem ser ressuscitados. Os problemas do Brasil não poderiam ser resolvidos, a curto prazo, por Sérgio Moro, Carmem Lúcia, Gilmar Mendes, Barack Obama, Donald Trump, nenhum deles. 

A única entidade que pode fazer o Brasil ficar longe da imagem de um Bananistão ou Westeros, neste clima de anomia (pelo menos até 2018) é o povo, por meio do trabalho e da vontade de melhorar este país sem depender tanto dos políticos. 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Balanço de maio

Maio termina, e o saldo foi negativo para o Brasil e talvez para o mundo. 

Foi o mês de mais uma grande crise política, provocado pelas gravações do dono da JBS para tentar incriminar Michel Temer e Aécio Neves. Enquanto no caso deste houve desgaste acentuado e um afastamento temporário, para Temer houve o recrudescimento da oposição e ameaças de ruptura na base aliada. Partidos menores romperam. O PSDB, porém, continuou apoiando o presidente, com crescente ressalva. 

Na pior parte da crise, os mercados reagiram em grande pânico, chegando a forçar um circuit-breaker, e ainda não há sinais de que tudo voltou à normalidade por causa da expectativa por reformas, as quais foram paralisadas devido à crise.

Antes, houve o tão falado depoimento entre Lula e Sérgio Moro, com uma sensação de frustração para os defensores da Lava Jato, que veem Lula como o grande beneficiário do Petrolão e, também, do esquema envolvendo o BNDES, lesado por ações de dirigentes de certas empresas como a JBS, e também para a militância petista, que não viu Lula "destruir" Moro (o contrário também não aconteceu).

Para o brasileiro comum, a convivência com o desemprego crescente - o número de pessoas a procura de emprego cresceu 23,1% entre abril de 2016 e abril de 2017 - aflige, e o desconforto piora com a sensação de falta de ordem e segurança. Em São Paulo, a desastrosa operação para desalojar habitantes da Cracolândia resultou no espalhamento dos viciados em crack em outros pontos da cidade, principalmente na Praça Princesa Isabel, que já sofria antes com a higiene e o risco de assaltos e roubos para sustentar o vício.

A boa notícia foi a queda nos juros: a reunião de hoje decidiu pela forte redução na taxa Selic, de 11,25% para 10,25%. Como sempre, o brasileiro comum vai demorar para sentir os efeitos da decisão, pois os juros do crediário e dos empréstimos não diminuem imediatamente com a medida - isso depende também do nível de inadimplência, que permanece alto: aumentou 4,3% entre as empresas, e entre as pessoas físicas o número é bastante alto: 58,3 milhões, em janeiro.

No exterior, cresceu a tensão na Coréia do Norte, com novos testes de mísseis e o envio de mais um porta-aviões para o Mar Amarelo, na costa da Coréia do Sul. Houve também atritos entre os Estados Unidos e a Europa, principalmente a Alemanha: Angela Merkel reclama do desrespeito americano aos tratados internacionais, enquanto Donald Trump fala em déficit crescente, com a Alemanha e outros países europeus contribuindo "pouco" para a Otan, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, cuja influência está perdendo terreno para a Rússia em questões como a guerra civil na Síria.

Junho começa agora e poderemos esperar por mais (más) notícias. Este ano está nos deixando com saudade de 2016!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Assuntos em mais uma semana tensa

1. O perito Ricardo Molina analisou as gravações de Joesley Batista e Michel Temer e desqualificou-a inteiramente. Em termos contundentes, disse que elas não servem como prova (clique AQUI e AQUI). Molina, contratado pelo advogado Antônio Mariz de Oliveira, amigo do presidente, catalogou os trechos inaudíveis e questionou a Procuradoria Geral da União por aceitar o áudio como indício de crime de responsabilidade por parte de Temer. 

2. Aconteceu no fim de semana o Grand Slam de Judô em Ecaterimburgo, Rússia. O destaque foi Erika Miranda, que ganhou ouro na competição ao derrotar a russa Alesya Kuznetsova. Erika era uma das esperanças de medalha na Rio-2016, mas não conseguiu, ao ser derrotada pela japonesa Misato Nakamura. Depois, David Moura derrotou o georgiano Levani Matiashvili nas finais dos pesados, e também ganhou ouro. 

3. Na Virada Cultural, acontecida no final de semana, não houve um único local: os eventos musicais e artísticos voltaram a acontecer no centro da cidade, mas também no Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte, e no Parque do Carmo, na Zona Leste, quase tão longe do centro quanto o Autódromo de Interlagos (Zona Sul), palco da Virada no ano passado. A chuva e o frio atrapalharam bastante, e a descentralização não ajudou a atrair o público, além de ter havido menor divulgação. Muitos artistas aproveitaram para fazer críticas a Michel Temer. 

4. Donald Trump está em Israel para reforçar os laços entre os Estados Unidos e o estado judaico, além de tentar promover a paz na região, algo difícil ainda mais para ele. Antes, ele visitou um dos aliados muçulmanos da região, a Arábia Saudita. Ele também vai visitar Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, para convencê-lo a dialogar com o governo israelense. Mais tarde, ele irá visitar o Vaticano, a Itália e a Bélgica, cuja capital, Bruxelas, é a capital de facto da União Européia. 

sábado, 20 de maio de 2017

Novo pronunciamento do presidente

Michel Temer fez uma acusação dura contra o presidente da JBS, Joesley Batista, dizendo que ele conspirou contra o Brasil, em novo pronunciamento. 

Leia a íntegra AQUI

O próprio Temer não explicou o seu envolvimento com Joesley, o que era esperado, mas, essencialmente, as acusações contra o executivo e delator têm fundamento. As chances de suspender o inquérito contra o presidente são boas, mas isso não vale para Aécio Neves, golpeado seriamente pelas gravações e obrigado a recorrer à Mesa Diretora do Senado contra o próprio Supremo, que mandou suspendê-lo.

Cabe fazer uma observação pertinente aqui: mesmo com a suspensão ou mesmo o arquivamento do inquérito, a vida de Temer seguirá difícil, pois a pressão em favor de uma renúncia continuará forte. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Por que Temer se safou e Aécio não?

O teor das conversas entre Michel Temer e Joesley Batista não mostra muita coisa a respeito da suposta tentativa de calar o deputado cassado Eduardo Cunha. Logo, apesar de ter afetado de forma impetuosa a normalidade do Brasil como país, não serve para dizer que o presidente cometeu crime. Logo, é bem possível que o nervosismo da quinta feira se reverta hoje, e a opinião pública fique  mais interessada nas intenções do dono da JBS, que já havia feito acordos de delação premiadas com garantias especiais para ele e seu irmão. 

Para ler e ouvir o conteúdo, clique AQUI. 

Por outro lado, a situação de Aécio Neves é muito pior. Está bem clara a gravação entre ele e o denunciante, com direito a insultos contra o presidente do Senado Eunício Oliveira e o ministro da Justiça Osmar Serraglio. As expressões empregadas são tão apropriadas para um senador quanto um estupro numa igreja. Leia AQUI. 

O senador tucano pode correr o risco de ver sua carreira política ser aniquilada. Já Temer, se depender apenas do áudio liberado pelo STF, pode se considerar ainda no cargo e ficar mais tranquilo, mas não muito, porque setores da sociedade, até mesmo os defensores das reformas e os que vociferavam e ainda vociferam contra o PT, considerado o grande beneficiado pelo mega-esquema de corrupção que devastou o Brasil, vão continuar furiosos com o atual presidente e seus aliados.

Enquanto isso, os Batista estão em Nova York, quando deveriam ser investigados mais a fundo. Afinal, a cúpula da JBS é acusada de várias irregularidades tanto no "Petrolão" quanto no BNDES, desde o início do governo Lula, e não faltam indícios de que eles se beneficiaram, mais do que foram prejudicados com a queda de 14% nas ações, com toda essa confusão que deixou o Brasil de novo num clima transtornado. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Volta da catatonia

Estampa de uma marca carioca de camisetas - adequada ao momento do Brasil nesta década

Ações derretendo, dólar explodindo, e pedidos para tomada de medidas extremas. Isso ocorreu em 2015 e 2016, e repete-se em 2017, no ameaçado governo Temer. 

Quando tudo parecia caminhar para uma recuperação lenta demais, gradual em excesso e não muito segura, parafraseando o famigerado mote da abertura política no período final da ditadura militar, as relevações do dono da JBS revelaram os podres do governo atual, derivado do antigo por ser Temer o antigo vice-presidente de Dilma. 

O senador tucano Aécio Neves e Guido Mantega, antigo homem forte da economia sob Dilma, foram também citados por Joesley Batista. Aécio já foi suspenso do cargo por ordem de Edson Fachin, e pode ser cassado. Por enquanto, Mantega ainda está pouco exposto nos holofotes, mas é questão de tempo até ele ser incomodado de verdade. 

Quanto ao principal nome, Temer, pronunciou-se hoje e confirmou o encontro com Joesley, mas nega categoricamente ter comprado o silêncio de Eduardo Cunha. Ele também fez questão de dizer que não renunciará, embora isso seja, para muitos, uma saída honrosa, defendida pelo MBL, pelo Movimento Brasil Livre, pela líder do movimento pró-impeachment de Dilma, Janaína Paschoal, e até por Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil. Este último fez um apelo para o Congresso, o Judiciário e o governo preservarem as instituições e a lei. 

Enquanto isso, os brasileiros estão vendo, desolados, a rápida e aterrorizante deterioração do sistema político-partidário no país, mal sustentado durante todo esse tempo até a ascensão de Lula, que conseguiu piorá-lo ainda mais em nome da "governabilidade", e se tornou pútrido com Dilma e Temer. O país está entregue à catatonia, de volta a um caminho sem rumo, à espera de milagres impossíveis e soluções ora fáceis e por demais ilusórias, ora efetivas mas cuja implementação parece muito difícil. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Novo escândalo abala governo Temer

Esta semana foi terrível para o governo Temer. Além da chapa estar prestes a ser julgada pelo TSE, o dono da JBS, Joesley Batista, denunciou o presidente por ter comprado o silêncio de Eduardo Cunha, notório sabedor de muita coisa em Brasília, inclusive um possível (mas ainda não provado) envolvimento do presidente no maior escândalo de corrupção deste século. As denúncias são baseadas em gravações ocultas. 

Apesar dos avanços econômicos e nas reformas, Temer não tem razão para estar tranquilo (Marcelo Camargo/Ag. Brasil)

Joesley ainda afirmou que pagou R$ 5 milhões ao deputado cassado após sua prisão e mais R$ 20 milhões por "agradecimentos" a um projeto de lei aprovada por aliados de Cunha para desonerar produtos de frango. 

Isto ainda precisa ser bem apurado. Enquanto isso, o governo, como sempre, tratou de se defender, negando as acusações. Membros do Planalto esperam que o STF considere isso uma confissão obtida por meios não autorizados pela Justiça, e, portanto, seu valor como prova seria questionável. 

Por outro lado, a oposição pediu o impeachment do presidente, pregando eleições diretas, mas isso depende fundamentalmente de uma ampla maioria (dois terços) do Congresso. Na verdade, é mais um ato de desespero dos petistas e simpatizantes do antigo governo, pois não têm nem de longe condições para realizar um impeachment e muito menos propor outro tipo de eleições senão as indiretas, pois já se está bem além da metade do período definido entre 2014 e 2018. 

Mesmo assim, é algo terrível, capaz de abalar o otimismo do governo com reformas consideradas impopulares e amargas (para evitar tomar medidas piores no futuro) e uma recuperação econômica pífia (embora obviamente melhor do que a recessão vivida entre 2013 e 2016).