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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 8 - Terminou

Ontem, os Jogos Pan-Americanos terminaram. 

É possível, por meio dos resultados obtidos, apontar tendências para o esporte nacional em um evento muito mais abrangente e importante, as Olimpíadas do Rio. 

Primeiro, as más impressões. No atletismo, não se pode esperar muito, pois nossos atletas tiveram dificuldade, e apenas Juliana Santos conseguiu um ouro, nos 5000 m, e Yane Marques foi campeã no pentatlo moderno; elas podem fazer bonito no Rio. O vôlei de ambos os sexos e o futebol masculino ficaram sem ouros, e podem gerar decepções nas Olimpíadas se não houver uma mudança de postura por parte dos técnicos e dos jogadores. Na ginástica artística, nada se pode esperar da maior parte dos atletas dessa modalidade, a não ser, é claro, Arthur Zanetti. O hipismo também não brilhou, e a tendência é o Brasil ficar bem atrás dos europeus neste esporte. Vale lembrar que o Pan é menos relevante do que os torneios mundiais para as Olimpíadas. 

Temos, contudo, boas notícias. Vários atletas se deram bem em modalidades onde o Brasil tem tradição (judô, natação, tênis de mesa) e mesmo em outros esportes (canoagem, tiro, esgrima). Handebol e futebol feminino se deram bem no Pan, mas durante os Jogos Olímpicos a história tenderá a ser outra. É preciso ver como todos eles se saem diante de europeus, asiáticos, africanos, australianos, neozelandeses, além dos grandes atletas das Américas. 

No quadro de medalhas, um ranking que não tem muita serventia se não acompanharmos os jogos, o Brasil ficou atrás apenas do Canadá e dos EUA, superando Cuba, outrora potência esportiva relevante. Os 41 ouros brasileiros são bem menos do que os 78 canadenses e os 103 americanos, e não superam os 48 de Guadalajara, mas por si só não mostram piora no cenário esportivo do país. 

Portanto, nada de muito otimismo, mas também não se pode dizer que iremos mal em "casa". Não dá para anunciar um fiasco (como o da Seleção da CBF) antecipadamente. É bem possível que haja motivos, pelo menos alguns, para sorrir durante os Jogos de 2016. 


sábado, 25 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 7 - Brasil consolida-se no quadro de medalhas. No entanto...

Este foi o penúltimo dia de competição e os Jogos Pan-Americanos de Toronto foram um bom teste para as competições mundiais e, principalmente, as Olimpíadas do Rio. 

Mostremos primeiro as decepções. 

Primeiro, as meninas do vôlei. Elas jogaram pior do que as americanas nos dois primeiros sets. No terceiro, chegaram a fazer 19 a 12, mas as americanas souberam reagir e fecharam o jogo. Uma derrota dolorosa, mas o time formado por Fernanda Garay, Camila Brait, Adenísia, vai assimilar bem, mesmo porque é um mistão (Dani Lins e Carol, entre outras, estão no Grand Prix e também perderam para os Estados Unidos hoje, também por 3 sets a 0 para uma equipe muito mais forte em relação à que ganhou o ouro no Pan). 

O futebol masculino foi outra decepção. Foi o primeiro bronze, com gosto de ferro, numa vitória de Pirro contra a "poderosa" equipe do Panamá. De virada, diga-se: os adversários da América Central abriram o placar, e Luciano levou a partida para a prorrogação, para haver mais dois gols de Lucas Piazon e novamente Luciano. Mesmo com os 3 a 1, esta equipe, que não é a olímpica, está fadada ao esquecimento. 

No hipismo por equipes, o Brasil também foi apenas razoável, mas canadenses, venezuelanos e, principalmente, americanos, saíram-se melhor. 

Por fim, o atletismo, onde o Brasil depende de alguns nomes para brilhar. Foram meros coadjuvantes, diante de canadenses e norte-americanos. Por sorte, os atletas verde-amarelos não foram os únicos a falhar. Embora o cubano Richer Perez tivesse ganho o ouro na maratona, seus companheiros não foram tão bem e Cuba perdeu definitivamente a chance de ultrapassar o Brasil no quadro de medalhas: 35 contra 41 ouros.

Agora, as boas notícias.

Na esgrima, a equipe masculina conquistou a prata na categoria florete, encerrando uma das melhores participações nesta luta. Mesmo assim, faltou o ouro. Quem sabe no próximo Pan...

O futebol feminino mostrou categoria, com direito a um gol incrível de Maurine, o segundo dos quatro feitos contra as colombianas. Elas bem que tentaram, mas não foram páreo para a Seleção Brasileira, mesmo sem Marta. Os 4 a 0 trazem um pouco de otimismo, mas as Olimpíadas prometem  ser - e certamente serão - muitíssimo mais duras.

Não existe "martadependência" na Seleção Feminina de Futebol (Rafael Ribeiro/CBF)

Temos dois ouros (equipe masculina e Hugo Calderano) e três pratas (outros individuais e equipe feminina) no tênis de mesa. Um bom resultado, mas poderia ser melhor. Calderano teve de vencer o compatriota Gustavo Tsuboi, e os dois ocuparam os melhores lugares do pódio.

Um ouro inesperado foi para o boliche, esporte que não costuma dar muitas alegrias aos brasileiros: Marcelo Suartz conseguiu, ao derrotar o venezuelano Amleto Monacelli, além do americano Devin Midvell e o canadense Dan Maclelland.

No handebol masculino, algo parecido com o handebol feminino: Tiveram de enfrentar a equipe argentina, e conseguiu vencê-la na final, para deleite da torcida, principalmente aqueles ávidos pela tradicional rivalidade esportiva. Houve uma diferença fundamental: precisaram enfrentar duas prorrogações e fazer 29 gols, contra 27 dos hermanos.

Ouro também no basquete masculino, coisa rara de se ver. A equipe teve de enfrentar a desconfiança da torcida brasileira e o apoio da torcida local pelos adversários. Houve sofrimento, mas os brasileiros levaram a melhor sobre os canadenses: 85 a 71. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 6 - Brasileiras são penta no handebol

A dois dias para o final das competições, Cuba está se saindo bem no atletismo, justamente onde os brasileiros mais têm dificuldade para conseguirem bons resultados. Não tão bem, porém, e ainda estão atrás dos brasileiros no quadro de medalhas: 31 contra 35 ouros. 

Um dos atletas da ilha caribenha, Pedro Pichardo não deu chance aos adversários e pulou 17,54 m, conseguindo o ouro no salto em distância. Denia Caballero superou a compatriota Yaimé Perez na prova de lançamento de disco, deixando a americana Gia Lewis Smallwood amargando o posto mais baixo do pódio. 

Os brasileiros vêm se esforçando, com alguns bronzes, como o da equipe feminina de esgrima, que tomaram a medalha das cubanas por 38 a 29, e o de Jucilene de Lima e Júlio César de Oliveira, ambos no lançamento de dardo. Houve também a prata de Roland Julião, prata no lançamento de disco. Nada mal.

No basquete masculino, os brasileiros já superaram o time B dos Estados Unidos e agora venceram a República Dominicana por 68 a 62, para disputarem o ouro com o Canadá. A Seleção Brasileira de Vôlei Masculino está no momento seguindo o caminho das meninas ao enfrentaram os porto-riquenhos. No momento, ganham por 2 sets a 0.

O melhor, porém, ficou para o handebol feminino. Depois de um começo pífio, e ainda por cima contra as argentinas, chegando a levar 7 a 2, as brasileiras reagiram, principalmente no tempo final, e terminaram o jogo com 25 gols contra 20 das hermanas. Conquistaram o pentacampeonato e o ouro no Pan.

Assista abaixo um pequeno resumo, a partir das transmissões da Record, que vem deixando a desejar na transmissão dos jogos, dos quais tem os direitos de transmissão. Pior faz a Globo, que nem destaque dá às competições no Globo Esporte ou no Jornal Nacional.


Pelo menos alguns brasileiros dão alegrias, enquanto outros fazem de tudo para arruinarem a vida do país, ao desencadearem mais um dia terrível para a economia, com o dólar disparando e já chegando aos R$ 3,34, e a Bovespa caindo 1,13%, para atingirem 48.848 pontos, menos nível desde março. Tudo por conta do maior escândalo político do Brasil no século XXI, que a Operação Lava Jato está tentando desmantelar. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 5 - Sufoco no vôlei, Fabiana Mürer e ouro no caratê

Neste dia, o Brasil voltou a ganhar medalhas de ouro, após um dia marcado pelo atletismo, onde o Brasil ainda tem muito a evoluir: Flávia de Lima foi uma das poucas a se dar bem, ao ganhar o bronze nos 800 m rasos. O ouro veio em outro esporte, o caratê: Valéria Kumizaki, após tentativas no Rio e em Guadalajara, conseguiu seu primeiro ouro, aliás, o primeiro ouro no caratê, ao derrotar por pontos a canadense Kate Campbell. Douglas Brose já foi campeão mundial de caratê, mas só havia ocupado o posto mais baixo do pódio em um Pan. Conseguiu seu intento ao derrotar o venezuelano Jovanni Martinez.

Douglas Brose exibe a sua medalha de ouro e segura o boneco que representa a mascote Pachi (USA Today Sports)

Voltando ao atletismo, temos Fabiana Mürer, em duelo pessoal com Yarisley Silva, atual melhor do mundo. Deu a lógica. Mürer não conseguiu superar a cubana, que pulou 4,85 m. A brasileira conseguiu saltar até 4,80 m e ficou com a medalha de prata.

Bem pior estava a Seleção de futebol, que conseguiu perder de virada do Uruguai. Com um a mais, o Brasil teve dificuldade e só conseguiu abrir o placar no segundo tempo, com Clayton, em pênalti mal cobrado que virou rebote. Dodô foi expulso, os uruguaios cresceram, e fizeram dois gols em apenas um minuto, com Schettino e Castro. O futebol brasileiro definitivamente não é mais o mesmo, desde antes do 8/7. 

No vôlei, houve duas consequências notáveis de se montar duas seleções femininas, uma para o Grand Prix e outra para o Pan. No primeiro caso, Dani Lins, Gabi, Carol e suas companheiras foram derrotadas sem piedade pelas sempre terríveis russas por 3 sets a 0 (25/19, 28/26 e 25/19), mas desta vez sem choro, porque ainda estão na fase de grupos. No segundo, foi a vez de Fernanda Garay e Mari sofrerem: as portorriquenhas começaram muito melhor e venceram os dois primeiros sets, ameaçando perigosamente tirar as brasileiras das finais: 18/25 e 24/26. Zé Roberto Guimarães, comandando em Toronto, ordenou a reação, e as brasileiras aos poucos tomaram conta do jogo. Venceram os sets finais por 25/22, 25/19 e 15/11. Felizmente, nas Olimpíadas do Rio, Zé Roberto só terá que montar um time. 

Assuntos muito comentados que ofuscam os holofotes em Brasília

Mesmo com notícias arrepiantes vindas de Brasília, como o rebaixamento das metas de superávit primário, de 1,13% para 0,15% e as descobertas vindas da Operação Lava Jato (respaldadas por investigações da Odebrecht feitas na Suíça e nos Estados Unidos), muita gente estava comentando outros assuntos: 

1. O uso da cúrcuma pela filha de Gilberto Gil, a Bela, preocupada em estimular o uso de produtos naturais. Ela escova os dentes com este produto, e muita gente cornetou a prática. Bela Gil afirmou não ter lançado nenhum modismo, afinal ninguém vai deixar de usar cremes dentais só por causa de uma subcelebridade. 

2. Na Copa Libertadores da América, o Internacional deu vexame e perdeu feio do Tigres por 3 a 1, acabando com o sonho de ganhar o terceiro título e ter o privilégio de ser escorraçado do Mundial de Clubes pelo Barcelona numa suposta final (pois somente um Poliana dos pampas iria sonhar com o time de Nilmar conseguindo algo contra o time de Neymar - e Messi, Suárez, Iniesta...). Quem acabou ganhando a vaga é o River Plate, pois o Tigres é time do México, um país fora da Conmebol.

3. Continua a polêmica sobre o gesto de continência adotado por muitos atletas brasileiros nos jogos Pan-Americanos (o Pan 2015), a grande maioria militares na ativa. Boa parte dos críticos vê isso como uma espécie de atentado à democracia, enquanto outros vêem respeito às Forças Armadas, das quais eles são representantes. Ainda associam qualquer gesto militar como os anos de chumbo, o que é paranóia ou mistificação, ou ambas as coisas. 

4. Existem os atuais assuntos vindos da televisão, como o "book rosa", catálogo de modelos usadas para programas sexuais, abordado na novela das onze, Verdades Secretas, da Globo, assim como o MasterChef, as séries de TV por assinatura (principalmente Game of Thrones) e as novas-antigas fofocas sobre celebridades.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 4 - Brasil já tem mais de 100 medalhas, mas...

Quando se fala de Brasil, sempre há contravérsia em tudo, inclusive no esporte.

Sim, neste Pan de Toronto o Brasil está muito bem no ranking, em um incrível terceiro lugar, atrás apenas de Canadá e EUA e à frente de Cuba, considerada uma potência esportiva. Os atletas brasileiros conquistaram 102 medalhas, sendo 30 de ouro. Thiago Pereira é o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos. Modalidades como canoagem conseguiram a proeza de ter levado todas as medalhas possíveis (os atletas ganharam 3 ouros, 6 pratas e 5 bronzes). Judô e natação continuam dando muita alegria à torcida.

Por outro lado, certas modalidades estão mostrando suas deficiências. O basquete feminino, por exemplo, que perdeu do Canadá por um placar avassalador (91 a 63), teve de disputar o bronze com Cuba e também se deu mal: 66 a 62. Por conta disso, não se deve esperar muito das meninas. Nenhuma delas pode se equiparar a grandes nomes desse esporte, como Hortência e Paula, jogadoras dos anos 1990. Outra modalidade bem mais destacada por aqui é o futebol masculino, abalado para sempre pelo 8/7: conseguiram ceder um empate com o Panamá quando estavam vencendo por 3 a 0. Se vacilaram contra um time que não é nem de longe tão brilhante como o da Argentina ou do Uruguai, também há o risco fortíssimo do Brasil não ganhar nada importante no futebol internacional nesta década.

Outro esporte onde o Brasil não correspondeu foi o tênis. Com os principais tenistas privilegiando os torneios mundiais, as promessas das quadras ficaram sem medalha. Nenhum deles até agora chega a ser um Guga ou uma Maria Esther Bueno, mas não se pode perder a esperança porque eles ainda estão adquirindo experiência. A situação do tênis de mesa é bem diferente. Ainda estamos no começo das disputas por medalha, mas os atletas brasileiros começaram muito bem, com 12 vitórias até agora.

Quanto à modalidade mais importante do Pan, o atletismo, o Brasil não tem grandes pretensões, embora, na maratona, Adriana da Silva tenha conseguido a prata, um resultado, ainda assim, um tanto decepcionante porque ela foi campeã em 2011. Neste ano, a peruana Gladys Tejeda venceu. Caio Sena Bonfim foi bronze na marcha atlética (20 km), prova sempre ridicularizada devido ao "rebolado" dos competidores. O elenco brasileiro não conta com Maurren Maggi, que se aposentou neste ano. O maior destaque é mesmo Fabiana Mürer, que ainda não estreou. Vale lembrar que as provas de atletismo estão ainda no começo. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 3 - O rei do Pan é apenas um dos destaques

Thiago Pereira conquistou o bronze nos 200 m peito e participou do revezamento 4x200 m livre, juntamente com Luiz Altemir, João de Lucca e Nicolas Oliveira. O quarteto conquistou o ouro e, com isso, o "Rei do Pan" termina sua participação nos Jogos Pan-Americanos. Conseguiu seu objetivo. Somando suas participações em Santo Domingo, no Rio e em Guadalajara, o nadador carioca já ganhou 23 medalhas, superando Gustavo Borges, por sinal seu amigo. 

Não é o fim da carreira de Thiago, que ainda vai participar das Olimpíadas no Rio, em busca de uma inédita medalha de ouro olímpica, algo já conseguido pelo "arquirrival", o paulista Cesar Cielo, que não disputa em Toronto. É uma missão quase impossível (embora não totalmente), pois os ouros foram conquistados por equipes, e na disputa individual o "Rei" parecia não ser tão majestoso.

Nos 200 m peito, outro Thiago conquistou o ouro, com sobrenome Simon. O já citado João de Lucca ganhou nos 200 m livres, e também coleciona uma medalha dourada. 

Em outra modalidade, levantamento de peso, Fernando Reis conseguiu erguer 235 kg no arremesso, algo estupendo principalmente para os não-atletas, e subiu no alto do pódio. Durante a sua sessão, ele teve de erguer, ao todo, 435 kg, quase meia tonelada.

O "brutamentes" Fernando Reis não fez o ouro ir apenas para os nadadores (Divulgação/COB)

Decepção apenas na ginástica artística, categoria celebrizada nos Pan anteriores. Daniele Hypolito e suas companheiras conquistaram "apenas" o bronze. Espera-se melhor resultados nas Olimpíadas, onde os ginastas brasileiros, com exceção de Arthur Zanetti, não brilharam.

Outras medalhas foram comemoradas, e algumas nem tanto, como a prata de Emerson Duarte, no tiro esportivo, pois ele sabia que tinha chance de algo melhor, e por um ponto não conseguiu. Também uma prata amarga no polo aquático, mas os brasileiros estavam enfrentando o time americano, que já havia levado cinco ouros seguidos. Desta vez o ouro americano não veio tão fácil (11 a 9).

Reação diferente tiveram as duplas de badminton: Lohaynny e Luana Vicente, Daniel Paiola e Hugo Arthuso, ganharam medalhas de prata, as primeiras da modalidade na história do Pan.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 2 - Terça-feira atlética

O termo (dia da semana) gorda não parece o mais adequado para definir a atual situação das equipes brasileiras nestes Jogos Pan-Americanos. Gordo não combina com esporte, com o perdão do "politicamente correto" vigente. Está mais para atlético, mesmo. 

Neste dia os brasileiros mostraram competitividade, o que pode ser um bom indicador para as Olimpíadas, um evento bem mais exigente. Tivemos as atuações de Arthur Zanetti, conhecido mundialmente pela sua atuação em Londres-2012, e Thiago Pereira. Porém, a boa notícia para os torcedores não veio apenas dessas estrelas. 

Jacqueline Ferreira se encarregou de ser a primeira brasileira a ganhar uma medalha no levantamento de peso, conseguindo erguer 230 kg. A nadadora Joanna Maranhão faturou também o bronze nos 200 m borboleta. Seu namorado, o judoca Luciano Correa, venceu a disputa contra Marc Deschernes e ganhou nada menos do que o ouro. O casal acabou sendo um dos destaques da competição e foi comentado nas redes sociais. Infelizmente nem todos por esse motivo, pois Joanna foi uma das que apareceram para palpitar sobre a redução da maioridade penal num vídeo. Durante as competições é melhor esquecer esse episódio infeliz. 

Zanetti conquistou o ouro nas argolas, logo após outra grande performance do canoísta baiano Isaquias Queiroz, medalha de ouro pela segunda vez, na categoria C1 200m. Como era esperado, ele fez uma apresentação de grande qualidade. Precisava, pois ele, campeão mundial e medalhista de ouro em Olimpíadas, curiosamente não tinha uma vitória em um Pan. 

Arthur Zanetti após a conquista do ouro no Pan (Ezra Shaw/Getty Images)

Thiago Pereira, o já tarimbado nadador, nem precisou se esforçar muito (aliás, nem um pouco) pois seus companheiros Matheus Santana, João de Lucca, Bruno Fratus e Marcelo Chiegherini vencem a prova de revezamento 4x100 m, desbancando os quartetos americano e canadense. Os donos da casa, mesmo com a torcida a favor, só ficaram com a prata. Thiago se classificou para as finais dos 100m crawl e ganhou o direito de receber a medalha por equipes, devido a uma curiosa regra dos Jogos. 

Leonardo de Deus, outro nadador, também se deu muito bem, mas na modalidade 200m borboleta. Também ganhou a medalha dourada. 

David Moura foi mais um atleta a conquistar a torcida. Judoca, subiu no ponto mais alto do pódio ao vencer Freddy Figueroa na final dos pesados. Mayra Aguiar poderia engrossar a lista, mas perdeu para a americana Kayla Harrison, simplesmente campeã olímpica e considerada "arquirrival" da brasileira. Ela até se saiu bem, mas acabou cometendo alguns erros, enquanto a americana foi mais constante. Mesmo assim, a medalha de prata foi um bom resultado e um estímulo para as Olimpíadas do Rio. 

Com os resultados acima, o Brasil subiu de posição, superando o México e conquistando o quinto lugar no quadro de medalhas. O número de ouros dobrou só nesta terça. 

Neste dia, também houve uma inédita medalha de ouro para a Guatemala, país da América Central, com o ginasta Jorge Veja, de apenas 19 anos e 1,48 m. Ele fez uma apresentação surpreendente e superou os americanos. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Da série Pan 2015, parte 1 - Brasil empolga apesar das ressalvas

As competições dos Jogos Pan-Americanos em Toronto, Canadá, começaram na semana passada e o Brasil, mesmo mostrando suas limitações em termos técnicos e financeiros (a velha questão do patrocínio para a maioria dos atletas), consegue empolgar. 

À parte os resultados no triatlo e nos saltos ornamentais sincronizados, para citar algumas decepções, os competidores do Brasil mostram competência. 

Hoje, na canoagem, destaque para Isaquias Queiroz, na prova individual categoria C1 (canoa com uma pessoa) 1000 m, venceu a prova e ficou com o ouro hoje. Também foi digna de elogios a atuação da dupla Ingrid de Oliveira e Giovanna Pedroso, que surpreendeu e conquistou a prata nos saltos sincronizados. Nada mal, considerando que Ingrid, em sua primeira exibição, caiu de costas na água. Ela também se destacou pela beleza física. Outro destaque foi a jovem ginasta Flávia Saraiva, com apenas 15 anos, que superou rivais bem mais velhas e experientes e ficou com o bronze. Por fim, temos o veterano Tiago Camilo do judô, ganhador do sexto ouro brasileiro (e terceiro na carreira dele no Pan). 

Isaquias Queiroz (ao centro) foi o destaque entre os brasileiros hoje (Jeff Swinger/USA Today)

Antes, houve vários momentos importantes protagonizados pelos brasileiros. As primeiras medalhas vieram do judô, esporte onde o Brasil sempre tem chance de medalha, com destaque para os ouros de Charles Chibana, judoca da categoria 66 kg, que venceu o canadense Antoine Bouchard na final, e Erika Miranda, também judoca, mas na categoria 52 kg, que derrotou a também representante do país-sede, Ecaterina Guica. Depois, Felipe Wu se destacou no tiro esportivo, com pistola de ar, vencendo competidores fortes como o americano Jay Shi. Tivemos também a grande exibição de Marcel Strümer, na patinação artística. Ele conseguiu o quarto ouro do Pan, e se tornou tetracampeão. 

A primeira medalha do Brasil foi de Nathalia Brígida, bronze no judô na categoria 48 kg. 

Além disso, tivemos atuações de destaque no judô (uma prata e cinco bronzes, além dos ouros já citados), hipismo (bronze), ginástica artística (equipe feminina conquistou o bronze), canoagem (equipe masculina e Gilvan Ribeiro em apresentação individual ganharam prata) e até o rúgbi (bronze). 

Tivemos ainda o começo das disputas de atletismo, vôlei de praia (masculino e feminino, com destaque para a dupla Lili e Carolina Horta) e futebol (onde o time, formado por jovens, goleou na estreia o Canadá por 4 a 1 e em nada lembrou a decadente seleção principal, marcada por fiascos memoráveis).