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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Presidente se manifesta

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento estarrecedor de tão breve, levando apenas 2 minutos e 40 segundos. Como o finado Enéas, seu ídolo, ele falou pouco e disse muito. Reconhece a insatisfação e o direito de protestar dos manifestantes, mas não respalda os bloqueios, e, apesar de não falar o nome de Lula e nem reconhecer implicitamente a derrota, disse ter autorizado Ciro Nogueira a coordenar o processo de transição. 

O pronunciamento de hoje nas redes sociais foi também neste caminho. Ele fez um apelo pela desobstrução das rodovias, e voltou a falar em respeito às "quatro linhas da Constituição". Muitos dos apoiadores do presidente não querem saber do verdadeiro sentido da lei e do artigo 142 e continuam a pedir a tal "intervenção federal". 

Enquanto isso, a televisão, os jornais e outros meios de comunicação pertencente à grande mídia fazem questão de apontar os aspectos negativos e já falam em desabastecimento, comparando os efeitos das paralisações de agora com a greve dos caminhoneiros de 2018. Eles também destacam o acirramento dos ânimos e um ato criminoso em Mirassol, quando um motorista atropelou vários manifestantes que estavam bloqueando a rodovia Washington Luiz, ferindo inclusive crianças. No entanto, a cobertura feita pela imprensa deu a entender que os bloqueios também são criminosos, e ainda por cima estão recebendo apoio dos policiais da PRF, encarregados de desobstruir as pistas. Outros, por outro lado, usam a força para liberar a passagem, como aconteeu em Santa Catarina, seguindo ordens da direção da PRF, pressionada pelo STF a agir para não correr o risco de multa e prisão. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

O resultado das urnas nas cidades (e onde está havendo protestos)

O resultado oficial das urnas segundo o critério da divisão por municípios mostra um perfil mais detalhado. No mapa abaixo, é possível notar áreas, às vezes vastas, onde o atual presidente Bolsonaro venceu, mesmo em Estados onde ele foi derrotado, como é o caso do sul do Pará e o oeste de Minas (inclusive boa parte do Triângulo Mineiro). 

Em azul, as regiões onde houve a vitória de Bolsonaro; Lula venceu nas áreas em vermelho (Divulgação/CNN)

Por outro lado, São Paulo, a maior cidade do Brasil, deu mais votos ao ex-presidente Lula do que ao atual presidente, devido aos votos na maior parte da Zona Sul, na extrema Zona Leste e mesmo em áreas com maior poder aquisitivo, como Pinheiros, Perdizes e Butantã, na Zona Oeste, e no centro. 

Boa parte da capital paulistana, inclusive o Centro e a região da Faria Lima (Pinheiros) votou em Lula (Divulgação/Folha de S. Paulo)

A diferença mínima de votos, pouco mais de 2 milhões (pequena o suficiente para fazer conjeturas a respeito da capital paulista, se ela e mais algumas cidades tivessem dado mais votos para Bolsonaro) e as acusações (sem provas, embora com muita margem para suspeitas) de fraude eleitoral deixou muita gente frustrada. 

Boa parte dos caminhoneiros havia apoiado Bolsonaro desde antes da grande paralisação de 2018, e voltou a parar as estradas, como protesto contra a eleição de Lula. Curiosamente, André Janones era um dos líderes e agora é um aguerrido apoiador de Lula, inclusive espalhando notícias falsas durante a campanha. Porém, outras lideranças mantiveram-se fieis à causa bolsonarista. Em 20 Estados, a maior parte deles onde o ex-capitão ganhou mais votos, houve protestos, apoiados por empresários e por uma parcela significativa da população. Em São Paulo, a Marginal Tietê ficou interditada parcialmente. 

Bloqueio na BR-277, próximo a Foz do Iguaçu (Samuel Vasconcelos)

Manifestantes protestam em rodovia do Rio Grande do Sul (Roberto Gardinalli/Futura Press)

Protesto na Marginal Tietê (R7/Record)

Algumas pautas mostram o grau de ressentimento e não conformidade com o resultado, para eles uma "marmelada". Uma delas é a "intervenção militar", eufemismo para golpe de Estado. Há uma interpretação simplista do artigo 142 da Constituição, sobre o papel das Forças Armadas, cujo comandante supremo é o presidente da República, e por iniciativa deste - ou do Congresso, ou do STF - pode mandar as tropas nas ruas a fim de garantir a lei e a ordem. Eles evocam o artigo 142 para respaldar algo inexistente na letra da lei, como o Executivo ameaçar o Judiciário com os tanques, algo imaginável em países como Cuba ou Mianmar (Birmânia), mas não em países onde as liberdades são mais consolidadas. 

As manifestações em geral se limitaram a bloquear parcialmente as estradas, mas alguns queimaram pneus como aconteceu em 2018 e como costuma fazer os movimentos sociais pró-PT. 

Houve pneus incendiados para bloquear a BR-163 em Mato Grosso (Divulgação)

Enquanto isso, o atual governante da nação ainda não se pronunciou e os brasileiros, principalmente os manifestantes, estão esperando pela sua fala, que poderá acalmar os ânimos, ou acirrá-los ainda mais. 

domingo, 30 de outubro de 2022

Lula vence a eleição mais polarizada em anos

Nunca antes na história desse país, parafraseando o presidente eleito hoje, um candidato venceu as eleições presidenciais com uma margem tão pequena. O ex-presidente Lula venceu o agora presidente Jair Bolsonaro com uma irrisória diferença de 1,8%. 

Lula ganhou, mas a situação eleitoral e política na qual está envolvido não é para rir (Divulgação)

Além de ter ganho com essa diferença, ainda vai enfrentar um Congresso mais combativo e uma oposição forte e numerosa. O STF foi acusado de ter favorecido a soltura de Lula, condenado pela Lava Jato por algumas das várias acusações contra ele. Isso porque, segundo juristas, houve envolvimento de Sérgio Moro, então juiz de Curitiba, capital paranaense, enquanto o caso do triplex em Guarujá e o sítio em Atibaia estavam na jurisdição de São Paulo. Porém, esta suposta "aliança" pode acabar se o PT ou o eleito voltarem a se envolver em novas irregularidades ou haver mais dados sobre o mal esclarecido Quadrilhão. 

O atual presidente novamente venceu no Centro-Oeste, no Sul, em vários estados do Norte (Roraima, Amapá, Rondônia, Acre) e quase todo o Sudeste. Ganhou em Minas Gerais, mas foi por uma margem minúscula (0,4%). Só ganhou, mesmo, no Nordeste, no Amazonas e no Pará. Na próxima postagem, será mostrado o quadro eleitoral por municípios, considerado mais preciso. 

Em São Paulo, o governador eleito foi Tarcísio de Freitas, do PL, ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro. Wilson Lima (União) ganhou no Amazonas. Em Rondônia, foi o coronel Marcos Rocha (União), reeleito. Jorginho Melo (PL) venceu em Santa Catarina. Houve vários tucanos eleitos, mostrando que o partido não está morto politicamente, embora tenha perdido força no Legislativo: Eduardo Leite no Rio Grande do Sul, Eduardo Riedel no Mato Grosso do Sul, Raquel Lyra em Pernambuco. Ainda há os eleitos no primeiro turno, boa parte deles irá fazer oposição, como Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO), Ratinho Jr. (PSD-PR) e até Ibaneis Rocha (MDB-DF), alinhado com o bolsonarismo apesar de ser de um partido famoso pelo adesismo na Nova República. 

Lula não poderá fazer o que lhe der na veneta, portanto. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

Chegamos à reta final

No momento, os dois candidatos à Presidência estão debatendo na Globo, e como sempre a temperatura está alta. Para não dizer que não houve novidade, Roberto Jefferson foi citado. Um está vinculando o ex-deputado a outro, sem convencer. Bolsonaro enfatiza o tema corrupção, do qual Lula não consegue escapar, enquanto o ex-presidente associa o atual mandatário à misoginia e ao desrespeito contra as mulheres. Neste caso, o ex-capitão conseguiu rebater à sua maneira, falando sobre a diminuição no número de assassinatos. 

Muitos analistas políticos estão baseando suas opiniões nas pesquisas, cujos resultados foram muito diferentes da realidade no primeiro turno. Segundo eles, será muito difícil Bolsonaro reverter sua desvantagem, mas só as urnas darão a resposta. Isso se não forem contestadas pela militância radical do presidente. 

A audiência do debate está superando a da atual novela das 9, Travessia, de Glória Perez, que não consegue decolar. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Se for verdade, é uma propaganda "jenial"

A propaganda não parece verdadeira, mas é veiculada nos veículos de imprensa, principalmente aqueles mais críticos ao presidente e candidato à reeleição. 

Segundo o tal folheto veiculado supostamente pelo parque Beto Carrero, haverá um desconto de 25% para quem for de verde e amarelo até o próximo dia 31. E também para quem não for, mas só no dia 30 - o dia da eleição. Isso chamou a atenção da equipe do ex-presidente Lula, que denunciou o citado anúncio como crime eleitoral. 

Caso for mesmo um trabalho do marketing do parque temático catarinense, trata-se de algo "jenial", com "j" mesmo, pois seria facilmente visto como uma forma de favorecer o atual presidente, e o parque seria mal visto por muitos frequentadores. Santa Catarina, aliás, é um dos Estados onde Jair Bolsonaro ganhou mais votos em relação ao adversário. 

"Esquenta" para a Copa do Mundo? (Divulgação)

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

História mal contada sobre Paraisópolis

Durante a visita de Tarcísio de Freitas na favela de Paraisópolis, na Zona Sul paulistana, houve um registro de tiroteio, com a morte de uma pessoa. O candidato do Republicanos ao governo paulista insinuou que os tiros eram contra ele, mas a PM nega. 

Segundo consta, o tiroteio foi provocado por assaltantes, revidados pela polícia. Um deles, conduzindo uma moto, foi baleado e morto. O outro fugiu, e existem outros envolvidos, ainda para serem investigados. 

Depois de chegar a afirmar que o ato foi coisa do "crime organizado", Tarcísio voltou atrás, e disse ser uma questão entre os criminosos e a polícia. Apoiadores do candidato e de Jair Bolsonaro já atribuíram ao PT o incidente, e eles já haviam afirmado categoricamente que o partido de Lula tem aliança com o PCC. 

Quanto ao presidente, ele também diz ser prematuro afirmar qualquer coisa a respeito do tiroteio. 

Paraisópolis, cercada por bairros nobres, é a segunda maior favela de São Paulo e busca modernização, mas ainda sofre com a criminalidade (Eduardo Knapp/Folhapress)


quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Perdas e ganhos no primeiro turno

Esta é a última postagem sobre as eleições antes do segundo turno, salvo se houver alguma eventualidade digna de registro. 

Primeiro, vale registrar as perdas. A chamada "terceira via" foi derrotada de forma impiedosa diante de dois candidatos em espectro político oposto, porém com muito mais apelo na maioria da população. Candidatos moderados atacaram pontos específicos, como a falta de representatividade política e o preconceito contra mulheres (Simone Tebet e Soraya Thornicke), ou então utilizaram conceitos muito abstratos, pouco compreensíveis para a população, como o liberal Felipe d'Avila. Candidatos nanicos também foram castigados com pouquíssimos votos, e um deles, o Padre Kelmon, serviu apenas para dar votos para o atual presidente. 

Também perderam os institutos de pesquisa, cujos números não bateram com a realidade dos votos no dia 2 de outubro.

Partidos outrora tradicionais também foram punidos pelos eleitores, como o PSDB e o PTB. "Caciques" como Fernando Collor, José Serra, Eduardo Cunha e Romero Jucá também sairam perdendo, mostrando menor influência política. 

José Serra não se elegeu deputado e vai sair do Senado no início de 2023. Ele foi um dos que vão apoiar Lula no segundo turno (Alex Silva/Estadão)

Certos candidatos beneficiados com apoio a Bolsonaro em 2018 não repetiram a dose em 2022, como Joice Hasselmann e Janaína Paschoal. O ex-ator Alexandre Frota passou para a oposição por discordar das pautas bolsonaristas, embora tenha aderido a elas apenas para combater o petismo, e como resultado não teve votos nem na situação, e nem entre os oposicionistas. Radicais vistos mais como um empecilho do que como ajuda para o bolsonarismo não tiveram votos, como Sérgio Camargo e Daniel Silveira. E a maior parte das celebridades e subcelebridades, tradicionais puxadores de votos, teve apenas mais uma experiência pouco relevante para as suas carreiras, como a influenciadora digital Antônia Fontenelle, o ator Felipe Folgosi, a modelo Renata Banhara e o cantor Netinho. O palhaço Tiririca, agora no partido do presidente, viu minguar sua quantidade de votos, de 1,3 milhão em 2010 para irrisórios 71 mil em 2022, mas não perdeu a vaga. 

Por outro lado, houve ganhos entre os bolsonaristas mais moderados ou com maior capacidade de articulação, como os agora senadores Marcos Pontes, Teresa Cristina e Damares Alves e as deputadas Carla Zambelli e Bia Kicis. Algumas celebridades, como o senador Romário, a carnavalesca e deputada estadual eleita por São Paulo Leci Brandão e o ator Thiago Gagliasso, agora deputado estadual pelo Rio de Janeiro, vão ter a chance de ajudarem (ou atrapalharem) o Brasil. Os chamados "moralizadores da política" também não podem ser considerados derrotados, pois seus maiores expoentes, o ex-juiz e senador Sérgio Moro e o deputado federal Deltan Dallagnol, vão atuar no Congresso. 

terça-feira, 4 de outubro de 2022

A composição do Congresso e da Alesp na eleição

Embora a eleição presidencial ficasse dividida entre o ex-presidente Lula e o atual, Jair Bolsonaro, no Congresso Nacional houve uma tendência maior para o conservadorismo e o liberalismo, facilitando o trabalho do atual presidente, que precisa negociar com o Parlamento para poder aprovar as leis e emendas de interesse do Executivo. Assim, o novo Congresso é um verdadeiro desafio para Lula enfrentar, caso for eleito. 

O PL, partido de Bolsonaro, tornou-se o maior partido no Congresso, elegendo 99 parlamentares para a Câmara. Entre eles, Carla Zambelli (segunda maior votação no Estado de São Paulo), Eduardo Bolsonaro, Marco Feliciano, Luís Felipe de Orléans e Bragança, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e o palhaço Tiririca, para citar os representantes paulistas. Em outros Estados, o delegado Ramagem, ex-postulante a ministro da Justiça durante o imbroglio com o então titular da pasta, Sérgio Moro, e também o famigerado general Pazuello. Maurício Souza foi eleito para representar Minas Gerais. Bia Kicis foi uma das eleitas no Distrito Federal. É atualmente o maior partido do país. 

Partidos aliados do chamado "Centrão" também lotam a bancada, o que causa arrepios em quem tem a esperança de um Congresso menos fisiológico. O PP elegeu 47 deputados, o PSD, 42, e o Republicanos, 41. O União Brasil, que pode vir a se juntar ao PP (Arthur Lira, atual presidente da Câmara e reeleito para mais um mandato, apoia a proposta), ficou com 59 cadeiras, e pode engrossar as fileiras do Centrão, do qual ele não é, strictu sensu, filiado. Por outro lado, o PTB, partido de Roberto Jefferson, tornou-se um nanico, com apenas 1 eleito: 

Outros partidos de perfil liberal-conservador, mas não identificados com o Centrão, tiveram desempenho irregular. O Podemos, partido que reúne, atualmente, o porta-voz da Lava Jato Deltan Dallagnol, aumentou sua presença, com 12 eleitos (antes, eram 9). Já outros, como o Patriota e o Novo, tiveram mau desempenho. Partidos com baixa representatividade ficam em maus lençóis com a lei eleitoral, que impõe uma cláusula de barreira (2% dos votos válidos para a legenda ou 11 deputados federais). Para estas siglas, nada de espaço na TV e nem verba pública. Ou seja, para usufruírem do NOSSO DINHEIRO representado pelo Fundo Eleitoral, as agremiações devem acelerar os pedidos de fusão. 

Por outro lado, a Federação Brasil de Esperança, frente de oposição formada pelo PT, pelo PV e pelo PCdoB, conseguiu 80 vagas. Partidos de oposição como o PDT, o PSB e o Cidadania encolheram, e alguns, como o PCO e o Solidariedade, não passaram pela cláusula de barreira. Apenas o PSOL aumentou, para 12 cadeiras, uma delas ocupada pelo deputado mais votado em São Paulo, Guilherme Boulos. O PSDB, indefinido entre a oposição e a situação, está apequenado, com apenas 13 deputados eleitos. 

O MDB, acostumado a ficar no poder desde a redemocratização, terá 42 representantes. 

No Senado Federal, o PL também se deu bem e teve oito dos 27 eleitos, um deles o "astronauta" e ex-ministro da Ciência e Tecnologia Marcos Pontes. Damares Alves é a representante no Distrito Federal, e Teresa Cristina venceu no Mato Grosso do Sul. Entre os novos senadores do União Brasil, segundo partido mais votado, está Sérgio Moro, que conseguiu se reerguer após a sua rumorosa saída do governo. O PT ganhou 4 novos senadores, mas em geral os apoiadores de Lula vão ficar em minoria. O Senado ganha força para, por exemplo, aprovar o impeachment de ministros do STF, principalmente os desafetos do presidente, mas isso continuará a não ser uma tarefa fácil, ainda mais com Rodrigo Pacheco (PSD), opositor da banalização desse recurso. 

Já na Alesp, são 19 deputados do PL eleitos, para formar a maior bancada. Eles podem facilitar a vida de Tarcísio de Freitas, e criar dificuldades para Fernando Haddad. O PT conseguiu mais 14 deputados estaduais, o PSDB, com mais nove, e o PSOL, com quatro, para criar o efeito oposto. Eduardo Suplicy foi o mais votado, com mais de 807 mil votos. O MDB e o PSD, entre outros partidos ditos "de centro", podem continuar a serem agentes do equilíbrio de poder. Alguns partidos, como o PTB e o Novo, repetiram o mesmo fiasco e tiveram pouquíssimos novos ocupantes da Assembleia Legislativa. 

Assim como o PL, partidos como União Brasil, Republicanos, PP e Podemos, por exemplo, podem atender aos anseios dos mais conservadores. Já o PT e seus aliados irão defender as causas "progressistas" no nosso Estado. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Voltaremos no dia 30 !

Precisaremos voltar para as urnas no dia 30, pois haverá segundo turno para escolher entre Jair Bolsonaro e Lula. No Estado de São Paulo, ainda temos que votar para governador, pois Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad ainda estão no páreo. 

Devido às grandes diferenças entre as pesquisas e o resultado real, os institutos responsáveis foram os grandes perdedores de ontem. Já se fala em criminalizar a prática quando ela mostra resultados tão discrepantes, o que é uma excrescência típica de países como Venezuela ou Cuba, como chegou a propor o líder do governo, Ricardo Barros. Augusto Aras, por outro lado, quer interpelar o Datafolha, o Ipec e outros assemelhados, o que poderia ser uma oportunidade para saber um pouco mais sobre a metodologia e se há má fé ou simplesmente erros operacionais nesses processos. 

O presidente candidato à reeleição teve desempenho muito melhor do que disseram (ganhou 43% dos votos, contra 48% do ex-presidente), enquanto Tarcísio, para governador, superou Fernando Haddad em larga margem (42% contra 35%), quando indicavam o contrário. 

Lula não conseguiu vencer no primeiro turno, como ele queria (Divulgação/Correio Braziliense)

A distribuição dos votos foi curiosa, com vitória do presidente no Sul, Centro-Oeste e maior parte do Sudeste (menos Minas Gerais), além de Acre, Rondônia e Roraima, no Norte. Lula faturou no Pará, Amapá, Amazonas (por bem pouco) e todo o Nordeste, além de Minas. 

Já correm piadas dizendo que o Nordeste faz parte de "Cuba do Sul" (Divulgação/Jornal do Momento News)

Pelo gráfico considerando os municípios, a situação é mais complicada. O sul do Pará escolheu Bolsonaro na maior parte dos votos locais, enquanto na cidade de São Paulo Lula venceu. 

Comparação da distribuição dos votos em 2018 e 2022 (à direita); em 2018, era Fernando Haddad o representante do petismo, enquanto Ciro Gomes mostrava força no Ceará, que agora não tem (Arte do jornal O Globo)

Simone Tebet foi melhor do que Ciro Gomes, com uma diferença de mais de 1,3 milhão de votos. O cacique do PDT teve desempenho bem pior em relação a 2018, enquanto a representante do MDB tem força para disputar a Presidência em 2026. Os outros candidatos foram mal, como era esperado. Soraya Thornicke (União Brasil) ganhou apenas 600 mil votos, enquanto Luís Felipe D'Avila (Novo) nem chegou a 560 mil votos. O Padre Kelmon foi o melhor dos "nanicos", com 81 mil votos. 

Naa próximas duas postagens, este blog vai comentar sobre os ganhadores e perdedores de destaque, eleitos para o Congresso e para as Assembleias Legislativas dos Estados. 


sábado, 1 de outubro de 2022

Como está a briga pelas vagas paulistas no Congresso e na ALESP

Excepcionalmente, este blog está ativo no fim de semana para registrar sobre as eleições 2022. O motivo principal é falar sobre os representantes do Legislativo no Estado de São Paulo, já que foi cometido o mesmo equívoco de anos anteriores, dando excessivo espaço aos candidatos do Executivo. 

Aqui não se tem a intenção de influenciar no voto de ninguém, mas vamos aos números. 

No Senado Federal, Márcio França (PSB) está na frente segundo as pesquisas, com 34% de acordo com o Datafolha. Em segundo lugar, está Marcos Pontes (PL), com 21%. Janaína Pascoal (PRTB) tem apenas 4%, mas vale lembrar que só há uma vaga disponível. Para Janaína, há o problema adicional de estar tecnicamente empatada com Edson Aparecido (MDB), com 3%, Aldo Rebelo (PDT), também com 3%, Antônio Carlos (PCO), com 2% e Vivian Mendes (Unidade Popular), com 2%. Ricardo Mellão (Novo) e Prof. Tito Bellini (PCB) estão com 1% nas intenções de votos. Dr. Azkoul (Democracia Cristã) e Mancha Coletivo Socialista (PSTU) não pontuaram. 28% ainda não se decidiram, e todos os institutos de pesquisa como o Datafolha têm errado muito em seus prognósticos e estão em descrédito na opinião pública, principalmente agora, sob o governo de Jair Bolsonaro. 

Para a Câmara dos Deputados e para a Alesp não há uma pesquisa semelhante para apontar um líder, mas existem listas de candidatos difundidas na mídia. A Agência Mural lista os representantes da cidade de São Paulo (ler AQUI). A lista de candidatos pode ser também consultada pelo site JOTA (ler AQUI e AQUI). 

O índice de renovação sob a abóbada convexa (a concha voltada para cima no prédio do Congresso) é considerado baixo. Considerando todo o país, 90% dos deputados federais tentam a reeleição neste ano. São 9.746 postulantes em todo o país, e em São Paulo são 1.540 para disputar 70 vagas (total de 513 no Brasil). 

Já na Alesp, as informações são bem mais escassas, logo para o cargo mais difícil de escolher, e também considerado o menos importante para o eleitor, quando na verdade se tratam dos responsáveis por elaborar as leis para o nosso Estado, e isso é uma tarefa das mais importantes. São 2.059 candidatos a uma das 94 vagas na Assembléia Legislativa de São Paulo. 

Na próxima postagem, haverá comentários sobre o resultado destas eleições. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Debate da Globo está passando agora

Atualmente a Globo transmite o seu debate, marcado por uma porção de pedidos de direitos de resposta, e menos ataques contra Bolsonaro e Lula, embora eles continuem a ser os grandes alvos dos demais, e o padre Kelmon, também presente no debate, foi espinafrado e sua profissão chegou a ser questionada (por Soraya Thornicke), sem ser devidamente reconhecido pelo presidente por sua ajuda. 

Continua a ser difícil acreditar nas propostas dos candidatos, quando eles são citadas, e William Bonner chegou a tratar os candidatos como se fossem estudantes mal comportados, lembrando-os para respeitarem as regras. Um tema recorrente foi a corrupção no goveno Lula, e outro foi o "Orçamento Secreto", excrescência vetada pelo presidente mas aprovada pelo Congresso, fazendo aumentar a importância de se votar em deputados e senadores comprometidos com o país e não com os seus próprios interesses, algo difícil de se fazer no sistema eleitoral vigente. 

Fora isso, o debate não foi um grande avanço e pouco acrescentou, em relação aos anteriores. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Mais dois casos de violência motivada por política

Na cidade catarinense de Rio do Sul, um homem de 34 anos declarou apoio a Jair Bolsonaro num bar e acabou discutindo com um colega, cuja identidade não foi revelada pela política. A descussão por motivos politicos transformou-se numa briga feia, e o agressor desferiu golpes de faca na vítima, no último dia 24. Socorrido e levado para um hospital, o homem morreu no dia seguinte. O agressor tinha passagens por lesão corporal e injúria, em casos anteriores. 

Hildor Henker era o nome da vítima esfaqueada durante briga numa cidade catarinense, por motivos políticos (Reprodução)


No mesmo dia, outra pessoa foi até um bar localizado na cidade cearense de Cascavel e perguntou quem votava em Lula. Sem perceber o perigo, um dos frequentadores declarou o voto no ex-presidente e foi esfaqueado no tórax. Ele também morreu. 

Estes são dois casos que mostram total descontrole emocional e fanatismo político por parte de quem não consegue discutir civilizadamente com outras pessoas. As consequências desse comportamento aberrante, incompatível com a democracia e o convívio social, irão além das eleições. Novos casos poderão ocorrer e não podem ser jamais aceitos como forma de manifestação, ou arriscaremos o futuro do Brasil. 


N. do A.: O debate promovido pela CNN, com a colaboração do SBT, do portal Terra e da revista Veja, foi marcado pela ausência de Lula, atacado por todos os outros concorrentes, e pelas diatribes de Simone Tebet e Soraya Thronicke com o presidente Jair Bolsonaro, que desta vez respondeu às acusações sem recorrer (tanto) à misoginia. Ciro Gomes ficou apagado e quem brilhou foi um tal padre Kelmon, do PTB, que fez o papel de apoiador do presidente. Para boa parte da mídia, o padre fez o papel de "escada", como se denomina, no circo, um palhaço que serve de coadjuvante para o outro brilhar. Ele substituiu Roberto Jefferson, o líder do partido, cujo registro foi negado pelo TSE por ser "ficha suja", condenado pelo STF a sete anos de prisão em 2013 devido à participação no Mensalão, do qual se locupletou para depois denunciar o esquema de rapinagem contra NOSSO DINHEIRO, em 2005. 


sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Agora falando sério ...

O Ranking dos Políticos lista os deputados e senadores pelo seu desempenho, propostas, assiduidade e envolvimento em algum escândalo. Criado na década passada por Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, o site reflete o pensamento liberal do autor e é, por isso, malvisto tanto pelos defensores do ex-presidente Lula quanto pelos apoiadores do atual, Jair Bolsonaro. 

Alexandre Ostrowiecki, criador do Ranking dos Políticos (Divulgação)


Este blog vai destacar apenas os parlamentares candidatos à reeleição neste ano. Leia AQUI para maiores informações. 

Em São Paulo, por exemplo, o deputado federal com a maior nota é Alex Manente, do Cidadania. Ele tem 8,28 pontos (máximo de 10) no período acumulado (em todo o seu mandato, até agora) e, segundo o Ranking, é contra os privilégios, os desperdicios e a corrupção. Votou pela prisão em segunda instância, o que conta pontos. Ele tem a segunda maior nota entre os deputados federais do país. Há um outro lado da moeda: na avaliação popular, formada pelos consultores do site, ele ficou com nota 3,04 (máximo de 5), pois é considerado muito de "esquerda" por bolsonaristas e muito de "direita" pelos lulistas. Seu partido era o antigo PPS. defensor de medidas socialistas e social-democratas. 

Muitos deputados bem cotados despertam reações contraversas, como Joice Hasselman (PSDB) e Kim Kataguiri (União), com notas bem próximas de 8, e também Eduardo Bolsonaro (PL) e Carla Zambelli (PL), com notas 7,23 e 7,21. 

Por outro lado, Paulo Teixeira, do PT, recebeu a nota mais baixa, com 2,89 pontos. Ele tem um processo em andamento por corrupção, e foi contra, por exemplo, a lei da Ficha Limpa. Na avaliação popular, ganhou apenas 1,5. 

Marco Bertaiolli (PSD) destaca-se na nota conquistada no último ano (2021), com 8.78, graças às suas medidas para favorecer o empreendedorismo. Ele também não se sai tão bem na avaliação popular, com 3,42. Considerando as notas apenas do ano passado, Manente cai para o quarto lugar (8,65), encostado em Joice Hasselmann (8,59). Paulinho da Força, com 2,26, é o pior de 2021, segundo o Rankingi. 

Entre os três senadores representantes do Estado, nenhum deles é candidato à reeleição, e suas notas não são tão elevadas: um deles é José Serra, com nota 6,74. 

Embora não agrade a muita gente, o Ranking traz algumas informações pertinentes para escolher candidatos na próxima eleição, no dia 2 de outubro, que já está bem perto. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Pautas para setembro

Espera-se que em setembro não haja tantas pautas repetidas. Este ano de 2022, por exemplo, teve muito de economia, personalidades mortes sendo homenageadas, jogos de futebol (como a goleada do Flamengo sobre o Vélez por 4 a 0 na semifinal da Libertadores em plena Argentina...) e outros assuntos já avidamente comentados pela mídia. 

Infelizmente, não há como não abordar as eleições, sobretudo a presidencial, mas este blog deverá falar algo mais além disso. É preciso dar espaço para os comentários sobre os candidatos a deputado, principalmente os do estado de São Paulo. 

Por falar em eleições, elas continuam dando motivo para muitas calúnias e fake news, e os candidatos à Presidência parecem nem se importar com o fato de serem "vidraças", enquanto jogam pedras nos adversários. E os setores da mídia atuam ativamente, procurando explorar temas escabrosos. 

O maior deles envolve a compra de 51 imóveis pela família Bolsonaro ao longo dos anos, com dinheiro vivo, algo realmente insólito por se tratar de valores elevados demais para serem custeados com uma maleta de notas. Seria necessário investigar com coragem, profundidade e racionalidade, mas parte da imprensa já chegou a conclusão segundo a qual Bolsonaro e seus filhos agiram de forma criminosa, supostamente "lavando dinheiro sujo". Mas Lula também não deverá ter sossego com o recorrente tema da corrupção nos governos petistas, inclusive a enorme rapinagem envolvendo as empreiteiras, a Petrobras e o suado dinheiro do povo, 

Enquanto isso, continua de pé o compromisso de manter o blog como merecedor do nome "Assuntos 1000". Este espaço pode dar espaço para algum tema completamente inexplorado. Pelo menos não se pode dizer que não houve tentativas de diversificar as pautas, como se pode notar em alguns artigos recentes. 


segunda-feira, 29 de agosto de 2022

E agora, o debate!

O debate na Band, ocorrido no domingo (28), foi o tema mais comentado atualmente (Divulgação/Rede Bandeirantes)

Quem viu o debate na Band percebeu um tom mais sério nos candidatos, sem declarações (muito) estranhas como a do folclórico cabo Daciolo, agora candidato ao senado pelo PDT do Rio, que falou de uma certa URSAL ("União das Repúblicas Socialistas da América Latina") para denunciar os governos socialistas na América Latina em 2018. 

Não houve candidato folclórico, apenas Bolsonaro (PL), Lula (PT), Simone Tebet (MDB), Ciro Gomes (PDT), Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe D'Avila (NOVO). Os dois primeiros honraram o compromisso de participarem do debate, como líderes nas pesquisas. No Ipec, por exemplo, Lula está com 44% e Bolsonaro, com 32%. 

No entanto, as declarações mais próximas da estranheza foram as do presidente candidato à reeleição, cujo ataque mais comentado não foi contra Lula, a quem chamou de "ex-presidiário" e "mentiroso", mas contra uma das organizadoras do debate, a jornalista Vera Magalhães, notória desafeta do presidente, acusada de "sempre pensar em" Bolsonaro, "divulgar mentiras" e "ser uma vergonha para o jornalismo". Bolsonaro deu motivos para ser apontado como "misógino" quando as duas candidatas mulheres, Tebet e Thronicke, foram defender a jornalista, reagindo agressivamente, mas sem conseguir intimidá-las. Também causou espécie Bolsonaro se referir ao seu maior adversário, Lula, como "presidente". 

Outra fala comentada foi dizer "nossa Argentina", "nossa Colômbia", "nosso Chile", para criticar os regimes bolivarianos desses países. Não faltaram memes para ironizar o presidente, comparado até ao cabo Daciolo. Também houve troças a respeito de se falar de "nossa Argentina" em época de Copa do Mundo. Fora isso, destacou o Auxílio Brasil e a importância do agronegócio, por ser a principal responsável pelo PIB brasileiro. 

Lula não se saiu bem no debate. Na verdade, foi até pior que Bolsonaro, pois não foi convincente ao se defender das acusações de corrupção perpretradas por todos os seus oponentes. Ele dedicou pouco tempo a fazer propostas, e não animou nem a sua equipe de campanha. Foi chamado de "ladrão" logo no começo por Bolsonaro, que se recusou a apertar-lhe a mão. 

Ciro Gomes foi o mesmo de sempre, atacando os adversários e fazendo promessas em tom populista, ao estilo dos dois principais oponentes. falando em seu plano "antiganância" para combater os lucros dos bancos, sempre apontados como exorbitantes pelos candidatos a algum cargo público. Ele foi duro com o presidente candidato à reeleição, culpando-o pela condução da pandemia de coronavírus pelo governo federal, embora ele só tivesse parte da responsabilidade pelo trágico fiasco, dividida com os Estados, municípios, Congresso e STF. 

Simone Tebet foi destaque ao criticar as declarações de Bolsonaro a respeito das mulheres, e por isso foi bem avaliada, principalmente pelo eleitorado feminino. Também não poupou de críticas a condução da pandemia, como ex-integrante da CPI da Covid-19. Por outro lado, também atacou o "calcanhar de Aquiles" de Lula, a corrupção nos governos petistas. Destacou a importância da educação e da pesquisa acadêmica, mas escorregou ao propor uma poupança para estudantes, para estimulá-los a continuar os estudos. 

Soraya Thronicke preocupou-se na imagem de defensora das mulheres e da iniciativa privada. Ela tem como vice-presidente o economista Marcos Cintra, ex-integrante da equipe econômica de Paulo Guedes. Defendeu o imposto único, e disse não ter visto melhoras quando Lula foi presidente. O petista retrucou, dizendo que a empregada dela sentiu a melhora. Em troca, Thronicke engrossou os ataques generalizados contra a corrupção nos tempos do PT no governo. 

Felipe D'Avila teve como alvos principalmente Lula e o fundo eleitoral, considerado uma afronta contra o dinheiro pago pelo contribuinte. Ele também defendeu maior liberdade econômica, defendeu os empresários e produtores, embora tivesse pouco tempo para falar sobre outros temas defendidos pelo seu partido, como a prisão em segunda instância e o fim do foro privilegiado. Foi criticado por errar o nome da lei Maria da Penha, contra a violência sofrida pelas mulheres, e também por seu patrimônio declarado de R$ 24 milhões, muito superior aos dos outros candidatos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Repercussão da entrevista de Lula no Jornal Nacional

A entrevista com o ex-presidente Lula deu ao Jornal Nacional rendeu 32 pontos no Ipec em São Paulo, valor um pouco inferior ao da entrevista com o atual presidente candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, na segunda, quando o noticiário da Globo ficou com 33 pontos. 

Lula estava com ar envelhecido (já tem quase 77 anos), mas ainda aguerrido (Divulgação/TV Globo)

Viu-se o ex-presidente cuidadoso com as palavras, embora com voz comprometida. Muitas questões, como a corrupção, ficaram mal respondidas, dizendo, por exemplo, que a Coaf foi criada no governo dele, quando na verdade foi em 1998, no governo FHC, e que a Lava Jato era um movimento político. Ele criticou o governo Dilma e suas desastrosas decisões sobre a economia no governo dela, assim como as ditaduras aliadas do PT, como as de Cuba e China, mas visando atrair o voto de quem não votaria no PT, e sim no PSDB, ex-partido do candidato a vice, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. Acertou ao falar sobre o hábito do atual governo de impor sigilo de 100 anos em determinados assuntos, com o falso pretexto de haver risco para a honra e a vida privada do presidente ou de sua família, mas atentando contra a transparência do governo (que não houve, também, em muitas decisões dos governos Lula e Dilma, diga-se). 

William Bonner ou Renata Vasconcelos não tiveram a mesma postura dura que tiveram em relação a Bolsonaro. Governistas chegaram a dizer que a Globo estava apoiando Lula. Com Ciro Gomes, entrevistado na terça e cuja audiência não foi tão boa, a postura doPolítica, s entrevistadores era mais equilibrada. Houve também panelaços durante a entrevista, e críticas feitas por adversários do ex-presidente, como Sérgio Moro e o MBL. Por outro lado, os petistas e aliados destes também fizeram vários comentários favoráveis. 

Agora, eles vão sabatinar a candidata Simone Tebet, do MDB, vista com simpatia por muitos defensores da "terceira via", mesmo entre os que deploram o partido dela, sempre criticado por sua postura fisiológica e amorfa visando ter influência nos diversos governos. 


N. do A. 1: Hoje, na Jovem Pan, Bolsonaro também foi entrevistado, e basicamente abordou os mesmos temas da sabatina feita na Globo, na segunda, com a vantagem de estar num ambiente bem menos hostil, pois a Jovem Pan é notória pelas suas afinidades ideológicas com o atual presidente. 

N. do A. 2: Começou a propaganda eleitoral "gratuita" (paga com o NOSSO DINHEIRO via Fundo Eleitoral), com os candidatos a governadores, senadores e deputados estaduais (distritais no caso de Brasília). 

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Bolsonaro entrevistado no Jornal Nacional

O JN já teve dias bem mais gloriosos no passado, quando a Globo dominava a televisão, mas agora amarga índices de audiência nada invejáveis, com 21,4 pontos na média do primeiro quadrimestre de 2022, e 35,4% de share (participação de um programa entre os domicílios com televisão ligada no horário). 

Graças ao presidente Jair Bolsonaro, inimigo declarado da emissora, a audiência aumentou em agosto, quando o principal jornal dos Marinho transmitiu a briga entre o presidente e o youtuber, ex-apoiador, Wilker Leão, que o chamou de "tchutchuca do Centrão" por sua aliança com o bloco fisiológico e adesista, sem o qual não há apoio do Legislativo ao Executivo, e hoje, quando Bolsonaro finalmente concordou em ser entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcelos. 

Na entrevista, ele disse confiar no papel das Forças Armadas como "auxiliadoras" na apuração das eleições, e também afirmou ter harmonizado as relações com o TSE. Minimizou o conflito com o Judiciário, enquanto os insultos dele dirigidos a ministros como Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso ainda repercutem. Voltou a defender o agronegócio, como principal gerador de riquezas do Brasil e minimizou as acusações de favorecer os desmatamentos. Falou sobre a aliança com o Centrão, motivo pelo qual foi criticado por Wilker Leão na semana passada. Também defendeu sua postura diante da pandemia de COVID-19, como notório opositor das recomendações da OMS em favor das atividades normais sem o uso de máscaras e dos tratamentos questionáveis com produtos destinados a outras parasitoses (a hidroxicloroquina contra o protozoário da malária e o vermífugo ivermectina). Ele também falou sobre o crescimento da economia, o Auxílio Brasil e a diminuição recente no preço dos combustíveis, mas não deu muito destaque às dificuldades para comprar alimentos neste ano. 

Enquanto isso, a oposição critica o teor das conversas e, nas grandes cidades, houve panelaços.

O presidente controlou seu temperamento impulsivo e procurou defender seus pontos de vista durante entrevista no JN (TV Globo/Divulgação)

 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Breves no meio de agosto

1. Começa oficialmente a campanha eleitoral, durante a qual os candidatos poderão divulgar suas propostas (pelo menos é esta a ideia) pelos meios de comunicação e redes sociais. A partir do dia 26, começará a propaganda eleitoral obrigatória, execrado por uns e visto como programa humorístico por outros. Este é o calendário oficial, pois os políticos começaram a caça aos votos bem antes. 

2. Lula, Bolsonaro, Ciro Gomes e Simone Tebet, os candidatos principais à Presidência, não perderam tempo. O atual ocupante do Planalto foi até Juiz de Fora, local onde sofreu o atentado. Lula foi até a cidade onde começou sua carreira política (São Bernardo do Campo). Ciro foi até Guaianazes, na zona leste paulistana. Simone participou de reunião com representantes da Cultura em São Paulo. 

3. Alexandre de Moraes fez um duro discurso contra as fake news e o que ele define como "liberdade de agressão", ao ser empossado como presidente do TSE. O presidente Jair Bolsonaro e os ex-presidentes Lula, Dilma, Temer e Sarney comparecerem à cerimônia. Apenas Bolsonaro não aplaudiu. 

4. Bia Haddad, após fazer bonito no Aberto de Toronto, conseguindo ser vice-campeã do torneio, enfrentou a algoz, a letã Jelena Ostapenko, logo na estreia do Aberto de Cincinatti, e sofreu com o jogo agressivo da rival, perdendo por 2 sets a 0, ambos por 6/4. Bia é a número 16 da ATP, melhor posição de uma brasileira em anos.

5. Finalmente, vão fazer novo leilão para o trecho norte do Rodoanel. Uma das obras mais caras e intermináveis do Brasil poderá começar a retomada no ano que vem, mas sabe-se-lá-quando irá terminar. O risco é ver a obra terminada após 2026. Este blog vai abordar o assunto em breve. 

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Presidente opina sobre as urnas

Depois dos ministros do TSE e do STF Edson Fachin e Luís Roberto Barroso defenderem no exterior a lisura das urnas eletrônicas e os trabalhos das instituições para assegurarem a normalidade das eleições neste ano, com direito a críticas ao Executivo, o presidente Bolsonaro disse a alguns embaixadores o seu parecer afirmando o contrário. 

O presidente brasileiro faz tática semelhante a Donald Trump para contestar a segurança dos votos nas eleições presidenciais (Isac Nóbrega/PR/Flickr)

Muitos seguidores dele continuam a não confiar nas urnas brasileiras e ameaçam contestar os resultados em caso de vitória de Lula. Bolsonaro respaldou essas opiniões e disse que hackers poderiam interferir, trocando os nomes dos candidatos remotamente, embora não haja provas conclusivas a respeito. 

Uma das autoridades é o embaixador suíço, mas os demais ouvintes do presidente não tiveram seus nomes e origens reveladas pela grande mídia, e fala-se em apenas sete representantes na Ásia, na Europa e na América Latina. Eles foram orientados a não respaldar as falas de Bolsonaro, consideradas conceitualmente erradas ou mentirosas pela opinião pública internacional. 

Tanto os ministros do Judiciário quanto o eleito para governar o Brasil desde 2019 expressaram suas versões pessoais, sujeitas a contestação por parte dos técnicos e especialistas das urnas e do software que as controla. Ainda não há elementos para condenar o sistema de votação, e a dúvida favorece o "réu", segundo o direito moderno. 

quarta-feira, 22 de junho de 2022

E o mito....

Parece brincadeira do destino. Enquanto na segunda foi postado algo sobre mitologia, na quarta este blog é impelido a registrar algo relacionado ao "mito", como é conhecido o presidente Jair Bolsonaro. 

Seu discurso de governo sem corrupção mostra ser uma ficção tal como as lendas gregas, porém muito menos grandiosa, com a prisão preventiva de seu ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro. Em fevereiro deste ano, ele foi acusado de utilizar o serviço de dois pastores, Arilton Moura e Gilmar Santos, para intermediarem a distribuição de verbas para as escolas públicas. 

O ex-assessor de Ribeiro, Luciano Freitas Musse, e Helder Bartolomeu, ex-assessor da Secretaria de Educação da Prefeitura de Goiânia, também foram detidos. 

Este escândalo pode atrapalhar seriamente a campanha pela reeleição de Bolsonaro à Presidência da República, e a tentativa de se afastar do ex-ministro só piorou as coisas, pois ele teria declarado que "botaria a cara no fogo", quando as acusações foram divulgadas. 

Em pronunciamento, Bolsonaro disse que o seu ex-ministro da Educação era responsável pelos seus atos (CNN Brasil)


N. do A.: Enquanto isso, Cesare Battisti, atualmente preso dentro de uma cela na cidade italiana de Corigliano, resolveu tornar as coisas mais difíceis para Lula, ao acusá-lo de fazer qualquer coisa pelo poder, mostrando seu modo curioso de agradecer a decisão do ex-presidente de mantê-lo no Brasil em seu último dia do mandato, 31 de dezembro de 2010. O terrorista condenado por quatro mortes e por integrar um grupo marxista radical, foi preso após tentar fugir para a Bolívia, em 2019. A campanha eleitoral está ao gosto de Tifão e Equidna, para não dizer de um aliado deles muito temido pelos cristãos.