segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Multiverso

Recentemente, desde antes do filme Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, fala-se em realidades paralelas. Você decide fazer algo importante, isto é, investir um milhão de dólares em ações num banco brasileiro ou em imóveis na China. Para o senso comum, é só uma decisão. Para a teoria da criação de novas realidades, ele está criando uma realidade nova, onde ele investe no banco em uma realidade A, e ele deposita seu dinheiro em apartamentos chineses em uma realidade B. 

Todas as pessoas criam realidades a partir de tomadas de decisão, como ir ou não ir para um lugar interessante, e acabar conhecendo uma mulher (ou um homem) interessante e iniciar um namoro, ou quando muda de emprego. Assim, bilhões de realidades paralelas acontecem. 

É um assunto abordado na ficção, e também em certos estudos teóricos envolvendo a Mecânica Quântica, normalmente estudada para fenômenos subatômicos, aplicada para corpos macroscópicos. 

Com o envolvimento de eventos de duas ou mais escolhas, com certa probabilidade de acontecer, diz-se que cada um é responsável pela co-criação de um número incontável de Universos. 

Os múltiplos Universos não ocorreriam apenas dessa forma, mas também há, pela expansão da realidade desde o Big Bang, a formação de "ilhas" de realidades, as chamadas "universos-bolhas", onde as leis físicas, hipoteticamente, podem ser diferentes entre si. Esses "universos-bolhas" podem se arranjar em "branas", fragmentos tridimensionais de uma realidade multidimensional, de acordo com a Teoria das Cordas, onde os elementos subatômicos não são pontos, mas cordas interagindo entre si, numa forma de tentar conciliar a Mecânica Quântica com outros ramos da física. Assim, poderia haver um outro universo distante onde a lei da gravidade funciona de maneira totalmente diferente, ou nem mesmo existir. 

Parece maluquice, mas não são poucos os defensores dessas ideias. 

Voltando ao investidor do começo da história, digamos que, agora, ele iniciou uma "árvore" de realidades paralelas, e dentro de cada ramo, acontecesse algo. 

Num dos ramos, a crise imobiliária chinesa aconteceu nos diversos cenários e, em cada um deles, o investidor tinha tomado uma decisão anterior, podendo ter ou não ter vendido os apartamentos a tempo de não perder dinheiro. Nas realidades onde ele decidiu por não vender, ele teve que administrar seu prejuízo, lamentando (ou não) por ter esbanjado tanta grana que poderia ter ido para as ações no banco, enquanto houve versões existentes onde ele estava feliz por ter escapado deste (mau) negócio da China. 

Em certa parte de outro ramo, em cada realidade, o sujeito tinha comprado as ações do banco ao invés de gastar em prédios no exterior, e, no dia 25 de outubro de 2026, não vendeu as ações a tempo. O TSE intervém na eleição entre Flávio Bolsonaro e Lula, acontecem dúvidas sobre se houve ou não processos de fraude por causa disso e, num desses cenários quaisquer, Lula venceu, e as ações do banco, no dia seguinte, derreteram. Cada um dos investidores estaria pensando na tolice de não ter vendido as ações, enquanto outras versões ficaram aliviadas por justamente terem feito isso. Quantos deles estariam esbravejando e alegando fraude nas eleições? E o que dizer de outras realidades, onde cada Flávio Bolsonaro ganhou a disputa, nesse 25 de outubro? Isso geraria outros cenários, bem diferentes. 

Como arrumar essa bagunça toda? Os teóricos ainda estão tentando explicar como, mas sempre há um problema, esbarrando em questões simples como a lei de conservação de massa. Mesmo que a probabilidade de dado universo existir seja praticamente nula, outros inúmeros universos de mesma origem ainda continuariam. E cada universo teria uma determinada massa, nada pequena. 

Ainda vai levar algum tempo para alguém conceber uma teoria viável, mas enquanto isso há algumas narrativas interessantes explorando o assunto, rendendo filmes e livros. 

O multiverso, tal como as bruxas do Halloween, é questão de crença, como lembra aquele ditado espanhol (ou será galego?), onde se diz: "Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay". 

A existência de um Multiverso não foi provada a contento, mas muitos não descartam essa possibilidade (Divulgação/Canaltech)



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