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quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Mantendo a tradição da USP

Todo ano, na USP, são formados os profissionais mais qualificados e feitas as pesquisas mais relevantes em várias áreas. São feitos congressos, simpósios e atividades esportivas das mais relevantes. E, em contrapartida, há paralisação todo ano, por vários motivos, desde os salários atrasados até as pautas políticas. 

Em 2023, não é diferente. 

Cartaz no prédio da Faculdade de Letras, onde começou a greve na USP (Aloísio Maurício / Estadão)



Professores e alunos estão exigindo a contratação de novos docentes, para repor os casos de morte, aposentadoria ou demissão. Eles reclamam dos critérios adotados pela reitoria, segundo eles privilegiando os cursos mais requisitados pelo mercado, prejudicando vários, como Letras (onde começou a paralisação). 

Hoje houve uma reunião entre a reitoria e os manifestantes, mas sem acordo. E o movimento continua, envolvendo várias faculdades do campus Butantã, inclusive a Escola Politécnica, mais o Hospital das Clínicas e a faculdade de Direito no Largo São Francisco. 

O reitor atual, Carlos Eugênio Carlotti Jr., ex-professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, não conta com muita simpatia dos grêmios estudantis, principalmente os da FFLCH, a faculdade mais lembrada por quem difama da USP como suposto refúgio de "maconheiros". Para estes, também, o movimento faz parte de uma ação maior por parte dos opositores do governador Tarcísio de Freitas, para tentar impedí-lo de realizar certos atos, como a privatização do Metrô e da Sabesp. Em tempo: poderá haver paralisação nesses setores. 

sexta-feira, 11 de março de 2022

Universidades paulistas voltam às aulas presenciais

Depois de dois anos com o funcionamento prejudicado devido à pandemia de coronavírus, as universidades voltaram, progressivamente, às atividades normais. 

Na USP, por exemplo, as aulas presenciais começam na próxima segunda, dia 14. Continua a obrigatoriedade de comprovar as duas doses (ou a dose única) da vacinação, mais a dose de reforço fortemente recomendada pelos profissionais de saúde. As máscaras continuam a ser obrigatórias, até ordem em contrário. 

Unesp e Unicamp também vão começar as aulas no dia 14, assim como as faculdades de tecnologia, as Fatec, do Centro Paula Souza. 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

O que teria causado a pane no CNPq?

A plataforma Lattes do CNPq, usada para registro curricular de milhares de pesquisadores, professores e estudantes universitários, está normalizada desde domingo, mas ainda há o temor de novas instabilidades. 

Segundo consta, os dados estão guardados em discos rígidos cujo sistema é coordenado por um conjunto de servidores VNX8000, fabricados pela EMC, atualmente parte da Dell. Este equipamento está fora de catálogo e aparentemente o servidor principal ficou sem manutenção por falta de verba, e a comunicação entre os discos ficou comprometida, agravada pelos equipamentos antigos (computadores, cabos de transmissão e barramento, entre outros), gerando todos os transtornos enfrentados por quem precisava criar ou atualizar o currículo Lattes. 


Os R$ 1,2 bilhão liberados para a CNPq ficam divididos entre as bolsas de pesquisa, reservas técnicas e custos de manutenção. Este montante diminuiu ao longo dos anos: eram R$ 2,6 bilhões em 2015. A situação não deve mudar no futuro, tornando a administração da verba um desafio para os gestores e para quem precisa custear seus projetos. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CNPq pode deixar de custear parte do programa Ciência sem Fronteiras

Devido à contenção de gastos feita pelo governo, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, CNPq, por meio de seu recém-empossado presidente, bioquímico Prof. Dr. Hernan Chaimovich, pode rever alguns financiamentos direcionados ao programa Ciência Sem Fronteiras. 

Chaimovich destacou a importância do programa, mas parte dele terá de ser financiado por outras fontes, as quais não foram especificadas. Ele também salientou a importância de se otimizar os recursos públicos, isto é, NOSSO DINHEIRO precisa ser bem empregado para a pesquisa e o desenvolvimento científico e tecnológico, necessários ao Brasil. 

O anúncio está preocupando os pesquisadores brasileiros no exterior, custeados pelo programa, assim como os estrangeiros que colaboram no desenvolvimento de projetos acadêmicos, científicos e tecnológicos no país, pois a nova presidência não disse, por enquanto, quais setores serão afetados pela decisão. Isso ficará para depois, quando for elaborada uma portaria referente à questão, que ainda precisa ser submetida a uma discussão prévia entre os membros do Conselho Deliberativo do CNPq. 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Finalmente abriram a USP Leste

O campus da USP na Zona Leste foi aberto finalmente, após passar mais de um semestre interditado. 

Depois da pressão feita pela Cetesb para instalar meios de extração do metano, gás formado a partir da decomposição de matéria orgânica e causador de explosões, a Justiça autorizou a abertura, mas depende da USP liberar um calendário para as atividades após o incidente. 

Os alunos de graduação tiveram de assistir aulas em outros locais, até mesmo no Campus Butantã, situado em outro extremo da cidade, na Zona Oeste. Enquanto isso, o setor de pesquisa local ficou seriamente afetado devido à falta de infra-estrutura de outros locais. 

Um dos prédios da USP Leste, que abriga a Escola de Artes Cênicas e Humanidades - EACH (Sérgio Castro/AE)

Pagou-se o preço de construir um campus sem a verificação prévia do terreno. Foi assim também com o Shopping Center Norte, em 2011. O prejuízo da interdição, porém, foi muito maior no caso da USP Leste, pois além de atrapalhar os alunos, atrasou consideravelmente os trabalhos de pós-graduação e a pesquisa de vários projetos. 


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Mais uma greve que resultará em nada!

Quando existe uma greve na USP, cuja frequência é aproximadamente anual, os professores, funcionários e alunos participantes conseguem resultados modestos, quando conseguem. Na maior parte das vezes, ou não se muda nada, ou a comunidade USP precisará arcar com a deterioração da imagem frente ao resto da sociedade, que enxerga nessas manifestações meros protestos de gente sustentada pelos pais, ou de privilegiados com poder de mobilização que luta apenas por interesses próprios. 

Desta vez eles batalham pelas eleições diretas para reitor. A reitoria vai organizar novas eleições, com mudanças. Antes, havia um primeiro turno e um segundo turno para a Assembléia Universitária, formada pelo Conselho Universitário (CO) e pelos Conselhos Centrais formados por representantes de professores, alunos e funcionários, elegerem uma lista tríplice, a qual será encaminhada ao governador. Em algumas vezes, os governadores escolhem o segundo ou até o terceiro nome, em detrimento do mais votado, como aconteceu no caso da eleição do atual reitor, João Grandino Rodas, em 2009. Este sistema de lista de três nomes, detestado pela maior parte da comunidade USP por ser um vestígio da ditadura militar, foi mantido. Agora, segundo decidiu o CO, conhecido pejorativamente por membros do Sintusp e do DCE Livre pelas verdadeiras iniciais de "Conselho Universitário", haverá apenas um turno para compor esta famigerada lista. 

Como as medidas tomadas pelo CO estiveram bem longe de agradar os representantes dos alunos e funcionários, eles resolveram invadir a reitoria, proclamando mais uma greve, para a USP não fugir da tradição de ter pelo menos uma paralisação por ano. Eles reivindicam um governo tripartite, com um representante dos professores, um dos funcionários e um dos alunos. 


E qual é o apoio do resto da sociedade a isso? Para a maioria, é caso para só a comunidade USP resolver. Precisa ser logo, pois os bloqueios na portaria principal da Universidade, feitos em quase todos os protestos, atrapalham o já exasperante trânsito na região do Butantã. E os manifestantes não se preocupam em obter apoio do resto da cidade, ficando restritos a uma minoria barulhenta e vistos pelo povo em geral como defensores dos interesses de alguns privilegiados.

Sem falar na maioria dos estudantes da USP, que preferem não se filiar aos movimentos estudantis e continuam querendo o cumprimento do calendário letivo neste ano. Para eles, idéias francamente socialistas como a do Sintusp e a do DCE Livre, dominadas por simpatizantes do PSOL e do PSTU, mais preocupados com a "luta de classes" do que com a luta pela melhoria do ensino, não interessam.

Qual será o resultado dessa nova greve? Repetirão os fiascos anteriores, por lutarem só por idéias com pouco ou nenhum lastro do resto da comunidade USP? Antes, eles queriam as eleições diretas para reitor, o que é algo pouco viável se não visar a melhoria da Universidade. Agora querem algo ainda mais impraticável - o tal governo tripartite. Desse jeito continuarão sem apoio da maioria dos estudantes, e merecedores da indiferença fora do campus.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Entre as 200 melhores

A USP voltou para a lista das 200 melhores universidades do mundo da Times Higher Education, após alguns anos de ausência.

É a única instituição da América Latina a constar entre as 200 melhores. Uma grande notícia, pois a USP consegue manter seu padrão de qualidade. Caso o Brasil contasse com um sistema educacional decente, principalmente no ensino fundamental, e mais investimentos destinados à pesquisa acadêmica, não só a USP, mas todas as boas universidades, poderiam ser beneficiadas. Mas a principal favorecida seria toda a sociedade brasileira.

Nesta lista, há novidades nas universidades de topo: Harvard deixou de ser a mais conceituada de todas. A California Institute of Technology passou a liderar o topo. A Stanford University, aquela mesma que recebeu Steve Jobs durante o célebre discurso de 2005, ficou em terceiro. Cambridge, na Inglaterra, foi "rebaixada" de quarto para sexto lugar, enquanto a rival Oxford subiu para quarto lugar. Princeton, onde Albert Einstein trabalhou nos últimos anos, ficou em quinto. 

Não é estranha a presença dos americanos e da dupla Oxford-Cambridge no topo, mas universidades em outros países ficam para trás, segundo a lista da Times. A ETH Zürich, da Suíça, considerada a melhor fora dos EUA e da Inglaterra, ficou em décimo quinto lugar. Algumas universidades canadenses e japonesas ocupam boas posições. A segunda melhor universidade da Europa fora das ilhas britânicas ficou "apenas" em trigésimo segundo lugar: a Karolinska Institute, de Estocolmo. A terceira é a Ludwig-Maximilians-Universität, de Munique, em quadragésimo quinto lugar, atrás até da Universidade de Hong Kong (trigésimo quarto) e de Cingapura (quadragésimo).

São amostras de uma lista seleta, da qual toda a comunidade uspiana pode orgulhar-se. Espera-se que o padrão de qualidade continue, para o bem de nosso país, o que é uma façanha, devido aos problemas citados neste post. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A USP não é uma ilha

Como pós-graduando da Escola Politécnica da USP, devo fazer, pelo menos, um breve comentário a respeito do assassinato de um membro da comunidade uspiana, em pleno campus, e dar minha opinião sobre melhorias na segurança. 

A USP é um dos grandes formadores de pessoal qualificado tanto para o mercado de trabalho quanto para ajudar a entender os problemas de nossa nação. É um patrimônio da cidade, do Estado e do País, e como tal deve ser preservado. Contudo, não está - e não pode ficar - isolada do resto da sociedade.

O campus principal, no Butantã, tem os mesmos problemas de segurança dos bairros vizinhos. Em proporções menos alarmantes, é certo, mas eles existem. Roubos e furtos de materiais, equipamentos e agências bancárias acontecem com mais frequência do que deveria. Agora, este assassinato. Ninguém está imune a esta praga, muito menos os uspianos. Muitos acabam se esquecendo disso, quando estão dentro do campus, e acabam virando vítimas em potencial.

A reitoria e as prefeituras, tanto o do campus quanto o da cidade de São Paulo, estão cientes disso e vão toma alguma providência. Mas as ações devem ser efetivas, para o bem da comunidade USP e todo o resto da população. Existe a Guarda Universitária no campus. Também é necessário decidir logo se a polícia comum, como a PM, pode entrar ou não no campus para reprimir os criminosos. Não estamos na época da ditadura militar, quando a polícia entrava e saía à caça de supostos 'subversivos' e alimentava os porões. Então, se é para colaborar no combate à violência, eu opino que ela deve entrar, sim, no campus.

Existe um debate, também, sobre a presença de favelas próximas ao campus do Butantã, mas elas não estão dentro da USP e, neste caso, a polícia pode agir livremente se houver alguma ocorrência por lá. Mas atribuir aos favelados a culpa pela criminalidade é dizer que pobre é bandido. Não passa de preconceito social, mais grave do que, por exemplo, o tratamento dispensado aos homossexuais, por exemplo. Além disso, o assassino, até prova em contrário, não veio de nenhuma favela. Pode ser conhecido da própria vítima, mas aí quem vai ter de averiguar isso é a Justiça.

Finalmente, não se pode restringir ainda mais os acessos nos campi, principalmente no Butantã. Entrar e sair da USP era bem mais fácil até a década de 1990. Agora existem três portarias, além de algumas entradas menores só para pedestres. Nestes acessos, há um certo controle, principalmente nas portarias 1 e 2, e quase todos os limites do campus estão murados. Restrições adicionais só deixariam a USP isolada, com a falsa impressão de que os criminosos vão ficar do lado de fora. É impossível fazer um controle minucioso de milhares de pessoas sem grandes investimentos, e constrangimentos. Como foi exposto no título: A USP não é uma ilha. E não queremos que venha a ser.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tradição na USP

Todo ano, vocês podem apostar, tem na USP.

E não falo em simpósios ou congressos para debater temas relevantes, como as parcerias entre universidades e empresas, ou a melhoria das condições de vida de milhões de brasileiros abaixo da linha da pobreza.

Também não falo das gincanas e eventos esportivos universitários, ora para integrar os 'bixos' à universidade, ora para garantir as boas relações entre os diversos cursos existentes.

É, por acaso, o trote solidário (pois a USP baniu há anos os trotes violentos)? Não!

Tampouco as visitas de estudantes do ensino médio e de outras universidades em excursões.

Trata-se de um costume bastante arraigado dentro dos campi, particularmente na Cidade Universitária, no Butantã. É a GREVE!



Todo ano santo tem greve, pelos mais diversos motivos, principalmente salariais. Eles fazem a greve e a reitoria finge que toma providências para atender suas reivindicações ou fazer contra-propostas (quando não faz nada). Enquanto isso, milhares de alunos ficam sem aulas, ou sem serviços importantes como o transporte gratuito dentro do campus (o Circular), a emissão de documentos da USP e o conhecido "Bandejão". E isso por mais de um mês, às vezes dois ou três.

O direito de greve é assegurado pela Constituição, mas o bom senso de ambas as partes, funcionários e reitoria, deve prevalecer para não comprometer o andamento da USP, a formação de estudantes e a pesquisa de projetos acadêmicos.

Não podemos nos iludir quanto à boa vontade dos grevistas. Os primeiros estão comandados por gente ligada à partidos que idolatram Mao Tse Tung, o MST e até as Farc. A reitoria até pode atender suas reivindicações, mas por qualquer pretexto o Sintusp, o sindicato dos funcionários da USP pode manter esse costume anual de paralisar as atividades. Talvez até que haja uma verdadeira ditadura a la Fidel.

E a reitoria até agora não se manifestou a respeito dessa greve, o que é no mínimo preocupante! Dá a impressão de que eles pouco se importam com os acontecimentos, limitando-se a divulgar os números das pesquisas acadêmicas da USP e recusando-se a enxergar o outro lado da realidade.

Este é um marco na vida acadêmica da USP, do qual nossa cidade, nosso Estado, nosso país, muito pouco se orgulham.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Colação de grau

Ontem participei da colação de grau da faculdade onde concluí o curso de Materiais, processos e componentes Eletrônicos (MPCE), a Fatec - Faculdade de Tecnologia de São Paulo.

É o fim de um período, a graduação, e o começo de outro, a carreira profissional. Claro que, devido à extrema competitividade do mercado de trabalho, muitos não conseguirão ingressar no mercado de trabalho como profissionais formados, mas isso é outra história, que vou abordar mais tarde.

A cerimônia de colação de grau, apesar de ser um evento com elementos festivos, é um negócio sério. Significa que o sujeito não é mais um estudante, e sim um profissional. Portanto, adeus privilégios de estudante! Sem meia-entrada no cinema, nem meia passagem de ônibus.

Se ainda não aprendeu a administrar o tempo e as atividades (o que ainda acontece em muitos casos), vai ter de aprender, e logo. Pois será cobrado por isso. Terá de cumprir prazos mais curtos para fazer as tarefas do que nos tempos de estudante. O ambiente é diferente da faculdade, e será bem mais competitivo (repito: isso quando estiver empregado...). E vai ter de controlar as baladas e as noitadas.

Já abordei isso quando entrei na pós-graduação e postei sobre isto. Ver aqui.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A USP e os forasteiros

Trânsito carregado na Av. da Universidade, na USP (fonte: site do JT)


Sei que o assunto parece profundamente antipático, mas é para ser debatido.

A USP já há algum tempo é rota de fuga para pessoas que nada tem a ver com a universidade. Motos, ônibus e principalmente carros que circulam apenas de passagem, para fugir dos congestionamentos.

É lógico que é necessário fazer algo para minimizar os efeitos do trânsito nos arredores da cidade, aliás, em qualquer lugar daqui, pois estamos obtendo recordes de congestionamento, mesmo com a implantação do trecho sul do Rodoanel (que fez boa parte dos caminhões ir para caminhos bem melhores do que a Av. dos Bandeirantes e a Marginal Pinheiros para se deslocar do interior para o porto de Santos).

Porém, francamente, fazer da USP uma mera alternativa ao trânsito? Ela não foi concebida para isso! As vias são para integrar os diversos prédios da USP e garantir a circulação de estudantes, funcionários e professores da instituição. Também a USP deve ser aberta para carros de prestadores de serviços para os prédios da USP e veículos de turismo. Mas para os 'turistas acidentais' a coisa é diferente.

É claro que o problema dos congestionamentos não se resolve de todo com a retirada dos 'invasores' do território uspiano, já que o acesso principal é próximo à r. Alvarenga, cujo tráfego é de lascar e atravanca toda a região. Mas teríamos muito menos carros entupindo esse acesso, assim como os outros.

Cabe à reitoria da USP debater o assunto com a sociedade e encontrar uma maneira viável de impedir a continuação desse descalabro.

Quanto aos 'forasteiros' que queiram evitar a Marginal Pinheiros, existem algumas opções:
- Av. Prof. Fonseca Rodrigues e Av. Pedroso de Morais, do outro lado da Marginal.
- Av. Corifeu de Azevedo Marques.

Qualquer dia desses, eu toco no assunto dos caminhos alternativos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Pós-graduação para leigos


Amanhã começo o mestrado na Engenharia Elétrica da Universidade de São Paulo e cabe registrar algo a respeito.

O mestrado é a primeira etapa da pós-graduação e seu período ideal é de dois anos, podendo ser estendido conforme a necessidade, até o máximo de três anos. Já o doutorado, segunda etapa, dura três anos, podendo ser estendido por mais dois. É sempre altamente recomendável cumprir essas etapas no tempo estipulado, pois o tempo é um recurso muito valioso, e o pós-graduando precisa demonstrar responsabilidade nos seus atos.

Tanto o mestrado quanto o doutorado podem ser latu sensu (conhecimento generalizado) quanto strictu sensu (aprofundamento em determinada área de pesquisa).

É preciso lembrar que a pós-graduação não é mera continuação da graduação, onde há menor compromisso com a vida acadêmica. Tanto graduandos como pós-graduandos, em geral, procuram conciliar o estudo, o trabalho e a vida social. Porém, os últimos cumprem um determinado período de estudo e outro de pesquisa. Existe a obrigação de se dedicar determinadas horas de estudo na pesquisa, pois há uma obrigação básica a cumprir por quem se dedica ao mestrado ou ao doutorado. Mestrandos precisam elaborar uma dissertação, um conjunto de idéias e conceitos reunidos para a realização da tarefa a que se propôs fazer, no final do curso. Doutorandos elaboram uma tese, onde todas as idéias são elaboradas de forma ainda mais profunda.

Ao contrário dos graduandos, os pós-graduandos não tem alguns privilégios. Em geral, não são filiados à UNE, não recebem o benefício da meia-entrada no cinema, teatro ou casas de espetáculos, e precisam pagar a tarifa inteira de ônibus ou de metrô. Pós-graduandos, sem exceção, são adultos e tratados como tal.

Também não é a mera formação de professores para as diversas faculdades. A pós-graduação pode ser acadêmica ou não. A finalidade da pós-graduação acadêmica é a pesquisa. O Brasil carece de pesquisadores para o desenvolvimento científico e tecnológico.

No caso da pós-graduação não acadêmica, há o aperfeiçoamento das capacidades profissionais, visando melhor preparação do aluno ao mercado de trabalho, como no caso do mestrado profissionalizante.

Tanto os pesquisadores quanto os profissionais de diversas áreas precisam ser capacitados para as exigências do mercado e, principalmente, da comunidade. Para isso, mestrandos e graduandos devem desenvolver os mesmos conhecimentos e habilidades de qualquer outro profissional, ou seja:
- saber trabalhar em equipe;
- aperfeiçoar-se em outras línguas para assimilar o conhecimento vindo dos países com mais tradição científica e tecnológica; o inglês é imprescindível;
- informática é fundamental;
- ter facilidade de comunicação, pois o mestrando ou o graduando precisa expor com clareza as suas idéias ao longo do curso, nas suas dissertações e teses, nos artigos científicos;
- estar aberto aos demais membros da sociedade, pois seu conhecimento precisa satisfazer as necessidades de quem precisa e, para isso, o pesquisador, ao contrário do que comumente se pensa, não fica recluso na faculdade.

Existem cursos gratuitos de pós-graduação, nas universidades públicas. Mas as exigências são maiores do que nos cursos semelhantes privados. Em ambos os casos, muitos pós-graduandos têm direito à bolsa, uma espécie de 'salário' para custear os estudos e necessidades de locomoção e transporte. Para manter esse direito, os pós-graduandos devem cumprir com rigor as exigências dos cursos, mesmo porque é dinheiro público sendo investido!

Portanto, os alunos de pós-graduação, que representam menos de 0,5% da população brasileira, têm muitas responsabilidades, e não devem fugir a elas, pois são necessários ao conhecimento e formação dos outros 99,5% de brasileiros.