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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Loucuras do velho capitão

Nesta postagem não se fala sobre política,  algo abordado ontem. O capitão do título é James Kirk. Na verdade, seu intérprete, William Shatner.

Aos 94 anos, o ator ainda encontra forças para lançar um álbum de heavy metal juntamente com os guitarristas Zakk Whyld, Richie Blackmore e Chris Poland, mais o vocalista Henry Rollins, com quem Shatner já havia lançado outro disco em 2004. Outros discos, começando com The Transformed Man, de 1968, onde o então jovem Capitão Kirk fez interpretações de Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles, entre outras canções, foram lançados ao longo do tempo. 

O trabalho ainda será lançado pela Cleopatra Records, para este ano, se o Leonard Nimoy não resolver ressuscitar, encarnar o Dr. Spock e lançar um "Vulcan Nerve Pinch" para dar um "sossega-leão" no companheiro da Enterprise e fazê-lo voltar ao juízo normal. 

William Shatner, como não muitos sabem, já gravou alguns discos (Elizabeth Shatner)


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Mais uma perda para a música

O cantor jamaicano Jimmy Cliff morreu aos 81 anos, deixando muitos fãs consternados. Ele era um continuador da obra de Bob Marley, o chamado "rei do reggae", e deixou várias gravações. 

Ele gravou com vários outros artistas, incluindo o baiano Gilberto Gil, e uma de suas filhas foi com a artista visual brasileira Sônia Guedes. Jimmy Cliff gostava muito do Brasil. 

Um dos sucessos mais lembrados de Jimmy Cliff (1944-2025): "Reggae Night", de 1983 (do canal TopPop)

Sua morte é a perda de mais um representante da música popular do passado, com harmonia e melodia apurada, algo aparentemente esquecido em muitas produções de hoje. Os atuais artistas deveriam levar Cliff e outros nomes mais em consideração ao invés de reclamarem da concorrência da IA. 

terça-feira, 22 de julho de 2025

Mais perdas

Nesta semana, o Brasil ficou chocado pela morte de Preta Gil, após uma luta sofrida contra um câncer no intestino. Muita gente tinha a esperança de èxito no combate a esta doença, certa de sua capacidade de lutar e enfrentar muitas coisas, mas ela foi derrotada. A filha de Gilberto Gil se foi cedo, com apenas 50 anos. 

Ainda temos a perda, também chocante para os amantes do heavy metal, que ainda são muitos: Ozzy Osbourne, o eterno líder do Black Sabbath, "Príncipe das Trevas" e com a fama infame de comer morcegos, desde o episódio de 1982, quando ele teria mordido a cabeça de um deles durante um show. Não adiantou alegar que o animal estava morto quando ele foi jogado por um fã e foi parar na boca deste inglês que conquistou seu espaço na história do metal. Isso acabou se tornando uma lenda moderna. 

Ozzy Osborune (1948-2025) e a sua fama de "comedor de morcegos" foi além das fronteiras do rock'n roll

Ozzy não morreu de hidrofobia (doença causada por morcegos e outros mamíferos como os cães), mas sim das consequências do mal de Parkinson. Mesmo assim, ele teve forças para se apresentar uma última apresentação com a sua ex-banda, a Black Sabbath, semanas antes da morte. 

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Uma música mal compreendida por aqui

Assim como A Cavalgada das Valquírias é atribuída erroneamente aos nossos tempos aparentemente apocalípticos e violentos por constar do filme Apocalypse Now, sendo na verdade um encontro entre amazonas nórdicas, outra obra também causa certa impressão em mentes mais suscetíveis e sem conhecimento da música erudita. 

A Carmina Burana de Carl Orff é mais conhecida pelos seus trechos iniciais impactantes, muitas vezes associadas a cenas trágicas ou demoníacas. Mas não é bem assim. A parte inicial é denominada Fortuna Imperatrix Mundi, ou "Fortuna Imperatriz do Mundo", onde se pode ouvir os versos em latim, lamentando os caprichos da Fortuna, injusta e tirânica com a vida das pessoas. Na verdade, isso tem muito a ver com o mundo atual, mas não no sentido apocalíptico, e sim como uma alegoria das dificuldades pelas quais todos passam. 

Os versos desta obra medieval dos goliardos (*) alemães empregam palavras bastante perturbadoras para alguns, mesmo não sendo algo relacionado a demônios ou bruxas, como muitos pensam. 


(*) Grupos de estudantes entre os séculos XII e XIV, cantores e poetas amadores, partidários de uma vida festiva, com comida, bebida e mulheres, sendo, por isso, vistos como vagabundos e libertinos. 

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Duas grandes perdas na música de entretenimento

O show biz mundial perdeu ontem um dos maiores produtores musicais de todos os tempos, Quincy Jones, apoiador de nomes como Frank Sinatra e Duke Ellington, e também de Michael Jackson, sendo o responsável pelo imortal Thriller (1982), maior sucesso do cantor. Quincy foi indicado ao Grammy 73 vezes, e, embora ganhando "apenas" 27, foi um dos maiores premiados. Ele também trabalhou com Mílton Nascimento, Ivan Lins e Simone, grandes nomes da MPB. 

Por falar em MPB, Agnaldo Rayol encerrou a vida por causa de um traumatismo craniano, ao bater a cabeça numa queda. O cantor era conhecido pela voz potente, demonstrando isso em trilhas sonoras de novelas como Terra Nostra e em vários shows, além de ter cantado durante a canonização de Frei Galvão (1738-1822) durante a visita do papa Bento XVI (1927-2022). 

São dois nomes a deixar este mundo cada vez mais cacofônico, tomado por cantores e cantoras sem um décimo do valor deles para a música de entretenimento. 

Quincy Jones (1933-2024) não era "somente" o produtor dos clipes de Michael Jackson (UCLA Library/Los Angeles Times Photographic Collection). 

Agnaldo Rayol (1938-2024) engrossou a lista de grandes nomes a falecerem neste ano terrível (Reprodução/Instagram)


N. do A.: Este blog já publicou obituários demais, principalmente neste ano. E acreditem: há tempo para muita gente ir para os "campos santos" (Dom Casmurro; Machado de Assis)

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Da série 'Mondo Cane', parte 87

O autor deste blog jamais pensou em escrever sobre uma ópera causadora de internações hospitalares, mas estamos vivendo tempos grotescos. 

Fizeram uma adaptação "contemporânea" da ópera Sancta Susanna, de Paul Hindemith (1895-1963), Originalmente composto em 1921, era mais um trabalho relativamente convencional, dentro dos padrões da música da época, longe das ousadias de uma obra de Igor Stravinsky (1882-1971) ou Béla Bartok (1881-1945). Não havia sequer um traço da música serial criada por Arnold Schönberg (1874-1951) e seus discípulos. A versão original só ficou conhecida pela abordagem anticatólica de um convento. 

Resolveram "modernizar" a ópera, colocando elementos cênicos capazes de deixar a música totalmente em segundo plano. Sangue falso usado aos montes. E verdadeiro, também, de procedência duvidosa, dando margem a especulações Relações sexuais explícitas, com mulheres se esfregando na frente da plateia. E o uso de piercing pelas freiras, personagens do trabalho. 

Segundo a coreógrafa Florentina Holzinger, esta versão de Hindemith tinha a intenção de provocar debates sobre sexualidade feminina e espiritualidade. Como efeito colateral, gerou 18 casos de atendimento médico, pois muitos espectadores passaram mal. 

Uma das cenas mais "comportadas" da ópera encenada em Stuttgart, Alemanha. As mais fortes não podem ser exibidas neste espaço (Staatsoper Stuttgart/Youtube)


Se Hindemith tentasse colocar algo parecido em 1921, iria ser colocado na prisão ou num hospício. Pior ainda se fizesse isso em pleno regime nazista, que viria a ocorrer poucos anos mais tarde. Neste caso teria sorte se fosse "apenas" guilhotinado por produzir "arte degenerada" (termo usado pelos seguidores de Hitler para toda obra fora do gosto deles). 

Estamos vendo a gloriosa história da música alemã, considerada a melhor do mundo, ser destruída numa fúria iconoclasta digna de um "Estado Islâmico", ou até pior? Devemos considerar como certos os rumores segundo os quais isso é produto do identitarismo, do globalismo, do satanismo ou de outros ismos? Ou é a manifestação do mau gosto do nosso tempo?


N. do A.: O horror da peça citada é simulado, mas no Rio de Janeiro seis pessoas foram contaminadas com o vírus HIV, da AIDS, após receberem órgãos para transplante pelo SUS. É o horror real!

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

A estranha comparação entre um compositor nascido há exatos 200 anos e o 'rock'

A mais nova edição do Rock in Rio começa hoje, como sempre com muito pouco de rock e tendo como destaque, neste primeiro dia, a Ludmilla, afastada deste gênero como a Cidade Maravalhosa está de Woodstock. 

Um compositor, nascido há 200 anos, a 4 de setembro de 1824, numa cidadezinha austríaca, é muitas vezes comparado aos roqueiros e mesmo aos metaleiros pela sua música. Anton Bruckner, organista, católico devoto e admirador de Johann Sebastian Bach e Richard Wagner, compôs sinfonias consideradas muito dissonantes, verdadeiros "blocos" musicais não lapidados no lugar de "frases" concatenadas, como a forma sonata constituída de exposição do tema, desenvolvimento e recaptulação. Alguns músicos eram mestres no desenvolvimento formal, como Mozart, Haydn e Schubert, para citar apenas os mestres austríacos. 

Este pacato senhor do século XIX não lembra nem um pouco os roqueiros do século seguinte

Bruckner era considerado rude e inculto, visto como um camponês ignorante e relapso, e tinha alguns hábitos esquisitos, como acompanhar enterros e olhar para cadáveres, principalmente de mulheres, o que só lhe pioravam a fama. Suas sinfonias monumentais eram consideradas, pelos críticos, como "monstruosidades". Ele tratava os instrumentos da orquestra como tubos de um órgão, e a sonoridade ora era suave, ora bastante agressiva. Sua orquestração exigia numerosos músicos, e ele muitas vezes empregava instrumentos de sonoridade muito pesada, como as "tubas de Wagner" usadas em nada menos que a tetralogia do Anel dos Nibelungos. O uso intenso de cromatismos e variações bruscas de andamentos o fez não ser apreciado em vida, mas louvado pelos críticos modernos. 

No rock, e principalmente no metal, as dissonâncias eram propositais, para agradar a quem dançava sacudindo as cabeleiras. (*)

Alguns trechos de suas sinfonias parecem mais "heavy metal" do que a quase totalidade das músicas apresentadas nas edições do Rock in Rio, como o scherzo da sua última sinfonia, coincidentemente a de número 9, e também em ré menor, como a Nona de Beethoven: 


Para muitos, a sua maior sinfonia era a anterior, cujo apelido era "a Apocalíptica", e tinha a mesma tonalidade da Quinta Sinfonia de Beethoven, em dó menor. 


Muitos, porém, preferem a grandiosa Te Deum, uma obra religiosa de louvor a Deus, elogiada até por seus mais ferozes críticos, como Eduard Hanslick, amigo de um dos maiores compositores da época, Johannes Brahms. 


Hanslick deplorava Richard Wagner e Franz Liszt, representantes considerados mais "modernos" para aquela época, pelo uso mais livre das melodias e menos observância às regras de composição; os adeptos desses compositores adotam os "motivos" musicais, espécie de descrição de personagens, como se faz hoje para musicar os filmes de Hollywood. Hanslick era amigo de Johannes Brahms, tido como modelo a ser seguido. Brahms era mais obediente às regras, suas inovações eram mais sutis, e sua música não sugeria cenários ou personagens, ou seja, era "absoluta". Bruckner também só fez música "absoluta", mas era colocado entre os "modernos" pelos motivos já citados. 

Anton Bruckner morreu em 1896, sem ver o talento reconhecido, mas foi admirado por um verdadeiro gênio da música clássica, Gustav Mahler, autor de sinfonias ainda mais colossais e que viveu em tempos mais abertos para as inovações. 


(*) Curiosamente, muitas frases musicais das composições de rock e mesmo do metal eram extraídas, às vezes de forma descarada, de músicos eruditos. Bach e Beethoven eram as maiores fontes do que poderia ser considerado "plágio", se as obras deles não estivessem em domínio público. 

terça-feira, 7 de maio de 2024

Monumento da música é apresentado há 200 anos

A última sinfonia do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) acaba de fazer 200 anos. Nenhuma outra, nem antes e nem depois, conseguiu ser tão comentada e aclamada. 

Mesmo na première do dia 7 de maio de 1824, com todos os seus problemas nos ensaios e com Beethoven sendo considerado um músico difícil de compreender por suas ousadias harmônicas, além de estar completamente surdo. Consta-se que a sinfonia foi interrompida a cada movimento por causa dos aplausos. Beethoven, sentado ao lado do maestro, não conseguia ouvir nada e só acompanhava a orquestra tocando, e percebeu seu sucesso quando a contralto Caroline Unger (1803-1877) mostrou-lhe a plateia em ovação. 

Apesar de ser apelidada de "Ode à Alegria", a obra começa em um dos tons mais mal humorados, ré menor. E de fato não começa nem um pouco alegre, e sim bastante agressivo. O segundo movimento também é em ré menor, mas consegue ser bem humorado, um scherzo (brincadeira), espécie de dança frenética em compasso ternário. O terceiro está em si bemol maior e é um adagio molto cantabile, lento e bem pouco alegre, mas com muito lirismo. A "ode à alegria" propriamente dita é o quarto e último movimento, na jubilosa tonalidade de ré maior, e pela primeira vez foi empregado um coro e quatro solistas. Por isso, a Nona é também chamada de "Coral". Foi empregado o poema Am die Freude (À Alegria), de Friedrich Schiller (1759-1805), já falecido naquela época mas ainda muito influente. 

Beethoven conseguia superar até o seu próprio temperamento, considerado amargo e colérico, para fazer uma grandiosa "ode à alegria" 

Com esta sinfonia, catalogada como Op. 125, Beethoven encontrou seu lugar entre os maiores mestres, ao lado de Bach (1685-1750) e Mozart (1756-1791), e se tornou modelo para os compositores posteriores, como Schubert (1797-1828), Wagner (1813-1883), Brahms (1833-1897) e outros, e mesmo os músicos pop. Virou até uma espécie de hino da União Européia. Uma obra monumental. 

terça-feira, 30 de abril de 2024

Nada de novo sob o Sol

As notícias da grande mídia abordam as brigas políticas, a impunidade, a falta de justiça, as guerras e as medidas dos (des)governos. E também abordando o Rock in Rio, edição 40 anos. 

Parece tudo errado nesta edição, pois ela acontecerá em setembro deste ano, enquanto a primeira edição foi em janeiro de 1985. Pode parecer irrelevante, pois são poucos meses de diferença, na prática. Mas nas redes sociais a indignação é geral, pela falta quase absoluta de nomes do rock. Deviam estar acostumados, pois se até na edição original, onde o ritmo parecia reinar no Brasil, havia uma infestação de outros estilos, imagine agora, com a triste constatação de que o rock parece ser realmente coisa de velhos barrigudos saudosistas. 

Os ingressos estão à venda, para quem queira. 

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Música transmite sentimentos?

O dono deste blog não é especializado em música,mas já leu algo sobre a teoria musical, baseada no sistema tonal ocidental, formado por doze notas básicas: dó, dó sustenido, ré, mi bemol, mi, fá, fá sustenido, sol, lá, si bemol e si,

As notas são as bases das escalas, em dois tipos de tons, o maior e o menor. Costuma-se afirmar que os tons maiores são alegres e os menores são tristes. Ou, de forma mais abrangente, os tons maiores exprimem sentimentos positivos e os negativos reproduzem os negativos. Assim, por exemplo, a escala de dó maior, formada pelas sete notas musicais aprendidas na infância, exprime algo feliz e inocente, Sua relativa, formada pelas mesmas notas, é lá menor, um tom triste mas sem afetação. O tom de sol maior já tem uma nota "acidentada", a fá sustenido, daí a partitura já indicar um símbolo de sustenido (o jogo da velha) correspondente à essa nota. Essa escala não exprime algo tão inocente, mas é ainda mais alegre que a escala de dó maior. Outras escalas exprimem algo semelhante, como fá maior ser rústica e festiva, ré menor ser amarga e severa, dó menor ser agressiva, etc. 

O andamento também influenciaria, sendo os mais lentos ("andante", "adagio", "largo") tristes ou tranquilos, e os mais rápidos ("allegro", "vivace", "presto") animados ou agitados, dependendo da tonalidade. 

Os compositores não necessariamente adotam esses "sentimentos" como regra. Assim, temos a festiva Abertura Festival Acadêmico, de Johannes Brahms (1833-1897), fundamentalmente em dó menor, a mesma do dramático primeiro movimento da Quinta Sinfonia, de Ludwig van Beethoven (1770-1827). Os dois compositores alemães citados, aliás, tendem a julgar a música como incapaz de narrar cenários, ao contrário de outros, como Richard Wagner (1813-1883) e os compositores de trilhas sonoras para filmes e seriados da televisão. 

Vale lembrar que o polonês radicado na França Fréderic Chopin (1810-1849) escreveu o Estudo Op. 10 n. 3 chamado Tristesse, sendo uma música realmente bem triste, embora escrita em mi maior. 

Caso alguém transformasse os acontecimentos atuais em música, certamente adotaria o tom menor e andamento bem rápido, para "descrever" uma tempestade. Ou, pior, uma cacofonia, sem harmonia ou melodia, para tentar reproduzir a bagunça reinante. 


segunda-feira, 10 de julho de 2023

Deepfakes para ressuscitar artistas

Neste mês, dois deepfakes foram muito destacados na mídia. Primeiro, Elis. Agora, Luis Gonzaga.

Causou espanto, para alguns, ver Elis Regina cantando com a Maria Rita, sua filha, no comercial da Wolkswagen. Mas isso já se faz há muito tempo, para fazer conteúdo fake. No caso da montadora, não há dolo, a princípio. Ela queria fazer uma auto-homenagem, pelos 70 anos da Kombi. A "Pimentinha", morta em 1982, pilotando um modelo antigo, e a filha, num modelo novo, oficialmente chamado Id Buzz, mas por aqui chamado desde já de "Nova Kombi", com motor elétrico e mais cara que um Passat (o preço é de fazer a Elis se revirar no túmulo). E as duas cantando a consagrada "Como nossos pais". 

Elis dirigindo Kombi? (Divulgação)

Agora, o Rei do Baião foi recriado com a mesma técnica. No show do cantor de forró João Gomes, ele "apareceu", ontem. E eles foram cantar uma música do próprio João, isto é, houve mais trabalho para fazer o velho músico, morto em 1989, cantar algo que ele nunca cantou em vida. 

João Gomes 'cantou' com o Gonzagão (Divulgação/Instagram)

São casos onde é válido usar os deepfakes, não havendo a intenção de difamar ou espalhar mentiras. Contudo, ainda devemos ficar atentos para o mau uso dessa tecnologia. 


quarta-feira, 24 de maio de 2023

Mais uma notícia triste para os fãs do rock

Maio de 2023 está sendo um mês funesto para os fãs do rock'n roll. Primeiro, Rita Lee nos deixou, e agora Tina Turner, a grande cantora, conhecida pela voz poderosa e pelo desempenho nos palcos, além de ser um ídolo para os negros. 

Tina Turner (1939-2023)

Ela ganhou 12 prêmios Grammy e foi muito cultuada principalmente na década de 1980. No Brasil, teve shows lotados no início de 1988, no Rio e em São Paulo. Ela lotou o Maracanã com 182 mil pessoas, lançando músicas do álbum Break Every Rule. Virou inspiração até para personagens de novelas, como Tina Pepper (Regina Casé) em Cambalacho

Artistas como ela, Rita Lee e outras não morrem nunca. Clique AQUI para ouvir a discografia (Youtube). 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

O BBB que vale a pena

Estão a falar novamente sobre uma eliminação no BBB. Mais uma, nas infindáveis edições deste programa. 

Sobre isso, este blog será breve na sua opinião: 



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Os quatro temperamentos e a música: dois casos

Este blog por vezes se aventura a falar sobre psicologia, personalidade e temperamento. Neste último caso, a respeito dos quatro temperamentos definidos por Hipócrates e Galeno (sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático), há algumas relações entre estas características e a música. 

Em algumas obras com quatro movimentos, como as sinfonias do século XVIII, parece haver certa correlação: o primeiro movimento, rápido e enérgico, parece mais colérico do que os outros, enquanto o segundo movimento, lento e às vezes triste, é melancólico. O terceiro movimento é uma dança em ritmo moderado (como os minuetos de Haydn e Mozart), é fleumático, e o movimento final é o mais rápido e ligeiro de todos, consitutindo um temperamento mais "sanguíneo". 

Carl Nielsen (1865-1931), um compositor dinamarquês, fez uma sinfonia, em 1902, homenageando os quatro temperamentos, cujos movimentos são: 

- Allegro colerico (primeiro movimento, com dissonâncias e ritmo forte, escrito principalmente em si menor); 

- Allegro comodo e flemmatico (segundo movimento, parece uma valsa; o tom principal é sol maior); 

- Andante malincolico (terceiro movimento, mais triste, na rara tonalidade de mi bemol menor); 

- Allegro sanguineo - marziale (último movimento, realmente alegre, em ré maior). 

Esta foi a sua segunda sinfonia, e também a mais famosa. 

A sinfonia dos "Quatro Temperamentos", mostrando sua partitura (canal de Bartje Bartmans / Youtube)


Outro caso é a bem mais conhecida abertura de Guilherme Tell, escrita por Gioachino Rossini (1792-1868), o famoso autor italiano de óperas cômicas. Ele compôs esta obra, a mais "séria" de seu repertório, em 1829, e desde então quase não fez mais nada, desfrutando de uma fortuna adquirida com o sucesso de seus trabalhos. 

A obra começa num ritmo lento e pesado, um andante, marcado pelos violoncelos, transparecendo melancolia. Curiosamente, este prelúdio foi escrito predominantemente em modo maior (mi maior), com exceção do solo inicial do primeiro violoncelo, em mi menor. 

Depois, vem a "tempestade", reproduzida até mesmo em desenhos animados, uma parte realmente colérica, tocada pela orquestra inteira. A tonalidade é mi menor. 

A seguir, outro trecho usado nos cartoons, um andante tranquilo, lento e bucólico em sol maior, marcado pelos sons dos instrumentos de sopro de madeira. Foi usado até por Maurício de Souza para musicar desenhos do Chico Bento, sem falar no estranho Bambi encontra Godzilla

Por fim, a alegre e marcante Marcha dos Soldados Suíços, ou "música do cavaleiro solitário", devido ao uso desta marcha "sanguínea" como tema para o herói mascarado nos filmes e seriados. Foi musicado em mi maior. 

Música com partitura da abertura de Guilherme Tell, última grande obra de Rossini (canal de Bartje Bartmans / Youtube)

A abertura do seriado do Cavaleiro Solitário em 1949; curiosamente, o personagem era chamado, indevidamente, de "Zorro" no Brasil, mas ele era texano e não enfrentava o Sargento Garcia como fazia o espadachim californiano (canal The Film Detective / Youtube)


terça-feira, 22 de novembro de 2022

O Tremendão e os baques tremendos: registros de um dia tragicômico

Perdemos mais um artista brasileiro, Erasmo Carlos, o "Tremendão", líder da Jovem Guarda nos anos 1960 e autor de músicas antes execradas pela "esquerda festiva" da época, por não terem letras contra o regime militar que tolhia a liberdade do povo, mas agora são valorizadas principalmente se compararmos com a mediocridade de hoje. Erasmo compõs várias músicas, entre as quais "Minha fama de mau", "Jesus Cristo", "É preciso saber viver" e "Meu nome é Gal", homenageando Gal Costa, também recentemente falecida. 

Erasmo Carlos (1941-2022) foi um dos primeiros a adaptar o rock'n roll para a música brasileira (Carlos Mafort)

Esta notícia não foi tão impactante, devido ao histórico de doenças do cantor e compositor: COVID-19, problemas cardíacos e hepáticos, edema pulmonar. Um "baque tremendo" mesmo ocorreu na Copa no Qatar, uma das maiores zebras da História. Com Messi e tudo, a Argentina PERDEU para a Arábia Saudita por 2 a 1. Este foi de longe o maior destaque de hoje, que ainda teve a França levando susto com a Austrália e os dois jogos sem gols, entre a decepcionante Dinamarca e a Tunísia, e o conhecido goleiro mexicano Ochoa defendendo pênalti do astro polonês Lewandowski. Uma festa de arromba. 


Outro "baque tremendo" foi na política, com o presidente do PL Valdemar Costa Neto denunciando todas as urnas antigas, fabricadas antes de 2020, alegando não serem auditáveis e terem o mesmo número de série. Alexandre de Moraes disse que as urnas também foram usadas no primeiro turno e pede resposta em 24 horas para que a denúncia abranja os dois turnos. O líder do partido do presidente já havia anunciado a decisão antes e formalizou-a agora, com o aval de Jair Bolsonaro. Será mentira ou será verdade? 

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Gal Costa (1945-2022)

Ninguém esperava por (mais) essa, mas a cantora baiana Gal Costa, icone da MPB, morreu hoje. 

É mais uma perda irreparável para a arte brasileira. Ela era considerada uma das melhores vozes da música nos últimos tempos, e gravou grandes sucessos como Festa do Interior, Chuva de Prata, Brasil, Recanto, entre outras. Talvez a mais marcante dessas canções seja Divino Maravilhoso, de 1968, composto pelo parceiro Caetano Veloso e Gilberto Gil em 1968 para criticar o autoritarismo do regime militar vigente.

Como dizia o refrão desta música cantado à exaustão, nestes nossos tempos "É preciso estar atento e forte", pois "não temos tempo de temer a morte". 

 

(Registro da época, durante o 4o Festival MPB da Canção, na TV Record, pelo canal Elvio Schulz)

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Da série "Oitentolatria", parte 34

Enquanto continuam os procedimentos para o funeral da rainha Elizabeth II, há quem relembre uma antiga canção do Camisa de Vênus, a antiga banda do cultuado Marcelo Nova, para "homenagear" a eterna Sua Majestade Britânica. 

Feita em 1983, o hit "Bete Morreu" fez um sucesso enorme quando foi lançado, mas os discos de vinil (aqueles bolachões para reprodução de música analógica por meio das vitrolas, tudo isso descoberto também pela geração mais jovem devido à onda retrô do nosso tempo) eram escassos. 

A canção narrava a morte violenta, ao estilo punk rock, de uma patricinha bonita e desejada chamada Bete. Ela foi sequestrada, espancada, violentada e morta, em uma letra chocante para a época. Assista a seguir: 


Esta narração crua refletia a violência urbana sofrida por muitas mulheres naquela época, e hoje também. A banda foi suspeita de fazer uma crítica nada sutil à ditadura militar, onde os perseguidos políticos sofreram tratamento semelhante ao da Bete fictícia. Nos tempos atuais, uma letra dessas nunca teria sucesso, mesmo porque o rock'n roll, infelizmente, está morto (o Rock in Rio acaba corroborando essa tese), e quem tivesse a audácia de lançar algo parecido seria tachado de "politicamente incorreto" e de fazer apologia ao feminicídio. 

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Da série "Brasil 200", parte 1 - O hino da independência como foi concebido

No Rio de Janeiro, está havendo o Rock in Rio, mas na imprensa pouco se fala a respeito do gênero "que errou", de acordo com a letra de um dos representantes no Brasil, Lobão. A imprensa destaca as vaias e xingamentos contra o presidente Jair Bolsonaro, além de músicos pouco a ver com a temática, como o famigerado Justin Bieber. 

Mas neste artigo a música é outra: o Hino da Independência composto pelo próprio D. Pedro I (1798-1834) com letra de Evaristo da Veiga (1799-1837), escrita em agosto de 1822 (antes mesmo do grito do Ipiranga, portanto). O primeiro imperador do Brasil escreveu a música mais tarde, em 1824. 

A primeira música para o hino foi feita a partir de um trabalho de Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1762-1830). Teve uma vida bastante curta, superada facilmente pela versão do imperador. Esta história foi em uma postagem anterior, de dois anos atrás (ver AQUI). 

Curiosamente, Marcos Portugal era um compositor erudito afamado, enquanto o monarca era um diletante, que tocava bem o pianoforte (nome dado aos pianos da época, com corpo totalmente em madeira e sem o mecanismo sofisticado dos instrumentos modernos, visando tornar o som mais encorpado) e o cravo, um instrumento parecido mas cujo som é feito por plectros tocando as cordas, e não martelos como no instrumento mais atual. O mesmo mecanismo do cravo é utilizado na espineta, instrumento apreciado no Brasil há 200 anos atrás. 

Houve modificações com o tempo, principalmente nos intervalos entre as estrofes, como se pode ouvir no vídeo a seguir. A versão no Youtube (canal Musica Brasilis) mostra, sob a forma de trecho de uma peça teatral, um ator interpretando D. Pedro I acompanhado de uma formação comum em sua época: um trio formado por um pianoforte, um violino e um violoncelo. 



quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Elza Soares (1930-2022)

Após fazer uma postagem sobre uma grande cantora da MPB já falecida, Elis Regina, o autor deste blog está escrevendo sobre a morte de Elza Soares, a diva da música atual. 

Ela não foi apenas a mulher do Garrincha, um dos maiores craques do futebol mundial mas infelizmente vítima do alcoolismo, motivo pelo qual as brigas foram constantes, mas foi uma batalhadora, sofrendo vários golpes durante sua longa vida, desde uma tentativa de estupro até o rapto de uma de suas filhas, ficando 30 anos sem vê-la. Tudo isso foi superado nos palcos com sua voz poderosa e personalidade forte. 

No fim, ela foi homenageada por artistas e carnavalescos, consagrada pelo público, autora e cantora de várias músicas como Malandro, Se Acaso Você Chegasse, A Mulher do Fim do Mundo, mas também castigada pelas doenças. Tinha medo de uma morte sofrida, o que não ocorreu, pois a sua partida foi relativamente rápida e serena.

Elza Soares vai ficar na lembrança de milhões



N. do A.: Garrincha faleceu no dia 20 de janeiro de 1983, exatos 39 anos atrás. 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Morte de Elis Regina completa 40 anos

Elis Regina morreu com apenas 36 anos, vítima de overdose de cocaína, há exatos 40 anos, no dia 19 de janeiro de 1982. Dona de uma presença exuberante nos palcos e uma voz marcante, a "pimentinha" foi uma artista rara, e seu legado continua vivo. 

Também foi muito lembrada por suas opiniões firmes e seu pensamento considerado muito "avançado" para a época, defendendo pautas como a preservação ambiental, os direitos das mulheres e a liberdade de expressão. Foi temida pela ditadura militar e sofreu patrulhamento ideológico por outros artistas, por defender a comemoração dos 150 anos da independência em 1972, no auge do período autoritário. 

Elis não será esquecida jamais. 



N. do A.: Hoje também foi o dia da condenação, pela Justiça italiana, do jogador Robinho, ídolo do Santos e do Milan, a 9 anos de reclusão por ter estuprado uma jovem em 2013, em Milão. Uma possível prisão do atleta, ainda mais na Itália, seria o ocaso de sua brilhante carreira, e uma justa punição contra sua atitude criminosa, intolerável desde sempre, ainda mais em nosso século.