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segunda-feira, 27 de março de 2023

DEIXAI TODA A ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!

Parafraseando Dante Alighieri, na entrada do inferno, parece que entramos há tempos numa época de horrores, onde as pessoas ficam condicionadas a ficarem aterrorizadas e com uma sensação horrível de impotência. Esta época é o século XXI. 

Também poderemos fazer alusão a quem se aventura a ler os portais de notícias da Internet em um começo de semana, lendo coisas como o ataque às escolas em São Paulo e em Nashville, no estado americano do Tennessee. É preciso deixar bem claro que vivenciar essas barbáries é muito pior do que simplesmente lê-las. Aceitar isso como normal é sinal de uma mente moralmente deteriorada. Punir os culpados e evitar tragédias como essas é um dever para as autoridades e para nós, cidadãos!

Ilustração encontrada numa edição de 1477 de A Divina Comédia, de Dante, escrita no século anterior (século XIV)

Aliás, será que esta frase sinistra pode ser aplicada a quem começa a nascer, ou, metaforicamente, entrar nesta vida aqui no Brasil? Há tempos se fala em um país do futuro, onde não se faz o bastante para garantí-lo. Estamos governados por quem não tem apreço à lei, e estimula a perder tempo com ninharias como culpar Paulo Freire pela falência educacional de um lado, e querer debater linguagem neutra de outro. Quem quer se dar bem por aqui, dizem, precisa entrar em diversos grupos como a política ou o crime organizado, onde também vale a máxima imortalizada por Dante. 

Os pessimistas podem dizer por aí que veremos esta frase ao deixarmos este mundo no Apocalipse, quando alguém tiver a coragem de apertar um botão, um asteróide cair por aqui ou uma tempestade eletromagnética vinda de algum ponto da galáxia envolver todo este planetinha. Aí já não se pode ter tanta certeza, pois isso é um dos vários cenários especulativos referentes à escatologia. 

Já os otimistas considerariam tudo isso um apanhado de bobagens, pois sempre há espaço para a esperança, mesmo em tempos difíceis como os atuais, com tantas tragédias e notícias ruins. Valeria a pena esperar por dias melhores, quando não tivermos mais professoras ou crianças sendo esfaqueadas em nenhum lugar, muito menos em escolas. 

O tempo há de mostrar quem estará certo. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Dia ruim, mas bom

Sérgio Cabral, um dos políticos símbolos dos recentes esforços para combater a corrupção, não precisará ficar nem na prisão domiciliar. Os seus 300 anos de prisão foram transformados em nada por decisão da Justiça Federal, e ele no máximo pode ser obrigado a andar de tornozeleira eletrônica. Ele cumpriu apenas seis anos de prisão, e neste tempo ele contrabandeou itens de conforto, como televisão, para "aliviar" sua estada na cela. 

Anatel desativa sinal de mais de 5 milhões de aparelhos TV Box, também chamados "gatonet", usados para pirataria de sinais de TV a cabo, por meio do bloqueio das IPs irregulares, pois estes dispositivos são conectados pela Internet. 

Decretada a falência da Livraria Cultura, uma das maiores do país, por não cumprir com os termos da recuperação judicial iniciada em 2018, entre as quais honrar as dívidas trabalhistas. O juiz Ralpho Barros Monteiro anunciou a decisão, de fato um golpe para o mercado literário e a cultura em geral, com "tristeza". 

Conseguram resgatar com vida um menino de 2 anos entre os escombros na cidade de Antakya, sul da Turquia, uma das cidades atingidas pelo terremoto de 7,8 graus Richter que deixaram quase 20.000 mortos (e o número segue aumentando conforme são achados novos cadáveres em meio aos destroços). 

Dólar e Bovespa sentem a briga de Lula com Roberto Campos Neto e com o conceito de um Banco Central independente, e pioram fortemente: a moeda americana chegou a R$ 5,27 e a Bolsa caiu 1,77%. 

Cinemas oferecem filmes a R$ 10 a partir de hoje, até o dia 14, nas salas Cinemark, Belas Artes, UCI, Diamond e Cinesystem. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Sina no Nobel está vindo um folclore

Há anos, o escritor japonês Haruki Murakami, um dos mais lidos do Japão, é cotado para receber o Nobel de Literatura, mas outra vez ele foi preterido. Desta vez, quem ganhou foi um nome relativamente desconhecido, Abdulrazak Gurnah, da Tanzânia. 

Radicado no Reino Unido, Gurnah escreveu sobre os efeitos da colonização europeia sobre os africanos, sobretudo os da África Oriental, em obras como Memory of Departure. 

Abdulrazak Gurnah, nascido em 1948, se tornou o segundo africano a ganhar o Nobel de literatura, depois do nigeriano Wole Solinka, em 1986

Murakami é bem mais conhecido fora de seu país, e um de seus livros, 1Q84 (propositalmente o título lembra 1984, de George Orwell), tornou-se um best-seller. Ele parece engrossar uma lista de injustiçados, como Lev Tolstoi, James Joyce e, mais recentemente, Philip Roth e Milan Kundera. No caso de Roth, ele morreu em 2018, esnobado pela Academia, e Kundera está em 91 anos. Murakami ainda é relativamente jovem (nasceu em 1949), mas suas indicações seguidas já o fazem motivo de piada. Talvez ele possa vencer em 2022, caso não haja a descoberta de outro escritor talentoso mas sem repercussão fora de seu país de origem ou de um restrito círculo de críticos. 


N. do A.: Houve alguns brasileiros que chegaram perto de um Nobel de literatura, como os poetas Coelho Neto (1864-1934) e Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), e o escritor Jorge Amado (1912-2001), mas agora a chance de alguém destes trópicos vencer é nula. Haruki Murakami vencer um Nobel já seria algo impactante, mas um Paulo Coelho conseguir o prêmio já pareceria um sinal do Armagedom. E pensar que nós tínhamos um Machado de Assis ou um Guimarães Rosa!

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Saraiva, a que já foi gigante

Com uma história secular, desde 1914, quando foi instalada uma pequena livraria no Largo do Ouvidor (junto ao Largo São Francisco e à Faculdade de Direito), em São Paulo, a Saraiva está em recuperação judicial e ameaça fechar as portas, apesar de sua aparente pujança. Ainda existem várias lojas em funcionamento, entre as quais a mais tradicional, na Praça da Sé, próxima da antiga matriz. Outras, porém, já fecharam as portas, num processo doloroso de decadência. 

Não se pode acusar a Saraiva de não ter se adaptado: ela foi a pioneira no comércio on-line em 1998 e na venda de e-books, além de diversificar os negócios, vendendo diversos produtos, de smartphones a material escolar. Adquiriu outras grandes livrarias, como a Editora Atual e a Siciliano, em um processo de expansão, e assim a Saraiva conseguia sobreviver, quando todo o setor estava em crise, devido à expansão da Internet e às limitações no mercado bibliográfico em um país onde a leitura não é algo tão disseminado. Mas problemas de gestão desde 2013 levaram a Saraiva a seguir o mesmo caminho dos concorrentes. 

Em 2018, a empresa tinha assustadores R$ 675 milhões em dívidas, forçando-a a pedir recuperação judicial. Muitas lojas fecharam, outras foram vendidas, mas tudo piorou quando 21 editoras vinculadas à Saraiva exigiram a devolução de boa parte dos estoques de livros, em 2020. Houve planos de recuperação, mas os credores não acharam viável, e a tradicional livraria está bem perto do fim. 

A Saraiva chegou a ter várias megastores, verdadeiras superlojas, mas boa parte delas, como a do Botafogo, no Rio, fechou (Eduardo P./Wikimedia, pelo site Tecnoblog)


sexta-feira, 19 de março de 2021

E no Brasil?

Desde o final deste ano, quando foi lançado o livro Apollo's Arrow: the Profound and Enduring Impact of Coronavirus on the Way We Live ("A Flecha de Apolo: Os profundos e duradouros impactos do coronavírus no nosso modo de viver"), o sociólogo Nicholas Christakis ganhou destaque na mídia. 

Ele analisou as características das pandemias e determinou algo parecido com o ocorrido após a gripe espanhola de 1918-1919, pelo menos nos Estados Unidos: após o recolhimento e o medo do contágio, as pessoas experimentarão um período de grandes interações sociais, gastança desenfreada e aumento na busca por sexo e outros prazeres. Isso terminou com a grande crise de 1929 e os eventos imediatamente anteriores à II Guerra Mundial. 

Esses "loucos anos 20" podem ter uma versão no século XXI, mas só a partir de 2024, quando a vacinação tiver imunizado boa parte das pessoas e a epidemia de COVID-19 estiver sob controle. Aliás, o livro destaca a velocidade recorde na obtenção das vacinas, enquanto a gripe espanhola matou, mas deixou de ser uma ameaça sem a ação de um imunizante. 

O livro destaca as semelhanças e diferenças entre a COVID-19 e a gripe espanhola (Divulgação)

Por aqui no Brasil, como as pessoas se comportarão? A realidade do nosso país é muito diferente da dos Estados Unidos, apesar de ambos estarem sofrendo severamente com o novo coronavírus. Se repetirmos os acontecimentos de 100 anos atrás, teremos revoltas como o Tenentismo, descontentamento geral, estado de sítio (governo Artur Bernardes) e deposição de governantes (como aconteceu com Washington Luiz). 

Devemos fazer observações importantes: o Brasil e os Estados Unidos de 100 anos atrás são muito diferentes dos atuais, pois não havia Internet, cidades superpopulosas e nem os confortos da vida atual, e as questões sociais (e raciais) eram tratadas de outra maneira. Os anos 1920 eram a chamada "era do jazz" e houve a Semana da Arte Moderna. Agora o gosto artístico "pós-moderno" parece bem alterado... 

De qualquer forma, a nossa normalidade institucional está tomando um caminho perigoso. Aliás, estamos em perigo de ver nossa democracia morrer desde as falcatruas feitas no Quadrilhão do PT, culminando com o descontentamento e o ressentimento, impulsionadores da Lava Jato e da eleição de Jair Bolsonaro, que não tem e nunca teve muito apego à democracia, apesar da sua pregação inconvincente a favor da liberdade e contra as medidas para conter a pandemia, para muitos consideradas discricionárias, sufocantes e inúteis, pois poucos estão conseguindo (ou tendo a boa vontade de) obedecê-las e o vírus continua a matar idosos e jovens, com ou sem comorbidades. 

Torçamos para o Brasil chegar ao período de pós-pandemia com alguma sanidade nas mentes dos governantes e dos formadores de opinião, para o país voltar a trilhar o caminho da prosperidade. 

terça-feira, 12 de maio de 2020

Deon Meyer, um escritor visto como profético

Em 2016, o escritor sul-africano Deon Meyer escreveu um romance apocalíptico, onde um homem e seu filho tentam sobreviver num mundo quase vazio. 

Este livro era para ser totalmente ficcional, especulando sobre o fim dos tempos, causado não por armas nucleares, mas por um parasita, sugerido pelo infectologista Wolfgang Preiser, da universidade sul-africana de Stellenbosch, e seu colega Richard Tedder, da University College, em Londres. 

Curiosamente, eles citaram um "coronavírus", capaz de erradicar 95% da humanidade. 

Este foi o agente causador do drama existencial dos dois protagonistas, em Fever, livro ainda não traduzido para o português. Recebeu elogios da imprensa especializada e do famoso autor de contos terríveis, Stephen King. 

A capa do livro na Amazon (Divulgação)

Por causa disso, o escritor é considerado atualmente um profeta. Mas a intenção não era prever um futuro distópico, e sim descrever algo que, em tese, não poderia ocorrer na realidade!

O dr. Preiser foi um dos autores de um livro didático chamado Virologia, que também aborda os coronavírus, representados pela SARS, um outro vírus também surgido na China, responsável por uma grande pandemia em 2001, mas sem causar grande preocupação por aqui. 

O livro Virologia; um dos autores foi consultado pelo autor de Fever para seu livro que deveria ser totalmente ficcional (Divulgação, pelo site da Saraiva)

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Isso a 'inteligentsia' brasileira não discute

Enquanto os representantes da nossa elite bem pensante fazem alarde de uma revista em quadrinhos dos Vingadores com dois personagens homens se beijando, na Bienal do Livro do Rio, algo mais grave está em curso. 

Nossa "inteligentsia" aproveitou o farisaísmo arcaico do prefeito carioca Marcelo Crivella, que ordenou o recolhimento das HQs com o conteúdo comprometedor, para fazer uma verdadeira propaganda do material e fazer a defesa da cultura LGBT. Comemoraram a postura republicana do STF, que impediu a Prefeitura do Rio de apreender os quadrinhos. Enquanto isso, boa parte da mídia fazia questão de mostrar a cena da beijação gay entre dois heróis, um deles o filho adolescente da Feiticeira Escarlate.

A Bienal do Livro no Rio de Janeiro, local da confusão envolvendo uma revista dos Vingadores com heróis gays (Leandro Martins / Divulgação)

Fora dos holofotes, a equipe econômica se prepara para a reforma tributária, insistindo em colocar goela abaixo dos brasileiros uma versão ainda pior e mais insidiosa da CPMF, com o intuito explícito de arrecadar mais e usando o pretexto da simplificação tributária. Este novo imposto sobre as transações financeiras, o ITF, iria substituir boa parte da tributação sobre as empresas, além de supostamente visar os sonegadores de impostos. Como um enxame gigantesco de mosquitos, não pouparia nada e tungaria até os dízimos das igrejas como a Universal da qual o prefeito do Rio é seguidor, como quer o secretário da Receita, Marcos Cintra. 

Isso os "descolados" nem pensaram em discutir, apesar do perigo do ITF ser bem maior do que o da homofobia oficial do prefeito Crivella.

Paulo Guedes, o ministro da Economia, pode liberar o "pornográfico" ITF para "estuprar" todo mundo - isso deveria causar mais celeuma do que heróis ficcionais se beijando ou um prefeito homofóbico (Marcos Corrêa)

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Um estudioso da estupidez humana

Carlo Cipolla (1922-2000) foi um historiador e medievalista italiano, autor de Allegro ma non troppo, um ensaio satírico sobre o comportamento. Nesta obra, ele fez uma interessante análise sobre a estupidez, formulando, como se fossem teoremas matemáticos, cinco leis: 

1. Sempre e inevitavelmente cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos que circulam pelo mundo. 

A convivência entre as pessoas impede uma análise mais aprofundada, pois elas tendem a se aproximar de indivíduos com mais ou menos o mesmo nível intelectual. Além disso, mesmo as pessoas racionais e ponderadas podem cometer atos insensatos, alguns devastadores, por ignorarem certos detalhes ou por arrogância. 


2. A probabilidade de uma pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica que lhe seja própria. 

Segundo o autor, existem idiotas em todas as classes sociais, etnias, graus de escolaridade, sexualidade, credo religioso, etc. Isso, de um certo modo, recai sobre a primeira lei acima: nem sempre estamos conscientes da própria capacidade de fazer tolices. Mas a definição de estupidez ainda não está clara, e é melhor explicada na próxima lei. 


3. Uma pessoa é estúpida se prejudica os outros sem qualquer benefício ou, ainda pior, prejudicando a si mesma no processo. 

Cipolla define, num gráfico, quatro quadrantes nos quais se encaixam os seres humanos. Em sentido anti-horário: 

- Primeiro quadrante: os inteligentes, que beneficiam a si próprios, e também aos outros; 
- Segundo quadrante: os incautos, que sofrem prejuízo enquanto os outros se aproveitam deles; 
- Terceiro quadrante: os estúpidos, capazes de prejudicar a todos, inclusive a eles mesmos; 
- Quarto quadrante: os egoístas (ou criminosos), que se beneficiam à custa dos demais. 

Assim, quem, por exemplo, vandaliza o patrimônio público, é um imbecil, assim como os haters das redes sociais, os divulgadores de notícias falsas, certos indivíduos que pensam saber de um ofício e acabam fazendo-o de forma errada, os autores de atos terroristas, etc. 



4. As pessoas não-estúpidas subestimam sempre o poder destrutivo da gente estúpida: esquecem-se constantemente que, a qualquer momento, em qualquer lugar e em qualquer circunstância, associar-se a indivíduos estúpidos constitui, invariavelmente, a um erro grave. 

Existe a tentação de se aproveitar de um indivíduo idiota, mas este pode ser tão inconsciente de suas ações que pode arruinar o empreendimento, por meio de atos tolos não planejados ou esperados, e prejudicar a todos, inclusive a quem quis, segundo o ditado popular, "colher lã e sair tosquiado". E o estrago pode ser enorme, principalmente na política, quando os eleitores votam em gente despreparada para cargos de poder, ou quando um governante nomeia alguém sem a devida competência para ser seu auxiliar. 


5. O estúpido é a pessoa mais perigosa que existe. 

Esta afirmação pode parecer ousada demais, pois existe a categoria dos egoístas (ou criminosos), que obtêm seus benefícios prejudicando os outros. Para eles, porém, existem leis para impedi-los, enquanto não é possível enquadrar judicialmente os estúpidos, que também prejudicam os demais e são mais difíceis de serem identificados. Segundo Cipolla: 

"Como se fizesse a coisa mais natural do mundo, o estúpido aparecerá quando menos se espera para pôr em causa os seus planos, destruir a sua paz, complicar-lhe a vida e o trabalho, fazer-lhe perder dinheiro, tempo, bom humor, apetite, produtividade. Tudo isto sem malícia, sem remorsos e sem razão",


Luís Pascoal, um estudioso português (contrariando as piadas sobre a gente da terrinha), fez um interessante artigo sobre o livro Allegro ma non troppo (leia AQUI), mas é sempre melhor ler a obra em sua íntegra, disponível nas livrarias e bibliotecas. Assim, mesmo sendo este uma obra de humor, não deixa de fornecer critérios para comparar certa pessoa a animais considerados pouco espertos, como burros, jumentos ou antas. 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

'Ranking' de livros

Livros são uma alternativa para fugir da Internet e das redes sociais, esquecer as dificuldades da vida cotidiana e a loucura vigente no ambiente brasileiro? Em termos. 

No ranking dos livros mais vendidos, os primeiros lugares foram tomados pelo tema da auto-ajuda e dos ídolos do Youtube. 

Veja AQUI. 

Livros de auto-ajuda não saem do ranking dos mais vendidos porque o brasileiro em geral quer encontrar meios de sair da vida dura que leva, e tentar prosperar em meio a um cenário com tantas incertezas e problemas. Com o dólar ameaçando ir a R$ 4,00 e as incertezas da economia decorrentes da crise dos caminhoneiros e da campanha eleitoral sem perspectivas favoráveis, esse tipo de literatura vai continuar tendo adeptos por muitos anos, enquanto houver gente com poder aquisitivo suficiente para adquiri-los. 

Nos últimos dias, quem se destaca é Desperte seu poder, de José Roberto Marques. Existem vários outros livros, destacando-se até dois que utilizam palavras que Machado de Assis, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade não escreveriam: Seja f**a, de Caio Carneiro e A Sutil Arte de Ligar o F***-se, do americano Mark Manson. 

A temática dos ídolos do Youtube é representada por As Aventuras da Netoland com Lucas Netto e Felipe Neto - A vida por trás das câmaras, escritos pelos próprios youtubers. 

Existem outras temáticas, como Na Sombra do Mundo Perdido, de Ilko Minev, sobre a vida social na Amazônia, e Metanoia, do Padre Marcelo Rossi, sobre religião - e também, de certa forma, pode ser encarado como livro de auto-ajuda, como outros do autor. 

Livros de poesia são raros de se encontrar no ranking, mas existe um representante: Textos Cruéis Demais para Serem Lidos Rapidamente, de Igor Pires da Silva e Gabriela Barreira. Mesmo assim, são baseados em poemas escritos nas redes sociais. 


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Da série 'Mondo Brasile', parte 5


Para não se prender ao tema da crise política e institucional do Brasil, vou falar de outros assuntos, também referentes ao país, em mais uma postagem da série 'Mondo Brasile', adaptação da série 'Mondo Cane' deste blog por mostrar aspectos macabros, patéticos, satíricos, bizarros ou simplesmente estranhos e curiosos em nossas plagas. Desta vez, trata-se de um livro, ou melhor, o seu conteúdo, considerado macabro por muitos.

O Último Abraço, de Vítor Hugo Brandalise, mostra a história real de um casal de idosos com problemas de saúde, principalmente a mulher, Neusa Golla, internada  em uma clínica geriátrica devido a um AVC. 

O marido, Nelson Irineu Golla, atormentado por problemas financeiros, abandono dos filhos e com um dos braços imobilizado devido a um problema neurológico, percebeu que ela queria morrer. Para atender ao desejo, ele criou um artefato com o qual pretende dar seu último abraço e por fim ao sofrimento de ambos: uma bomba caseira, para garantir uma morte fulminante e dramática. 

A tragédia ocorreu em setembro de 2014, e virou notícia em vários jornais. Detalhe: o homem conseguiu sobreviver e se recuperar dos ferimentos, mas seu ato gerou novos problemas, desta vez com a Justiça. 

Como se pode notar, não é um livro para qualquer um, principalmente para pessoas muito suscetíveis, com tendências depressivas e já abaladas pelo difícil momento pelo qual passa o Brasil. A obra de Brandalise aborda, como uma reportagem jornalística, a questão da eutanásia, dos desejos suicidas e do abandono que afeta milhões de pessoas no Brasil. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

O filme da Torre Negra irá sair

A série "A Torre Negra" de Stephen King vai finalmente se transformar em um filme de Hollywood. 

Ela começou a ser escrita em 1982, com o livro "O Pistoleiro", e depois vieram outros: "A Escolha dos Três", "As Terras Devastadas", "Mago e Vidro", "Lobos de Cália", "Canção de Suzannah" e "A Torre Negra". 

Versão de bolso do primeiro livro, O Pistoleiro

Embora Stephen King seja muito adaptado para o cinema, saindo obras memoráveis como Carrie, a Estranha, O Iluminado, It (Pennywise) e À Espera de Um Milagre, seu trabalho mais ambicioso ainda não foi interpretado por ser considerado difícil. Nos últimos anos, leitores da série especulavam Javier Bardem e Russell Crowe para fazer o papel do pistoleiro Roland Deschain de Gilead, obcecado por uma estranha construção, a Torre Negra, num "mundo que seguiu adiante". 

Adaptação, mesmo, foi para os quadrinhos, pela Marvel Comics, mas com muitas histórias não abordadas originalmente. Os direitos da obra não se estendem para a Marvel Studios. A produtora responsável pelas filmagens será a Sony Pictures. 

Idris Elba fará o papel, e Matthew McConaughey será o arqui-inimigo do pistoleiro, o "Homem de Preto". Não se sabe ainda quem irão fazer os papéis dos parceiros de Roland.

O personagem foi extraído de um poema de Robert Browning, Childe Roland à Torre Negra chegou.


N. do A.: O autor deste blog está acompanhando os fatos da vida real, que às vezes parecem mais sinistros do que contos do Stephen King. Vários deles foram revelados pela Operação Lava Jato, atacada hoje mais uma vez pela presidente Dilma, que tomou as dores de seu padrinho político. Estou escrevendo uma postagem diferente para manter a coerência do blog, que precisa abordar assuntos variados. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Os livros mais vendidos de 2015

Existe a velha lenda segundo a qual o brasileiro não lê. Muitos pretextos são citados, desde a falta de tempo até o alto preço dos livros decorrente dos impostos e dos custos para a aquisição do papel, impressão e acabamento, entre outras etapas. Justificam, em parte, o baixo índice de leitura, mas não totalmente. 

Por trás deste problema, há o velho problema da educação, tanto a formal quanto dentro das casas. Não há um estímulo adequado para a leitura, e boa parte dos que pegam nos livros não conseguem compreendê-los e assimilá-los adequadamente. 

É compreensível, portanto, que os livros mais vendidos de 2015, chamados de best-sellers, sejam produtos, em geral, de consumo fácil. Temos os livros do Padre Marcelo Rossi, como o último deles, Philia, o último lançamento de John Green, Cidades de Papel, e também mais um da série Diário de um Banana. Entre os clássicos, apenas um, O Pequeno Príncipe de Saint-Éxupery, citado antigamente por muitas misses nos concursos...

Existem também os livros de auto-ajuda, refletindo os problemas enfrentados por milhares e milhares de pessoas, como Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século, de Augusto Cury. Ainda temos os famigerados livros para colorir.

Neste mês, um novo best-seller chegou: é Grey, uma continuação de 50 Tons de Cinza, considerado uma espécie de "guia sexual" para as mulheres. Segundo a crítica, Grey às vezes parece um espelho de 50 Tons, com reprodução descarada de trechos do livro anterior (será uma espécie de "auto-plágio" do autor E. L. James?). 

Devemos nos preocupar com este e outros tipos de conteúdo dominantes nas livrarias? Certamente, não. Os livros, além de serem ótimos "companheiros" das pessoas, são também um indicador da cultura geral de um povo. Não são os livros que merecem preocupação, por mais simplórios e mal escritos que possam parecer, e sim os fatores que impedem nosso povo de ter acesso a uma literatura mais rica.


N. do A.: A lista dos livros mais vendidos de 2015 pode ser consultada no site da Publishnews (www.publishnews.com.br).

terça-feira, 26 de maio de 2015

Livros de colorir para adultos

Estranho fenômeno nas livrarias, os livros para colorir estão em alta, desde o início deste ano. 

Há quem diga que isso é uma mostra da crescente "imbecilização" do brasileiro, particularmente os com renda suficiente para adquirir algo assim. Outros defendem a tese do aumento da angústia frente às crescentes dificuldades para resolver problemas pessoais: pagamento de contas, dificuldades no emprego, mortes ou doença na família. 

Abracemos a segunda hipótese, descartando a tese da demência, que não é exclusiva do Brasil, mas é mundial. Nos Estados Unidos, Europa (principalmente na Grã-Bretanha), Japão, China, Austrália, muitos aderiram. Logo, se o mundo enlouqueceu por causa disso, este post deveria ser incluído na série "Mondo Cane". Mas não é bem assim. 

Parece uma fuga da realidade, ao invés de tentar enfrentá-la. Com o dinheiro gasto nos livros e nos lápis de cor, é possível comprar, na própria livraria, algo mais instrutivo, como os clássicos da literatura e obras de grandes autores. Outras alternativas seriam os livros de auto-ajuda, porém eles estão em baixa, após o grande "boom" do início deste século. Esse tipo de literatura, também muito criticado pelos "intelectuais" e acusado de vender ideias simplistas como se fossem panaceias (a maioria dos livros, mas nem todos), pelo menos eram instrumentos usados para enfrentar a vida. 

Os livros de colorir não fazem isso. 

Eles agem como se fossem as drogas, que também são usadas como válvula de escape para os usuários, com a diferença de não violarem o Código Penal. São alternativas a quem não está interessado em passar o tempo jogando paciência no computador ou Candy Crush no celular. 

Se essa alegada "sub-literatura" é causada pela "dura realidade", algo está muito errado. nem tanto com os consumidores, taxados de "desocupados" ou "mentalmente limitados" por conta da mania. Os representantes eleitos também são co-responsáveis pelo êxito comercial desses livros, ao não cumprirem seus deveres. No caso do Brasil, eles poderiam deixar de ser um entrave para um futuro mais digno, sem tanta violência, corrupção política, privilégios injustos, impostos abusivos e mal gastos, escolas ruins e hospitais insalubres.

Não se pode criticar as pessoas por pintarem flores e passarinhos para matar o tempo. Só resta àqueles que não se dedicam a esse passatempo por dever de ofício torcerem para a mania ser como a maioria das outras - passageira - e procurarem demonstrar, pelo exemplo e não pela coerção, as vantagens de fazer outras atividades.