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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Até agora, tudo bem

Neymar foi o grande destaque da goleada feita sobre a limitada seleção japonesa. Foram 4 gols, todos dele. O primeiro aos 17 minutos, e os demais na etapa final: aos 2, aos 31 e aos 35 minutos. Ele ainda se deu ao luxo de perder outras chances, e não pôde culpar o gramado ruim de Cingapura. 

O capitão Neymar, entre Luiz Gustavo e Oscar, comemora um de seus quatro gols (Reuters)

Vale lembrar a atuação do time no segundo tempo, principalmente com a entrada de Robinho e Kaká. Os demais jogadores também se comportaram relativamente bem, embora os remanescentes da Copa da vergonha (Oscar, William, Luiz Gustavo, todos do meio de campo, pois David Luiz não participou devido à lesão) não se destacassem e podem inclusive serem descartados em jogos mais sérios, como a Copa América e as eliminatórias. Jefferson, Diego Tardelli, Philippe Coutinho, Filipe Luís, Miranda, Everton Ribeiro e Elias corresponderam às expectativas de Dunga e da torcida. Gil não chegou a comprometer apesar de algumas falhas (como aconteceu quando Kobayashi chutou para o gol sem sucesso), mas sua permanência no time canarinho não é muito provável. Por ser um amistoso, houve várias substituições para Dunga testar os jogadores, algo que ele não fez no Superclássico contra a Argentina, que é considerado um jogo oficial (e mesmo se não fosse, um jogo contra os arquirrivais sul-americanos nunca é um amistoso). 

Apesar do enorme brilho do astro do Barcelona e ex-menino da Vila, é cedo ainda para dizer se eles serão dignos de participar da Copa de 2018 na Rússia, após o Mineiratzen. 

Hoje também há algo mais importante: é o primeiro debate do segundo turno, entre Aécio Neves e a presidentA Dilma.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O começo de duas campanhas

O horário político deste ano e os preparativos para a próxima Copa do Mundo foram os destaques hoje. Para muitos brasileiros, é motivo para riso. 

No primeiro caso, a piada não foi tão engraçada porque os candidatos sentiram duramente o golpe desferido pela morte de Eduardo Campos. Ainda não assisti ao programa, mas este clima de homenagem ao morto não vai durar muito tempo. Dilma, Aécio e Marina prometem ir com tudo na campanha nas terças, quintas e sábados, junto com os candidatos à Câmara federal (alguns impagáveis, tentando puxar votos). Da mesma forma vão agir os candidatos aos governos estaduais, às câmaras estaduais e ao Senado federal, que vão aparecer nas segundas, quartas e sextas. Este esquema é o mesmo desde o final do século passado. 

Já o segundo caso deveria ser levado menos a sério. Muitos tratam a convocação do Dunga com mais solenidade do que a propaganda política. A lista do técnico para os primeiros amistosos, contra a Colômbia e o Equador, em setembro, ainda tem muito da seleção fiasco da última Copa. Alguns nomes eram esperados (Neymar, Oscar e David Luiz). Outros tiveram uma segunda chance (como é o caso do Hulk e boa parte dos meio-campistas como Luiz Gustavo e Ramires). Muitos nomes foram lembrados, como os zagueiros Miranda (Atlético de Madrid), Marquinhos (PSG) e Gil (este do Corinthians), o meia Philippe Coutinho (Liverpool) e os atacantes Diego Tardelli (do Atlético-MG) e Ricardo Goulart (do Cruzeiro). Não se pode esperar milagres de um time desses, mas não vai haver outro 7 a 1. 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Dunga e a CBF indicam o caminho

Dunga é colocado outra vez no comando do time brasileiro (André Durão)

Ao contratar Gilmar Rinaldi (como coordenador) e Dunga (como técnico), a CBF dá mostras que realmente não sabe o que fazer para melhorar o futebol, que precisaria de algo mais para realmente corrigir os rumos. 

Passaria pela supervalorização de certos jogadores, que realmente não renderam de acordo com suas cifras. Os valores de mercado já baixaram, mas pelo visto ainda há muita gordura para queimar. É o caso de Hulk, que custava 41 milhões de euros e agora baixou para 36 milhões. Para se ter uma ideia, Neymar, o único que se valorizou depois da Copa, custa 70 milhões, e o celebrizado Fred custa "míseros" 5,3 milhões de euros por jogar em um time brasileiro (há quem diga que ele não jogou para merecer um terço desse valor...). Isso depende muito mais do mercado, disposto a comercializar os jogadores entre os clubes, do que da comissão técnica ou da CBF. 

Também haveria a necessidade de melhorar a educação física nas escolas. Isso também não depende diretamente da CBF e muito menos do técnico, mas do governo. Isso leva bastante tempo para dar resultado, mas ele é certo. O Brasil melhoraria em outros esportes, também. Aliás, uma boa educação amplia consideravelmente as alternativas de progresso de um futuro cidadão e ajuda-o a ficar moral e psicologicamente melhor, com a colaboração da família. 

O que a CBF e os clubes poderiam fazer, então? Favorecer a formação e manutenção dos jogadores nos clubes e não se limitar a se promover à custa dos craques. Valorizar o mérito no desempenho não só de jogadores, mas também de técnicos, preparadores físicos e árbitros. Sem falar nas velhas artimanhas, mas isso dependeria também da Justiça, que precisaria ter coragem para enfrentar os vários interesses de quem se locupleta com a bandalheira na entidade. 

E a tarefa do técnico? Parece que o caminho escolhido por Dunga foi o ensinado pela Alemanha no famigerado 7 a 1 do último dia 8. Preparação, foco no longo prazo e valorização da equipe. As vaidades pessoais dos jogadores contam menos que os interesses em comum. Por falar em vaidades, elas atrapalham a preparação psicológica, que não se mostrou suficiente para evitar momentos bizarros como o descontrole emocional de alguns jogadores (o pior caso foi o do capitão-zagueiro Thiago Silva no jogo das oitavas-de-final contra o Chile). Além disso, é preciso fazer treinos mais constantes e mais consistentes. 

Será que Dunga vai realmente preparar a Seleção para 2018 e iniciar o caminho para uma nova fase depois do "Mineiratzen", mostrando que superou o retrospecto em 2010, quando sob sua liderança o Brasil também foi mal na Copa? Ou está lá mais para tentar proteger a CBF, seus desmandos e sua incapacidade de resolver os problemas do futebol brasileiro e escolher alternativas viáveis para comandar nossa Seleção? O tempo dirá, mas o hexacampeonato ainda parece uma quimera e será muito difícil já vir na próxima Copa, na Rússia, mesmo se a resposta para a primeira pergunta for "sim" e, para a segunda pergunta, "não". Principalmente se não houver mudanças mais profundas na estrutura futebolística brasileira.