Mostrando postagens com marcador Copa 2010. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa 2010. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de julho de 2010

11/07 - Jabulani, vuvuzelas, Paul. É o fim de uma Copa folclórica.

Iniesta apareceu e ofuscou Villa, que nada fez na final (aqui, driblando Vanderwaart para chutar no gol - fonte: iG)


A primeira Copa realizada na África será difícil de esquecer.

Primeiro, devido ao nome da bola. Jabulani, que significa 'Celebrar', no idioma KwaZulu (segundo a Wikipedia, sempre ela). Nunca uma bola foi tão difamada, acusada por goleiros e atacantes. Consta que muitos dos críticos eram patrocinados pela Nike, enquanto esta bola teve a marca da Adidas.

Segundo, as vuvuzelas, terríveis armas de destruição em massa. De audições alheias. Usadas pela torcida sul-africana até mesmo - e principalmente - quando não havia time africano entre as quatro linhas.

Terceiro, o polvo alemão Paul, que acertou todas as previsões da Copa, até a vitória da Alemanha na disputa do terceiro lugar. Quanto à final... vou revelar após falar sobre a grande final, de dois times que nunca ganharam nenhuma Copa.

A Holanda tinha, ao menos, disputado duas finais, e perdido ambas. Em 1974, era a Laranja Mecânica, e os alemães a desmontaram. Em 1978, perdeu para a Argentina, numa das Copas mais infames da História. Quanto à Espanha, nunca passou das oitavas-de-final, apesar de seu jogo sempre ofensivo.

Nesta Copa, o ataque espanhol não estava eficiente, e o fato de ser apontada como favorita mais atrapalhou do que ajudou. Os holandeses eram mal vistos pelos sul-africanos. Não eram, exatamente, a Laranja Mecânica de 1974, e tinham um futebol bem mais pragmático (leia-se mais feio, conforme o futebol vigente).

Um invasor espanhol, Jaume Jauquet, conhecido como "Jimmy Jump", quis estragar a festa e conseguiu driblar a segurança para tentar roubar a Taça Fifa.

O jogo, mesmo, foi uma batalha, com muitas faltas e cartões amarelos. Os holandeses, de Laranja Mecânica, estavam de novo bancando a Laranja Irritante, com muitos chutões e retranca. Para piorar, abusaram da violência. A Fúria não conseguia vencer a defesa neerlandesa e investia como Don Quijote contra os moinhos de vento (um símbolo muito adequado para o jogo). Nas poucas chances da Holanda, Robben abusou do direito de perder gols.

Nada do placar mudar. Estava no zero, tal como o número de taças que as duas seleções ganharam antes de 2010.

O jogo seguiu para a prorrogação e a Espanha voltou a lembrar a velha Fúria, mas perdendo muitas oportunidades. Eles encontraram mais espaço quando Heitinga fez falta dura em Iniesta e levou o segundo cartão amarelo, sendo expulso.

Aos 10 min. do segundo tempo, num lance polêmico para os holandeses mas não para a televisão, Iniesta recebeu a bola em posição legal e marcou.

Era o fim do sonho holandês de conquistar um título, logo num país que odiava qualquer coisa que lembre o apartheid. Mais um título que pereceu, e desta vez de forma indigna, pois eles resolveram apelar para a pancadaria e a retranca, e não para o futebol que demonstraram saber jogar. E o prêmio a uma seleção que sempre tentava impor um futebol mais ofensivo. Primeiro, conquistaram a Eurocopa em 2008. Agora, pela primeira vez na História, ganharam uma Copa.

A Fúria mereceu ganhar a Taça Fifa.

E o polvo Paul? Ele apostou na Espanha. Acertou todos os prognósticos desta Copa! Merecia o título de verdadeira mascote da Copa 2010 (e não o leopardo cabeludo que passou quase despercebido).

10/07 - Uruguai resistiu como pode, mas...

... como a Argentina, teve de aguentar a piada do 'salsichão'.

Pelo menos a Celeste não fez feio como o Brasil, nesta Copa, ou como a Argentina, diante dos alemães. Perdeu, mas lutou.

É verdade que a Alemanha saiu na frente e abriu o placar logo aos 17 min., gol de Thomas Müller. Porém, os uruguaios reagiram e, após uma tentativa de Forlán aos 24 min., Cavani marcou três minutos depois em outro lance de ataque.

No segundo tempo, o Uruguai mostrou que não temia a Alemanha e virou o placar, após um bom começo. Forlán fez aos 6 min. Os guerreiros germânicos sentiram o gol da virada, e ao invés de esmoreceram trataram de reagir. Jansen aproveitou a falha da defesa sul-americana e empatou, 5 minutos após o tento uruguaio.

O jogo seguiu equilibrado, e Khedira teve de desempatar, a favor dos alemães. Os uruguaios não se renderam e tentaram levar às prorrogações. Em vão.

Assim terminou a saga do Uruguai, que voltou a ser um time digno de respeito. Já os alemães ficaram com as batatas, ou melhor, com o terceiro lugar que lhes serviu de consolo.

Quanto a Klose, ele simplesmente não jogou, para alegria de Ronaldo, o artilheiro das Copas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

07/07 - A Fúria derrota os guerreiros alemães. E teremos uma final inédita!

Espanha e Alemanha fizeram um duelo equilibrado para ver quem vai para a final a la Eurocopa, na Copa da África do Sul.

A Alemanha busca vingar-se da derrota na última Eurocopa, a de 2008, quando os espanhóis foram os campeões. Por outro lado, os rivais latinos querem consagrar-se, depois de tantos e tantos fracassos, e chegar a uma final inédita. Desta vez não se podia, exatamente, falar de zebras, apesar da ampla coleção de títulos alemães, contra nenhum dos espanhóis. Isso porque a Espanha sempre foi um time forte.

O segundo jogo das semifinais foi muito menos interessante do que o primeiro. Parecem duas equipes de cavalheiros, com pouquíssimas faltas e poucas chances de gols. Detalhe: foram os espanhóis que atacaram mais, e os alemães ficaram mais defensivos desta vez.

Se o primeiro tempo foi de pouca emoção - talvez o lance mais polêmico tenha sido um suposto pênalti em Ozil - o segundo tempo foi mais agitado, e a Espanha continuava a atacar mais. Houve outro lance dentro da área que parecia um pênalti, desta vez a favor dos ibéricos. Até que Puyol, o zagueiro espanhol, resolveu participar do ataque, e os alemães receberam o primeiro gol (excluindo os invalidados) da Copa, logo num jogo decisivo, aos 28 min., para castigar um time que não lembrava aquele das partidas anteriores. A águia negra, que por algumas vezes parecia mais um dragão ou um grifo, parecia rendida ao touro espanhol.

O time alemão estava com o tetracampeonato ameaçado. E resolveu sair para o ataque, dando espaço ainda maior para o revide dos espanhóis, que desperdiçaram, com Pedro, a chance de ampliar o marcador. Para piorar, os craques alemães estavam, desta vez, apagados. Schweinsteiger, Ozil, Klose, Podolski, todos eles não se impuseram frente ao time de Villa, que foi substituído por Fernando Torres. Parecia muito estranho.

Ficou no 1 a 0 para os espanhóis. A Alemanha, que vinha de duas goleadas, contra times poderosos como Inglaterra e Argentina, perdeu pelo placar mais insosso, típico do futebol do nosso tempo. Por outro lado, a Fúria renasce e vai enfrentar a Laranja, com o apoio da torcida sul-africana, que vai acompanhar uma final européia. Duas seleções que nunca ganharam título algum na História.

Os alemães deveriam dar mais crédito a Paul, o polvo 'vidente'. Ele já havia previsto o olé, assim como acertou todos os resultados.

terça-feira, 6 de julho de 2010

06/07 - Podia ser tudo diferente!

Podíamos, neste momento, ter comentado sobre o jogo das semifinais do Brasil.

Infelizmente, o Brasil já está fora da Copa, e isto é fato. Não cabe mais apontar um ou outro fator disso ter ocorrido. A Copa de 2010, para a Seleção brasileira, já é parte do passado.

Muita gente estava sonhando com Brasil x Uruguai ou, ainda, com Brasil x Gana. Com o Uruguai, o Brasil não teria lá muitos problemas, já que Suárez, o melhor jogador deles, está suspenso por ter bancado o goleiro e cedido um pênalti - aquele mal cobrado por Gyan. Já com Gana a história seria bem diferente, pois o time africano provou não ser o mesmo da Copa de 2006, quando era bem mais inocente.

Chega de lamentar as jabuticabas podres. O jogo é Uruguai x Holanda. Ponto final.

O Uruguai estava querendo reviver os áureos tempos, quando a Copa tinha muito menos participantes. Sonhava em repetir 1950. Infelizmente, em 2010, estava na situação de azarão, ou seja, estava cavalgando a zebra contra os holandeses.

E aos 17 minutos de jogo, já tomou o gol. Van Bronckhorst chutou fora da área, muito difícil para Muslera, o goleiro sul-americano que salvou o Uruguai dos ganeses, defender.

Os uruguaios sentiram o gol, e por isso tiveram de se esforçar para melhorar o seu jogo. Os neerlandeses, por sua vez, ficaram na defesa e aos poucos se irritaram com o estilo uruguaio, diferente do brasileiro. Forlán consegue o gol de empate aos 40 min. com um chutão. As esperanças do Uruguai se renovam, e a Holanda já passa a se preocupar com o relinchar do equino listrado.

Por falar no animal africano, no segundo tempo os jogadores dos pampas voltaram melhores, animados com a possibilidade de roubar a vaga. A Holanda só estava valorizando a posse de bola e indo aos contra-ataques, e teve certa dificuldade para lidar com os novos rivais sul-americanos. Houve chances de ambos os lados. E a Holanda foi aos poucos se soltando, até fazer um gol LEGITIMADO de Sneidjer (24 min.), falha do árbitro uzbeque e do bandeira cazaque, que prejudicou o Uruguai. A caixa de Pandora se abriu de vez, quando três minutos depois, baixou de novo o espírito de 1974, sem a anarquia dos tempos do Carrossel Holandês. Robben ampliou.

Os sul-africanos, cujas razões para não torcerem para a Holanda já foram expostas em postagens anteriores, sopravam as vuvuzelas e vibravam quando o Uruguai estava com a bola. Esqueceram do jogo das quartas entre os sul-americanos e Gana, a sensação da África. Quando os neerlandeses finalizavam, a torcida se calava.

Mas o Uruguai não estava morto. Loco Abreu, o polêmico, entrou, e deu movimentação ao time. Aos 46 min., já nos acréscimos, os sul-americanos diminuíram e mostraram o arrojo que faltou à equipe de Dunga. Eles pressionaram até o fim. E para aumentar o nervosismo de ambos (e de meio mundo), o árbitro do Uzbequistão esqueceu o cronômetro. Era para terminar aos 48 min., e o apito final foi aos 50.

O Uruguai ficou fora das finais, quando tudo estava tão perto. Pelo menos vão disputar o terceiro lugar, nada mal para um time que parecia decadente. Eles tiveram motivos de sobra para brigar com o árbitro, pois se o gol impedido fosse tratado como se devia, o jogo iria para as prorrogações. Porém, preferiram ajustar contas com o time rival.

Por outro lado, a nova Laranja Mecânica está nas finais, com menos romantismo e improviso, e mais organização e solidez. Vai co-protagonizar uma final européia, a primeira da história das Copas fora da Europa, pois a rival será Alemanha ou Espanha. Competência para enfrentar qualquer uma dessas eleições a Holanda tem. Será que vai calar as vuvuzelas de novo, e ser campeã pela primeira vez?

sábado, 3 de julho de 2010

03/07 - A história se repete

Ontem o jogador Gyan perdeu um pênalti e como castigo o time de Gana acabou sucumbindo ao Uruguai, também em cobrança de pênaltis. A África mais uma vez vê suas chances de avançar numa copa morrerem de forma dolorosa.

Hoje, é o Paraguai. Cardozo sofreu um pênalti ao ser puxado por Piqué. Ele cobrou aos 11 min. do segundo tempo, quando o placar estava (mal) zerado. E desperdiçou.

Este gol mudaria a história do jogo. E foi a Espanha que acabou por pegar a Alemanha, avançando também pela primeira vez às semifinais (do jeito que a Alemanha jogou, parece uma vitória de Pirro).

A história dramática do Paraguai nas quartas-de-final começou quando ele conseguia anular o ataque espanhol no primeiro tempo. O Paraguai fez um gol impedido, e a Espanha nem isso. A moral espanhola estava baixa, e seu astro, Fernando Torres, estava muito mal. Parecia um Cristiano Ronaldo branquelo.

A Fúria só conseguiu algum ânimo após o pênalti mal cobrado de Cardozo, e conseguiu outro penal. Conseguiu, porque o lance era mal explicado: Villa entrou em choque com Alcaráz e o árbitro guatemalteco, outro do clube do Larrionda e do Coulibaly, marcou. Villa chegou a marcar, mas o juíz mandou cobrar outra vez, desta vez corretamente, por invasão de área. E como acontece muitas vezes, Villa desperdiçou a segunda chance.

O jogo ficou interessante a partir daí - antes parecia ser o pior desta fase - e a Espanha, após muita luta, conseguiu abrir o placar, com Villa (de novo), aos 38 min. Os paraguaios até que tentaram reagir, mas não deu. Assim como Gana, o Paraguai também era considerado uma zebra que 'morre' de força lancinante mas heróica. A Fúria, como o Uruguai, manteve acesa a chama da tradição. E pela primeira vez, para enfrentar a águia negra - a qual, nesta altura, converteu-se num enorme dragão.

Com a derrota paraguaia, a "musa da Copa" Larissa Riquelme não vai mais poder tirar a roupa para comemorar. Ela havia prometido ficar nua se o seu país chegasse às semifinais. Ao contrário do Maradona, ninguém iria reclamar.

Com isto, termina mais uma fase. Os quatro sobreviventes - três europeus e o solitário Uruguai - terão a chance de se apossar do caneco por quatro anos.

03/07 - Adiós, Maradona! (ou Muss es sein? Es muss sein!)

O jogo entre Argentina e Alemanha tinha tudo para ser equilibrado. A raça e a determinação dos hermanos contra a força e a eficiência germânica. Os argentinos tinham Messi, Higuaín, Tevez, Mascherano, e os alemães contavam com Podolski, Ozi, Klose.

Esperava-se um placar mais equilibrado, tipo 2 a 1, 3 a 2 ou coisa parecida. O que se viu na realidade foi algo difícil de explicar.

O que aconteceu com a Argentina? Ou melhor, o que aconteceu com a Alemanha?

É algo incrível de se ver. Os alemães não abandonaram as regras clássicas de seu futebol, opostas ao futebol-arte. Apenas, como mostrado no jogo anterior contra a Inglaterra, aplicaram a regra maior do futebol: só ganha quem faz gol. E eles fizeram. 4 a 0.

Por outro lado, a Argentina apostava na tradicional raça e na valorização da posse de bola para surpreender os europeus. Messi, considerado o melhor jogador da atualidade, esperava brilhar desta vez, já que ultimamente só se falava em Higuaín. Todavia, os dois ficaram apagados. E os latinos-americanos sucumbiram diante do poder da águia negra.

Caíram de quatro.

A história que daria um tango bem melodramático começou já aos 3 min., com Schweinsteiger e Muller. Com o tempo, os alemães ficaram mais negligentes, perdendo muitas chances e deixando os rivais jogarem. Os argentinos aproveitaram, inclusive, para fazer um gol. Impedido.

No segundo tempo, parecia que haveria um equilíbrio de forças, mas, após longos 22 min. de indefinição, Klose, com assistência de Muller e Podolski, amplia o placar. Foi o suficiente para deixar o time platino desestabilizado.

Seis minutos depois, os guerreiros fizeram mais outro. Friedrich só toca para fazer o terceiro gol, após receber bola de Schweinsteiger.

Parecia que era um castigo suficiente, mas não foi. Já se falava até em Holocausto argentino. Mas os alemães, felizmente, não eram os nazistas do passado, só estavam lá para jogar futebol. E concluíram com Klose, ansioso para se tornar não só o artilheiro desta Copa, mas de todas as outras.

O clima ficou mesmo para tocar um tango de Piazzolla. Adiós, Argentina!

Maradona, o técnico, viu a maior derrota pessoal de sua carreira. Uma das piores da história de seu país. Ele perdeu a chance de ficar nu no Obelisco (afff).

Os alemães estão cada vez mais perto do sonhado tetracampeonato. Fizeram o que o Brasil não soube fazer: ganhar uma partida. Como disse uma vez um célebre alemão, Beethoven, na composição de seu último quarteto de cordas: Muss es sein? (Tem de ser assim?). Es muss sein! (Tem de ser!).

sexta-feira, 2 de julho de 2010

02/07 - A tradição contra a zebra

Gana é a remanescente do futebol africano na primeira copa do continente. E tinha pela frente a tradicional, embora cambalente, seleção uruguaia.

Deu Uruguai, a muito custo, e da pior forma: empatado em 1 a 1, passando pela desgastante prorrogação, com um a menos (Suárez, que cometeu a asneira de defender o gol com a mão no último minuto da prorrogação) e na cobrança de pênaltis. Se tivesse "matado" o jogo antes, pois jogou melhor do que Gana, principalmente no segundo tempo, poupar-se-ia do desgaste e a torcida se conformaria facilmente da superioridade do time sul-americano, talvez até torcendo a favor deles contra a Holanda (contra os holandeses, cujos descendentes são os mal-afamados africâneres ou bôeres, eles torceriam por qualquer um).

O time africano começou acuado, e só conseguiu reagir ao longo do jogo, até que nos descontos do primeiro tempo, Muntari chutou de longe e a bola entrou, abrindo o placar. Os uruguaios empataram aos 9 min. do segundo tempo. E assim foi até o lance de Suárez, que foi expulso. O pênalti decorrente disso foi mal cobrado, por Gyan, e o Uruguai teve uma sobrevida. A história mudou completamente, da inédita campanha de um time africano para as semifinais para a disputa de pênaltis.

Na cobrança, os uruguaios se assustaram com a cobrança, desta vez correta, de Gyan, e a perda de um pênalti mal cobrado. A favor da Celeste, um dia mal inspirado para Kingson, antes considerado o melhor goleiro da Copa. O sofrimento dos uruguaios terminou com Loco Abreu, que ainda tripudiou diante de sul-africanos e ganeses estarrecidos.

O Uruguai renasce. E a última seleção africana da Copa volta para casa, frustrando um continente que volta a lamentar com a miséria, a AIDS, a corrupção de seus governantes. A sina dos africanos nos Mundiais continua. E as vuvuzelas podem parar de tocar de vez justamente quando o mundo se acostumou com o 'timbre' e parou de associá-las às trombetas do Apocalipse.


P.S.: após eu ter feito a postagem anterior, o técnico Dunga anunciou sua demissão, prevendo uma chuva de críticas, em especial da Rede Globo, desafeta-mor do treinador. Colocou a viola no saco, sentindo-se duplamente derrotado. Pela Holanda e pela imprensa, que acabou dando razão ao ex-craque holandês Cruyff, que fez críticas amargas à falta de criatividade da nossa Seleção antes do jogo. No final das contas, porém, quem ficou com as batatas, como diria Quincas Borba, não foi nenhum deles. Foi o Extra, a loja de departamentos, que anunciou com antecedência, e antes mesmo do jogo contra o Chile, a eliminação dos canarinhos.

02/07 - O Brasil é que virou suco

Alinhar ao centro
Felipe Melo, o vilão da vez que os brasileiros querem ver jogado às feras africanas


A Holanda não foi a velha Laranja Mecânica. Esteve mais para laranja irritante, porque o Brasil ficou irritado no segundo tempo... e se deu mal!

Muita gente achou que o Brasil ia ganhar fácil da Holanda. A Holanda era mais um dos fregueses da seleção canarinho, pois perdeu nas copas de 1994 e 1998, e não vencia outras cinco partidas.

Pois o futebol mostrou mais uma vez que não é um esporte determinístico. A rigor, nenhum esporte é. Tampouco pode ser explicado por meio de simples equações estatísticas.

Por outro lado, mais uma vez se demonstrou que a tradição não faz um time ganhar uma partida de véspera. Quem jogou melhor tende a vencer. E esse time não foi o Brasil. Foi a Holanda.

Não é exatamente aquele "Carrossel Laranja" que apavorou em 1974, mas o Brasil permitiu o crescimento de Robben & Cia. desde o início do segundo tempo. Por culpa do nervosismo, que se abateu sobre os nossos representantes desde a abertura do placar, com Robinho, aos 10 min. do jogo. Lembrava mais um jogo de Libertadores, quando qualquer clube brasileiro sem tradição naquele torneio (caso do Botafogo, Atlético Mineiro, Fluminense e..., ah, sim, Corínthians) tentava avançar e era dominado pela ansiedade diante de adversários argentinos, em sua maioria mais bem preparados psicologicamente.

Mas o assunto é a Copa, não a Libertadores. E a Holanda mostrou que não era um simples freguês do Brasil. Melhorou seu jogo, antes muito fácil de ser anulado pelos brasileiros, e tratou de empatar, por falha de Felipe Melo e, principalmente, de Júlio César. Aos 8 min. da etapa final, gol de Sneijder. E o futebol dos comandados de Dunga, que sempre foi burocrático e lento, escancarou todos os seus defeitos.

Aos 23 min., a defesa toda falhou feio na cobrança de escanteio de Kuyt, e Sneijder virou o jogo, calando não só a torcida brasileira aqui e na África do Sul como também as infernais vuvuzelas, pois os sul-africanos estavam torcendo contra a Holanda.

Para piorar ainda mais a situação e anular uma chance de reação, Felipe Melo, cujo equilíbrio emocional é tanto quanto um pitbull raivoso, fez falta violenta e mereceu a expulsão. Ele foi, em boa parte, responsável pela bancarrota da Seleção.

Contudo, o time todo mostrou que até poderia, mas não teve merecimento para ganhar uma Copa. Dunga, com sua arrogância e sua grotesca guerra contra a imprensa, pagou caro. E os jogadores, na maioria, não jogaram de acordo com o salário que ganhavam (com a exceção de Lúcio, o capitão). Felipe Melo, como estariam dizendo muitos, devia ser abandonado no Parque Kruger, pois 'lugar de animal irracional é na selva'.

Um jogador conseguiu fazer mais feio do que o Felipe. É Kaká. Não jogou um décimo do que sabia. O fato de estar sentindo dores na virilha não muda muito a história. E a Seleção dependia muito dele para conseguir sair da modorra.

Sinceramente, achei que o Brasil não merecia mesmo o hexa. Jogou porcamente não só no segundo tempo desta partida quanto no jogo inteiro contra Portugal. Contra a Coréia do Norte fez um jogo irritante e mereceu ter levado o gol dos adoradores do 'glorioso líder' Kim Jong-Il. Só mostrou competência, mesmo, quando jogou contra a Costa do Marfim e o Chile.

O Brasil não vai acabar porque perdeu a Copa, como chegou a dizer o mesmo Dunga quando era jogador na famigerada Seleção de 1990. Nem a carreira desse mesmo técnico no qual foram depositadas as esperanças de trazer para cá o caneco, após o fiasco de 2006. A responsabilidade por mais um insucesso na Copa não pode ser atribuída apenas a Dunga, que, no seu jeito autoritário e ranzinza e seu esquema tático avesso ao tal 'futebol-arte', empenhou-se como podia na luta pelo hexa. Os jogadores e os caciques da CBF também tiveram sua parcela de culpa. Querer jogar apenas um ou outro aos leões ou aos crocodilos não resolve o seguinte problema: como recuperar a credibilidade de um futebol que já perdeu o respeito diante do resto do mundo?

Para o nosso consolo, os exemplos francês e italiano mostram que o problema não é só do Brasil, mas de boa parte do futebol de países tradicionais. O que explicaria tudo isso? Corrupção? Interesses econômicos mais fortes do que os esportivos? Politicagem? Influência de máfias que atuam não só nos juízes quanto na negociação de jogadores muitas vezes superfaturados? A resposta a tudo isso não é nada simples e exige análises abrangentes, isentas e sem passionalismos.

Bem, agora chega de chorar a derrota. A Copa continua. Vou registrar os outros jogos das quartas-de-final.

terça-feira, 29 de junho de 2010

29/06 - Terminam as oitavas e a Jabulani sofre

O último dia das oitavas-de-final foi marcado por jogos bem diferentes, porém semelhantes quanto à escassez de gols. O primeiro, às 16h (horário local), foi entre o Paraguai e o Japão, duas seleções que nunca foram muito longe nas Copas. O segundo envolve times bem mais tradicionais: Portugal e Espanha.


Paraguai x Japão

Esta briga foi uma sucessão de passes errados, chutões e tudo o que faz os torcedores saírem do estádio furiosos e querendo o dinheiro de volta. Ficou faltando apenas o que interessava: chutes a gol.

A Jabulani, se tivesse um cérebro, pensaria em fugir como uma gazela saltitante (antes que os movimentos gays reclamem, refiro-me a um animal africano que faz isso para escapar dos predadores). Para quem acompanha pela televisão, dependendo do horário, seria melhor ler um livro, assistir outra coisa, passear ou, no caso do Brasil, dedicar mais tempo ao almoço.

O Paraguai até que se esforçou para ir ao ataque, mas não foi eficiente. O Japão ficou só na defensiva, procurando explorar os contra-ataques.

O jogo ficou zerado no tempo normal e na prorrogação, para estarrecimento dos que aguentaram acompanhar até o fim. Pelo menos os dois se esforçaram em melhorar um pouquinho no tempo complementar, mas não o suficiente para cada um deles não merecerem uma vuvuzelada na orelha.

Como era esperado, o crime contra o futebol acabou nos pênaltis. Pela primeira vez nas oitavas, Deus me livre!!! Não era possível classificar o vencedor de Portugal e Espanha automaticamente para as semifinais por causa de um WO nas quartas.

No final, o Paraguai sobreviveu (5 gols a 3) e vai para as quartas pela primeira vez, provavelmente para sucumbir diante da Espanha ou de Portugal. O Japão fracassou outra vez. De uma certa forma, houve justiça, pois o Paraguai estava jogando um pouco melhor. Abaixo do nível aceitável de qualidade, mas foi melhor que os nipônicos.

O lado bom desta 'partida'? A arbitragem não apareceu com erros escandalosos.

Pretória (ou Tshwane) não merecia um jogo desses.

A melhor coisa que aconteceu neste jogo foi a presença da modelo Larissa Riquelme, de 25 anos. Ela prometeu ficar nua se o Paraguai chegar às semifinais, promessa semelhante àquela feita por Maradona. Vai gerar uma reação totalmente oposta: principalmente os brasileiros torcerão pelo fracasso da Argentina, e pelo sucesso do Paraguai.


Espanha x Portugal

A Fúria de um lado e Cristiano Ronaldo de outro precisavam mostrar a que vieram na Copa. O craque português só foi eleito o melhor (ou menos pior) do jogo entre Brasil e Portugal por causa de uma eleição feita por internautas, ou seja, de valor técnico entre questionável e nulo. Já o time espanhol não lembra nem um pouco o time que ganhou a última Eurocopa, a de 2008.

Infelizmente, a Jabulani sofreu de novo, desta vez na Cidade do Cabo, particularmente no primeiro tempo. A Espanha estava ofensiva, mas ineficiente, e Portugal defensivo como sempre, mas pouco saía para atacar.

O gol só veio no segundo tempo, aos 17 min., com Villa, que se igualou ao argentino Higuaín e ao eslovaco Vittek, os três com 4 gols feitos. Fernando Torres, a estrela do time, não conseguiu jogar muito, embora esteja menos apagado do que na primeira fase. Lesionado, foi substituído por Llorente, que preocupou mais a defesa portuguesa.

Portugal nada fez por merecer o empate, e ainda teve Ricardo Costa expulso, quando já era tarde demais para uma reação e a Fúria estava mais preocupada em segurar o resultado.

Quanto a Cristiano Ronaldo, vai se juntar aos Manuéis e Joaquins nas piadas de português.

A próxima fase da Copa só vai começar no dia 2. Então teremos dois dias sem futebol.


segunda-feira, 28 de junho de 2010

28/06 - E a Seleção?

Primeiro é bom comentar o jogo de Holanda e Eslováquia.


Holanda x Eslováquia

A tradicional equipe holandesa chegou a assustar seus torcedores, pois a zebra eslovaca não estava disposta a se entregar facilmente, mesmo inferior tecnicamente e só contar com uma estrela, Vittek.

Para vencer a defesa eslovaca, os neerlandeses precisavam contar com a sua tradicional habilidade quando está com a bola. Conseguiram abrir o placar aos 17 min., graças a Robben, um dos craques da camisa laranja.

Depois disso, o jogo se tornou feio, com poucas chances de gol. No segundo tempo, o placar demorou demais para mudar, graças à pouca precisão do ataque holandês. A Eslováquia não voltou a repetir a atuação contra a Itália na primeira fase, mas chegou a assustar os adversários com duas chances de gol. E só aos 38 min., pouco tempo para o final, é que os torcedores holandeses puderam ver Sneidjer fazer um gol, e calar por alguns momentos as vuvuzelas, pois os sul-africanos estavam torcendo pelo time do leste europeu, por um motivo histórico: os holandeses invadiram a África do Sul e seus descendentes, os boeres, foram responsáveis pela criação do apartheid.

Mas um pênalti marcado já nos acréscimos fez a Eslováquia vender caro a derrota, no último lance de ataque contra a Holanda. Vittek cobrou com competência, e se tornou, por enquanto, o artilheiro da Copa. Porém, não deu para se fazer mais nada.

Até então, nesta fase, a zebra ainda não apareceu.


Brasil x Chile

Kaká e Luís Fabiano não fizeram a diferença na vitória contra o Chile (foto: agência EFE)



O Brasil mais uma vez começa irritando a torcida, como se soubesse de antemão que estava enfrentando o tradicional freguês das Copas. Depois de um início morno e truncado, o Chile mostrou que estava querendo atacar, mas sem muito êxito.

Demorou demais para o Brasil mostrar sua superioridade, e aos 34 min., acabou a apreensão: Juan aproveitou o escanteio cobrado por Maicon e abriu o placar. E quatro minutos depois é a vez de Luis Fabiano, que não mostrou do que sabia.

Outro apático foi o badalado Kaká, que nada fez de notável (fora o passe para o Luis Fabiano fazer o gol) e ainda levou um cartão amarelo.

No segundo tempo, o Brasil mais uma vez só jogou para o gasto, mas com destaque para os desarmes de Lúcio e, é lógico, mais um gol. E foi finalmente dele, Robinho, que marcou aos 14 min.

O Chile ainda conseguiu finalizar, mas sem êxito, com Suazo, com assistência de Valdívia. O craque chileno, conhecido por aqui, só entrou no segundo tempo e não fez grande coisa.

E o Brasil vai enfrentar outro freguês, a Holanda. No entanto, ela não é nenhum Chile. E pode muito bem repetir 1974, quando a Laranja Mecânica fez suco da nossa Seleção, e não 1994 ou 1998, nas campanhas onde os canarinhos foram às finais.

domingo, 27 de junho de 2010

27/06 - Jogo para entrar na História

Dois jogos envolvendo quatro seleções fortes, três delas campeãs mundiais (sendo duas delas - Alemanha e Argentina - incontestáveis).


Alemanha x Inglaterra

Alemanha e Inglaterra foram inimigos históricos nas guerras, particularmente nos dois conflitos mundiais. Os entreveros no futebol também foram dignos de uma batalha, para Sun Tzu, Napoleão, Clausewitz, analisarem.

Em 1966, o juíz roubou para os ingleses na final da Copa de 1966, quando validou um gol que não entrou e só quicou entre a trave e o gramado. Os alemães nunca se conformariam com tamanho descalabro.

44 anos, a história parecia se repetir. Aos 37 min. do primeiro tempo, os ingleses mais uma vez chutaram para marcar. A diferença, porém, é que a Jabulani ENTROU na área do gol, e o juíz uruguaio Jorge Larrionda NÃO o validou. Essa atitude agride seriamente o futebol e maculará para sempre a carreira de Larrionda, já mal visto por vários times participantes da Taça Libertadores da América. Agora ele é mal visto no planeta inteiro.

Este ato, que parece a "lei do Talião", ou seja, descontar o erro hediondo de 1966 com outro igual, ou pior, em 2010, comprometeu a Inglaterra, que estava reagindo aos gols sofridos (aos 20 min., com Klose, e 32 min., com Podolski, logo os craques alemães com ascendência polonesa). Os ingleses tinham feito aos 36 min., 1 minuto antes da polêmica, após o chute de Upson e o "frango" do goleiro Neuer.

No segundo tempo, os ingleses começaram melhor, furiosos com a arbitragem, mas infelizmente, aos 21 min., os alemães não perdoaram em um contra-ataque fulminante, e Müller ampliou, lance para desesperar o mais fleugmático dos londrinos. Para piorar a situação, aos 24 min., o mesmo Müller, com assistência de Ozil, ampliou ainda mais.

Torcedores famosos como Mick Jagger (que também viu a derrota dos EUA) não acreditavam no que viam. Parece que estavam castigando a final de 1966 com juros de 44 anos. Alguns mais exaltados evocariam Bismarck, ou Hitler, no tempo em que a Alemanha era sinônimo de terror. Mas não é castigo nem a volta dos tempos ferozes de antes. A Alemanha jogou melhor, e mereceu a vitória.


Argentina x México

Após o naufrágio dos súditos de Sua Majestade Britânica, a Argentina foi enfrentar o México ressabiada, mas jactancioso de seu poder. Os mais conhecidos contiguos do Brasil foram superiores aos adversários, numa partida com jeito de Libertadores ou de Copa América.

E o problema é aguentar mais um juíz indigno de apitar uma partida da Copa. O italiano Stefano Airoldi mostrou jogar no mesmo time do sr. Larrionda, do sr. Coulibaly, do sr. Lannoy e outros digníssimos árbritos que muita gente quer jogar aos leões e hienas. Outros achariam que as pobres feras iam ter uma intoxicação com eles.

Ele validou um gol de Tevez aos 25 min., nitidamente impedido. Os mexicanos reclamaram, mas a arbitragem confirmou o gol.

Com isso, os comandados de Maradona aumentaram uma superioridade que já demostraram antes do gol 'legitimado'. Ampliaram o marcador aos 32 min., com Higuaín, e Tevez, no começo do segundo tempo (7 min.) fez o terceiro gol. O ex-corintiano fez o seu show, enquanto Messi ainda não deu o ar de sua graça. Os mexicanos mais uma vez não conseguiram vencer a Argentina mas descontaram, com 26 min., e pressionaram para tentar uma reação. No entanto, ficou nos 3 a 1.

Argentina e Alemanha vão protagonizar a maior batalha das quartas-de-final nesta Copa.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

26/06 - Começou o mata-mata

As oitavas de final começaram neste dia com dois jogos bem diferentes.

Hoje o primeiro do grupo A enfrenta o segundo do grupo B, e o primeiro do grupo C enfrenta o segundo do grupo D. Amanhã vão se enfrentar outros egressos desses grupos da fase inicial.


Uruguai x Coréia do Sul

O primeiro, às 11h, foi marcado pelos ataques sul-coreanos contra um Uruguai defensivo. Nos contra-ataques, o time sul-americano abriu o placar, aos 8 min., com Luís Suárez, para esfriar os ânimos asiáticos.

Eles, no entanto, continuaram tentando, e dando oportunidades para novos contra-ataques uruguaios, mas ficou no 1 a 0. No segundo tempo, os sul-coreanos continuaram a pressão, e Chung-yong empatou a partida, aos 22 min.

Isso provocou a reação dos celestes, abalados com o primeiro gol sofrido nesta campanha, e Luís Suárez voltou a colocar o Uruguai na frente. E, assim, parece que nossos vizinhos estão prestes a reviver um passado glorioso, com direito até a silenciar o Brasil em pleno Maracanã na famigerada Copa de 1950. Há 40 anos eles não iam para as quartas-de-final.


Estados Unidos x Gana

Mais tarde, os sul-africanos participaram para torcer por Gana, a única seleção africana a passar para aos oitavas. O desafio não era pequeno: enfrentar o time norte-americano, que queria mostrar alguma coisa nesta Copa. Eles estavam estigmatizados pelos erros gravíssimos de arbitragem contra eles, e contavam com uma torcida de celebridades mundiais, como o ex-presidente Bill Clinton e o superstar inglês Mick Jagger, que estavam nas arquibancadas.

Mas os dois times sofreram. A Jabulani também.

Os ganeses foram com tudo para o ataque e logo abriram o placar, graças a Boateng, aos 5 min. Do outro lado, os americanos não conseguiram parar os africanos, responsáveis pela grande maioria das finalizações, todas sem êxito.

No segundo tempo, os americanos reagiram. Após sofrer com as defesas do goleiro Kingson, o craque da partida, houve um teste para ele: um pênalti a favor dos EUA, sofrido por Altidore e convertido por Donovan.

O jogo foi para a prorrogação. E houve mais sofrimento, mesmo quando Gyan marca para os ganeses (não há morte súbita). De nada adiantou o esforço (bisonho) dos norte-americanos. Exaustos e frustrados, não evitaram a queda de mais um sonho americano. Igualmente exaustos, mas confiantes, o time da África ocidental fez o que pôde para manter o placar: 2 a 1. Gana se converteu em heroína do continente, disposta a cavalgar a zebra para cima do Uruguai.

25/06 - O pior 0 a 0 da Copa

O gnu, animal típico da África do Sul. É uma criatura lindíssima, comparada com o futebol mostrado por Portugal e Brasil


Destaque da partida entre Portugal e Brasil

Aconteceu o pior 0 a 0 da Copa na África do Sul. O mais indecoroso e duro de se ver.

Brasil e Portugal não fizeram nada que realmente prestasse. Os dois estavam praticamente classificados e mais interessados em ver quem ia se beneficiar nas oitavas do que na Jabulani. Por falar nela, nunca essa bola foi tão maltratada antes.

Daniel Alves, Júlio Baptista, Felipe Melo... não merecem nem uma nota de rodapé no livro sobre a história das copas.

E o time de Portugal? Mostrou também pouco do que sabia. Cristiano Ronaldo outra vez só nas tentativas, quando a bola chegava até ele. E assim o jogo terminou em pizza.

Melhor falar dos outros três jogos.

No mesmo horário, às 11h, a Costa do Marfim jogou para tentar um milagre contra a Coréia do Norte, já eliminada. Fez apenas 3 gols, quando precisava de 9. Mas podia fazer o número de gols de Pelé e Maradona juntos e cair fora, porque o 0 a 0 de Brasil e Portugal daria um pontinho a este último. Os jogadores norte-coreanos voltam para casa para enfrentar a fúria de Kim Jong-Il.

No grupo H, a Suíça só se defendeu e Honduras até que tentou atacar, mas sem eficiência. A falta de iniciativa dos suíços lhes custou a vaga: de nada adiantou vencer a Espanha, pois precisava vencer também o fraco time centro-americano. Os dois times maltrataram a Jabulani, como aconteceu no jogo do Brasil. O juíz argentino Hector Baldassi ainda anulou um gol de Honduras, que lhe daria alguma dignidade. Ou seja, dois 0 a 0 num dia só, para mostrar a que ponto chegou o futebol mundial.

O Chile estava cotado para liderar, mas a Espanha fez dois gols que desestabilizaram a equipe: um gol de Villa, aos 24 min., e outro de Iniesta, com assistência do mesmo Villa, aos 36 min. Para piorar, uma expulsão injusta de Estrada numa falta banal, quando deveria ter sido punido antes por outras faltas mais cabais em jogadores espanhóis (Capdevilla e Busquets). Mas os sul-americanos, temerosos de ser desclassificados, descontaram aos 2 min. do tempo final, com Rodrigo Millar (e ajuda do zagueiro Piqué). Assim, a Fúria espanhola, uma das favoritas ao título, escapou de enfrentar o Brasil. Quem ficou com a batata quente foi o Chile, tradicional freguês dos canarinhos em Copas.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

24/06 - Arrivederci, Itália!

A zebra atacou outra vez e castigou sem piedade a única seleção que poderia empatar com o Brasil em número de títulos.

Desta vez a Itália, que nunca costumava começar bem a Copa, não teve a mesma sorte de antes. Aliás, para se classificar não precisava de sorte, apenas de competência. Precisava vencer a caloura Eslováquia e torcer para um resultado dentro das espectativas entre Paraguai e Nova Zelândia (ou seja, o time sul-americano não perder do azarão da Oceania).

Por falar naquele jogo, um chato 0 a 0 (outra vez??? já é o quarto jogo sem gols neste Mundial!!), o Paraguai só jogou para o gasto, e a Nova Zelândia, que deveria vencer para avançar, não teve, como esperado, qualidade para tanto. Este resultado horrível garantiu o Paraguai como primeiro colocado do grupo e despachou os neozelandeses.

Não deu zebra lá, e sim em Johannesburgo, palco de uma disputa européia. A tetracampeã Itália contra a estreante Eslováquia, que até 1993 fazia parte da antiga Tchecoslováquia. Os prognósticos diziam: Itália vai faturar. Estavam errados. O time do leste europeu conseguiu segurar os representantes da bota e abriram o placar, com Vittek (24 min.). A Itália voltou a errar passes e passou boa parte do jogo tentando fazer alguma coisa, até que aos 28 min. do segundo tempo, deu Vittek de novo. A Itália lutou desesperadamente, com De Natali, que fez o gol aos 35 min., e Quagliarella, aos 46 min... este último depois que Kopenuk venceu uma defesa inoperante (mesmo com Cannavarro) e fez o terceiro gol eslovaco.

Foi a pior participação italiana em todos os tempos, mesmo considerando o elevado número de eliminações na primeira fase (nada menos que cinco, em 1950, 1954, 1962, 1966 e 1974). Porém, em todos esses casos a Azzurra vencia pelo menos uma partida. Na África do Sul, nem isso. Foram dois empates e uma derrota. Avaliando bem a situação, não foi exatamente uma ópera trágica, e sim uma ópera bufa, digna de Rossini (aquele compositor que fez o Barbeiro de Sevilha cantar: Fiiiiigaroooo...), com os últimos campeões de uma Copa a fazer papel ridículo. Nunca se viu algo assim: os dois melhores colocados de uma Copa passada terem sido eliminados na primeira fase, pois o vice-campeão foi a França.

Após o fiasco italiano, a zebra foi para Durban para atrapalhar os dinamarqueses, que jogavam contra o Japão. Não que a Dinamarca esteja em grande fase, mas o time do Sol Nascente nunca foi mais do que esforçado, ao contrário dos mangás do Capitão Tsubasa. No primeiro tempo, dois gols nipônicos, um deles de falta (coisa nunca vista no futebol japonês). A Dinamarca conseguiu reagir, fazendo um gol de pênalti, mal defendido pelo goleiro asiático, mas a resposta dos rivais veio, e selou o destino dos daneses.

O Japão conseguiu a classificação e vai enfrentar o Paraguai.

Isso porque a Holanda confirmou o favoritismo e fez 2 a 1 no já eliminado time de Camarões. Como no caso do Paraguai, só jogou para o gasto, e o time de Eto'o não teve chance de vencer a laranja mecânica. Pelo menos os africanos fizeram o seu gol, por um pênalti cobrado pelo craque camaronês. E foi só. O time de Camarões volta para casa humilhado, após servir de saco de pancadas para os outros times. E a Holanda tem uma missão aparentemente (e não de fato) sem complicações: derrotar a Eslováquia e seguir o caminho rumo a um campeonato, algo não conseguido em 1974, quando eram conhecidos como o Carrossel Holandês. E isso em sua ex-colônia, a África do Sul.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

23/06 - Definido o primeiro clássico das oitavas

De manhã (16h no horário da África do Sul, com fuso horário único por ser um país grande mas não muito), mais uma seleção africana conheceu o caminho de casa mais cedo, ao lado da Nigéria e da África do Sul (estes vão ficar por lá mesmo, por serem o país sede).

A Argélia sucumbiu no último minuto do jogo frente aos Estados Unidos. Até então, quem estava com a vaga era a Eslovênia, pois a partida entre os americanos e os africanos era muito ruim, um 0 a 0, empate em derrota típico. Mas Donovan fez o gol salvador, e os EUA, que haviam sido severamente prejudicados na partida contra a Eslovênia, conquistaram a vaga, e em primeiro lugar, pois a Inglaterra só havia empatado em dois jogos (1 x 1 contra os yankees e 0 x 0 contra os habitantes do deserto). A 'terra das oportunidades' também só havia empatado, mas fez 2 x 2 no famigerado jogo contra a Eslovênia, e por ter feito mais gols ficou na frente.

Por falar em Inglaterra, ela conseguiu o que queria. Livrou-se do vexame ao fazer um gol salvador contra a Eslovênia (Defoe fez, aos 23 min.). Ficou no 1 a 0, por conta da eficiência da defesa eslava. Avançou, mas o grupo D tem a Alemanha.

O time da águia negra fez um jogo bem ao seu estilo, contra Gana, vencendo o time africano apenas por 1 a 0, gol de Ozil, o turco naturalizado alemão, no início do segundo tempo. Para os ganeses, restava torcer por um resultado favorável entre o jogo Austrália x Sérvia.

Foi o que acabou acontecendo: a Austrália venceu a Sérvia - o que poucos esperavam - mas a zebra da Oceania fez 2 a 1, e acabou perdendo no saldo de gols para Gana. Por conta disso, o futebol africano pôde comemorar. Gana vai enfrentar os Estados Unidos.

E a Alemanha? Vai enfrentar a Inglaterra. Era o que os ingleses mais temiam. Vai ser o primeiro clássico das oitavas, e apenas um deles vai ter chance de ser campeão. Apostas falarão alto no próximo dia 27, quando as duas potências do futebol se enfrentarem em Bloemfontein.

P.S.: o brasileiro Carlos Eugênio Simon voltou a apitar direitinho, e se continuar desse jeito pode apitar a final da Copa, no caso do Brasil não chegar às semifinais.

terça-feira, 22 de junho de 2010

22/06 - Seleção francesa vai para a guilhotina

Começa a terceira rodada da primeira fase e agora são quatro jogos, e não três. Para minimizar o risco de marmelada, os jogos de um mesmo grupo são feitos no mesmo horário.

Neste começo de rodada, muitas emoções no grupo A, considerado para alguns o verdadeiro 'grupo da morte' (e não o grupo G). África do Sul e França estavam lutando para não cair e Uruguai e México lutaram para não correr o risco de pegar a Argentina.

O jogo entre Uruguai e México foi marcado pela defesa uruguaia e pela valorização da posse de bola por parte do México. Porém, os mexicanos não souberam, ou não tiveram vontade suficiente, de sobrepujar a retranca do time sul-americano. Como resultado, o time da América do Norte sofreu um gol nos contra-ataques, e provavelmente vai enfrentar a Argentina.

Por outro lado, a batalha dos desesperados foi ainda mais interessante. A França queria evitar o vexame de 2002, e a África do Sul, com os Bafana Bafana, queria avançar. Além disso, Parreira queria, de uma certa forma, vingar a derrota que sofreu em 2006, quando comandava a nossa Seleção. Os sul-africanos fizeram direitinho a lição de casa, desta vez, mas foi tarde. E a França voltou a passar vergonha, e ainda por cima derrotados por uma África do Sul que não se mostrou tão ingênua quanto no empate com os mexicanos ou, principalmente, na derrota para os uruguaios.

Os sul-africanos venceram por 2 a 1. Vitória de Pirro. "Morreram" junto com o time que derrotaram, a França. E pela primeira vez na História os anfitriões caem logo na primeira fase. E os Bafana Bafana não tiveram culpa de sua torcida utilizar aquelas medonhas vuvuzelas... pelo menos se despediram da Copa com dignidade, ao contrário da outrora poderosa rival.

A França, por sua vez, foi para a guilhotina com apenas um ponto. Classificou-se na Copa por uma marmelada, em jogo polêmico e irregular contra a Irlanda, e o castigo veio. Um empate hediondo contra o Uruguai, sem gols, e uma derrota pavorosa para o México. O time entrou em conflito interno, entre o técnico Domenech e seus comandados, supostamente instigados por Zidane. Malouda fez o único gol francês EM TODA A PRIMEIRA FASE! E foi gol de honra, pois os conterrâneos do queijo Roquefort estavam perdendo dos Bafana Bafana por 2 a 0. Como no caso do Roquefort, a participação dos franceses neste Mundial ficou cheia de bolor.

Quanto ao grupo B, que jogou à tarde, também houve disputa. Os quatro tinham chance de ir às oitavas.

Primeiro, o jogo da Coréia do Sul contra a Nigéria. Os nigerianos não queriam seguir a mesma via dolorosa de Camarões e África do Sul. Abriram o placar, aos 12 min., mas tomaram o gol de empate aos 38 min. e levaram a virada logo no início do segundo tempo. Os africanos tiveram de suar a camisa para empatar, enquanto o time da Ásia ficou na retranca para evitar o estrago (e seguir o mesmo mau caminho de seus vizinhos do norte). No final, Obinna fez como o seu quase homônimo brasileiro e apavorou os coreanos. Ficou no 2 a 2, o que mostrou ser suficiente para a Coréia do Sul, mas não para a Nigéria.

Bem mais tranquila é a situação da Argentina, que pegou a zebra grega e nem precisou de todos os seus titulares para mostrar sua superioridade, pelo menos no segundo tempo (pois o primeiro foi um belo de um sonífero, com nossos vizinhos sofrendo para vencer a retranca dos helenos): Demichelis marcou aos 32 min. do segundo tempo e Palermo, agora um reserva de luxo, entrou para depois fazer o seu, aos 44 min. Como resultado, os jogadores gregos vão ter de voltar para o seu país (cuja economia está quase na mesma situação das ruínas de Atenas) enquanto os argentinos, com 9 pontos, vão com fé para as oitavas, enfrentar o México. A Coréia do Sul vai pegar o Uruguai.

Os dois primeiros jogos das oitavas já estão definidos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

21/06 - O massacre de Cape Town

Portugal organizou a maior goleada da Copa 2010, que dificilmente será superada até o final do certame.

Foram sete gols. Isso mesmo. S-E-T-E! Com direito ao gol mais chinfrim da Copa até então, feito por Cristiano Ronaldo (o único dele). Liedson, brasileiro naturalizado português, fez também o seu. E os norte-coreanos já estão eliminados, torcendo para a ira de Kim Jong-Il não ser muito grande. Já basta a humilhação desta derrota.

O massacre aconteceu na Cidade do Cabo, ou Cape Town, próximo do Cabo da Boa Esperança descoberto pelos conterrâneos dos goleadores no séc. XV.

O risco aumenta para a Seleção brasileira, pois se Portugal vencer o Brasil, por qualquer placar, os lusitanos ficam em primeiro e o Brasil em segundo. Já o time de Portugal fica em situação muito confortável, pois está praticamente classificado. Mesmo se perder, vale o saldo de gols em relação ao da Costa do Marfim. Logo, o time africano vai ficar à espera de um milagre.

O risco de ser derrotado por Portugal pode valer a pena se o primeiro do grupo H não for a Espanha, que também jogou hoje.

Por falar no grupo da Espanha, o jogo das 11h teve Chile e Suíça disputando a liderança. E o Chile levou a melhor, com um gol solitário contra a forte defesa do time europeu.

Já a Fúria não consegue fazer mais que dois gols contra a fraca seleção de Honduras, no jogo de 15h30 do horário de Brasília. Os dois gols (17 min. do primeiro tempo e 5 min. do segundo) foram de Villa, o camisa 7 do time espanhol, que se deu ao luxo de perder um pênalti.


domingo, 20 de junho de 2010

20/06 - Nossa Seleção enfrenta os selvagens

O camisa 9 da Seleção virou discípulo de um famoso camisa 10 da Argentina

Antes de falar sobre o jogo do Brasil, que voltou a ser no horário mais frio (20h30, pelo horário local), vou comentar sobre o grupo da Itália. E mais uma vez aquele quadrúpede ungulado e listrado típico da África tratou de aparecer.

Foi no jogo da Itália contra a Nova Zelândia. Uma zebra bem feia, e ainda por cima roubada, por conta do juíz guatemalteco, que validou um gol impedido e ainda com falta de ataque por parte da limitada seleção neozelandesa. O gol do time do Pacífico foi aos 6 min. do jogo, e isso constituiria como a maior zebra da Copa até então. Mas Iaquinta diminui a decepção aos 28 min., com um gol. E o segundo tempo foi ainda pior do que o primeiro, um indício do nivelamento por baixo do futebol atual. Agora a Itália só tem dois pontos, e vai precisar vencer a Eslováquia.

Quem se deu bem foi o Paraguai, que jogou antes. Ele abandonou a formação defensiva para avançar para cima dos eslovacos. E fez 2 a 0, numa partida não muito digna de ser vista, mas suficiente para o time sul-americano ficar em boa posição na tabela. Se vencer a Nova Zelândia, classifica-se em primeiro lugar nas oitavas.

E o Brasil? Parece que finalmente, meio ao estilo Dunga, eles conseguiram convencer frente aos marfinenses, mais interessados em intimidar os adversários do que em jogar. Após a evidente superioridade africana no começo, Luís Fabiano abriu o placar, aos 25 min. do segundo tempo. No segundo tempo, a seleção deslanchou, mas aí vieram os lances polêmicos: o mesmo Luís Fabiano, após lance genial, ajeitou a bola com os dois braços, aos 5 min. do segundo tempo, e fez outro gol no estilo "mano de Dios" maradoniano. Os jogadores da Costa do Marfim apelaram para a violência, ao descobrir que o árbitro francês Stepanny Lannoy (um exemplo de como NÃO se deve atuar numa partida) deixou passar a evidente irregularidade.

Elano ampliou o placar aos 16 min., e em seguida foi vítima de uma falta brutal do marfinense Tioté (que mereceria ser expulso no ato, mas não foi punido), precisando ser substituído por Daniel Alves. Os africanos vestiram a carapuça de selvagens que os europeus, no passado, viviam colocando neles para justificar a espoliação do continente e bateram para valer. Kaká, cuja forma física não podia se comparar com a dos adversários nem quando não está contundido, reclamou com o árbitro e depois se envolveu num entrevero com Keita, sendo expulso. O gol de honra da Costa do Marfim já havia sido feito, aos 34 min., por descuido da zaga. E foi do craque Drogba, que teve pouco a ver com seus colegas marrentos.

O Brasil, deste modo, metendo 3 a 1 numa seleção considerada forte, vai avançar para as oitavas de final. Agora é só esperar por Portugal. O time lusitano ainda vai ter de enfrentar os mistérios dos seguidores do 'glorioso líder' Kim Jong-Il.

sábado, 19 de junho de 2010

19/06 - O primeiro time a cair fora do Mundial

Após um dia de zebras e de juízes asininos, temos um dia de jogos mais mornos. A grande exceção foi Camarões x Dinamarca, que selou o destino de um deles nesta Copa. O duelo aconteceu em Tshwane (o nome oficial da capital da África do Sul, ainda não internacionalmente reconhecido, já que Pretória, que homenageia um líder bôer, remonta ao triste período do apartheid).

A Holanda só conseguiu fazer 1 a 0 no Japão, graças à falta de aplicação dos jogadores holandeses. Porém, esta vitória magra assegura, praticamente, o time dos moinhos de vento para as oitavas. Por outro lado, os japoneses ainda têm chances.

No jogo seguinte, a zebra ameaçou aparecer de novo. A Austrália era candidata a virar saco de pancadas do grupo, mas abriu o placar contra Gana, o time africano com mais chances de se classificar até este momento. Mas os ganeses empataram, o que deixa o time africano ainda com boas chances. Os australianos conseguiram um ponto, mas pode não ser o bastante.

O jogo entre a sempre perigosa Dinamarca e os imprevisíveis camaroneses foi bastante equilibrado. Eto'o abriu o placar para mostrar a que veio, mas os dinamarqueses empataram ainda no primeiro tempo, para virar no segundo. Como castigo, o time de Camarões foi o primeiro a ser eliminado na Copa do Mundo. Um triste fim para a seleção de Eto'o, o primeiro craque internacional a ter sua estrela apagada em 2010. E como o primeiro eliminado é africano, os vuvuzeleiros ficaram com menos opções de torcida. Mas ainda restam Costa do Marfim (eca), Nigéria, Argélia, Gana e (ainda) a África do Sul.

O resultado também confirma a ida dos neerlandeses às oitavas-de-final.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

18/06 - Quando os juízes aparecem...

...só sai MERDA. Com todas as letras. Só sai merda mesmo.

O futebol anda com fortes suspeitas de manipulação de resultados por parte de uma máfia. Existem poucas provas mas muitos indícios. Um deles é a atuação de certos árbitros.

Primeiro, o jogo da Alemanha contra a Sérvia. O juíz espanhol expulsou o Klose numa falta aparentemente banal, que nem merecia o amarelo. E, no minuto seguinte, a Sérvia contra-atacou e fez o gol da vitória. Os alemães ainda tiveram a chance de empatar, graças a um pênalti infantil de Vidic, mas Podolski cobrou mal e virou o vilão da história. Com este resultado, o grupo D ficou embolado. E mais uma ZEBRA apareceu.

Segundo, no jogo dos Estados Unidos sobre a Eslovênia. O país europeu estava na frente (2 a 0, um placar perigoso quando é obtido no primeiro tempo). Mas permitiu o empate, e estaria em maus lençóis não fosse um gol de Maurice Edu anulado ERRADAMENTE pelo juíz, aos 39 do segundo tempo. Este foi o pior erro de arbitragem da Copa, que impediu a vitória justa dos norte-americanos sobre os eslovenos. Não se trata de um juíz simpático ao Irã, ao bin Laden ou ao doidarrão da Coréia do Norte. Quando muito, está de rabo preso com a máfia dos juízes, que não foi devidamente combatida. Na melhor das hipóteses, é só mais um péssimo apitador.

Terceiro, o juíz de Inglaterra e Argélia não comprometeu (muito), apesar de ser do Uzbequistão, país com tanta tradição em qualquer esporte quanto o vizinho Afeganistão (talvez um pouco mais, pois o Felipão foi para lá tentar ensinar, sem sucesso, os usbeques a jogar futebol). O juíz só fez papel ridículo quando caiu sozinho no campo. Aliás, mais ridícula ainda foi a seleção inglesa, que não fez nada de notável (nem a seleção argelina, mas isto é mais perdoável). Um 0 a 0 horrível, fora dos prognósticos, que pode comprometer seriamente a pretensão dos súditos da rainha e deixa a Eslovênia - pasmem - mais próxima da classificação.

P.S.: a notícia que conseguiu ofuscar a Copa, pelo menos em Portugal e no Brasil, foi a morte de José Saramago, um dos maiores escritores de língua portuguesa que já existiram.