quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Separatismo: por que não vai dar em nada

Com a eleição de Dilma por menos de 40% dos votos dos eleitores (inclusive as abstenções e os votos invalidados), muitos estão manifestando seu descontentamento. Sob o pretexto de haver Estados cuja maioria votou em um ou outro candidato, estão sugerindo a ideia de separatismo. 

Não faltam argumentos para querer a separação. A maior parte dos impostos recolhidos pela União vem dos Estados mais desenvolvidos do Sudeste e do Sul, para serem reinvestidos na parte mais pobre do Brasil (o Nordeste e o Norte), sob forma de ações malfeitas e de retorno duvidoso, como a transposição do Rio São Francisco e o Bolsa-Família. Muitos eleitores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que votaram em Aécio, estão cansados do assistencialismo e do aparelhamento do Estado promovidos pelo PT. Há uma sub-representação dos Estados mais populosos, em favor dos de menor população, vistos como currais eleitorais. 

Há algumas sugestões para formar uma divisão política do Brasil, todos com maior ou menor grau de ressentimento anti-PT e até mesmo anti-Nordeste, e todos igualmente com baixa possibilidade de êxito. Comento a seguir. 

 Proposta divulgada por Romeu Tuma Jr., desafeto do PT. Há um problema sério nesta divisão: Minas Gerais e Rio de Janeiro são estados onde a maioria votou em Dilma. Brasília, odiada por todo o resto do Brasil, também fica do lado de cá. Rondônia e Acre, onde Aécio foi o mais votado, ficaram do outro lado. Construir um muro com vários Estados envolvidos sai muito caro e é bem trabalhoso. Não é como separar Israel e a Cisjordânia, que são territórios minúsculos. 

 Este mapa é baseado nos resultados das eleições e deixa Roraima e Espírito Santo como conclaves da "Cuba do Sul". 

Aqui se repete a mesma ideia, mas inclui Acre e Rondônia, cuja maioria votou contra o PT, na "Nova Cuba" só porque são estados da Região Norte. Para aumentar o tom sarcástico da "proposta", sugeriram destruir Minas Gerais para construir um lago. Eles não explicam como arranjar o dinheiro para comprar as toneladas de explosivos necessárias para destruir um território equivalente ao da França inteira. Muito menos como lidar com os milhões de mineiros (matar todos esses "comedores de queijo"?)

 Aqui o Brasil é dividido não em dois, mas em três países, algo como "Estados Unidos do Sul" e Amazônia separados de um Brasil entregue ao PT. Esta manifestação de revolta nem é nova: data de 2011, após a primeira eleição de Dilma (ler mais AQUI)


Além disso, existem os velhos desejos da Região Sul e de São Paulo para se separarem politicamente do resto do país. 

Para se criar uma nova nação é preciso haver um clima de desobediência civil, pois não há amparo da Constituição. Segundo o primeiro artigo, a República Federativa do Brasil é "formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios, e do Distrito Federal". Pela via política é praticamente impossível, pois uma proposta semelhante não teria respaldo na maioria do Congresso, enquanto o Judiciário tenderia a classificar a manobra como inconstitucional. A saída mais eficaz seria usar a força das armas, mas seria preciso convencer outros países a apoiarem militarmente o movimento. Outros movimentos separatistas já foram tentados dessa forma, sendo o maior famoso deles a Guerra dos Farrapos, entre 1835 e 1845, onde os gaúchos lutaram contra o resto do Brasil, então governado por uma monarquia, para tentar implantar uma República.

Ou seja, querer a separação é diferente de consegui-la. É preciso muito mais esforço e disposição do que boa parte dos apoiadores do separatismo estão dispostos a empregar. 

Existem outros meios de coibir os desmandos vindos de Brasília, e eles não passam por tentativas de separatismo. Precisamos exercer mais os nossos direitos como cidadãos e não aceitar passivamente as decisões vindas dos Poderes, mas devemos fazer isso sem destruir patrimônio alheio e violar as normas democráticas. Além disso, adotar a ideia de divisão não colabora para o desenvolvimento do país, tanto os Estados mais pobres (que votaram na Dilma), onde a miséria e a ignorância escravizam a população local, quanto os Estados mais ricos (que votaram em Aécio), onde se paga muito imposto com baixíssimo retorno. 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Juros aumentam de novo

A taxa básica de juros, como era esperado, aumentou em 0,25%, para 11,25%.

Este é o caminho de um governo que queria ser marcado pelos juros baixos. A realidade, e também a insistência em gastar demais o NOSSO DINHEIRO, os forçou a tomar essa medida. 

Infelizmente, esse aumento não é garantia de controle da inflação. A gasolina ainda não foi reajustada, e várias outras tarifas poderão aumentar a qualquer momento. Já a conta de luz vai ficar realmente salgada, principalmente na região Norte. Em Roraima, foram autorizados a aumentar a conta em 54%, uma taxa digna dos anos 80, quando o Brasil era destruído pela hiperinflação. 

2014 será lembrado pelos brasileiros, assim como 2001 continua a ser lembrado pelos americanos. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mais profecias furadas deste blog

Este blog fez previsões sobre o que iria acontecer nas eleições deste ano. Mais uma vez, os fatos desmentiram: 



PT vai fazer uma campanha de baixíssimo nível e PSDB, com Aécio Neves, responderá agressivamente. Aécio vai lembrar a todos de quem é neto (Tancredo Neves). Eduardo Campos fará de tudo para emplacar, colocando Marina Silva sistematicamente na propaganda política. 

Parcialmente verdade: realmente houve uma campanha de baixíssimo nível, respondidas por Aécio de forma dura, às vezes no mesmo nível abissal dos petistas. Eduardo Campos morreu no acidente aéreo e Marina Silva participou ativamente da campanha, mas ficou pelo caminho. 




Muitos irão protestar contra a corrupção e haverá grupos "Não vai ter eleição!", com direito a protestos violentos e mortes. São Paulo vai chegar a parar por causa do vandalismo. 

Errado: não houve manifestações relevantes de baderneiros; fora ataques feitos nas redes sociais, o ambiente foi bastante tranquilo e ordeiro. 



A Bovespa oscilará de forma expressiva, de acordo com as pesquisas. O dólar também vai seguir o mesmo caminho. 

Verdade: esta profecia se cumpriu, pois isso foi também previsto pelos economistas. 



Haverá segundo turno entre Dilma e Aécio. Por uma pequena margem, o candidato tucano vencerá. É claro, o PT não ficará quieto e irá acionar o TSE alegando fraude. Será derrotado. Da mesma forma, o governador Alckmin vai ser reeleito, para aumentar a raiva no PT. 

Parcialmente verdade: houve segundo turno, mas Dilma venceu (por pequena margem). E de fato Alckmin foi reeleito. 



A CUT e os movimentos ditos "de esquerda" vão chiar e protestar contra o resultado das urnas, mas o neto do Tancredo adotará um discurso mais conciliador. Ele irá se preparar para um começo de governo difícil, com certa dificuldade para formar maioria no Congresso (com um ou outro deputado "exótico" que conseguiu eleger-se) e oposição cerrada do PT e de Lula. O PMDB vai querer entrar num acordo para aderir ao governo. Aécio vai colecionar mais cabelos brancos na cabeça e receber alguns conselhos do FHC. O Bolsa-Família não vai acabar. Já a inflação fará parte da "herança maldita" e ficará em 6,8% em 2014. O futuro presidente vai quebrar a cabeça para cortar gastos.

Errado: Aécio não foi eleito, embora estivesse muito perto disso; quem está no momento quebrando a cabeça para planejar um futuro governo é o PT junto com a Dilma. 


Como se sabe, eu previ o Brasil hexacampeão e Aécio vencedor, para alegria de muitos. O problema é ter acontecido o contrário: um vexame na Copa e Dilma, apesar de tudo, reeleita, para aumentar a amargura. Todavia, ainda há mais profecias feitas para o fim do ano, escritas naquela mesma postagem. Comentarei em janeiro, após o réveillon

domingo, 26 de outubro de 2014

Quem irá governar os Estados?

O segundo turno foi marcado por alguns revezes importantes do PT e seus aliados, ao lado de outras vitórias também consideráveis. Eis a lista de eleitos neste dia 26: 

Acre: Tião Viana (PT)
Amapá: Waldez (PDT)
Amazonas: José Melo (PROS)
Ceará: Camilo Santana (PT)
Distrito Federal: Rollemberg (PSB)
Goiás: Marconi Perillo (PSDB)
Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PSDB)
Pará: Simão Jatene (PSDB)
Paraíba: Ricardo Coutinho (PSB)
Rio de Janeiro: Luís Fernando Pezão (PMDB)
Rio Grande do Norte: Robson Faria (PSD)
Rio Grande do Sul: José Ivo Sartori (PMDB)
Rondônia: Confúcio Moura (PMDB)
Roraima: Suely Campos (PP)

O PT venceu, dentre os Estados onde houve segundo turno, apenas no Acre e no Ceará. O PMDB, embora via de regra seja um aliado, foi um opositor no Rio Grande do Sul. Tarso Genro estava concorrendo junto com Ivo Sartori, e perdeu. 

Segunda chance para Dilma

Depois de uma eleição marcada por ataques repulsivos e despropositados, finalmente o Brasil pôde votar. 

Resolveram dar uma nova chance ao PT de Dilma, apesar da destruição da Petrobras e das denúncias feitas pelo doleiro do esquema, Alberto Youssef, além de outros casos de corrupção política que ROUBARAM DESPUDORADAMENTE O NOSSO DINHEIRO. Isso, porém, não vai significar carta branca para o governo. 

Dilma Rousseff vai exercer o segundo mandato em 2015

Primeiro: a diferença de votos para Aécio Neves foi pequena: 51,6% contra 48,4% dos votos, em números aproximados; desta vez os institutos de pesquisa acertaram, tanto o Datafolha quanto o Ibope; vale lembrar que Dilma, nas pesquisas de toda a campanha, sempre esteve na frente, a não ser nos primeiros dias do segundo turno, quando Aécio ficou com 51% segundo o Datafolha. 

Segundo: muitos eleitores se abstiveram e eles tanto poderiam anular a reeleição de Dilma quanto legitimar ainda mais a vitória caso comparecessem às urnas; de qualquer forma, isso mostra que o PT foi eleito por uma minoria dos eleitores. 

Terceiro: o PT perdeu no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, e só tem um Estado no Centro-Sul inteiro onde o governador é do partido: justamente Minas Gerais, a terra onde seu oponente eleitoral Aécio Neves governou por dois mandatos e fez o sucessor, Antônio Anastasia; os petistas dependem mais do apoio do Nordeste e do Norte e menos das outras regiões. 

Quarto: o Congresso Nacional está fragmentado em mais partidos, sendo que o PT e seu maior aliado, o PMDB, perderam vagas: atualmente, são 88 deputados petistas e em 2015, serão 71, segundo o portal G1; o número de peemedebistas cairá de 71 para 66; por outro lado, cada um dos dois partidos perdeu uma vaga no Senado, passando a ter 18 membros do PMDB e 12 do PT. 

Para um cenário assim, o PT dificilmente irá conseguir impor certas ideias, como a tal "regularização da mídia", sem tenaz e firme resistência da oposição e da imprensa, principalmente a do Sul, do Centro-Oeste e do Sudeste. Certamente terão que adotar medidas mais racionais para lidar com a economia, se não quiserem ver o Brasil entrar numa mistura fabulosa de recessão com inflação, e prejudicar o combate à miséria. Precisarão tentar fazer as pessoas esqueceram a artificial divisão entre ricos e pobres durante a campanha, contando com a ideia pré-concebida da "memória curta". Porém, não vão conseguir calar as vozes discordantes, que prometerão atuar com mais firmeza e coragem do que nestes 12 anos de governo petista.

O Brasil não vai acabar. Este país não foi derrotado porque um ou outro ganhou, mas terá de aprender a não deixar que o eleito atrapalhe seu caminho para o progresso e a dignidade de todos os cidadãos, ricos ou pobres, e para garantir seu lugar neste planeta. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A hora de votar está chegando

Pelos números apresentados, com empates técnicos ou valores muito próximos entre eles, e uma considerável porcentagem de indecisos, brancos e nulos, segundo os (questionados) institutos de pesquisas, há uma certeza: o presidente poderá ser eleito por uma minoria, e não pela maioria. 

Caso isso vir a acontecer, a legitimidade do eleito será posta em xeque mesmo antes dele tomar posse. Isso é depressivo, ainda mais considerando um país desfigurado pela corrupção, miséria, desobediência às leis (principalmente à maior delas, a Constituição), criminalidade, hospitais públicos em situação precária, piora na economia e péssimo sistema educacional. 

Hoje, os candidatos têm uma última chance de atrair mais votos em nível nacional, pelo debate da Rede Globo. Pensa-se que eles irão se comportar, mas os debates para governadores no segundo turno, feitos pela mesma emissora, indicam que não. O pior caso é o Rio de Janeiro, onde os candidatos Luís Fernando Pezão e Antônio Crivella tiveram um entrevero bastante intenso. Crivella está com 45% dos votos válidos, segundo o Ibope. Ou seja, parece ter chances de virar o jogo sobre o atual governador, que ocupou a vaga de Sérgio Cabral Filho. E um detalhe: os dois são apoiados por Dilma. Seria ainda pior se um deles tivesse o apoio de Aécio. 

Isto é um sinal do que poderemos ver hoje à noite. A militância ainda pode ficar ativa no sábado. Já a palavra final será do eleitor comum, que irá se manifestar no domingo. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

40 destinos impossíveis para o Brasil

É preciso deixar bem claro que o Brasil é um país com suas particularidades. Independente de quem ganhar esta eleição, esta nação não vai ser, até 2018: 

1. Venezuela
2. Cuba
3. Puerto Rico
4. Guantánamo
5. Um sonho eterno
6. Um pesadelo sem fim
7. Uma potência respeitável
8. Um país sem relevância alguma
9. O paraíso
10. O inferno
11. Um lugar sem pobreza
12. Um lugar sem riqueza
13. O país mais corrupto do mundo
14. O país menos corrupto do mundo
15. Prodígio na educação
16. Lugar só de imbecis
17. Uma economia de 10% ao ano de crescimento
18. Uma economia de -10% ao ano de crescimento
19. O país da hiperinflação
20. Um país sem inflação
21. Brasilistão
22. China
23. O Estado Islâmico
24. Um país onde os impostos são rigorosamente aplicados na saúde e na educação
25. Ou apenas para encher a cueca dos políticos
26. Petistão
27. Tucanistão
28. Merdistão
29. Pátria de hospitais públicos padrão Sírio-Libanês
30. Ou de hospitais particulares padrão Serra Leoa
31. Uma democracia perfeita
32. Uma tirania perfeita (existe tirania que não seja defeituosa?)
33. Onde só rios limpos correm
34. Onde só rios de esgoto e sangue correm
35. Uma imensa Garanhuns
36. Uma imensa Sorbonne
37. Cingapura tamanho gigante
38. Cracolândia tamanho gigante
39. O melhor país do Universo
40. A maior bosta do Universo

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Em 2010, era a Veja contra a IstoÉ. Agora...

... é a IstoÉ junto com a Veja. Contra eles, a Carta Capital.




A Época, revista do Grupo Globo, resolveu adotar um viés um pouco mais neutro. Há quem veja nisso uma postura adesista do poderoso grupo dos Marinho. Outros acham que se trata de imparcialidade. Na verdade, a revista também tende a favorecer Aécio.


É a mídia fazendo panfletagem a favor de um ou outro candidato. Tudo isso é natural, como em qualquer democracia, mas a obrigação dos meios de comunicação é divulgar a verdade e não espalhar boatos.

O que cada candidato prometeu nas campanhas e realmente fez

Dilma:

http://www.folhapolitica.org/2014/02/dilma-inicia-ultimo-ano-de-mandato-sem.html

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/dilma-so-cumpriu-uma-entre-dez-grandes-metas/

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/o-que-foi-realizado-e-o-que-ficou-so-na-promessa-de-dilma/


Aécio:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/04/1436166-desigualdade-resiste-apesar-de-promessa-tucana-em-mg.shtml

 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1308200616.htm


Foi bem mais fácil pesquisar algo sobre Dilma do que sobre Aécio neste sentido. Certamente não é bom para a presidentA, mas tampouco é necessariamente bom para Aécio. A falta de notícias sobre promessas não cumpridas de Aécio durante seu governo em Minas (2003 a 2010) parece denotar certa falta de transparência (curiosamente, transparência é um dos motes da campanha tucana e também da - nebulosa na prática - campanha petista). Ele renunciou em 2010 para se eleger senador, deixando no lugar Antonio Anastasia, que foi eleito no mesmo ano. No período de governo Anastasia não houve avanços sociais e econômicos dignos de nota, e ainda houve a crise hídrica que atingiu em cheio o Estado. Isso prejudicou Pimenta da Veiga, o candidato do governo para 2014, e fez eleger o petista Fernando Pimentel já no primeiro turno.

 Não tive o trabalho de pesquisar nos blogs, onde há muita paixão partidária anti-petista e anti-tucana.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Datafolha dá mais ânimo aos petistas

Após o debate na Record, onde os presidenciáveis evitaram a pancadaria e trataram de discutir propostas, saiu a pesquisa no Datafolha dando uma ligeira vantagem à Dilma. São 52% para a presidentA-candidata e 48% para Aécio. 

Estes números dão alento à campanha do PT, marcada por verdadeiras desconstruções aos adversários. O partido pode manter o tom, julgando que a estratégia está dando certo. 

Contudo, muita coisa pode acontecer. Boa parte dos eleitores mais esclarecidos está acompanhando o movimento da Bovespa e o comportamento do dólar. As notícias não são nada boas: quedas seguidas na Bolsa e a moeda americana já chegou a R$ 2,50, antes de recuar. 

Outra notícia pode prejudicar a campanha de Dilma: o Banco do Brasil deu um empréstimo com juros de 4% ao ano à participante do Mulheres Ricas, Val Marchiori. Ela é amiga do presidente do banco, Aldemir Bendine, e conseguiu o empréstimo mesmo sem comprovar renda. 

Por outro lado, Aécio tem um sério problema, desta vez em São Paulo e Minas Gerais: a seca está ameaçando destruir o sistema Cantareira, que já está em pífios 3,5%. 

São notícias que serão exploradas nesta semana decisiva e no último debate, na Rede Globo. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Novo debate mostra a ferocidade da campanha atual

O marketing da campanha dos dois candidatos fez o debate de hoje no SBT virar um ringue de MMA, com direito a ataques pessoais. Utilizando um exemplo dos mais "suaves", Dilma acusou Aécio de dirigir embriagado e ter a carteira apreendida. Aécio se referiu a Dilma como "mentirosa", deixando de lado os eufemismos adotados no debate passado. 

Aumentaram as trocas de acusações de corrupção, graças a Paulo Roberto Costa, que resolveu denunciar também o PSDB, mais precisamente o ex-líder do partido, Sérgio Guerra, atualmente já falecido. Ele recebeu propina da Petrobras em 2009, a fim de esvaziar uma CPI contra a empresa. 

No entanto, Aécio mostrou de novo estar mais preparado para um debate. Desta vez ele se armou melhor contra as várias armadilhas montadas pelo PT neste e no debate da última terça, entre as quais as denúncias sobre os aeroportos e as supostas irregularidades durante as privatizações durante o governo tucano de FHC. Dilma titubeou várias vezes e, no final do programa, passou mal. 

Se havia dúvidas sobre quem ganhou o debate na Band, desta vez, para os analistas, foi diferente. Resta saber como este debate vai contribuir para as urnas. Pela troca de acusações e falta de propostas, a contribuição para melhorar o exercício da política foi negativa. 

Novo Mineirazo, mas para o Corinthians

Repercutiu amplamente a goleada do Atlético-MG sobre o Corinthians por 4 a 1, nas quartas-de-final da Copa do Brasil. O time mineiro estava quase condenado depois do 2 a 0 no jogo de ida, em Itaquera. Não era uma tarefa fácil, ainda mais porque quase estiveram a ponto de ver seu goleador, Diego Tardelli, sem atuar depois do amistoso da Seleção. O fato de outro atacante do time estar em uma crise séria - o famigerado Jô - não chegou a atrapalhar o resto do elenco. 

Paolo Guerrero ameaçou tornar a missão dos atleticanos um pesadelo, ao abrir o placar no Mineirão logo no começo. Depois, houve a reação. Luan empatou o jogo aos 23 minutos. Guilherme virou 8 minutos depois e a tarefa continuava complicada, não tanto devido ao empenho dos atacantes do Galo, Diego Tardelli inclusive, mas principalmente porque Cássio estava atento. No segundo tempo, o esforço dos mineiros foi recompensado, com mais um gol de Guilherme e um de Edcarlos, este quase no fim da partida. 

Para o Corinthians, a goleada com gosto de Mineirazo virou piada na Internet. Os 4 a 1 não podem ser comparados àquela partida do 8 de julho, mas também representam um belo vexame para um time que nada ganhou neste ano e corre o risco de ficar fora da Libertadores em 2015. Mano Menezes provavelmente não será mais o técnico até lá e aguentou a gozação dos atleticanos que imitaram sua dança no Arena Corinthians.

Já o Atlético-MG fez lembrar sua campanha sofrida na Libertadores, quando teve de reverter placares atrozes para conseguir, finalmente, seu primeiro título naquele torneio, em 2013. 

Em tempo: o citado Jô, que havia participado no 8 de julho pela Seleção, não jogou e provavelmente não jogará mais pelo Atlético-MG. Sua carreira, após vários jogos sem fazer gol e ainda por cima marcada pela passagem na Copa deste ano, está seriamente comprometida. Já Diego Tardelli contribuiu como pôde, mas não fez gol e teve de sair no segundo tempo. Seu colega de Seleção Elias, do Corinthians, entrou mas não conseguiu contribuir para evitar o desastre.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Da série 'Mondo Cane', parte 35

Adivinhem qual é o cenário? Se você disser sobre um certo país, acertou. Mais precisamente, na capital do país. 

O Senado Federal vai dar o nome de um ex-político a um de seus prédios, como toda nação civilizada faz. Porém, com tantos nomes honrados, escolheram justamente o nome de um cacique político da Paraíba que tentou matar um oponente político quando era governador. Ele morreu em 2012. 

Ronaldo Cunha Lima, se fosse político nos Estados Unidos, morreria na prisão. Porém, estamos no Brasil e por aqui a Justiça é leniente com casos assim. Ele não foi sequer julgado por tentativa de homicídio doloso. Renunciou ao mandato de deputado quando o STF reabriu o caso, em 2007. 

Um país que homenageia alguém disposto a matar um adversário político merece ser tratado como um pária internacional. 

Breve relato sobre o debate da Band

Dilma e Aécio protagonizaram um debate marcado por acusações mútuas, utilizando termos mais polidos do que "ignorante", "desonesto" e "mentiroso", sempre de acordo com as orientações dos responsáveis pelas campanhas. 

A candidata-presidente insistiu em falar sobre o governo de Minas Gerais e também salientou a importância de se ter 50 milhões de beneficiados pelo Bolsa-Família (*). Ela também falou sobre os Pronatecs, criadas em 2011 como versões federais das ETECs do governo paulista. 

Já o tucano atacou os pontos falhos do governo federal, como a política de segurança pública, a má gestão dos serviços públicos, o péssimo retorno dos impostos e a corrupção, sobretudo na Petrobras. Ele falou bastante de Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central que poderá ser ministro da Fazenda, em caso de vitória de Aécio. 

De certa forma, Aécio repetiu seu desempenho nos debates anteriores. Dilma, de certa forma, também. Os dois foram agressivos, mas o tucano parecia mais firme e com pensamento mais fluente, enquanto a presidentA parecia atordoada em alguns trechos do debate (**). Quando a platéia se manifestava, na grande maioria das vezes era a favor do neto do Tancredo.

Muitos trechos do debate cansaram os telespectadores, porque muito se falava em Minas Gerais e pouco no resto do Brasil. Também se falou demais sobre o Bolsa Família e da paternidade desse programa social, como se fosse bom o Estado fazer assistencialismo ao invés de incentivar a criação de empregos. Foi exasperante ver e ouvir as acusações mútuas de "inventar dados", "confabular", "estar desinformado(a)", "não dizer a verdade", "criar lendas". Dá a incômoda sensação de que seremos escravos da mentira e da mistificação por mais 4 anos. 



(*) 50 milhões de pessoas é um número elevado, mas preocupante. Não é bom que tanta gente, correspondente a aproximadamente 25% da população, esteja dependendo do governo para sobreviver. 

(**) Curiosamente, nas considerações finais foi Dilma que falou de firmeza, em um discurso esforçado e pausado

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Até agora, tudo bem

Neymar foi o grande destaque da goleada feita sobre a limitada seleção japonesa. Foram 4 gols, todos dele. O primeiro aos 17 minutos, e os demais na etapa final: aos 2, aos 31 e aos 35 minutos. Ele ainda se deu ao luxo de perder outras chances, e não pôde culpar o gramado ruim de Cingapura. 

O capitão Neymar, entre Luiz Gustavo e Oscar, comemora um de seus quatro gols (Reuters)

Vale lembrar a atuação do time no segundo tempo, principalmente com a entrada de Robinho e Kaká. Os demais jogadores também se comportaram relativamente bem, embora os remanescentes da Copa da vergonha (Oscar, William, Luiz Gustavo, todos do meio de campo, pois David Luiz não participou devido à lesão) não se destacassem e podem inclusive serem descartados em jogos mais sérios, como a Copa América e as eliminatórias. Jefferson, Diego Tardelli, Philippe Coutinho, Filipe Luís, Miranda, Everton Ribeiro e Elias corresponderam às expectativas de Dunga e da torcida. Gil não chegou a comprometer apesar de algumas falhas (como aconteceu quando Kobayashi chutou para o gol sem sucesso), mas sua permanência no time canarinho não é muito provável. Por ser um amistoso, houve várias substituições para Dunga testar os jogadores, algo que ele não fez no Superclássico contra a Argentina, que é considerado um jogo oficial (e mesmo se não fosse, um jogo contra os arquirrivais sul-americanos nunca é um amistoso). 

Apesar do enorme brilho do astro do Barcelona e ex-menino da Vila, é cedo ainda para dizer se eles serão dignos de participar da Copa de 2018 na Rússia, após o Mineiratzen

Hoje também há algo mais importante: é o primeiro debate do segundo turno, entre Aécio Neves e a presidentA Dilma.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ainda sobre os Nobel

Hoje terminou a premiação dos prêmios mais famosos vindos da Escandinávia, com a entrega do Prêmio Especial de Economia (não idealizado por Alfred Nobel, pois começou a ser oferecido em 1969, e também não entregue em Estocolmo, mas em Oslo, na Noruega) ao francês Jean Tirole, pelo seu estudo sobre a dinâmica das grandes corporações, sua influência sobre os mercados e a sua tendência a se tornarem ineficientes, caso não houver um planejamento complexo. 

O Nobel de literatura foi para outro francês, Patrick Modiano, pelo conjunto da obra que reúne os traumas sofridos pela ocupação nazista em seu país. Os franceses já ganharam muitos prêmios, como Anatole France, André Gide, Albert Camus, Jean-Paul Sartre. Quem recebeu o primeiro Nobel de literatura foi Sully Proudhomme. 

Por fim, o considerado mais nobre de todos os Nobel foi entregue a uma jovem paquistanesa, vítima da violência talibã: Malala Yousafzai, de apenas 17 anos. Ela foi impedida de estudar pelos terroristas radicais, e ainda levou um tiro na cabeça. Conseguiu sobreviver para mostrar a terrível situação das meninas em seu país. É a pessoa mais jovem a ganhar um Nobel. Ganhou juntamente com o professor indiano Kailach Satyarthi, ativista na luta contra a exploração do trabalho infantil. Os dois representam duas nações inimigas entre si - Paquistão e Índia - e representam os esforços para uma humanidade mais justa. 

No Brasil, a repercussão de todos esses prêmios foi, como sempre, morna. Continuamos mais preocupados com a Seleção Brasileira, que venceu a Argentina por 2 a 0 no "Superclássico das Américas". Falou-se muito no Diego Tardelli e nas falhas de Neymar e Messi, mas pouco sobre a possibilidade do nosso país vir a produzir talentos dignos de ganhar um Nobel, a longo prazo. Por enquanto, não temos a capacidade nem de gerar craques no futebol. 

Não há Ebola no Brasil... ainda

O segundo resultado do refugiado guineense Souleymane Bah deu negativo para o Ebola, a moléstia para a qual não foi encontrada cura e está sendo comparada à AIDS e à peste negra. 

Isso aumenta as probabilidades da doença ainda não ter se adentrado em território brasileiro, mas lança um alerta: nosso controle sanitário ainda é extremamente falho. 

Caso a doença se espalhar por aqui, encontrará um terreno muito favorável. Nosso sistema de saúde, já abaixo de qualquer crítica, estará paralisado. Veremos algo não igual, mas semelhante ao cenário dos países atingidos: Guiné, Serra Leoa e Libéria, no oeste do continente africano. 

Nenhum país está totalmente a salvo desta nova ameaça. Até mesmo nos EUA já houve uma morte, de um liberiano refugiado, Thomas E. Duncan. Um enfermeiro foi contaminado e está em tratamento. 

Mesmo com o Ebola ainda longe do Brasil, qualquer informação sobre a doença é valiosa, enquanto não se descobre uma vacina. 

Sangue, saliva, esperma e outros fluidos corporais são veículos de transmissão da doença, cujo período de incubação varia entre 5 a 12 dias, dependendo da forma. A possibilidade de se pegar a doença por via indireta (por exemplo, quando se manuseia um objeto tocado por um doente) parece ser muito remota. 

Pelos sintomas iniciais - febre, dores de cabeça e garganta, fraqueza, olhos avermelhados - é difícil haver um diagnóstico preciso. É fácil confundir com dengue ou gripe. A fase crítica da doença, com maior probabilidade de contágio, envolve problemas no fígado e nos rins, vômitos, diarreia e, em certos casos, hemorragias. Sem tratamento, o índice de letalidade pode variar, em função do tipo de vírus e das condições clínicas do paciente, podendo chegar a 90%. Nações com deficiências em infra-estrutura médica são extremamente vulneráveis. É o caso dos países onde a epidemia ataca - e também do Brasil. 

Cabe ao governo redobrar os esforços para evitar a chegada da doença ao Brasil. Para a nossa sorte, o refugiado da Guiné não está com a doença, mas outras pessoas vindas dos territórios infestados virão. Sem o devido preparo, estamos condenados. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mais um placar bizarro

Novamente aconteceu no futebol brasileiro. Depois do 7 a 1 tomado pela Seleção e do 6 a 0 sofrido pelo Palmeiras diante do Goiás, ainda há o 5 a 0, hoje, do Internacional diante do Chapecoense. 

Mesmo com a estréia de Nilmar, o time colorado passou vergonha diante de um time considerado pequeno, e ainda por cima ameaçado de rebaixamento. Neste contexto, pode-se dizer que o resultado "conquistado" pode ser considerado ainda mais amargo do que os vexames presenciados pelas torcidas da Seleção Brasileira e do Palmeiras. 

Por falar nesses times, o Palmeiras havia ganho ontem por 1 a 0 do agora lanterna Botafogo (destruído pela péssima gestão, dívidas milionárias, salários atrasados e conflitos com Emerson Sheik e Bolívar, dois dos quatro dispensados pelo clube), enquanto dois "vilões" da Copa se enfrentaram hoje, em outro jogo do Brasileirão: Jô pelo Atlético Mineiro (no lugar de Diego Tardelli, na Seleção) e Fred pelo Fluminense. Nenhum deles fez gol. Aliás, o jogo ficou com o placar zerado e os dois times, de forma merecida, acabaram fora do G4. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Estão premiando os Nobel em Estocolmo, mas por aqui...

Até agora foram distribuídos três Prêmios Nobel: 

- Medicina, para o americano John O'Keefe e o casal de noruegueses May-Britt e Edvard Moser, responsáveis pelos estudos sobre a capacidade do cérebro de indicar rotas, como se houvesse um GPS na memória; 

- Física: para o trio de japoneses Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura e a fabricação das lâmpadas de LED, mais eficientes do que qualquer outro tipo de lâmpada; 

- Química: para William Moemer, Eric Betzig e Stefan Hell, pela técnica de fluorescência para microscópios capazes de detectar moléculas e possibilitar a observação de interações químicas em células. 

Ainda restam as categorias Paz e Literatura, assim como o prêmio especial para as Ciências Econômicas. 

Por falar em Ciências Econômicas, o Brasil, que jamais ganhou um Nobel em sua história, merecia o anti-Nobel (igNobel) de Economia pelos índices econômicos mostrados neste ano:

1. A inflação saiu de controle e ultrapassou o topo da meta: 6,75% nos últimos 12 meses. 
2. O FMI reviu o crescimento do PIB brasileiro para míseros 0,3% em 2014. 
3. A Bovespa entrou em pânico quando Dilma cresceu nas pesquisas, passou a subir bastante após as eleições, mas está voltando a cair devido às notícias vindas do Fed, que deve diminuir os estímulos à economia norte-americana. 
4. Há tendências ao aumento no desemprego. 
5. O impacto da crise hídrica nas contas de água e luz poderá ser bastante significativo. Pode haver um grande aumento nas tarifas principalmente devido ao uso de termoelétricas, cujo custo operacional é bem mais elevado do que o das hidrelétricas. 
6. Em setembro, houve um déficit comercial de US$ 939 milhões, ou seja, importamos mais do que exportamos, e isso é péssimo. Ficamos dependentes de matérias-primas como milho, soja, minério de ferro e carne bovina, e esses itens tiveram forte redução: 16,1% para a carne e 38,9% para o milho, por exemplo, em relação ao mesmo mês em 2013. 

Não há como aprovar um governo que mostra tais números. O próximo governo deve se esforçar para melhorá-los, ou todos nós, brasileiros, estaremos condenados. 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os deputados eleitos

Continuando a postagem anterior, temos ainda os deputados federais e estaduais. Vou destacar os de São Paulo, mas também citar alguns de outros Estados: 

Deputados Federais: 


Celso Russomanno (PRB) 1.524.361 votos

Tiririca (PR) - 1.016.796 votos

Pastor Marco Feliciano (PSC) – 398.087

Bruno Covas (PSDB) – 352.708

Rodrigo Garcia (DEM) – 336.151

Carlos Sampaio (PSDB) – 295.623 votos

Duarte Nogueira (PSDB) – 254.051 votos

Ricardo Trípoli (PSDB) – 233.806 votos

Samuel Moreira (PSDB) – 227.210 votos

Paulinho da Força (SD) – 227.186 votos

Baleia Rossi (PMDB) – 208.352 votos

Eduardo Cury (PSDB) – 185.638 votos

Marcio Alvino (PR) – 179.950 votos

Major Olimpio Gomes (PDT) 179.196 votos

Jorge Tadeu (DEM) – 178.771 votos

Bruna Furlan (PSDB) – 178.606 votos

Luiza Erundina (PSB) – 177.279 votos

Vitor Lippi (PSDB) - 176.153 votos

Silvio Torres (PSDB) - 175.310 votos

Andres Sanchez (PT) – 169.834 votos

Ivan Valente (PSOL) – 168.928 votos

Miguel Haddad (PSDB) – 168.278 votos

Alex Manente (PPS) – 164.760 votos

Jefferson Campos (PSD) – 161.790 votos

Guilherme Mussi (PP) – 156.297 votos

Arnaldo Jardim (PPS) – 155.278 votos

Mara Gabrilli (PSDB) - 155.143 votos

Missionário José Olímpio (PP) – 154.597 votos

Vanderlei Macris (PSDB) - 148.449 votos

Zarattini (PT) – 138.286 votos

Antonio Bulhões (PRB) – 137.939 votos

Arlindo Chinaglia (PT) - 135772 votos

Eli Corrêa Filho (DEM) – 134.138 votos

Roberto Alves (PRB) – 130.516 votos

Ana Perugini (PT) – 121.681 votos

Gilberto Nascimento (PSC) – 120.044 votos

Vicente Cândido (PT) – 117.652 votos

Papa (PSDB) – 117.590 votos

Milton Monti (PR) - 115.942 votos

Floriano Pesaro (PSDB) – 113.949 votos

Ricardo Izar (PSD) – 113.547 votos

Arnaldo Faria de Sá (PTB) – 112.940

Edinho Araújo (PMDB) - 112.780

Nelson Marquezelli (PTB) – 112.711 votos

Paulo Teixeira (PT) 111.301 votos

Paulo Freire (PR) – 111.300 votos

Alexandre Leite (DEM) – 109.708 votos

Evandro Gussi (PV) – 109.591 votos

Luiz Lauro Filho (PSB) – 105.247 votos

Ota (PSB) – 102.963 votos

Nilto Tatto (PT) – 101.196 votos

Herculano Passos (PSD) – 92.583 votos

Goulart (PSD) - 92.546 votos

Orlando Silva – (PC do B) – 90.641 votos

Flavinho (PSB) – 90.437 votos

Vicentinho (PT) – 89.001 votos

Walter Ihoshi (PSD) – 88.070 votos

Renata Abreu (PTN) – 86.647 votos

Valmir Prascidelli (PT) - 84.419 votos

José Mentor (PT) – 82.368 votos

Eduardo Bolsonaro (PSC) – 82.224 votos

Vinicius Carvalho (PRB) – 80.643 votos

Roberto de Lucena (PV) – 67.191 votos

Dr. Sinval Malheiros (PV) – 59.362 votos

Capitão Augusto (PR) – 46.905 votos

Sergio Reis (PRB) – 45.330 votos

Miguel Lombardi (PR) – 32.080 votos

Beto Mansur (PRB) – 31.301 votos

Marcelo Squasoni (PRB) – 30.315 votos

Fausto Pinato (PRB) – 22.097 votos


Ainda teve gente com coragem para reeleger Tiririca, mas ele perdeu votos para Celso Russomanno, que ajudou a eleger mais gente graças ao "quociente eleitoral", mecanismo inventado para inchar o "baixo clero" da Câmara com representantes de partidos nanicos como o PRB, partido de Russomanno e da Igreja Universal. A caranguejola matemática é o resultado da divisão do número total de votos pelo partido pelo número de vagas reservadas. 

O terceiro mais votado em São Paulo foi o Marco Feliciano, aquele da Comissão dos Direitos Humanos. O PSC conseguiu eleger mais dois, e um deles é Eduardo Bolsonaro (filho do conhecido Jair Bolsonaro, deputado carioca). Somente a partir do quarto colocado podemos encontrar representantes dos grandes partidos, a partir de Bruno Covas, do PSDB. 

No Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro conseguiu uma das vagas, assim como Jean Wyllys (o ex-BBB militante gay), Índio da Costa (ex-candidato a vice-presidente em 2010 na chapa de José Serra) e Miro Teixeira. 

No Rio Grande do Sul, destaque para um ex-goleiro do Grêmio, Darnlei. Espiridião Amin foi eleito em Santa Catarina. Pernambuco fez eleger uma porção de membros do PSB, partido do finado Eduardo Campos. O filho de Zé Dirceu ganhou uma vaga no Paraná. Sarney Filho foi o único membro da família que se deu bem no Maranhão. João Carlos Aleluia conseguiu vaga na Bahia. 



Deputados Estaduais: 

Segue a lista dos deputados estaduais eleitos para a Assembléia Legislativa de São Paulo.

FERNANDO CAPEZ PSDB  306.807
CORONEL TELHADA PSDB  253.653
ORLANDO MORANDO PSDB  236.991
TRIPOLI PV 232.290
DELEGADO OLIM PP  195.330
BARROS MUNHOZ PSDB  194.930
CAMPOS MACHADO PTB 192.138
FELICIANO PEN 188.681
JORGE WILSON XERIFE CONSUMIDOR PRB  177.395
MAURO BRAGATO PSDB  175.828
EDMIR CHEDID DEM  167.895
CARLOS GIANNAZI PSOL  164.710
PEDRO TOBIAS PSDB  164.160
ANDRÉ DO PRADO PR 157.335
RODRIGO MORAES PSC 153.370
ANALICE FERNANDES PSDB  151.377
LUIZ FERNANDO MACHADO PSDB  148.607
MILTON LEITE FILHO DEM  142.385
HELIO NISHIMOTO PSDB  137.216
ROBERTO MORAIS PPS  133.573
ROGÉRIO NOGUEIRA DEM  132.553
ANDRÉ SOARES DEM  126.810
CARLOS BEZERRA JR PSDB 124.993
CAIO FRANÇA PSB 122.800
REINALDO ALGUZ PV 122.776
ROBERTO ENGLER PSDB  122.541
CAUÊ MACRIS PSDB  121.671
RAFAEL SILVA PDT 121.217
MARIA LÚCIA AMARY PSDB  120.308
VAZ DE LIMA PSDB  113.162
PR CARLOS CEZAR PSB 112.321
ENIO TATTO PT 108.024
GIL LANCASTER DEM  107.691
GIRIBONI PV 105.965
MARCOS NEVES PV 105.748
PASTOR CEZINHA DEM  105.217
CARUSO PMDB  104.273
LUIZ FERNANDO PT 102.860
GILMACI SANTOS PRB  102.077
CELIA LEAO PSDB  101.644
MARTA COSTA PSD  100.843
ITAMAR BORGES PMDB  99.547
ALENCAR SANTANA PT 98.282
CARLÃO PIGNATARI PSDB  97.438
SEBASTIÃO SANTOS PRB  95.323
BARBA PT 95.026
ROBERTO MASSAFERA PSDB  93.254
MILTON VIEIRA PSD  92.849
ALDO DEMARCHI DEM  92.770
RITA PASSOS PSD  92.362
CELINO PSDB  92.341
GONDIM SD 88.609
FERNANDO CURY PPS  85.916
MARCOS MARTINS PT 83.677
WELLINGTON MOURA PRB  83.401
PADRE AFONSO PV 81.753
DAVI ZAIA PPS  80.905
WELSON GASPARINI PSDB 80.550
RAMALHO DA CONSTRUCAO PSDB  79.838
PASTOR CELSO NASCIMENTO PSC 79.412
ESTEVAM GALVÃO DEM  78.760
LUIZ TURCO PT 78.601
BOLÇONE PSB 76.909
MARCOS ZERBINI PSDB  76.773
CELSO GIGLIO PSDB  76.272
CHICO SARDELLI PV 75.674
JOSÉ AMÉRICO PT 74.683
JOÃO PAULO RILLO PT 72.879
ROQUE BARBIERE - ROQUINHO PTB 72.510
ANA DO CARMO PT 72.235
LÉO OLIVEIRA PMDB  72.153
LECI BRANDÃO PC do B 71.017
MARCIA LIA PT 70.931
MARCIO CAMARGO PSC 69.579
JOOJI HATO PMDB  67.068
CORONEL CAMILO PSD  64.339
ED THOMAS PSB 64.150
BETH SAHÃO PT 63.159
ATILA JACOMUSSI            PC do B 62.818
ALEXANDRE PEREIRA SD 60.218
GERALDO CRUZ PT 60.075
MARCOS DAMÁSIO PR 59.199
ZICO PRADO PT 58.954
CURIATI PP 55.113
CORONEL EDSON FERRARINI PTB 52.188
CASSIO NAVARRO PMDB  50.077
RAUL MARCELO PSOL  47.923
ADILSON ROSSI PSB 47.243
IGOR SOARES PTN  46.628
RICARDO MADALENA PR 45.769
RAFA ZIMBALDI PP  38.824
PAULO CORREA JR PEN 38.454
GILENO PSL  34.187
CLELIA GOMES PHS 25.275


Aproveito para registrar o status dos candidatos de cinco Estados não relacionados na postagem anterior: 

Acre: Tião Viana (PT) e Márcio Bittar (PMDB) disputarão o cargo de governador. 

Alagoas: Renan Calheiros Filho (PMDB) eleito governador. 

Pará: Segundo turno entre Helder Barbalho (PMDB) e Simão Jatene (PSDB). 

Rio Grande do Norte: Henrique Alves, Presidente da Câmara até meados deste ano (PMDB), disputará com Robinson Faria (PSD). 

Roraima: Sueli Campos (PP) contra Chico Rodrigues (PSB). 

domingo, 5 de outubro de 2014

Os resultados das eleições

Excepcionalmente, voltei a postar no domingo para comentar as eleições. 

O resultado das urnas não me surpreendeu. Primeiro, vou falar da escolha para o Senado Federal. Cada Estado só pôde eleger um candidato. No Rio de Janeiro, foi o ex-jogador Romário (PSB). No Ceará, foi Tasso Jereissati (PSDB), muito influente por lá. Ronaldo Caiado (DEM) venceu em Goiás. Kátia Abreu (PMDB), a líder do agronegócio, foi eleita em Tocantins. A má notícia veio de Alagoas: reelegeram Fernando Collor (PTB). Finalmente, em São Paulo, José Serra (PSDB). 

Na disputa para governador, começo por Geraldo Alckmin (PSDB), reeleito em São Paulo. Outros também foram merecedores da confiança do eleitor: 

Bahia: Rui Costa (PT)
Espírito Santo: Paulo Hartung (PSB)
Maranhão: Flávio Dino (PC do B) (*)
Mato Grosso: Pedro Taques (PDT)
Minas Gerais: Fernando Pimentel (PT)
Paraná: Beto Richa (PSDB). 
Pernambuco: Paulo Câmara (PSDB)
Piauí: Wellington Dias (PT)
Santa Catarina: Raimundo Colombo (PSD)
Sergipe: Jackson Barreto (PMDB)

Outros estados vão decidir seus governadores no segundo turno: 

Amapá: Waldez (PDT) x Camilo Capiberibe (PSB)
Amazonas: José Melo (PROS) x Eduardo Braga (PMDB)
Ceará: Camilo Santana (PT) x Eunício Oliveira (PMDB)
Distrito Federal: Rollemberg (PSB) x Jofran Frejat (PR)
Goiás: Marconi Perillo (PSDB) x Íris Rezende (PMDB)
Mato Grosso do Sul: Delcídio Amaral (PT) x Reinaldo Azambuja (PSDB)
Paraíba: Cássio Cunha Lima (PSDB) x Ricardo Coutinho (PSB)
Rio de Janeiro: Luís Fernando "Pezão" (PMDB) x Marcelo Crivella (PRB) (**) 
Rio Grande do Sul: Ivo Sartori (PMDB) x Tarso Genro (PT)
Rondônia: Confúcio Moura (PMDB) x Expedito Jr. (PSDB)
Tocantins: Marcelo Miranda (PMDB) x Sandoval Cardoso (Solidariedade)

A situação ainda não está definida no Pará, Rio Grande do Norte, Roraima, Alagoas e Acre, o estado da Marina Silva. Vou escrever sobre esses estados em próxima postagem. 

Finalmente, temos a decisão do segundo turno para presidente. Dilma Rousseff vai ter de disputar os votos novamente com Aécio Neves. O candidato tucano superou Marina Silva por grande diferença de votos (33,78% contra apenas 21,26% até o momento). Dilma recebeu 41,39% dos votos, com 97,98% dos votos apurados. 

Dilma e Aécio se livraram de Marina e agora vão disputar os votos de novo no dia 26 (G1)

(*) - ele derrotou nada menos que o clã Sarney, o que é algo notável, mas é preciso notar o partido do eleito, fiel aliado de Dilma e do PT. 
(**) - este Estado estava muito bem servido de candidatos (difícil saber quem teria mais capacidade de levar o Rio à ruína...), pois ainda havia Anthony Garotinho (PR), que ficou de fora após liderar a disputa no início da campanha. 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Está chegando a hora de votar

Domingo, será a vez da população dar a resposta aos postulantes às vagas de deputado, governador, senador e presidente. 

Teremos de mostrar o que realmente queremos. Devemos pensar no melhor para nosso Estado, nosso país, esquecendo vantagens pessoais, ainda mais se elas não valem o voto, como tentativas de compra de votos (essa prática da República Velha ainda é feita). 

Infelizmente, não dá para acreditar em nada do que a propaganda política fala. Nem mesmo no conteúdo dos debates, marcados por trocas de agressões no lugar de compromissos, promessas vagas no lugar de propostas. Os últimos debates, para governador (no último dia 30) e presidente (ontem) foram marcados por ataques agressivos de luta pelo poder. O descalabro na crise da água foi atacado, mas os adversários de Geraldo Alckmin (Paulo Skaf, Alexandre Padilha e os nanicos) não fizeram propostas neste sentido. Os vários desmandos do atual governo federal foram criticados asperamente por Marina Silva e Aécio Neves, mais os candidatos de aluguel, mas o que realmente vão colocar no lugar é coisa para depois da eleição, se conseguirem tirar Dilma do poder (*).

Sexta e sábado haverá um pequeno intervalo para os candidatos avaliarem suas campanhas, e um descanso para os brasileiros, cansados e desiludidos após um período eleitoral desgastante. No domingo, é a hora dos brasileiros decidirem quem irá servir a nação (e não quem se servirá dela). 



(*) O último debate presidencial foi marcado por uma escala de agressividade acima dos outros, com trocas de acusações e palavras fortes. William Bonner, às vezes, ficou em apuros ao tentar manter o padrão Globo, onde a platéia se manifestou apesar das restrições. Aécio Neves foi considerado o melhor, enquanto Marina se enrolou quando tentou explicar a 'nova política'. Luciana Genro, a ultra-radical "de extrema-esquerda", desta vez foi muito melhor, e ainda contribuiu jogando mais 'cascas de bananas' para os candidatos favoritos caírem. Marina acabou confessando sua ideologia mais próxima da Luciana do que de Aécio. Este foi indagado com a incômoda pergunta sobre o aeroporto e tentou lhe dar uma lição, acusando-a de ser leviana e despreparada, mas não respondeu. Dilma também foi desancada pela candidata 'nanica' do PSOL, mostrada como uma mãe para os banqueiros e corruptos. Outro que deu um certo 'show' foi o candidato do PV Eduardo Jorge, que chamou Dilma de "presidente imperial" ao não repassar os recursos aos municípios para o saneamento básico. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Agora, o debate da Globo

A Globo está dando prosseguimento ao último debate. Tudo muito asseado, de acordo com o padrão da emissora para esses eventos.

E, por enquanto, os candidatos se repetem: Dilma agressiva, Marina falando da 'nova política', Aécio atacando Dilma e Marina, Pastor Everaldo bancando o conservador sem esconder que é candidato "nanico", Levy Fidelix querendo aparecer (e sendo questionado pela sua participação vergonhosa no debate da Record), Luciana Genro radical e Eduardo Jorge amalucado.

Mais uma vez, os debates mostrando um pouco melhor do que as propagandas políticas, onde a mentira e a mistificação imperaram. Porém, ainda de acordo com as diretrizes dos marqueteiros responsáveis pelas campanhas. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

As notícias do dia

Vou fazer um apanhado breve de um dia terrível para o Brasil, em sua caminhada para terminar 2014 pior do que no começo do ano. 

1. O dólar está seguindo seu ritmo de alta e se aproximando perigosamente da marca de R$ 2,50. Desde 2008 não se via a moeda americana tão valorizada. As ações da Petrobras despencaram de novo, em 5%. Caso não houver condições para aliviar o mercado, logo irão calcular os riscos de falência da estatal. 

2. Números da balança comercial mostram déficit comercial de US$ 939 milhões em setembro, pior marca em 16 anos. Ou seja, voltaram às cifras de 1998, ano de uma das piores crises vividas pelo Brasil. 

3. O nível da campanha eleitoral nunca está tão baixo desde 1989. Continuam os ataques, e a estratégia mais agressiva na campanha deu certo logo para Dilma, justificando o pânico nos mercados, e se tornou um problema para Marina e Aécio. 

4. A USP continua relativamente mal no ranking da THE (Times Higher Education), da Thomson Reuters. Melhorou, mas está longe de ser a 200a. melhor do mundo. Para piorar, o Orçamento prevê menor repasse das verbas para a Universidade, apesar do aumento dos gastos com salários de servidores nos últimos anos, promovido pela antiga reitoria. 

5. Aumentaram os casos da chamada "febre chikungunya", vinda da África e transmitida pelo mosquito causador da dengue, o Aedes aegyptii. São 41 casos desse doença, que não é tão perigosa quanto a dengue hemorrágica, mas é mais um caso de doença típica de país pobre e negligente. 

6. O basquete brasileiro confirma sua péssima fase, com a vexatória derrota das meninas para a França, por 61 a 48. É um número irrisório de pontos, até mesmo para a equipe vencedora. Parece que não só o basquete mas todos os outros esportes trarão vergonha ao torcedor, e estamos bem perto das Olimpíadas. Somente o vôlei consegue se safar (a Seleção feminina, com Dani Luis e Fernanda Garay, venceu de novo, desta vez as cazaques, por 3 sets a 0).

Não adianta contrabalançar tudo isso com a única boa notícia para destacar: o acordo entre o Brasil e os EUA para compensar os subsídios pagos aos plantadores de algodão nas terras dos sobrinhos de Tio Sam. Para evitar um processo na OMC, os americanos pagarão US$ 300 milhões ao governo brasileiro. 

Veremos o que irá acontecer nos próximos dias. Dia 5 há a chance do brasileiro mudar os rumos do país, com as eleições.