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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Da série "Notícias para encher página de portal da Web", parte 9

Novamente a mídia fala da tal ozonioterapia, um método experimental indicado para tratamento de inflamações usando uma mistura de oxigênio e ozônio na proporção volumétrica de 20 para 1. 

O cantor Zé Felipe disse que não queria fazer este procedimento por via retal, como foi sugerido anos atrás para quem sofria de COVID-19 durante a pandemia. Ele alega querer reforçar seu sistema imunológico. Com este depoimento, explorado pelas redes sociais e todo tipo de reportagens sobre celebridades, mais uma vez ele atraiu a atenção para si por este detalhe de sua vida pessoal, e não pela sua música. 

O referido método possui riscos devido à toxicidade do ozônio, um gás capaz de matar em altas concentrações, devido ao seu poder oxidante, capaz de aumentar as inflamações no lugar de combatê-las, e sendo um perigo para o sistema respiratório, ou de outras partes do corpo. Seja qual for o local da aplicação, não está regulamentado pelas normas médicas. 

sexta-feira, 16 de junho de 2023

Da série 'Grandes varejistas do passado', parte 5 - G. Aronson

Uma das varejistas mais conhecidas no final do século XX, principalmente nas loucas décadas de 1980 e 1990, foi a G. Aronson, cujo slogan é lembrado até hoje: "O inimigo número 1 dos preços altos". 

Seu fundador foi um dos mais conhecidos empreendedores do país. O imigrante lituano Girz Aronson (1917-2008) veio para o Brasil com apenas 2 anos de idade, e demonstrou sua perícia para ganhar dinheiro desde quando vendia bilhetes de loteria no Paraná ainda criança, a partir de 1929. Em 1944, instalado em São Paulo, fundou uma loja de peles na rua Conselheiro Crispiniano - era a G. Aronson. 

Inicialmente vendendo produtos à base de pele de animais, como casacos e bolsas, resolveu diversificar os negócios. Um dos "causos" que ele teria contado é quando vendia fogões da marca Paterno por 460 mil réis. O Mappin oferecia o mesmo produto por 390 mil reais. Ao saber disso, Girz mandou baixar o preço para 350 mil, arrscando ficar no prejuízo. Em seguida, formou-se uma fila de compradores. Para atender a demanda, Aronson pediu ao fabricante 400 fogões, e foi atendido, pagando com desconto o fotnecimento e conseguindo atender os clientes. 

A saudosa G. Aronson, "inimiga número 1 dos preços altos" (Divulgação)


Assim, foi consolidado o modus operandi, com estoques sempre altos e baixa margem de lucro por unidade. Além disso, foi usado o velho expediente, usado por muitas outras varejistas, de facilitar o pagamento via vendas a prazo. 

A rede expandiu-se rapidamente, chegando a ter 34 lojas, inclusive em shopping centers, e faturava milhões em moeda corrente - cruzeiros, cruzados, reais - durante a sua existência em meio a um cenário turbulento e com alto risco para os negócios. Para complementar, havia a Gurilândia, loja de produtos infantis, mas de curta duração, fechando antes da rede principal. 

Havia propagandas frequentes nas mídias disponíveis durante a segunda metade do século XX, com o famoso slogan e a fama de "rei do varejo" do senhor Girz foi consolidada. Mas os desafios foram apenas aumentando. 

Um dos comerciais veiculados na TV, em 1990 (do canal Comerciais Antigos)


Hiperinflação, incertezas, planos governamentais seguidos, concorrentes poderosos (porém igualmente vulneráveis, como é o caso do Mappin e das várias lojas citadas nesta série), variação violenta no poder de compra dos brasileiros, tudo isso gerava muitas armadilhas para o varejo em geral, e a G. Aronson caiu nelas. A expansão rápida e sem planejamento, instalando filiais em locais com menor demanda ou sem condições de sustentar os altos estoques de produtos, também cobrou seu preço. Assim, a rede passou a gerar prejuízos ao invés de lucros. Em 1991, a G. Aronson devia o equivalente a US$ 20 milhões aos credores. Conseguiu saldá-la, mas não conseguiu evitar novos endividamentos, agravados com a crise asiática, quando houve alto índice de inadimplência, e a concorrência de produtos de origem duvidosa vendidos pelos camelôs.

1998 foi annus horribilis para o idoso mas incansável Girz Aronson, que estava às voltas com uma dívida gigantesca (em torno dos 65 milhões de reais) e, para piorar, ele foi sequestrado, ficando 14 dias em cativeiro. Espancado e posto em condições que poriam risco à vida de um senhor com a idade dele (na época, 81 anos), sua família era pressionada a pagar um resgate de R$ 1 milhão. Mas no final foram pagos R$ 117 mil, e ele foi libertado. 

A G. Aronson não suportou, e ela entrou em falência. As lojas foram fechadas, e apenas três delas foram vendidas à rede Loja do Gugu. 

Seu fundador teve forças para fundar uma rede de quatro lojas, a G. A. Utilidades Domésticas, em 2000, tendo como matriz o mesmo local onde surgiu a finada varejista. Porém, a morte veio, em 2008, aos 91 anos, e os sucessores não conseguiram manter o legado. Agora, restam as lembranças de uma rede com uma rica história a ser contada para as gerações que talvez nunca venham a presenciar uma rede de lojas como a G. Aronson. 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Da série "Grandes varejistas do passado", parte 2 - Casas da Banha

Outra grande varejista foram as famosas "Casas da Banha", ou CB, fundada em 1955, no Rio de Janeiro, por Climério Veloso, um dos membros de uma famosa familia de empreendedores. 

As "Casas da Banha" começaram, de fato, vendendo produtos de porco, e depois passaram a diversificar seus produtos. A partir da década de 1970, passou a expandir vertiginosamente, passando a ter várias filiais no Estado do Rio, e depois para outros Estados, como São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia (na capital Salvador) e até Amazonas (em Manaus). 

Durante essa época, patrocinava a Discoteca do Chacrinha, na TV Tupi, e o bacalhau (pelo menos de acordo com o Velho Guerreiro) era fornecido pela varejista. Outros artistas, como Hebe Camargo, Marília Gabriela e alguns atores do elenco da Globo fizeram comerciais veiculados principalmente na Rede Globo. Contudo, os comerciais mais famosos eram com os porquinhos representantes da marca: 


Surgiu também o primeiro hipermercado do Brasil, o Porcão. Indiretamente, foi responsável pelo surgimento das também nacionalmente famosas Churrascarias Porcão - que não pertenciam ao conglomerado dos Velloso. Tornou-se um marco na Avenida Brasil, com seu relógio imponente. 

As Casas da Banha ganharam notoriedade e viraram até tema de uma canção de Raul Seixas, de 1975, com aquela frase: “Não posso sentir cheiro de lasanha/me lembro logo das Casas da Banha/onde íamos nos divertir”. 

Na década de 1980, auge dos negócios, a rede chegou a ter 18 mil empregados, distribuídos entre as várias lojas do Brasil, o hipermercado Porcão e a CB Eletro, de curta duração, para vender eletrodomésticos e eletrônicos. Os Veloso compraram vários concorrentes menores, como a Merci, também muito conhecida pelos cariocas. Também adquiriram o Jornal dos Sports, que misturava esportes com a violência urbana, uma espécie de Notícias Populares do Rio. 

A crise econômica provocada pela hiperinflação desarrumou as contas da rede, e os seguidos planos econômicos só pioraram tudo, fazendo as Casas da Banha se dissolverem aos poucos. O Plano Collor foi o pior deles, e com o confisco dos ativos financeiros os brasileiros precisaram economizar nos gêneros alimentícios, algo terrível para o setor de supermercados em geral. Aculumando dívidas trabalhistas, a empresa precisou vender boa parte de suas lojas e fechar outras, entre as quais o hipermercado. Perdendo o controle das finanças, os Velloso tiveram que aceitar a decretação da falência, em 1999. 

No entanto, as Casas da Banha nunca foram esquecidas completamente. O "tcha-tcha-tcha" característico dos comerciais mostrando os porquinhos virou tema de uma canção de Rogério Skylab, em 2008. Atualmente, existe um site da banha PigLeve, que se apropriou da história desta rede (clique AQUI). 


N. do A.: As varejistas adquiridas por outras empresas serão abordadas mais adiante. Este blog vai mostrar, primeiramente, aquelas que faliram.