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segunda-feira, 12 de agosto de 2024

As Olimpíadas sob diversos pontos de vista

Para o Brasil, os Jogos Olímpicos foram ao mesmo tempo decepcionantes pela falta de pódios, mas ao mesmo tempo mostram a força das atletas. Os três ouros foram conquistados por mulheres, e a participação masculina, longe de ser um fiasco completo, é menor nas outras conquistas. Houve algumas decepções, como Gabriel Medina não ter conseguido o ouro, a derrota da Seleção de Vôlei Feminino nas semifinais, a derrota da Seleção de Futebol Feminino para as americanas na grande final, com uma despedida agridoce da Marta. O COB se atreveu a culpar as ondas e as condições dos ventos pelo desempenho dos atletas no surfe e na vela, mas elas também prejudicaram os outros atletas, inclusive os campeões em suas modalidades. 

Para os críticos, esses foram os "Jogos da Vergonha", com vários problemas. Um cardápio problemático, onde houve reclamação da falta de carnes e ovos, e muitas queixas sobre a qualidade. Uma atleta argentina, a pugilista Imane Khelif, teve problemas nos testes de verificação de sexo e foi acusada de ser uma "intersexo" ou até um homem, e ganhou o ouro. Árbitros foram muito criticados, tendo atuação questionada, como na final do futebol feminino, onde a árbitra foi suspeita de favorecer as americanas. A cerimônia de abertura foi considerada escandalosa e a de encerramento, ontem, foi considerada tediosa e ainda contar com um tal "viajante dourado" que ninguém entendeu muito bem - e foi comparado até a um demônio. Pior foram os problemas de saúde para os atletas nas provas aquáticas: o rio Sena provou (da pior forma possível) não estar tão limpo assim, mesmo com um bilionário programa de despoluição. 

O "viajante dourado" chamou a atenção numa cerimônia de encerramento modorrenta, com direito até a uma chama olímpica dentro de uma garrafinha; só Tom Cruise se salvou na sua representação dos próximos Jogos, em Los Angeles (Getty Images). 


Para quem preza pelas finanças de Paris, as Olimpíadas vão ser um ônus, como todas as outras. Apesar dos gastos divulgados serem bem menores do que os necessários para os jogos em Tóquio (segundo Eduardo Vargas, foram gastos US$ 9,1 bilhões, contra US$ 35 bilhões), existe uma parte ainda não contabilizada, e ela promete ser um desafio. 

Para muitos torcedores, os Jogos cumpriram sua função, e tivemos a quebra de alguns recordes, como o salto com vara, onde o sueco Armand Duplantis pulverizou o antigo recorde olímpico de Thiago Braz, com seus 6,25 m, enquanto o brasileiro pulou 22 cm a menos em 2016. Faith Kipyegon, corredora queniana, fez os 1.500 m em 3min51s29. O etíope Tamirat Tola completou a maratona em 2h06min26s. 

Para a humanidade, o maior evento esportivo não teve efeito nos conflitos, que continuam na Venezuela, na Ucrânia contra a Rússia, de Israel contra o Hamas. Teve, novamente, uma função simbólica. Assim como será em Los Angeles, em 2028 - se resistirmos até lá. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Se 2024 fosse um personagem, seria viciado em "comer açúcar"

No debate de ontem na Band, não faltou bordoada e ataques aos adversários, chegando a ser uma diversão mórbida. Quem mais distribuiu "porrada" foi o grande protagonista da atração, Pablo Marçal (PRTB), que se mostrou exaltado e chamou os rivais de "politiqueiros", "conjunto teatral" e "candidatos fantoches", que vivem a "comer dinheiro público". Chegou até a soltar um "Meu nome é Marçal", lembrando o finado dr. Enéas. Na sua série de ataques, ele se referiu a Guilherme Boulos (PSOL), também chamado de "comunista" e "fã do Maduro", como "apoiador do Hamas" e "comedor de açúcar", neologismo para alguém viciado em cocaína. 

Debate da Band (do canal Radio BandNews FM)

Pois 2024 está parecendo um ser "comedor de açúcar", usando o termo candidato à viralização. Só hoje, dia 9, as más notícias vieram aos borbotões, como se o momento pelo qual passamos encarnasse um viciado em cocaína "na fissura" agredindo os leitores de portais e telespectadores de noticiários. 

Em Vinhedo, cidade paulista na região de Campinas, 61 pessoas perderam a vida num dos piores acidentes aéreos dos últimos anos, quando um avião da Voepass despencou e se espatifou sobre um condomínio residencial. Não houve vítimas fora da aeronave. Entre os passageiros, 15 eram médicos a caminho de um congresso de oncologia em São Paulo. 

Pior acidente aéreo da década no Brasil (Reprodução)

Ucrânia e Rússia trocam mísseis na fronteira e nenhum deles recua. É notável a resistência do país invadido pela Rússia, não parecendo temer a segunda maior força militar do mundo, equipada com o maior arsenal nuclear, graças à ajuda americana e europeia. 

Israel continua a sua caçada implacável contra alvos do Hamas e do Hizbollah, enquanto se prepara para um ataque iraniano em resposta à violação de seu espaço aéreo para matar o chefe do Hamas no último dia 31. 

A Petrobras divulga balanço sombrio, indicando a volta dos prejuízos, relembrando a sangria sofrida pela estatal no "Petrolão" ou "Quadrilhão do PT". No segundo trimestre do ano, ela perdeu estupendos R$ 2,6 bilhões. Isso pode repercutir na Bovespa e no dólar, próxima segunda feira. 

Até mesmo notícias do cotidiano estão pesadas, como a internação da ex-musa Regininha Poltergeist após um surto psicótico. 

Para enfrentar essa bestialidade e encontrar alguma notícia boa, só mesmo acompanhando os Jogos Olímpicos. No caso do Brasil, Isaquias Queiroz ganhou a prata nos 1.000 m, sua quinta medalha olímpica. Alison Piu dos Santos foi bronze nos 400 m com barreiras. E a dupla Duda e Ana Patrícia encarou as canadenses Melissa Humana-Paredes e Brandie Wilkerson, para conquistar o ouro no vôlei de praia, após vitória por 2 sets a 1 (26/24 - 12/21 - 15/10). As rivais, além de temíveis, chamavam a atenção pelos uniformes provocantes, fazendo as brasileiras parecerem recatadas com seus shorts. 

O vôlei de praia brasileiro volta a faturar o ouro olímpico, com Duda e Ana Patrícia (Carl de Souza/AFP) 

2024 ainda promete muito. Aguardemos.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Saltos mais impressionantes do que os da Rebeca Andrade

 Rebeca Andrade está fazendo por merecer ser a maior medalhista olímpica entre os atletas brasileiros. Na última prova individual, a de solo, ela conseguiu a proeza de destronar Simone Biles e ficar com o ouro, fazendo a americana amargar a prata. Agora, Rebeca tem seis medalhas, duas de cada cor: ouro, prata e bronze. Superou Robert Scheidt, que levou mais tempo e edições dos Jogos para ganhar suas cinco medalhas, perdendo por um bronze. 

A incrível Rebeca Andrade entra para o rol das grandes estrelas do esporte brasileiro (do CazéTV). Mas o dólar...


Infelizmente, para os brasileiros comuns, o salto mais impactante para as vidas deles é o do dólar: ele chegou a ficar em R$ 5,74, voltando a ficar nos patamares de 2020, quando o mundo era assolado pelo vírus da COVID-19. Há cerca de quatro meses, a moeda americana estava em menos de R$ 5,00, um valor já indicativo de como está fraca a nossa moeda, o Real. Foram saltos sucessivos, provocados pela má situação econômica nos Estados Unidos, pela tensão provocada pelas forças israelenses e pelos terroristas islâmicos do Hamas e do Hizbollah, e pelos indicadores preocupantes a respeito do rombo no Orçamento brasileiro. 


N. do A.: Gustavo Medina acabou ficando fora dos holofotes, por não conseguir o sonhado ouro, e ficou em terceiro lugar, com o bronze, na prova de surfe. Tatiana Weston-Webb conseguiu ir além e ficou com a prata, no surfe feminino. 

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

O dia que os brasileiros esperavam chegou

A torcida brasileira ansiava pelo primeiro ouro de um atleta brasileiro, e ele finalmente chegou, de uma estreante nos Jogos. Muitos vão aproveitar para fazer "lacração" usando o perfil dela: negra, acima do peso e bissexual, Beatriz Souza seria perfeita para isso. Acima de tudo, ela é uma lutadora, não temendo os adversários, inclusive enfrentando a número 2 do ranking, a israelense Raz Hershko e lhe aplicando um wazari aos 44 segundos de luta. 

Enquanto muitos esperavam um ouro de alguém mais conhecido, a judoca surpreendeu o mundo. 

(Do canal CazéTV)


Bia Souza guardou as lágrimas para serem derramadas depois da conquista (David Ramos/Getty Images)

Isso, segundo os amantes de rankings, fez o Brasil saltar da 32ª posição para a 18ª, o que não é tão importante para quem torceu pela atleta nascida numa pequena cidade do Vale do Ribeira, Itariri. 

Por outro lado, as bicampeãs olímpicas Kahena Kunze e Martine Grael não tiveram mais chance de medalha e se despediram da prova. E Hugo Calderano, do tênis de mesa, perdeu para o sueco Truls Moregardh, e deu adeus ao sonho do ouro. Decepções, claro, mas não apagam a conquista de Beatriz Souza. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Rebeca Andrade e Caio Bonfim fazem história

Este blog ia comentar sobre a disparada do dólar, graças ao empenho do nosso governo em exercer o "direito" de administrar mal o NOSSO DINHEIRO, com um rombo bilionário anunciado para o final deste ano, a despeito da enorme arrecadação de impostos, mas resolveu expor algo mais edificante, vindo, invariavelmente, de Paris. 

Rebeca Andrade não conseguiu superar a incrível Simone Biles, mas chegou bem perto e ficou com a prata no salto individual, fazendo um excelente desempenho, principalmente no salto sobre o cavalo. Ao todo, ela teve 57.932 pontos, próximo dos 59.131 pontos de Biles, que também fez uma atuação primorosa. No final, a americana sentiu a pressão e confessou não querer mais competir com a brasileira. Por outro lado, Rebeca anunciou que irá parar com as apresentações individuais, quando terminar as competições. Ainda há mais três finais a disputar, e até lá ela pode mudar de ideia. 

Rebeca Andrade, a estrela da ginástica brasileira (Ricardo Bufolin/CBG)


Rebeca Andrade já ganhou um ouro, em Tóquio, além de uma prata; agora, um bronze e uma prata (do CazéTV)


Outra medalha muito comemorada foi a de Caio Bonfim, primeiro atleta brasileiro a ser premiado na marcha olímpica. Aguentando as piadas sobre o esporte, cujo passo é "rebolado" e estranho à primeira vista, o morador de Sobradinho, cidade do Distrito Federal, chegou a ter a sexualidade questionada. Em Paris, ele mostrou o resultado de seu empenho, e só perdeu para o eqyatoriano Brian Pintado. Isso quer dizer que o país andino está na frente no quadro de medalhas, assim como a Argentina, que só ganhou uma medalha, no BMX Freestyle, com o ciclista José Torres Gil. Mas para Caio Bonfim e seus torcedores. 

Caio Bonfim foi o primeiro brasileiro a ganhar medalha na marcha olímpica (Alexandre Loureiro/COB)


quarta-feira, 31 de julho de 2024

Ainda temos mais cinco meses

2024 está sendo um duro teste para todos, que devem se preparar para o pior, pois ainda há margem para o agravamento das crises no mundo, principalmente na Venezuela, onde o ditador Nicolás Maduro já mandou prender mais de mil manifestantes contra a falta de divulgação de números de votação que respaldem (ou não) a vitória eleitoral do caudilho chavista. 

Os ataques feitos por Israel contra as lideranças dos grupos terroristas Hizbollah, no Líbano, e do Hamas, em Teerã, também lançam rumores sobre uma possível guerra mundial, capaz de provocar a sexta extinção em massa na história da Terra (a última foi há 66 milhões de anos, e as vítimas foram os dinossauros). 

Nem as notícias sobre as Olimpíadas geram alívio. Ainda repercutem as acusações de blasfêmia por parte de atores drag queens, ao supostamente terem parodiado a Última Ceia de Leonardo da Vinci, durante a abertura dos Jogos. Eles se defenderam, dizendo que a obra parodiada é O Banquete dos Deuses, de Jan van Bijlert, que está exposto em um museu na cidade francesa de Dijon, enquanto a obra de Leonardo está em Milão, na Itália. Não conseguiram convencer os mais exaltados. 

Para os brasileiros, ver a atuação da Seleção Brasileira de futebol feminino, perdendo de 2 a 0 da Espanha e ainda com Marta agredindo uma adversária com uma voadora e sendo expulsa ignominiosamente, era de causar espécie. Conseguiram avançar não por méritos próprios, mas porque as alemãs golearam Zâmbia por 4 a 1 e as americanss derrotaram as australianas, fazendo as brasileiras serem as melhores, ou menos piores, terceiras colocadas. Não mereceram, ao contrário de Bia Ferreira, a lutadora de boxe que empolgou o público e venceu a holandesa Chelsey Heijnen com autoridade, avançando para as semifinais. 

terça-feira, 30 de julho de 2024

Equipe brasileira de ginástica derrama (literalmente) sangue, suor e lágrimas

Fazendo uma paráfrase do célebre discurso de Winston Churchill, a equipe de ginástica feminina derramou sangue, suor e lágrimas para conquistar uma inédita medalha de bronze. 

Flávia Saraiva, por exemplo, se machucou durante o aquecimento, ao sofrer uma queda, e todos temiam um desfalque; felizmente, o acidente resultou num corte no supercílio direito, e nada mais de grave; horas depois, sua apresentação foi bastante impressionante, conquistando 13.666 pontos nas barras, contribuindo para a medalha. 

Todas, aliás, tiveram de suar porque, além das americanas, favoritas, havia também as italianas e as britânicas. Não deu para alcançar o time comandado por Simone Biles, inspirado e com ótima apresentação, somando 171.296 pontos. As italianas também se apresentaram bem, com 165.494 no total. 

A equipe brasileira estava se sacrificando, pois na maior parte da apresentação tiveram problemas no geral e, no final, precisaram disputar o pódio com as britânicas. Foi Rebeca Andrade, a estrela da equipe, a responsável por "salvar a pátria", conquistando 15.100 no salto. E as brasileiras somaram 164.497 pontos, contra 164.263 das súditas do rei Charles. Com a inédita medalha de bronze, elas choraram bastante. E vibraram mais ainda.

A medalha inédita foi muito comemorada pelas "meninas da ginástica" e pelos torcedores (AFP)


No 

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Clima olímpico destruído (e não é só por causa da eleição na Venezuela)

As eleições venezuelanas foram consideradas mais importantes, para a mídia e para o futuro da América Latina, do que os Jogos em curso. Como era esperado, o ditador Nicolas Maduro foi proclamado vencedor da eleição, por um sistema eleitoral dominado pelos seguidores do regime. 

Os principais nomes da oposição, Maria Corina e Edmundo Gonzalez, protestaram, exigindo o resultado real das urnas, pois não houve um número divulgado. Celso Amorim, enviado brasileiro e um dos pouquíssimos observadores internacionais autorizados a entrar no país, foi conversar com o ditador e com reperesentantes da oposição. Mais convictos, representantes de outros governos contestaram o pleito e os embaixadores de sete países - Argentina, Chile, Costa Rica, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai. Chama a atenção a inclusão do representante chileno nesta lista, pois o país andino é governado por Gabriel Boric, considerado também de "esquerda", como Maduro, mas ele adotou um tom quase tão duro quanto Javier Milei, o presidente argentino de "direita", contra as eleições de ontem. 

Nicolás Maduro proclamou sua vitória, em uma das eleições mais suspeitas dos últimos tempos (Juan Barreto/AFP)

Fora isso, os conflitos envolvendo Israel e as organizações terroristas Hamas e Hizbollah geraram mais um punhado de mortes de inocentes, com o bombardeio a uma escola em Gaza e o ataque a um campo de futebol nas Colinas de Golan atribuído ao Hizbollah, matando 10 israelenses, a maioria menores de idade. 

Na Inglaterra, um adolescente com transtornos mentais matou duas crianças e feriu outras seis com uma faca ao invadir uma escola de balé em Southport, pequena cidade próxima a Liverpool. O autor da barbárie foi preso e a polícia ainda investiga os motivos. 

Esta profusão de notícias impactantes (e horrendas) acaba com qualquer espírito olímpico, ainda mais uma edição tão contestada dos Jogos. Para o lado do Brasil, a expulsão da nadadora Ana Carolina Vieira por atitude agressiva contra a própria comissão técnica acabou recebendo os mesmos holofotes dos outros atletas. Rafaela Silva, judoca ouro no Rio, ficou sem medalha ao ser desclassificada na disputa pelo bronze com a japonesa Haruka Funakubo. Bia Haddad foi eliminada pela eslovaca Anna Schmiedlová por 2 sets a 0 (6-4 e 6-4) mas continua na briga em disputa de duplas, vencendo as chinesas Yuan e Zhang por 2 sets a 0 (também 6-4 e 6-4) com Luísa Stefani. Por outro lado, a skatista Rayssa Leal fez o que se esperava dela e conquistou a medalha de bronze, enquanto Larissa Pimenta ganha bronze no judô categoria 52 kg, ao derrotar a favorita Odette Giufridda. O também judoca Willism Lima perdeu a luta final para o japonês Hifume Abe, na categoria 65 kg, e acabou ficando com a prata. 


sexta-feira, 26 de julho de 2024

Abertura das Olimpíadas quase sem público

Este blog ainda está para pesquisar quem teve a brilhante ideia de fazer a cerimônia de abertura fora de um estádio, o que sem dúvida é inédito, mas também bem mais difícil de fazer o público acompanhar todo o evento. 

Antes, a abertura ficava restrita a um espaço estrito, como um estádio, possibilitando ao público acompanhar tudo. Agora, espalharam ao longo do rio Sena, fazendo quem estiver em determinado local só assistir a uma parte do espetáculo. 

Apesar do esquema de segurança ter dificultado o acesso do público a pretexto de impedir a infiltração de terroristas, esse mesmo esquema fracassou em impedir a série de sabotagens nos trens, dificultando os deslocamentos. E quem conseguiu contornar esses problemas saiu frustrado com o que conseguiu ver. 

Só quem acompanhou pela televisão conseguiu curtir o evento. Por aqui, só a Globo transmitiu na tevê aberta. No Youtube, o CazéTV foi o responsável pela transmissão. 

Muita gente estranhou as delegações dentro de barcos sobre o famoso rio que banha a capital francesa, acusado de ser poluído desde antes do tempo da noite de São Bartolomeu, quando muitos cadáveres o emporcalharam. Não adiantou muito a prefeita de Paris ter mergulhado por lá para provar que as águas são seguras. 

O desfile das delegações foi várias vezes interrompido por vários espetáculos, como a da Lady Gaga cantando Edith Piaf, ou a Aya Nakamura, estrela do show business nascida no Mali e uma das sensações do pop mundial, fazer mais uma de suas performances. Houve também um mascarado relembrando outros personagens misteriosos da cultura francesa, como Belphegor, o Homem da Máscara de Ferro e o ladrão que roubou a Mona Lisa, mas comparado com o personagem de videogame Ezio, de Assassin's Creed. Ele cavalgou num cavalo mecânico como um cavaleiro do Apocalipse. Muita gente se perguntou quem era o homem (ou a mulher) por trás da máscara. 

No final, o misterioso "ser" entregou a tocha a Zinedine Zidane, um dos maiores ídolos locais, e este deu sequência ao revezamento, com Rafael Nadal, Nadia Comaneci, Carl Lewis, Serena Williams e vários atletas franceses, culminando com os tricampeões Marie-José Perec e Teddy Riner, cada um com três medalhas de ouro olímpicas no atletismo e no judô, respectivamente. Eles acenderam juntos a pira em forma de balão, homenagem ao primeiro voo com este tipo de veículo, feito pelos irmãos parisienses Montgolfier em 1783. E a abertura terminou com um show de Céline Dion, a famosa cantora canadense do Titanic, cantando em sua língua materna (ela é de Montreal, na parte francófona do país) e mostrando sua luta contra a Síndrome da Pessoa Rígida, que lhe tolheu os movimentos e a fez emagrecer muito. 


O fogo olímpico estará confinado num balão até o fim das Olimpíadas (Yoan Valat/EFE/EPA)



Um formato tão inusitado e elitista deve ter alimentado muitas teorias da conspiração, particularmente aquelas que acusam o governo francês de estar contra o povo e trabalhar junto com as grandes corporações (inclusive as emissoras de televisão) para uma futura tirania mundial. 

Por fim, não se pode desprezar as atrações turísticas, como o Louvre, o Arco do Triunfo, as Tulherias e a Torre Eiffel, todos cenários do grandioso mas "antidemocrático" evento, realçando a beleza e o esplendor da Cidade-Luz. 

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Olimpíadas de Paris começam!

Desta vez o blog não vai dar sequência a uma série a respeito das Olimpíadas deste ano. A abordagem será diferente, destacando os principais resultados e eventos. 

Como costuma acontecer, as partidas de futebol começam antes da abertura oficial, a ser feita na sexta. Infelizmente, a nossa Seleção olímpica não conseguiu a vaga. Quem jogou, aliás, foi a equipe argentina, começando de forma vergonhosa: perdendo para o Marrocos por 2 a 1 em Saint-Étienne (cidade no leste da França), com direito a invasão de marroquinos após o segundo gol argentino, e consequente interrupção do jogo por cerca de uma hora. Após a confusão e a intervenção do VAR, o gol foi anulado. 


Jogadores marroquinos comemorando um dos gols na vitória bizarra sobre o time argentino (Thaler al-Sudani/Reuters)

Enquanto isso, os uniformes dos atletas brasileiros se tornaram mais assunto do que os próprios, devido ao gosto duvidoso. As roupas não deveriam ser motivo de comentários, e sim a preparação de quem as veste.