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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

As tarifas pagas pelo Brasil, além do "tarifaço"

O tarifaço imposto pelo governo americano ao Brasil está preocupando o agronegócio local, e já afeta o comércio entre os dois países, o segundo maior considerando as transações comerciais do nosso país. 

Devido às implicações políticas e à importância representada por essas transações, outras tarifas impostas por outros países ficam em segundo plano. Existem taxas reduzidas ou nulas por acordos comerciais feitos entre o Mercosul e a União Europeia, muito celebrado por aqui mas criticado pelos agricultores e pecuaristas europeus, e entre o mesmo Mercosul e Israel. A Índia cobra uma taxa de 4,8% em média, em transações com tendência de alta, considerando o potencial de crescimento do gigante asiático. 

Todavia, algumas cobranças preocupam os produtores brasileiros, como as tarifas impostas pelo México (entre 20% e 35%, podendo chegar a 50% de acordo com medida tomada desde o início do ano. 

Maior parceira comercial, a China impõs um tarifaço de 55% sobre a carne bovina brasileira, o que também é uma dor de cabeça. Essas tarifas incidem sobre o excedente de 1,1 milhão de toneladas estabelecido como cota anual. O Brasil já ultrapasou essa cota, e agora qualquer nova emissão de carne para os chineses é sobretaxada. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Outra alternativa de carne vegetal

A carne vegetal não está conseguindo emplacar, apesar das tentativas da indústria em imitar o sabor e o aspecto usando apenas hortaliças como ingredientes. Exemplos disso são os produtos da Fazenda Futuro, cujas vendas não são as esperadas, apesar de liderarem o mercado. Apesar de serem saborosos, ainda falta algo para serem considerados viáveis para substituirem a carne. E custam mais do que os já caros equivalentes animais. 

Agora, estão lançando um produto à base de farinha de semente de girassol, um trabalho feito pela Unicamp, em conjunto com o Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos) e o Instituto Frauhofer, da Alemanha. Segundo um artigo publicado em maio pela revista Food Research International, o produto apresentou boa aceitação, com quantidade de nutrientes apreciável, como suprir 95% da recomendação diária de magnésio, um mineral escasso nas carnes e abundante em certas plantas. 

Há um problema: o Brasil não é um grande produtor de girassol, tornando este produto potencialmente caro, com um valor cobrado provavelmente acima dos produtos da Fazenda Futuro. Em compensação, a planta se desenvolve bem na Europa e outros locais de clima temperado. Este trabalho pode ser muito interessante na Alemanha, daí a participação do Instituto Frauhofer. 

Um girassol, cuja semente pode virar matéria prima para hamburgueres e almôndegas (Reprodução)


quarta-feira, 21 de maio de 2025

Gripe aviária no Brasil

Os surtos da gripe aviária H5N1 no Rio Grande do Sul estão causando prejuízos a nível nacional, dando pretexto para vários países importantes, da China à Rússia, da Argentina à França, boicotarem a carne de frango brasileira. 

Para reverter o estrago, o governo brasileiro é forçado a cumprir o prazo de 28 dias para eliminar os focos da doença. No foco onde foi confirmada a existência do vírus, próximo à cidade de Montenegro, houve a desinfecção. Outros locais também foram desinfetados ao longo do país. Cloro e álcool são produtos eficazes para isso, neutralizando este parasita e vários outros, como o coronavírus. 

Como todas as gripes, o H5N1 afeta principalmente quem tem a imunidade comprometida, causando a morte em alguns casos. Porém, a contaminação é rara e ocorre principalmente no contato direto com as aves. 

Funcionário se prepara para aplicar a desinfecção na granja onde se verificou a existência de gripe aviária (Pedro Piegas)


Cuidados com a higiene são uma grande arma contra qualquer parasita, e espera-se melhorar as condições nas granjas suspeitas para eliminar os possíveis focos e fazer o Brasil voltar a exportar a carne de frango normalmente. 


N. do A.: A próxima postagem abordará a classificação das aves, fonte de alimento para os humanos e também de confusão quando se tenta estudá-las. 


quarta-feira, 17 de julho de 2024

Produção de cacau novamente ameaçada

Depois de sofrer com a epidemia da "vassoura de bruxa", provocada pelo fungo Moniliopthora perniciosa, responsável pela grande quebra na produção de chocolate nos anos 1980 e 1990, e consequente encarecimento do produto, os produtores de cacau estão preocupados com outra praga, chamada de monilíase. 

Até há pouco, essa doença, também causada por um fungo do gênero Moniliopthora, mas da espécie roreri, estava restrita aos outros países da América Latina, mas com a pandemia de COVID-19 o monitoramento enfraqueceu, e a praga conseguiu invadir o Brasil, inicialmente no Acre. A parasitose também ataca o cupuaçu, planta da mesma família do cacau (Malvaceae) e mesmo gênero (Theobroma), e pode liquidar uma plantação inteira. 

Frutos do cacau afetados pela monilíase

Medidas preventivas foram tomadas para tentar controlar a doença, de difícil combate. Novos focos aparecem no Amazonas, o mais recente em Urucurituba, e em Rondônia recentemente fizeram uma "Caravana da Monilíase", para educar os produtores rurais e evitar os problemas enfrentados pelo grande Estado vizinho. O Pará também está em alerta, assim como a Bahia, onde a vassoura de bruxa começou a destruir as colheitas décadas atrás. 

sexta-feira, 1 de março de 2024

Alta do PIB em 2023

O desempenho do Brasil em 2023 na economia foi moderado, com alta de 2,3%, um pouco abaixo da média de 3,1%. 

Mais uma vez, a agropecuária foi a responsável, graças ao bom desempenho na safra da soja e do milho, produtos de alta demanda mundial. No entanto, preocupa o encolhimento no setor industrial, com queda de 1,3% no setor de transformação, isto é, as áreas de metalurgia, mecânica, elétrica e automotiva. 

Em geral, não dá para comparar com o desempenho da China e da Índia, as grandes potências asiáticas, mas o PIB cresceu mais do que o dos Estados Unidos, ainda a maior economia do mundo, enquanto países como a Alemanha se saíram mal no ano passado. 

Crescimento do Produto Interno Bruto em alguns países, com o Brasil em destaque (Reprodução/Folha de S. Paulo/IBGE)

N. do A.: Em março provavelmente vou evitar tocar em assuntos de economia e política, procurando variar os assuntos. 

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Da série 'Energias renováveis no Brasil', parte 2

A cana-de-açúcar, uma das bases da economia brasileira, também é fundamental para o fornecimento de combustível desde o Proálcool (Divulgação)

Dentre as fontes energéticas mais importantes, está a biomassa, isto é, aproveitando vegetais e restos orgânicos para a produção de combustíveis e até eletricidade. 

A biomassa é considerada renovável por ser feita a partir de plantas que podem ser reintroduzidas após o corte, e as emissões de gás carbônico a partir da queima desse e outros tipos de combustível são, em parte, aproveitadas pelos vegetais a partir da fotossíntese. 

Resíduos biológicos foram aproveitados desde o tempo do Brasil Colônia, quando se usava, e ainda se usa, lenha para aquecimento. No século XVIII, óleo de baleia foi usado para ser queimado em tochas de iluminação pública, antes da implantação da eletricidade. O álcool etanol como subproduto da cana-de-açúcar, base econômica secular do país, foi aproveitado no século XX inicialmente como aditivo para a gasolina. Com a crise do petróleo de 1973, foi necessário pesquisar alternativas para os combustíveis fósseis, e a escolha recaiu naturalmente sobre o etanol. 

Na década de 1970, o Proalcool foi o grande salto para o desenvolvimento deste tipo de energia. O Brasil passou a produzir álcool como combustível veicular, levando as montadoras a desenvolverem carros como o pioneiro "cachacinha", um Fiat 147 movido a álcool. Na década seguinte, a maior parte dos automóveis produzidos era movida a combustível vegetal, mas houve uma crise no fornecimento do etanol, levando a uma retração e a importação inclusive de álcool metanol, substância mortífera empregada no exterior mais como combustível para carros de corrida, e como solvente. O problema no fornecimento do álcool, dependente da safra de cana, foi amenizado com o desenvolvimento de carros bicombustíveis, atualmente predominantes no mercado. 

Foi também pesquisado o biodiesel para a substituição do diesel convencional obtido do petróleo. A soja é o principal fornecedor de óleo para a produção do biodiesel, mas outras matérias-primas como babaçu e dendê também podem ser aproveitadas. A transesterificação (transformação de óleos insaturados, quimicamente considerados ésteres de baixa densidade, em ésteres mais densos) é o método mais utilizado para a produção desse combustível, gerando também glicerina como subproduto (leia AQUI para mais detalhes). Atualmente, o diesel usado em máquinas agrícolas, caminhões e ônibus possui 10% de biodiesel em sua composição, resultando em menos emissões nocivas de poluentes como o dióxido de enxofre e materiais particulados (fuligem).

Por outro lado, os resíduos do processamento da cana-de-açúcar, como bagaço e palha, podem servir para usinas termelétricas gerarem eletricidade. Resíduos de cortes de árvores como o eucalipto também são aproveitados. Isso contribui para a substituição do carvão e do petróleo para alimentarem as caldeiras que fornecem vapor para movimentarem as turbinas das termelétricas.

Outra fonte de biomassa é o biogás. Lixo orgânico e até esgoto são matérias-primas para a produção desse combustível, um substituto do gás natural consumido em residências, veículos e usinas termelétricas. Seu uso ainda é reduzido, mas existe um enorme potencial de exploração (leia mais AQUI). A purificação do biogás pela separação do metano (CH4) resulta no biometano, mais aproveitável.

Dados de 2016 informam que a biomassa representa 8,8% da matriz energética no Brasil.

Há um custo em se aproveitar este tipo de energia renovável: a ampliação no plantio de culturas para a biomassa pode representar um impacto nos habitats naturais, por meio do desmatamento. Por isso, é preciso fazer estudos sérios e consistentes, incluindo técnicas modernas de plantio e exploração dos terrenos. O aumento do consumo do lixo para a geração de biogás contribui para compensar esses efeitos negativos, mesmo considerando o perigo do metano, componente do biogás, para o agravamento do efeito estufa, em caso de eventuais vazamentos.