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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Da série "Copa das Confederações, parte 4" - Será a Alemanha a última campeã do torneio?

Joachim Low conseguiu mais um feito: além de uma Copa do Mundo ganha com um elenco sem celebridades, apenas jogadores altamente competentes como Thomas Müller, Toni Kroos, Bastian Schweinsteiger, Manuel Neuer, Philipp Lahm, Mats Hummels e Miroslav Klose, formou um time sem nenhum desses nomes e mesmo assim obteve o título da Copa das Confederações. 

Isso pode mostrar o quando este torneio é relativamente pouco relevante. Muitos vibraram com a conquista do Brasil na última Copa das Confederações em 2013, celebrada até mesmo neste post, sem imaginar a catástrofe da Copa do Mundo no ano seguinte, quando a Seleção da CBF foi trucidada pelo time de Low (o 8/7 exaustivamente abordado em toda parte). 

E o time campeão de ontem em nada se assemelhava ao de 2014. Apenas três titulares foram convocados, e um deles foi o meia Julian Draxler, coadjuvante do 8/7, de apenas 23 anos, tornou-se o capitão. Mostrou ser ainda verde para comandar uma equipe, mas certamente irá participar da próxima Copa no ano que vem. Os outros foram Mathias Ginter, zagueiro e também participante da campanha alemã nas Olimpíadas de 2016, e o também zagueiro Shkodran Mustafi. O resto são nomes relativamente desconhecidos, ainda, com exceção do goleiro Ter Stegen, do Barcelona, e Kimmich, do Bayern. Os artilheiros da competição só ficaram conhecidos agora: Timo Werner, Leon Goretzka e Lars Stindl, cada um com três gols e ganhadores das chuteiras de ouro, prata e bronze, respectivamente. 

Esse time quase juvenil tomou sufoco, falando a verdade, na final contra o Chile. Sofreu. Precisou sair da zona de conforto, pois o time de Arturo Vidal, Alexis Sanchez e Eduardo Vargas não estava para brincadeiras. Só o gol de Stindl, à custa de um erro bisonhíssimo (e devidamente lamentado) por Marcelo Diaz, conseguiu esfriar o ímpeto sul-americano, mas não completamente. O time alemão precisou mostrar a sua técnica e capacidade de resiliência para segurar o resultado, principalmente nos minutos finais, quando os chilenos partiram para o desespero e aumentaram a pressão. Low, para deixar tudo mais enervante, retrancou o time imitando um comandante gaúcho de Seleção Brasileira. No final, os jovens alemães acabaram passando no teste, e levaram o troféu. 

Draxler repetiu o gesto feito pelo seu colega do PSG, o veterano zagueiro Thiago Silva, quatro anos antes

Todavia, este provavelmente não é o time da Copa na Rússia, um torneio realmente muito mais duro. Draxler dificilmente será capitão, passando a braçadeira para um veterano (independentemente do nome, isso será apenas um detalhe, ao contrário do que ocorre na Seleção da CBF). E a Alemanha ainda vai precisar quebrar uma maldição: nenhum time vencedor da Copa das Confederações tornou-se campeão no ano seguinte. Mesmo para uma potência do futebol, não se pode descartar a manutenção desse tabu. E esta poderá ser a última Copa das Confederações da história. 


N. do A.: Enquanto isso, no Brasil, relativamente poucos deram atenção a este torneio, preocupando-se mais com os times brasileiros, principalmente o São Paulo, agora no Z-4 e cujo técnico, Rogério Ceni, perdeu o emprego. Infelizmente, ou felizmente, a política chamou muito mais a atenção, e o último grande ato aconteceu hoje mesmo: Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Temer, foi preso sob a acusação de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, atrapalhar as investigações da Lava Jato e impedir a delação premiada do corretor Lúcio Funaro e Eduardo Cunha, este último seu correligionário e aliado. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Breves da quinta

Os brasileiros estão acompanhando com apreensão casos como a nomeação da nova procuradora-geral da República, a primeira mulher a ocupar esse cargo de vital importância para continuar o combate aos predadores do NOSSO DINHEIRO. Raquel Dodge já concorreu ao posto em 2015, junto com Rodrigo Janot, que tentava a reeleição naquele período. Como Janot não pode concorrer a um terceiro mandato, ele apoiou Nicolau Dino, mais votado pelos procuradores, com 621 votos (contra 587 de Raquel e 564 de Mário Bonsaglia). Isso pesa contra ela, mas por outro lado ela atuou em casos como a investigação dos esquadrões da morte e a Operação Caixa de Pandora, da PF, para investigar o ex-deputado Hildebrando Pascoal, conhecido como o "homem da motosserra", por agir assim contra seus inimigos no Acre. 

Enquanto isso, aquele mal ajambrado acordo entre a Procuradoria Geral e a JBS foi considerado válido pelo Supremo, mas eles alertam que fatos novos a serem descobertos podem tornar a medida ilegal. Gilmar Mendes e Marco Aurélio pediram medidas mais duras contra as medidas que deram privilégios a Joesley Batista, inclusive viajar a Nova York enquanto a Bovespa sofria uma das piores panes de sua história. Ele também foi o autor daquela famigerada gravação para tentar depor Michel Temer. 

Não se pode, porém, ficar nem um pouco contente com este governo, ainda mais porque houve um rombo de US$ 29 bilhões no mês passado e, para evitar novo ano de déficit monstruoso nas contas, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse que pretende aumentar os impostos, já extorsivos, para remediar a crônica voracidade estatal, marcada por cabides de emprego, tráfico de influência e má gestão do dinheiro. Existe, contudo, uma boa notícia: a meta de inflação vai diminuir para 4,25% em 2019 e 4% para 2020, mantendo o desvio padrão em 2%. 

Por tudo isso, ninguém está interessado na Copa das Confederações. A Alemanha fez mais uma vítima, o México de Chicharito Hernandez e Ochoa, com uma goleada nada impressionante para quem já fez 7 na última Copa: 4 a 1, com dois gols de Goretzka (apesar do sobrenome polonês, ele nasceu na Alemanha) em menos de dez minutos. Werner e Younes completaram, e Marco Fabián fez o gol de honra quando estava 3 a 0. 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Da série "Copa das Confederações na Rússia", parte 3

Num dia onde os brasileiros estão mais interessados na política do que no futebol, Portugal viu o sonho de ganhar uma Copa das Confederações naufragar, mesmo tendo na sua seleção o (considerado) melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo. O astro do Real Madrid (ainda, pois há rumores de transferência para o Paris Saint-Germain) não conseguiu brilhar frente ao adversário, o Chile, nas terras tártaras, mais precisamente na cidade de Kazan. 

No tempo normal e na prorrogação, nada de gols, mas isso não significa um jogo aborrecido: foram muitas chances e um equilíbrio bastante notável, com os sul-americanos tentando assegurar a posse de bola e os europeus aproveitando os contra-ataques. Nas prorrogações, normalmente os times de CR7 (Seleção Portuguesa e Real) conseguem produzir resultados, mas não foi o caso. O jogo acabou nos pênaltis. 

Cláudio Bravo, o goleiro do Chile e do Manchester City, conseguiu pegar todas as três cobranças: Quaresma, Moutinho e Nani não converteram, ao contrário de Vidal, Aranguiz e Sánchez. Este último definiu a ida de sua equipe para as finais da competição. 

Cláudio Bravo foi o nome do jogo, e não Cristiano Ronaldo (Kyrill Kudryavtsev/AFP)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Da série "Copa das Confederações na Rússia", parte 2

A segunda rodada da Copa das Confederações foi algo modorrenta, sem grandes emoções. 

Destaque, hoje, para Alemanha e Chile. Sem força total, o time alemão só jogou para o gasto e precisou arrancar o empate, pois Alexis Sanchez, o astro chileno, colocou seu time na frente. Stindl evtou a derrota para os comandados de Joachim Low, diante de uma plateia pouco receptiva. Os russos torciam para os sul-americanos. Em outro jogo, Austrália e Camarões também empataram em 1 a 1 e estão praticamente fora.

Ontem, Cristiano Ronaldo resolveu e Portugal venceu a Rússia com seu gol (o único). No mesmo grupo, o A, o México sofreu para vencer a Nova Zelândia por 2 a 1. 

Enquanto isso, no Brasil só se fala no Campeonato Brasileiro, com as atuações de Corinthians e Grêmio, os líderes do torneio. Mas, hoje, quem se destacou mesmo foi o Flamengo, principalmente Guerrero (hat-trick) e Diego (dois gols), que massacrou a Chapecoense por 5 a 1.


N. do A.: Para se ter uma ideia da pouca repercussão da Copa das Confederações sem a Seleção da CBF, falou-se mais do último ato de barbárie cometido pelo tal "Estado Islâmico", o Daesh, que destruiu a icônica mesquita de Al-Nuri, em Mossul, uma das atrações turísticas do Iraque. Ela era conhecida pelo seu minarete, chamado de al-Hadbá (O Corcunda), por ter uma acentuada inclinação, semelhante à da Torre de Pisa, na Itália. Uma demonstração da baixeza moral dos criminosos terroristas.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Da série "Copa das Confederações na Rússia", parte 1 - Tudo indefinido ainda

Na Copa das Confederações deste ano, o Brasil não participa, e muitos não perdoam o então técnico Dunga e o zagueiro Thiago Silva, autor do pênalti que resultou no gol de empate do Paraguai, por isso. Por outro lado, esse torneio internacional nem é tão vistoso assim: são apenas oito times, representando os campeões das confederações locais, mais o país sede e o último campeão da Copa. 

Esses últimos não estão dando o valor ao torneio, encarando como uma chance de testar o time B, ou seja, sem os astros Neuer, Boateng, Khedira, Kroos, Ozil, Müller e Hümmels. O maior astro do time na Rússia é o meia Julian Draxler, do PSG, capitão do time e autor de um dos três gols na vitória de estreia, contra a Austrália. Detalhe: os alemães deixaram os representantes da "Ásia" (a Austrália joga pela Federação Asiática, apesar de ser da Oceania) fazerem dois gols. 

No mesmo grupo, o Chile está na liderança ao vencerem Camarões por 2 a 0. O time africano não é realmente o mesmo de outros tempos. Foi o jogo onde dois gols foram questionados pelo árbitro de vídeo, uma novidade que pode ser adotada na Copa, e lembra um pouco o "Challenge" adotado no vôlei (inclusive nos jogos das Olimpíadas do Rio). Os dois foram feitos por Eduardo Vargas, mas mostrou suas falhas: para muitos, o gol inválido era legal, e o validado foi feito após o atacante receber Alexis Sanchez em posição supostamente duvidosa. 

Este recurso ainda vai dar o que falar (Divulgação/Fifa)

Não foi o primeiro jogo com esse sistema: no outro jogo, entre Portugal de CR7 e o México de Ochoa (o folclórico goleiro que fez a Seleção Brasileira sofrer na última Copa, a da "Vergonha"), houve um outro gol anulado pelo mesmo sistema: André Gomes fez o seu, em lance realmente irregular. O jogo terminou empatado, motivo de comemoração para os mexicanos e frustração para os jogadores da "terrinha". 

Antes, no jogo de inauguração, a Rússia venceu a fraca Nova Zelândia no jogo de estreia, por 2 a 0. Não é exatamente um parâmetro de qualidade, mas Portugal não deve subestimá-la no confronto do dia 21.