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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Orgulho e vergonha de dezembro

Conforme o prometido, serão selados os destaques positivos e negativos deste último mês de 2019. 

O Flamengo tinha tudo para ser o grande orgulho nacional do mês, mas o Liverpool (e Roberto Firmino) impediu que este fosse um ano perfeito para o rubro-negro carioca. Este time não podia mesmo ser comparado ao de 1981, quando Zico era a estrela, mas não porque um era melhor do que o outro, e sim porque as épocas são diferentes, com outro estilo de jogo, e o torneio de 1981, uma Copa Europeia/Sul Americana, foi bem diferente do atual Mundial de Clubes da Fifa.

Pesa, de forma desfavorável, o fato do clube tratar da pior maneira possível a questão dos meninos mortos no ninho do Urubu. Não querem pagar as indenizações cobradas pelas famílias, e apostam na tradição de quem controla a Justiça deste país, para postergarem ad infinitum a reparação aos danos causados pelo incêndio, que foi um ato de negligência e não um simples acidente. Isso não é culpa do time, mas da diretoria, já considerada a "Vergonha Nacional" de fevereiro. 

Sendo assim, quem recebe o selo de "Orgulho Nacional" é mesmo Ítalo Ferreira, ganhador do Mundial de Surfe pela primeira vez, derrotando o bicampeão Gabriel Medina numa inédita etapa final onde só brasileiros tinham chance. 

Ítalo Ferreira foi um dos nomes do esporte brasileiro!

Por outro lado, o Cruzeiro, rebaixado, foi um grande candidato a ser a "Vergonha Nacional" do mês. Cheio de medalhões, alguns ex-jogadores da Seleção Brasileira, como Thiago Neves, Fred e Dedé, e  com uma folha salarial ainda mais salgada que a do campeão Flamengo. Não bastasse isso, a torcida chegou a empregar o termo "sevandijas" (parasitas, pessoas desprezíveis e inúteis) para xingá-los. A administração do clube revelou ser desastrosa, sem metas, medíocre, ainda mais sob a gestão de Zezé Perrella, famigerado político cujo filho é dono de um helicóptero onde foi encontrada quase meia tonelada de cocaína, em 2014. Após o fiasco do rebaixamento, Perrella saiu e toda a cúpula da Celeste mineira foi desmantelada. 

Quem poderia ter se saído pior? Ganha um bombom quem adivinhar. 

O Flávio não entende por que ele e o Eduardo foram selados e o Carlos, ainda não, apesar do "02" ser tão odiado pelas redes sociais

O filho mais velho do presidente foi envolvido em mais um escândalo, o das "rachadinhas", para extorquir funcionários e lavar dinheiro com imóveis e uma franquia de chocolate. Até agora, apesar desta e das outras suspeitas de corrupção e outras malfeitorias, o 01 ainda nem sequer foi indiciado. Mas sua imagem está devastada, e por isso ele merece o selo. 

E este ano, pelo conjunto da obra, mereceria receber o selo de "Vergonha Mundial". Um ano terrível, onde pouca coisa se salva. Que venha 2020! 

Contudo, selar este ano violaria as regras, segundo as quais o postulante ao selo precisa ser uma atitude feita aqui no Brasil (não uma pessoa em particular), capaz de causar escândalo tanto dentro quanto fora do país. 

O Pisa, recentemente, nos forneceu dados sobre o atraso educacional no Brasil. Insistimos em não evoluir o suficiente neste aspecto, e quem não avança, não consegue progressos substanciais em outras áreas, principalmente em termos sociais, econômicos e tecnológicos. Por isso, a educação brasileira vai receber o selo da "Vergonha Mundial". Vejamos como o ministro da Educação Abraham Weintraub vai atacar o problema em 2020 (caso ele permanecer no cargo), porque ele passou tempo demais apontando os causadores dos problemas sem avançar como deveria em resolvê-los. 
Não se pode dar ao luxo de continuar com as deficiências no ensino do Brasil, como demonstraram os testes do Pisa. Por enquanto, as escolas brasileiras são verdadeiras fábricas de fazer burros (sem querer ofender o pobre animal puxador de carroças)
Em 2020, haverá novidades. A cada três meses, será divulgado também um aspecto mais positivo do Brasil, digno de ser considerado um "Orgulho Mundial". É para contrabalançar com os aspectos mais nefastos, a ponto de serem considerados "Vergonha Mundial".

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Orgulho e vergonha de setembro (e mais um caso de 'Vergonha mundial')

Como é praxe em todo início de mês, este blog vai selar os destaques, tanto positivamente quanto negativamente. 

Quem ganhou o prêmio de 'Orgulho Nacional' foram, mesmo, as equipes que pesquisam os efeitos da memantina na doença de Chagas, mal ainda incurável e fazedor de muitas vítimas no Brasil. 


Em sentido horário, a partir do canto esquerdo superior, os pesquisadores Prof. Dr. Ariel Silber, Profa. Dra. Flávia Damasceno, Prof. Dr. Cláudio Marinho e Prof. Higo Fernando Souza, alguns dos responsáveis pela pesquisa sobre a memantina, publicada no mês passado na revista PLOS - Neglected Tropical Diseases

Agora, quem conseguiu se destacar, mas da pior forma, foi o procurador de Minas Gerais que ousou chamar de "miserê" o salário de R$ 24 mil, pago mensalmente com o NOSSO DINHEIRO. 

O procurador Leonardo Azevedo dos Santos ousou reclamar de um "miserável" salário de R$ 24 mil...

Finalmente, quem merece mesmo levar o pior dos selos, o da "Vergonha Mundial", é o tratamento dado por criminosos e estúpidos em relação à Amazônia. Os desmatamentos e as queimadas aumentaram demais, comprometendo seriamente a imagem do país no exterior, com consequências nefastas contra o nosso agronegócio, que precisa ser louvado como gerador de riquezas para o Brasil, principalmente os empreendedores capazes de conciliar produção com sustentabilidade. 

O Brasil e o presidente Jair Bolsonaro passaram vergonha no mundo devido ao aumento nas queimadas

terça-feira, 2 de julho de 2019

Orgulho e vergonha nacional de junho - e a vergonha mundial do trimestre

No mês passado este blog teve dificuldade para separar grandes exemplos para marcá-los com o selo "Orgulho Nacional". Em compensação, este país ficou cheio de gente merecedora do outro selo. E ainda há o "prêmio máximo" dado a cada trimestre do ano. 

Em primeiro lugar, como é de praxe, o grande destaque positivo de junho, para um empreendedor que ganhou o prêmio Rolex por seus esforços pelo aproveitamento racional de um recurso natural valioso, o pirarucu, maior peixe de escamas do Brasil. Graças ao seu trabalho de ensino às comunidades amazônicas para o manejo desta espécie, outrora quase ameaçado de desaparecer, muita gente às margens do rio Juruá pôde melhorar de vida. O prêmio ajudará outras comunidades da região e isso contribuirá para o pirarucu deixar definitivamente de ser uma espécie ameaçada.

O biólogo recebeu o prêmio Rolex de empreendedorismo no dia 14 de junho, sendo um dos cinco contemplados


Por outro lado, o prêmio da "Vergonha Nacional" sairia para a Najila Trindade, a mulher que tentou extorquir Neymar acusando o jogador de estuprá-la. Sua história não convenceu ninguém, e ela está prestes a ser "convidada" a fazer um exame psicológico. Decerto não será considerada inimputável quando enfrentar a sua sentença. Vale lembrar que Neymar, considerado um caso perdido em termos de comportamento, já foi "premiado" com o selo da "Vergonha". 

Houve quem conseguiu superar Najila: o sargento da FAB Manoel Silva Rodrigues, preso em flagrante na Espanha com 39 kg de pasta de cocaína. Ele contribuiu negativamente para a imagem do governo e do Brasil, e irá ser tratado severamente por isso. E vai levar o selo.

O sargento da FAB preso com pasta de cocaína bem que podia ser considerado uma vergonha mundial, pois o caso repercutiu no planeta, mas aquele selo não vai para pessoas e sim para atitudes feias.

Pelo menos ele não matou ninguém (diretamente), como fizeram as assassinas do menino Rhuan, de apenas 9 anos, decapitado e esquartejado pela própria mãe e pela amante desta, e o sujeito que estuprou e trucidou o próprio enteado, um bebê de 9 meses, em Conceição do Macabu (RJ), sem falar no assassino do ator Rafael Miguel, Paulo Cupertino Matias, ainda foragido da Justiça. Todos eles são parte de uma estatística horrenda: no Brasil, se mata mais do que países em guerra, não só em números absolutos (65.602 pelos dados do Ipea, relativos ao ano de 2017), mas também por grupo de 100.000 habitantes: 31,6 (mais que Afeganistão e Iraque, entre outros países). A maior parte das vítimas é negra, em casos muito longe de terem repercussão na mídia. É preciso haver mais justiça, fazer a lei ser cumprida, para o nosso país deixar de ser considerado uma VERGONHA MUNDIAL.

As assassinas do pequeno Rhuan e todos os responsáveis pelo altíssimo índice de assassinatos no país são um flagelo para a humanidade; o Brasil é uma autêntica vergonha para o mundo no quesito violência. 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Orgulho e vergonha de março (e a estréia do selo "Vergonha Mundial")

Este blog, a cada final de trimestre, vai apontar um comportamento inaceitável presente no Brasil, responsável por observações pouco elogiosas feitas pelos estrangeiros, ou por fazer os brasileiros decentes se constrangerem e compararem certas condutas daqui com as praticadas no exterior. 

Vamos, no entanto, começar com os selos tradicionais. Primeiramente, vamos ao "Orgulho Nacional" de março, destinado à merendeira que salvou cerca de 50 alunos da dupla assassina de Suzano. 

Se não fosse por ela, os assassinos teriam matado e ferido mais crianças na escola onde houve o massacre de Suzano

Depois, a "Vergonha Nacional", dada... para a Bettina! A jovem se tornou motivo de piada no Brasil ao contar uma história onde ela não contou toda a verdade sobre o aumento do seu patrimônio. Os donos da Empiricus, a empresa de consultoria de investimentos, também merecem o selo por divulgação de propaganda enganosa e sensacionalista.

Oi, eu sou a Bettina e estou ganhando este selo por me submeter ao ridículo nacional!

Por fim, quem ganhou o selo da "Vergonha Mundial" é quem se aproveita do sectarismo nas redes sociais, motivado por gente que não sai de sua bolha e parece ter perdido a capacidade de conviver normalmente com outras pessoas, Os exploradores do ódio, da intolerância e da estupidez alheias existem em todo o mundo, mas no Brasil assumiu dimensões grotescas nos últimos anos. Infelizmente, então entre eles alguns políticos que deveriam estar zelando pelo país e fazendo a boa política ("nova política" não existe: ou ela é boa e segue as leis e as normas éticas, ou é ruim, como tem sido no Brasil desde o tempo das capitanias hereditárias). Por outro lado, existe quem explore o comportamento vitimista de outros usuários de redes sociais, ajudando a divulgar o comodismo, a busca por soluções fáceis (e irrealistas) e a ênfase em apontar supostas culpas alheias para desculpar os fracassos, ou seja, fomentar o chamado "mimimi". Todas essas condutas irresponsáveis contribuem para arruinar o país (e o mundo).

As redes sociais não servem apenas para divulgar o ódio e a estultícia