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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Os rumos malucos do Brasil pós 25/10

Assim como algumas datas como o 11/9 (2001), o 8/7 (2014), o 8/1 (2023) e o 7/10 (2023), o 25/10 (2026) está repercutindo muito na mídia e nas pessoas. 

Desde o 25/10, muita coisa aconteceu no Brasil. Diante da pressa do STF e do ministro Alexandre de Moraes de apreender o passaporte de Flávio Bolsonaro, com a alegação de impedí-lo de sair do país, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro se antecipou e foi para os Estados Unidos. Muitos consideram uma fuga espetacular, enquanto outros, inclusive o (oficialmente) reeleito presidente Lula, falam em covardia. 

Flávio Bolsonaro foi se juntar ao seu irmão, Eduardo, para denunciar a suposta fraude eleitoral no Brasil (Divulgação/Instagram/Globonews/Reuters)

Marco Rubio, o poderoso Secretário de Estado dos Estados Unidos, teria ajudado na fuga e agora vai emitir vistos para ele e a família. Enquanto isso, o chefe dele, Donald Trump, continua a não reconhecer Lula como o presidente eleito, e nem alguns aliados, como Javier Milei e Binyamin Netanyahu. Este último está empenhado na vitória do Likud, seu partido, nas eleições parlamentares de hoje, que definirão o destino de Israel em meio à guerra contra o Irã e seus asseclas, o Hizbollah e o Hamas. 

Enquanto isso, os efeitos do 25/10 ainda se farão sentir por muito tempo. A economia sentiu o golpe, as promessas para 2027 ditas por Lula podem ter seu efeito anulado pelo aumento da dívida pública e de medidas como a aprovação da escala 5x2 e do split payment, que sangram o Orçamento das empresas já nas fontes de renda, para a cobrança dos tributos. A briga política entre o governo e o Congresso promete ser bem feia, com uma maioria oposicionista. E o caso do Banco Master ainda tem o potencial de causar estragos, erodindo inclusive a relação entre o Executivo, o Judiciário e a grande mídia, que antes estavam em conluio. 

É o Brasil caminhando para ser o maior território hobbesiano do mundo. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Senado aprova fim da escala 6x1

A principal pauta do dia não podia ser outra: o Senado aprovou, no primeiro turno, o fim da escala 6x1, mesmo com a resistência de vários setores industriais e de serviços, principalmente hospitais, supermercados, hotéis e transporte por aplicativo. 

Apesar da sua posição contra a medida, o senador e candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) votou a favor. No final, apenas Hamilton Mourão (Republicanos), ex-vice-presidente no governo de Jair Bolsonaro, votou contra. Outros 75 senadores votaram a favor. 

Ainda há necessidade de votar uma segunda vez, para entrar em vigor, e ainda passar por um período de dois meses, considerado curto por boa parte dos empresários, ao final dos quais valerá uma etapa de transição para jornada máxima de 42 horas semanais (agora, são 44), e mais um ano até vigorar a jornada de 40 horas com dois dias de descanso. 

Como se trata de uma PEC, Flávio Bolsonaro terá dificuldade para reverter a decisão, caso seja eleito. Lula, defensor da medida, espera poder ganhar votos com a decisão do Senado, mas a tarefa ainda é árdua, pois muitos eleitores querem mais do que isso para poderem mudar de opinião nas urnas. 

Senadores, principalmente dos partidos governistas e do Centrão, comemoram o fim da jornada 6x1 (Carlos Moura/Ag. Senado)


N. do A.: Pouco se fala de mais um assunto incômodo para o setor produtivo: entrará em vigor a cobrança de impostos direto da fonte, o split payment. Esta medida poderá ser uma ameaça adicional a muitas empresas, principalmente as pequenas, as médias e as com dificuldade para pagar suas dívidas. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Mudanças na campanha para senador

Este blog está corrigindo, antes tarde do que nunca, um erro comum nas abordagens da corrida eleitoral: não falar sobre os candidatos às vagas do Congresso. 

Apesar da importância para o país, o cargo de senador da República é pouquíssimo comentado. E neste ano teremos duas vagas para a Câmara Alta. Quem tem o poder de decidir se um ministro do STF pode ou não perder o cargo é justamente o Senado. E as leis aprovadas pelos deputados federais na Câmara Baixa precisam ser submetidas ao Senado, para só depois irem para a sanção presidencial. 

Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) são as mais faladas na mídia, porque são os nomes mais conhecidos, além de apoiarem o governo federal. Guilherme Derrite (PP), aliado de Tarcísio de Freitas, e André do Prado (PL), apoiado por Flávio Bolsonaro, fazem oposição ao governo federal e apoiam o estadual. 

Até há pouco, o ex-ministro de Jair Bolsonaro Ricardo Salles (Novo) estava no páreo, também. Ele resolveu desistir da campanha, para apoiar os outros candidatos de "direita", Derrite e Prado. Salles não simpatiza com o governo paulista e atualmente está brigado com o bolsonarismo, mas, no seu entendimento, é necessário enfraquecer o adversário comum, o petismo, e impedir Marina e Tebet de conquistarem as vagas. 

Ricardo Salles (o primeiro à esquerda) saiu da candidatura ao Senado; Tebet, Derrite, Marina e Prado continuam no páreo (Reprodução/UOL)

A mídia aproveitou para lembrar dos R$ 3,6 milhões recebidos por Salles, como parte do Fundo Partidário, curiosamente um recurso que é alvo de críticas pelo seu partido, o Novo. Ele só precisará devolver a parte ainda não gasta na sua campanha. Questionamentos da imprensa sobre os gastos de campanha nem sempre são feitos, e dependem do perfil do candidato. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Será que está funcionando?

Existe uma história bem disseminada por mais de dois séculos, principalmente nos países de língua inglesa, sobre um suposto método de treinamento de cães de caça, usando um arenque defumado para tentar ludibriá-los. O peixe de cheiro forte e cor avermelhada, conhecido como red herring, tornou-se sinônimo de pista falsa ou manobra para desviar um assunto. 

O arenque defumado é conhecido pelo forte cheiro e tem a mesma cor da bandeira do PT e do PCdoB, os partidos de Lula e Flávio Dino (Divulgação/Vecteezy)


Flávio Dino, ministro do STF e ex-membro do PCdoB, um dos partidos "vermelhos" do Brasil ao lado do aliado histórico PT, pareceu usar desse expediente para desviar a atenção da mídia, que estava concentrada na cobertura do caso Master envolvendo o STF. Após desfazer numa canetada, por decisão monocrática, o afastamento do diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, decidido por outra decisão monocrática, de André Mendonça, mas com respaldo da Segunda Turma, o ex-governador do Maranhão resolveu usar outra tática para, segundo ele, tirar a marca de alvo do Supremo.

Andrei Rodrigues foi citado por Vorcaro e era acusado de usar a PF para perseguir opositores. Seu afastamento foi solicitado pelo partido Novo, e André Mendonça o atendeu. 

Dino reconduziu Andrei e mandou a PF investigar as atividades da produtora Go Up, responsável pelo filme Dark House, uma biografia romantizada do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela teria solicitado o financiamento do filme pelo Banco Master, com a ajuda do ex-Secretário Nacional de Cultura Mário Frias (durante a gestão de Bolsonaro o ministério da Cultura foi rebaixado de status) e da consultora NTT. 

Esta atitude reforça as acusações da oposição sobre o uso político da PF contra ela. Enquanto isso, boa parte da mídia parou de concentrar a atenção no Supremo. Mas a outra parte não se deixou levar por este "arenque vermelho-petista" e continuou a pedir as cabeças dos ministros do STF apontados como parceiros de Vorcaro, ou seja, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, com a complacência de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Flávio Dino. 

No entender de parte da opinião pública, mesmo com a manobra para "salvar" a imagem do Judiciário, ele está condenado.  Este Poder da República está se deteriorando, cheirando mais forte do que um red herring. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Debate em São Paulo (ou, Tarcísio rumo à reeleição)

O debate da Band nos mostrou algo esclarecer a respeito da corrida para o governo de São Paulo. Primeiro, a ausência de outros candidatos, que são vários, mostrando a relevância de quem realmente está disputando o cargo: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda (e ex-prefeito de São Paulo) Fernando Haddad (PT). Segundo, Haddad até tentou, mas não conseguiu lucrar com a primeira chance real de mostrar sua força como candidato ao governo paulista. 

Houve uma clara tendência para federalizar os assuntos, e Haddad, como era esperado para alguém do PT, falou amplamente sobre a relação entre Tarcísio e o ex-presidente Jair Bolsonaro, e também o ex-secretário de Segurança odiado pelos petistas, Guilherme Derrite, além de tentar emplacar a acusação de fortalecimento do crime organizado, com a migração de membros do Comando Vermelho do Rio para São Paulo, para competir com o PCC, seu inimigo dentro das organizações agora consideradas como terroristas, por comandarem um Estado paralelo financiador de violência dentro e fora do Brasil. 

No entanto, isso não foi o suficiente para desestabilizar o governador, franco favorito nas pesquisas. É bem possível que isso contribua para levar Tarcísio para a reeleição. 

Os indicadores de segurança estão melhorando, apesar de ainda estarem péssimos: os roubos e furtos de veículos despencaram 11,43% em 2025, segundo dados do Boletim Tracker Fecap. Outras modalidades de roubos e furtos estão oscilando, e houve queda muito expressiva no índice de latrocínios (50% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Secretaria de Segurança Pública - SSP). Ainda precisa melhorar muito, ainda mais porque o número de feminicídios aumentou. 

Os indicadores do Ideb, para a Educação, também melhoraram, mas ainda envergonham, por se tratar do Estado mais poderoso do Brasil. E as obras públicas no Estado, cujo apelo é sempre forte para o eleitorado, estão avançando de forma convincente, principalmente o Rodoanel, em processo de (finalmente) ser completado. 

Para conferir o desempenho de Tarcísio e Haddad, veja o debate abaixo, pelo canal da Band (Youtube):


N. do A.: Outro assunto, bem diferente, domina as manchetes da grande mídia: o terrível terremoto na Colômbia, que resultou em mais de 100 mortes e centenas de feridos na região de Cali. Esta tragédia marca o início do governo de Abelardo de la Espriella, cuja posse se deu na última sexta-feira (7), sem a presença de Lula, mas com a de Javier Milei, desafeto declarado do presidente petista e apoiador do colega colombiano. 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Alfredo Gaspar vai ser vice do Flávio

Ex-promotor público e ex-Secretário da Segurança Pública de Alagoas, e também filiado ao PL, Alfredo Gaspar aceitou ser vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Apesar da pressão política dos correligionários, para formar coligações com o PP e o Republicanos, a chapa "puro sangue" está aparentemente decidida. 

Não demorou para os governistas tentarem encontrar algum suposto ponto fraco. Encontraram um daqueles bem escabrosos: ele foi acusado de estuprar uma adolescente de 13 anos, em processo ainda para ser avaliado pela PGR. O próprio Gaspar solicitou um exame de DNA como contraprova de sua inocência no caso, algo que acusados de estupro em geral temem fazer. 

Eles também apontam a influência de Arthur Lira, ex-presidente da Câmara e padrinho político do atual mandatário do cargo, Hugo Motta. Os governistas, aliás, possuem entre seus pares o ex-senador Renan Calheiros. Tanto Lira quanto Calheiros são vistos como membros da "República de Alagoas", e não faltam os "isentões" para concordarem com uma das máximas do escritor - alagoano - Graciliano Ramos, o autor de Vidas Secas, que chegou a falar em "Golfo de Alagoas", ou seja, inundar o estado para formar uma formação marítima agora inexistente no Brasil. 

Há quem queira convencer o filho mais velho de Jair Bolsonaro a oferecer o cargo de vice para a madrasta, Michelle Bolsonaro, para tentar conquistar mais votos das mulheres. Mas Flávio já decidiu e vai prestigiar Gaspar, pois o considera uma pessoa comprometida com a segurança pública, um problema recorrente não só em Alagoas, mas no Brasil todo. 

Alfredo Gaspar vai concorrer ao cargo de vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (Andressa Anholete / Agência Estado)

O cargo de vice-presidente gerou alguns problemas no passado, inclusive para Jair Bolsonaro, que indicou o general Henrique Mourão, muito criticado pelos bolsonaristas por não rezar a cartilha deles. Mourão, por exemplo, apoiou as medidas sanitárias durante a pandemia de COVID-19. Fernando Collor teve Itamar Franco, com quem teve algumas rusgas devido às diferenças ideológicas, e Michel Temer foi acusado de conspirar contra Dilma Rousseff. 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

E agora?

Lulinha, filho do presidente, aparentemente perdeu a cobertura do pai e o STF autoriza a investigá-lo no processo que o liga a um rumoroso esquema para autorizar a venda de cannabis medicinal e, principalmente, ao escândalo bilionário do INSS, juntamente com Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS".

O presidente disse que o filho "não irá se esconder" caso for julgado, e, mais uma vez invertendo o ônus da prova, "terá de provar que é inocente". (*) Provas, mesmo, foram recolhidas pelo MP e pela Polícia Federal, e deverão ser validadas em julgamento. E possivelmente virão mais, pois André Mendonça autorizou a PF a fazer seu trabalho. Mas não faltam motivos para esse trabalho continuar a ser influenciado pelo fato de Lulinha ser o "filho do homem".

Lulinha (esq.) e o "careca do INSS" continuam enrolados com a Justiça (Divulgação)


Quanto à oposição, ela vai tentar usar as investigações para prejudicar a campanha de reeleição de Lula. Flávio Bolsonaro, o mais forte na corrida presidencial entre os oposicionistas, pode vir a ser beneficiado, mas ele continua a ser ligado, pelo governo, às imposições de tarifas pelo governo americano e ao envolvimento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Neste último caso, o governo também está atolado até o pescoço, ainda mais com o indiciamento do senador Jaques Wagner, também acusado de estar envolvido no vazamento de dados das negociações do ex-governador baiano e líder do governo na Câmara Alta com o Banco Master.


(*) O presidente Lula apregoa várias vezes a sua inocência, embora as condenações em anos recentes durante a Operação Lava Jato mostrem o contrário. O STF, ao largo da lei, proclamou a sua "descondenação" para ele voltar a se candidatar à Presidência em 2022. Isso foi tratado por este blog e outros meios de comunicação. 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

E o que nós entendemos por democracia?

No Brasil, ainda há o velho hábito de pensar em democracia como a existência de eleições livres, onde se pode votar no político de sua preferência, na esperança de haver melhorias em pautas específicas, como segurança, saúde pública, educação, infra-estrutura. 

Quem tem um pouco mais de vínculo com a política, entendimento de como ela funciona, em geral está atrelado a ideologias políticas. Os adeptos de Lula o defendem, mesmo quando suas medidas visam exclusivamente o interesse eleitoral, como o Bolsa Família, ou são "cortina de fumaça" para não atacar os verdadeiros problemas nacionais, como o programa Brasil Soberano, para responder às tarifas impostas pelo governo americano sobre os produtos brasileiros. Já os oposicionistas apontam os ataques à liberdade feitos pelo governo e também pelo STF, acusado de estar excessivamente vinculado ao Executivo, como o irregular processo contra os manifestantes do 8/1 e contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O ex-capitão ora é visto como um "inimigo da democracia" pelos lulistas, ora é visto como o maior representante do povo brasileiro pelos seus adeptos. 

Há alguns fatores que afetam a noção de como enxergamos a democracia no Brasil, como a necessidade de coligações para manter a governabilidade, uma característica dos regimes onde o presidente é a maior autoridade política. E isso envolve o Centrão, uma importante base política formada por pessoas hábeis em manter-se influentes, mantendo suas bases eleitorais (pejorativamente chamadas de "currais") e conseguindo cargos importantes nos núcleos do poder, principalmente em Brasília. O sistema eleitoral com partidos políticos sem maior compromisso com o progresso e o amadurecimento da nação, e as urnas eletrônicas, ainda vistas como fáceis de fraudar e chamadas de "caixinhas mágicas" pelos inimigos delas (pelo menos as antigas urnas de papel davam sinais mais claros de manipulação), também poderiam ser objeto de msis debates por quem possuem tempo e argumentos para fazê-los. 

E ainda quem sonhe com regimes de governo mais perfeitos, para apressar as mudanças no país, pois nossa "democracia" é imperfeita demais e não favorece o progresso almejado por esta grande Nação. Mas as alternativas conhecidas já foram tentadas, como o autoritarismo (militar ou civil) ou a monarquia. E as desconhecidas, como a IA ou os extraterrestres, ainda não fazem parte de discussões sérias. 

terça-feira, 21 de julho de 2026

O que eles entendem por democracia

Nesta semana, o ditador da Nicarágua Daniel Ortega, que governa o país desde 2006 após eleições suspeitas, a última em 2021 praticamente sem oposição, desfez toda a aparência de democracia ao declarar a suspensão de novas eleições. 

Ortega e seus aliados, como o ex-presidente Nicolas Maduro, orgulham-se de se autodeclararem representantes de seus povos. Mas isso faz seus governos realmente serem deles?

Até os monumentos eregidos nas praças constatam o contrário. Na Nicarágua, o povo vive na miséria e não há esperança de melhoria. Eventuais obras planejadas no país visam mais atender os interesses da China, com quem Ortega estabelece relações fortes. Ele quer aumentar ainda mais os vínculos, ao banir a oposição acusada de ser "agente dos Estados Unidos" e até de "somozismo", ou seja, defender a ideologia vigente na tirânica e corrupta ditadura de Anastasio Somoza, que governou o país nos anos 1970, até ser deposto pelos guerrilheiros sandinistas liderados por Ortega. 

Daniel Ortega vê "somozismo" nos atos da oposição, que pressiona por democracia (Divulgação/AP2011)

Para os regimes influenciados pela doutrina de Fidel Castro e de Che Guevara, Ortega e Maduro seriam "democratas", mesmo com o Legislativo silenciado e o Judiciário cúmplice de suas medidas. Lula é acusado de estar mais próximo com esse modelo político. E a oposição continua a ser vista como inimiga do povo, mesmo que represente uma parte considerável dele, isto é, dos que estão insatisfeitos com os rumos de seus países. Isso é o velho viés ideológico, onde quem está do lado deles pode alegar qualquer coisa, mesmo quando, na verdade, oprime sua gente com medidas discricionárias, reprimindo as liberdades, os direitos individuais e coletivos, assim como o próprio conceito de Direito Natural como princípio inviolável. 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Tarifaço vai mesmo sair

Uma medida certamente mais perigosa e impiedosa do que a seleção argentina na Copa do Mundo, que vai para as finais da Copa para desgosto de ingleses (e brasileiros...) é o "tarifaço" confirmado pelo governo Trump contra produtos brasileiros. 

Carne, café e alguns minérios vão ficar de fora dos 25% a mais de taxas, mas a maior parte dos produtos agropecuários não escapará. 

Não adiantou nada a visita de Flávio Bolsonaro para dissuadir Trump. Mas a tarefa de fazer isso cabia ao governo, não ao principal líder da oposição. Pelo menos, isso reforçou a posição dos bolsonaristas e de boa parte de quem não endossa a administração petista. 

Serão inúteis as tentativas de "reciprocidade" a serem adotadas pelo governo. E um dos principais responsáveis nem se manifesta: o STF, que há muito deixou de exerceu seu papel e quis intervir até em empresas e cidadãos de outros países, particularmente os americanos, donos da maior parte das redes sociais, vistas como uma ameaça. 

É isso que deveria frustrar o brasileiro, não qualquer resultado no futebol, com os argentinos a um passo de serem tetracampeões enquanto o sonho do hexa fica para daqui a 4 anos - ou talvez nunca. 

This is gonna hurt you more than it hurts me, Brazil! (Jonathan Ernst / Reuters)


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Voltemos à realidade

A Seleção Brasileira conheceu o debacle na Copa do Mundo. Saiu até antes do esperado, graças ao mau futebol, muito inferior ao esperado, diante de um Haaland decisivo, fazendo dois gols. Neymar só foi entrar no fim do jogo, tomou um cartão amarelo idiota por provocar o goleiro Nyland antes de converter um pênalti. A vergonha mundial consolidou-se com o apito final. O volante Casemiro, visto como o capitão de facto do grupo, irreconhecível na partida, chorou ao dar entrevista e fez a repórter Fernanda Gentil chorar também. Ele e vários outros jogadores, Neymar inclusive, encerram seu ciclo na Seleção, como a "nova geração perdida". Foi a pior participação do Brasil no torneio desde 1990, quando, na Itália, eles foram eliminados de forma humilhante por Caniggia, Maradona e os outros hermanos. Desde 2002 os torcedores esperavam por um título. E podem ainda ver o risco de "italianização", ou seja, o time começar a ter dificuldades crescentes para se classificar para novos torneios mundiais, até não conseguir mais, ou alguém que não entenda de futebol mas de guerra - de verdade - decidir os rumos do mundo. O técnico, aliás, já é italiano: Carlo Ancelotti. Ele ainda vai permanecer para cumprir contrato até 2030, isso se resolver rescindí-lo para não arriscar seu até então elogiável currículo como ex-comandante de times como Milan, PSG, Bayern de Munique e, principalmente, Real Madrid. 

Vini Jr. assumiu o papel de protagonista da Seleção, mas isso não foi o suficiente para impedir a eliminação precoce da Copa para os noruegueses (Matthew Childs/Reuters)


Mas agora parte do Brasil volta à realidade, porque muitos dos nossos compatriotas não saíram dela, ou nunca a conheceram. 

Flávio Bolsonaro foi até os Estados Unidos em meio às rusgas com Michelle Bolsonaro, pioradas por conta de opinião infeliz do aliado de Flávio, Paulo Figueiredo, a respeito do voto das mulheres, e também pela insistência de querer o apoio de Ciro Gomes no Ceará, por meio de Alcides Fernandes, pré-candidato ao Senado pelo Estado. O filho do Jair quer conversar para reverter o risco de "tarifaço" contra produtos brasileiros. Ele aproveita para defender duas pautas, uma boa e outra ruim. A boa é o PIX, criado no governo do pai dele, que se revelou um meio confiável e eficiente para transações bancárias, mas contestado pelas empresas administradoras de cartões de crédito, todas americanas. A ruim é propor um acordo de equiparação do álcool brasileiro de cana com o americano, feito a partir do milho, algo potencialmente lesivo aos nossos produtores. 

Isso dá uma certa munição para as bravatas do presidente Lula, que chama o "01" de "entreguista", mas nada faz de concreto para defender a soberania do Brasil como ele diz. 

Enquanto isso, pouco se falou das festividades dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, pela grande mídia brasileira, que preferiu destacar a "politização" do evento por Donald Trump, algo que todo político faz em qualquer lugar do mundo. A cobertura das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques dos EUA e Israel em Teerã no dia 28 de fevereiro foi mais presente nos portais de notícias, assim como o anúncio do Hamas ter deixado, surpreendentemente, o governo de Gaza, para entregar ao Conselho da Paz criado pelo presidente americano, mas não fala em depor as armas, como quer o governo israelense. 

Ainda há assuntos também extensamente abordados e comentados, como o escândalo do banco Master, o envolvimento do filho de Lula no escândalo do INSS, a guerra sem fim na Ucrânia. 


N. do A.: A Copa continua, com a eliminação de Portugal pela Espanha e a possível despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Portuguesa, diante de mais um fracasso em lutar pelo título. E repercutiu muito mal a suspensão do cartão vermelho tomado pelo atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. A FIFA não convenceu na sua justificativa, após receber um telefonema do próprio presidente do país anfitrião, Donald Trump, criticando a expulsão e o juiz brasileiro que aplicou corretamente a pena, durante jogo com a Bósnia pelas 16ªs de finais. Isso gerou protestos irritados de jornalistas, esportistas e até do ex-dirigente Joseph Blatter. E Maurício Pochettino, técnico da equipe americana, agiu mal ao escalar Balogun para o jogo com a Bélgica. Essa polêmica teve como resultado a derrota dos americanos para os belgas em Seattle, eliminando o último dos representantes anfitriões desta Copa. Os canadenses perderam de Marrocos facilmente (3 a 0), em Houston, mas os mexicanos lutaram até o fim contra os ingleses. no Azteca (Ciudad de México), perdendo de 3 a 2. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

E a mídia nao fala só de Copa

Em outros tempos, os brasileiros ficavam mais anestesiados durante a Copa do Mundo. O evento muitas vezes fazia esquecer os problemas do cotidiano, dando razão ao sábio Nelson Rodrigues. 

Sim, a mídia está dando destaque ao CR7, que fez dois gols e mostrou a sua categoria sobre o pobre time uzbeque, à maneira do antigo imperador Cômodo, que se exibia no Coliseu lutando com escravos. Mas outros assuntos estão chamando a atenção. 

Temos a investigação da Polícia Federal sobre o banco Digimais, financiador da Igreja Universal do Reino do Deus, de Edir Macedo. A instituição financeira está com déficit bilionário, e se ofereceu para venda ao BTG Pactual, mas ainda falta esclarecer o rombo. A agência Moody classifica o rating do Digimais como quase próximo da insolvência, com a baixíssima nota CCC+. 

Edir Macedo, dono da IURD e do Grupo Record, é acionista no banco Digimais (Divulgação/Fotomontagem)

Continuam também os esforços para um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Israel aponta os aspectos estranhos da iniciativa de Donald Trump, pois não foi convidado para assinar o acordo, sendo uma das partes envolvidas ativas. O sul do Líbano continua ocupado por tropas israelenses, dispostas a permanecer enquanto o grupo terrorista Hizbollah não se desarmar e o regime iraniano continuar a exercer influência no Líbano, há décadas padecendo como um joguete dos países mais poderosos da região. 

Trump também atua ativamente na América Latina, onde as forças conservadoras ganham terreno. Muitos brasileiros esqueceram a Copa e estão mais interessados na atuação do presidente americano e seu secretário Marco Rubio, que ameaçam retomar as sanções contra o Brasil em geral e contra Alexandre de Moraes em particular. Além disso, na América Latina as forças conservadoras ganham terreno com a vitória eleitoral de Abellardo de La Espriella ("El Tigre") na Colômbia e a confirmação da vitória de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, nas eleições peruanas realizadas em abril. Haverá uma confirmação da vitória, contestada pelo candidato derrotado Roberto Sánchez, que ameaça pedir a impugnação dos votos no exterior. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O que foi mais horroroso de ver?

 a) O meio-campista do time canadense Ismael Koné quebrar a perna após sofrer uma entrada forte do jogador do Qatar Assim Madibo, resultando em confusão e cartão vermelho; o jogo terminou em 6 a 0 para os anfitriões em Vancouver. 

b) As cenas de Lula divulgadas pelas redes sociais na reunião do G7. 

c) A postura "toda poderosa" de Trump na mesma reunião (I am the boss!). 

d) Jacques Wagner ser investigado pela PF, desmontando a narrativa de Daniel Vorcaro financiando oposicionistas. 

e) Este blog cheio de enquetes! Bleargh!

terça-feira, 16 de junho de 2026

Faz sentido?

A Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto. O deputado cassado, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, está atuando nos Estados Unidos para denunciar o processo contra seu pai. Com a decisão dos ministros do Supremo, o "03" fica impedido de concorrer a novo mandato até 2038. 

Ele foi considerado culpado da acusação de coagir a Justiça para impedí-la de dar prosseguimento às investigações sobre o 8/1. Segundo o STF, houve uma tentativa de golpe, e Bolsonaro esteve envolvido ativamente, como parte interessada, em impedir o atual presidente Lula de exercer o mandato pelo qual foi eleito, sempre de acordo com o número oficial de votos apurados nas eleições de 2022. 

Alexandre de Moraes, o relator do processo, disse que Eduardo Bolsonaro estava tentando "fazer lobby contra o próprio país", quando os críticos contestam. Eles apontam-no como, ao mesmo tempo, vítima, promotor e júri do caso, e deveria se declarar impedido de votar, deixando a decisão para os outros membros da Turma. Isso não mudaria nada, como se seguiu. 

Flávio Dino e Cristiano Zanin manifestaram-se no mesmo sentido, enquanto Carmen Lúcia não quis se pronunciar publicamente, embora tivesse votado pela condenação. Luiz Fux está de mudança para a Segunda Turma, deixando a cadeira vaga para o próximo indicado. Possivelmente esse vazio só será preenchido pelo eleito neste ano. 

Esdras dos Santos Carvalho, integrante da defesa do deputado cassado, defendeu a nulidade do processo, dizendo que seu cliente fez "interlocução política", e não teria coagido ninguém. Na visão dos  defensores da atuação do ex-deputado, não faria sentido fazer coação dentro de um país estrangeiro, onde ministro algum do Brasil poderia interferir.

Eduardo Bolsonaro é visto como culpado pela implantação das sanções americanas contra o Brasil, e pelas pressões em favor da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. 

A Primeira Turma do STF, responsável pela condenação à prisão de Eduardo Bolsonaro; Luiz Fux, o segundo da foto da esquerda para a direita, já não integra mais o grupo (Divulgação/O Globo)


N. do A.: Este blog vai se abster de falar sobre política durante este mês, para dar prioridade a outros assuntos. Não necessariamente vai comentar sobre a Copa do Mundo em todas as postagens. Aliás, a situação do Brasil promete ficar muito feia, também nas quatro linhas. Franceses e argentinos estrearam com vitória e brilho de seus astros, Mbappé e Messi, respectivamente. O franco-congolês do Real Madrid fez 2 dos 3 gols contra os senegaleses, e o fabuloso "extraterrestre" baixinho, atuando pela sexta Copa, fez um hat-trick e marcou sozinho contra o time da Argélia. Em outro jogo, outro grande astro, o norueguês Haaland, fez 2 dos 4 gols da equipe de seu país contra os infelizes representantes do Iraque, um país envolvido na guerra da Ásia Ocidental; esse conflito continua roubando os holofotes da mídia. 

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Agora, sim!

Ao contrário da visita de Lula à Casa Branca, a ida de Flávio Bolsonaro ao mesmo local, também para encontrar Donald Trump, gerou um efeito imediato. 

Esperado há muito por boa parte dos brasileiros, principalmente as vítimas da criminalidade e outros negócios suspeitos, a Casa Branca determinou a inclusão do PCC e do CV como grupos terroristas. 

Pode-se argumentar que Trump ia realmente fazer isso, com a visita do filho do aliado e ex-presidente ou não, mas isso representará um grande revés para os referidos grupos e para o governo Lula, que sempre alega a medida como pretexto para uma intervenção externa, além de prejudicar a sua campanha pela reeleição. 

Os efeitos podem se estender às instituições financeiras, onde os chefes do tráfico guardam seu dinheiro, alem de representar sanções às empresas envolvidas com as siglas, Pode representar um golpe em muitos candidatos aos cargos públicos este ano. E, até certo ponto, podem representar mais vindas de agentes do FBI, da CIA, da Interpol, e outros organismos internacionais, em cidades onde o crime organizado atua. 

Marco Rubio, o Secretário de Estado americano, divulgou nas redes sociais uma notícia desagradável para as facções criminosas brasileiras e para o governo Lula (Divulgação/X)

Isto pode representar uma garantia de vitória política de Marco Rubio, o secretário de Estado considerado favorito para ser o candidato republicano à Presidência americana em 2028, e um alento para a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência brasileira neste ano. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Coisas para aguardar o resultado (e desfrutar, ou se arrepender)

Algumas decisões foram tomadas nestes últimos dias e para a população só resta aguardar quando elas passem a valer ou quando o resultado desejado (ou não) vier. 

1. A devolução de R$ 5,5 bilhões da Aneel para as contas de luz do Norte, Nordeste, Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo. 

2. O fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para os juízes, decidido pela Primeira Turma do STF. 

3. O impacto das medidas do governo visando as eleições deste ano, como a isenção ou redução de tributos (PIS e Cofins) para os combustíveis...

4. ... ou o fim da jornada 6x1, aprovada pela Comissão da Câmara. 

5. A convocação de Neymar para a Seleção (essa, de longe, vai ter o menor impacto na vida do povo). 

terça-feira, 19 de maio de 2026

Jim Caviezel, o proscrito

A inteligentsia não gosta de divulgar  certos nomes que divergem de seus pontos de vista. Um deles é o ator Jim Caviezel, de carreira sólida mas longe de receber os elogios recebidos por nomes cultuados pela grande imprensa, como Wagner Moura. 

Adepto de Trump, defensor de teses consideradas "teorias da conspiração" (um termo guarda-chuva para designar tudo o que a referida inteligentsia não quer debater), e participante de filmes adorados pelos conservadores e detestados pelos progressistas, como A Paixão de Cristo e O Som da Liberdade, ele apareceu no trailer do filme divulgado por Flávio Bolsonaro sobre o pai, interpretando ele próprio, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Dark House (O Azarão) é todo em inglês, rodado só em parte em São Paulo, com locações no México e nos Estados Unidos. Mesmo os atores brasileiros, como o ex-ministro Mário Frias e Vanessa Machado, se viram obrigados a terem diálogos na língua de Shakespeare, e não no idioma pátrio. Não deixa de ser estranho. 

Caviezel no papel de Jair Bolsonaro - o jornal O Globo chama-o de "ídolo da extrema-direita" (Divulgação)

Dark House nem estreou e já é atacado por toda parte, devido a parte do financiamento vir do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e suas cifras são, segundo o Intercept, elevadas demais para serem apenas sobre o filme. Há acusações de lavagem de dinheiro e pagamento de verbas para parlamentares da oposição, assim como o governo torra bilhões para beneficiar os aliados de lá, no Congresso. Mas é o pretexto perfeito para minar a candidatura de Flávio, em benefício do atual presidente, cujo governo e seus apoiadores nos outros dois Poderes estão, também, envolvidos até a medula com Vorcaro. 

Mas vamos nos ater, na medida do possível, a Jim Caviezel. Sua carreira foi marcada pelo filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. A atuação foi tão visceral, e ele passou por tantos incidentes estranhos, como ser atingido por um raio duas vezes e ficar ferido de verdade com o açoite usado pelo ator que viveu o soldado romano, a ponto de ser visto como o mais marcante intérprete de Cristo da história. 

Depois, ele teve dificuldade para conseguir um papel no cinema. Foi para a televisão, fazer o seriado Pessoa de Interesse, da CBS, sobre atividades ocultas da CIA. Só voltou a Hollywood para interpretar um papel secundário em Rota de Fuga, estrelado por Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, em 2013. Voltou à TV para narrar documentários sobre a Polônia, relativos à vida de João Paulo II, ao sofrimento do povo polonês com o nazismo e o comunismo. Em 2020, fez Infidel, sobre um refém do terrorismo iraniano. Mais tarde, defendeu Trump e a tese do tráfico de crianças por entidades ligadas a membros do Partido Democrata, líderes globais e celebridades, assunto abordado em Som da Liberdade. Agora, interpreta o presidente Jair Bolsonaro no filme Dark House, sobre a campanha presidencial de 2018. 

Assistam antes de possíveis medidas para impedir a divulgação do filme (canal Itatiaia)

E vai voltar como Jesus Cristo, na sequência do filme de 2004, chamado A Paixão de Cristo: Ressurreição, para certamente ser adorado por uns e criticado por outros, juntamente com o diretor Mel Gibson. Isso é um desafio para o ator, considerado idoso demais para o papel do Messias, que morreu e ressuscitou aos 33 anos, segundo a tradição. Efeitos especiais usando IA vão rejuvenescer sua imagem. 

Por isso, a crítica de Hollywood e a grande mídia geralmente evita falar de Caviezel. E o próprio ambiente onde ele trabalha não o favorece. Ele não se dá muito bem com os colegas de Hollywood, devido ao seu catolicismo ardente e sua aversão pelo uso de drogas. 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Vorcaristão?

 Bancos, em tese, não possuem ideologia, podendo ajudar qualquer um, principalmente aqueles capazes de pagar por seus serviços. Eles não distinguem posições políticas, como os bancos suíços provam, em relação a todos os tipos de gente que procuram instituições confiáveis para guardarem seu dinheiro, independente de como ele foi adquirido. Não será necessário, e nem um pouco agradável, entrar em detalhes neste ponto. 

O Banco Master estava muito longe da credibilidade de algo estabelecido nos Alpes, mas não escolhia clientela. Isso foi provado ao atender ministros de Lula, togados do STF, políticos da oposição e, de acordo com o famigerado site Intercept Brasil, aquele mesmo do Gleen Greenwald, a família Bolsonaro. 

Segundo os áudios, houve um encontro entre o então senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, entre setembro e novembro de 2025, antes do escândalo Master estourar. O "01" teria cobrado a liberação de um financiamento para o filme sobre o pai, cujas parcelas estavam atrasadas. R$ 61 milhões foram pagos, entre fevereiro e maio de 2025, mas o montante era de US$ 24 milhões (na época, cerca de R$ 134 milhões). Após o último contato, Vorcaro sofreu uma tentativa de prisão, no dia 18 de novembro. 

A dinheirama foi comparada aos milhões gastos com NOSSO DINHEIRO pela Lei Rouanet para financiar filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Mas há um esforço dos setores governistas para apontar Vorcaro como financiador dos Bolsonaros, omitindo as fortunas liberadas para outras autoridades, como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Jacques Wagner, Ricardo Lewandowski, Ciro Nogueira, etc. 

Existe a tentação, para alguns puristas, denunciando o poder de corruptores como Vorcaro para destruir o Brasil, e isso serve de pretexto para o voto nulo, ou a volta da monarquia, ou a intervenção militar, ou a implantação de uma regime anarquista. Para piorar, os brasileiros não têm acesso à informação de qualidade, isso quando recebem instrução razoável o suficiente. Como resultado, a opinião pública enxerga o problema de uma forma distorcida e não consegue reagir de forma decisiva contra isso, facilitando o trabalho de quem pertence ao círculo de poder. Daniel Vorcaro está longe de ser, sozinho, o dono do Brasil, logo não se pode falar no "Vorcaristão" no título, mas ele faz parte do mecanismo que trava a capacidade do país de alcançar seu potencial. 

A grande mídia, altamente vinculada ao círculo de poder, explora o caso Master à exaustão, agora com um novo episódio envolvendo o candidato da oposição à Presidência da República (Estadão)



terça-feira, 12 de maio de 2026

Fim da taxa das blusinhas

O presidente Lula assinou uma MP revogando a "taxa das blusinhas". A malfadada taxa de 20% sobre o preço dos produtos já majorado com o ICMS (imposto estadual que permanece) vai acabar. 

Calma: possivelmente ela retornará, caso houver suficiente pressão do varejo brasileiro em 2027, independente do governo eleito. Lula quer agradar a quem faz compras miúdas nos sites chineses. Com a taxação extra, houve queda nas vendas, apesar da arrecadação extra de R$ 9 bilhões entre agosto de 2024 e abril deste ano. 

O governo culpa o Congresso e os lojistas já estabelecidos. Eles citaram novamente o "velho da Havan", apoiador de Jair Bolsonaro, por pressionar o Legislativo a regulamentar a cobrança. Não falaram sobre a sua parte do negócio. Fernando Haddad, então ministro da Fazenda, defendeu a taxação, e Lula sancionou. 

Agora, quem precisava adquirir produtos de pequeno valor na China, principalmente aqueles difíceis de serem encontrados aqui, vai voltar a pagar menos, continuando a sofrer em caso de defeito de fabricação, pois quase tudo é na base do "wô jiùshi baozheng" (ou, como se diz em Ciudad del Este, para onde iam os brasileiros em busca de produtos baratos vindos do exterior, La garantia soy yo). Não podem simplesmente devolver aos fabricantes  chineses para trocarem suas mercadorias defeituosas, e muitas vezes não conseguem ressarcimento por parte das plataformas que intermedeiam as compras e as vendas. Mas quem compra por aqui, pagando muito mais, também sofre quando precisa acionar a garantia, em tese existente, ou tenta acionar o Código de Defesa do Consumidor, e também acaba no  desamparo. 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Jorge Messias sabatinado (e sacado)

O Senado, finalmente, fez a sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para substituir Luís Roberto Barroso. (*) E fez história, ao rejeitar a sua indicação, algo raríssimo de acontecer no Brasil. 

Neste meio tempo, as decisões do plenário do Supremo Tribunal Federal não correram o risco de ficarem no empate, mesmo com dez integrantes. Neste caso, o voto do presidente da Corte, no momento Edson Fachin, teria mais peso. 

Mais importante: os embates entre os togados e os senadores aumentaram, principalmente com o escândalo do Banco Master vindo à tona, envolvendo vários ministros. O relator da CPI do Master (ou do Crime Organizado) Alessandro Vieira (MDB-SE) enquadrou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, recebendo respostas bastante agressivas de volta. Isso provocou revolta no Legislativo, acostumado a "engolir sapos" principalmente quando o Judiciário se mete a tomar o lugar dele para debater projetos de lei ou lidar com os parlamentares considerados partidários dos réus do 8/1 ou passíveis de inquérito das fake news. 

Como resultado desse conflito, houve algo impensável para muitos. Jorge Messias foi sabatinado, respondeu às questões assumindo uma postura "conservadora" sobre o aborto e "conciliadora" na questão do 8/1. Isso não convenceu muitos senadores, que exploraram a postura contraditória nessas questões, quando ele era o advogado-geral da União. Também o episódio da tentativa de tornar Lula ministro às vésperas de sua condenação pela Lava Jato foi lembrado. Na época (2016), ele era indicado para o cargo de ministro da Casa Civil e foi chamado de "Bessias" pela então presidente Dilma Rousseff. 

Assim, o plenário do Senado deu o seu parecer: 42 votos contra e 34 a favor. Uma derrota dolorosa para o governo Lula. A rejeição de candidatos a uma vaga no Supremo não acontecia desde 1894, no tempo do ditatorial Floriano Peixoto, quando o Parlamento tomou coragem e não aceitou os cinco nomes impostos pelo "Marechal de Ferro". 

Senadores como Gustavo Gayer (PL-GO), Magno Malta (PL-ES), Rogério Marinho (PL-RN), Márcio Bittar (PL-AC) e Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) comemoraram a recusa de Jorge Messias, o "Bessias", a uma vaga no STF (Tom Molina/Agência Senado)




(*) Três nomes odiados e execrados por boa parte da opinião pública, que abraçou a causa da oposição ao governo e ao STF, não necessariamente alinhada com o bolsonarismo.