A inteligentsia não gosta de divulgar certos nomes que divergem de seus pontos de vista. Um deles é o ator Jim Caviezel, de carreira sólida mas longe de receber os elogios recebidos por nomes cultuados pela grande imprensa, como Wagner Moura.
Adepto de Trump, defensor de teses consideradas "teorias da conspiração" (um termo guarda-chuva para designar tudo o que a referida inteligentsia não quer debater), e participante de filmes adorados pelos conservadores e detestados pelos progressistas, como A Paixão de Cristo e O Som da Liberdade, ele apareceu no trailer do filme divulgado por Flávio Bolsonaro sobre o pai, interpretando ele próprio, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Dark House (O Azarão) é todo em inglês, rodado só em parte em São Paulo, com locações no México e nos Estados Unidos. Mesmo os atores brasileiros, como o ex-ministro Mário Frias e Vanessa Machado, se viram obrigados a terem diálogos na língua de Shakespeare, e não no idioma pátrio. Não deixa de ser estranho.
| Caviezel no papel de Jair Bolsonaro - o jornal O Globo chama-o de "ídolo da extrema-direita" (Divulgação) |
Dark House nem estreou e já é atacado por toda parte, devido a parte do financiamento vir do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e suas cifras são, segundo o Intercept, elevadas demais para serem apenas sobre o filme. Há acusações de lavagem de dinheiro e pagamento de verbas para parlamentares da oposição, assim como o governo torra bilhões para beneficiar os aliados de lá, no Congresso. Mas é o pretexto perfeito para minar a candidatura de Flávio, em benefício do atual presidente, cujo governo e seus apoiadores nos outros dois Poderes estão, também, envolvidos até a medula com Vorcaro.
Mas vamos nos ater, na medida do possível, a Jim Caviezel. Sua carreira foi marcada pelo filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson. A atuação foi tão visceral, e ele passou por tantos incidentes estranhos, como ser atingido por um raio duas vezes e ficar ferido de verdade com o açoite usado pelo ator que viveu o soldado romano, a ponto de ser visto como o mais marcante intérprete de Cristo da história.
Depois, ele teve dificuldade para conseguir um papel no cinema. Foi para a televisão, fazer o seriado Pessoa de Interesse, da CBS, sobre atividades ocultas da CIA. Só voltou a Hollywood para interpretar um papel secundário em Rota de Fuga, estrelado por Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, em 2013. Voltou à TV para narrar documentários sobre a Polônia, relativos à vida de João Paulo II, ao sofrimento do povo polonês com o nazismo e o comunismo. Em 2020, fez Infidel, sobre um refém do terrorismo iraniano. Mais tarde, defendeu Trump e a tese do tráfico de crianças por entidades ligadas a membros do Partido Democrata, líderes globais e celebridades, assunto abordado em Som da Liberdade. Agora, interpreta o presidente Jair Bolsonaro no filme Dark House, sobre a campanha presidencial de 2018.
E vai voltar como Jesus Cristo, na sequência do filme de 2004, chamado A Paixão de Cristo: Ressurreição, para certamente ser adorado por uns e criticado por outros, juntamente com o diretor Mel Gibson. Isso é um desafio para o ator, considerado idoso demais para o papel do Messias, que morreu e ressuscitou aos 33 anos, segundo a tradição. Efeitos especiais usando IA vão rejuvenescer sua imagem.
Por isso, a crítica de Hollywood e a grande mídia geralmente evita falar de Caviezel. E o próprio ambiente onde ele trabalha não o favorece. Ele não se dá muito bem com os colegas de Hollywood, devido ao seu catolicismo ardente e sua aversão pelo uso de drogas.
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