Há quase 30 anos, um brasileiro virou notícia no mundo inteiro ao se tornar campeão em Roland Garros, Gustavo Kuerten, o Guga. Ele se tornou ídolo esportivo, numa época onde o Brasil estava se habituando a deixar de ser somente o "país do futebol". Guga passou a virada do século XX sendo o número 1 da ATP, e quando foi superado ainda conseguiu, em 2004, derrotar a sensação do tênis, e número 1 daquele ano, o suíço Roger Federer, também no mesmo torneio.
João Fonseca está no caminho para ser considerado o sucessor de Guga. Ainda não é, mas ter derrotado o ex-número 1 da ATP, o sérvio Nowak Djokovic, indica fortemente essa tendência. Ele continua a ser um dos maiores tenistas do mundo, e passou 428 dias na liderança mundial, um recorde. Detém 24 títulos no Grand Slam. Para muitos, o maior tenista da História.
Nos primeiros dois sets, parecia dar a lógica, e Djokovic, atual número 4 da ATP, mostrou a experiência de seus quase 40 anos, contra o jovem carioca com metade de sua idade. Fez duplo 6/4, não sem empenho do seu jovem rival. Fonseca manteve o ritmo, reagiu e levou a disputa para outros três sets: houve uma reação surpreendente no terceiro set, com três break points do sérvio quebrados e 6 sets a 3 para o brasileiro; no quarto set, um equilíbrio forte e não habitual entre um veterano e um rapazote saído da adolescência (7/5), e no tie-break o sérvio não facilitou e fez o seu papel de dar um "batismo de fogo" ao seu discípulo - Fonseca é fã confesso de Djoko - e o brasileiro mostrou o seu talento, fechando o jogo por 7/5.
| Djokovic (esq.) reconheceu a derrota após quase cinco horas de batalha (Dimitar Dilkoff/ATP) |
É a primeira vitória de João contra um top 5, e uma das poucas derrotas de Djokovic após dominar os dois primeiros sets. No final, o mestre teve que reconhecer o resultado, perdendo para o seu fã de apenas 19 anos.
Agora, Fonseca promete seguir o exemplo de Guga, e enfrentará o norueguês Casper Rudd nas oitavas-de-final, para mais uma batalha no saibro.
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