sexta-feira, 29 de maio de 2026

Roland Garros volta às manchetes da mídia brasileira

Há quase 30 anos, um brasileiro virou notícia no mundo inteiro ao se tornar campeão em Roland Garros, Gustavo Kuerten, o Guga. Ele se tornou ídolo esportivo, numa época onde o Brasil estava se habituando a deixar de ser somente o "país do futebol". Guga passou a virada do século XX sendo o número 1 da ATP, e quando foi superado ainda conseguiu, em 2004, derrotar a sensação do tênis, e número 1 daquele ano, o suíço Roger Federer, também no mesmo torneio. 

João Fonseca está no caminho para ser considerado o sucessor de Guga. Ainda não é, mas ter derrotado o ex-número 1 da ATP, o sérvio Nowak Djokovic, indica fortemente essa tendência. Ele continua a ser um dos maiores tenistas do mundo, e passou 428 dias na liderança mundial, um recorde. Detém 24 títulos no Grand Slam. Para muitos, o maior tenista da História. 

Nos primeiros dois sets, parecia dar a lógica, e Djokovic, atual número 4 da ATP, mostrou a experiência de seus quase 40 anos, contra o jovem carioca com metade de sua idade. Fez duplo 6/4, não sem empenho do seu jovem rival. Fonseca manteve o ritmo, reagiu e levou a disputa para outros três sets: houve uma reação surpreendente no terceiro set, com três break points do sérvio quebrados e 6 sets a 3 para o brasileiro; no quarto set, um equilíbrio forte e não habitual entre um veterano e um rapazote saído da adolescência (7/5), e no tie-break o sérvio não facilitou e fez o seu papel de dar um "batismo de fogo" ao seu discípulo - Fonseca é fã confesso de Djoko - e o brasileiro mostrou o seu talento, fechando o jogo por 7/5. 

Djokovic (esq.) reconheceu a derrota após quase cinco horas de batalha (Dimitar Dilkoff/ATP)

É a primeira vitória de João contra um top 5, e uma das poucas derrotas de Djokovic após dominar os dois primeiros sets. No final, o mestre teve que reconhecer o resultado, perdendo para o seu fã de apenas 19 anos. 

Agora, Fonseca promete seguir o exemplo de Guga, e enfrentará o norueguês Casper Rudd nas oitavas-de-final, para mais uma batalha no saibro. 

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