quarta-feira, 13 de maio de 2026

Vorcaristão?

 Bancos, em tese, não possuem ideologia, podendo ajudar qualquer um, principalmente aqueles capazes de pagar por seus serviços. Eles não distinguem posições políticas, como os bancos suíços provam, em relação a todos os tipos de gente que procuram instituições confiáveis para guardarem seu dinheiro, independente de como ele foi adquirido. Não será necessário, e nem um pouco agradável, entrar em detalhes neste ponto. 

O Banco Master estava muito longe da credibilidade de algo estabelecido nos Alpes, mas não escolhia clientela. Isso foi provado ao atender ministros de Lula, togados do STF, políticos da oposição e, de acordo com o famigerado site Intercept Brasil, aquele mesmo do Gleen Greenwald, a família Bolsonaro. 

Segundo os áudios, houve um encontro entre o então senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, entre setembro e novembro de 2025, antes do escândalo Master estourar. O "01" teria cobrado a liberação de um financiamento para o filme sobre o pai, cujas parcelas estavam atrasadas. R$ 61 milhões foram pagos, entre fevereiro e maio de 2025, mas o montante era de US$ 24 milhões (na época, cerca de R$ 134 milhões). Após o último contato, Vorcaro sofreu uma tentativa de prisão, no dia 18 de novembro. 

A dinheirama foi comparada aos milhões gastos com NOSSO DINHEIRO pela Lei Rouanet para financiar filmes como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto. Mas há um esforço dos setores governistas para apontar Vorcaro como financiador dos Bolsonaros, omitindo as fortunas liberadas para outras autoridades, como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Jacques Wagner, Ricardo Lewandowski, Ciro Nogueira, etc. 

Existe a tentação, para alguns puristas, denunciando o poder de corruptores como Vorcaro para destruir o Brasil, e isso serve de pretexto para o voto nulo, ou a volta da monarquia, ou a intervenção militar, ou a implantação de uma regime anarquista. Para piorar, os brasileiros não têm acesso à informação de qualidade, isso quando recebem instrução razoável o suficiente. Como resultado, a opinião pública enxerga o problema de uma forma distorcida e não consegue reagir de forma decisiva contra isso, facilitando o trabalho de quem pertence ao círculo de poder. Daniel Vorcaro está longe de ser, sozinho, o dono do Brasil, logo não se pode falar no "Vorcaristão" no título, mas ele faz parte do mecanismo que trava a capacidade do país de alcançar seu potencial. 

A grande mídia, altamente vinculada ao círculo de poder, explora o caso Master à exaustão, agora com um novo episódio envolvendo o candidato da oposição à Presidência da República (Estadão)



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