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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Da série "Noventolatria", parte 42

Quem teve mais de 30 anos se lembra dos chocolates da Turma da Mônica, lançados no início da década de 1990. Sim, aquela. 

Eram pequenos tabletes de chocolate ao leite e, no meio, as figuras dos personagens de Maurício de Souza feitas em chocolate branco. 

Antes, era vendida pela Nestlé, a mesma agora alvo da Justiça ou mesmo sancionada por países como os Estados Unidos, a Alemanha, a Rússia e a Índia, acusada de várias práticas como estímulo ao trabalho infantil nas plantações de cacau na África, contaminação de produtos e financiamento da Ucrânia (por parte da Rússia). A Brasil Cacau, agora pertencente ao grupo, chegou a comercializar uma versão em 2025, mas não deu muito certo. 

Em meio às reclamações da perda de qualidade do chocolate em todo o mundo, e da vigência da legislação sobre o que pode ser considerado como derivado de cacau e não um doce cheio de gordura vegetal de palma e açúcar (este último agora identificado como "sabor chocolate"), a hamburgueria Patties, localizada em Pinheiros, na Zona Oeste paulistana, comercializa as barrinhas. 

O preço de R$ 29,90 por um conjunto de três unidades assusta, mas os consumidores das classes A e B, particularmente as crianças e os saudosistas, não vão reclamar. E, sim, é identificado como chocolate, não "sabor chocolate". Pelo menos, parece que o formato é mais fiel ao original, em relação aos produtos da Brasil Cacau. 

Além de hamburgueres, a Patties comercializa os tabletinhos com os personagens do bairro do Limoeiro (Divulgação)


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Da série 'Noventolatria', parte 41

Hoje é dia 13 de agosto, uma data bem carregada de superstições, por causa do dito número e do "mês de desgosto". Por isso, este blog aborda um assunto "apavorante"... no passado. 

Quem não se divertiu no Playcenter, o saudoso parque existente por 39 anos em São Paulo? Pois lá, entre 1988 e 2012, com o auge na década de 1990, havia o "Noites do Terror". A divertida atração do tipo "terrir", onde havia pessoas fantasiadas de monstros e bruxas e vários bonecos com animação controlada, ocupava um dos cantos do parque, e logo se tornou um marco. Seus dias típicos de funcionamento eram às sextas e sábados de agosto. 

Ainda na década de 1980, a da "oitentolatria", o Playcenter aderiu ao Halloween e instalou um labirinto escuro cheio de "assombrações", e convidou, na inauguração, o cineasta José Mojica Marins, caracterizado pelo macabro "Zé do Caixão". 

Edições muito divulgadas na mídia foram o "Você Também Vai Perder a Cabeça", de 1991, e "A Hora do Pesadelo com Freddy Krueger", no ano seguinte, com a participação do apavorante psicopata do cinema. 

Do canal "Park Mania" (Youtube)

A partir de 1995, ganhou o Castelo dos Horrores, para garantir sustos e risadas até o fechamento, no fatídico ano de 2012. Teve tempo para brincar com o assunto "fim dos tempos", mas foi em 2006, quando houve o especial com direito ao Anticristo e ao Tinhoso em pessoa, e um gigantesco feiticeiro sinistro, além dos mortos-vivos para o "Apocalipse Zumbi". 

Atualmente, há o "Hora do Horror", no Hopi Hari, mas sua fama não faz nem sombra ao seu congênere do finado concorrente. 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Da série 'Mondo Cane', parte 94 - Mais para 'Mondo Gatti Selvatico'

Os felinos são os predadores mais admirados pelos humanos, por suas habilidades de caça e, no caso de muitas espécies, ocuparem o topo da cadeia alimentar. 

Dois casos de felinos selvagens viram notícia nesta semana. Um deles é trágico, e outro gera esperança. 

No caso trágico, um gato feral, descendente de bichanos que ronronavam nas casas, transformou-se por anos em um problema na Nova Zelândia. Em três anos, ele atacou e devorou uma grande quantidade de animais, principalmente aves. Por sua astúcia e capacidade de escapar das diversas tentativas de captura, ele foi apelidado de "Nine Lives" ("Nove Vidas"). Ao final de muito esforço e muitas vítimas feitas na vida selvagem, o felino foi capturado e abatido, para consternação de muitas entidades da vida selvagem, divididas entre a necessidade de preservação e a aparente crueldade contra um predador carismático (pois animais carismáticos recebem muito mais atenção das mesmas entidades, deixando outros, como anfíbios, répteis e insetos, em segundo plano). Ainda há centenas de milhares de gatos ferais na Nova Zelândia, e eles continuam a ser uma ameaça à fauna nativa. 

Outro felino, muito maior, é um espécime de tigre siberiano solto no Cazaquistão, um país onde há 80 anos não havia nenhuma espécie similar. No país, havia uma espécie muito próxima do siberiano, o tigre do Mar Cáspio, que chegou a habitar áreas pertencentes à Europa, mas está totalmente extinto. A fêmea Umit ("esperança", em cazaque) foi introduzida na reserva natural de Ile-Balkhash, no leste do país. Ela fará parte de um projeto de longo prazo, onde ambientalistas monitorarão as condições de futuros tigres na reserva por pelo menos 25 anos, caso não houver um desastre. Outras subespécies do mais formidável e temível felídeo do mundo também estão muito próximas de parar de urrar para sempre, caso eles continuem a perder seus habitats ao longo de diversos pontos na Ásia. 

Umit é solta com a "missão" de refazer uma população extinta de tigres na Ásia Central (Divulgação/X)


quinta-feira, 5 de março de 2026

Da série 'Oitentolatria', parte 39, e 'Noventolatria', parte 40

Durante os anos 1980, passavam dois programas para a comunidade nipônica. O mais conhecido deles, o "Imagens do Japão", começou bem antes, em 1970, na Rede Tupi, já apresentado pela cantora, atriz e apresentadora Rosa Miyake. Devido ao fechamento da velha emissora, em 1980, o programa, que mostrava notícias, filmes, documentários e esportes das principais emissoras japonesas (NHK, Asahi, TBS e Fuji), passou para outras emissoras, primeiramente na Bandeirantes (Band), depois na Record e na Gazeta. 

As "Imagens do Japão" só saíram do ar por volta de 2010, mas foram nos anos 1980 e 1990 que assistíamos aos domingos. 

Outro programa, associado a este, foi o "Japan Pop Show", exibido em 1973 primeiramente pela Bandeirantes, mostrando a cultura popular japonesa, principalmente o "J-pop" (ジェイポップ), mas também a música mais tradicional, chamada de "enka" (演歌), conhecida pela melancolia. Com o tempo, passou a ser exibido nas mesmas emissoras do "Imagens", geralmente em seguida.

Infelizmente, não há muitos registros no Youtube ou em outras redes sociais. Estes programas de nicho nunca tinham grande audiência, mas foram muito queridos por parte da comunidade nipo-brasileira. Em 2028, serão comemorados os 120 anos da imigração japonesa no Brasil, e este blog vai mostrar não o passado, mas fatos contemporâneos envolvendo o Japão e as diversas comunidades existentes no nosso país, se a atual civilização aguentar até lá. 

Abaixo, um trecho de "Imagens do Japão", em 1993 (canal betamax vhs), ainda com o jeitão dos anos 70/80. Mais tarde, o programa seria modernizado. Aqui, predominam os intervalos comerciais da época. 


Outro trecho mostra uma curiosidade, o Miss Nissei, em 1982 (canal Arca da Fuzarca): 



Abaixo, um trecho do "Japan Pop Show", datado de 30 de outubro de 1988 (canal Tonni): 





quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Da série "Mondo Cane", parte 92

A morte do cão Orelha por adolescentes ricos que o maltrataram e depois curtiram férias em Orlando para literalmente verem o Mickey não é algo isolado. 

Esta tragédia ocorre todos os meses em várias partes do Brasil. Cães, comunitários ou não, são vítimas de maus tratos por gente rica ou pobre, e igualmente estúpida. Não são apenas adolescentes desmiolados os responsáveis por cometerem maldades contra animais, mas também adultos supostamente mais ajuizados. 

Até quando toleraremos isso?

O crime contra o cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, causou revolta no Brasil todo (Reprodução)



sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Da série "Classificação dos animais", parte 5 - Os peixes ósseos

Este blog até tentou entender algo além do básico sobre a classificação dos peixes ósseos, mas decidiu não se aprofundar muito, mesmo porque isso é tarefa dos especialistas em peixe, os tais "ictiologistas". 

Para os leigos, saber que é o grupo com maior número de espécies entre os vertebrados importa pouco ou nada. Ainda mais porque existem duas classes de peixes com ossos: os Sarcopterygii e os Actinopterygii. 

Os primeiros são aqueles peixes estranhos chamados de "celacantos", ditos fósseis vivos por existirem desde antes dos dinossauros, e outros bichos meio diferentões, como os peixes pulmonados capazes de respirar fora da água de vez em quando. No passado, um sarcopterígio primitivo deu origem aos tetrápodes, ou seja, o grupo dos vertebrados terrestres, num período da Era Paleozóica chamado de Devoniano, há quase 400 milhões de anos. Muito, muito antes de haver qualquer mísero projeto de dinossauro pela Criação. 

Já os actinopterígios são um grupo de peixes "normais", sem qualquer pretensão de querer se aventurar em terra. É uma confusão de ordens e familias, piorada com os estudos recentes que reclassificaram tudo. Parece um emaranhado de quebra-cabeças de dezenas de milhares de peças que alguém supostamente mais entendido do assunto desmanchou quase tudo para fazer um novo arranjo. 

Para os leigos, é tudo peixe com aquele tal de ômega-3. Para os ictiologistas, são espécies muito diferentes com classificações totalmente diversas com base em critérios que eles entendem (e mais ninguém)

Quem estaria disposto a querer saber a respeito das diversas subclasses desses seres aquáticos? Existe uma subclasse com peixes dotados de esqueleto parcialmente ossificado, e são aqueles esturjões produtores do caviar apreciado pelos ricaços e pelos metidos a besta metidos a ricos. A outra reúne todas as outras espécies, com uns grupos confusos, ainda mais depois das reformulações deste século. 

Existe uma turma com os pirarucus e aruanãs, esses peixes pré-históricos que parecem ter um osso na língua, daí o nome "osteoglossiforme", ou criatura com língua ossificada. Outros têm umas larvas esquisitas, parecidas com pequenas folhas de árvores, incluindo as enguias, moréias, bichos estranhos das profundezas com bocas enormes (Eurypharynx) e alguns peixes com formato normal e sem parecerem cobras, os tarpons. Outro grupo reune as sardinhas e também as carpas, piranhas, peixes-elétricos e bagres. Ainda há mais um com salmões, trutas e uns peixes feiosos chamados de lúcio (se alguém for feio e tiver nome de Lúcio, corre o risco de ser comparado com essa coisa). E existe um grupo maior, os "acantomorpha", ou peixes com nadadeiras espinhosas, onde a confusão é ainda maior, reunindo bacalhaus, serpentes marinhas que anunciam o apocalipse peixes-remo e um gigantesco agrupamento de peixes muito parecidos entre si, os Percomorpha (em forma de perca, um peixe que só os europeus conhecem). Aí se reúnem blênios, atuns, cavalos-marinhos, peixes-de-briga, peixes-arqueiro, peixes-vacas, peixes-piloto (aqueles que gostam de ficar com os tubarões só para comer os restos que eles deixam), linguados, tilápias, peixes-palhaço, baiacus, garoupas, etc., etc. e etc. (e bota etc. nisso). 

Principalmente nessa última reunião de dezenas de ordens de peixes a confusão reina. Antes, era uma ordem gigante, a dos Perciformes (peixes ainda mais em formato daquela tal de perca) e outra menores. Agora, os Perciformes foram separados em várias ordens menores, classificados por critérios bem pouco acessíveis aos leigos, baseados no formato das larvas quase microscópicas, ou por estudos genéticos válidos num ano e considerados questionáveis noutro. E para dizer quem é quem? Realmente, só os ictiólogos dizem saber, e nem eles mesmo parecem ter certeza. 

Não estão incluidos entre os peixes ósseos os tubarões e as raias, a serem comentados em um próximo post da série. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Da série 'Noventolatria', parte 39

Quem tinha mais de 40 anos gostava de usar aqueles aparelhos sem Bluetooth, entrada para cartão ou pen drive e outras coisas modernas, Nada de conexão com a Internet e muito menos tela sensível ao toque. 

Em compensação, eram acompanhados por caixas acústicas às vezes bem grandes, com duas, três ou até quatro saídas de som para as diferentes frequências de som (os tweeters para sons agudos, woofers para sons graves, etc.). O som era potente de verdade. E vinham com carrossel para vários CDs (pois sim, aqueles discos agora considerados obsoletos e inúteis, eram a sensação no final do século passado) e espaço para toca-fitas. De preferência dois, que tocassem as fitas sem precisar retira-las e mudar o lado, como se faziam com os antecessores dos CDs, os enormes e pretos LPs. Gravar numa fita aquela música tocada numa estação de radio FM era um processo simples e prazeroso.

Os mini-systems eram um objeto de consumo nos loucos anos 90. Havia de várias marcas, desde as injustiçadas CCE (apelidadas de "comprei coisa estragada") até as Aiwas, Panasonics e Pioneers, marcas japonesas consideradas referências de tecnologia eletrônica. 

Substituíram os enormes e menos práticos aparelhos chamados 3 em 1, com vitrola para LP, toca-fitas e rádio FM/AM, sensações dos anos 1980. Podiam não ser tão potentes nem ter caixas tão grandes, mas também eram capazes de gerar broncas das mães ou dos vizinhos pelo barulho. 

O modelo NSX F9 da Aiwa (Divulgação/Mercado Livre)

O autor deste blog tinha um modelo relativamente modesto, um Gradiente E-400, com 50 W. Na propaganda se falava em 500 W, mas esta era a famigerada potência PMPO, dita "máxima de pico". Na prática, nada significava, como muita coisa em propaganda. Aliás, os comerciais abusavam da divulgação dessas falsas potências, apenas para vender aparelhos muitas vezes fracos e limitados. 50 W era suficiente para as necessidades da maioria, mas para fazer grandes festas precisavam de aparelhos mais vistosos, potentes e caros. 

Infelizmente, com a disponibilidade das músicas pela Internet e o advento das mídias em MP3 e, posteriormente, as centrais multimídia, os mini-systems foram sumindo das lojas e viraram história. Para muitos, uma coisa lamentável, pois significou a "morte" de algo marcante na infância ou na adolescência. 


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Da série "Classificaçáo dos animais", parte 4 - Anfíbios

Os anfíbios, assim como os répteis, são uma classe de animais vertebrados bem pouco compreendida. Também são estudados pelos herpetólogos, apenas por serem considerados seres rastejantes.

Na verdade, os sapos, rãs, salamandras e outros bichos pegajosos não tem parentesco com os lagartos, crocodilos, cobras e tartarugas. Multo menos com as outras classes. Não existe outro grupo terrestre que precise da água para a reprodução, pois os ovos não possuem casca e precisam estar sempre hidratados. E destes ovos surgem as formas que lembram dos antepassados, os peixes. São os girinos, que sacolejam dentro das águas de lagos e rios e depois desenvolvem os membros, antes da cauda regredir (ou não, no caso das salamandras). Assim, surgem as formas juvenis terrestres que crescem depois se tornam as formas tão (pouco) queridas, não raro citadas como ingredientes de poções de bruxas. Por outro lado, sem esses feiosinhos, talvez haveria uma maior infestação de pragas, pois os alimentos básicos deles são os insetos. 

O sapo-cururu é um representante dos anfíbios, essa classe de animais bem pouco popular para quem estuda Zoologia (Divulgação)

Os anfíbios viventes pertencem a um único grupo chamado de Lissamphibia, existente antes dos dinossauros, provavelmente surgindo antes da grande extinção que marcava o início da Era Mesozóica, há 251 milhões de anos. Para os estudiosos desses animaizinhos feios mas importantes para o ecossistema, isto facilita bastante. 

Basicamente, um grupo permaneceu com a cauda durante a vida toda, os chamados Urodela, ou Caudata, onde estão as salamandras, os tritões e um bichinho simpático mas meio estranho, chamado de axolotl, que permanece com brânquias a vida toda. Ou seja, é como o Peter Pan ou certas pessoas principalmente nas gerações Y e Z: não se tornam adultos. 

Já o outro grupo, forçado pela evolução, passou a perder a cauda quando se tornam terrestres e a dar seus pulos, às vezes bem impressionantes considerando o tamanho em geral pequeno. Os Anura são os famosos sapos, rãs e pererecas, e muita gente os confunde. Os sapos geralmente ficam na família dos Bufonidae, tendo a pele cheia de verrugas e glândulas de veneno saltadas perto da boca. As pererecas ficam em outra família, os Hylidae, e possuem ventosas nas mãos e pés, para ficarem o tempo todo pendurados em algum galho. As rãs típicas ficam mais próximas da água, têm pele lisa e são da família Ranidae, e algumas delas são comidas, embora muita gente torça o nariz. 

Ainda existem uns animaizinhos esquisitos da ordem Gymnophiona, confundidos ora com minhocas gigantes, ora com as cobras-cegas dos sauveiros. Estes seres receberam o nome de "cecílias", como uma "homenagem" estranha à Santa Cecília, que era cega. Ai de quem se chamasse Cecília nos tempos do colégio. 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Da série 'Classificação dos animais', parte 3 - Répteis

Ao contrário das classes anteriores de animais, aves e mamíferos, os répteis não despertam tanto interesse. Na verdade, eles são considerados seres rastejantes, escamosos, asquerosos, horrorosos, desprezíveis, amaldiçoados, etc., etc. Por isso, existe até uma fobia específica para este tipo de criatura, a tal da herpetofobia. 

Estas "coisas" também não são complicadas de se classificar, aparentemente, quanto as aves, com quem tem um laço em comum: os dinossauros deram origem a elas, embora muitos ainda não engulam essa. 

Contudo, vamos nos ater aos répteis atuais. Os únicos aparentados com os referidos dinos são os crocodilianos, como os crocodilos sempre mostrados como comedores de gente e dotados daquela técnica especial de lidar com suas presas, chamadas de "giro da morte". Eles são da família Crocodilidae, enquanto que os jacarés, bem menos poderosos, e os aligatores, estes também capazes de incluir um humano no cardápio, são os aligatoridae. Não há muito drama nessa classificação. Drama mesmo é se encontrar com essas verdadeiras feras, que se mantiveram mais ou menos parecidas desde o fim do Cretáceo, ou seja, quando os dinossauros ainda reinavam. Apesar de parecerem mais primitivos que os dinos, por andarem de rasto enquanto os outros eram, muitas vezes, bípedes e corredores, eles conseguiram de alguma forma se esconder enquanto o asteroide dava cabo de seus "aparentados" famosos. Na verdade, não tão aparentados assim, pois eles são do grupo dos Pseudosuchia, um nome bem esquisito, ainda mais porque, traduzindo, seria "falso crocodilo", uma contradição evidente. Enquanto isso, os dinos, seus "descendentes" penosos e bicudos, e os pterossauros, formavam outro grupo, os Avemetatarsalia. 

Lagartos e serpentes são os Squamata, ou escamados. As serpentes, os mais odiados de todos os répteis, por causa da má reputação vinda desde a Bíblia, ocupa apenas uma das subordens de escamados, dentro do grupo Toxicofera, ou os produtores (em potencial) de veneno. Segundo os herpetólogos, ou seja, os estudiosos de seres rastejantes, quanto mais evoluída a serpente, mais ela tende a ser peçonhanta, e as mais evoluídas estariam na família Viperidae, a das víboras, cascaveis, surucucus, jararacas, urutus e outros nomes empregados para xingar alguém. Mas em geral essas serpentes não querem saber de briga, e só dão o bote para se defender. E quando fazem isso, usam seus dentes muito eficientes, a tal da dentição solenóglifa, ou de dentes com canal, para injetar a peçonha. As najas e as corais (Elapidae) não têm um sistema tão eficiente, pois suas presas são pequenas, típicas da dentição proteróglifa, mas tentam compensar isso com veneno mais forte e letal; boa parte delas têm cabeça redonda, olhos grandes e cauda comprida, para mostrar o quanto algumas das velhas cartilhas são uma furada neste ponto, pois só consideram as cobras parecidas com as víboras europeias como perigosas. Cabeça triangular e olhos pequenos são características também das cobras mais primitivas, dentro das famílias Pythonidae (pítons, cobras capazes de crescer a mais de 10 m) e Boidae (as sucuris e as jibóias), todas sem veneno e dentes usados só para morder, sendo áglifas. Outro grupo intermediário, este mais complicado de classificar, é o dos Colubridae, aquelas cobras que podem ser ou não perigosas, por terem uma glândula de líquido digestivo para injetar nas vítimas, a tal da "glândula de Duvernoy", com suas presas no fundo da boca, tendo uma dentição opistóglifa (esta é a última palavra grega terminada em -glifa no artigo). Uns falam de uma família em separado, os Dipsadidae, onde estão a cobra-cipó e a muçurana, a cobra que come cobra. O Google e a Wikipedia não se dão ao trabalho de explicar o porque disso, pois só os herpetólogos têm coragem de estudar as diferenças entre os Colubridae e os Dipsadidae. 

Ainda dentre os escamados, existem uns animaizinhos parecidos com minhocas, as "cobras-de-duas-cabeças", mas elas ficam no grupo dos Anfisbenidae. Esses bichos não despertam muito interesse, a não ser para quem tem problemas com saúvas, pois essas criaturas inofensivas gostam de se enfiar em locais bem escondidos e protegidos, como os sauveiros. 

O resto dos escamados são todos lagartos, mesmo aquelas coisas esquisitas sem patas, as "cobras de vidro", da família Anguidae, seres que costumam piscar (não é picar, é piscar mesmo, pois eles têm pálpebras) e soltar a cauda, como os lagartos "normais" fazem. 

E as tartarugas? Elas ficam num grupo separado, o dos Chelonia, ou quelônios (do grego Chelone, tartaruga), cujos antepassados se separaram do grupo dos arcossauros no meio do Triássico, quando nem os dinossauros existiram ainda. As cascudinhas, no entanto, só apareceram bem mais tarde, quando os dinos já reinavam sobre a Terra. A lentidão dessas criaturas calmas e já com a "casa embutida", como se diz popularmente, é mais própria dos jabutis (Testudinidae), que passaram a viver na Terra após a extinção dos dinossauros. Os outros grupos de quelônios preferem viver no mar ou nos rios (os cágados), onde são até bastante rápidas para escapar dos perigos. 

Esta serpente, a Oxybelis brevirostris, parece estar sorrindo forçado tentando achar graça deste artigo. Ela é um réptil escamado colubrídeo opistóglifo (mas considerado inofensivo)


quinta-feira, 22 de maio de 2025

Da série Classificação dos animais, parte 2 - Aves

Um dos assuntos mais recorrentes é a gripe aviária, cujos casos, isolados, provocam prejuízo de milhões de reais aos produtores. Isso foi abordado na postagem anterior. 

Tão complicado como lidar com uma doença grave transmitida por estas criaturas penadas emplumadas, é classificá-los. As aves, dentre os chamados amniotas (vertebrados nascidos a partir de ovos com casca incubados em terra, quando não são gerados no ventre materno), parecem ser a de classificação biológica mais complicada. São a classe de vertebrados com mais espécies, e possuem muitos detalhes além de terem penas, asas e bico sem dentes. 

O grupo dos frangos e seus "pais", os galos e galinhas, é um dos menos confusos. São os "galiformes" (em forma de galo), uma das várias ordens existentes. Os "passeriformes" (em forma de pardal) são a maior delas, com várias espécies, algumas conhecidas pelo seu canto, mas a classificação deles não é tão afinada. Na época de Lineu, parte deles era reunida na ordem "Coraciformes" (em forma de corvo), pois os corvos, gralhas e outros grandes pássaros notáveis por sua voz desagradável e comerem carniça, não eram considerados "parentes" dos sabiás e dos rouxinóis, mas, devido às suas características como formato dos dedos dos pés e formato da siringe, o órgão responsável pelos gorjeios (mas também pelos grasnidos horrorosos das gralhas), agora é consenso que são. 

Os "Coraciformes" ainda constituem um grupo válido, com os guarda-rios e os martins-pescadores. Outrora, também incluiam os calaus, aves estranhas das florestas asiáticas, parecidas com tucanos de dois bicos, sendo o "bico" de cima algo parecido com um chifre. Essas criaturas agora estão em outra ordem, a dos "Bucerotiformes" (algo como "em forma de criatura com chifre de boi"). Tanto os "Coraciformes" quanto os "Bucerotiformes" possuem algum antepassado comum com os nossos tucanos. Curiosamente, esses pássaros de bicos enormes são da mesma ordem dos pica-paus, que inspiraram Walter Lantz a fazer aquele personagem maluco dos desenhos animados. E os verdadeiros pica-paus têm bicos bem finos. De novo, os ornitólogos, responsáveis pelo estudo das aves, olharam para os pés dessas espécies, e as análises genéticas confirmaram o parentesco. 

Se os tucanos e os pica-paus são diferentes, mas estão na mesma ordem, o que dizer a respeito das aves de rapina diurnas, todas bastante parecidas porém formando duas ordens diferentes? Antes, eram todas "Falconiformes" (em forma de falcão), mas agora só os falcões propriamente ditos, mais os carcarás e os acauás, estão nesse grupo. As águias, os gaviões e os abutres do Velho Mundo são da ordem "Accipritiformes" (em forma de açor, um tipo de gavião). Os urubus tão conhecidos por aqui no Brasil estariam em uma terceira ordem, a dos "Cathartiformes". Para piorar, os ornitólogos estabelecem um supergrupo, o das aves de origem africana ("Afroaves"), onde estariam as águias, os tucanos e os martins-pescadores, e também as aves de rapina noturnas, as corujas ("Strigiformes"). Os falcões estariam em outro grupo separado, colocados junto com os passarinhos, os papagaios ("Psitaciformes") e as seriemas ("Cariamiformes"), aquelas aves pernaltas consideradas "descendentes" daquelas terríveis "aves do terror" que aterrorizaram a América do Sul antes dos seres humanos. 

O falcão peregrino (Falco peregrinus) é representante da habilidade das aves em voar, sendo o animal mais rápido do planeta (David Chamberlin)

Confuso? Pois uma taxonomia anterior, chamada de Sibley-Ahlquist, reunia todas as aves de rapina diurnas, mais os pelicanos, os pinguins, as gaivotas e os albatrozes na mesma ordem das cegonhas, as "Ciconiformes", com base em alguns estudos genéticos. Esta ordem gigante parecia um aviário com várias espécies diferentes, só tendo em comum as penas, o bico, as asas e o hábito de comer outros animais. Pois novos estudos desfizeram essa ordem, considerando-a parafilética (termo para dizer que esses seres não têm um ancestral comum). E as próprias "Ciconiformes" perderam representantes, pois os flamingos foram considerados muito diferentes das outras aves pernaltas e foram colocados no grupo dos "Phoenicopteriformes" (esse nome comprido significa ter "asas de fênix"). Já as garças e aquelas aves africanas esquisitas chamadas de "bico de tamanco" passaram a ser consideradas mais aparentadas aos pelicanos, colocadas na ordem "Pelecaniformes". Já os atobás e os cormorões saíram dos "Pelecaniformes" para formarem uma outra ordem, a "Suliformes" (em forma de atobá). 

Os grous, embora aves pernaltas, não foram considerados parentes das cegonhas nem mesmo na taxonomia de Sibley-Ahlquist, sendo considerados simplesmente "gruiformes". Nesse grupo as seriemas eram colocadas anteriormente, mas agora essas já citadas parentes das "aves do terror" estão no mesmo grupo dos falcões, aumentando a comparação com os pássaros secretários, parentes das águias, que também têm pernas compridas e comem cobras. 

Não terminou ainda: os beija-flores, chamados de "Apodiformes", ainda estão em um grupo totalmente separado dos outros, junto com os feios urutaus ("Caprimulgiformes", aqueles que mamam nas cabras). Eles teriam um antepassado comum com os cucos ("Cuculiformes"). Já os pombos ("Columbiformes") estão em outro grupo sem ligação próxima com os passarinhos, as cegonhas ou os pica-paus. Os extintos pássaros dodo, colocados como exemplo da ação predatória humana, ainda são considerados "parentes" dos pombos, apesar de sua aparência peculiar, bem pouco similar à da praga que insiste em defecar nas cabeças das pessoas. 

Ainda há as aves gigantes não voadoras, como as avestruzes, maiores aves viventes. Elas chegaram a ser consideradas parentes das emas brasileiras, e dos ferozes casuares australianos. Lineu os considerava da ordem dos "Struthioniformes", com formato de avestruz. Agora, formam ordens diferentes. Classificações modernas ainda colocam os "tinamiformes", como o macuco, entre essas gigantes, o que é estranho, pois os macucos sabem voar, embora muito mal. 

Os macucos antes eram colocados entre os "galiformes", mas a "dissidência" foi uma das poucas entre os galináceos, conhecidos por serem comida de gente desde a pré-História. Galos, faisões e perus eram perseguidos por causa da carne e ovos, e depois passaram a ser criados. É o mesmo destino dos patos, gansos e cisnes, os "Anseriformes" (em formato de ganso), cujo antepassado em comum com os galináceos, e com mais nenhuma outra ave, vivia no tempo dos últimos dinossauros. 

Aliás, atualmente se fala que as aves são dinossauros, contrariando o senso comum, pois o imaginário popular pensa nos dinos como lagartões monstruosos. Pois descobertas recentes sugerem a presença de penas em boa parte dos dinossauros, questionando inclusive sua classificação como répteis. Alguns deles, inclusive, podiam voar, como o terópode ("pés de fera") conhecido como Archaeopteryx lithographica, um animalzinho do tamanho de um frango novo, e já coberto de penas, mas ainda com dentes e cauda longa tipicamente reptiliana. Os dinossauros conhecidos como "avialae" pelos paleontólogos só se tornaram efetivamente aves quando passaram a ter cauda curta, chamada pelos ornitólogos como pigóstilo, além de desenvolverem o bico e as estruturas necessárias para um voo mais eficiente, como o osso conhecido como "quilha". Isso aconteceu ainda quando não havia alguns dos dinossauros mais conhecidos, como o tiranossauro, este também um terópode. Quando houve o fatídico meteoro colidindo na Terra para aniquilar os dinossauros, seus "descendentes" voadores puderam se esconder em abrigos para evitar a extinção, e se desenvolveram para dominar os ares. 

terça-feira, 29 de abril de 2025

Da série Classificação dos animais, parte 1 - Mamíferos

A classificação biológica é mesmo uma coisa aparentemente estranha. Primeiro, foi baseada em critérios morfológicos, ou seja, pela aparência externa. Depois, foi se norteando pelas características genéticas e evolucionistas, algo mais rigoroso e exato, mas capaz de chegar a conclusões bastante curiosas, para dizer o mínimo. 

Carl von Linné (1707-1778), ou Lineu, o famoso naturalista sueco e pioneiro na classificação binomial por gênero e espécie, fez a primeira grande classificação dos animais, destacando os macacos como aparentados aos seres humanos, como se pensa hoje, mas colocando rinocerontes e elefantes como membros da mesma ordem, a dos "paquidermes" (Pachydermata). Hoje se sabe que os rinocerontes pertencem à ordem Perissodactyla, animais ungulados ("de casco") com número ímpar de dedos nas patas, a mesma dos cavalos, enquanto os elefantes possuem uma ordem só deles, os Proboscida. 

Aliás, atualmente os rinocerontes e os elefantes estão ainda mais afastados do que se supunha. Recentemente, os rinocerontes foram colocados junto com os bois, os carnívoros e os morcegos no grupo Laurasiatheria, cujo ancestral comum viveu na Europa ou na Ásia ainda no tempo dos dinossauros, por volta dos 70 milhões de anos atrás. Os elefantes, os peixes-boi e alguns bichos estranhos como o aardvark, um animal parecido com um híbrido de porco com tamanduá, são descendentes de um animal de origem africana, daí serem chamados de Afrotheria. 

Os macacos e os humanos, curiosamente, estão mais ligados aos Laurasiatheria, embora tivessem origem possivelmente na África. Os primatas, como são conhecidos desde a época de Lineu, foram atualmente colocados juntamente com os roedores (ratos, castores, capivaras) e os lagomorfos (coelhos). Ou seja, nós temos mais parentesco com os ratos do que com a maioria dos ourros mamíferos. 

Entre o confuso grupo dos Laurasiatheria, temos os morcegos, antigamente considerados próximo dos ratos, mas agora mais ligados aos carnívoros e os animais de casco. Os carnivoros são realmente divididos entre os parentes dos cachorros e os dos gatos, e isso é sabido desde antes de Lineu, mas descobriu-se que as hienas, apesar da aparência canina, são geneticamente mais próximas dos felinos. Enquanto isso, os animais de casco reúnem não só os Artiodactyla, de dedos pares nas patas, e os Perissodactyla, já citados acima, mas várias outras ordens extintas, ainda não solidamente estabelecidas, embora antigamente se falasse numa ordem chamada de Condylarthra, que reunia ancestrais dos bois, dos cavalos e das baleias. Sim, as baleias, na antiguidade consideradas como enormes peixes, e só com o aumento na atividade baleeira (séculos XVI-XVII) foi se descobrindo serem mamíferos. Elas descendiam de animais de casco, terrestres, e têm afinidade genética com os hipopótamos, fazendo o grupo chamado de "Whippomorfa", dentro dos Artiodactyla, ser motivo de piadas "gordofóbicas". Outra implicação é constatar o parentesco próximo entre esses seres marinhos com as vacas. Ou seja, as baleias e seus pequenos e esbeltos "primos", os golfinhos, estão bem longe de serem peixes, embora tão parecidos com eles. 

Vaca, um típico mamífero (Divulgação)

Outra característica dos Artiodactyla é reunir animais com sistema digestório muito complicado, envolvendo três ou quatro estômagos, sendo o maior deles usado só para depositar o capim e outros alimentos vegetais até serem fermentados e voltarem para a boca, dando início ao processo de "ruminação", fazendo bois, vacas, cabras, camelos e veados ficarem mastigando por longos períodos ao estilo dos mascadores de chiclete. Depois tornam a engolir e o alimento é processado pelos outros estômagos e por um intestino bem longo, para absorção dos nutrientes e a eliminação da merda do esterco. Essa característica surgiu há mais de 50 milhões de anos, como forma de extrair energia de plantas aparentemente pouco nutritivas e evitar passar muito tempo pastando, minimizando o risco de serem vítimas dos predadores. 

O grupo dos Afrotheria parece uma daquelas junções meio esquisitas de animais, parecendo só terem em comum o fato de serem mamíferos. Os peixes-bois são parentes dos elefantes, e estes são aparentados com pequenos animais parecidos com preás, mas tendo cascos nas patas, os hiraxes. 

Existem ainda outros tipos de animais, como os outrora chamados "desdentados", mas agora constituindo duas ordens de mamíferos diferenres dos demais, os Cingulata (tatus) e os Pilosa (tamanduás e bichos-preguiça). Eram chamados "desdentados" por terem dentes muito fracos, no caso dos tatus e dos bichos-preguiça, ou serem ausentes, como os tamanduás. Esses animais têm ligação com os Afrotheria, embora sejam atualmente encontrados na América do Sul. Outros animais considerados outrora unidos são os "insetívoros", mas este grupo é artificial e agora existem diversas ordens com esses pequenos e aparentemente primitivos seres. Toupeiras, ouriços e musaranhos fazem parte dos Eulipotyphla, e não possuem nenhum parentesco próximo com os ratos, mas são tidos como Laurasiatheria com características "arcaicas". São bichinhos muito estranhos, incluindo uma espécie de toupeira com tentáculos no focinho e os musaranhos, dotados de peçonha (veneno!) como as serpentes. Existem outros bichos "insetivoros" agora considerados parentes dos macacos (tupaias) e os musaranhos-elefantes, com focinhos compridos, pertencente ao grupo dos Afrotheria junto com os elefantes. 

Não se pode esquecer dos marsupiais, antigamente considerados pertencentes a apenas uma ordem, mas agora constituídos de várias ordens. Os mais conhecidos são os cangurus e os coalas, da ordem Diprotodontia. Os estranhos e necrófagos diabos-da-tasmânia são os Dasyuromorpha, e os bandicoots que inspiraram o personagem de videojogos Crash são os Peramelemorphia, embora o Crash lembrasse mais uma raposa. 

Por fim, temos aquele grupo de mamíferos com características tão primitivas que muitos questionam se eles são realmente mamíferos. Afinal, os Monotremata (do latim "um orifício", ou seja, com uma cloaca, como os répteis e as aves, e não dois, o ânus e a genitália dos mamíferos "normais") possuem matabolismo mais lento pela insuficiente capacidade de termorregulação (manter a temperatura corporal constante) própria dos mamíferos. Além disso, possuem bicos como os patos e botam ovos de casca mole. São considerados mamíferos por produzirem leite, mas não possuem mamas, uma característica compartilhada com a maioria dos extintos ancestrais dos mamíferos, chamados de "mamaliformes", contemporâneos dos dinossauros mais antigos. 

Esses animais viviam escondidos e para poderem ficar longe das bocas dos dinos famntos precisavam cuidar dos filhotes e alimentá-los de alguma forma produzindo fluidos nutritivos, até desenvolverem o leite, caracteristica dos verdadeiros mamíferos. Com isso, também passariam a ter outras características como a mandíbula formada por um único osso (o "dentário"), e não formada por vários como os outros vertebrados, e a troca de dentes apenas uma vez durante a vida (difiodontia), embora elefantes e cangurus possam trocar a dentição várias vezes (polifiodontia). Os antepassados dos "mamaliformes" eram os terapsídeos cinodontes, animais esquisitos que já tinham pelos (outra característica mamífera) mas ainda tinham muito em comum com os répteis. Eles eram da linhagem de animais bem antigos, surgidos há 270 milhões de anos, e um deles, o Dimetrodon, era confundido com os dinossauros. O surgimento destas criaturas com uma só fenestra ("buraco") no crânio, os sinapsídeos, e também dos verdadeiros répteis, estes geralmente com duas fenestras, se deu há mais de 315 milhões de anos. 

Por falar em répteis e dinossauros, este blog vai falar um pouco sobre eles, para explicar a origem das aves, o próximo grupo animal a ser abordado. 


N. do A.: Muitos consideraram a ideia de inventar uma camisa da Seleção Brasileira na cor vermelha como verdadeira coisa de um perissodáctilo, seja ele um jumento ou uma anta. Outros veem isso como uma grande destruição dos valores brasileiros, colocando uma cor estranha, não pertencente à bandeira nacional, ou como uma alusão ao petismo, ou ao comunismo, sendo a CBF sempre envolvida em politicagem adesista. Mais uma atitude desconectada dos torcedores, por parte desta ilustre entidade e sua principal patrocinadora, a Nike, e veremos mais torcedores do time argentino do que do brasileiro. E a nossa Seleção não faz nada para evitar essa "calamidade". 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

Da série 'Oitentolatria' e 'Noventolatria', parte 38

 Poucos sabem, mas o famoso chocolate Surpresa, da Nestlé, está à venda. Muita gente que passou a infância no final do século XX, ou seja, os oitentólatras e noventólatras, não esquece o tablete com uma figurinha de algum animal com informações básicas sobre ele. 

Agora, a má notícia: esta nova versão não tem os 30 g originais, mas 20 g, uma diferença considerável. Ainda apresenta os mesmos problemas na queda de qualidade do chocolate ao longo do tempo, ficando ruim e caro. E nada de figurinha. 

A embalagem atua do "novo" chocolate Surpresa (Divulgação)

Se alguém quiser comprar e comer, fará por conta e risco. Alguns irão se arrepender disso. 

quarta-feira, 19 de março de 2025

Da série "Asno pergunta, jumento responde" (ou o contrário...)

Pergunta: O Eduardo Bolsonaro vai conseguir convencer o Trump a aplicar a lei Magnitsky para punir o Xandão (sic)?

Respostas: 

a) O 03, filho do Biroliro, vai é ser cassado, esse fujão!

b) Mais uma dessas esquetes escrotas, santo Deus? (Responder uma pergunta com outra!) É claro que ele vai conseguir. E vai haver uma intervenção para botar na cadeia esse careca e o Nove Dedos! Uhu!

c) Não sei! Só sei que essa postagem é mais uma encheção de linguiça!

d) A probabilidade disso acontecer é a mesma de haver uma paz duradoura na Ucrânia, no Oriente Médio ou no Congo! Ou seja, NE-NHU-MA! Fora, golpistas!

e) Não quero saber disso, e sim do aumento do juros básicos para 14,25%, por culpa desse governo ladrão! Fora, Molusco!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Da série "Noventolatria", parte 37

Diante de notícias tão revoltantes quanto a aliança do PCC com o CV, os maiores grupos criminosos do Brasil, ou então a morte de crianças israelenses feitas de reféns pelo Hamas, vamos tratar de algo mais ameno. Bem mais. 

Lembram-se da TV Colosso? Aquele programas com cachorros de pelúcia animados? Pois bem, a atração da década de 1990 vai virar um musical em abril, para ser apresentado em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. Ou seja, por enquanto apenas as megalópoles e as capitais dos estados sulistas. 

Para quem tem mais de 35 anos, deve se lembrar do programa, exibido no lugar do Xou da Xuxa, onde bonecos caninos, estrelados pela apresentadora Priscila, uma enorme e fofa sheepdog, faziam a alegria da garotada. Ainda havia o buldogue mal-humorado Borges (diretor do programa), o vira-lata caramelo Gilmar (o funcionário faz-tudo), o bloodhound JF (sátira ao José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, diretor da Globo na época?), o puxa-saco Capachão (outro vira-lata) e o beagle místico Malabi, entre outros. 

Priscila e sua turma vão alegrar crianças e adultos saudosistas (João Pedro Hachiya)

Às vezes é melhor destacar uma coisa das décadas passadas, as quais por sinal tinham também muita violência, mas não neste nível apocalíptico, do que certas notícias atuais da mídia. 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Da série "Grandes marcas (sumidas) do Brasil", parte 7

Uma marca pouco divulgada por aqui, mas muito conhecida pelos seus compressores de ar usados para diversos fins, desde encher o pneu de uma bicicleta e fazer a pintura de uma parede até a lavagem de máquinas industriais, é a Schulz S/A, de Joinville, em Santa Catarina. 

Esta empresa foi fundada há relativamente pouco tempo, em 1963, quando o descendente de alemães Heinz Schulz e 26 colaboradores, entre eles um jovem chamado Ovandi Rosenstock (atual presidente da fábrica), fundaram uma pequena empresa metalúrgica, para a fabricação de ferramentas manuais e máquinas operatrizes. Com o tempo, passaram às ferramentas pneumáticas para uso de jatos de ar sob alta pressão, entre elas os compressores. Em 1972, produziram modelos de grande sucesso, com motores de pistão entre 0,5 e 1 cv, para uso em atividades domésticas. O senhor Heinz não pôde desfrutar do sucesso por muito tempo, pois faleceu em 1975 com apenas 52 anos de idade. 

Pouco tempo depois da morte do fundador, a Schulz se tornou a maior fabricante de compressores, mas ainda enfrentava concorrentes respeitáveis, como a Tecnomecânica, dona da marca Wayne/Wetzel. Esta fábrica foi adquirida pela Schulz em 1994. Nesta época, a empresa abandonou o logotipo triangular, uma característica de muitas fábricas catarinenses. Nele, havia uma caldeira e uma engrenagem. 

Primeiro compressor da Schulz (Divulgação/Schulz)

Cinco anos depois, chegou a hora de explorar novos mercados e uma filial da empresa foi instalada em Atlanta, no estado americano da Geórgia (a mesma cidade conhecida por abrigar a fábrica matriz da Coca-Cola). Mais tarde, a fábrica catarinense se expandiu para outros locais, como a França, a Suécia, o Canadá e a China, a despeito das dificuldades econômicas enfrentadas por todos os empreendimentos no Brasil, desde a hiperinflação dos anos 1980 até os sucessivos planos econômicos. Também havia a concorrência de fabricantes estrangeiras, como a sueca Atlas-Copco e a americana Ingersoll-Rand, além da chinesa Fusheng, entre outras. 

No Brasil, continuou a diversificar seu portfólio, com compressores movidos a motores a combustão, principalmente diesel, de alta potência. A tradicional fábrica de ferramentas Somar, existente desde 1929, foi comprada pela Schulz em 2009. 

O carro chefe da Schulz é o compressor de ar a pistão, como este da linha Bravo (Divulgação/Schulz)

Apesar de produzir desde chaves de fenda até máquinas de solda e motobombas, a empresa quase nunca apareceu em midias destinadas ao grande público. Não há um folheto ou propaganda de televisão conhecidos. Toda a parte de divulgação está destinada a outras empresas, clientes desta discreta mas vigorosa gigante. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Da série "Noventolatria", parte 36 - Ele morreeeeu!!!

 A Jovem Pan fazia muito humor nos loucos anos 1990, e um dos sketches era o impagável "Topa Tudo Sem Dinheiro", paródia do "Topa Tudo por Dinheiro". Nesta paródia, o Sílvio Santos fazia um participante do programa, o nordestino Teobaldo, de gato e sapato, fazendo-o participar das provas mais loucas, e no final deles o pobre infeliz sempre acabava "passando dessa para melhor" da pior forma. Quando Teobaldo era trucidado, Sílvio Santos lançava o bordão "Ele morreeeu!!!" (paródia do "Ele ganhooou!!!" do programa original). Abaixo, uma amostra do programa (Canal Multimidiadigital): 


Nos anos 1990, o "politicamente correto" era um conceito incipiente, e restrito aos Estados Unidos. Por aqui o escracho corria solto e tudo era motivo de piada, principalmente os retirantes nordestinos. O bordão "Ele morreeeu!!" lembra a morte de Senor Abravanel, sábado passado, pois Sílvio Santos é imortal. 

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Da série 'Grandes marcas (sumidas) do Brasil', parte 3

Olimpíadas lembram esportes, que exigem uma alimentação saudável. E uma das fabricantes nacionais mais conceituadas nesta área é a Olvebra, empresa gaúcha de produtos à base de soja. 


A Olvebra foi fundada pelos chineses Sheun Ming Ling (1921-2020) e Charles Kung Wei Tse (?-?), em 1955. Eles, fugitivos do regime comunista chinês, viram na soja um potencial alimentício muito valioso, Fundaram a empresa em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Essa marca é uma sigla para "Óleos Vegetais Brasileiros". 

Com isso, a leguminosa, antes pouco apreciada, passou a ser melhor aproveitada, não só para a produção de óleo, mas também para o extrato de soja em pó, para a substituição do leite em pó, para quem é alérgico à lactose e quer perder peso. 

As marcas mais conhecidas da Olvebra são o Soymilke e o Choco Soy, este último um chocolate com leite de soja, sem produtos animais. Também existe o já tradicional óleo Violeta (agora propriedade da Celena Alimentos, desde o abandono da comercialização do óleo para o varejo por parte da Olvebra) e o Sustare, para concorrer com a Sustagen da gigante Reckitt Benckiser, multinacional da indústria química. Também há produtos à base de óleo de coco, muito procurados por quem acredita em suas propriedades nutricionais, e produzidos por uma empresa do grupo, a Caeté. 

Curiosamente, nunca houve uma divulgação ostensiva dos produtos desta marca gaúcha na mídia. Também ela vem aparecendo pouco nas reportagens dos jornais, apesar dos consumidores estarem preocupados com a situação da empresa, que chegou a ficar em recuperação judicial recentemente (2018), devido às dívidas de R$ 448 milhões. Por outro lado, os produtos da marca são muito presentes nos supermercados, hipermercados e outras varejistas. 

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Da série 'Grandes marcas (sumidas) do Brasil', parte 2

Existe uma fábrica centenária ainda líder no setor de fogos de artifício, mas que já teve seus dias mais conhecidos, a Fogos Caramuru. 

Pode ser estranho pensar em algo com mais de cem anos ainda atuante, ainda mais neste país, mas esta empresa, antigo orgulho da cidade paulista de Jacareí, foi criada em 1915 pelo imigrante italiano Antônio Chieffi. Fabricando seus produtos desde então, a Caramuru era, nos primeiros anos, apenas uma marca, exibindo a cabeça de um índio com feição sisuda. 

Caramuru remete ao apelido do português Diogo Álvares Correia, cuja história é bem conhecida mas está repleta de lendas: ele teria atirado para o alto para se defender dos tupinambás na costa da Bahia. Os indígenas se assustaram e lhe deram o apelido, significando o "homem do pau que cospe fogo". Caramuru também era o nome dado a um peixe então comum na região costeira, a moréia. Ele conquistou o respeito dos nativos e se casou com Paraguaçu. 

A marca não remete nem ao fidalgo português e nem aos índios tupinambás, mas a um representante da tribo Cheyenne, nos Estados Unidos. Naquela época não havia nada de politicamente correto, muito pelo contrário. Era comum mostrar o índio como um selvagem, disposto a matar os homens brancos e fazer atrocidades como escalpelá-los, comê-los, encolher as cabeças deles, etc. Mas também era um sinônimo de valentia e força, para enfrentar ambientes hostis e desafiadores. 

Assim, os Chieffi enfrentaram o ambiente da economia brasileira, sempre hostil e desafiadora, até conquistar os clientes que procuravam sinalizadores e materiais explosivos para os mais diversos fins. Ganhou o mercado brasileiro e também o internacional, chegando a exportar para os Estados Unidos, onde fogos da Caramuru foram usados na inauguração da Disneylândia, em 1953. Países latino-americanos e europeus tornaram-se público consumidor da gigante brasileira em ascensão. 

O slogan "Se não tem a cabeça do índio, não é Caramuru" logo foi adotado, mas o outro, "Os únicos (fogos) que não dão chabu", se tornou mais conhecido nos últimos tempos. 

Antigo anúncio dos Fogos Caramuru, nos anos 1960


O logotipo atual da empresa

Durante as décadas de 1960 e 1970, no regime militar, a Caramuru diversificou seus produtos, passando a fabricar armas militares. Para isso, o filho do fundador, Biagino Chietti, fundou a FAM - Fábrica de Armas Modernas, mas também com a marca Caramuru. O designer Miguel Rasca trabalhou nos projetos dos revólveres, pistolas e rifles usados nas forças de segurança. Mas, em 1978, o negócio "deu chabu", e a fábrica dos Chietti voltou a se concentrar nos artefatos pirotécnicos. 

Foram instaladas fábricas na cidade vizinha de Jacareí, Santa Branca, e em Santo Antônio do Monte, em Minas Garais, com escritórios em São Paulo, sendo a mais antiga no Pari, na rua Tiers. 

Já nas décadas seguintes, a crise econômica atrapalhou os negócios, apesar do faturamento ainda ser muito alto, em parte devido às exportações. Com o final do século, houve também a concorrência dos produtos chineses, lembrando que a China tem séculos de tradição nesses produtos e foi lá onde foi inventada a pólvora, matéria-prima dos fogos. Assim, a Caramuru, embora ainda líder de mercado, se retraiu. Sua antiga fábrica em Jacareí fechou, e a produção se concentra em Santo Antônio do Monte. Os Fogos Caramuru, que nunca precisaram fazer propaganda ostensiva nos meios de comunicação, aparentemente estão sumidos da mídia, mas eles continuam tocando os negócios e enfrentando os desafios, como um bravo guerreiro. 

Os negócios ainda não deram chabu para esta centenária fabricante, ao contrário do cenário econômico brasileiro, ameaçado pela política governamental e pelo desastre no Rio Grande do Sul. 

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Da série "Mondo Cane", parte 86

Entre notícias sobre a alta do dólar e mais uma tentativa de resolver o drama dos reféns sequestrados pelo Hamas enquanto Gaza é destruída por Israel, ter mais um da série "Mondo Cane" por aqui é demais. 

Mas não se trata de mais uma bizarrice ou uma notícia horrorosa para induzir ao vômito, mesmo porque a inépcia do poder público para resolver a tragédia no Rio Grande do Sul é ainda mais emética. É sobre os cães caramelos, tema de um filme futuro do Netflix, produzido pela Midgal Filmes, chamado "Caramelo". 

O filme tem como protagonista um cachorro típico da "raça", o vira-lata caramelo, tratado aqui como patrimônio nacional, chamado Amendoim. Diego Fontes, o diretor, promete fazer um trabalho emocionante para o público (será que o Oscar vem?). Segundo informações de sites como o "Só Notícia Boa", o elenco todo, inclusive Amendoim, se apresentou num evento no Rio para a divulgação. 

O elenco de "Caramelo" (Divulgação/Rio 2 C)

N. do A.: Espera-se que o filme e outras produções futuras da Netflix agradem a ponto do público ficar um pouco mais calmo diante da política aparentemente aviltante dos serviços de streaming, com aumentos expressivos no preço das assinaturas sem oferecer nenhuma contrapartida, gerando fuga de assinantes. 

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Da série 'Grandes marcas (sumidas) do Brasil', parte 1

 Este blog vai iniciar uma nova série, mostrando grandes marcas do Brasil, muito famosas no passado e agora longe da mídia, mas ainda existentes. 

Na postagem anterior, houve alguma coisa da Tec Toy, uma empresa brasileira famosa, mas presente na mídia, ficando de fora dos critérios. A marca a ser exposta agora é uma das concorrentes mais tradicionais, a Brinquedos Estrela. 

Quadro divulgado pelo Facebook mostrando parte do ainda enorme portfólio da empresa (Divulgação/Facebook)

Quem se lembra do jingle divulgado durante o Dia das Crianças de 1987 deve ter se emocionado. Naquele tempo, a empresa era a líder no setor, quando não havia celular ou Internet, e os videogames estavam engatinhando no mercado. Fazer a gurizada se divertir era até mais fácil, e dependia bem menos da energia elétrica. 

A Estrela foi fundada em 1937 pelo imigrante alemão Siegfried Adler, a partir de uma humilde fábrica de bonecas e carrinhos de madeira, no bairro paulistano do Catumbi, na rua Joaquim Carlos, com saída para a rua Marcos Arruda. Pouco tempo depois, já lançava os primeiros clássicos, como o Pega Varetas e o Banco Imobiliário. Outro clássico, a boneca Susi, foi lançada em 1966 como um sucedâneo da Barbie, da Mattel, mas ela própria foi licenciada para a Estrela anos mais tarde. 

O Autorama surgiu no final dos anos 1960, e na década seguinte, a empresa aproveitou o "Milagre Econômico" durante a ditadura militar para se expandir. A fábrica se transferiu parcialmente para o Parque Novo Mundo, na divisa entre São Paulo e Guarulhos, junto à via Dutra. Foram lançados a boneca Amelinha (1972) e o boneco Falcon (1977), este último para os meninos, baseado nos GI Joe da Hasbro. Também da Hasbro, o Jogo da Vida se tornou um clássico. Nessa época, o Ferrorama também era lançado, em várias versões. O Stratus, primeiro carrinho com controle remoto, surgiu em 1979. 

Depois disso, a Estrela conheceu o auge, na famosa década de 1980, lançando brinquedos como o eletrônico Gênius, o robozinho Ar-Tur, o Boca Rica, o Jogo da Operação, a bonequinha Quem me Quer, e produtos licenciados da Hasbro e da Mattel, como os Transformers e a linha de bonecos do He-Man. Foi nessa época, como já foi citado, o lançamento do comercial com o famoso jingle  Em 1989, sua fábrica em Manaus foi inaugurada. 

A década de 1990 foi mais difícil para a empresa, por causa dos choques econômicos com o Plano Collor (1990) e o Plano Real (1994), e a invasão de produtos importados, muitos deles contrabandeados. A crise asiática de 1997 foi um golpe para todas as fabricantes de brinquedos. Ainda assim, a Estrela conseguiu resistir. Fundou a Playtronic, com a Gradiente, para a produção de brinquedos eletrônicos, licenciando produtos da Nintendo. Relançou alguns brinquedos em poder dos concorrentes falidos, como os minúsculos Fofoletes (a Estrela havia lançado os Miudinhos para concorrer com eles em 1980) e os bonequinhos Playmobil, ambos da Trol, que não resistiu à crise dos anos 1990. 

Continuaram os desafios durante este século e a fábrica paulistana da Estrela fechou as portas, demitindo seus funcionários, deixando o lugar abandonado. Uma fábrica em Itapira foi inaugurada em 2003, para compensar. Houve fôlego para construir outra fábrica, maior, em Três Pontas, Minas Gerais, no ano seguinte. A Estrela ainda teve que enfrentar processos judiciais em 2008 por não pagar os custos de licenciamento para a Hasbro, que havia acabado de trazer uma filial no Brasil  A Estrela ainda conseguiu manter algumas licenças em novo julgamento (2019), como os Comandos em Ação e o Banco Imobiliário, mas precisou pagar os direitos de outros, como o Detetive, o Jogo da Vida e o Genius. 

Uma de suas instalações com certa popularidade entre as crianças foi a Casa dos Sonhos, na Vila Mariana, instalada em 2001 e fechada em 2006. 

Agora, a Estrela tenta se manter em atividade, fabricando brinquedos tradicionais, aproveitando a perene nostalgia  Existem também alguns produtos recentes, mas visando as crianças que gostam de brinquedos ao estilo daqueles desfrutados pelos seus pais e avós.