Com 90% dos votos apurados, outra eleição vai definir o futuro do mundo. Não é a eleição brasileira, mas a israelense.
Por enquanto, o Likud, partido do atual premiê Binyamin Netanyahu, está liderando, mas o número de votos não é suficiente para a coligação conservadora, reunindo ultranacionalistas e religiosos ortodoxos, assegurar a governabilidade. Outra coligação, mais moderada, reune o Yashar, do principal oposicionista, o general reformado Gadi Eisenkot, e ainda tem chances de levar o governo. Para isso, precisará do apoio das minorias, inclusive dos países árabes, como o Ra'am.
Netanyahu, que descarta categoricamente qualquer aliança com os árabes, por evidentes diferenças ideológicas, iria precisar dialogar com parte da oposição para poder governar. Mas boa parte dos votos ainda não computados são de militares, a maioria deles favoráveis à permanência de Bibi.
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| Cabine eleitoral em Tel Aviv, usada nas eleições de ontem (Nir Keidar/Anadolu/Getty Images) |
Netanyahu já exerceu seis mandatos, e ainda é contestado por acusações de corrupção política e obstrução da Justiça, além de sua política favorável à expansão dos assentamentos na Cisjordânia, o nome dado pelo Ocidente à região da Judeia e Samaria, nome original dado pela Carta da ONU em 1948, e adotado pelo governo israelense. Mesmo o Ocidente ainda critica a política de anexação em Gaza e no sul do Líbano, mas Bibi crê ser necessário para combater efetivamente o Hamas e o Hizbollah, que ainda ameaçam o país. E vai manter essa política, mesmo precisando enfrentar o grande aliado, Donald Trump, que nem sempre concorda com as decisões tomadas em Givat Ram.
Por enquanto, tudo transcorre normalmente, mas até o fim do mês isso poderá mudar, e a guerra irá causar muita apreensão e incerteza na Ásia Ocidental e fora dela, com um aumento expressivo do já altíssimo preço do barril de petróleo, em torno dos 110 dólares, e a indesejável perda de vidas humanas, principalmente de civis.

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