segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Outro conflito esquecido, até no Brasil

Enquanto o Irã e Israel estão se preparando para uma rodada de combates aéreos, e a Ucrânia trava uma luta encarniçada contra a Rússia, com baixas em ambos os lados, existe um conflito entre vários no continente mais ignorado do mundo, a África. 

Já comentei sobre a guerra no Sahel, a guerra civil no Sudão e os problemas entre Etiópia e Egito envolvendo a questão da água do rio Nilo. Mas um país irmão do Brasil, Moçambique, também está em séria crise humanitária. Este país também foi colonizado por Portugal, e a língua oficial é o português, embora boa parte da população não empregue o idioma no cotidiano. 

No norte do país, junto à fronteira com a Tanzânia, grupos jihadistas ligados ao Daesh estão impondo o terror desde 2017, provocando uma crise humanitária. Principalmente os cristãos são vítimas desses terroristas. O Daesh, antes conhecido como "Estado Islâmico" pelas potências ocidentais, ainda atua em várias partes do mundo, e tem apoiadores em várias partes do continente; o pior deles é o Boko Haram, na Nigéria e países vizinhos. 

O pais do sudeste africano tenta encontrar uma forma de resolver o problema na província de Cabo Delgado, onde se concentra a ação dos jihadistas. Além de perseguirem os cristãos, eles exploram clandestinamente os recursos naturais, como pedras preciosas. E a violência não para. Três terroristas foram mortos em confronto com fuzileiros navais em Moçímboa da Praia. Houve relatos de mortes em outra parte na mesma região, num atentado. 

Militares monitoram a província de Cabo Delgado, em Moçambique (Lusa)

Enquanto isso, o país tenta uma forma de sair do subdesenvolvimento, por meio do desenvolvimento dos portos e incrementar a produção industrial. Os indicadores econômicos não são muito animadores. Em 2027, a previsão é de um crescimento de apenas 1,6% no PIB e uma inflação de 7%. E mais de 60% da população está em situação precária, sem saneamento básico, e com insegurança alimentar crônica. O país também não possui condições para manter reservas naturais como nos vizinhos África do Sul e Tanzânia, apesar da sua relativa riqueza de sua fauna. Existe apenas um parque nacional importante, o de Gorongosa, mas ele não é muito conhecido por fãs de safaris. E existem problemas crônicos de educação e saúde. 

O Brasil deve considerar fazer investimentos sérios no país, mas deve fazer isso de forma pragmática. Em Angola, outro país lusófono da mesma região, o Brasil está bem mais atuante, mas ele é movido por ideologia, pois aquele país é governado pelo MPLA, ligado ao regime cubano, que enviou tropas para lutar na guerra civil após a independência, em 1975. A presença do terror islâmico e a violência, entre outros problemas graves citados, constituem desafios consideráveis para qualquer investidor que queira fazer negócios em Moçambique. 

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