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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Um breve comentário após o fim das Paralimpíadas

Não consegui registrar como gostaria, nem como poderia, os acontecimentos das Paralimpíadas de Londres. E não posso culpar a falta de divulgação do evento, que chamou mais a atenção da mídia do que de costume, embora ainda não tivesse o merecido destaque. 

Os atletas paralímpicos brasileiros merecem todo o reconhecimento, não só os ganhadores das 21 medalhas de ouro nesta edição. Também os medalhistas de prata, como Lucas Prado nos 100 m T11 (atletas com deficiência visual), e de bronze, como Felipe Gomes na mesma prova e o veterano Antônio Tenório no judô, representaram dignamente o nosso país. A delegação paralímpica brasileira conquistou 43 medalhas de ouro no total, menos do que em Pequim, quando ganhou 4 a mais. No entanto, em nenhuma outra edição dos Jogos o Brasil conseguiu as já citadas 21 medalhas de ouro. 

A última dessas medalhas douradas foi do maratonista Tito Sena. Ele teve de sofrer para conseguir vencer a difícil tarefa de percorrer 42 km. A deficiência física dele não o atrapalhou: está no braço direito, seriamente prejudicado após um acidente (correu na categoria T46). Mas 42 km de corrida é um desafio difícil até mesmo para quem não tem deficiência alguma e goza de perfeita saúde. 

Tito Sena foi o último brasileiro a ganhar o ouro em Londres

Com isso, atendeu-se a expectativa do Brasil ficar entre os sete melhores do mundo. E confirmou-se a boa fase do esporte paralímpico no país, apesar da sempre difícil luta pelo patrocínio. Espera-se que o êxito em Londres se repita no Rio, e a mídia aumente mais a divulgação, para convencer aqueles que vêem os deficientes físicos apenas como coitadinhos. São pessoas como nós, e merecem respeito, como qualquer cidadão. 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Paralimpíadas 2012 - Daniel Dias assume o recorde

O nadador paralímpico Daniel Dias ganhou a sua quarta medalha de ouro só nesta edição dos Jogos e, com isso, ele passa a ser o maior medalhista do Brasil na categoria. 

Ele tem 13 medalhas, como Clodoaldo Silva, mas possui mais ouros: oito, contra seis do antigo recordista. 

A última medalha de ouro conquistada por Dias foi nos 50 m costas, categoria S5. 

André Brasil também fez a sua parte para tentar alcançar o colega, ganhando o ouro nos 100 m livre categoria S10. Com isso, a delegação brasileira passou a ter 14 ouros, ficando em oitavo lugar, e bem atrás da China e suas 70 medalhas douradas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Paralimpiadas 2012 - Alessandro Zanardi volta a vencer

Nos anos 1990, Alessandro Zanardi era conhecido por pilotar carros de quatro escuderias diferentes na Fórmula 1: Jordan, Minardi, Lotus e Williams. Não tinha grandes destaques em sua carreira como corredor da F-1, conquistando apenas um ponto no GP do Brasil de 1993, pela Lotus. Fez muito mais sucesso quando se transferiu para a Cart, dissidência da Fórmula Indy, tornando-se bicampeão na categoria, em 1997 e 1998. 

Sua carreira de piloto foi aparentemente destruída quando ele se envolveu num acidente em setembro de 2001, na Alemanha. Foi talvez o pior acidente no automobilismo mundial naquele ano, e ocorreu bem na época de outra tragédia mundial, o atentado terrorista contra as torres gêmeas em Nova York. Após fortíssima colisão, ele, além de perder as duas perdas, ainda precisou repor a maior parte do sangue, chegando a estar próximo da morte. 

Dois anos depois, recuperado, voltou às pistas, agora com carros adaptados. Nos últimos tempos, passou a explorar outras competições esportivas, chegando a vencer as maratonas de Veneza e de Roma (2009 e 2010, respectivamente), em cadeira de rodas. 

Agora, ele voltou às manchetes internacionais ao competir em outra modalidade, o ciclismo categoria H4, para amputados. E venceu. Ganhou medalha de ouro. 

Alessandro "Alex" Zanardi


P.S.: Os brasileiros também fizeram bonito até agora nas Paralimpíadas. André Brasil e Daniel Dias não se cansaram de ganhar ouros na natação, enquanto Felipe Gomes venceu nos 200 metros categoria T11 (atletas com deficiência visual que precisam correr com guias) e a equipe de bocha - esporte pouco conhecido por aqui - também ganharam as suas medalhas douradas. Com isso, sem desculpas esfarrapadas e com espírito competitivo, os atletas paralímpicos brasileiros vão mostrando seus resultados - a despeito da maioria deles também terem dificuldades para conseguir patrocínio.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Paralimpíadas 2012 - Mais para um rol dos grandes brasileiros de 2012

Conseguir vencer Oscar Pistorius, o mais famoso corredor amputado do mundo, não é para qualquer um. Ele foi o grande responsável pelo desenvolvimento das próteses mecânicas para quem não tem pelo menos uma das pernas. Mas alguém conseguiu vencê-lo, e ninguém esperava com isso. 

Coube a um brasileiro provar que Pistorius, apesar de sua justificada fama como atleta, a ponto de participar até mesmo das Olimpíadas "convencionais", é um atleta diferente de Usain Bolt, o maior corredor sem deficiência física da atualidade. Seu nome é Alan Fonteles. 

Nos 200 m categoria T44 (corredores amputados), o sul-africano parecia imbatível até mais da metade da prova. De repente, Fonteles disparou e ultrapassou Pistorius bem no final da corrida. E ganhou o ouro. Inconformado por "só" levar a prata, o grande derrotado insinuou que o vencedor utilizou próteses mais altas do que o regulamento impõe, favorecendo a impulsão para as corridas. A organização refutou as acusações e confirmou o ouro para o brasileiro. Só restou para Oscar Pistorius retratar-se, durante a premiação. 
Oscar Pistorius e o resto do mundo não imaginavam que o campeão paralímpico do atletismo seria outro

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A parca repercussão das Paralimpíadas 2012

Nos portais e nos jornais ainda se dá muito pouco espaço aos Jogos Paralímpicos, onde atletas mostram como eles conseguem driblar suas limitações físicas e, muitas vezes, intelectuais.

Há realmente muito pouco destaque. No Uol, há mais espaço para notícias fúteis, como aquela do pastor que cheirou a Bíblia, ou do Camaro novo da dupla sertaneja Munhoz e Mariano. O portal iG dá destaque aos pitacos da Luana Piovani. E ambas falam do que o Justin Bieber anda fazendo, divulgando seu filme (vaiado no festival de Veneza, onde os considerados melhores levam o cobiçado prêmio Leão de Ouro) e sua foto no Twitter portando uma pistola. Belos exemplos.

Tirando isso, na parte de esportes o futebol domina, com destaque para a "novela" envolvendo Paulo Henrique Ganso no Santos, e as especulações sobre sua possível saída do elenco. Também se fala muito do Campeonato Brasileiro.

Enquanto isso, o André Brasil, nadador paralímpico, conquistou a segunda medalha de ouro para o Brasil. Vão superar e muito as três ganhas pela delegação olímpica brasileira. E olhe que a performance da delegação paralímpica nem é tão espetacular. No momento, os chineses vão faturando 13 ouros.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Paralimpíadas 2012 - O Brasil começa relativamente bem

Começo uma série sobre o evento esportivo mais importante para atletas com limitações físicas, as Paralimpíadas (antes chamadas de Paraolimpíadas).

Já há algum tempo os atletas paralímpicos conseguem mais medalhas do que os seus colegas sem deficiências. No primeiro dia de competições, os brasileiros já ganharam medalha. 

Primeiro, vou abordar a medalha de bronze no judô, um esporte que sempre reserva boas surpresas. Michele Ferreira, na categoria até 52 kg. Ela já havia ganho um bronze em Pequim, e voltou a ganhar uma medalha da mesma cor agora. Nem precisou lutar, pois a francesa Sandrine Martinet se machucou. Michele Ferreira tem apenas 15% da visão, sendo praticamente cega. Ela treina intensamente com atletas que possuem visão normal. 

A natação mostrou mais bons exemplos: na categoria S10, com menor grau de limitação física, André Brasil ganhou a prata nos 200 m medley. 

Last but not least, um termo comum no local das Paralimpíadas deste ano (mais usado por lá do que nos EUA), mais um atleta brasileiro fatuou uma medalha. De ouro. É o nadador Daniel Dias, que conquistou o alto do pódio ao disputar os 50 m categoria S5, com grau médio de deficiência (ele não tem o antebraço direito). Dias já havia ganho um ouro em Pequim, e voltou a ser o melhor hoje. Clodoaldo Silva, maior medalhista paralímpico, competiu na mesma prova e ficou em quinto lugar.

Daniel Dias é um exemplo para os outros atletas - e para todos nós