sábado, 30 de dezembro de 2023

Da série 'Grandes Varejistas do Passado'', parte 15 - Redes absorvidas por outras

Na série que se encerra hoje, faltaram algumas varejistas que não faliram, mas foram absorvidas por outras. 

É o caso da Barateiro, uma das redes de supermercados mais importantes do século passado. Quando foi comprada pelo Pão de Açúcar, em 1998, estava mal financeiramente, como a maioria das lojas do setor, mas tinha 32 lojas e não se cogitava recuperação judicial. O grupo de Abílio Diniz prometeu manter o nome, mas não cumpriu a promessa, e o Barateiro se tornou o Compre Bem, marca extinta neste ano. 

A rede Barateiro era uma gigante do varejo, até ser adquirida pelos Diniz

Outra rede de supermercados comprada pelo Pão de Açúcar foi a Sendas, fundada no Rio de Janeiro por Arthur Sendas em 1960. Era uma rede de hipermercados pujante, espalhada nas principais cidades do Brasil, mas em 2011 foi comprada pelo grupo dos Diniz, e sua marca viria progressivamente a dar lugar ao Assaí. Até recentemente, essa rede tinha a razão social de Sendas Distribuidora. Abaixo, um anúncio de 1992, quando o Sendas parecia inabalável mesmo em tempos de inflação galopante (canal do Égon Bonfim no Youtube): 


Outras vítimas da expansão do Pão de Açúcar foi o tradicional Paes Mendonça, uma das mais respeitadas redes de supermercados do Brasil, nascida em Sergipe, por obra de Mamede Paes Mendonça (1915-1985). A rede nasceu em Ribeirópolis em 1936 como um pequeno armazém, mas depois expandiu-se e chegou a Salvador, na Bahia. Em pouco tempo, 156 lojas se espalharam em quatro Estados: Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo que na "Cidade Maravilhosa" ela se tornou muito prestigiada. Adquiriu em 1990 a afamada rede de supermercados Disco, fundada em 1952 e também muito poderosa, com várias lojas em São Paulo e Minas Gerais, mas em grave crise financeira. Ironicamente, a própria Paes Mendonça não aguentou a concorrência e as sucessivas crises econômicas na década de 1990, e se tornou presa do grupo dos Diniz. 

A outrora poderosa rede de supermercados Disco foi comprada pela...

..... Paes Mendonça, que mais tarde fez parte de uma "cadeia alimentar", engolida pelo Pão de Açúcar

O grupo, aliás, tinha outras marcas muito conhecidas, como a Jumbo, rede de hipermercados. Com a aquisição da Eletroradiobraz em 1976, a marca se tornou Jumbo Eletro, Era famoso o jingle: "É o Jumbo... Eletro e ninguém mais", com uma musiquinha singela adotada mais tarde pelas Lojas Marabraz. A marca Jumbo Eletro deixou de existir em 1993, com o lançamento da rede Extra. Abaixo, um comercial empregando a musiquinha (Canal ADILSONCFC8090): 


O grupo Pão de Açúcar tinha outras marcas de grande expressão, como a Sandiz, muito famosa em meados dos anos 1980, como uma respeitável mas efêmera loja de departamentos. A Susa holandesa adquiriu a Sandiz em 1987, e depois a extinguiu. 

Uma concorrente do Paes Mendonça no Nordeste foi a Bompreço, fundada por Pedro Paes Mendonça, irmão de Mamede, também em Ribeirópolis. Tomou rumo diferente, concentrando-se em Pernambuco e outros Estados nordestinos, e também no Pará. A Bompreço Supermercados do Nordeste, ou BIG Bompreço, foi adquirida pelo Walmart em 1998, sofrendo dos mesmos efeitos econômicos que vitimaram a Paes Mendonça. Porém, a Walmart preservou a marca, e depois a vendeu para o Carrefour, em 2021. 

As Casas Buri, fundadas por Mário Bussab e Paulo Ribeiro em 1947. chegaram a ter 300 lojas espalhadas no sul e sudeste do Brasil, mas quando foram compradas pelo Ponto Frio em 1992, tinham "apenas" 114. O lema era "tudo para você e seu lar". A origem do nome foram as iniciais dos fundadores, não sendo inspirada no nome de uma cidade do interior paulista, no vale do Paranapanema. Abaixo, um comercial quando as Casas Buri ainda tinham força no mercado, nos famigerados anos 1980 (Canal Flashback):  


Algumas redes regionais conhecidas, como a Dudony, do Paraná, fundada em 1988 e com mais de 100 lojas concentradas no norte do Estado em seus tempos áureos, foram impiedosamente "comidas" pelas varejistas de maior expressão. A Dudony foi comprada pelo grupo Sílvio Santos. que já tinha as Lojas do Baú, grande rede adquirida mais tarde (2011) pela Magazine Luiza, e a Tamakavy, uma loja de móveis cuja marca era uma empresa agropecuária comprada por Sílvio Santos em 1972; essas lojas ficaram muito famosas em anúncios, e não só no SBT, mas duraram pouco tempo, sendo absorvidas pelo grupo Sílvio Santos por volta de 1989. 

Futuramente, haverá novas falências ou aquisições de varejistas, encerrando o legado de marcas que conquistaram o coração dos brasileiros. Para algumas delas, como a Marisa e mesmo as Casas Bahia e as Lojas Americanas (estas últimas motivaram o blog a fazer esta série), parece ser questão de tempo. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Dia amargo para o automobilismo

O autor deste blog teve a sorte de acompanhar os feitos de Nelson Piquet e Ayrton Senna, e também os de Michael Schumacher. Atualmente, estamos num período bem menos memorável para o automobilismo, com repercussão muito menor, embora ainda tenhamos pilotos como Max Verstappen e Lewis Hamilton. 

Piquet está aposentado e só é lembrado, por desafetos, por seu apoio a Jair Bolsonaro. Senna está morto e Schumacher está bem próximo de se juntar a ele. Hoje faz exatos 10 anos desde o acidente de esqui nos Alpes franceses. Lutando pela vida, ele recebe cuidados intensivos, com direito até a um tratamento com sons de carros da F-1, segundo relatos. Corinna, a mulher dele, tem preservado zelosamente a privacidade do marido, com a colaboração de Jean Todt, ex-todo poderoso da Ferrari, escuderia defendida pelo alemão entre 1996 e 2006, período no qual ele ganhou cinco dos seus sete títulos, entre 2000 e 2004. 

Apenas dois anos mais velho que Schumacher, agora com 54 anos, outro piloto acaba de falecer: Gil de Ferran sofreu um infarto e não resistiu, na Flórida. Brasileiro e um dos ídolos da Fórmula Indy, não teve a sorte de ingressar na F-1, mas na Indy ganhou dois títulos mundiais, em 2000 e 2001, pela Penske, e vencedor das 1000 Milhas em Indianápolis em 2003. Ferran e Helio Castroneves foram considerados os maiores vencedores brasileiros do automobilismo após a morte de Senna. Na F-1, Rubinho Barrichello era ridicularizado como "segundo piloto" da Ferrari (o primeiro era o alemão) e Felipe Massa sofria cobranças por não obter os resultados obtidos por Piquet e Senna anos atrás. 

Gil de Ferran (1967-2023) quando ganhou as 1000 Milhas de Indianápolis (Getty Images)


Os 10 anos do acidente que mudou a vida de Schumacher para sempre e a morte de Gil de Ferran tornam este dia terrível para os amantes do automobilismo. 


N. do A.: Na Indy e na Stock Cars, Rubinho Barrichello aumentou a frequencia de vitórias, e neste ano foi bicampeão na última categoria, conhecida por reunir pilotos experientes, numa faixa etária bem superior a dos pilotos da F-1. Mesmo assim, a repercussão não se compara a dos tempos áureos do automobilismo, mostrando a queda do interesse da mídia neste esporte. 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Nostradamus e Baba Vanga novamente

Basta o mundo estar mergulhado na incerteza em um final de ano, provocada por conflitos gravíssimos e amplamente divulgados, para um certo homem ser proclamado por formadores (e deformadores) de opinião: Michel de Notre Dame, o popular Nostradamus. 

Para 2024, segundo o jornal The New York Post em uma de suas edições neste mês, o vidente francês do século XVI teria previsto a deposição e expulsão de Charles III da Grã-Bretanha (o "rei das ilhas"), desastres climáticos ainda maiores do que neste ano, quebras de colheitas, fome, a morte do papa Francisco e um possível conflito em Taiwan capaz de fazer a China, o "adversário vermelho", supostamente ficar com medo diante das repercussões gravíssimas. (clique AQUI para ler). 

É a mídia moderna do século XXI que atribui a Nostradamus (centro) profecias ruins sobre Charles III (esquerda) e o papa Francisco (direita) (Getty Images)

O jornal teria insinuado que o príncipe Harry, e não o herdeiro do trono, William, irá suceder o pai, o que coloca a suposta profecia ainda mais no terreno da especulação. 

Outros futurólogos e postulantes a isso citam outras profecias, mas estas não vem de Nostradamus, e sim de Baba Vanga, a vidente búlgara do século XX, com base em reportagem do Sky History. Nem tudo, felizmente, é desastre: entre outras previsões, haveria grande desenvolvimento na tecnologia quântica e remédios para curar o câncer e o mal de Alzheimer. Também haverá, segundo a publicação, a fabricação de humanos em laboratório. Mas a mídia em geral destacou a parte ruim, como um possível ataque terrorista islâmico na Europa, o agravamento dos desastres climáticos e o desenvolvimento de armas biológicas por um "grande país". 

Estas supostas profecias são recorrentes em tempos de crise. No final de 2021, choveram previsões sobre 2022, que não ocorreram, como a invasão da França pela Rússia (na verdade, os russos invadiram a vizinha Ucrânia, bem mais próxima) e a morte de um ditador conhecido - especulava-se Kim Jong-un, o tirano da Coréia do Norte, ainda vivo e em boa saúde, para desgosto do Ocidente. 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Da série 'Mondo Cane', parte 83 - Mais para 'Mondo Robot'

Dentre as notícias bizarras, a mais divulgada na mídia é o "ataque" de um robô da Tesla a um engenheiro numa fábrica de Austin, capital do Texas. 

A máquina teria agarrado o funcionário da fábrica de carros elétricos de Elon Musk quando ele programava outros dois robôs. Só o soltou quando ele chamou por socorro e um dos operários o salvou. O robô o atirou num recipiente de sucata de alumínio. Mesmo machucado nas costas e num dos braços, o engenheiro continuou a trabalhar após medicação. 

Robôs são comuns em montadoras de veículos (Divulgação/Getty Images)

Estranhamente, esse acontecimento, de 2021, só foi divulgado agora. A intenção seria denunciar as condições de trabalho da Tesla, e Elon Musk interpretou isso como uma campanha de difamação. Ele pretende lançar outros robôs, completamente diferentes do modelo "agressor", destinado a fazer algumas tarefas básicas: o androide Optimus deve ser vendido a partir de 2026. 

Este robô não tem nada a ver com o incidente de 2021, mesmo porque ainda está em fase de projeto (Divulgação/Tesla)


domingo, 24 de dezembro de 2023

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Torcedor do Fluminense, anime-se

Apesar do feio placar da goleada, 4 a 0 na disputa da final do Mundial de Clubes com o também estreante Manchester City, o torcedor do Fluminense deve se considerar orgulhoso do seu time, pois ele conseguiu chegar à final do torneio, depois de uma vitória convincente contra o Al Ahly por 2 a 0. Vice de um Mundial e campeão da Libertadores pela primeira vez, este foi o ano do Tricolor carioca. 

Os "Citizens" não tiveram a menor dificuldade para golear o Fluminense e conquistar seu primeiro Mundial da História (Divulgação)


Motivos para chorar, mesmo, são outros. 

Para todos os brasileiros, as decisões do ministro Dias Toffoli, monocráticas como são as piores vindas do Supremo e merecedoras de críticas do Congresso e da sociedade em geral, destruindo as conquistas da Operação Lava Jato e tornando nulo um acordo para a J&F, dona da Friboi, da Seara e da Minuano, e agente do Quadrilhão, pagar R$ 10 bilhões em troca de garantias para evitar penas maiores. A advogada do grupo é mulher do senhor ministro, ex-advogado do PT. Enquanto isso, o Congresso aprova um Orçamento com uma conta de R$ 53 bilhões de emendas parlamentares, a serem pagas com NOSSO DINHEIRO. 

Para todo o mundo, pois ontem mais um atentado terrorista aconteceu, dentro da Universidade Charles, de Praga, onde 14 pessoas morreram. O atirador foi morto após confronto com a polícia. Outras 25 pessoas foram feridas no ataque. 

Para além deste mundo (caso alguém acredite em civilizações extraterrenas), os conflitos não solucionados, como a guerra na Ucrânia e a luta entre Israel e o grupo extremista Hamas na faixa de Gaza. 

Outros acontecimentos também aborrecem e estragam o clima de Natal, como a fanfarronice da ditadura venezuelana contra a Guiana na disputa por Essequibo e as manobras de Kim Jong Un para se fazer ouvir, lançando mais mísseis intercontinentais que não vai efetivamente usar, mas são dignas de atenção por parte dos Estados Unidos, do Japão e da Coréia do Sul. Sem falar nos casos de violência, acidentes com mortes, desastres naturais e crescentes rumores sobre um possível fim do mundo. 

E ainda temos mais 9 dias para este ano terminar...

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Virada

 Para o fim deste ano e as duas primeiras semanas de 2024, o blog vai diminuir o ritmo, concentrando-se em alguns assuntos específicos, como a final do Mundial de Clubes (que terá o Fluminense, após vencer a respeitável equipe do Al-Ahly do Egito por 2 a 0) e o término da série "Grandes Varejistas do Passado", pois existem vários casos ainda não abordados de varejistas agora não existentes, pois foram incorporadas a outras redes. 

Possivelmente, haverá também o horroróscopo para o final do ano (oh, céus...)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Da série... bem, vocês devem saber

Pergunta: Alguém quer um horroróscopo neste ano?

Respostas: 

a) O quê? Aquela avacalhação com o horóscopo? (Olha aí! Responder pergunta com outra...) Isso é coisa séria! Não brinquem com os astros! 

b) Eu quero! Tô doido para ver o meu signo! Adoro, pois sou um masoquista as-su-mi-do!

c) Mais uma enquete por falta de assunto? (Seu Barriga, já é o segundo caso só nesta postagem!) Há tantos, como a comemoração do Molusco pela aprovação do Dino! Argh! Forças Armadas, salvem o Brasil!

d) Será coincidência, ou cada vez que este blog faz um horroróscopo o ano novo fica pior que o velho? (Outra pergunta para responder outra? Essa não...)

e) NÃO! NAAAAAAAAAOOO!!! Nunca! Nunca! Nunca! Pronto, tá respondido!

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Antes achávamos que o DVD-R era o máximo...

Na virada do milênio, o CD-R e o DVD-R estavam em alta, por terem capacidades de armazenamento de dados muito maior do que os disquetes. Antes vistos como maravilhas tecnológicas por serem relativamente pequenos e práticos, os disquetes, feitos com material ferromagnético para guardar 1,44 MB de dados, já eram vistos como velharias. Estavam dando lugar ao CD-R, com 700 MB (pouco menos de 500 disquetes), e ao DVD-R, com seus então fabulosos 4,7 GB, onde 1 GB = 1.024 MB. 

Havia inconvenientes nestas mídias, como a limitação no número de gravações, feitas por laser, e a facilidade de riscá-las, mas suas capacidades de armazenamento os tornavam amplamente vantajosas. Apesar de maiores (12 cm) em relação ao pequeno disquete, não eram mais pesadas, e ainda eram imunes aos ímãs e outras fontes magnéticas. A limitação no número de gravações era compensada pela tecnologia RW, possibilitando um número maior, de até 1.000 gravações. 

Um DVD-R, sensação do ano 2000 (A ilustração mostra um produto da Multilaser)

Passado um período inferior a uma geração, chegamos a 2023, e o que estamos vendo? Computadores sem drive para ler os tais DVD-R. Eles agora são vistos como obsoletos. Durante esse tempo, o pen drive se popularizou, com seu tamanho pequeno e suas relativamente grandes capacidades, com 8, 16, 32, 64 GB, muito mais do que um DVD-R. Basta o computador ter uma porta USB disponível. 

Veio também o cartão SD, e depois o diminuto micro SD, menores que o pen drive e com capacidades comparáveis. Computadores modernos sempre tem entradas para esses cartõezinhos. 

Agora, temos os SSDs do tipo M.2 (SATA e NVMe), cujo maior tamanho (comprimento de 8 cm, para o modelo 2280) é pouco maior do que o pen drive, mas com capacidades que podem superar os 2 TB (1 TB = 1.024 GB). Os SSDs estão barateando de preço, fazendo frente aos HDs, agora também vistos como ultrapassados, e também brigam com os pen drives, pois existem os chamados SSDs externos, instalados em estojos (cases) também plugáveis por uma porta USB. 

E a velocidade de leitura ou gravação também melhoraram bastante. O DVD-R levava tempo para ler ou gravar algo, e suas velocidades de leitura é de 1,32 Mb/s. Bons pen drives atingem 100 Mb/s. SSDs podem ultrapassar os 7.000 Mb/s, em condições excepcionais (encaixados em portas PCI 4.0, disponíveis nos modernos computadoes e notebooks), e mesmo os SSDs externos com porta USB podem ficar acima dos 500 Mb/s. 

Pen drives, cartões e SSDs são memórias flash, com capacidade de gravação também limitada, porém seus limites ficam muito além de um DVD-R, gravável apenas uma vez. E são bem menores e fáceis de transportar, além de não sofrererm com objetos cortantes. Não sao nem de longe tão baratos quanto um disco óptico, mas com suas capacidades de armazenamento, gravação e velocidade bem superiores (um pen drive de 32 Gb equivale a mais de 6 DVD-R), ninguém mais sente saudade dos redondinhos. 

Mas em pouco tempo tudo isso também ficará ultrapassado, pois a tecnologia quântica está pronta para se popularizar. Sua base de funcionamento não é o bit, 0 ou 1, ainda usada mesmo nos mais avançados SSDs. Eles usam o qubit, cujo valor é uma combinação linear entre o 0 e o 1, possibilitando a ampliação substancial nas capacidades de armazenamento de dados sem aumento no tamanho físico dos dispositivos. 

Em 2050, possivelmente veremos o pen drive e mesmo o SSD como meras engenhocas de tempos passados. Encaramos assim o DVD-R em 2023. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Governo Lula consegue emplacar Dino no STF

Flávio Dino, ministro da Justiça, conseguiu passar pela sabatina do Senado, ao abandonar o seu estilo algo aguerrido e ter uma postura equibrada, mais condizente com um ministro do STF. Porém, os senadores não esqueceram da sua atuação com os opositores, particularmente os participantes das manifestações tratados como criminosos e golpistas, como se todos fossem responsáveis pela barbárie ocorrida no 8/1, quando vândalos provocaram prejuízos milionários nos prédios dos Três Poderes. 

Com isso, o placar não foi folgado: 47 votos a favor, 31 contra. 

Paulo Gonet, um nome mais técnico, era subprocurador geral do TSE, e um dos que garantiram a segurança e a confiabilidade dos votos eletrônicos. Foi aprovado com folga para a PGR, na mesma sabatina. Foram 65 votos a favor e apenas 11 contra. Ele irá substituir Augusto Aras, acusado de endossar muitos atos do governo anterior, de Jair Bolsonaro, responsável pela sua indicação em 2019. 

Dino (dir.) e Gonet (esq.) passaram na sabatina para o STF e para a PGR, respectivamente, de acordo com os planos políticos de Lula (Ricardo Stackert)

Alguns militantes das causas de mulheres e pessoas negras ainda se ressentem da falta de nomes que os representassem. Mesmo assim, a maioria dos senadores simpáticos a essas causas, apoiadores do atual governo, votaram a favor de Dino. 

Com isso, o caminho está livre para os dois ocuparem seus novos cargos. Agora, cabe ao governo escolher um novo nome para a Justiça. Fala-se até em Gleisi Hoffman, nome muito ligado à ala dita "revanchista" do PT, defensora de retaliações contra a Operação Lava Jato, mas o nome mais forte, atualmente, parece ser o do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski. 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

A arte (ou não arte) no século XXI

Realmente estamos a vivenciar a maior crise artística da História. 

Como foi abordado em uma postagem de 2011, o século XXI parecia não produzir nada de original em termos de arte. Isso porque o autor deste blog ainda não estava inteirado da produção por meio de inteligência artificial, ou IA. 

Muito já se fez usando algoritmos e não o senso estético humano: pinturas, esculturas, canções. Poderiámos considerar isso arte?

"The Portrait of Edmond de Belamy", o retrato de um homem que nunca existiu feito por IA em 2018 (Divulgação)


Não resta dúvida sobre a facilidade inerente para se fazer obras complexas usando as ferramentas contemporâneas. Porém, o risco de haver uma padronização ainda maior do gosto artístico na população aumentou, assim como a facilidade para falsificar obras do passado. 

O que será mais apreciado: uma obra feita por alguém com talento inato ou por alguém que entende de programação mesmo tendo pouco ou nenhum conhecimento estético?

Qual será a definição do público a respeito da arte do nosso século? Teremos a ousadia de incluir nessa categoria os deep fakes, colocando rostos de pessoas em corpos (muitas vezes nus) e outras aberrações?

Seria a "morte" da arte como a conhecemos ou a oportunidade de explorar uma nova ferramenta criativa?

Este blog vai continuar a acompanhar as tendências artísticas ao longo do tempo, e certamente irá presenciar obras admiráveis, e outras execráveis. Isso sempre ocorreu, na Grécia Antiga, no Renascimento, no Barroco ou durante a vanguarda do século passado. Mas antes as obras eram feitas por artistas autênticos, bons ou maus, dotados de cinzel e pincel, 1% de inspiração e 99% de transpiração, com algumas exceções, como os falsificadores. Agora, é o uso de programas de computador ou aplicativos de celular, e uma porcentagem menor de transpiração - e, paradoxalmente, com ainda menos inspiração, com outras qualidades ou defeitos, de acordo com o grau da nossa burrice natural, mais do que de inteligência artificial. 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Ônibus grátis aos domingos

São Paulo vai ter transporte gratuito aos domingos e feriados, já a partir do próximo dia 17. 

Além disso, haverá a gratuidade no Natal, Ano Novo e feriado do aniversário da cidade, em 25 de janeiro. Parece bom demais para ser verdade? De certa forma, sim. 

O prefeito Ricardo Nunes, do MDB, vai disputar a reeleição e para conquistar o eleitorado mais pobre ele roubou uma das pautas de Guilherme Boulos, considerado o principal adversário. 

Um ônibus da SPTrans, no caso a linha Circular 3, gratuita para estudantes, professores e funcionários da USP, munidos de cartão exclusivo. As outras linhas também terão passagem grátis nos domingos (Jasmine Olga)

Poderá haver uma contrapartida, que é um aumento na tarifa do ônibus no começo do ano. O percentual ainda não foi definido, mas para cobrir o custo do subsídio (alegados R$ 5,1 bilhões por ano, segundo dados para 2022) mais a perda da arrecadação nos dias de gratuidade (R$ 238 milhões), a tarifa precisaria ficar acima de R$ 10,00, o que é inviável politicamente e não seria assimulado de jeito nenhum pela população. 

É possível que este aumento venha só em 2025, após a posse do novo prefeito, e mesmo assim o aumento não seria tão absurdo: fala-se em R$ 5,30 ou R$ 5,40, valores considerados salgados demais para a maioria dos paulistanos. 


N. do A.: Muitos consideram o gesto de Nunes como maluco e eleitoreiro, mas não tanto quanto a iniciativa de Jair Bolsonaro de tentar faturar politicamente ao comparecer à cerimônia de posse do presidente argentino Javier Milei, na qual participaram desde um "progressista" como Gabriel Boric, do Chile, até o conservador Daniel Noboa, do Equador, além de chefes de estado de países fora da América, como o ucraniano Volodymyr Zelensky e o húngaro Victor Orbán. Lula, aliás, cometeu um ato de deselegância ao não comparecer ao evento em Buenos Aires. 

sábado, 9 de dezembro de 2023

Da série "Grandes varejistas do passado", parte 14 - Ultralar

 Num caso raro de varejista do passado falida, mas cujo conglomerado ainda existe e é atuante, temos o caso da Ultralar, as lojas de eletrodomésticos do grupo Ultra, comandado no passado por Ernesto Igel (1893-1966), imigrante austríaco naturalizado brasileiro e um dos grandes empreendedores do século passado. 

Após a fundação da famosa empresa de botijões, a Ultragaz, Igel resolveu popularizar o uso do fogão a gás, e em 1956 criou a Ultralar com esta missão. As primeiras lojas foram abertas no Rio de Janeiro, com o intuito de fazer os consumidores verem as vantagens de se usar o "bujão" no lugar da lenha. O marketing em torno do fogão a gás deu certo, e logo os negócios se expandiram. Como não podia depender de apenas um produto, a Ultralar vendia também muitos outros utensílios domésticos, como panelas, armários e outros móveis para cozinha. Ernesto Igel, porém, logo passou o controle da corporação para o filho, Pery (1921-1998), em 1959, e anos depois faleceu. 

Em 1965, graças à amizade com Roberto Marinho, Ernesto Igel conseguiu veicular um programa chamado "Ultra Notícias" na então recém-inaugurada TV Globo. Logo a Ultralar se expandiu para São Paulo e outras grandes cidades. O Grupo Ultra estava em franca ascensão, com o surgimento da Ultrafertil (fertilizantes), logo vendida para a Petrobras em 1974, e da Transultra, atual Ultracargo (armazenagem de líquidos). A expansão foi ainda maior durante o "milagre econômico", com a expansão econômica e a explosão nas vendas de produtos, beneficiando o comércio em geral. 

Anúncio da Ultralar no início da década de 1970

Ajudando na expansão, os comerciais vinculados principalmente na Rede Globo traziam Jô Soares como o Capitão Lar, paródia roliça do Superman e do Shazam, nos anos 1970 (um dos comerciais pode ser visto abaixo, no canal de Doni Amaro). Depois, os anúncios na televisão foram mais impessoais, embora ainda frequentes. 


A Ultralar fazia frente a todas as outras grandes lojas, desde o Jumbo Eletro (do grupo Pão de Açúcar) até o Mappin e a Mesbla, passando pelo Ponto Frio e as Casas Bahia. No entanto, os mesmos problemas enfrentados por todos esses gigantes afetaram a Ultralar. Esses problemas foram abordados durante a série e nos artigos precedentes que tratam sobre o problema do varejo. 

Nos anos 1990, a Ultralar passou para o grupo Susa Vendex, quando já contava com 44 lojas, espalhadas entre Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. Este grupo já tinha a Sandiz e a Sears, e sob sua gestão todas as varejistas entraram em crise e desapareceram, graças à má gestão, à concorrência intensa no setor e à crise asiática de 1997. 

Em 2000, as últimas lojas Ultralar foram fechadas e incorporadas às Casas Bahia, após uma tentativa de vendê-las para a Ponto Frio. Neste século, pouca gente se lembrava da marca, e da sua antiga vinculação à famosa Ultragaz, que continua a disputar a liderança no mercado de botijões. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

O fenômeno do "red sprite"

 

O registro captado por uma câmera de alta precisão da ESA (Andreas Mogensten/ESA)

Andreas Mogensen, astronauta dinamarquês da Agência Espacial Europeia (ESA), conseguiu capturar no último dia 1º, uma imagem de um "red sprite", ou duende vermelho (em tradução livre), fenômeno eletromagnético aassociado às tempestades, na estratosfera (entre 40 e 80 km de altitude).

Esses fenômenos são difíceis de registrar, mesmo com uma possante câmera Davis utilizada no registro. Isso porque desaparecem em menos de um segundo, devido às interações entre as moléculas e íons e o campo magnético emitido por nuvens carregadas ou a própria energia emitida pelo Sol. Há evidências de atividade solar particularmente intensa, o que explica as altas temperaturas no planeta, apesar de defensores da tese do aquecimento global falarem em gases do efeito estufa.

Ao contrário dos raios, os "sprites" sobem até as camadas mais altas da atmosfera. 

 

 N. do A. 1: Há até quem considere essa figura como um "demônio", com base nos acontecimentos terríveis ou bizarros na Terra, como a guerra Israel-Hamas ou o conflito entre Venezuela e Guiana. Ou como supostas entidades expulsas de certos lugares. Um deles seria a CBF (ver a nota abaixo)...

N. do A. 2: A Justiça do Rio de Janeiro mandou anular a eleição de Ednardo Rodrigues como presidente da CBF. Ele era vice de Rogério Caboclo, representando a Bahia, e conseguiu se eleger em 2022 em processo considerado suspeito de fraude, o que não surpreenderia muita gente, devido às inúmeras acusações de irregularidades cometidas pela entidade futebolística. No lugar dele, colocaram um interventor, José Perdiz. Como a Justiça comum não poderia intervir em assuntos da CBF, a entidade pode ser punida pela Fifa, e a Seleção Brasileira corre o risco de ser suspensa de competições internacionais. No entanto, a entidade máxima do futebol nega excluir o Fluminense do Mundial de Clube, desmentindo rumores.



quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

História de Papai Noel

Papai Noel está consultando seus e-mails (pois cartinhas fazem parte do passado) e acha um mandado pelo Felipe Neto. O e-mail diz: 

"Querido Papai Noel, estou aproveitando este dia, que é o seu de fato, 6 de dezembro (*), para fazer uma queixa. Sei que o senhor é um velho batuta, e por isso vai ter o prazer de me responder por que o Botafogo, meu time, não ganhou o Brasileirão. Eu só pedi isso como presente de Natal, pois já tenho tudo na vida."

Papai Noel manda um de seus gnomos, o mais geek deles, um dentuço usando óculos de lentes grossas equilibrando-se sobre seu narigão, para digitar uma resposta, pois não tem muito jeito para teclar, ainda mais num teclado de smartphone (se perderem tempo especulando com a marca do celular do bom velhinho, vão se ver com o Krampus ou com o Pedro Preto). Ele dita as seguintes palavras para o seu ajudante. 

- Querido Felipe Neto, meu filho (tosse)...

(Pausa)

- ... Estou surpreso por você ter escrito uma carta para mim, e ainda com este teor. Não sabia que um youtuber tão esclarecido (tosse)...

(Pausa)

- ... se deu ao trabalho de escrever para mim. Seus milhares de seguidores certamente iriam ficar muito curiosos por causa disso, e talvez seus milhões de desafetos também (pigarro)...

(Pausa)

- ... Eu sinto muito pois o Botafogo ter perdido o título do Brasileirão hoje não foi culpa minha e sim da falta de empenho dos jogadores e de organização no clube. Aliás, eu não sou a pessoa que mais entende de futebol, mas fiquei sabendo da situação do futebol brasileiro desde que recebi um monte de e-mails de cartas de bons meninos torcedores do São Paulo e do Fluminense querendo os títulos que seus times nunca ganharam. Mas isso é só coincidência porque os times fizeram por merecer...

(Pausa)

- Elluzucke (o nome do gnomo), apague o comentário sobre os meninos torcedores. É melhor eu não entrar em muitos detalhes. 

(Contnua a ditar)

-  ... Só posso lamentar não ter atendido ao seu pedido, meu caro Felipe Feto (tosse)

- Desculpe, meu caro Elluzucke. Corrija o nome! Continuando...

-- ... Felipe Neto. Como estarei ocupado distribuindo presentes para as crianças no Natal, irei mandar um emissário para lhe mandar um presente. Assinado: Papai Noel. 

(O gnomo lhe devolve o celular e Papai Noel comenta)

- Ho! Ho! Ho! Ele acredita em mim! Ho! Ho! Ho! Mas é difícil acreditar nele e no conteúdo desse e-mail! Vou mandar o Pedro (Preto) ir para o Brasil só para lhe dar um cascudo na cabeça! Ho! Ho! Ho! Pensa que nasci ontem, Felipinho? Eu conheço aquela canção do "velho batuta"...


(*) Dia de São Nicolau, o bispo que inspirou a figura de Papai Noel

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Pisa

A famosa pesquisa de avaliação para estudantes do mundo todo reservou más notícias para o Brasil (e para o mundo)

Devemos comparar o futuro da humanidade com a famosa torre inclinada de Pisa? Pelo menos de acordo com os geólogos e topólogos, a atração turística da cidade toscana não corre o risco de desabar. 

Desabando está o desempenho dos estudantes em geral, de acordo com o maior sistema de avaliação de ensino, cuja sigla é a mesma da torre italiana. A pandemia de coronavírus prejudicou o aprendizado dos jovens no mundo todo, e num país onde a educação é tradicionalmente ruim como o Brasil, isso seria, teoricamente devastador. Mas a realidade é algo mais complexa. 

73% dos alunos brasileiros de 15 anos avaliados é incapaz de fazer contas algébricas básicas ou fazer uma avaliação de distância entre duas cidades. Não houve avanço em relação a 2018, ano de referência do último Pisa, divulgado no ano seguinte. Mas, no caso do Brasil, não houve (muito) retrocesso. Naquele ano, o desempenho dos alunos foi igualmente pífio. O país recuou ligeiramente em matemática (379 pontos, contra 384 de antes), estacionou em leitura (410 pontos, ante 413 em 2018) e em ciências (403 pontos, quase o mesmo dos 404 há quatro anos atrás). Historicamente, o país não avança, enquanto os países mais ricos costumavam ter progressos, ou seja, o desempenho escolar melhorava ao longo dos anos. E não dá para atribuir esse desempenho fraco com o governo Bolsonaro, a despeito da confusão administrativa do MEC, marcada por excesso de ideologia e falta de resultados. 

Na Alemanha, país onde sempre houve desempenho satisfatório, houve um forte recuo entre 2018 e 2022, a exemplo de outros países europeus, reflexo, em boa parte, da pandemia. Isso é um perigo para a humanidade, que precisa voltar a avançar no desempenho educacional, ou terá mais chances de colapsar do que a própria Torre de Pisa. 


segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Maceió em perigo

Uma área enorme de Maceió, envolvendo os bairros de Bebedouro, Mutange e Pinheiro, localizados em torno de uma mina abandonada de salgema, está afundando rapidamente, correndo o risco de desabrigar centenas de famílias.

Por negligência da dona da mina, a Braskem, empresa petroquímica controlada pela Petrobras e pela Novonor (antiga Odebrecht, empresa envolvida radicalmente com o Quadrilhão), a capital alagoana pode ter prejuízos milioinários e ser palco de mais um desastre ambiental em curso. 

Área de Maceió ameaçada pela mina da Braskem (Divulgação)

Este incidente envenena ainda mais as relações do governo com Arthur Lira, um dos caciques políticos de Alagoas. Lula não demonstra a mesma preocupação de Lira com a sorte do lugar, mas já vê os prejuízos na reputação da Braskem. Já Lira não quer posar de omisso na área onde ele disputa poder com seu inimigo, Renan Calheiros, este aliado de Lula. O presidente, aliás, estava na COP28 para tratar do ingresso do Brasil na Opep+, extensão do velho cartel dos países produtores de petróleo, e ao mesmo tempo mostrar seu engajamento na causa ambiental. Caso parte de Maceió afunde e haja uma catástrofe por toneladas de dejetos indo para o ocenao, será mais uma mancha na imagem do país, considerado historicamente um vilão pelos ambientalistas. 

Disputa por Essequibo

Essequibo é uma região da América do Sul onde há reservas de petróleo, bauxita, ouro, urânio e diamantes, mas cujo potencial nunca foi devidamente aproveitado Historicamente, pertencia à Venezuela no século XIX. Os diversos governos venezuelanos, no entanto, não lhe deram a devida atenção, por ser um território relativamente pouco habitado e tomado pela floresta amazônica. Interessada no território, a Grã Bretanha passou a disputar o território, para compor a sua colônia na América do Sul, a Guiana. formada essencialmente por essa área, com um pequeno acréscimo tomado do Suriname, então colônia dos holandeses. Até então, a chamada Guiana Essequiba incluía um território reivindicado pelo Brasil, parte dele atualmente em Roraima (*). 

Num julgamento polêmico, para dizer o mínimo, em 1899 a maior parte do território disputado passou para a Grã-Bretanha. A Venezuela, envolta numa crise política e institucional, tratou mal a questão, enviou apenas um representante para defender a posição do país, e aceitou facilmente o resultado do chamado Laudo de Paris. Depois da deposição do presidente Ignacio Andrade e da ascensão do ditador Cipriano Castro, houve estremecimento das relações entre a Venezuela e os países europeus, mas a questão só viria a ser tratada de forma mais decisiva nos anos 1960, culminando no Tratado de Genebra de 1966, durante o qual a Guiana se tornou um país independente. 

Apesar da insatisrfação com a perda de Essequibo, a Venezuela, na prática, não tratava o assunto como uma questão prioritária. Somente agora, com Nicolas Maduro, para desviar a atenção dos gravíssimos problemas sociais e econômicos dos venezuelanos, o território voltou ao noticiário internacional. E o ditador venezuelano forjou um referendo com texto fortemente tendencioso para tentar tomar uma área que reduziria drasticamente o tamanho do vizinho (leia AQUI). Afinal, são três quartos do território guianense. 

O território reivindicado pela ditadura venezuelana constitui a maior parte da vizinha Guaina (Divulgação/Bloomberg)



Neste referendo, realizado ontem, 98% dos votantes aprovaram a anexação, mesmo com abstenção de mais de 50%. O ditador, usando seu peculiar apreço pelas decisões populares, prorrogou a votação. 

Mesmo formalizado, este processo não tem respaldo na ONU, que não reconhece as reivindicações de Caracas como válidas. E exortou Maduro a não tomar nenhuma medida para contestar o Tratado de Genebra. 

Lula, normalmente alinhado com Maduro, desta vez não tomou partido, e o Brasil mandou militares e diplomatas para defender as fronteiras de Roraima, para se prepararem em caso de guerra entre dois dos vizinhos do nosso país. Mesmo sem força para enfrentar sozinha as tropas venezuelanas, o presidente da Guiana, Irfaan Ali, pode pedir ajuda à ex-metrópole, a Grã-Bretanha, e também aos Estados Unidos. Isso poderia facilmente resultar na violação de território brasileiro, principalmente na antiga região do Pirara cedida pelos britânicos ao Brasil, por ser antes território de Essequibo. Não se descarta a possibilidade de Maduro querer também esse pequeno território em caso de vitória, para reconstituir integralmente um território historicamente negligenciado. 



(*) N. do A.: Em 1904, após a vitória contra a Venezuela no Laudo de Paris, a Grã-Bretanha conseguiu também a maior parte do território reivindicado pelo Brasil (questão do Pirara). a despeito dos esforços da diplomacia brasileira, com Joaquim Nabuco à frente. 

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Em breve

Quando aprovarem os 28% para importações abaixo de 50 dólares, entre outras medidas...



quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Engrossa a lista de mortes em 2023

Henry Kissinger, respeitado por uns e odiado por outros por ser o mestre da política internacional no mundo, como secretário de Estado norte-americano durante a Guerra Fria, nos governos de Richard Nixon e Gerald Ford, faleceu hoje com 100 anos. 

Foi acusado de praticar uma política maquiavélica, sustentando as ditaduras militares durante a década de 1970, e também foi criticado pelos mais conservadores por fazer os Estados Unidos se aproximarem da China e melhorarem as relações com a arquiinimiga União Soviética, além de fazerem as tropas se retirarem do Vietnã, após os acordos de paz para encerrarem a longa guerra, motivo pelo qual recebeu o prêmio Nobel da Paz. Para muitos, seus esforços acabaram por apressar o fim da Guerra Fria. 

Henry Kissinger (1923-2023)

Nos últimos anos, esteve ativo, influenciando as decisões de diversos governos a respeito do combate ao terrorismo após o 11/9 e mesmo questões como a pandemia e a guerra entre Israel e Hamas. Como descendente de judeus nascido na cidade bávara de Furth, e fugitivo do nazismo, ele esteve ligado aos esforços de consolidação do Estado hebreu e a apaziguação dos conflitos com os países árabes. Porém, ele também é alvo de teorias de conspiração, por apoiar reformas monetárias em todo o mundo e também a globalização, e falar abertamente em uma "nova ordem". 

É mais uma perda neste ano. Juntou-se a outros tantos, como o ex-poderoso da Itália Sílvio Berlusconi, com quem ele poderia ser comparado devido à habilidade política, mas sem a mesma inclinação para o populismo. Não faltará comparações com outros políticos falecidos em 2023, como o ex-ditador paquistanês Pervez Musharraf e até o líder do grupo Wagner Yevgeny Prigotzin, mas sua importância histórica é muito maior do que a desses nomes. 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

E a (nova) greve?

 A terceira greve do ano no Metrô e na CPTM, e na Sabesp, está recebendo ainda mais repúdio da população por seu caráter político, visando somente os interesses dos próprios trabalhadores do setor. 

Quem precisou trabalhar enfrentou um trânsito pior, ainda mais com a chuva forte que castigou a cidade. Há a promessa de normalização dos serviços nesta quarta, sinal de fracasso nesta nova tentativa de paralisar São Paulo. 

Usuários desamparados diante de estações fechadas (Amanda Perobelli/Reuters)

Ademais, a greve só aumentou o esforço do governo em dar sequência à privatização da Sabesp, além das concessões das linhas férreas ainda sob controle direto das entidades estatais. 

Esta paralisação absurda só aumentou os transtornos e está favorecendo politicamente os atuais prefeito e governador, e certamente isso terá consequências bastante sérias não só em 2024, mas em 2026. O prefeito Ricardo Nunes e o governador Tarcísio de Freitas podem não ser os nomes mais adequados para a administração, mas certamente são muito melhores do que qualquer um a ser apoiado pelos grevistas. 

O povo paulistano merece ser respeitado e não ser vítima de quem não quer prestar serviços a ele. Precisa mostrar a eles quem manda na cidade, e exercer os seus direitos. 

Da série "Asno pergunta, jumento responde"...

(Arre! Outra vez isso! Esse blog parece um pastiche da revista Mad. Aquilo sim era engraçado)

Pergunta: Ué, o Lula parecia que ia dar espaço às pautas identitárias no STF. Por que ele escolheu o Flávio Dino para a vaga da Rosa Weber?

Respostas: 

a) Porque ele é um membro do Lado Negro da Força (eeeiii!!! lado negro, não! lado sombrio, senão os movimentos antirracistas vão cair de pau aqui!) e quer colocar o Jabba The Hutt para fazer a INjustiça reinar. 

b) Calma! A próxima a ser indicada para o STF não irá demorar, para a vaga do Gilmar Mendes, e é a Janja!

c) Sei lá! A mesma lógica de querer culpar o Mito pelas queimadas deste ano! Mito! Fora, esquerdalha!

d) Uma pauta de cada vez! Vamos dar espaço para os gord... digo, para as vítimas da gordofob... digo, da lipofobia. Depois, para as outras vítimas da opressão dessa sociedade fascista escravocrata homofóbica! Um dia, teremos um ministro do Supremo transexual! Que tudo! 

e) Porque sim! (Isso não é resposta, como ensinou aquele programa antigo, o Castelo Ra-Tim-Bum). 


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Trégua humanitária em Gaza

Graças à mediação do governo do Qatar, os primeiros 24 reféns do grupo islâmico radical Hamas foram libertados, em troca de 39 presos palestinos, a maioria deles acusados de crimes menores ou mesmo sem acusação formal. 

Aliás, o país mediador é onde estão refugiados alguns dos líderes do grupo extremista islâmico Hamas, responsável pelo hediondo ataque realizado no dia 7 de outubro último (o 7/10) e pela devastadora reação das forças israelenses. 

A maioria das vítimas do terrorismo, feitas de joguete nas mãos de combatentes dispostos a tentar combater o estado hebreu a todo custo e por quaisquer meios, é de crianças e mulheres, entre idosas e mães. São 13 israelenses retirados a força do kibutz Nir Oz (fazenda comunitária próxima à fronteira com Gaza) e 11 estrangeiros. 

Hanna Katzir é uma dos 13 israelenses libertados pelo Hamas; ela chegou a ser dada como morta nos ataques de Israel (Divulgação)



Esse tipo de liberação, praticamente em conta-gotas, fazendo as famílias dos reféns esperarem por horas e por dias, mostra o grau de sadismo do Hamas, enquanto o governo israelense está impaciente e quer retomar os combates e as descobertas dos túneis por onde os terroristas ligados ao grupo islâmico passam, levando armas e cativos com eles. 

Imagens dos reféns sendo levados pela Cruz Vermelha para exames médicos foram mostradas pelos contendores, como parte da propaganda de guerra. 

Não está descartada uma ação ainda mais violenta por parte das tropas, ainda mais se um único refém for ferido ou morto durante este processo de barganha, onde a vida e a liberdade de muitos é negociada. Ainda restam pelo menos 224 reféns, e nesse ritmo a trégua teria de durar dez dias, enquanto foi combinado usar apenas quatro. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Os nomes populares para o vil metal no Brasil

 Estamos às vésperas de mais um desafio para a saúde financeira dos brasileiros, a "Black Friday", ou "Black Fraude", para os mais críticos dessa prática importada dos Estados Unidos. Amanhã, muitos vão gastar os seus suados reais. E, apesar de ser o nome oficial da unidade monetária, o Real está cada vez menos chamado por esse nome. 

Tradicionalmente, os nomes adotados para uma moeda tão modificada por culpa da inflação são bem conhecidos: grana, bufunfa, din-din, mangos, "faz-me rir", "paus", pila. Esses termos são consagrados e muito frequentes. 

No Brasil antigo, 100 réis (até 1942) eram chamados de "tostão", e agora o termo equivale a pouco dinheiro, quando não ao ex-jogador da Seleção

Durante a época do antigo Real, ou réis, 80 ou 100 dessas unidades eram chamadas de "tostão", agora sinônimo de pouco dinheiro. Pior era o "vintém", ou 20 réis. O equivalente a mil unidades monetárias era o mil-réis, o popular "merreis" e, mais tarde, "merreca", quando mil réis não compravam mais nada. E se falavam em "contos de réis", reduzidos para "contos", equivalente a um milhão de réis. 

Na época do cruzeiro, a cédula de mil cruzeiros era muito popular. Entre 1979 e 1985, essa cédula era chamda de "barão", por ter a efígie do Barão do Rio Branco (1845-1912). 

Mais recentemente, o Real, após paulatinamente perder o seu antigo poder de compra (quem se lembrava de quando cinco quilos de arroz valiam quatro reais?), passou a ter alguns apelidos. Uma unidade monetária virou "beija-flor", para alguns, por causa da ave impressa na cédula, agora fora de circulação. Na época da ex-presidente Dilma, era comum falar em "Dilmas". Depois, falava-se em "Temers", mas isso já não era tão comum. No governo Bolsonaro, chegava-se a empregar a palavra "bolsos"; vez ou outra, alguém chamava milhares de reais de "mitos", ou seja, cinquenta mil reais virava cinquenta mitos. Agora fala-se em "Lulas" ou "moluscos". 

E já estão voltando a empregar o termo "contos". Será um termo comum na hipótese de um milhão de reais passar a valer pouco (Deus nos livre!). 

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

O STF questionado

Nunca o STF foi tão questionado como nos últimos anos, devido à sua sede de protagonismo na vida nacional. Aproveitou como pôde a desídia dos últimos governos e a omissão do Congresso, para praticamente se tornar protagonista na vida política brasileira. Nesses tempos, os 11 togados usaram o seu alegado direito de exercer decisões monocráticas para se contrapor não só às instâncias inferiores do Judiciário, mas também aos outros dois Poderes da República. 

Agora, a Comissão do Senado fez aprovar uma PEC de autoria do próprio presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e com relatoria de Espiridião Amin (PP-SC), por 52 a 18. Agora, vai a plenário, e será submetido também à Câmara. Dentro da parte côncava do Congresso, o recado foi dado: nada mais de abuso nas decisões monocráticas por parte dos 11 ministros do Supremo ou dos membros do STJ, ou dos desembargadores. 

O atual presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e o protagonista dos julgamentos do 8/1, Alexandre de Moraes (Rosinei Coutinho/SCO/STF)



O momento não podia ser mais constrangedor para a mais alta instância do Judiciário, pois nesta semana morreu Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, empresário baiano acusado de participar dos atos de barbárie ocorridos no 8/1. O STF interpretou esses atos como "golpistas", e pesou a mão para punir os supostos responsáveis. No caso de Clezão, eles ignoraram os problemas de saúde dele, causados pela diabetes e pela COVID-19. Isso poderia fazê-lo responder em liberdade às acusações, pois ele não foi formalmente condenado. Sua morte ocorreu dentro do presídio da Papuda, em Brasília, e parte da oposição trata Clezão como um mártir. Como se pode notar, o bom senso passou longe quando se trata de abordar esse assunto. 

Desse jeito a Seleção vai ficar de fora da Copa

 A Seleção Brasileira está afundando nas Eliminatórias. Depois da inédita vitória da Colômbia com dois gols de Luiz Diaz, o mesmo que teve o pai sequestrado e depois libertado pela narcogueirrilha, agora é a vez do time de Messi fazer a festa às custas dos amarelões. 

Houve o gol de Otamendi, e mais atuações inacreditáveis dos comandados de Fernando Diniz. Alguns fazem a gente se perguntar por que estão ali, como o lateral Joelinton, do Newcastle. Poucos já ouviram falar dele antes, e ele foi expulso depois de dois minutos de jogo (injustamente, pois não agrediu De Paul, apenas tentou de forma bisonha se desvencilhar do marcador adversário). 

Vexame no campo e vexame também das agremiações, a CBF e a AFA, que aceitaram colocar uma torcida mista no Maracanã. Não podia dar certo, mesmo: brasileiros e argentinos acabaram brigando e ainda houve mais episódios de racismo por parte dos visitantes. Houve quebra-quebra e atraso de meia hora no jogo. 

Com o resultado aviltante, o time brasileiro caiu para a sexta colocação, ou seja, caso as Eliminatórias terminassem hoje, seria a pior equipe a se classificar. E há risco real de, pela primeira vez, o brasileiro ver seu time nacional de fora de uma Copa, caso não houver uma melhora na atuação. 

Fernando Diniz, brilhante no comando do Fluminense, age de forma totalmente diferente com os canarinhos, e mais uma vez demonstra não ser o nome ideal para a Seleção. Mas, diante de uma equipe tão fraca, capaz de levar um 7 a 1 se houvesse um pouco mais de empenho argentino e uma atuação mais típica por parte de Messi, talvez nem Carlo Ancelotti, prometido para comandar o time em 2024, conseguiria arrumar a desordem. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

O paradoxo do Dia da Consciência Negra

Salvador, a cidade mais africana do Brasil, não pode tornar o Dia da Consciência Negra (a data da morte de Zumbi dos Palmares) um feriado municipal como São Paulo. 

O dia de hoje nem é ponto facultativo na capital baiana. 

A ex-capital do Brasil durante o tempo da Colônia já tem quatro feriados municipais, limite definido por lei: a Paixão de Cristo, Corpus Christi, o dia de São João (24 de junho) e o dia da Imaculada Conceição da Praia (8 de dezembro). Esta última é para homenagear a padroeira da cidade, festejada como Iemanjá pelos adeptos do candomblé. Também não poderia ser um feriado estadual, pois já existe o dia da independência da Bahia (2 de julho de 1823), quando as tropas do Estado expulsaram os portugueses. 

Existem projetos para tentar contornar isso, e um deles é tornar a Consciência Negra um feriado nacional, com autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede), mas há resistências, porque Zumbi, o rei dos Palmares, não é uma figura unânime como herói contra a escravidão e a opressão. 

A Caminhada da Liberdade acontece no dia 20 de novembro em Salvador, mesmo sem ser feriado (Camila Souza/GOVBA)


Quem ganha com a eleição de Milei?

Javier Milei derrotou o peronismo na Argentina (Reprodução / X ex-Twitter)



Por vontade das urnas argentinas, Javier Milei é eleito o presidente do país, derrotando o peronismo dominante desde o mandato do carismático Juan Domingo Perón, o caudilho. 

É a derrota de um regime cujos representantes foram galhardamente derrotados pela crise econômica, pois não se preocuparam em atacar com seriedade uma das causas da deterioração do poder de compra dos argentinos: o déficit fiscal crônico, alimentado por subsídios e pelos gastos com a gigantesca e ineficiente máquina estatal. 

Sérgio Massa, ex-ministro da Economia, foi o candidato do governo e recebeu a resposta da maioria, após uma gestão mal sucedida. 

O deputado Milei, usando conceitos do liberalismo, do conservadorismo e até do anarcocapitalismo, promete conter o sofrimento dos argentinos com medidas como o fechamento do Banco Central e a privatização em massa das empresas estatais, além de cortar os subsídios. Além disso, ele irá dolarizar totalmente a economia argentina, medida amarga já tentada no governo de Carlos Menem, um peronista convertido ao chamado "neoliberalismo", mas abandonada após a crise asiática de 1997, a fuga de capitais e a desvalorização do real em 1999, afetando as exportações para o Brasil. 

Como tudo isso depende da capacidade de articulação de Milei com o Congresso e a implementação de medidas para atrair investimentos e fazer a economia se mover novamente mas sem a muleta estatal, é difícil dizer quem ganha com a eleição do deputado pertencente ao partido A Liberdade Avança. É mais fácil dizer quem perde: o populismo, o "bolivarianismo" e o presidente do Brasil, Lula. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Da série "Grandes varejistas do passado", parte 13 - Pakalolo

Quem viveu aquelas infames duas últimas décadas do século XX abordadas nas outras séries, "Oitentolatria" e "Noventolatria", já ouviu o slogan "Pakalolo de bem com a vida". Passavam geralmente nos domingos durante os reclames do "Plim-Plim", como dizia o Faustão nessa época. 

A Pakalolo foi fundada em 1987, pelo empresário Humberto Nastari, com a finalidade de ser uma opção para os jovens da época. Ela teve uma ascensão meteórica, e antes dos sete anos de idade já contava com 49 lojas espalhadas principalmente nos shopping centers do Estado de São Paulo, vendendo camisetas, calças jeans, minissaias e bermudas. 

Folheto da Pakalolo no início de 1993 (Divulgação)

Esta rede conseguiu bastante projeção mesmo com um nome estranho, extraído do idioma havaiano, significando... maconha. O termo nunca foi explicado oficialmente. 

Parecia ser uma rede sólida, resistindo aos seguidos planos econômicos, mas a rápida expansão também significou um alto endividamento. Com a crise asiática de 1997 e a concorrência tanto formal quanto informal, a Pakalolo foi desaparecendo dos shoppings e em pouco tempo a rede se tornou apenas uma lembrança. 

Uma das distribuidoras da marca, a Marisol, empresa de malhas catarinense, adquiriu os direitos da marca e chegou, anos mais tarde, a lançar algumas lojas, mas por pouco tempo, devido às baixas vendas. Os clientes não se identificavam com esta "nova" Pakalolo, envolvida com os problemas de gestão da nova proprietária. Mais tarde, as lojas foram abandonadas, e só a marca foi aproveitada, para batizar, neste ano, uma linha fitness, a Soul. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

O Brasil ainda tem salvação

 Nos últimos dias, a vontade do autor deste blog de escrever novos artigos fez uma trajetória inversa à temperatura: desceu a quase zero. Enquanto isso, finalmente os brasileiros em Gaza puderam sair e vir para o Brasil, onde o governo se tornou notícia pelos ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos receberem Luciane Barbosa, a mulher do líder do Comando Vermelho no Amazonas e apelidada de "dama do tráfico". 

Pelo jeito, os rumos do Brasil parecem longe de serem os minimamente aceitáveis para muitos brasileiros preocupados com o futuro. Mas existem notícias alentadoras. 

Júlia Ferreira e seu professor, do Colégio Espanhol Santa Maria Minas (Divulgação/site oficial da escola)

Uma delas é o caso de uma aluna mineira, Júlia Pimentel Ferreira, que descobriu um meio mais fácil de resolver raízes quadradas. Esse método foi publicado na Revista do Professor de Matemática, publicação da Sociedade Brasileira de Matemática, batizado de "Regressão Júlia" pelo professor Frederico Ferreira de Pinho Tavares. Exemplificando o método, com o número 144: 

100 + 10 + 11 = 121 (a raiz quadrada de 121 é 11)

121 + 11 + 12 = 144 (a raiz quadrada de 144 e 12)

Ela teria descoberto o método sem auxílio, no ano passado, com apenas 11 anos de idade. A publicação na Revista do Professor de Matemática fez o assunto viarlizar nas redes sociais, e aparecer no Jornal Nacional, o famigerado telejornal da Rede Globo que já teve melhores dias. 

Mentes brilhantes como a de Júlia mostram que o Brasil tem salvação. 


segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Onda de calor assola o país

Ainda não estamos no verão, mas as temperaturas estão bastante altas, a ponto de forçar muita gente a procurar qualquer canto com ar condicionado ou lotar locais com cerveja gelada, sorvete ou qualquer outra coisa para aliviar um pouco o desconforto térmico. 

O Brasil foi assolado pelas altas temperaturas o ano todo, mas agora piorou (Inmet)


Poderemos esperar por uma semana realmente com temperaturas insuportáveis em boa parte do país. E a tendência é piorar ao longo dos anos. 

O clima terrível alimenta desde as narrativas sustentadas pelos adeptos do aquecimento global quanto os teóricos da conspiração sobre atos de determinados grupos para controle do clima visando prejudicar a economia ou destruir uma população. Há quem veja num grupo ou outro uma camarilha de pascácios cujos cérebros foram afetados pelo calor, e há até quem enxergue alguma lógica. 

Independentemente das teorias, muita gente está se preparando para um verão com temperaturas extremas, piores do que agora. 

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

O que seria mais provável do que o Botafogo ganhar o campeonato?

1. Os moradores do Centro conseguirem conter a Cracolândia. 

2. Brasil e Israel romperem relações diplomáticas devido aos brasileiros em Gaza e ao embaixador de Israel se encontrar com o Bolsonaro. 

3. Algum senador propor o impeachment de algum ministro do Supremo, como o Alexandre de Moraes.

4. Um ataque nuclear nos pontos mais tensos do mundo. 

5. Alguém gostar dessa postagem. É aquela coisa do "Asno pergunta, jumento responde" disfarçada. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Peixes invasores, um problema

Introduzir espécies em um ambientes não nativos pode gerar graves prejuízos ao meio ambiente. Um dos casos mais conhecidos é o javali europeu em terras da América do Sul, onde se tornou uma praga, ameaçando colheitas e até animais de criação, sem falar no perigo de enfrentar esse animal capaz de matar uma matilha de cães ou até pessoas se for acuado. 

Com os peixes, também há casos assim. Um exemplo disso é o bagre africano, Clarias gariepinus, um predador voraz agora encontrado em boa parte dos rios do Estado de São Paulo, inclusive o rio Tietê em seu trecho próximo à foz, onde ele é relativamente limpo. Foram capturados espécimes de 12 kg, graças à sua voracidade, destruindo a ictiofauna nativa. Outro peixe do mesmo grupo, cujo potencial negativo para as espécies nativas não pode ser desprezado, é o Pangasiodon, conhecido como Panga, cuja carne é muito apreciada. Mas ele também não é nativo, vindo do rio Mekong, no sudeste asiático. 

Os bagres africanos podem superar os 12 kg de peso, às custas dos peixes nativos (Isaac Souza)



Outro caso é o tucunaré, do gênero Cichlia, encontrado na Amazônia, mas introduzido em outras regiões com resultados consideravelmente danosos às outras espécies. Este peixe é aparentado com as aparentemente inofensivas tilápias, mas elas também não são daqui, e sim da África. Só são tolerados devido à carne saborosa e serem apreciados na pesca esportiva. 

Não se pode esquecer o perigo dos peixes-leão, gênero Pterois. Ao contrário dos demais, são espécies oceânicas, e não possuem valor comercial. Eles invadiram o mar territorial brasileiro a partir do Norte, e agora estão próximos à costa de oito Estados, do Amapá a Sergipe. Esses peixes da ordem Scorpeaniformes ameaçam toda a fauna, assim como os recifes de corais, e são recobertos de espinhos venenosos. Originalmente, eles vêm dos mares do sudeste e leste asiático. 

O belo, porém nocivo, peixe-leão, é um flagelo para a fauna marinha brasileira (Angel Valentim)


N. do A.: Hoje faleceu meu pai, eletricista de automóveis, corintiano e pescador nas horas vagas. Finalmente, descansou, após muito sofrimento depois de uma cirurgia na coluna. Descanse em paz!