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domingo, 15 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 30 - Uma campanha francesa na Rússia que deu certo

Em 1812, Napoleão Bonaparte, o imperador dos franceses, quis invadir a Rússia para mostrar seu poder, e iniciou uma campanha fracassada, resultando no começo da sua ruína. 

206 anos depois, Didier Deschamps e seus comandados iniciaram uma nova campanha francesa, pacífica, na Rússia. Ao contrário de Napoleão, foram bem sucedidos. 

Enfrentaram times como a Argentina de Messi, o Uruguai de Suárez e a Bélgica de Hazard, e venceram todos. Na final, encararam o surpreendente time da Croácia, exemplo de resistência, força física e mental, que vinha de batalhas terríveis contra Dinamarca, Rússia e Inglaterra. 

Foi um grande jogo, embora prejudicado fortemente pela arbitragem do argentino Néstor Pitana, que deu falta inexistente em Griezmann, que cobrou e fez um gol com a ajuda de Mandzukic, o herói da semifinal transformado em vilão na final. Perisic empatou, para mostrar que não se abateram. Um pênalti duvidoso feito pelo mesmo Perisic, que tocou a bola com o braço (não intencionalmente, pelo visto), foi marcado com a ajuda do VAR e convertido por Griezmann. No segundo tempo, após breve interrupção por causa de invasão em campo de duas militantes da Pussy Riot (grupo feminista radical), os franceses voltaram melhores e trataram de legitimar uma vitória potencialmente contestável, com um gol de Pogba. Giroud, o camisa 9 que não fez gol, passou em branco e foi substituído - provavelmente vai ser mais ridicularizado do que louvado como os outros - e Mbappé deu trabalho demais aos croatas, selando o destino da Copa. Lloris fez uma das piores defesas da Copa no gol de Mandzukic. 

No final, 4 a 2 para a França. Bicampeã mundial.

Kylian Mbappé foi o principal nome da Copa na Rússia (Shaun Botterill/Getty Images/Fifa)

Devido à sua campanha memorável, a melhor em apenas 27 anos de existência do país, os croatas também foram aclamados, e receberam o carinho da presidente Kolinda Kitarovic, que compareceu à cerimônia de entrega junto com o colega francês Emmanuel Macron. O capitão e líder da Seleção croata, Luca Modric, foi escolhido como o craque da Copa, em mais uma decisão mais política do que técnica por parte da Fifa. Muitos torciam por Mbappé ou Hazard. O belga ficou em segundo lugar e Griezmann, em terceiro. Courtois foi o melhor goleiro, Néstor Pitana foi considerado o melhor árbitro (atuou bem nos outros jogos, mas foi horrivelmente ruim na final), Harry Kane levou a Chuteira de Ouro por sua artilharia - 5 gols - apesar da Inglaterra não conseguir seu objetivo. Durante a cerimônia, houve uma chuva forte, não a ponto de estragar a festa.

Modric foi considerado o melhor jogador da Copa, mas o que ele queria mesmo era o título, obviamente (Shaun Botterill/Getty Images)

Quem fez história no futebol foi o jovem Kylian Mbappé, o astro do Paris Saint-Germain com apenas 19 anos. Em sua primeira Copa, foi um dos destaques e escolhido a revelação, com justiça. Fez também algo só feito por Pelé: marcar gol numa final antes dos 20 anos. Promete ser um tormento para os adversários do PSG e da seleção francesa, quando chegar ao auge da sua técnica. 

Foi um jogo apoteótico para uma Copa do Mundo excelente. Antes, fizeram uma cerimônia de encerramento rápida, porém bem melhor que a abertura. Will Smith cantou, Ronaldinho Gaúcho apareceu tocando tambor e o lobo Zabivaka chorou, imitando o ursinho Misha das Olimpíadas de Moscou. 

Ninguém (ou quase) esperava por Ronaldinho Gaúcho na cerimônia de encerramento (Divulgação/Rede Globo)
O choro de Zabivaka (Divulgação/Rede Globo)
Voltaremos a falar de Copa apenas em 2022, prometendo mais atuações do VAR, muito sofrimento (e também ceticismo, descrença, críticas e, talvez, alegria) por causa da Seleção da CBF, e uma porção de memes, como aquele do russo misterioso, o "feiticeiro de Samara" Yuri Torsky.

Quem irá ser o torcedor marcante da Seleção em 2022, no Catar? Alguém parecido com o Bin Laden? (Divulgação, pelo jornal Extra)

sábado, 14 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 29 - Bélgica se despede com honra

Na disputa pelo terceiro lugar, algo discutível há muito tempo, considerado uma tortura sem sentido por muitos, e para a Fifa perfeitamente compreensível, a Bélgica mostrou por que era um time realmente perigoso. 

Fez 2 a 0 na Inglaterra, um time que prometia muito e tinha o artilheiro da competição, Harry Kane, mas infelizmente sucumbiu diante dos croatas. O martírio de estender a luta por um título por mais quatro anos, para os ingleses, parece algo difícil de aceitar. Para os belgas, que jamais ganharam uma Copa antes, um terceiro lugar era algo digno. Eles ficaram, no máximo, em quarto lugar, na Copa de 1986. 

O lateral Meunier agiu como se fosse alguém do ataque e fez o gol com apenas 3 minutos de jogo, mostrando qual time estava disposto a ganhar o prêmio de consolação. Hazard, o capitão belga, ampliou no segundo tempo. Kane ficou apenas no "quase", quando os súditos da rainha resolveram pressionar mais, lembrando a reação do Brasil nas quartas-de-final. Ao contrário dos brasileiros, os ingleses não fizeram um gol. Não havia ansiedade, nem ações histriônicas, mas tampouco ânimo de disputar um prêmio com valor bem inferior ao do título. Por outro lado, Lukaku esteve também muito apagado, e até foi substituído, perdendo a chance de igualar a artilharia do inglês. Foi substituído por Mertens.

Hazard (ao centro) fez o segundo gol e comemorou junto com Martens (esquerda) e De Bruyne
Assim, a Bélgica termina dignamente a Copa, com esperança de voltar a lutar pelo título em 2022, no Catar. Não foi desta vez que o futebol "voltou para casa", aludindo à origem do futebol, na Inglaterra. E os ingleses também querem o título na próxima Copa, mas para eles, por enquanto, só a desilusão. Pelo menos, despediram-se da Rússia com o apoio da torcida, pois foi o melhor resultado desde o relativamente longínquo 1990.


N. do A.: Gianni Infantino, ontem, fez um pronunciamento com altos e baixos. Acertou ao dizer que a Copa da Rússia ia deixar saudade e elogiou a organização, realmente muito boa, embora chamá-la de "melhor da História" seja algo mais protocolar do que outra coisa. Errou ao apelar para a demagogia de se vestir como um voluntário, atraindo ainda mais a ira de quem considera o uso dos voluntários como uma espécie de exploração de trabalho escravo em pleno século XXI, enquanto a entidade lucrava bilhões de euros.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 28 - Zebra indesejável para a Inglaterra (e a Rússia)

No segundo jogo das semifinais desta Copa do Mundo cheia de surpresas, a Inglaterra, uma das favoritas para ser a campeã, devido à ótima campanha feita pelos comandados de Gareth Southgate, foi eliminada da corrida para levar a taça. Pela Croácia, que também fez uma campanha muito elogiável, mas não era cotada. 

Os croatas vinham de duas disputas por prorrogação bastante duras, terminadas por pênaltis. Primeiro, foi contra a Dinamarca. Depois, contra a anfitriã Rússia. Por isso, a torcida local passou a odiar o time croata, ainda mais porque representa um país onde seu governo é aliado da Ucrânia, inimigo da Rússia, e possui também sérias rusgas contra a aliada dos russos, a Sérvia. 

Por outro lado, politicamente o governo inglês é hostil ao Kremlin, e os dois países chegaram perto de uma ruptura diplomática depois da tentativa de assassinato de um espião dissidente em terras britânicas pela substância Novichok, e a morte de uma cidadã britânica pelo mesmo agente nervoso. 

Mesmo assim, os russos compareceram ao estádio Lujniki, esquecendo o fator político e se concentrando no futebol. Torciam por Harry Kane e companhia e vaiaram o time dos Balcâs, principalmente o zagueiro Vida, autor de comemorações suspeitas de serem pró-Ucrânia e a favor do nacionalismo croata. Viram uma equipe forte nas marcações, sem medo de cometer faltas e ainda prejudicada pela arbitragem fraca do turco Cuneyt Cakir. A Inglaterra havia vencido a Suécia num grande jogo, sem a necessidade de prorrogação, mas não lembrava aquele time na fase semifinal. Pareciam ansiosos e os atacantes, sobretudo Kane, foram bem marcados. 

Depois de abrir o placar com Trippier, os ingleses não conseguiram ampliar o marcador para um placar mais tranquilizador, e no segundo tempo os croatas voltaram mais aguerridos, empatando com Perisic. O resultado levou o jogo para mais uma prorrogação. Exaustos, os balcânicos, ainda assim, mostraram fibra e não deixaram os rivais ameaçarem Subasic. Mandzukic, extenuado, teve forças para marcar o gol da virada, e a comemoração chegou a "esmagar" um fotógrafo com uma horda de jogadores felizes. O maior artilheiro da Copa e seus companheiros não conseguiram fazer um gol capaz de levá-los aos pênaltis, e o jejum de títulos se estende por mais atrozes quatro anos - são até agora 52, desde aquela polêmica final em 1966, na Copa da Inglaterra. A Croácia não existia como país naquela época: era uma província da então Iugoslávia. Só obteve a independência em 1991, sendo uma das mais jovens nações do mundo. 

Uma nação tão jovem já tinha uma boa campanha em 1998, com a geração de Davor Suker. Vinte anos depois, chegou a uma final pela primeira vez, para encarar a França. 

Mandzukic só conseguiu fazer um gol agora, o decisivo contra a Inglaterra (Carl Recine/Reuters)

A zebra se manifesta de novo, mas ela deve tomar cuidado, pois ela está a favor de uma nação rival na política internacional russa, e isso pode ser interpretado como uma dissidência!

Só resta ao time inglês, sobre o qual se depositou esperanças de glória pelos torcedores da ilha, disputar o terceiro lugar com a Bélgica, com o sério risco de perder a contenda e encerrar sua campanha de forma melancólica. Quanto à Seleção da CBF, ficou um gosto amargo de lamentar suas próprias limitações, a atuação decepcionante de Neymar e estar privada de disputar a vaga no lugar da Bélgica e da França, pois a Croácia era considerada uma freguesa - foi batida na estreia da Copa de 2014 por 3 a 1 e também num amistoso recente, mas quem disse que não poderia, por exemplo, sucumbir diante de um time capaz de superar tantas dificuldades para chegar à final, e que não pode ser mais apontado como aquela equipe que veste "toalha de mesa quadriculada"?

E o indefectível torcedor mais ilustre da Inglaterra, líder dos Rolling Stones e pé-frio crônico Mick Jagger esteve lá para torcer. Desta vez seu "poder" de dar azar se manifestou nas semifinais, bem quando o time estava próximo de ir às finais depois de mais de meio século!

C'mon England! (Getty Images)

terça-feira, 10 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 27 - Sonho belga é destruído

Depois de vencer o Brasil, a Bélgica tinha confiança contra a França no jogo das semifinais. Pelo que fizeram, assustaram um bocado, mas assim como o Brasil perdeu por errar mais, os belgas também falharam com mais frequência. Contra a França, o time mais caro do mundo, isso foi fatal. 

Durante todo o primeiro tempo, os belgas sufocaram os franceses, fazendo-os recuar. Acuados, os comandados de Deschamps tiveram que aproveitar as poucas chances de contra-ataque. Por outro lado, Lloris foi muito eficiente, impedindo as investidas dos "diabos vermelhos", e os defensores franceses dificultaram ao máximo as atuações de De Bruyne e Lukaku. Hazard também sofreu. 

No segundo tempo, os franceses mudaram a postura e foram mais agressivos. Fellaini disputou a bola com Umtiti, zagueiro relativamente baixo (1,82 m), mas falhou de forma incrível e Courtois não conseguiu defender. 1 a 0 para a França. 

Umtiti conseguiu vencer o grandalhão Fellaini e marcar o único gol da partida (AFP)

Abalados, os belgas tentaram voltar para o jogo e impediam os contra-ataques franceses com faltas às vezes duras. Mbappé e Giroud quase ampliaram o placar, mas este último manteve a sina de não fazer gols na competição, e seu chute foi defendido pelo goleiro belga. Depois, os rouges conseguiram novamente acuar os bleus, que só aproveitaram os contra-ataques, desta vez mais numerosos. Mbappé, além de sua velocidade incrível durante as reações de seu time, aproveitou para aparecer e retardou a cobrança de um lateral belga, recebendo um cartão amarelo fútil. O tempo de acréscimo - 6 minutos! - só deixou as torcidas mais nervosas, pela falta de capricho nas finalizações. 

Depois de um jogo disputado, a França foi para as finais. Não adiantou a Bélgica ter mandado no jogo a maior parte do tempo. Agora, ela vai ter que brigar pelo terceiro lugar, na - provavelmente - última disputa dessa posição numa Copa. Um triste fim para os "diabos vermelhos", que durante a campanha na Rússia se impuseram a todos os adversários e não perdoaram seus erros, principalmente no caso do Japão e do Brasil. Por outro lado, fizeram muitos torcedores brasileiros imaginarem como seria um jogo entre França e Brasil. Talvez os franceses destruiriam a Seleção amarelona de forma quase tão humilhante quanto naquele terrível 8/7 e com o "sadismo" adicional de manter um tabu de não perder dos brasileiros nas Copas desde sua última derrota, em 1958. 

O resultado foi incômodo para a Adidas, principal patrocinadora da Copa, e a Rússia. A Bélgica foi o único time patrocinado pela empresa alemã entre os quatro semifinalistas - França, Croácia e Inglaterra têm seu material esportivo fornecido pela Nike - e a Rússia poderá se ver alvo de memes dizendo que o time francês conseguiu superar Napoleão no feito de "conquistar o país", além de, politicamente, os times semifinalistas representaram nações inimigas. 

Todavia, os torcedores estão interessados mais no esporte em si e não nos bastidores ou nas questões políticas e econômica, e enchem mais uma vez a Internet com memes, entre os quais o de comparar o nome de Tite com Umtiti. 

Mais uma da série "Trocadalhos do carilho" na Copa (do site Humor Esportivo)
E os admiradores de Cristiano Ronaldo nem quiseram saber da Copa: sua transferência para a Juventus da Itália marcou também o mundo do futebol. 

sábado, 7 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 26 - Inglaterra arrasa Suécia; russos veem sonhos morrerem em Sochi

Na Copa convertida em Eurocopa pelos acontecimentos de ontem, gerando uma turba de intensos e potencialmente inócuos debates, a Inglaterra foi para Samara a fim de lutar pelo seu segundo campeonato e consagrar Harry Kane, um dos candidatos à Bola de Ouro. Precisou enfrentar a surpreendente Suécia, e convencer após um jogo contra a Colômbia marcado por tensão e simulações de ambos os lados, principalmente de Henderson. 

Desta vez, nada de teatro e sim de futebol. Os ingleses só precisaram vencer a retranca sueca e fazer gols, de Maguire e depois com Delle Ali. Harry Kane esteve neutralizado pela "muralha" rival, e Pickford trabalhou bastante para impedir as investidas "vikings". Por 2 a 0, os ingleses seguiram, e a Suécia ficou pelo caminho. Era até uma boa campanha, mesmo sem Ibrahimovic, convertido no mais aguerrido dos torcedores. 

No calor subtropical de Sochi, próximo à fronteira com a vizinha Geórgia, os donos da casa queriam coroar uma participação heroica, mas tinham os experimentados croatas liderados por Modric. Abriram o placar, para alegria da torcida, com o "matador" Cheryshev, mas Kramatic descontou, e os croatas tentaram com suas forças decidirem. Não deu, e só se desgastaram fisicamente, inclusive o goleiro Subasic, com problemas na coxa, tendo que continuar no sacrifício. Para piorar tudo, o placar não mudou, e vieram as prorrogações. Vida "deu vida" aos croatas, com um gol, mas Mário Fernandes, o brasileiro naturalizado, marcou e tornou difícil a vida dos visitantes. Cada lado da contenda pode contar a sua versão da história, sempre apontando seus jogadores como heróis. 

Veio a decisão por pênaltis e Subasic foi favorecido pela péssima cobrança de Smolov, inventor de uma "cavadinha" como se ele fosse um jogador folclórico do Brasil e não russo; Mário Fernandes, considerando o herói dos russos, cobrou muito mal e também se tornou vilão. Embora Kovacic tivesse também cobrado mal, os demais, inclusive Modric e o decisivo Vida, converteram, e acabaram com o sonho dos donos da casa. 

Mário Fernandes salvou a Rússia na prorrogação, mas o brasileiro naturalizado russo acabou condenando-a na cobrança de pênaltis (Divulgação/Fifa)
 
Os torcedores croatas temem, pelas circunstâncias e pelo alto nível de desgaste físico e psicológico, que a vitória suada de seu time seja de "Pirro", pois vão ter que disputar com os ingleses para tentarem ir às finais pela primeira vez.

Nas semifinais, apenas as principais cidades russas se tornam palco da Copa mais europeia da história. França e Bélgica, em São Petersburgo, enquanto Inglaterra e Croácia jogarão no estádio Lujniki, em Moscou - quem vencer, voltará a esse mesmo estádio.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 25 - Brasil enfrenta "Diabos Vermelhos" e vai para o inferno; França transforma Copa em Eurocopa

Voltemos à Copa do Mundo, no mundo do futebol. 

Antes do Brasil enfrentar a Bélgica em Kazan, não muito longe dali, em Nizhny-Novgorod, o Uruguai tentou defender a tradição de nunca perder da França em Copas, ainda mais com uma equipe de jogadores experientes liderados por Suárez e Godin, contra uma equipe jovem com uma das grandes revelações desta Copa, o jovem Mbappé. Mas os franceses não tinham só o talento do PSG: venceram com a técnica de seu elenco (Griezmann, Lloris, Kanté, Tolisso, Pogba, Giroud) a raça uruguaia, e no primeiro tempo abriram o placar com o zagueiro Varane. No segundo tempo, Griezmann teve a "ajuda" valiosa de Muslera, e ampliou. O "frango" do experiente goleiro uruguaio foi considerado um dos piores deste torneio, e acabou sendo fatal para os charruas. Sem Cavani, lesionado e não escalado neste jogo, o Uruguai sucumbiu. Suárez nada conseguiu fazer, nem mesmo morder um adversário francês, e acumulou seu terceiro fracasso em Copas.

Griezmann comemora seu gol com Mbappé...

... e Muslera contribuiu para a morte do sonho uruguaio de conquistar um título na Copa (AFP)

Em Kazan, o Brasil conheceu finalmente um bom adversário. Melhor do que os outros times. Melhor do que o time brasileiro. Quem apostava que a Bélgica ia só atacar e não se defender se deu mal. Eles souberam fazer tudo isso e aproveitaram-se dos erros cometidos pela Seleção. Em tentativa de fazer o time todo defender, Fernandinho, lembrado como um dos vilões do 8/7, novamente cometeu falhas graves, e o gol CONTRA foi o pior deles. O time canarinho tentou reagir e até estava convencendo, mas em contra-ataque os belgas ampliaram, com De Bruyne. Era a primeira vez desde o final da Copa passada que o Brasil ficava atrás no placar por 2 a 0. Foi um teste, e infelizmente eles não passaram.

No segundo tempo, William e Gabriel Jesus foram sacados, para a entrada de Firmino e Douglas Costa, muito melhores do que os substituídos. A seleção amarelona voltou mais atenta no jogo, mas abusava dos passes errados e das finalizações mal feitas. Paulinho, também mal na partida, foi substituído por Renato Augusto, muito criticado pela torcida. Ironicamente, ele foi o autor do gol de honra, para dar esperança à Seleção. Mas não houve o outro gol. Neymar e Philippe Coutinho, as esperanças do time, estavam muito pior do que nos jogos anteriores. O astro do PSG deu mostras de realmente ser menos um craque do que um jogador folclórico, embora desta vez não apelasse para as simulações e chiliques.

Kevin De Bruyne foi considerado o nome do jogo (Bruno Marinho)

O sonho do hexa foi adiado novamente. Não foi um vexame. Foi uma derrota normal, para um time que jogou melhor. O placar também não foi uma coisa risível como aquele resultado do 8/7.

Neymar não deu trabalho nenhum aos marcadores, ao contrário de Lukaku, que infernizou a vida de Miranda

Aliás, pouca gente, sinceramente, acreditava numa redenção nesta Copa. É bem provável que ela venha em 2022, no Catar. Pelo menos a Seleção não se desmanchou em lágrimas, nem mesmo jogadores considerados chorões como Neymar e Thiago Silva. Este último, assim como o já citado Suárez, esteve em sua terceira Copa e fracassou. Ele, assim como Miranda e o vilão Fernandinho, tiveram sua última chance de ganhar uma Copa, pois estão já em fim de carreira. Paulinho, outro que foi mal, dificilmente irá para o Catar, assim como Marcelo e Fagner, embora ainda não estejam em curva descendente. Outros, como o próprio Neymar, mais Philippe Coutinho, Douglas Costa, Roberto Firmino, Marquinhos, Casemiro, Alisson e, quem sabe, Gabriel Jesus (se jogar melhor do que nesta Copa), podem brilhar no próximo torneio, junto com outros nomes como Vinícius Jr. ou Arthur.

Quanto ao jogo da matrioska neste blog, realmente terminou de forma abrupta.

Acabou a brincadeira da matrioska


E a Copa do Mundo continua amanhã. Por culpa do Uruguai e do Brasil, agora se converteu numa Eurocopa.

terça-feira, 3 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 24 - Definidas as quartas

Como já foi escrito aqui, o último dia das oitavas-de-final da Copa realmente foi o pior. Ao menos, terminaram de definir os adversários da próxima fase. 

A Suécia foi jogar algo desacreditada contra uma Suíça com ligeiro favoritismo, em São Petersburgo. Pairam sobre os representantes da pátria dos relógios e dos queijos finos (e da Fifa) um certo favorecimento pelos árbitros de vídeo, como foi visto nos jogos contra o Brasil e a Sérvia. Apesar do VAR ter anulado um pênalti a favor dos suecos, o gol de Forsberg aos 21 minutos do segundo tempo foi o suficiente para a eliminação do time de Shaqiri. Os nórdicos voltaram às quartas-de-final após 20 anos. 

Forsberg (em primeiro plano) fez o gol para a Suécia voltar a sonhar com um título (Lee Smith/Reuters)


Mais tarde, houve um jogo mais interessante, em Moscou, porque envolvia a Colômbia, representante sul-americana, e a Inglaterra de Harry Kane. Ambos não mostraram o seu melhor futebol: os colombianos estavam sofrendo sem James Rodriguez, lesionado, e os ingleses, embora pressionando mais, não conseguiam ameaçar Ospina o suficiente. No segundo tempo, foi marcado pênalti contra a Colômbia, com confirmação do VAR, e Harry Kane converteu, fazendo mais um. Mina salvou os colombianos da eliminação antecipada, mas aí veio a prorrogação, com mais nervosismo e provocações, principalmente do lado colombiano. 

Novamente, tudo terminou nos pênaltis, algo temido pelos ingleses, por nunca conseguirem avançar desse modo em Copas. Os principais jogadores, Falcão Garcia e Kane, fizeram. Na terceira cobrança, Henderson - que no meio do jogo fez uma simulação "a la Neymar" ao receber uma falta de Wilmar e colocar a mão no rosto - desperdiçou, fazendo Ospina defender e ameaçando a vaga dos ingleses. Por outro lado, Uribe acertou a trave e Trippier converteu. Bacca errou a última cobrança, e isso foi fatal. 

Mais uma vez, a Colômbia deu adeus à Copa e ao sonho de ser campeão um dia. E os ingleses conseguiram avançar, destruindo um tabu, para disputar uma das quatro vagas com os suecos - e eliminando amargamente o último não-europeu do chaveamento formado pelos jogos mais fáceis, sem França, Uruguai ou Brasil, garantindo pelo menos um representante do Velho Continente nas finais. 

James Rodriguez ao presenciar, sem poder fazer nada, o atroz destino de seu time na Copa da Rússia, nos pênaltis (David Ramos/Getty Images)


N. do A.: Hoje também teve a condenação de Eike Batista a 30 anos de prisão por corrupção, sentença dada pelo juiz Marcelo Bretas, um dos principais operadores da Lava Jato no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 23 - Brasil luta e não segue o caminho de certos favoritos, mas terá a Bélgica no caminho do hexa

Desta vez a torcida brasileira teve realmente motivos de angústia. Não exatamente por Neymar, que mais uma vez fez um gol, não foi "cai cai" e jogou coletivamente, mas não deixou de fazer um drama pouco convincente após levar um pisão - não tão forte como dizem - do mexicano Layún no seu pé operado e fazer o jogo ficar interrompido por quatro minutos. Mas porque o México realmente jogou para vencer, e isso gerou uma dificuldade muito grande para a Seleção nos primeiros 23 minutos. Depois os canarinhos cresceram no jogo, embora não a ponto de ameaçar seriamente o temível goleiro Ochoa, o mesmo que, em 2014, conseguiu segurar os brasileiros. O primeiro tempo em Samara fez muita gente ficar apreensivo. E a defesa desta vez teve muito trabalho. Teríamos outro 0 a 0?

Não era possível isso se repetir num mata-mata, pois o Brasil poderia se dar muito mal nas prorrogações ou, principalmente, nos pênaltis. Então no segundo tempo a postura dos comandados de Tite melhorou. Neymar foi perigoso pela esquerda, e Willian, melhor do que nas partidas anteriores, armava as jogadas pela direita. Houve o gol do astro marrento, e depois o teatro, que exigiu a intervenção do VAR, o famigerado árbitro de vídeo. Após a não punição de Layún, Tite substituiu Philippe Coutinho, desta vez não tão decisivo, por Roberto Firmino. O número 20 aproveitou um passe de Neymar para fazer o segundo gol, e matar o sonho dos mexicanos. Faça-se justiça: eles nunca estiveram tão agressivos e técnicos. Jogaram como nunca e perderam como sempre. E, pela entrevista do técnico Juan Carlos Osório, ex-treinador do São Paulo, e das manifestações de alguns jogadores mexicanos, não souberam assimilar a derrota e descontaram suas frustrações em Neymar ("vergonha para o futebol", teria dito Osório, sem citar o nome do atacante) e na arbitragem. Só contribuíram para dar mais holofote a um jogador ávido por protagonismo, embora brilhante. 

Neymar voltou a polemizar, mas foi o nome do jogo. Willian também foi bem. Mas, onde esteve Gabriel Jesus? (Carlos G. Rawlins/Reuters)
Neymar conseguiu vencer a "muralha" Ochoa, e o astro maior do México, Chicharito, sumiu


Roberto Firmino acertadamente é usado como o boneco das oitavas na matrioska do blog, embora Neymar e Willian fossem os nomes do jogo. Isso porque um dos dois vai representar a fase final. 

Brasil já tinha ido para as oitavas...

E entramos nas quartas-de-final, sempre lembrando que não se pode subestimar o adversário da próxima fase, seja ela a poderosa Bélgica ou o surpreendente Japão. 

... e agora está nas quartas

E deu Bélgica! Mas foi num sofrimento muito maior do que esperavam. A zebra ameaçou aprontar de novo e os belgas subestimaram a força nipônica. Não era mais aquele time dos anos anteriores. Perdeu da Polônia com um time misto, classificou-se mesmo assim e jogou contra Lukaku, Hazard, Meunier, De Bruyne, Kompany, com o time descansado. Abriram o placar após um primeiro tempo equilibrado mas sem gols com Haraguchi e depois com Inui. Isso desencadeou uma reação do técnico Roberto Martínez para evitar o desastre. Colocou Chadlí e o folclórico Fellaini, e eles corresponderam. Os belgas foram à luta. Fizeram um gol com o zagueiro Vertonghen, e depois Fellaini empatou. A seleção nipônica recusou-se a se render mesmo cedendo o empate, e queria ir pela primeira vez na fase das quartas-de-final. Mas Chadlí, nos acréscimos, espantou a zebra no último contra-ataque, e os japoneses voltaram mais cedo para casa, não sem vender caro a derrota. 3 a 2 em Rostov-sobre-o-Don, em partida memorável. Para a Seleção da CBF, a reação do time vencedor para reverter a desvantagem de 2 a 0 não é exatamente uma boa notícia, mas os homens de Tite mostraram hoje que podem enfrentar e vencer mais este desafio.

Fellaini contribuiu para a Bélgica avançar, e agora eles estão no caminho do Brasil! (Reuters)

domingo, 1 de julho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 22 - Duas partidas que parecem Eurocopa terminadas em pênaltis - e uma ZEBRA

Hoje a bola foi violentada e quase não entrou no gol em tempos normais em duas partidas que parecem disputas da Eurocopa. Todos os países participantes do dia são europeus: Rússia contra Espanha, Croácia contra Dinamarca. 
 
A zebra é russa! E comemorou a vitória nos pênaltis
Gols na partida de Espanha x Rússia foram só de russos. Um contra, involuntário, após lance de judô de Ignatievich contra Sérgio Ramos; o russo se atracou com o mais odiado dos jogadores espanhóis e tocou para o gol durante o entrevero. O outro foi a favor, do gigante Dzyuba (quase 2 m), cobrando pênalti. O resto foi uma sucessão de tiki-takas da favorita Espanha e contra-ataques frustrados da azarã e anfitriã Rússia. Isso se manteve durante a prorrogação, até a disputa por pênaltis. Akinfeev, conhecido na Copa 2014 por sua atuação deprimente, desta vez melhorou muito e provou isso contra as cobranças de Koke e Aspas. Os russos não desperdiçaram, e por isso avançaram, impondo uma ZEBRA contra os campeões da Copa de 2010. Foi o fim do sonho de uma equipe já tumultuada pela demissão do técnico Julen Lopetegui para a entrada do esforçado, mas limitado Fernando Hierro.

A outra disputa também foi semelhante, com um gol relâmpago dos dinamarqueses, com Jørgensen (1 minuto de jogo) e uma reação também rápida, com Mandzukic. O resto foi uma sucessão de tentativas e contragolpes, tanto no tempo normal quanto na prorrogação, o que aborreceu torcida e telespectadores. Modric ainda perdeu um pênalti, dando esperanças à Dinamarca e seu goleiro, Schmeichel. Essas esperanças se dissiparam nos pênaltis, com várias cobranças ruins, entre as quais do mesmo marcador da Dinamarca, Jørgensen. Mesmo com duas cobranças defendidas por Schmeichel, o time croata errou menos e avançou. Pegará a Rússia, e nas quartas-de-final esperam vencer no tempo normal, para não depender das cobranças finais após a prorrogação, pois os russos tiveram mais sorte nesta situação.

sábado, 30 de junho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 20 - Duelos de titãs no primeiro dia das oitavas

Começaram as oitavas-de-final já com o melhor dia para quem quer ver os melhores jogadores 😄. Messi jogou contra Griezmann e Mbappé em Kazan, enquanto Cristiano Ronaldo disputou a vaga contra Suarez e Cavani em Sochi, a cidade junto ao Mar Negro onde está a delegação brasileira. 

Por coincidência, as oitavas menos interessantes são no último dia, terça-feira 😒. Isso é por causa do chaveamento já planejado meses atrás. Pensam bem diferente deste blog suíços ou suecos, colombianos ou ingleses, é claro. Croácia e Dinamarca, no segundo dia (domingo), também pode ser um sonífero para boa parte da torcida brasileira.

Na disputa dos astros, os maiores craques individuais, Messi e Cristiano Ronaldo, estavam nas equipes mais fracas, que sucumbiram às mais fortes. Ambos caíram fora da Copa.


Por capricho do destino, os dois maiores jogadores da atualidade foram eliminados da Copa no mesmo dia

Na Tartária, os argentinos aproveitaram a força ofensiva, mas com um esquema diferente, com Messi como armador. Nos contra-ataques, deu França, quando Mbappé foi derrubado dentro da área por Rojo. Griezmann converteu. Isso não abateu os sul-americanos, e no final do primeiro tempo, Di Maria, até então sumido no torneio, resolveu aparecer. E empatou. No segundo tempo, Messi aproveitou as falhas dos marcadores e passou a bola para Mercado, que virou o jogo. Parecia a redenção da Argentina, mas Pavard fez um golaço. E ele, Mbappé, apareceu para virar o jogo novamente! O goleiro Armani, do River Plate, não conseguiu segurar. O jovem astro do PSG ainda fez outro gol. Agüero ainda diminuiu, mas nos acréscimos, mostrando que os jogadores celestes, mesmo abatidos, não se entregaram. E ficou nisso: 4 a 3, no jogo que tem tudo para ser o melhor de toda essa fase. E o genial Messi sendo torturado por esse suplício de Tântalo: é a quarta Copa sem um título. Adiós, hermanos! Adiós, Messi!

O jovem francês do PSG é candidato a revelação da Copa na Rússia (Getty Images)


Uruguai e Portugal, portanto, já sabiam quem será o adversário das quartas-de-final. Em jogo também tenso, e com a preocupação adicional de possíveis ataques terroristas - pois Sochi é a cidade mais próxima da Ásia Ocidental, vulgo Oriente Médio, e das repúblicas islâmicas separatistas como a Chechênia - o Uruguai conseguiu abrir o placar após ligeira superioridade lusa, com Cavani, em jogada coordenada com Suárez. No segundo tempo, Portugal resolveu ser mais objetivo e empatou, com o famigerado Pepe - cujo comportamento, a exemplo do "mordedor" Suárez, melhorou bastante - mas o mesmo contribuiu negativamente para Cavani desempatar. O astro do PSG acabou saindo por lesão e viu o seu time tomar sufoco, precisando agir puramente na defensiva contra a pressão lusitana. Por sorte, os jogadores europeus não capricharam, CR7 não brilhou, e Portugal está fora.

Cavani, como Mbappé, joga no PSG. Ambos continuam na Copa, enquanto CR7 cai fora (Jorge Silva/Reuters)

Veremos França x Uruguai, nas quartas-de-final. Para este último, será melhor, muito melhor, se Cavani estiver em condições de jogo. Enquanto isso, Messi e CR7, postos fora da Copa, viram alvo de meme. Pelo menos, a estrela portuguesa dificilmente perderá a Bola de Ouro, mesmo se Mbappé, Lukaku, Harry Kane ou Neymar levarem seus times para a glória em Moscou. 

Da série Copa do Mundo 2018, parte 21 - Bonecos da fase final

Continuando a brincadeira da matrioska no blog, vou exibir aqui os bonecos das oitavas de final. 

Roberto Firmino, atacante, para as oitavas-de-final. Ou Douglas Costa. 

Philippe Coutinho, meio-campista, nas quartas-de-final. 

Se o Brasil fracassar em algumas dessas fases, a brincadeira termina no smert explosivo, já mostrado anteriormente. Caso contrário, continuamos com o jogo aqui também.

Gabriel Jesus, o atacante do "alô mamãe", representando as semifinais. Creio que até lá ele vai fazer um gol. 

Na pior das hipóteses, colocaremos o boneco do Gabriel Jesus no smert. Este não representa o lateral Marcelo.

O verdadeiro Marcelo irá aparecer na animação final, quando o Brasil for hexa. Tomara que cheguemos a isso. 

Se perdermos a disputa pelo terceiro lugar, o boneco do "falso Marcelo" vai ser colocado no smert (morte) explosivo. Leia AQUI.

Caso contrário, ele será colocado dentro de um outro smert não explosivo, indicando um jogador contestado: o atacante Taison. Os gremistas não se conformam com a escolhida, já que Luan seria a escolha de Tite. Para eles, Taison já seria uma "bomba". 

Mas há a versão verdadeira do jogador do Shakhtar, sorrindo. Ele também merece ser hexa, principalmente se o Tite fazê-lo jogar em algum momento.

O representante das finais vai ser o boneco do Neymar, é lógico, por ser o maior jogador do elenco. Mas há a possibilidade do astro aprontar alguma, tentar simular faltas, dar novos chiliques e outros comportamentos inadequados e antiesportivos. Neste caso, Willian será o substituto. 


Neymar, ou Willian, vai entrar no boneco falso do Taison caso a Seleção perder as finais. Isso indica que o jogo foi completado, mas o sonho do hexa morreu. 

Por outro lado, caso conseguirem o hexa, entrarão no boneco maior deste jogo, o do técnico Tite. Ele representa a grande matrioska do time.

Caso isso acontecer, também haverá uma animação comemorando o hexa. Será o único final feliz para este jogo.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 19 - Definidas as partidas das oitavas

No grupo mais fraco da Copa, a Colômbia sofreu para vencer o Senegal, com o gol do zagueiro ex-palmeirense Mina. Um suposto pênalti do Senegal foi corretamente anulado pela ação do VAR. E, infelizmente, o último africano, que até conseguia fazer um futebol convincente e tinha um jogador de elite, Sadio Mané, foi eliminado por causa do número de cartões amarelos: 6, contra 4 do Japão. O jogador do Liverpool estava mal na partida, tanto quanto James Rodriguez, que acabou saindo por lesão na panturrilha. 

Também é questionável o merecimento do Japão, pois ele foi derrotado de forma feia pela Polônia, já eliminada, com gol de Benarek. Permaneceu graças ao fair-play, empatando em número de pontos (4) com o Senegal. Ainda veremos o civilizado hábito dos japoneses limparem as arquibancadas após os jogos, imitados pelos senegaleses. 

Mas, provavelmente, só até as oitavas, porque os dois líderes do grupo G, Inglaterra e Bélgica, são duros até para a Colômbia. 

Esses dois times fizeram outro jogo de compadres, praticamente com o time reserva, sem os principais jogadores - Harry Kane pela Inglaterra, Lukaku e De Bruyne pela Bélgica - e com clara intenção de evitar a chave onde estão Argentina, França, Portugal, Uruguai e Brasil. Os ingleses foram mais "competentes" nisso, fazendo um jogo sem objetividade, embora dominando a partida no primeiro tempo. A torcida de Kaliningrado não gostou nada e vaiou os dois times. No segundo tempo, os belgas resolveram mudar um pouco seus planos, e o gol de Januzaj agradou a torcida e levou-os à vitória. Pelo menos acabaram com uma freguesia de décadas: os belgas, em Copas, nunca ganharam dos ingleses.

A campanha belga, considerada a melhor, rivalizando somente com a da própria Inglaterra (não mais, agora), da Croácia e a do Uruguai, será realmente um desafio para a Seleção de Tite superar, assim que passar pelo México. Logicamente, os belgas precisam vencer o Japão para haver esse encontro, mas isso tem tudo para ser fácil, mesmo sendo o time nipônico bem longe de ser aquelas equipes inocentes de antes, que só corriam e tinham pouca técnica. Será um verdadeiro teste para os representantes do Brasil!

Enquanto isso, Tunísia e Panamá, em jogo de eliminados e sem repercussão, terminaram em 2 a 1 para os africanos. Para os panamenhos, sair com dois gols foi considerado um mérito. 


N. do A.:Na Rússia, esta Copa já virou uma disputa entre Europa e América, com exceção do relativamente frágil Japão. Isso não acontecia numa fase de oitavas-de-final desde 1982. 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 18 - O florescer do Brasil e o crepúsculo dos alemães

Testemunhamos aqui a maior ZEBRA da Copa do Mundo em anos. Os sul-coreanos já estavam eliminados e a Alemanha precisava vencer para avançar, mas ao contrário do esperado, não houve nenhuma "entrega de jogo" em Kazan. Os asiáticos, vendo que a águia alemã não era tão feroz assim, resolveram pelo menos encerrar a sua participação de forma decente. Seguraram bem a pressão, mesmo com o outro time tendo os campeões Toni Kroos, Hummels, Khedira, Ozil, Neuer e, mais tarde, Müller. Até que, nos acréscimos do jogo, o até então considerado herói dos alemães Toni Kroos deu um passe errado que acabou nos pés de Kim Yong-Gwon, que estava em posição de impedimento e fez o gol. Como a situação de impedimento só valia em caso de passe de um sul-coreano, segundo o entendimento do VAR - consultado mais uma vez, para NÃO variar - o tento foi validado.

Aí, o castelo alemão revelou ser feito de areia. Tentaram atacar, mas de uma forma desorganizada, beneficiados com um acréscimo incrível de seis minutos, depois aumentado para nove, porque o VAR foi acionado novamente, para validar outro gol... COREANO! De Son Heung-Min! Assim, a Alemanha termina essa Copa com a pior participação em Copas de todos os tempos. Depois daqueles incríveis 7 a 1 no 8/7, entraram para a História novamente, desta vez da pior forma possível. Auf Wiederesehen!

Parece uma maldição: neste século, SEMPRE o campeão do mundo de uma Copa faz campanha deplorável no torneio seguinte! Foi assim com a França (1998/2002), Brasil (2002/2006), Itália (2006/2010), Espanha (2010/2014) e agora Alemanha (2014/2018).


Fantasma do 7 a 1 foi exorcizado, mas voltará em 2022!

Enquanto a tragédia alemã se desenrolava, a Suécia, em Ecaterimburgo, única cidade-sede asiática na Copa, tratou de fazer a sua parte e conseguiu varar Ochoa, enquanto o time mexicano estava irreconhecível. Nem parecia aquele time que vencera a Alemanha e se impusera frente à Coréia do Sul. Mereceram a derrota: 3 a 0, com os gols de Augustinsson (aproveitando uma das poucas falhas do goleiro mexicano), Granqvist (de pênalti) e Álvarez (contra). É notável o equilíbrio emocional dos suecos, depois de tomarem gol no último minuto do jogo contra a Alemanha e saírem derrotados. Com isso, os até então desacreditados jogadores da Escandinávia terminaram em primeiro e os mexicanos, mesmo arrasados, ficaram em segundo. Este grupo, o F, foi o mais louco de todos.

A solidez emocional sueca contrasta com o time brasileiro, notável pelo descontrole em jogos difíceis, principalmente vindo de seu maior e mais histérico jogador, Neymar. Eles trataram de jogar contra a Sérvia, na noite local, em Moscou. Esperava-se que assimilassem as lições dos dois jogos ocorridos mais cedo, pois o adversário era perigoso e disposto a vencer para se classificar.

E, aparentemente, aprenderam. Os jogadores brasileiros tiveram uma postura mais objetiva contra os sérvios, e, apesar da saída de Marcelo com dores lombares, o que assustou a torcida, Felipe Luiz estreou e foi bem, fazendo mais ou menos o papel do titular da posição, apesar de sua postura mais defensiva. Neymar parou com as encenações e passou mais as bolas. Não tomaram cartões, desta vez, só os rivais dos Balcãs. Paulinho aproveitou a chance e abriu o placar com golaço.

Paulinho fez o gol que abriu o caminho para a próxima fase
No segundo tempo, após a forte reação sérvia neutralizada em boa parte por Casemiro e pelo setor defensivo (inclusive Fagner), veio o segundo gol do Brasil, com Thiago Silva. Os sérvios, porém, não desistiam, e estavam com mais posse de bola, pressionando muito. Nos contra-ataques, Philippe Coutinho foi perigoso novamente, Gabriel Jesus não foi bem, e Neymar perdeu algumas chances de ampliar, mas não perdeu tempo com faniquitos. E o time do Tite foi às oitavas-de-final, favorecido pelo empate em 2 a 2 entre a Suíça e Costa Rica. Com isso, os suíços acabaram ficando em segundo do grupo.

O Brasil está dando seu recado, jogando como se espera dele, e vai pegar o México, na chave onde estão concentrados times fortes como França, Argentina e Portugal.

Neymar pode vir a ser substituído por Phelippe Coutinho, mas por enquanto ele será usado para representar o placar; Kolarov é o capitão do time sérvio

E este blog continua com o jogo da matrioska, com o boneco do Casemiro. É certo que Paulinho melhorou bastante, fez o gol e foi considerado o nome da partida, mas o volante do Real Madrid foi decisivo para o Brasil não tomar gols da Sérvia, e ficou combinado que seria ele a representar o primeiro lugar do grupo E.

Daqui a alguns dias, dependendo da escalação para a partida, os bonecos das fases finais serão apresentados. Dois deles serão Neymar e Philippe Coutinho.




N. do A.: A Alemanha jogou de verde e branco e, da última vez que fez isso, no amistoso contra as antigas "vítimas" do 8/7, se deu mal! Agora, por aqui o time ficou conhecido como "o Palmeiras da Europa". E os sul-coreanos conquistaram o respeito dos brasileiros, principalmente aqueles fãs do K-Pop, a música popular daquele país asiático.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 17 - Marmelada em Moscou e Libertango em São Petersburgo

França e Dinamarca protagonizaram o pior jogo de toda a Copa até agora. Parecia um jogo de compadres, já que o empate beneficiava a Dinamarca, e a campeã de 1998 já estava classificada. Sem esforço nem empenho, ambos conseguiram, mas foram punidos com merecidas vaias, no estádio onde será disputada a grande final. Para muitos, foi uma MARMELADA. 

MARMELADA NA COPA?! ECA!!!!!

Mais tarde, em São Petersburgo, a Argentina jogava pela sobrevivência com a Nigéria. Mostrou problemas de qualidade em seu futebol, mas foi sempre superior ao time africano, cuja sina de sempre perder dos sul-americanos parece nunca acabar. Messi finalmente desencantou e fez seu gol. Porém, Mascherano pôs tudo a perder com pênalti inaceitável no começo do segundo tempo, e Moses converteu. Os argentinos trataram de lutar pela vitória, apesar do nervosismo, e só conseguiram com o chute de Rojo, bem no final do jogo. É como se o time se libertasse da angústia, ao som do "Libertango" de Astor Piazzolla, o grande compositor argentino. Maradona, assistindo da tribuna, fez caras e bocas - e gestos - e chamou a atenção.
 
A Argentina não podia ficar de fora da festa tão cedo. E Messi finalmente marcou seu gol (Getty Images)

O modo com que o craque Maradona, campeão da Copa de 1986 e ídolo da Argentina, comemorou a classificação (Reprodução)

A Argentina venceu e mereceu a vaga. Mas a vitória parece ser de Pirro, pois a Argentina irá encarar a França pela frente, nas oitavas-de-final. E os franceses não jogarão como hoje, e nem teriam a insolência de fazer isso. Já a Croácia pegará a Dinamarca.

E os outros jogos? O Peru tardiamente desencantou, e Guerrero marcou na vitória por 2 a 0 sobre a Austrália, mas isso não muda o seu destino. Já a Croácia matou o sonho da estreante Islândia de avançar com uma vitória de 2 a 1. Não faltou luta para os nórdicos, mas eles estavam num grupo difícil, e por coincidência deu a lógica - num esporte onde a lógica não existe.


N. do A.: Em Portugal e no Brasil, a marmelada é feita de um fruto chamado marmelo; nos outros países, como a França, o doce é feito com laranjas ou outras frutas.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Da série Copa do Mundo 2018, parte 15 - Os bonecos da terceira rodada

Vamos ver depois de amanhã em Moscou se a Seleção da CBF trata de jogar mais bola, principalmente o seu maior astro, e cale a boca dos críticos com gols e jogadas eficientes, e não com faniquitos e mimimi contra adversários, juízes, ou mesmo os árbitros de vídeo, que mostraram ser tão falíveis quanto os apitadores dos estádios. Nada justifica o Brasil tomar tanto sufoco. Potencial eles tem para enfrentar a Sérvia ou qualquer outro time.

Além disso, parece que a imprensa está adorando falar do Neymar como se ele fosse o dono do time. Isto está parecendo um teatro, não um evento esportivo. E o astro chiliquento do PSG é um canastrão digno de levar ovos podres, pois sempre tenta bancar o protagonista da "história" e frequentemente não convence ninguém, muitas vezes nem seus numerosos fãs e patrocinadores. Chamam-no de "cai-cai", histriônico, imaturo, arrogante, birrento, desequilibrado, destemperado, trapaceiro, individualista, narcisista, etc., etc. E a mídia está se prejudicando ao abordá-lo em detrimento dos outros, como se fosse um e mais dez e não onze no gramado, cuja tarefa primordial é fazer gols para conseguirem a taça, não importa o autor, desde que seja a favor.

Fazendo esta observação, vamos agora a outro jogo, o da matrioska do blog. 

O "Canarinho Pistola" ainda não se acostumou à ideia de transformar os jogadores da Seleção em bonecos de matrioska
Os nomes da terceira rodada são membros do meio de campo, e os candidatos são apenas dois, ambos volantes. 

Casemiro será usado para o caso do Brasil conseguir o primeiro lugar do grupo E.

Paulinho, que não está atuando tão bem como devia (honestamente, nem Casemiro ...), vai ser usado em caso de obtiverem o segundo lugar do grupo. 


Na hipótese pouco provável do Brasil perder da Sérvia e cair fora do Mundial, o boneco do Miranda não entrará nos bonecos dos volantes, e sim no smert explosivo, aquele que mostra o Thiago Silva chorando, salientando que não é o verdadeiro boneco do zagueiro, mesmo porque ele não está mostrando tanta fragilidade emocional nessa Copa. 

Caso contrário, os bonecos da terceira rodada irão para dentro dos bonecos representando as oitavas-de-final. Em breve, vou revelar quem é o personagem.

Da série Copa do Mundo 2018, parte 16 - Definidos os primeiros jogos das oitavas. Espanha e Portugal sofrem, e Rússia apanha em casa

Começa a rodada decisiva, e a Rússia logo se desiludiu com o desempenho de seu time, até então candidato a sensação do torneio. Encontrou o favorito Uruguai e perdeu, como era esperado. Não se esperava, porém, a elasticidade do placar: 3 a 0, com o principal jogador russo, Cheryshev, fazendo gol CONTRA, além dos astros uruguaios Suárez e Cavani. 

Mais tarde, Espanha jogava contra Marrocos e Portugal, contra o Irã. Quem pensava que seria fácil para os europeus, enganou-se redondamente. Os portugueses marcaram com Quaresma, mas CR7 perdeu um pênalti e outro, contra os portugueses, foi marcado com auxílio do famoso VAR, e convertido pelo iraniano Ansarifard. Mais: quase o grande astro português foi expulso, mas só levou o amarelo, por falta violenta. No mesmo horário, os espanhóis fizeram pior: estiveram sempre atrás no placar, por falhas de Sérgio Ramos e até de Iniesta, e precisando marcar os gols para empatarem, primeiro com Isco, depois com Aspas; Boutaib abriu o placar e En-Nesyri também marcou. 

Assim, a Espanha ficou em primeiro no grupo B, de uma maneira bem menos tranquila, e vai pegar a Rússia, segundo do grupo A. Portugal irá encarar o Uruguai. 

Irã, Marrocos e também a Arábia Saudita, que venceu o Egito mesmo com Salah em campo (e ele fez outro gol!) por 2 a 1, lutaram bravamente, mas terminam suas participações na Copa. Todos esses países muçulmanos tiveram esperança de irem além e deram trabalho para os times favoritos, mas não foi possível superá-los. 

Cheryshev decepcionou, Suárez correspondeu, CR7 quase se deu mal e Diego Costa não fez a diferença nesta rodada