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domingo, 31 de outubro de 2010

O epílogo

Agora que Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil, é preciso fazer uma breve análise dos governadores eleitos agora. 


            - Distrito Federal: Agnello Queiroz (PT)
            - Goiás: Marconi Perillo (PSDB)
            - Alagoas: Teotônio Vilela Filho (PSDB)
            - Paraíba: Ricardo Coutinho (PSB)
            - Piauí: Wilson Martins (PSB)
            - Pará: Simão Jatene (PSDB)
            - Amapá: Camilo Capiberibe (PSB)
            - Rondônia: Confúcio Moura (PMDB)
            - Roraima: Anchieta (PSDB)

Desses nomes, nada menos que quatro serão futuros opositores ao governo federal. Porém, só um, Marconi Perillo, terá força para dificultar a ação do PT, devido à força de seu estado, Goiás. Os demais comandarão estados cuja economia os forçará a negociar com Brasília. Vale ressaltar a derrota dos Roriz no Distrito Federal para o petista Agnello Queiroz, o que será muito bom para a Dilma (para o Brasil, talvez, porque os Roriz saíram finalmente do poder mas quem vai comandar o coração do Brasil é um petista).

Entre os governadores já eleitos no primeiro turno, recapitulemos:

Acre Tião Viana PT
Amazonas Omar Aziz PMN
Mato Grosso Silval Barbosa PMDB
Mato Grosso do Sul André Puccinelli PMDB
Tocantins Siqueira Campos PSDB
Maranhão Roseana Sarney PMDB
Ceará Cid Gomes PSB
Rio Grande do Norte Rosalba Ciarlini DEM
Pernambuco Eduardo Campos PSB
Sergipe Deda PT
Bahia Jaques Wagner PT
São Paulo Geraldo Alckmin PSDB
Minas Gerais Antonio Anastasia PSDB
Rio de Janeiro Sérgio Cabral PMDB
Espírito Santo Renato Casagrande PSB
Paraná Beto Richa PSDB
Santa Catarina Raimundo Colombo DEM
Rio Grande do Sul Tarso Genro PT

Dilma terá facilidade na maioria dos estados, mas enfrentará forte oposição de estados importantíssimos, como Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo, potenciais freadores dos impulsos petistas.

No Congresso recém-formado, Dilma terá maioria confortável para aprovar seus projetos. Como eu já escrevi em post anterior, a maior parte da Câmara e do Senado é formada de partidos aliados do PT (isso inclui o PP e o PMDB, partidos notórios pelo adesismo):




O que os gráficos não dizem é que a maior parte dos futuros oposicionistas estão nos Estados mais influentes e de maior poderio econômico. Logo, a vida da futura presidente não será assim tão fácil.

Ainda mais com a atuação do Judiciário, que contribuiu para o governo não cair totalmente na ilegalidade e impõs vários revezes ao Executivo (e, como Dilma não tem a mesma força e carisma de Lula, ela não terá outra saída a não ser acatar o STF quando este julgar inconstitucionais determinadas atitudes dela). E a imprensa, o quarto poder, responsável pelas denúncias dos vários casos de corrupção nos últimos oito anos. Sem falar na complexidade da nossa sociedade, que não vai aceitar um regime como o de Chávez ou de Evo Morales, os "muy amigos" de Lula.

O Brasil vai sobreviver a Dilma? Com certeza. Agora, se o governo da futura dama-de-ferro tupiniquim vai ser um sucesso, não é possível sequer especular. Apenas depois, e muito depois, do dia primeiro de janeiro de 2011. 

O dia da bruxa

A protagonista do Halloween brasileiro (charge de Quinho, do A Charge On-Line). 

Estamos no dia das bruxas!

Ou no dia do saci, como querem os nacionalistas. Mas, neste ano, o símbolo mais adequado é a bruxa mesmo. 

Mesmo porque vamos ter de aturar uma delas por quatro anos. E não há Inquisição que resolva isso. Ela nem precisou usar de sortilégios para ganhar, e sim a ajuda de seu partido, o PT, e do presidente da República, Lula, que a apoiou ostensivamente desde o início da campanha.

Com isso, a primeira mulher a se tornar presidente da República terá tempo para mostrar que não é só um produto de marketing fabricado pelo PT, como aparenta ser. Ela vai ter de tomar decisões  importantíssimas para o Brasil, a respeito das reformas política, eleitoral, tributária, educacional e da saúde. Deverá lidar com as exigências de seus aliados, principalmente o PMDB, cujas reivindicações nem sempre estão de acordo com as possibilidades do Orçamento. Precisará tomar posição a respeito da competitividade da economia brasileira, pois disso depende a capacidade de gerar empregos de qualidade. Terá de decidir se vai continuar com a política algo conivente com a corrupção ou se conterá a cupidez de certos "companheiros" para melhorar a imagem do governo. Cada gesto seu fará diferença em sua popularidade e na imagem do governo brasileiro diante da opinião pública nacional e internacional. Tudo isso longe de seu tutor, Lula.

José Serra até que tentou, e conseguiu um número de votos superior ao que dizem a maioria das pesquisas. Até o momento,Serra estava com cerca de 44,5%, contra 55,5% de Dilma.

No próximo post vou comentar a apuração nos Estados.

Chegou o momento

Para quem não aproveitou o feriadão para viajar, só resta uma saída. Interromper o descanso por alguns minutos, deslocar-se até a seção eleitoral e votar. 

Pois feriadões ainda vão haver, e o mais próximo é daqui a duas semanas. Além disso, temos mais dois dias de folga depois que tudo estiver definido. Se omitirmos o voto agora, não escolhemos o candidato da nossa preferência. E o risco de estragar este feriadão, caso o(a) candidato(a) não vencer, pode ser alto, devido à frustração. 

Pior: estaremos deixando de escolher quem vai substituir nada menos do que Lula, o presidente da República que fez história neste país tanto pelo que ele representa (o primeiro presidente de origem operária do Brasil) quanto por suas ações, boas ou más (a consolidação da estabilidade econômica e o aumento do poder de compra dos mais humildes contrastando com o grande inchaço do Estado e casos gritantes de corrupção política). 

Logo, a cidadania deve prevalecer sobre o prazer hedonista de um feriado. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mais um trabalho para o STF

Nunca na história desse país, parafraseando novamente o presidente Lula, o STF chamou tanto a atenção. 

Novamente, precisaram julgar mais um "ficha suja", o senador eleito do Pará Jader Barbalho. Eles já julgaram o caso Roriz, também um "ficha suja" - segundo as denúncias, que não conseguiram ou não souberam mostrar provas cabais contra ele - e ao contrário daquele caso Jader foi derrotado. 

A votação foi de 5 a 5, e entre os votos contrários à interdição de Jader estavam os do presidente do STF e do famigerado (pelo menos na visão do PT, que sempre quer doutrinar os outros) Gilmar Mendes, que fez duras críticas ao projeto ficha limpa, chamando-o de casuísta.  Para resolver o impasse, Celso de Mello, um dos que votaram a favor de Jader, resolveu mudar o voto. E o projeto "Ficha Limpa" segue adiante, valendo para este ano. 

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O cúmulo da voracidade

Já fiz uma postagem sobre este assunto (ver "O eterno problema dos impostos", postado a 31 de agosto) e volto a fazê-lo agora.

Se o Estado brasileiro convertesse 30% dos impostos que arrecadava em benefícios para a população, boa parte dos problemas dos brasileiros seria definitvamente amenizada. Haveria mais escolas, creches, hospitais, rodovias, ferrovias, tudo de boa qualidade. Isso se houvesse uma aplicação decente do dinheiro arrecadado, o que nem de longe acontece e não vai ocorrer assim tão cedo (50 anos, talvez...). 

30% dos impostos equivale a R$ 300 bilhões, uma soma de fazer inveja para o Bill Gates. Ou seja, o governo do sr. presidente Lula já arrecadou, na tarde de hoje, a bagatela de R$ 1 TRILHÃO, ou seja, o número 1 seguido de 12 zeros. É pouco? 

Parece duro de acreditar, e é. A coisa fica um pouco mais compreensível, embora menos aceitável, se consultarmos a postagem de 31 de agosto, quando o impostômetro mostrado denunciava a bagatela de pouco mais de R$ 806 bilhões. Agora vou mostrar um outro impostômetro, este no mundo real e não na Internet.

O painel, situado na r. Boa Vista, no centro de São Paulo, onde se concentram muitos bancos, pertence à Associação Comercial de São Paulo. Ele pode ser consultado pessoalmente. Aqui está a foto (fonte: UOL): 


E não se fala em reforma tributária. Nenhum dos dois candidatos tocou direito no assunto, e, a esta altura, no final do segundo turno, nem em sonho.

sábado, 23 de outubro de 2010

As revistas militantes

Podem argumentar que, nos EUA ou na França, isso é feito. Mas é uma prática feia a das revistas de informação semanal de São Paulo: Veja e IstoÉ, para alavancarem as vendas, fazem o papel de porta-vozes de campanha. Vejam as capas disponíveis nos respectivos sites (www.veja.com.br e www.istoe.com.br): 




A revista Veja é a maior do país e não é por acaso, devido à competência da equipe da Editora Abril. Mas sempre foi criticada por reportagens muitas vezes tendenciosas e conservadoras, expressando opiniões que não raro são impertinentes. Desde o começo do governo Lula faz oposição cerrada, chegando até a insinuar, certa vez (em 2005), que o Brasil estaria ficando mais "burro" por causa das ações do governo do líder petista. É a voz dos tucanos na campanha eleitoral. 

Já a revista IstoÉ foi sempre a maior rival da precedente, apesar de sua tiragem não chegar nem à metade. Gosta de alardear sua independência, mas ultimamente anda fazendo o papel de porta-voz dos petistas. Será apenas para fazer rivalidade à Veja? 

As duas andam fazendo uma cobertura bem parcial dessas eleições. A Veja destaca os escândalos da equipe de Dilma e a IstoÉ faz a mesma coisa em relação a Serra. E nenhuma delas faz o devido esclarecimento dos escândalos dos candidatos que apóiam de forma despudorada.

É preciso fazer uma leitura crítica dessas duas revistas e não se deixar influenciar por nenhuma delas. Claro que jornais e revistas têm o direito, como todo cidadão, de expressar o que pensam. Porém, como formadores de opinião, precisam ser muito criteriosos. Ou não formarão leitores, e sim militantes de um ou outro partido.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

31 de outubro vai ser dia das bruxas mesmo!

Não dá para acreditar em nada do que as campanhas presidenciais andam falando. Parece que os dois lados têm um gosto pela farsa e pelo embuste. 

No post anterior, denunciei a falta de compostura dos partidários da Dilma Rousseff, ao agredir o candidato do PSDB José Serra. Após eu ter publicado a minha opinião, o presidente Lula ainda chamou o episódio de 'farsa', supostamente inventada pelos tucanos. Isso é uma postura mais de um chefe de quadrilha do que de um estadista. 

Houve, sim, agressão a José Serra!

Não quer dizer que o pessoal da campanha do tucano seja formado de anjos. Muito pelo contrário. Também os tucanos não souberam controlar alguns correligionários que queriam jogar bexigas cheias d'água na Dilma. 

É pedir demais fazer uma campanha decente, marcada por propostas concretas, respeito ao adversário e à inteligência do eleitor? De início, parece que os adversários estavam se candidatando a algum cargo eclesiástico, tal a convicção pela defesa da vida e contra o aborto (que, diga-se de passagem, é sim um crime contra a vida). Mas estamos num estado laico, segundo a Constituição, e pregar temas religiosos de forma tão hipócrita, com o único fim de angariar votos, é fazer a Carta em pedacinhos. Os dois lados fizeram isso descaradamente. 

Agora o nível da campanha baixou de vez com o entrevero entre os correligionários que resultou nessa troca de acusações, os serristas acusando o PT de agredir Serra, e o Lula pessoalmente dizer que tudo não passava de farsa. 

Darei graças a Deus quando isso terminar. O dia 31 de outubro - Halloween, segundo o folclore dos países de língua inglesa (EUA, Grã-Bretanha, Austrália, Irlanda) - nunca pareceu tão adequado para um segundo turno de uma eleição. As bruxas andam à solta e vão fazer a festa nesse dia.

Baixaria até quando?

Diante do espetáculo eleitoral onde sobram alianças (de pouco interesse ao país) e faltam propostas sérias, um outro fato acabou virando destaque: a agressão de militantes do PT a José Serra, que foi atingido com um objeto na cabeça. Especula-se que fosse uma bandeirola do PT ou um rolo de adesivos da candidata de situação, Dilma Rousseff. 

Ainda que a direção do partido dito dos trabalhadores tivesse lamentado o triste evento, os brasileiros que deploram a violência estão constatando, estarrecidos, um nítido retrocesso durante o período eleitoral, onde os partidários usam o típico argumento dos sem-argumento, isto é, partem para agressões covardes e injustificadas. 

Isso lembra as primeiras eleições após a ditadura, quando o Brasil foi corroído por anos de arbítrio e negligência. Em 1989, partidários de Leonel Brizola, então candidato à presidência, agrediram seguidores de Fernando Collor de Mello. Dias depois, foi a vez das antigas vítimas da agressão partirem para a pancadaria. 

Assim como naquela época, os dirigentes dos partidos são, sim, no mínimo omissos quanto a essas mostras de falta de civilidade e nítida aversão ao espírito democrático. E, com certeza, muitas pessoas vão pensar melhor em quem votar. 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O que eles realmente vão fazer?

 Quem vai ganhar? Um deles. Quem disse o que realmente vai fazer? Nenhum deles.

O Brasil precisa realmente seguir o caminho do desenvolvimento e do progresso, e o que se vê na campanha do segundo turno não parece ser favorável a isso. 

Temos muitas propostas que parecem amparadas demais aos dogmas das religiões, não só o catolicismo mas também o neo-pentecostalismo crescente no Brasil. Nada contra as religiões, mas atrelar a política à religião é um retrocesso digno do século XVII. 

Está faltando também mais ênfase às conquistas obtidas nos últimos 16 anos, quando o Brasil emergiu de um traumático período de trevas (1964-1992), isto é, os governos militares, de José Sarney e de Fernando Collor, onde a liberdade foi cerceada e foi restabelecida num período inflacionário que corroeu o dinheiro e forçou a adoção de políticas econômicas tanto inúteis quanto prejudiciais à Nação. Depois, seguiu um período de transição, marcado pelo governo Itamar Franco, até chegarmos a um período mais favorável, o atual. Neste período, a inflação foi controlada, a educação melhorou (mas precisa ainda melhorar muito), o Brasil foi adquirindo respeito internacional (aos trancos e barrancos, diga-se) e houve grandes avanços na área tecnológica (apesar de uma falta de uma política para estimular a tecnologia nacional). O Brasil teve motivos para se orgulhar de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Luís Inácio da Silva (Lula).

Dilma Rousseff ainda não mostrou o que vai realmente fazer. Ela foi chefe da Casa Civil, ou seja, adquiriu experiência administrativa nos últimos anos, mas ainda está longe de alcançar o currículo de José Serra, ministro da Saúde, prefeito da cidade de São Paulo e governador paulista. Continua atreladíssima a Lula, e não se sabe se vai conseguir administrar um país tão complexo (e complexado após 510 anos de história) sem o seu grande mestre. 

Por outro lado, Serra ainda não perdeu o jeitão elitista e, em carisma, perde não só de Lula, mas também de FHC, e empata com Dilma neste ponto. Ele ainda está fazendo promessas para tentar atrair os eleitores de baixa renda e se atrelando a questões como o aborto (assim como a rival petista). Mas não tocou no assunto das reformas (política, previdenciária, trabalhista, estrutural), e isso um eventual governo do PSDB poderia fazer, já que o PT provou não mostrar o devido interesse nelas. Pelo menos os tucanos têm mais interesse nas reformas e não os fizeram no governo FHC porque havia a presença de ACM, Jáder Barbalho, José Roberto Arruda e outros coronéis da política no governo, e agora eles estão, em boa parte, afastados da política (ACM, definitivamente, pois faleceu em 2007). Só restam Renan Calheiros e Collor, além de outros parlamentares (talvez o Tiririca?) para atrapalharem,

Repito a pergunta: O QUE ELES REALMENTE VÃO FAZER? Parece que só vão responder ao longo do seu mandato, ou seja, da forma mais tradicional (e pior) do Brasil.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não houve vez para a maioria das celebridades

 Netinho foi muito votado para senador, mas não o suficiente para conseguir a vaga. Ele engrossou a lista de celebridades que quebraram a cara.

A grande maioria dos 'famosos' que tentaram uma boca livre nos cargos públicos quebrou a cara nas eleições de 3 de outubro. 

Vejam os números: 

Deputado estadual: 
- Wagner Montes (PDT-RJ) - 528.628 votos - ELEITO
- Leandro do KLB (DEM-SP) - 62.398 votos - FORA
- Roberto Dinamite (PMDB-RJ) - 39.730 votos - ELEITO
- Maria Zeferina Baldaia (PSDB-SP) - 37.814 votos - FORA.
- Bebeto (PDT-RJ) - 28.328 votos - ELEITO
- Myriam Rios (PDT-RJ) - 22.169 votos - ELEITA
- Ademir da Guia (PPS-SP) - 17.196 votos - FORA.
- Georgette Vidor (PPS-RJ) - 15.320 votos - FORA. 
- Reginaldo Rossi (PDT-PE) -14.934 votos - FORA
- Gaúcho da Fronteira (PTB-RS) -13.667 votos - FORA
- Juca Chaves (PR-SP) - 13.217 votos - FORA. 
- Simony (PP-SP) - 6.993 votos - FORA
- Maguila (PTN-SP) - 2.951 votos - FORA 
- Mulher-Melão (PHS-RJ) - 1.631 votos - FORA
- Rebeca Gusmão (PCdoB-DF) - 437 votos - FORA.
- Dhomini ex-BBB (PR-GO) - 0 voto (foi impugnado por alguma razão, logo está FORA).

Deputado federal: 
- Tiririca (PR-SP) - 1.353.367 votos - ELEITO (sem comentários)
- Darnlei goleiro (PTB-RS) - 173.787 votos - ELEITO
- Romário (PSB-RJ) - 146.859 votos - ELEITO
- Stephan Nercessian (PPS-RJ) - 84.006 votos - ELEITO
- Renner da dupla Rick & Renner (PP-GO) - 76.410 votos - FORA.
- Leandro do KLB (DEM-SP) - 62.398 votos - FORA.
- Marcelinho Carioca (PSB-SP) - 62.395 votos - FORA.
- Popó (PRB-BA) - 60.235 votos - FORA.
- Agnaldo Timóteo (PR-SP) - 25.172 votos - FORA.
- Batoré humorista (PP-SP) - 23.042 votos - FORA.
- Vampeta (PTB-SP) - 15.300 votos - FORA.
- Jean Willys ex-BBB (PSOL-RJ) - 13.018 votos - ELEITO
- Tati Quebra-Barraco (PDT-RJ) - 1.052 votos - FORA.
- Mulher-Pêra (PTN-SP) - 0 voto (provavelmente foi impugnada).

Senador
- Netinho de Paula (PSB-SP) - 7.772.927 votos - FORA.
- Waguinho pagodeiro (PTdoB-RJ) - 1.295.946 votos - FORA.
- Moacyr Franco (PSL-SP) - 411.642 votos - FORA.


Não adiantou nada usar a fama para querer um cargo que eles acham ser privilegiado. A maioria da população rejeitou a capacidade de aparecer na tevê ou nos shows, preferindo a experiência política. E é bom que seja assim, pois eles, que geralmente nunca foram políticos antes, fatalmente iriam engrossar o chamado "baixo clero", ou seja, a massa sem expressão que pensa mais em como gastar seu salário do que na população.

A voz do povo

Falaram por ai que a Dilma já seria eleita no primeiro turno, com respaldo em todos os institutos de pesquisa, com exceção, até certo ponto, do Datafolha. Os partidários do PT imaginavam que a vida deles seria fácil. Mas boa parte dos brasileiros discordaram. 

Pela vontade das urnas, vai haver segundo turno. O PT de Dilma não se livrou de José Serra, o candidato do PSDB. Apesar de toda a sua campanha errática, sem rumo definido, Serra chegou lá, graças aos votos dos estados do Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Roraima e, principalmente, São Paulo. 

Os candidatos-celebridade, em sua maioria, vão voltar para casa, despertados do sonho de virar deputado. Realizaram parte do plano, aparecer na televisão dia sim, dia não e usar a fama. Mas as urnas rejeitaram nomes como Marcelinho Carioca, Vampeta, Kiko do KLB, as mulheres-fruta (Mulher Pera, Mulher Melancia) e outros. Só ficaram alguns, como Romário, Wagner Montes e o grande Tiririca. O palhaço, com seus quase 1,4 milhão de votos, vai participar do circo do Congresso. Ah! E o Netinho... queria ir para o Senado, junto com a Marta. Ficou de fora. O candidato do PSDB, Aloysio Nunes, não só derrotou o pagodeiro como ficou em primeiro lugar, apesar das pesquisas mostrarem que ele não teria chance, principalmente quando a campanha eleitoral começou.

Paulo Maluf, Renan Calheiros, Joaquim Roriz, Garotinho (o deputado mais votado do Brasil fora o Tiririca) e outros nomes ainda mostraram força em seus cantos eleitorais. Ainda não será desta vez que foram banidos da política, mas isso não pode deter o progresso do Brasil. E Maluf pode ser barrado, pela lei do Ficha Limpa. Entretanto, outros nomes como Collor foram derrotados.

 Estes simpáticos senhores vão continuar na disputa pelo cargo mais poderoso do Brasil

Nesse ambiente todo, quem for governar o país não terá muita tranquilidade. Dilma vai ter de conviver com o fato de estados importantes como São Paulo, Minas Gerais e Paraná serem governados por oposicionistas. Geraldo Alckmin, por exemplo, vencedor com pouco mais de 50% dos votos válidos, é também um dos maiores adversários do PT. Por outro lado, Serra encontrará resistência no Nordeste, onde quase todos os governadores são aliados do PT, sem falar na bancada do Congresso, onde há muita gente da coligação aliada da Dilma: PT, PR, PC do B, PSB... sem falar no PMDB, mas ele poderia aderir a Serra se ele for eleito, pelo histórico desse partido. 

Dia 31, os brasileiros votarão de novo para presidente. Até lá, haverá muitos fatos. O único deles que é certo, mesmo, será a mudança de horário (o horário de verão... ARGH!).

domingo, 3 de outubro de 2010

O dia da votação

A votação está em curso no País e, por enquanto, não é possível prever nada. Só as urnas dirão. 

Votei logo cedo e não havia filas na minha seção. Também não havia as bocas de urna que infestavam as ruas em tempos passados, embora as calçadas estivessem atulhadas de papéis com anúncios de candidatos. 

No próximo post, vou me manifestar a respeito da apuração e quem ganhou ou perdeu nestas eleições. 

sábado, 2 de outubro de 2010

Um conselho

Não quero fazer proselitismo político para este ou aquele candidato. Muito pelo contrário. Quero que os brasileiros votem de acordo com suas próprias convicções e não se deixem influenciar por promessas fáceis. 

EM HIPÓTESE ALGUMA imaginem que votar numa figura excêntrica, ainda que devidamente registrada para se candidatar a alguma coisa, é um voto de protesto contra a atual situação política. Cuidado. Já abordei esse pessoal e eles, conforme publicado em veículos sérios da imprensa e da Internet (sim, existem jornais e sites sérios neste país), explicam a manobra ardilosa de certos donos de partido de colocar um monte de trastes para serem eleitos, aproveitando a onda dos cacarecos (é o "quociente eleitoral", uma fórmula para vincular o número de votos das figuras bizarras com a de mensaleiros, sanguessugas e outros algozes da nação).

Também NÃO VOTEM em alguém só porque ele promete fazer o que outra pessoa faz. São o caso de apadrinhados políticos de caciques, coisa ainda muito comum por aqui. 

Votem pensando no que eles podem fazer de fato, e não os donos das propostas mais maravilhosas, daquelas dignas de contos de carochinha.

Evitem votar pensando em alguma vantagem imediata. Pois a tendência humana, e não só dos políticos, é querer obter o máximo de vantagens pessoais e só cumprir suas obrigações quando se virem forçadas a isso, seja por imposição de alguém, ou pela própria consciência. Os exemplos mais folclóricos são aqueles que votam em alguém por um par de sapatos ou por um empreguinho qualquer. Coisa do tempo do voto de cabresto, no século passado. 

Procurem se informar a respeito do seu candidato, para não se arrependerem depois. A despeito das críticas, é a intenção da lei da Ficha Limpa orientar os eleitores, para dizer quais candidatos são suspeitos de ter cometido algum crime (embora não haja provas concretas contra a maioria desses nomes, logo eles são, teoricamente, inocentes). 

Desconfiem de qualquer candidato que prometa acabar com as várias chagas sociais deste país num passe de mágica, porque isso é ESTELIONATO POLÍTICO. 

Enfim, exerço o direito de expressar a minha opinião sobre esta eleição, para o Brasil sair realmente renovado, para melhor, após o resultado das urnas eletrônicas. 

Bom voto, aos que leram este artigo.



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Confusão demais

O STF teve de se desdobrar na última hora para julgar dois casos importantes e que exigem uma análise fria e racional, como normalmente ocorre no Supremo:

1. O recurso de Joaquim Roriz contra a lei do Ficha Limpa. Um recurso que não esconde os interesses de Roriz de se candidatar e ser eleito governador do Distrito Federal, apesar das várias acusações contra ele (detalhe: ele ainda não foi condenado e não existem, ou não quiserem coletar, provas cabais contra ele).

2. O recurso do PT contra a obrigatoriedade de usar dois documentos para votar, uma medida que foi sancionada pelo governo e defendida pela maioria dos partidos, inclusive o próprio PT, e aprovada no ano passado. E quase na última hora, o PT volta atrás e apresenta o recurso, temendo, segundo ele, "que a população mais humilde seja cerceada no direito de voto" (mas na verdade para não correr o risco de perder votos devido a essa exigência).

Ambos os recursos são motivados por óbvios interesses eleitorais, e contribuíram para tumultuar o já confuso clima pré-3 de outubro.

Joaquim Roriz, antecipando-se à decisão final do STF, renunciou à sua candidatura e colocou a sua mulher, numa manobra astuciosa digna de um político como ele. Como ele não é mais candidato, o recurso precisou ser arquivado, pensaram a maioria dos membros do STF (o presidente Cesar Peluso e os ministros Marco Aurélio Mello, Ellen Gracie, Dias Toffolli, Gilmar Mendes e Celso de Mello).

A questão da obrigatoriedade de se usar dois documentos, uma proposta elogiável para minimizar o risco de fraude eleitoral, foi posta abaixo pelos ministros Marco Aurélio, Gracie, Toffoli e mais Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto, Ricardo Lewandowski e Carmem Lúcia (os quatro últimos votaram contra Roriz), mas Gilmar Mendes pediu as vistas do processo, ou seja, pediu para interromper a votação. Assim, a exigência de dois documentos fica valendo até a decisão final.

Para piorar a situação, acusaram Gilmar Mendes de tomar a decisão após um telefonema de José Serra. Provavelmente se trata de mais uma tentativa de patrulhamento por parte do PT, que nunca gostou de Mendes, mas não há certeza disso.

Depois desse acontecimento estranho, a votação continuou hoje. Todos os que votaram contra a obrigatoriedade mantiveram a posição. Gilmar Mendes e o presidente Peluzo votaram a favor da exigência de usar dois documentos, mas foram votos vencidos, pois Celso de Mello foi também pelo documento único. Assim, ficaram 8 votos a 2, e o STF respaldou a queixa casuística do PT.

Enquanto isso, o dia 3 de outubro está cada dia mais próximo, e os brasileiros, cada vez mais atarantados diante de todo esse rififi.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Critérios de um partido

Depois querem nos fazer crer em uma política mais séria neste país...

Uma legenda, cujo nome eu me recuso a divulgar mas atende pelo número 19, diz qual o critério para escolher seus representantes para cargos públicos. O texto pode ser lido aqui, no portal da Folha.

Partidos políticos lá fora, até mesmo nas raras democracias da África, usam outros critérios. De todo modo, está explicado porque aparecem certos candidatos como a Mulher Pera, o Maguila e uma atriz pornô chamada Cameron Brasil. Sem falar no maior dos candidatos desse tipo, o palhaço Tiririca, já comentado aqui, mas este é de outro partido.

Esta é uma consequência do excesso de balaios de gat... digo, de partidos, e da falta de uma reforma política consistente.

Estou começando a achar que estamos criando novos corvos para tentar arrancar nossos olhos no dia 3 de outubro. Na pior das hipóteses, vão conseguir, e literalmente.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Uma proposta para melhorar as chances do Serra

Já que o candidato José Serra está em baixa nas pesquisas, muitos que (ainda) votam nele estão dando palpite para a sua campanha.

Um desses pitacos aponta para o sobrenome, Serra, e quer propor ao candidato para ele aparecer com uma motosserra na mão.

A cena seria surreal. José Serra, segurando a sua motosserra, ligava a máquina e serrava um tronco com a palavra 'Corrupção' (podia ser também 'roubalheira', 'ladroeira', 'falcatruas', 'mau uso do dinheiro público' e... não, 'aparelhamento do Estado' o povo não ia entender). E dizendo: 'Meus amigos, é isso o que eu vou fazer com este mal que arruina o país'. Seria o Serra a serrar a bandalheira.

Uma versão mais plausível é contratar alguém que realmente saiba manejar uma motosserra para fazer a mesma cena acima, em nome do candidato José Serra.

Ridículo? Pois o candidato já fez coisa pior...



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pior não fica. Ou será que fica?

2010 poderá vir a ser lembrado como um teste da deterioração das instituições políticas.

Nunca se viu tantos 'cacarecos' numa eleição. Gente que não teve qualquer experiência política e se vale da sua fama como celebridade.

Não se sabe realmente o que pretendem fazer, ou se têm estofo para conseguir implantar seus projetos nas Câmaras ou no Senado. O risco é de engrossarem o chamado 'baixo clero' dos Legislativos, ou seja, aqueles que só dizem amém às figuras mais destacadas e pensam apenas no que fazer com seus salários e jetons, PAGOS COM O SUADO DINHEIRO DO POVO!

Temos gente como:

- Marcelinho Carioca (câmara federal).
- Romário (câmara federal).
- Ronaldo Ésper (câmara federal).
- Popó (câmara federal).
- Maguila (câmara federal).
- Vampeta (câmara federal).
- O marido da Mara Maravilha (câmara federal).
- Simony (câmara estadual de São Paulo).
- Reginaldo Rossi (câmara estadual de Pernambuco).
- O Kiko do grupo KLB (câmara federal).
- O filho do Ely Correia (câmara federal).
- Mulher Pera (câmara federal).
- Mulher Melão (câmara estadual do Rio de Janeiro).
- Dhomini ex-BBB (câmara estadual de Goiás).
- Netinho de Paula (senado).
- Moacyr Franco (senado).
e um punhado de seguidores do finado dr. Enéas (meu nome é Enéas!!!!), sem citar gente que só fica conhecida em época de eleição (E-e-eymael, Levy Fidelix, etc.)

Todos tentando contrabalançar a influência de caciques políticos que representam a velha e embolorada política (Collor, 'aloprados' do PT, Maluf - não, este oficialmente não pode ser eleito porque foi enquadrado no Ficha Limpa) além de outros que ressuscitaram o velho e ultrapassado comunismo (caso do PSOL, do PSTU e do PCO, além de outros partidos nanicos).

Vamos ao maior dos 'tiões', o legítimo sucessor de Enéas Carneiro: Tiririca, o palhaço.


Votem no abestado! Ou: abestado vota em abestado...


Ele está avacalhando com a figura do Congresso, disso não há dúvida. Sua mensagem parece ser a de um palhaço que assume sua condição, não é como os outros que tentam camuflar e também tentam um cargo público.

O que ele vai fazer, ou não vai fazer, não está ainda em discussão. Mas deveria estar.

Como diz seu famoso slogan, pior do que tá não fica. Mas existe uma remota possibilidade de ficar, com um regime a la Chavez ou então o desejo dos reacionários de fazer voltar a ditadura militar. Daí a coisa, se deixa de ser uma palhaçada, torna-se uma coisa séria demais. Aliás, uma tragédia.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

E o PP?

Esqueci de mencionar em post anterior o PP, antiga Arena, depois PDS, PPR e PPB.

É um partido de 'direita', mas que se aliou ultimamente ao governo Lula. Engraçado é que eles sempre combateram as idéias do PT, consideradas 'comunistas', até a subida do barbudo ao poder.

Seu principal nome é Paulo Maluf, cuja ficha política (e policial) é extensa. Dinâmico e realizador, foi responsável por muitos feitos, desde o Minhocão até a Paulipetro, passando pelo apoio à ditadura militar e milhões de dólares no exterior.

Atualmente, o PP não apoia ninguém na Presidência, e tem candidato próprio em vários Estados, entre os quais São Paulo, onde se concentram a maioria dos malufistas. O apoio do PP à Dilma ou ao Serra não faria a menor diferença. O PP é um partido sem força, apesar da quantidade de afiliados, só menor do que a do PMDB, o antigo MDB que fazia oposição à Arena durante o período das trevas.

E com isto vou parar de empregar os termos 'esquerda' e 'direita'. Isso tem mais sentido no boxe do que na política atual.

A 'esquerda' predomina

É um conceito totalmente ultrapassado, mas ainda muito utilizado. Ainda se fala de 'esquerda' e 'direita', herança da Revolução Francesa, quando os conservadores girondinos sentavam-se à direita na Assembléia, enquanto os reformistas radicais, ou jacobinos, ficavam à esquerda.

Atualmente, 'esquerda' e 'direita' não fazem o menor sentido. Ainda mais no Brasil, onde não há verdadeiros partidos, com orientação ideológica clara ou um mínimo de coerência tanto no pensamento quanto nas atitudes. Por aqui, os partidos tem nomes fortes, mas não idéias fortes. E cada um tem a liberdade de mudar de partido quando e como quiser, apesar das tentativas de regulamentar essa prática.

Mas vamos, por ora, utilizar os termos 'direita' e 'esquerda'. Para constatar que os chamados 'conservadores' estão muito enfraquecidos, e o candidato considerado 'conservador', José Serra, na verdade, tem tanta semelhança com a 'direita' quanto o céu em relação ao inferno. O PSDB, é bom que se diga, é de 'centro-esquerda', aliado do DEM, este sim de 'centro-direita' e do PPS, de 'esquerda'. Ah, sim, temos o PTB, um partido de 'centro-direita' e partidos mal-definidos, que podem ser de 'centro' ou de 'centro-esquerda', como o PT do B e o PMN.

A Dilma é do PT, partido de 'esquerda', apoiada por uma turba de partidos também 'esquerdistas' (PSB, PDT, PC do B), 'direitistas' (PR, PSC) e 'indefinidos', já que não se pode dizer que sejam partidos de centro (o PMDB é o maior deles, conhecido por ser de 'direita' quando os conservadores estão no poder, e de 'esquerda', atualmente no governo Lula).

A Marina Silva é do PV, partido também considerado de 'esquerda'. Não há coligações federais, apenas estaduais.

Plínio de Arruda Sampaio é o maior dos microcandidatos, o que não quer dizer muita coisa. Seu partido, o PSOL, é 'esquerdista' stricto sensu, com idéias radicais que os fizeram se afastar do PT.

Os microcandidatos são, em geral, de 'esquerda', alguns bem radicais mesmo, chegando a pregar o limite de propriedade de terra, algo que nunca conseguiu ser implantado em país algum, nem mesmo na União Soviética. São eles: Ivan Pinheiro (PCB), José Maria (PSTU), Rui da Costa Pimenta (PCO).

Apenas dois candidatos podem ser considerados de 'centro-direita', José Maria Eymael vulgo E-e-eymael (PSDC) e Levy Fidelix (PRTB). Eles não têm chance alguma de ganhar.

Os chamados reformistas, portanto, estão em esmagadora maioria, para desespero dos defensores de idéias conservadoras. Também, quem teria coragem de defender, por exemplo, a subserviência aos Estados Unidos, ou a volta dos militares ao poder, confrontando perigosamente um governo com tamanha popularidade como o do Lula?

sábado, 28 de agosto de 2010

Os humoristas vão rir por último?

O ministro do STF Carlos Ayres Britto suspendeu o decreto que proibia os humoristas nas rádios e TVs de ridicularizarem candidatos às eleições deste ano.

Com isso, deixou-se de fazer piada deste ou daquele político, mas passou-se a fazer sátiras mais genéricas. Se por um lado torna a crítica impessoal, por outro lado toda uma categoria é posta no mesmo balaio, sejam eles alpinistas sociais ávidos de dinheiro ou verdadeiros homens públicos intereessados no bem da coletividade, o que reforça a idéia de que 'político é tudo igual'.

Por outro lado, os alvos deixariam de ser os políticos. As próprias leis seriam expostas ao ridículo, o que seria muito perigoso para a democracia. É sempre bom lembrar que a observância das leis, que valem para todos, é um dos pré-requisitos para assegurar a liberdade e os direitos civis.

Contudo, a aberração jurídica que impõs uma censura injustificável aos humoristas e aos profissionais das rádios e das emissoras de TV ainda não caiu definitivamente. É preciso haver um julgamento posterior do STF para revogar de vez o decreto, que teria vigorado desde julho.

De qualquer forma, esta norma anti-humor é que acabou se trasformando numa piada. Sem graça.