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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Coisas para aguardar o resultado (e desfrutar, ou se arrepender)

Algumas decisões foram tomadas nestes últimos dias e para a população só resta aguardar quando elas passem a valer ou quando o resultado desejado (ou não) vier. 

1. A devolução de R$ 5,5 bilhões da Aneel para as contas de luz do Norte, Nordeste, Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo. 

2. O fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para os juízes, decidido pela Primeira Turma do STF. 

3. O impacto das medidas do governo visando as eleições deste ano, como a isenção ou redução de tributos (PIS e Cofins) para os combustíveis...

4. ... ou o fim da jornada 6x1, aprovada pela Comissão da Câmara. 

5. A convocação de Neymar para a Seleção (essa, de longe, vai ter o menor impacto na vida do povo). 

domingo, 30 de outubro de 2016

Tudo se definiu

Os prefeitos das grandes cidades onde houve segundo turno já foram eleitos, depois de uma campanha marcada pelas restrições orçamentárias provocadas pela proibição das empresas doarem aos candidatos. Esta situação pode se repetir em 2018, ou não, caso o Legislativo reveja a decisão tomada no ano passado, quando Dilma ainda era a presidente. 

Primeiro, o Rio de Janeiro, em uma campanha tumultuada: Marcelo Crivella (PRB) foi eleito prefeito do Rio de Janeiro com 59,36% dos votos válidos, derrotando Marcelo Freixo (PSOL). Muitos lamentam um membro da Igreja Universal comandar a segunda maior cidade do país. Outros comemoram a derrota de um chamado "socialista da Zona Sul". E há muita gente que acha as duas coisas, a ponto da soma dos votos brancos e nulos mais as abstenções ser maior do que os votos destinados ao vencedor: mais de 2 milhões, contra menos de 1,7 milhão para Crivella. 

Marcelo Crivella virou o novo prefeito do Rio (divulgação)

Em Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB) foi reeleito com 60,5% nas urnas. A campanha no segundo turno teve trocas de acusações e agressões, e até uma morte suspeita: o coordenador de campanha do candidato derrotado, Sebastião Melo (PMDB), foi encontrado morto no dia 17.

Alexandre Kalil (PHS) teve 52,98% dos votos em Belo Horizonte. Outro que teve uma decisão apertada, marcada pela baixaria e acusações mútuas entre ele e João Leite (PSDB). Kalil foi presidente do Atlético Mineiro, e concorreu com um apadrinhado de Aécio Neves, que teve de engolir mais uma derrota política. 

Rafael Greca (PMN) obteve 53,25% dos votos em Curitiba. Também houve uma campanha de baixo nível, com muitos ataques entre os candidatos: Ney Leprevost (PSD) e o prefeito eleito trocaram acusações pesadas, com sérios questionamentos do caráter de ambos. Triste destino para uma cidade apontada há alguns anos atrás como modelo de planejamento urbano. 

Zenaldo Coutinho (PSDB) foi reeleito em Belém, com 52,33%. Houve também uma polarização entre os dois candidatos na capital do Pará. Edmilson Rodrigues, do PSOL, era muito temido pelas forças conservadoras de lá, embora Zenaldo não seja propriamente integrante de uma delas. 

Arthur Virgílio Neto (PSDB) ganhou mais um mandato em Manaus, levando 55,96%. Houve também uma vantagem apertada nesta cidade. Marcelo Ramos (PR) foi seu oponente. 

Roberto Cláudio (PDT) venceu em Fortaleza (53,57%). Ciro Gomes foi decisivo para a vitória do pedetista, que superou o Capitão Wagner (PR), tido como representante da chamada "direita". 

Geraldo Júlio (PSB) se reelegeu em Recife com 61,3%. O petista João Paulo foi derrotado. 

Em outras capitais: Marquinhos Trad (PSD) foi eleito em Campo Grande; em São Luís, Edivaldo Holanda (PDT) ganhou; Rui Palmeira (PSDB) é o novo prefeito de Maceió; Emanuel Pinheiro (PMDB) venceu em Cuiabá; Aracaju teve a vitória de Edvaldo Nogueira, do PCdoB; Gean Loureiro (PMDB) venceu apertado Ângela Amin (PP) em Florianópolis; Dr. Hildon (PSDB) é o novo prefeito em Porto Velho; Clécio é o representante da REDE ao vencer em Macapá; Luciano (PPS) venceu no sufoco em Vitória. 

Nas grandes cidades do interior paulista, Guti (PSB) venceu em Guarulhos com 83,5% dos votos; Orlando Morando (PSDB) venceu no reduto do PT, São Bernardo do Campo; Paulo Serra (PSDB) venceu fácil na vizinha Santo André; Crespo (DEM) é o novo prefeito em Sorocaba; Duarte Nogueira (PSDB) foi eleito em Ribeirão Preto; em Diadema, vitória de Lauro Michels (PV); Rodrigo Ashiuchi (PR) faturou as urnas em Suzano; Átila Jacomussi (PSB) ganhou em Mauá; em Jundiaí, deu Luís Fernando Machado (PSDB); Gilson de Souza (DEM) é o novo prefeito de Franca; na litorânea Guarujá, deu o Dr. Suman (PSB); Gazzetta (PSD) venceu em Bauru.

Com estes resultados, houve um grande derrotado: o PT, que foi desalojado nas principais cidades do país após a queda de Dilma. Por outro lado, a grande quantidade de gente que não votou ou invalidou seu voto mostra uma grande insatisfação com a política. Caso não houver um esforço convincente para se fazer uma reforma política que melhore as relações entre eleitores e eleitos, a tendência é piorar, a ponto de alimentar extremismos e campanhas salvacionistas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Estudos sobre os "sem candidato" nas grandes capitais

Em São Paulo, João Dória Jr. já foi eleito com um número relativamente pequeno de votos válidos. Por isso, o assunto "eleições 2016" já esgotou por aqui, mas não no resto do país - e este blog está continuando a abordá-lo ao invés de esquecê-lo. 

Fora a capital paulista, Salvador, Natal, João Pessoa, Teresina, Palmas, Boa Vista e Rio Branco, além das cidades pequenas e médias, as demais capitais e boa parte das grandes cidades do interior continuarão a sofrer com campanhas desinteressantes, quando não são francamente ofensivas à inteligência do eleitor, que terá de escolher entre dois candidatos porque não pode se dar ao luxo de deixar a cidade sem nenhum prefeito. 

Por isso, a porcentagem de votos brancos, nulos e indecisos, em geral, é bastante grande nas cidades com segundo turno. Fazendo uma amostra com as capitais mais conhecidas do país, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Curitiba, Fortaleza, Manaus e Belém do Pará, temos alguns índices altíssimos. O caso do Rio será abordado com mais detalhes, por ser a segunda maior cidade do país. 

No Rio, dois candidatos não conseguem agradar muita gente: Marcelo Crivella, filiado à Igreja Universal, e Marcelo Freixo, o socialista com cara de "burguês" da Zona Sul, são rejeitados e vistos como problemas e não soluções para a "Cidade Maravilhosa", que já sofre com a violência, o trânsito, a falta de saneamento básico e um Orçamento arruinado pelos gastos com as Olimpíadas e Paralimpíadas, que foram um sucesso retumbante mas deixaram um prejuízo enorme nas contas. São 22% de brancos e nulos, e 3% de indecisos, segundo o Ibope desta quinta.

Em Belo Horizonte, os dois candidatos estão tecnicamente empatados: Alexandre Kalil (PHS), com 39% e João Leite, com 36%. Não tenho muito a dizer sobre os perfis dos dois candidatos, mas o número de brancos e nulos também é alto: 20%; 5% ainda não escolheram.

O PT está ainda bem vivo no Recife, onde o candidato João Paulo sofre para tentar concorrer com o atual prefeito, Geraldo Júlio, do PSB, o partido de Eduardo Campos, morto tragicamente quanto concorria à Presidência da República, em 2014. Pelo menos aqui o número de brancos e nulos é mais baixo, embora faça a diferença na hora do voto: 11,4%, segundo o blog de Vinícius de Santana; 8,7% estão na dúvida.

Na capital gaúcha, Porto Alegre, é mais difícil achar dados atualizados. Na pesquisa do dia 21, do Ibope em conjunto com a filiada da Rede Globo, a RBS, Nelson Marchezan Jr., do PSDB, é o líder, com 45%, enquanto Sebastião Melo, do PMDB, tem 33%; o número de brancos e nulos é alto: 18%, e o de indecisos está na média: 5%.

Também não há dados atualizados sobre o pleito de Curitiba, onde René Leprevost, do PSD, está ligeiramente na frente, enquanto Rafael Greca, do PMN, ex-prefeito de Curitiba e ex-ministro do Esporte no governo Fernando Henrique, tem 39% das intenções de voto, 5% a menos que o rival; o número de brancos e nulos é maior do que essa diferença (12%), e 5% não souberam responder.

Fortaleza apresenta uma disputa entre Roberto Cláudio, do PDT, e o Capitão Wagner, do PR, com vantagem de 9% para o primeiro, com 45% das intenções de voto; o número de brancos e nulos não assusta, embora seja maior que a diferença entre os candidatos: são 12%. 8% ainda não opinaram.

Em Belém do Pará, o Ibope ainda não avaliou, e as consultorias apontam números muito próximos entre o tucano Zenaldo e Edmilson, do Solidariedade, e um número relativamente modesto de brancos e nulos, em torno de 10%; o número de indecisos também varia conforme o instituto de pesquisa, conforme informa um blog local de nome inusitado (A Perereca da Vizinha): entre 7 e 10%.

Os manauaras têm de escolher entre Marcelo Ramos (PR) e o atual prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB), este último um ex-parlamentar bastante atuante e conhecido no Brasil todo; uma pesquisa dada pelo Instituto Diário de Pesquisa (IDP), divulgada pelo Diário do Amazonas, indica um número baixo de eleitores sem candidato: 5,5% de brancos e nulos, e 5,8% de indecisos; Arthur Virgílio tem vantagem sobre o rival em 9 pontos percentuais: 45% contra 36%. O Ibope ainda não divulgou números naquela cidade.

Como se vê, o número de eleitores sem candidato em geral é alto, e é maior em cidades consideradas de alto engajamento político (Rio e Belo Horizonte). Nas cidades mais afastadas, o número de indecisos, em geral, é maior do que o de votos considerados inválidos, e apresenta resultados mais moderados. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Temas para serem postados nesta semana

Este blog muitas vezes se concentra em poucos assuntos, principalmente quando eles abordam política ou economia. Por isso, vou ter de escrever algo diferente do dólar valendo R$ 3,12 (quando chegou a valer mais de R$ 4,00) ou do Renan Calheiros reclamando da Polícia Federal no episódio da guarda legislativa, lembrando que ele tem vários inquéritos só na Lava Jato.

Por isso, nesta semana vou ter de escrever sobre temas mais abrangentes.

Sobre política, vou me limitar às campanhas no segundo turno, que estão dando dor de cabeça aos analistas e também aos eleitores, a julgar pela quantidade de indecisos, brancos e nulos. Para muitos paulistanos, é um alívio não ter de voltar às urnas, pois o Dória já foi eleito...

Na questão do esporte este blog acaba falando muito do futebol, mesmo após o 8/7. Melhor tentar escrever sobre outra modalidade (Hoje a France Football divulgou a lista dos pré-candidatos à Bola de Ouro: só Neymar está nela).

Ainda há a questão das guerras, como a tentativa de retomar Mossul ou os confrontos bélicos no Iêmen. Melhor não escrever muito sobre isso, pois este país já sofre demais com violência.

Talvez eu vá voltar ao assunto cinema, onde o sucesso do momento é o filme Inferno, baseado no livro de Don Brown. Ou falar sobre televisão, onde se fala bastante do começo da nova temporada de The Walking Dead.

Ou qualquer outra coisa que o autor deste blog julgar interessante. Aguardem!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Bancada dos vereadores não renova mas pode ajudar Dória

Com a nova composição da Câmara Municipal, o prefeito eleito João Dória Jr. não teria muita dificuldade para governar, apesar de menos da metade dos vereadores eleitos fazerem parte de sua coligação. 

Foram 11 vereadores do PSDB, 4 do DEM, 3 do PSB, 2 do PV, 2 do PPS, 1 do PTN, 1 do PP e 1 do PHS. 

Ele ainda pode contar com os votos do PRB (partido de Russomanno, da coligação São Paulo Sabe; 4 votos), PSD (coligação União por São Paulo, da Marta; 4 votos), PR (coligação Mais São Paulo, de Haddad; 4 votos), PTB (São Paulo Sabe; 2 votos), PMDB (União por São Paulo; 2 votos), PSC (São Paulo Sabe; 1 voto), PROS (Mais São Paulo; 1 voto) e NOVO (partido recém-criado, de orientação liberal; 1 voto). 

Se houve esperança de renovar a política para votar no prefeito, isso não se repetiu nos votos para vereadores. A "renovação" ficou pela metade: 33 dos 55 vereadores foram reeleitos. Quem foi o mais votado foi um político da velha guarda, e ainda por cima do PT: Eduardo Suplicy, com 301.446 "confirma" a favor dele. O segundo foi Milton Leite (DEM), com 107.957 votos. Trípoli (PV), com 88.843 votos, é o terceiro. Conte Lopes (PP) recebeu 80.052, Mário Covas Neto (PSDB), 75.593, e Eduardo Tuma (PSDB), 70.273. Políticos conhecidos como Celso Jatene (PR), Eliseu Gabriel (PSB), Soninha (PPS), Toninho Paiva (PR) e Arselino Tatto (PT), entre outros, foram eleitos. Fernando Holiday, do Movimento Brasil Livre e filiado ao DEM, também foi eleito. 

Por aqui os "famosos" se deram mal: o cantor Netinho de Paula, o ex-jogador Marcelinho Carioca, Thammy Miranda (a filha que virou filho da Gretchen), o jornalista esportivo Chico Lang, o playboy Chiquinho Scarpa e a voluptosa Mulher Pera, potenciais "puxadores de votos", felizmente não conseguiram o suficiente para se elegerem e ajudarem seus coligados, graças ao "quociente eleitoral" que permite ao "puxador" transferir votos para outros de seu partido. Nomes esquisitos também ficaram de fora. Neste ponto o paulistano não quis saber de brincadeira.

domingo, 2 de outubro de 2016

Decisão no primeiro turno em São Paulo

João Dória Jr. foi eleito prefeito de São Paulo já no primeiro turno. Esta é a primeira vez desde a criação do segundo turno, em 1992, que a cidade não voltará às urnas, pois todas as decisões municipais foram decididas em segundo turno:

(Primeiro colocado do primeiro turno x Segundo colocado do primeiro turno)

- 1992: PAULO MALUF x Eduardo Suplicy
- 1996: CELSO PITTA x Luiza Erundina
- 2000: MARTA SUPLICY x Paulo Maluf
- 2004: JOSÉ SERRA x Marta Suplicy
- 2008: GILBERTO KASSAB x Marta Suplicy
- 2012: José Serra x FERNANDO HADDAD

Nas eleições estaduais, houve uma única vez que alguém foi eleito em primeiro turno como governador: José Serra, em 2006, que abreviou seu mandato para se candidatar à presidência em 2010. Contudo, as eleições presidenciais daquele ano foram decididas em segundo turno, entre Lula e Geraldo Alckmin, portanto os paulistanos tiveram de voltar às urnas duas vezes, sendo que a segundo vez foi apenas para eleger o presidente. 

O crescimento de Dória nas pesquisas foi impressionante, e indicava a tendência do empresário ganhar no primeiro turno, embora possa haver uma forte probabilidade de estacionar num valor próximo ao da última pesquisa, realizada ontem mesmo: 

(Fonte: Datafolha)

O mesmo instituto de pesquisa também indicou o crescimento de Haddad, mas ele estacionou, como se pode ver no resultado das urnas. Chamam a atenção os desempenhos pobres de Russomanno, Marta e Erundina.

JOÃO DÓRIA JR. (PSDB) - 53,29%
Fernando Haddad (PT) - 16,70%
Celso Russomanno (PRB) - 13,64%
Marta Suplicy (PMDB) - 10,14%
Luíza Erundina (PSOL) - 3,18%
Major Olímpio (SD) - 2,02%
Ricardo Young (Rede) - 0,45%
Levy Fidélix (PRTB) - 0,37%
João Bico (PSDC) - 0,10%
Altino (PSTU) - 0,08%
Henrique Áreas (PCO) - 0,02%

Parte das explicações recaem sobre o maior tempo no horário político, devido às coligações (PSDB - DEM - PPS - PSB - PV - PP e outros sete partidos nanicos), mas também não se pode negar o uso da máquina política por Geraldo Alckmin e a enorme rejeição ao PT e à política na cidade. Houve insinuações que os institutos de pesquisas tentaram induzir os eleitores a votar no tucano. Algo digno de atenção é o número de votos brancos e nulos: 3.096.304, contra 3.085.187 (mais de 11.000 votos a mais).

Amanhã este blog vai comentar sobre os candidatos a vereador em São Paulo, e os eleitos mais conhecidos. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Ainda sobre as eleições

Fazendo uma análise dos candidatos não só de São Paulo mas também do Rio, não há como se animar mesmo. As eleições são depois de amanhã, e temos de votar em algum deles.

Se alguém ficou mais convencido da viabilidade de algum candidato? Difícil! E os debates não ajudaram muito. Cada emissora organizou debates ao mesmo tempo para cada grande cidade. O último, da Globo, foi tedioso e constrangedor. Em São Paulo, os candidatos se atacaram e abusaram do direito de exagerar ou minimizar dados sobre os erros dos oponentes ou as realizações pessoais.

Além disso, os eleitores de Marta Suplicy devem ter ficado decepcionados com a falta de combatividade dela em relação ao líder das pesquisas, João Dória Jr. Ela e os outros, aliás, pouparam demais o candidato tucano, deixando passar acusações, verdadeiros pratos cheios para a maledicência, como o terreno em Campos do Jordão supostamente tomado por ele de forma indevida. Marta também se enrolou quanto ao seu passado petista e de ter criado taxas de péssima memória para o paulistano.

Russomanno atacou Marta e o atual prefeito, mas foi acusado de várias ações trabalhistas, como não pagar salários de seus funcionários, quando foi proprietário do Bar do Alemão, em Brasília, e não perdeu a pose de bom moço quase sebastianista.

Haddad, cuja avaliação como prefeito é abissalmente ruim, abusou do direito de exagerar nas suas realizações no governo paulistano, mas não dissipou a sombra de seu partido, o PT. Agora nem ele próprio acredita que vai para o segundo turno: nas pesquisas ele tem apenas 13%, segundo o Datafolha. Hoje, suas chances devem ter encolhido ainda mais, porque dois monumentos, o das Bandeiras e a Estátua do Borba Gato, ambos na Zona Sul, foram pichados com as inscrições "Fora Temer", mostrando o grau de negligência da atual administração e a conivência com os vândalos.

Erundina foi franco-atiradora, criticando todos, inclusive Dória, mas sabe que terá chances bem reduzidas. O Major Olímpio só ficou lembrado ao repetir o surrado bordão de Maluf: "botar a Rota na rua". 

Se formos comparar com São Paulo, o Rio de Janeiro está em situação ainda pior.

Marcelo Crivella é o líder nas pesquisas, com 34%, mas foi atacado pelos adversários devido à sua filiação partidária: o PRB, mesmo partido de Russomanno e, por ter muitos membros da IURD, a Igreja Universal do Reino de Deus, é frequentemente acusada de ser o braço político de Edir Macedo. Crivella foi também ministro da Pesca, a pasta cuja serventia foi mais posta em dúvida em todo o governo do PT, além de ainda, de certa forma, ser fiel ao lulopetismo.

Se este é o líder, os demais seriam motivo para lamentação. E é o que realmente ocorre.

Pedro Paulo, do PMDB, é o candidato do atual prefeito Eduardo Paes, do governador Luiz Fernando Pezão e foi apoiado por Eduardo Cunha, todos do mesmo partido. No debate, Crivella escancarou o incômodo vínculo do rival com o detestado ex-presidente da Câmara. Pedro Paulo empata com Marcelo Freixo, o candidato do PSOL, com 10%.

Freixo é apoiado por boa parte da classe artística, e defende um Estado socialista, embora ele seja ridicularizado por ser de classe média alta. Sua aura de honestidade é maculada pelos enormes vínculos com o PT e com um de seus assessores ter agredido a ex-mulher.

Índio da Costa (PSD) foi ex-candidato a vice por José Serra em 2010 e é filiado a César Maia, ex-prefeito do Rio que teve os direitos políticos suspensos por contratar um escritório de advocacia sem licitação. Pessoalmente, não há nada de grave contra ele, a não ser um namoro efêmero com a filha do banqueiro Salvatore Cacciola, acusado de fraude financeira e ex-dono do banco Marka.

Jandira Feghali (PCdoB) é agressivamente defensora de Dilma Rousseff, taxando os adversários de "golpistas". Ela não teve medo de receber a presidente cassada em seu palanque, e pagou o preço: caiu nas pesquisas, de 10% para 7%, quando estava em ascensão.

Flávio Bolsonaro (PSC) é o filho do famigerado Jair Bolsonaro, um dos políticos mais execrados do país. Ele defende ideias até moderadas para a fama de ser "extrema-direita", como os defensores do socialismo e até da social-democracia insistem em chamar a ele e a seu pai, a despeito de projetos esdrúxulos como a militarização de escolas consideradas indisciplinadas. Ainda assim, 5% declaram voto a ele, mostrando fidelidade a suas ideias.

Com candidatos assim, o debate de ontem no Rio de Janeiro, pela Globo, virou um verdadeiro circo de horrores, com a plateia ávida por um "barraco". Flávio Bolsonaro foi o mais aclamado, e Pedro Paulo foi o mais xingado. No debate, a situação do pupilo de Eduardo Paes também não foi nada boa, recebendo ataques de todos os lados. Ele apanhou muito, mas todos os demais também se saíram mal.

Crivella não se desvencilhou da figura de "bispo da Universal" e insinuou que Eduardo Cunha poderia vir a ser secretário de Pedro Paulo, uma acusação despropositada, pois Cunha não pode exercer cargos públicos até 2026.

Marcelo Freixo continuou a não fazer propostas viáveis e foi malhado por sua suposta defesa aos "black blocs", embora tivesse êxito em contribuir com a "surra" que Pedro Paulo estava tomando no debate.

Índio da Costa, apesar de ter feito algumas propostas sérias, ficou mais lembrado pelos "aplicativos" de smartphone, que pretende implantar, e da inviável limpeza, em quatro anos, da Lagoa Rodrigo de Freitas. Nem Héracles, o herói dos doze trabalhos, seria capaz disso.

Flávio Bolsonaro, apesar do apoio ruidoso da plateia, ficou sumido, ao largo da troca de acusações, e não disse nada de importante. Só brilhou na despedida, atacando o que ele chamou de pior governo que o Brasil já teve (o de Dilma), sem mostrar de fato que vai realmente fazer algo melhor.

Alessandro Molon, da REDE, não contribuiu em nada para deixar o debate mais palatável. O candidato da Marina Silva deve ser esquecido rapidamente.

Quem se saiu pior, contudo, foi Jandira Feghali, que ofendeu a Globo por ela ter participado do "golpe" contra Dilma e foi advertida por isso. Acabou virando "meme" nas redes sociais, além de também ser alvo de muitas críticas dos adversários. 

Estes são os candidatos das duas maiores cidades do país, e um deles tem que ocupar as prefeituras, porque não há como deixá-las vagas. Se algum deles merece? Isso me lembra a fala de Hamlet: 

Use every man after his desert,
and who should 'scape whipping?

Que foi traduzida para o português como: 

Tratai cada homem segundo seu merecimento, 
e quem escapará da chibata?  

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ato inédito

Pela primeira vez na vida o autor deste blog não assistiu ao horário eleitoral gratuito na televisão. 

Não é recomendável ao eleitor se abster de assistir as campanhas políticas, quando não se tem a internet por perto. Caso contrário, sempre é possível acompanhá-las, informar-se sobre os projetos de governo, buscar notícias comparando o que eles fazem com os fatos reais. 

Isso não vale apenas para os candidatos à prefeito. Os vereadores, membros da Câmara Municipal, precisam ser melhor escolhidos, para não ter de aguentar projetos de lei absurdos homenageando datas que ninguém vai comemorar e atos em causa própria, isso quando não se dedicam aos desvios do NOSSO DINHEIRO, isto é, os impostos municipais. 

Parece um pouco tarde para escrever isso, quando o horário eleitoral acabou, mas ainda dá tempo para se informar, pois as eleições são no domingo.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Divagações

O acordo feito entre o governo colombiano e as FARC, assinado ontem, vai trazer paz à Colômbia?...
... ou será a consagração da impunidade para um grupo que sequestrou, matou e traficou drogas?

Hillary Clinton, que teria vencido o debate também ontem na CNN, vai finalmente deslanchar nas pesquisas?...
... ou Donald Trump conseguirá reagir nos debates futuros?

A tendência de crescimento de João Dória, agora com 30% nas pesquisas do Datafolha, é só momentânea?
... ou ele vai crescer ainda mais e confirmar isso nos votos, podendo se eleger prefeito de São Paulo?

E o Marcelo Crivella, no Rio? Ele é o líder nas pesquisas, e vai disputar o segundo turno com quem? Marcelo Freixo, o socialista apoiado pela inteligentsia carioca?...
... ou Pedro Paulo, apoiado pelo atual prefeito Eduardo Paes?

A morte do Sérgio "Sombra" foi realmente uma fatalidade causada por um câncer?...
... ou foi uma "queima de arquivos" para encobrir os verdadeiros mandantes da morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André assassinado em 2002?

O futuro irá responder!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

João Dória surpreende

Muitos não deram muito crédito à candidatura de João Dória Jr., do PSDB, devido à sua falta de experiência administrativa e pouca identificação com a maioria do eleitorado paulistano. Aos poucos, porém, a sua rejeição relativamente baixa e o fato de não ser um político profissional o tem ajudado. 

Por ora, ele ainda não pode ser considerado o favorito, pois os números da pesquisa mais recente apontam para um empate técnico entre os três favoritos. A Datafolha aponta 25%, contra 22% de Russomanno e 20% de Marta, com margem de erro de 3 pontos percentuais. 

Dados das últimas pesquisas para a prefeitura de São Paulo, segundo o Datafolha

Pelo comportamento do gráfico considerando os últimos índices, Dória cresceu consideravelmente. Russomanno caiu nas pesquisas, e Marta ficou estagnada. Fernando Haddad continua com chances remotas de ir para o segundo turno, pois não tem progredido muito: de 8% em agosto, para 10% em setembro. 

Ele foi o mais beneficiado pela queda de Russomanno, que não conseguiu fazer a opinião pública esquecer que ele foi julgado pelo STF por improbidade administrativa - e absolvido por uma margem apertada, 3 votos a 2. Ainda por cima, os adversários exploram um vídeo onde ele aparece insultando e constrangendo uma caixa de supermercado. O vídeo é de 2009, mas o candidato do PRB tenta se defender, dizendo que era uma edição manipulada com a intenção de prejudicá-lo. Marta não conseguiu se aproveitar da queda do antigo líder nas pesquisas, pois é identificada como ex-petista pelos adversários do PT, e traidora, pelos simpatizantes da estrela vermelha, além de sua gestão ficar marcada pela cobrança de taxas de lixo e iluminação. Luísa Erundina é prejudicada pela sua reputação como ex-prefeita, além de também ser ex-filiada do PT, partido do prefeito atual e cujo governo é muito mal avaliado. 

Resta saber até quando Dória crescerá, pois seu discurso não deixou de ser elitizado, falando em gestão, venda de patrimônio público, racionalidade. Fala como empresário, não como político. Suas propostas para saúde, segurança, habitação e educação são genéricas, sem perspectiva de que sejam cumpridas integralmente. E nisso ele é igual aos demais. 


N. do A.: Enquanto isso, Guido Mantega, apontado por várias denúncias, entre as quais a de Eike Baptista, que pagou R$ 2,35 milhões ao PT a pedido do então ministro da Fazenda sob Dilma, chegou a ser preso, na portaria do hospital Albert Einstein, onde sua mulher sofreu uma cirurgia para tratamento de câncer. Mantega foi ministro quando as contas da Petrobras sofreram um estrago colossal, fruto dos vários desvios financeiros. Foi também quando o Brasil enfrentou sua crise econômica mais séria desde 1929, condenando milhões ao desemprego e destruindo os esforços de combate à miséria. Sérgio Moro mandou soltá-lo logo depois, pois julgou que o ex-ministro não iria atrapalhar as investigações de várias empresas envolvidas nas construções de duas refinarias, P-67 e P-70, e bilhões de reais envolvidos. A nova fase da Operação, chamada de "Arquivo X", devido à identificação com "X" das empresas investigadas, causou fúria entre os petistas, que compararam os membros da PF com a ditadura, o nazismo e até o stalinismo. Porém, boa parte da opinião pública não pensa dessa forma e continua a apoiar os trabalhos para investigar e punir os corruptos, embora tenha questionado as circunstâncias da prisão de Mantega e se esse procedimento tinha respaldo na lei. Juristas como Walter Maierovitch e o ministro Gilmar Mendes, do STF, disseram que não. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Debate na Band

Ontem houve debates na Band com os diversos candidatos à Prefeitura em várias cidades. Acompanhei o embate em São Paulo, e a impressão mais uma vez não é muito favorável.

Líder na pesquisa de votos, Celso Russomanno posou novamente de bom moço sem disfarçar o seu viés populista e evitou atacar os adversários, talvez ciente que o alvo a ser atacado seja o atual prefeito, Fernando Haddad, candidato à reeleição. Atacaram o partido dele, o PT, embora não o acusassem de ser, pessoalmente, corrupto, e sim de não sair de seu gabinete e fazer obras mal feitas, como as ciclovias que ligam nada a lugar nenhum. O atual prefeito se gabou de suas realizações pelo trânsito e mobilidade urbana, que na prática pouco ajudaram a cidade. 

Marta Suplicy (PMDB) foi questionada sobre o seu passado (era uma das líderes petistas) e pela sua gestão como prefeita (2001 a 2004), marcada pelas taxas, como as de lixo e iluminação pública. Tentou convencer que está arrependida de tê-las feito.

João Dória Jr. (PSDB) fez questão de mostrar que não era um candidato "coxinha", vestindo-se demagogicamente sem gravata e com jeans, e mesmo assim foi atacado por não ter experiência política. 

Ainda há o Major Olímpio (SD), que atacou o problema da segurança pública, considerado abandonado por Haddad, e vociferou contra as cracolândias, sempre quase gritando, como se desse ordens a seus subordinados - ele parecia entender muito de segurança e pouco do resto. 

Luísa Erundina (PSOL) não participou do debate, por seu partido, o PSOL, não ter o número mínimo de representantes na Câmara: dez, enquanto o partido dissidente do PT tem apenas seis. Resolveu manifestar-se em frente à sede da Band em São Paulo, no Morumbi. Se estivesse lá, talvez contribuiria para aumentar o teor dos ataques, concentrados entre Marta, Dória e Kassab, com Russomanno "neutro" e o Major dando sustentação a Marta e Dória para atacar o prefeito. E as propostas para melhorar a cidade?

No final, a sensação foi de desalento, pois com qualquer um deles São Paulo sofrerá. E muito!