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segunda-feira, 5 de março de 2018

Quem merece Oscar e Framboesa de Ouro

Aproveitando o embalo das postagens anteriores, vou citar aqui alguns acontecimentos da vida real que merecem o Oscar ou a Framboesa de Ouro. 

Lembrando aqui que a cerimônia do Oscar consagrou o filme A Forma da Água e seu diretor Guillermo del Toro, e Frances MacDormand foi a grande salvadora do filme Três Anúncios para um Crime, e também o destaque da noite, ao fazer um discurso em nome de todas as mulheres indicadas pela Academia. 

Já o Framboesa de Ouro, aquele destinado às produções mais ridículas, foi para o filme Emoji, um desenho animado infantilóide sobre as carinhas usadas nas redes sociais, e seu diretor Tony Leondis. Sobrou para Tom Cruise por A Múmia, Mel Gibson por Pai em Dose Dupla 2 e Kim Basinger por Cinquenta Tons Mais Escuros. A cerimônia fez um in memoriam a todos os assediadores sexuais de Hollywood, como se eles estivessem mortos, principalmente Harvey Weinstein. 

Primeiro, anunciemos os fatos merecedores do Framboesa de Ouro de piores notícias: 

- A segurança do Aeroporto de Viracopos, onde houve um assalto cinematográfico a uma carga de dinheiro no valor de US$ 5 milhões que iria num voo da Lufthansa; 

- As novas investigações da Operação Trapaça, continuação da Operação Carne Fraca, contra atos de corrupção envolvendo a BRF; de novo, uma empresa do setor de carne acusada de fraudar a fiscalização, e novamente a Polícia Federal fazendo um alarde exagerado, colocando em risco as exportações de produtos animais; 

- Os resultados das eleições parlamentares italianas podem ameaçar a permanência do país na União Europeia, devido ao avanço dos extremistas: a Liga Norte recebeu 17,4%, a Forza Itália, do famigerado Sílvio Berlusconi, conseguiu 14,0%, e, no espectro político oposto, o movimento anarco-populista e "antissistema" 5 Estrelas (M5S) conseguiu a proeza de ter 32,6% dos votos; 

- A política comercial de Trump destinada a provocar nova guerra comercial e ir contra o livre mercado, por ser francamente protecionista para defender o mercado local de aço e alumínio e ir contra todo e qualquer metal estrangeiro, e não apenas aqueles vindos de países que também violam o livre comércio. 


Agora, os merecedores do Oscar, mas não exatamente por serem boas notícias, mas por mostrarem desempenho exemplar dos envolvidos: 

- Messi fez o gol 600 na vitória do Barcelona sobre o Atlético de Madrid no Campeonato Espanhol; foi o único gol da partida, e mais uma vez o argentino foi brilhante, enquanto seus companheiros não foram tão bem: Luís Suarez perdeu uma oportunidade de gol, Philippe Coutinho esteve apagado, e Paulinho substituiu este último, mas também sem brilhar; 

- Renaud Lavillenie, o "francês chorão" da Olimpíada de 2016, foi o destaque do Mundial de Atletismo Indoor, em Birmingham, e se tornou tricampeão mundial no salto com vara, enquanto Thiago Braz foi uma decepção (5,90 m do francês contra 5,60 m do brasileiro, décimo segundo colocado); menção honrosa para Almir Júnior, brasileiro do salto triplo, que faturou a medalha de prata, com a marca de 17,41 m; 

- E... infelizmente os Oscars ficaram confinados ao mundo do esporte.


N. do A.: Considerado uma versão do Oscar para a televisão brasileira (algo sempre questionado), o Troféu Imprensa 2018 foi apresentado no mesmo dia da cerimônia, e sua repercussão foi bem morna, sem chegar a ser um fiasco digno de um Framboesa de Ouro; tirando o excesso de premiações dados aos programas do SBT, onde o programa, por tradição, sempre é transmitido, só o destaque à novela A Força do Querer e à atriz Juliana Paes, que encarnou um dos principais personagens daquela trama, a vilã Bibi Perigosa. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

Os assuntos mais impactantes da semana

1. A péssima repercussão do escândalo envolvendo os frigoríficos e a Polícia Federal, já citado aqui. 

2. A aprovação pela Câmara de regras para terceirizar qualquer atividade, inclusive as atividades-fim. Países desenvolvidos como Alemanha e Japão já terceirizam boa parte da cadeia produtiva, mas para os sindicatos e os defensores da atual lei trabalhista, isso significa diminuição ou mesmo anulação dos direitos trabalhistas, gerando precarização. Para os empresários, significa menor custo e maior facilidade para contratar. 

3. Os conflitos entre o TSE, presidido por Gilmar Mendes, ministro do STF, e a Procuradoria-Geral da República, com trocas de acusações pesadas. Mendes disse que vazamentos são crime; Rodrigo Janot falou em "decrepitude moral" (em uma indireta, mas direcionada claramente ao ministro) ao defender os procuradores acusados de vazamento. 

4. A repercussão da prisão temporária de um blogueiro, Eduardo Guimarães, a mando de Sérgio Moro, que o acusou de "vazar dados sobre a condução coercitiva de Lula" em 2016. É certo que Guimarães, partidário do ex-presidente, é um defensor da teoria gasta do "golpe", mas ele tem direito de se expressar, e ninguém, nem mesmo Moro, deve violar essa prerrogativa. Fazendo isso, o magistrado dá novo pretexto para os inimigos da Lava Jato, por questões ideológicas ou pura má fé, tentarem mostrá-la como movimento de "justiceiros" e "fascistas".

5. A morte de Chuck Berry, um dos "monstros" do rock'n roll e mestre inspirador dos Beatles e Rolling Stones. Seria até esperado, considerando a idade avançada do cantor e compositor (90 anos), mas perder um nome assim da música popular é sempre digno de lamentação, ainda mais neste tempos cacofônicos.

6. O atentado em Londres não foi com bomba, mas com atropelamento e facadas por parte de um cidadão britânico convertido ao extremismo islâmico e filiado ao Daesh, vulgo "Estado Islâmico", Khalid Masood. Vários feridos ainda continuam a correr risco de morrer, e até agora cinco pereceram, inclusive o criminoso. 

Isso tudo sem falar nas novas falas de Lula (em tom de pré-candidato), defendendo limites para a Lava Jato e chamando o Deltan Dallagnol de moleque, as novas revelações de Marcelo Odebrecht incriminando a campanha eleitoral de Dilma (e Temer) e a já citada, neste blog, vitória da Seleção Brasileira sobre o Uruguai por 4 a 1 ocorrida enquanto a CBF mudava sua regra para as eleições presidenciais da entidade. Merece menção, também, as correções de cálculos da Nasa feitas por um estudante inglês de 17 anos, algo digno de destaque (leia AQUI). 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Perda total?

Segundo dados do governo, a exportação de carne, devido à Operação Carne Fraca, que não é um braço da Lava Jato como este blog chegou a afirmar, foi de US$ 63 milhões para US$ 74 mil. 

Caso os números forem verdadeiros, a queda foi violentíssima: 99,9%.

A força-tarefa da PF, embora tenha defendido a operação, foi criticada até dentro da entidade pela forma açodada com que ela foi feita. Afinal, a intenção era investigar a corrupção no setor, e não provocar mais um golpe na economia brasileira. Pior é a divulgação dos dados, como se eles fossem conteúdo de salsicha. Induziram a mídia internacional a divulgar inverdades, como se fosse prática sistêmica vender carne vencida e usar cabeça de porco onde não se deve. E apenas 21 frigoríficos foram abordados pela Operação, num total de mais de 4.800.

Enquanto isso, o governo continua agindo para os países exportadores continuarem comprando a carne brasileira, na esperança da crise terminar o mais rápido possível. Empregos estão em jogo. Porém, não devem negligenciar o mercado brasileiro, destino de 80% dos produtos animais processados nos frigoríficos, que já não aceita consumir produto estragado. E nem achar que estará tudo bem depois que tudo voltar como antes, se os responsáveis pelas fraudes no setor e os fiscais corruptos não forem devidamente punidos. 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Ainda sobre a podridão

Por causa da repercussão extremamente negativa da Operação Carne Fraca, que revelou procedimentos inaceitáveis, como a adulteração de carne, o uso de produto em decomposição e as fraudes fiscais, cometidas por funcionários de empresas frigoríficas, o presidente Michel Temer foi obrigado a agir logo. 

No domingo, ele tentou tranquilizar o mercado consumidor brasileiro e no resto do mundo, dizendo que as fraudes são cometidas por uma pequena parte de funcionários e executivos, e não é uma prática corriqueira nos frigoríficos. O ministro Blairo Maggi, da Agricultura, criticou a Polícia Federal pois, para ele, do jeito que ela agiu, "a narrativa nos leva até a criar fantasias", usando até termos que não podem ser ditos para não agravar ainda mais a irritação contra o governo ("idiotice", "insanidade"), e defendeu os frigoríficos, como fez o seu chefe, Temer. E houve promessas para aumentar o rigor na fiscalização. 

Em Brasília, o Planalto ainda ofereceu carne aos embaixadores de países consumidores da carne brasileira, para reforçar a ideia segundo a qual não há problema de qualidade na carne exportada. De fato, o controle de qualidade dos produtos vendidos ao exterior passam por um controle de qualidade bastante rigoroso, para atender aos requisitos dos importadores. 

Mesmo assim, o estrago foi grande: China e Chile vão suspender a compra de carnes vindas do Brasil temporariamente, enquanto Europa, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul já estão tomando providências a respeito. 

Salienta-se que a Polícia Federal fez o trabalho que lhes cabia, embora o sigilo das investigações e a má prática de se fazer vazamentos seletivos induzissem a imprensa a divulgar informações erradas, não dando "os nomes aos bois", para fazer um trocadilho infame sobre o tema, como se papelão no frango e carne estragada fossem problema de todos os frigoríficos investigados.

O papelão usado foi por conta de alguns funcionários da BRF Foods, para embalagem de frango; além disso, seria facilmente descoberto se fosse usado para fraudar o conteúdo. 

Carne de cabeça de porco e uso de produto vencido mascarado com vitamina C (ácido ascórbico) ou ácido sórbico (a informação é confusa: usaram um ou outro) foram práticas cometidas dentro de uma só empresa, a Peccin Agroindustrial - não confundir com a Peccin Alimentos, fabricante de doces totalmente isenta de qualquer irregularidade apontada pela Polícia Federal - e é também atos de funcionários corruptos e irresponsáveis, sendo obrigação dos investigadores terem provas que incriminem a empresa por supostamente autorizar uma prática tão abjeta. Enquanto isso, a Peccin Agroindustrial exerce seu direito de defesa.

A presença de salmonela (do tipo Saint-Paul) em um lote de carne da BRF é um fato isolado, embora grave, pois veio de uma das unidades sob risco de interdição, em Mineiros (Goiás), ainda em funcionamento por motivos suspeitos. Necessita de investigação cuidadosa. Outros lotes não foram considerados pela PF. 

Propinas e favorecimento de políticos precisam ser melhor esclarecidos. Quanto foi investido nessas práticas, quais os nomes, quem está realmente envolvido? Quem tem obrigação de responder é a PF, após apurar o caso. 

Eventuais problemas na qualidade de carne em supermercados e açougues, procedentes das empresas investigadas, NÃO estão no inquérito da Operação Carne Fraca. Isso é fruto de má conservação ou refrigeração, ou tentativa de vender produto encalhado. 

O problema de tudo isso não está no agronegócio, uma das bases mais importantes da economia brasileiro, e sim na rapinagem e desrespeito com os consumidores, dentro e fora do Brasil, cometidos por quem trabalha neste ou qualquer outro ramo. Não interessa a nenhum país digno de ser considerado fechar empresas, e sim coibir as malfeitorias que prejudicam a imagem delas e da economia local.  

sexta-feira, 17 de março de 2017

Da série 'Mondo Brasile', parte 3, ou os três anos da Lava Jato

A Operação Lava Jato, que descobriu um dos maiores esquemas de corrupção e abuso de poder já registrados na história da humanidade, tinha a intenção de ser rápida e incisiva, daí o nome dado pela Polícia Federal. Incisiva, de certa forma, realmente foi. Porém, já dura três anos e está bem longe de terminar. 

Hoje, ela descobriu mais um aspecto literalmente podre do esquema, por meio de um de seus ramos, a Operação "Carne Fraca": frigoríficos associados às empresas BRF Foods (Sadia e Perdigão), JBS (Friboi e Seara), Piccin, Argus, Jaraguá, Frigomax, Unifrango, Dagranja e outras foram envolvidos em um esquema de corrupção beneficiando políticos do PP, PMDB e PT, cujos nomes não foram revelados, e tendo como líder Daniel Gonçalves Filho, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, aliado político do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Funcionários das empresas citadas foram acusados de subornar fiscais, adulterar produtos com ingredientes estranhos (frango em salsichas de peru é um dos elementos mais inofensivos, mas também cabeça de porco e papelão) e, pior, utilizar peças de carne em decomposição e ainda acrescentar ácido sórbico, substância cancerígena em altas doses, para rechear linguiças, como no caso da Italli, marca da Peccin. 

Além de participarem de atos contra o NOSSO DINHEIRO, ainda atentam contra a saúde pública!

Dezenas de executivos e funcionários da JBS e da BRF foram presos, assim como agentes fiscais que aceitaram suborno. As prisões e o escândalo fizeram as ações das empresas envolvidas despencarem quase 9%, e o agronegócio, até então pouco afetado pelas investigações, foi atingido de forma contundente, além da imagem do país. O ex-presidente Lula e seus aliados queriam vender o Brasil como potência e acabaram por torná-lo uma espécie de Bananistão. 

E, finalmente, encerrando um texto pesado, registro as piadas. Muita gente diz que vai se tornar vegetariano depois dessa bomba causada por seres de moral putrefata. Os presuntos todos ficaram com cara de "Luiz Augusto" (aquele do comercial da Sadia). Sobrou também para o Roberto Carlos (ex-vegetariano), o Tony Ramos e a Fátima Bernardes (garotos-propaganda da Friboi e da Seara, respectivamente).