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sábado, 26 de setembro de 2026

Lula contra as bets

O presidente Lula, visando agradar o público evangélico, cujo peso eleitoral é enorme num país até há pouco considerado a maior nação católica do mundo, resolveu atacar as bets, consideradas um verdadeiro sangradouro no orçamento das famílias. Movimentando R$ 410 bilhões só no primeiro semestre desse ano, as apostas on-line chegavam a provocar a ruína financeira de muita gente.

No entanto, foi o próprio governo Lula o grande incentivador deste negócio. Em impostos, as bets renderam R$ 15 bilhões desde janeiro de 2025, O mercado cresceu a ponto de mídias e clubes esportivos usarem essas empresas como o sustentáculo de suas rendas.

Lula quer proibir as bets e jogos de apostas, como o do tigrinho, mas esconde seu papel na expansão deles nos últimos anos (Divulgação, sobre foto de Fábio Rodrigues Pozzebom/Ag. Brasil)


Para os críticos, tomar a medida quase às vésperas da eleição é uma medida desesperada e oportunista, e pode prejudicar empresas e clubes esportivos, como o próprio Corinthians, time do presidente. Esta medida aparentemente moralizante soa como factoide, assim como acusar Flávio Bolsonaro de ser contra Nossa Senhora Aparecida, objeto de devotamento de milhões de brasileiros, fieis à fé católica. O pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, se esforçou para se posicionar frente aos evangélicos, contrários ao culto da Padroeira, mas ele, na verdade, é católico. 

Se o presidente Lula está certo de vencer esta eleição, não conduziria esta campanha dessa forma. Os efeitos disso serão notados no dia da eleição, daqui a oito dias. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Juros caem (por enquanto)

Por decisão do Banco Central, os juros básicos caem para 13,75%, queda de 0,25 ponto percentual em relação ao resultado da última reunião feita em agosto. 

No último mês, o IPCA registrou deflação de 0,32%, justificando, tecnicamente, a medida. A inflação do ano ainda preocupa, com acumulado de 3,11%, acima da meta para todo o ano. 

Até as eleições, o BC não fará mais reuniões. As condições econômicas não permitem nova redução, devido à inflação acumulada e ao aumento da dívida pública neste ano, que chegou a preocupantes 82,5% do PIB. As sanções impostas pelo governo americano contra os produtos brasileiros não tiveram impacto na trajetória dos juros, e também não vão influir no futuro próximo, pois irão se concentrar em pessoas, mais precisamente alguns ministros do STF, não só Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky. 

Seja quem for o presidente, caso não houver eficiência na diminuição da dívida pública e dos gastos públicos, exigindo uma reforma administrativa de verdade para tornar o Estado mais eficiente e menos devorador do NOSSO DINHEIRO, a trajetória dos juros será de nova alta em 2027. Isso será agravado pelos rumos da economia mundial, abalada pela crise nos dispositivos semicondutores e pelas guerras na Ásia Ocidental e da Rússia contra a Ucrânia. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Casas Bahia e a crise no varejo

As Casas Bahia pediram recuperação judicial com uma dívida fabulosa, estimada em R$ 17,3 bilhões. Com ela, afunda também o PontoFrio, adquirido pelo antigo Grupo Pão de Açúcar em 2009, antes de se converter no grupo Casas Bahia, e o Extra, 

Elas passaram a ser o maior exemplo da crise em todo o varejo, iniciada ainda antes da pandemia de COVID-19. O setor sucumbiu aos juros, aos riscos embutidos no crediário, à investida do marketplace representado pelo Mercado Livre e pela Amazon, e ao avanço dos sites chineses, como a Shopee, o AliExpress e a Shein. Mais tarde, principalmente no atual governo, todo o comércio foi afetado pela política de importação ainda mais onerosa, vulgo a "taxa das blusinhas". Eles também sentiram o escândalo das Lojas Americanas, em 2023. 

Esta pergunta não pode ser dada ao Baianinho, a mascote das Casas Bahia: 



Ele, se existisse, faria como muitos empregados e fãs de um estabelecimento querido por décadas. O grupo de investimentos Marca Capital, controlado pela Domus Participações, é o principal acionista da gigante varejista, cuja existência está ameaçada com uma dívida tão grande.

A Marabraz também pediu recuperação judicial, com R$ 140 milhões em dívidas. sendo outra vítima da crise. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

As tarifas pagas pelo Brasil, além do "tarifaço"

O tarifaço imposto pelo governo americano ao Brasil está preocupando o agronegócio local, e já afeta o comércio entre os dois países, o segundo maior considerando as transações comerciais do nosso país. 

Devido às implicações políticas e à importância representada por essas transações, outras tarifas impostas por outros países ficam em segundo plano. Existem taxas reduzidas ou nulas por acordos comerciais feitos entre o Mercosul e a União Europeia, muito celebrado por aqui mas criticado pelos agricultores e pecuaristas europeus, e entre o mesmo Mercosul e Israel. A Índia cobra uma taxa de 4,8% em média, em transações com tendência de alta, considerando o potencial de crescimento do gigante asiático. 

Todavia, algumas cobranças preocupam os produtores brasileiros, como as tarifas impostas pelo México (entre 20% e 35%, podendo chegar a 50% de acordo com medida tomada desde o início do ano. 

Maior parceira comercial, a China impõs um tarifaço de 55% sobre a carne bovina brasileira, o que também é uma dor de cabeça. Essas tarifas incidem sobre o excedente de 1,1 milhão de toneladas estabelecido como cota anual. O Brasil já ultrapasou essa cota, e agora qualquer nova emissão de carne para os chineses é sobretaxada. 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Tarifaço vai mesmo sair

Uma medida certamente mais perigosa e impiedosa do que a seleção argentina na Copa do Mundo, que vai para as finais da Copa para desgosto de ingleses (e brasileiros...) é o "tarifaço" confirmado pelo governo Trump contra produtos brasileiros. 

Carne, café e alguns minérios vão ficar de fora dos 25% a mais de taxas, mas a maior parte dos produtos agropecuários não escapará. 

Não adiantou nada a visita de Flávio Bolsonaro para dissuadir Trump. Mas a tarefa de fazer isso cabia ao governo, não ao principal líder da oposição. Pelo menos, isso reforçou a posição dos bolsonaristas e de boa parte de quem não endossa a administração petista. 

Serão inúteis as tentativas de "reciprocidade" a serem adotadas pelo governo. E um dos principais responsáveis nem se manifesta: o STF, que há muito deixou de exerceu seu papel e quis intervir até em empresas e cidadãos de outros países, particularmente os americanos, donos da maior parte das redes sociais, vistas como uma ameaça. 

É isso que deveria frustrar o brasileiro, não qualquer resultado no futebol, com os argentinos a um passo de serem tetracampeões enquanto o sonho do hexa fica para daqui a 4 anos - ou talvez nunca. 

This is gonna hurt you more than it hurts me, Brazil! (Jonathan Ernst / Reuters)


segunda-feira, 6 de julho de 2026

Voltemos à realidade

A Seleção Brasileira conheceu o debacle na Copa do Mundo. Saiu até antes do esperado, graças ao mau futebol, muito inferior ao esperado, diante de um Haaland decisivo, fazendo dois gols. Neymar só foi entrar no fim do jogo, tomou um cartão amarelo idiota por provocar o goleiro Nyland antes de converter um pênalti. A vergonha mundial consolidou-se com o apito final. O volante Casemiro, visto como o capitão de facto do grupo, irreconhecível na partida, chorou ao dar entrevista e fez a repórter Fernanda Gentil chorar também. Ele e vários outros jogadores, Neymar inclusive, encerram seu ciclo na Seleção, como a "nova geração perdida". Foi a pior participação do Brasil no torneio desde 1990, quando, na Itália, eles foram eliminados de forma humilhante por Caniggia, Maradona e os outros hermanos. Desde 2002 os torcedores esperavam por um título. E podem ainda ver o risco de "italianização", ou seja, o time começar a ter dificuldades crescentes para se classificar para novos torneios mundiais, até não conseguir mais, ou alguém que não entenda de futebol mas de guerra - de verdade - decidir os rumos do mundo. O técnico, aliás, já é italiano: Carlo Ancelotti. Ele ainda vai permanecer para cumprir contrato até 2030, isso se resolver rescindí-lo para não arriscar seu até então elogiável currículo como ex-comandante de times como Milan, PSG, Bayern de Munique e, principalmente, Real Madrid. 

Vini Jr. assumiu o papel de protagonista da Seleção, mas isso não foi o suficiente para impedir a eliminação precoce da Copa para os noruegueses (Matthew Childs/Reuters)


Mas agora parte do Brasil volta à realidade, porque muitos dos nossos compatriotas não saíram dela, ou nunca a conheceram. 

Flávio Bolsonaro foi até os Estados Unidos em meio às rusgas com Michelle Bolsonaro, pioradas por conta de opinião infeliz do aliado de Flávio, Paulo Figueiredo, a respeito do voto das mulheres, e também pela insistência de querer o apoio de Ciro Gomes no Ceará, por meio de Alcides Fernandes, pré-candidato ao Senado pelo Estado. O filho do Jair quer conversar para reverter o risco de "tarifaço" contra produtos brasileiros. Ele aproveita para defender duas pautas, uma boa e outra ruim. A boa é o PIX, criado no governo do pai dele, que se revelou um meio confiável e eficiente para transações bancárias, mas contestado pelas empresas administradoras de cartões de crédito, todas americanas. A ruim é propor um acordo de equiparação do álcool brasileiro de cana com o americano, feito a partir do milho, algo potencialmente lesivo aos nossos produtores. 

Isso dá uma certa munição para as bravatas do presidente Lula, que chama o "01" de "entreguista", mas nada faz de concreto para defender a soberania do Brasil como ele diz. 

Enquanto isso, pouco se falou das festividades dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, pela grande mídia brasileira, que preferiu destacar a "politização" do evento por Donald Trump, algo que todo político faz em qualquer lugar do mundo. A cobertura das cerimônias fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques dos EUA e Israel em Teerã no dia 28 de fevereiro foi mais presente nos portais de notícias, assim como o anúncio do Hamas ter deixado, surpreendentemente, o governo de Gaza, para entregar ao Conselho da Paz criado pelo presidente americano, mas não fala em depor as armas, como quer o governo israelense. 

Ainda há assuntos também extensamente abordados e comentados, como o escândalo do banco Master, o envolvimento do filho de Lula no escândalo do INSS, a guerra sem fim na Ucrânia. 


N. do A.: A Copa continua, com a eliminação de Portugal pela Espanha e a possível despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Portuguesa, diante de mais um fracasso em lutar pelo título. E repercutiu muito mal a suspensão do cartão vermelho tomado pelo atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. A FIFA não convenceu na sua justificativa, após receber um telefonema do próprio presidente do país anfitrião, Donald Trump, criticando a expulsão e o juiz brasileiro que aplicou corretamente a pena, durante jogo com a Bósnia pelas 16ªs de finais. Isso gerou protestos irritados de jornalistas, esportistas e até do ex-dirigente Joseph Blatter. E Maurício Pochettino, técnico da equipe americana, agiu mal ao escalar Balogun para o jogo com a Bélgica. Essa polêmica teve como resultado a derrota dos americanos para os belgas em Seattle, eliminando o último dos representantes anfitriões desta Copa. Os canadenses perderam de Marrocos facilmente (3 a 0), em Houston, mas os mexicanos lutaram até o fim contra os ingleses. no Azteca (Ciudad de México), perdendo de 3 a 2. 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Campanha polêmica do 99

A 99, que não integra a lista de patrocinadoras da CBF ou da Fifa, fez uma campanha curiosa, embarcando no clima de Copa.

Se um cliente conseguir um motorista de nome Endrick, ou parecido, ganha R$ 99 em cupons para serem gastos em corridas ou no serviço 99Food. 

O iFood, este sim uma empresa patrocinadora, não gostou.  E nem a CBF, por ver nisso um "marketing de sabotagem", induzindo a convocação de Endrick, jogador que esquentou o banco no jogo contra Marrocos. Acusam a CBF de impedir Carlo Ancelotti de convoca-lo por não ter patrocínio das empresas filiadas à entidade. O ex-palmeirense tem um temperamento difícil, e nem sempre segue as ordens do técnico italiano. Para muitos, principalmente os torcedores do Palmeiras, quem é vítima de sabotagem é o jovem atacante.

Coincidentemente, ele entrou no jogo contra o Haiti, e fez um gol impedido. A equipe fez 3 a 0, uma vitória relativamente magra, em função da precariedade do time adversário, representante de um país destruído. Mesmo assim, uma vitória importante. E Endrick mostrou seu valor, por ter jogado à altura de um integrante da Seleção. 

Endrick entrou no segundo tempo e poderia ter transformado o placar numa goleada (Rodolfo Buhrer/AGIF)



segunda-feira, 1 de junho de 2026

Correção de rota

 A Riachuelo, uma das maiores lojas de departamentos, estava praticamente colocada como mais uma loja de roupas, muito longe daquela que aparecia com frequência nos comerciais da TV. 

Isso foi por causa da infeliz mudança no logotipo em 2013, quando o nome da marca perdeu todas as vogais, com exceção do "o" final. Até teve uma forte repercussão, mas os  clientes mais antigos detestaram,

A rede teve acertos depois de 2013 com parcerias internacionais, como a Versace e o estilista Karl Lagerfeld, mas não conseguiu convencer quem não gostou da mudança de 2013, mesmo porque não deixou de ser uma loja de departamentos voltada para a classe média brasileira, uma varejista, como muitos concorrentes como a Renner, a C&A e a Marisa.

No mês passado, a Riachuelo corrigiu o erro, fazendo um rebranding que restaurou o nome original, e fazendo mudanças para facilitar a expansão dos negócios. Serão inauguradas lojas menores, com mais tecnologia, uso da IA e autoatendimento. A loja de Pinheiros será um teste para a nova metodologia. 


Fundada em 1947, em Natal, capital do Rio Grande do Norte, por Nevaldo Rocha, chegou a ter mais de 500 lojas, uma delas enorme, no bairro do Jardim São Bento, que havia sido a nova matriz após a compra pelo Grupo Guararapes, em 1979. Atualmente o local abriga o Sesc Casa Verde.


 


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Coisas para aguardar o resultado (e desfrutar, ou se arrepender)

Algumas decisões foram tomadas nestes últimos dias e para a população só resta aguardar quando elas passem a valer ou quando o resultado desejado (ou não) vier. 

1. A devolução de R$ 5,5 bilhões da Aneel para as contas de luz do Norte, Nordeste, Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo. 

2. O fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para os juízes, decidido pela Primeira Turma do STF. 

3. O impacto das medidas do governo visando as eleições deste ano, como a isenção ou redução de tributos (PIS e Cofins) para os combustíveis...

4. ... ou o fim da jornada 6x1, aprovada pela Comissão da Câmara. 

5. A convocação de Neymar para a Seleção (essa, de longe, vai ter o menor impacto na vida do povo). 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Estrela cadente

Depois de tantos golpes, começando com o Plano Collor e a liberação das importações de brinquedos vindos principalmente da China, até o "golpe" dado pelo mercado de eletrônicos, a Estrela parou de resistir. A antiga gigante querida do público infantil no final do século XX pediu recuperação judicial. 

Sim, a velha empresa responsável por tantos lançamentos e cujas recordações fazem tantos marmanjos barbados e respeitáveis senhoras derramarem lágrimas. Foi a Estrela a responsável pela Barbie e pelo Ferrorama no Brasil. Sem falar em outras grandes diversões como o Banco Imobiliário (Monopoly), a Susi e o Falcon. Agora, está perigosamente próxima do seu fim. 

Você chorou com o comercial feito para o Dia das Crianças em 1987? Pois está havendo muito mais motivo para chorar agora, com a existência da Estrela ameaçada (Divulgação)

Será que veremos finalmente isso acontecer? Pois as tradicionais fábricas de São Paulo já se foram, aquelas do bairro do Catumbi (Zona Leste) e junto à Via Dutra, no Parque Novo Mundo (Zona Norte), agora parte de um passado destruído. Outras instaladas, como a fábrica em Itapira (interior paulista), Três Pontas (MG) e Ribeirópolis (SE), não estão livres do mesmo destino. 

2026 ainda reservará muito motivo para choro e ranger de dentes, e os mais neuróticos acabarão se comportando como aquele personagem cartunesco que aparece por aqui de vez em quando, o Pablo. Fiquem preparados.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Fim da taxa das blusinhas

O presidente Lula assinou uma MP revogando a "taxa das blusinhas". A malfadada taxa de 20% sobre o preço dos produtos já majorado com o ICMS (imposto estadual que permanece) vai acabar. 

Calma: possivelmente ela retornará, caso houver suficiente pressão do varejo brasileiro em 2027, independente do governo eleito. Lula quer agradar a quem faz compras miúdas nos sites chineses. Com a taxação extra, houve queda nas vendas, apesar da arrecadação extra de R$ 9 bilhões entre agosto de 2024 e abril deste ano. 

O governo culpa o Congresso e os lojistas já estabelecidos. Eles citaram novamente o "velho da Havan", apoiador de Jair Bolsonaro, por pressionar o Legislativo a regulamentar a cobrança. Não falaram sobre a sua parte do negócio. Fernando Haddad, então ministro da Fazenda, defendeu a taxação, e Lula sancionou. 

Agora, quem precisava adquirir produtos de pequeno valor na China, principalmente aqueles difíceis de serem encontrados aqui, vai voltar a pagar menos, continuando a sofrer em caso de defeito de fabricação, pois quase tudo é na base do "wô jiùshi baozheng" (ou, como se diz em Ciudad del Este, para onde iam os brasileiros em busca de produtos baratos vindos do exterior, La garantia soy yo). Não podem simplesmente devolver aos fabricantes  chineses para trocarem suas mercadorias defeituosas, e muitas vezes não conseguem ressarcimento por parte das plataformas que intermedeiam as compras e as vendas. Mas quem compra por aqui, pagando muito mais, também sofre quando precisa acionar a garantia, em tese existente, ou tenta acionar o Código de Defesa do Consumidor, e também acaba no  desamparo. 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Encontro misterioso

Muitos comemoram a primeira reunião de Lula com Trump na Casa Branca, desde a posse do americano. Outros imaginavam como seria o evento. E agora continum imaginando: o encontro não teve a presença da imprensa no Salão Oval. 

Lula e Trump finalmente conversaram (Ricardo Stuckert)

Eles certamente falaram de assuntos espinhosos, como a exploração dos minérios de terras-raras pela empresa USA Rare Earth, a partir da compra da única empresa brasileira especializada, a Serra Verde. Também falaram sobre o risco de novas sobretaxas de produtos brasileiros como o aço e os produtos agrícolas. Outros assuntos talvez foram explorados, como as fortes relações comerciais entre o Brasil e a China e a situação econômica global com a crise provocada pela guerra EUA-Israel versus Irã. Mas a relação de Lula com o ex-presidente Nicolas Maduro e os ministros do STF responsáveis pela prisão de Jair Bolsonaro e pelas ações contra empresas americanas é algo para ser explorado melhor quando alguém mais fornecer informações adicionais sobre o encontro. Até onde se sabe, não houve conversa sobre a questão das organizações criminosas brasileiras serem enquadradas como terroristas, Estavam lá o vice-presidente J. D. Vance e o secretário do Comércio Howard Lutnick, entre outros. 

Lula esteve acompanhado de cinco de seus ministros, como Mauro Vieira (Relações Internacionais) e Dario Durigan (Fazenda), e entrou pelo portão sul da Casa Branca, após atraso de 15 minutos. A pedido do visitante, e não do anfitrião, a imprensa não pôde acompanhar, e esperou cerca de três horas, até Lula aparecer. As respostas do presidente aos repórteres, de acordo com a mídia, foram algo vagas, enquanto Trump limitou-se a fazer alguns elogios a Lula, chamando-o de "dinâmico", e dizer, nas redes sociais, que o encontro foi "produtivo". 

A repercussão internacional não foi entusiasmada. Há muito mais a tratar, como a visita de Marco Rubio ao Vaticano para tentar normalizar as relações entre a Santa Sé e Washington, após as críticas feitas de Trump ao papa Leão XIV. E também há sinais de reinício das hostilidades no Oriente Médio, com lançamentos de mísseis e drones iranianos em Ormuz contra navios americanos. Esse pequeno ataque não abalou o presidente americano, que negou alguma violação do cessar-fogo. 

Para os brasileiros, o encontro não teve o resultado esperado e ficou com aura de mistério. Aguardemos os próximos dias. 


N. do A.: Possivelmente a situação da JBS não vai melhorar após um de seus donos, Joesley Batista, praticamente arranjar o encontro alguns dias antes, para ver se Lula vai abordar a questão das ameaças do governo americano às empresas de carne brasileiras, acusadas de formar um cartel nos Estados Unidos, assim como estão fazendo no Brasil. Washington oferece US$ 1 milhão por informações sobre a JBS, a Marfrig, e as americanas Cargill e Tyson Foods, supostamente membros do cartel, e todas elas podem sofrer pesadas sanções. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Corremos o risco de uma nova crise inflacionária?

Estamos notando condições favoráveis para uma deterioração massiva no padrão de vida do brasileiro, neste país que hoje completa 526 anos, e não pode esperar outros 526 para superar seus problemas crônicos. Um deles é a qualidade de vida sempre medíocre para baixo, tomando como base o perfil médio do nosso povo. 

Ontem, as agências de classificação de risco, principalmente a Moody's, alertaram para a tendência crescente ao endividamento das famílias, dependentes de linhas de crédito, com o atual patamar de juros. Por outro lado, a crise energética provocada pelo conflito no Irã e, principalmente, a política econômica movida a gastos estatais excessivos e atrapalhada pelas deficiências estruturais do país e pela pouca atratividade para os investimentos, podem levar a uma crise inflacionária. Há projeções para uma inflação de 7,66% em 2026. 

Ainda há a terrível possibilidade de ver a inflação se descontrolar com o agravamento da crise energética, ou seja, o petróleo e o gás natural com os preços explodindo. Pior ainda se a política reinante, com um Executivo venal, um Judiciário bancando o Moderador e comparsa do Executivo, e um Legislativo fraco e incompetente, degenerar numa kakistocracia, com a permanência do PT, ou com uma ruptura institucional sem controle. 

O perigo de ver essa máquina atuando nos estabelecimentos comerciais não morreu definitivamente, ainda mais se houver o agravamento da atual crise do petróleo (Estadão)

Não podemos aceitar a volta daqueles aumentos amalucados de preços durante as décadas de 1980 e 1990, onde os preços de manhã não são os mesmos dos de tarde. Quem nasceu antes de 1985 sentiu isso na pele. E, caso isso acontecer, a situação será pior do que nos anos 1980/1990, pois naquela época havia esperança de um país democrático com respeito às liberdades individuais e um sistema jurídico, embora péssimo, mais distinguível da política. 


N. do A.: Romeu Zema, até há pouco governador de Minas Gerais, voltou a atacar o Judiciário e a empregar o termo "intocáveis", associando-os ao escândalo do Banco Master; ele evocou a memória dos inconfidentes, como bom mineiro, durante seu discurso de ontem. Ameaçado de ser colocado no "inquérito das fake news" por colocar um vídeo com fantoches e a voz idêntica, mas sabidamente falsa, do ministro Gilmar Mendes, Zema não se intimidou com a reação dos togados, e culpou o atual sistema político pelo poder excessivo atribuído ao Judiciário. Ele lançou, assim, sua pré-candidatura, pelo partido Novo, à Presidência da República, e isso influenciará na corrida eleitoral de forma bastante intensa, mas não significa uma "terceira via". Zema é visto como quase tão "direitista" quanto Flávio Bolsonaro. 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

Notícias inesperadas (mas obviamente aconteceriam)

1. Oscar Schmidt, o maior jogador do basquete brasileiro, faleceu aos 68 anos, derrubado pelos seus problemas de saúde que o atormentaram há anos. A notícia pegou muita gente de surpresa, por ser um ex-atleta relativamente jovem, e por ser tão querido, um dos maiores ídolos do esporte, consagrado no mundo inteiro. Mas para seus familiares e amigos, o sofrimento do "Mão Santa" acabou. 

Oscar Schmidt (1958-2026) consagrou-se em partidas como o Pan de Indianápolis, fazendo os brasileiros vencerem os americanos em 1987 (David Madison/Getty Images)

2. Senadores resolveram falar grosso com o STF, cansados de tantos desmandos em nome da preservação da democracia. O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, pediu inquérito contra os ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, acusados de estarem envolvidos com o Banco Master. Houve protestos e ameaças por parte dos ilustres togados, mas um dia a atuação do Judiciário como Moderador precisava ouvir um basta. 

3. O regime iraniano, ou as sobras dele, anunciaram a liberação do estreito de Ormuz, e testemunhas confirmaram que a situação por lá está melhor, com navios atravessando sem serem atacados. Muitos achavam que o bloqueio iria perdurar por muito mais tempo, mas a Guarda Revolucionária, o poder efetivo dentro do país, está arruinada por causa dos ataques à infraestrutura, energia e instalações militares, e mesmo com suas bravatas e exigências, sabe que não pode enfrentar ao mesmo tempo as forças dos Estados Unidos e de Israel. 

4. Outro assunto totalmente a ver com a guerra no Irã é o desaparecimento inesperado, e as mortes misteriosas de físicos de grande renome nos Estados Unidos, ligados a segredos tecnológicos envolvendo energia e armas nucleares. O presidente americano Donald Trump disse que mandará investigar. E há os suspeitos de sempre: terroristas, corporações inimigas da paz e os governos considerados inimigos (China e Rússia). Sumiço e morte de cientistas é algo preocupante e geralmente ocorre em momentos de conflito, velado ou declarado. Uma das vítimas, Nuno Loureiro, de origem portuguesa, gerou ampla repercussão. 

5. Por aqui, o preço dos derivados do leite está assustando os consumidores, embora o produto in natura ainda esteja relativamente acessível. A indústria em geral está sofrendo com o aumento dos impostos e do maquinário necessário para a fabricação, além da energia, por conta da crise envolvendo o Irã e dos problemas crônicos para gerar e distribuir eletricidade e petróleo. 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Parece piada

O BC finalmente reduziu a taxa básica de juros, em 0,25 ponto percentual.

Na prática, não fará grande diferença e, ainda por cima, vem num período de grande incerteza econômica, por causa da guerra contra o Irã. 

Corre-se o risco de ver um aumento muito mais expressivo na próxima reunião do Banco Central. Parece uma piada, mas é sério. Aliás, é triste, muito triste.

terça-feira, 17 de março de 2026

Breves de uma semana explosiva

1. Os caminhoneiros ameaçam paralisar o país se o governo não deter o aumento no preço do diesel, algo considerado inevitável se o preço do petróleo continuar a subir. Agora, o barril custa US$ 103. Isso faz voltar o fantasma da grande paralisação em 2018, causadora de muitos transtornos. 

Veremos isso novamente? (Reuters)

2. A causa imediata é a guerra no Oriente Médio, ainda muito longe de parar. O que resta do governo iraniano ainda mantém fechado o estreito de Ormuz, enquanto o considerado "braço direito" de Ali Khamenei, Ali Larijani, chefe da segurança do governo xiita, foi abatido num ataque de forças israelenses. 

3. A Yoki vai mudar de mãos novamente. Antes uma empresa nacional consolidada, passou para a General Mills após o terrível caso Marcos Matsunaga, e agora a empresa americana vende a marca e também a Kitano, outra ex-empresa de alimentos independente, para a 3Corações, marca cujo controle é parcialmente brasileiro, dividido com a Strauss B.V., empresa israelense, para desgosto dos antissemitas e de quem vê a guerra contra o Irã um ato de agressão. 

4. Para não variar, o Real Madrid está fazendo outra campanha sólida na Champions League, despachando o Manchester City com duas vitórias nas oitavas-de-final. A última foi no Etihad Stadium por 2 a 1, com direito a provocação da torcida local contra Vini Jr. relembrando a Bola de Ouro de Rodri, jogador dos citizens. Sempre disposto a não aceitar desaforo, o brasileiro fez o primeiro gol e comemorou com gesto de silêncio. 

5. Vini Jr. certamente jogará, mas muitos comentaristas ainda acreditam na convocação de Neymar, mesmo com uma fase bem longe do convincente. Ancelotti não se deixou dobrar pela pressão, e outros comentaristas, mais ponderados, aplaudem a postura do técnico da Seleção Brasileira. 

6. Para boa parte dos brasileiros, o futebol já não interessa. Quer saber qual será a próxima decisão de Alexandre de Moraes, e como estão as investigações sobre o Banco Master, no qual o ministro é acusado de estar envolvido até a careca. Flávio Bolsonaro diz ter conversado com ele para pedir a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, cujo estado de saúde é preocupante. Enquanto isso, o ex-presidente Michel Temer defende a atuação de Moraes no STF, assim como sua decisão de tê-lo indicado durante seu mandato, em 2017.

7. E o Lulinha? Vai depor mesmo no inquérito que apura os desvios bilionários no INSS?

sexta-feira, 6 de março de 2026

Projeto para certos alimentos

 Para tentar diminuir a confusa legislação sobre alguns alimentos, a Câmara fez aprovar uma lei formulada pela ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina (PP-MS), proibindo a divulgação dos termos "carne" e "leite" para produtos 100% vegetais. 

Na prática, os "leites de soja" ou "carnes vegetais" como a estranha variedade feita a partir de jaca, com textura próxima à de uma fibra muscular mas nem de longe o mesmo gosto, passam a ter restrições, sendo obrigados a mostrar nos rótulos a origem do produto, e não mostrar animais como vacas e galinhas caso nenhuma delas tiver sido sacrificada. 

Fabricantes devem parar de iludir o consumidor quanto às carnes ou leites sem nada animal, mas... (Divulgação)

O projeto nada fala dos produtos como hambúrgueres e almôndegas onde boa parte é proteína de soja, usada para barateá-los. Eles induzem o consumidor desavisado a pensar que são feitos apenas de carnes. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Governo recua da taxação de eletrônicos

Devido à intensa pressão do setor produtivo e parte dos consumidores finais, o governo recuou na decisão de taxar em 20% produtos de informática e eletrônicos. Isso afetaria produtos como aparelhos de ressonância magnética, sensores, máquinas têxteis e peças para computadores. 

Ironicamente, essa medida, adotada em pleno ano eleitoral, tinha como desculpa a proteção da indústria nacional, mas boa parte dos itens atingidos não é produzida aqui. Mesmo setores do próprio governo resistiram em implementar a decisão, devido aos óbvios efeitos negativos na campanha eleitoral. 

É de se questionar sobre o porquê dessa fúria arrecadatória, mesmo com o risco de haver prejuízos na imagem já desgastada do governo, acusado de gastar demais e fomentar a gula dos outros Poderes com o NOSSO DINHEIRO. 


N. do A.: Também preocupa a preocupação do Judiciário em querer se proteger da lei, e não proteger a lei, por meio de medidas monocráticas de um membro do STF para blindar um colega. Este caso é explorado intensivamente na imprensa, mesmo aqueles veiculos que defendiam as ações do Judiciário alegando proteger a democracia. Tais medidas acabam reforçando a imagem do Brasil como uma kakistocracia. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Haddad vai sair do governo

Um dos ministros mais atacados do governo Lula vai sair do governo. E ele mostra que, sim, o Brasil tem mais motivos para temer o futuro sem ele. 

Fernando Haddad vai deixar o Ministério da Fazenda (Daniel Ferreira/Valor Econômco)


Isso porque ele pelo menos tem alguma decência ao defender o Banco Central das investidas de quem quer dificultar as investigações sobre os falidos Banco Master e o fundo de investimentos Reag, e ele vez ou outra defende moderação na gastança do NOSSO DINHEIRO, arrecadado de forma selvagem graças a ele. 

Quando ele sair do governo para ajudar na campanha de reeleição de Lula, o presidente pode nomear alguém menos compromissado com a ética e a responsabilidade fiscal, em nome dos votos fáceis. 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Embraer fecha grandes negócios

Enquanto o Brasil ainda tem muito a melhorar em várias questões espinhosas, como a infraestrutura, a segurança (ou falta dela), a miséria e a combinação desarmônica entre a política e a Justiça, demonstrada mais uma vez nas diatribes entre Luiz Fux e Gilmar Mendes sobre o destino dos presos políticos acusados de envolvimento no 8/1, a Embraer continua mostrando a sua competência, não só na fabricação de aviões, mas em comercializá-los.

Foram US$ 31,3 bilhões em pedidos apenas no terceiro trimestre deste ano, um crescimento de 38% em relação ao mesmo período de 2024. Este montante não inclui um contrato recente com a empresa holandesa TrueNoord, que fornece aeronaves para voos regionais. 

Foram vendidos quatro A-29 Super Tucano para o Panamá, e cargueiros KC-390 para a Força Aérea de Portugal e para a SNC (Sierra Nevada Corpóration) dos Estados Unidos. 

Recentemente, a Embraer fechou parceria com o grupo Mahindra da Índia para a fabricação do cargueiro C-390 Millenium, e um acordo foi feito com o governo da Coréia do Sul para reforçar o sistema de defesa do país asiático. 

Um dos aviões C-390 Millenium, destaque na produção da Embraer (Divulgação/Embraer)