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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Breves da sexta

1. Donald Trump concedeu perdão a George Santos, ex-deputado descendente de brasileiros e aliado do presidente, preso desde julho por fraude, desvio de dinheiro e outros crimes. Ele vai continuar sem mandato no Capitólio, mesmo porque isso já seria demais para os americanos. 

2. Repercutiu mal a fala de Lula defendendo a autodeterminação dos povos, numa explícita defesa ao aliado Nicolás Maduro. Maria Corina, a Nobel da Paz, disse que o presidente brasileiro tem o poder de convencer Maduro o colega a ceder. Já a CIA está autorizada a atuar na Venezuela, com o pretexto de atacar o narcotráfico. 

3. O Hamas, sentindo a pressão americana para entregar todos os corpos dos reféns para Israel, está querendo ganhar tempo, responsabilizando as forças do inimigo hebreu pela destruição do território, dificultando o resgate dos corpos nos escombros, enquanto uma força tarefa internacional se encarrega de ajudar nas buscas das vítimas. 

4. Também vem repercutindo mal a propaganda da Burger King com o Popó e o Wanderlei Silva juntos, em aparente reconciliação após a bandalheira ocorrida no Spaten Fight Night. Parece uma grande tentativa de faturar financeiramente com o quebra-pau generalizado. 

5. E o Brasil não parou com o final do remake de Vale Tudo, apesar de repetir o clima de impunidade entre os vilões da trama (Maria de Fátima, César, et caterva), com a diferença do Marco Aurélio usar tornozeleiera eletrônica após tentar fugir da Justiça e dar aquela "banana", mas desta vez sem tanto sucesso. Pior: a grande megera da novela foi vista viva, fora do país. Ninguém matou Odete Roitman desta vez. E a vida segue. 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Situação dos ex-reféns do Hamas não revolta as associações de direitos humanos

Mas deveria!

Relatos sobre as últimas vítimas a serem libertadas pelo grupo terrorista Hamas são preocupantes e estão gerando comoção e tristeza nas famílias. Os ex-reféns estão todos hospitalizados devido à desnutrição e às condições subumanas a que foram submetidos. 

As associações de direitos humanos não comentam isso, preferindo se concentrar nos palestinos de Gaza, com a vida arruinada pela tirania do Hamas e pelos bombardeios israelenses. Isso tem a ver com o viés ideológico da maioria dessas ONGs, embora não seja conveniente comparar tragédias individuais com coletivas. 

Centenas de civis inocentes foram sequestradas pelo grupo radical islâmico, inclusive idosos, sendo boa parte deles vítima fatal, pelos maus tratos, pelos assassinatos ou pela exposição aos ataques das forças de Israel, que não tinham informação sobre o paradeiro dos cativos. Praticamente passaram fome por até dois anos, muitas vezes acorrentados, ameaçados de morte, e usados como joguete político pelos fundamentalistas. Sem falar nas circunstâncias de seus raptos, após vários atos de violência e selvageria naquele dia 7 de outubro de 2023. 

Omar Miran, um dos ex-reféns libertados, passou mais de dois anos em condições degradantes nas mãos dos terroristas (Reuters)


Não se trata de comprar a versão do governo israelense desse conflito horrível, mas de interpretar os fatos como eles estão a ser divulgados. E eles não são nada favoráveis ao Hamas, que vão perder o direito de governar Gaza. Isso não será lamentado nem pelos antigos aliados do grupo, como o Qatar e a Turquia, que irão ajudar na administração de um dos locais mais arrasados do mundo. O povo palestino tem direito a um país democrático, não a uma ditadura exercida por gente disposta a cometer os crimes mais abomináveis em nome da causa, ameaçando a existência de Israel e dos israelitas. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Dia inesquecível

Este dia 9 de outubro foi marcado por acontecimentos notáveis, seja pela importância histórica, ou pelo inusitado. 

Certamente, no primeiro caso está a oficialização do fim dos conflitos em Gaza, com a aprovação pelo Parlamento israelense do plano elaborado pelo governo Trump. Muitos julgam isso bom demais para ser verdade, dada a rapidez com que as partes em conflito aceitaram algo com muitos pontos desfavoráveis a ambos. O Hamas vai praticamente ser expulso do governo em Gaza, e Israel não poderá ocupar o território, como queriam os membros mais radicais do governo de Netanyahu. Para os Estados Unidos, o resultado foi amplamente positivo, e será uma surpresa, pelo menos aos simpatizantes do atual governante da América, se o "homem laranja" não ganhar o prêmio Nobel da Paz, a ser anunciado amanhã. 

Por falar em Nobel, uma premiação inusitada foi a do húngaro Laszlo Krazsnahorkai, de 71 anos. Escritor de um idioma difícil de ser compreendido mesmo para alguém da Hungria, e radicalmente diferente do falado entre os vizinhos deste país da Europa Central, o novo premiado era conhecido pela sua técnica, chegando a escrever frases únicas preenchendo dezenas de páginas. E os temas são tão duros e ásperos quanto a língua: medo, violência, cenas grotescas e opressivas, enfim um verdadeiro apocalipse, bem de acordo com nossos tempos angustiantes. 

Estranho ou emblemático, também, é a renúncia de Luís Roberto Barroso à sua cadeira no Supremo Tribunal Federal. Ele acabou de sair da presidência da Corte, e agora se aposenta, mesmo com 67 anos, 8 a menos do máximo permitido por lei. Surpreendeu a todos, apesar dos sinais dados nos últimos dias, e agora dará uma chance ao presidente Lula escolher alguém de sua confiança antes de terminar o terceiro mandato (e com esperança, para os apoiadores, de ser eleito para mais um, apesar da saúde de Lula, à beira dos 80 anos, não ser das mais auspiciosas, e não contar mais com o apoio do Congresso para questões como a reforma tributária). 

Para os opositores do governo e do STF, Barroso teria renunciado por medo de receber as mesmas sanções da lei Magnitsky, sofridas pelo colega Alexandre de Moraes. Ele negou ter medo desta ou qualquer outra razão, no seu discurso de despedida. 

Luís Roberto Barroso saiu do STF, dividindo a atenção da mídia com o processo de paz em Gaza e as premiações do Nobel (Valter Campanato/Ag. Brasil)

O agora ex-ministro do STF poderá descansar, e suas próximas atividades são uma incógnita. Certamente, ele não tentará aprender húngaro para ler algum livro de Krazsnahorkai. 

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Guerra em Gaza completa 2 anos. E os reféns...

 Já fazem dois anos do ataque do Hamas causador de uma das maiores carnificinas nos últimos tempos. No dia 7 de outubro de 2023, uma série de ataques causou a morte de mais de 1.000 israelenses, entre soldados e, principalmente, civis residentes nos kibutzim, as fazendas coletivas típicas de Israel, e nas cidades principalmente no sul do país. 

Como resposta, as forças israelenses destruíram - e estão destruindo - toda a faixa de Gaza. Um lugar miserável, tiranizado pelo grupo terrorista que governa o local, e agora esmagado pela fúria de Israel. Há um processo de paz incipiente comandado pessoalmente pelo presidente americano Donald Trump, visto agora como favorito a ganhar o prêmio Nobel da paz por seus esforços pela pacificação. Mas o Hamas ainda quer ganhar tempo antes de deixar o poder, como exige os Estados Unidos, Israel e outros países, mesmo os islâmicos moderados, por ser considerado o grande culpado por esta barbárie. 

Outra questão pendente, arrastando-se de forma hedionda, é a situação dos reféns em poder dos terroristas. Boa parte deles está morta, devido aos maus tratos infligidos pelos criminosos, e também aos bombardeios em Gaza. Outros ainda estão vivos, mas não há informações sobre eles. As famílias dos reféns exigem a libertação imediata, e acusam o governo israelense de incompetência e desídia. Binyamin Netanyahu é mal visto por elas, por enfrentar um processo de corrupção política e abuso de poder, além de querer faturar politicamente com o conflito. 

Existem os corpos mortos durante os ataques de 2023, e em posse do Hamas: 

- Cap. Daniel Perez; 

- Cap. Omer Maxim Neutra; 

- Cel. Asaf Hamami; 

- Dror Or; 

- Eitan Levy; 

- Eliyahu Margalit; 

- Sgt. Itay Hen; 

- Joshua Loitu Mollel; 

- Lior Rudaeff; 

- Meni Godard; 

- Sgt. Muhammad el-Atrash; 

- Sgt. Oz Daniel; 

- Ran Gvili; 

- Sontaya Oakkarharasri; 

- Sudthisak Rinthalak; 

- Tal Haimi; 

- Tamir Adar. 


Outros foram mortos no cativeiro: 

- Amiram Cooper, possível vítima de maus tratos, em 2024; 

- Arye Zalmanovich, assassinado em 2024, era um dos reféns mais idosos, com 86 anos;

- Guy Iluz, morto em 2025, possivelmente durante um ataque em Gaza; 

- Inbar Haiman, morta no final de 2023; 

- Ronen Engel, presumivelmente assassinado no final de 2023; 

- Sahar Baruch, morto durante tentativa de resgate no final de 2023; 

- Uriel Baruch, assassinado em 2024, irmão do precedente; 

- Yossi Sharabi, morto em 2024. 


Entre os reféns ainda vivos, mas sofrendo com a barbárie do cativeiro, estão: 

- Alon Ohel; 

- Ariel e David Cunio, irmãos (o último é um ator conhecido em Israel); 

- Avinatan Or; 

- Bar Kupershtein; 

- Bipin Joshi; 

- Eitan Horn; 

- Eitan Mor; 

- Elkana Bohbot; 

- Evyatar David; 

- Galiv e Ziv Berman, irmãos gêmeos; 

- Guy Gilboa-Dalal; 

- Sd. Matan Angrest; 

- Matan Zangauker; 

- Maxim Herkin; 

- Nimrod Cohen;

- Omri Miran; 

- Rom Braslavski; 

- Segev Kalfon; 

- Tamir Nimrodi; 

- Yosef Chaim Ohana. 


Em atitude sádica, o Hamas divulgou um cartaz com os reféns ainda sob seu poder no mês passado (Divulgação)


quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Outubro começa com tudo

Devido ao impasse no Orçamento dos Estados Unidos entre os congressistas republicanos e democratas, os Estados Unidos entraram em regime de "shutdown", paralisando parte dos serviços públicos. Até sexta feira, quando prometeram terminar com a paralisação, serviços como a emissão de vistos estarão afetados.

Enquanto isso, mais autoridades brasileiras correm o risco de serem atingidas pela lei Magnitsky, entre elas alguns ministros do STF, como Gilmar Mendes. Um desafio para o novo presidente Edson Fachin.

O Congresso, tentando ganhar espaço enquanto o STF está nos holofotes internacionais, trabalhou para aumentar o limite de isenção do IR para R$ 5.000, Governo, Centrão e mesmo a oposição querem faturar politicamente com essa benesse, visando as eleições de 2026. 

Outra notícia a ganhar destaque é a ação policial para investigar o surto de mortes por envenenamento em São Paulo e no resto do Brasil, causadas pela ingestão do metanol, produto da adulteração de bebidas destiladas. Esta verdadeira ameaça à saúde pública teria ligação com as destilarias clandestinas e até com o crime organizado, que há tempos deixou de se ocupar apenas do tráfico de entorpecentes para estender seus tentáculos às várias atividades econômicas e até à política. 

Ainda há outras fontes de sofrimento para quem fica lendo os jornais e os portais da Internet, como a escalada na guerra da Ucrânia e o plano de paz imposto por Trump a Israel e ao Hamas. Muitos até têm esperança de ver no corpo celeste 3I/Atlas como uma solução final para os problemas da Terra, devido aos rumores de ser uma nave extraterrestre gigante, com estimados 5 km de comprimento. Isso porque estudos mostram variações anormais na velocidade do objeto vindo de fora do Sistema Solar, e a presença maciça de dióxido de carbono no entorno. No dia 29, ele chegará próximo à Terra, ficando a "apenas" 270 milhões de km. 

Segundo imagens do telescópio espacial James Webb, o 3I/Atlas possui estranhas peculiaridades, afastando-se de outros corpos celestes (Divulgação/James Webb)


segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Netanyahu aceita plano de Trump para o fim da guerra em Gaza

 Após se reunir com Donald Trump na Casa Branca, o premiê de Israel Binyamin Netanyahu anunciou o plano do colega americano para acabar com o conflito na faixa de Gaza e libertar os reféns sob o poder dos terroristas. O plano inclui a não anexação automática do território e a anistia aos membros do Hamas em caso de entrega das armas. O grupo radical islâmico ainda é obrigado a deixar o poder e entregar à Autoridade Palestina, sob supervisão de um "Conselho de Paz" liderado pessoalmente por Trump. 

Netanyahu ainda pediu desculpas ao emir do Qatar pelos bombardeios em Doha visando matar integrantes do Hamas residentes no país do Golfo Pérsico. 

Esta circunstância, para muitos, indica que Trump teria aplicado o mesmo remédio amargo usado para lidar com Volodymyr Zelensky da Ucrânia, Cyril Ramaphosa da África do Sul e Tayyip Erdogan da Turquia, mas em doses menos fortes para não espezinhar (muito) o visitante da vez. (A dose para Lula, em caso de visita ao Salão Oval, promete ser cavalar). Afinal, é de longe o maior aliado dos Estados Unidos na Ásia Ocidental, e do qual depende mais do que nunca, devido ao isolamento internacional e às pesadas críticas vindas da Europa, do Canadá e outros países ocidentais. 

Não se sabe quanto à retribuição do governo catari ao pedido de desculpa, mas é muito provável que o Hamas recuse os termos do acordo, forçando a adoção de outras medidas. Membros do governo israelense também não vão engolir o mesmo acordo facilmente. E não há preocupação suficiente com os reféns israelenses e nem a população civil de Gaza, as grandes vítimas deste conflito desumano. 

Netanyahu e Trump concordaram com um plano para Gaza, mas falta combinar com o Hamas (Jonathan Ernst/Reuters)


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Os desafios de Leão XIV

Continuando a postagem anterior, o novo papa Leão XIV precisará enfrentar vários desafios, de ordem religiosa, política e pessoal. 

Desde há muito tempo, os católicos perdem fieis e negligenciam tarefas importantes, como a evangelização, o ensino da doutrina, a aproximação dos sacerdotes com seus fieis. Parece haver dificuldade em conciliar os desafios da vida contemporânea com a tradição, e muitos membros do clero não se preocupam em aplicar as suas pregações às suas vidas. Além disso, há séculos a Igreja precisa enfrentar as consequências de práticas nefastas, provindas da corrupção política, abusos de poder, tráfico de influência, pedofilia e nepotismo, e por causa disso a imagem da religião católica parece arruinada ad aeternum, a despeito dos esforços dos últimos papas para a moralização e a modernização do catolicismo. 

Isso lembra também as acusações pessoais contra Robert Prevost. Três mulheres, cujos nomes a mídia custa a revelar, reclamam contra ele por falta de providências contra abusos sexuais cometidos por padres no Peru. Um deles seria James Ray, denunciado pela SNAP (Survivors Network of those Abused by Priests, ou rede de sobreviventes de abusos por padres, em tradução livre) por molestar menores de idade no Peru. Outro nome próximo do atual papa é o Reverendo Richard MacGrath, acusado de pedofilia e estupro de meninos. Nada se provou de forma cabal, pessoalmente, contra Prevost, mas isso será explorado de uma forma ou outra. 

Essas acusações pessoais se somam às críticas feitas pelos conservadores por ser um membro assumido da ala progressista da Igreja, considerada muito receptiva às ideologias estranhas à Igreja, como o marxismo. Grupos nacionalistas deploram boa parte dos progressistas por supostamente serem cúmplices da deterioração dos costumes dos povos e serem influenciados por autores como Antonio Gramsci e Leon Trotsky, vistos como fontes de influência de defensores do chamado "globalismo", para minar as culturas locais e os valores tradicionais das nações. 

Independente disso, o novo papa é testemunha, como muitos cidadãos, das "guerras e rumores de guerras", na Terra Santa, na Ucrânia e, agora, entre Índia e Paquistão, dois países detentores de armas nucleares, vistos como inimigos mortais entre si e possuem um histórico comum de hostilidade contra os cristãos, inclusive os católicos. Nos países ocidentais, há muitos conflitos ideológicos, inclusive entre grupos vistos como monopolizadores da verdade, impondo suas visões acerca de vários assuntos, inclusive a origem e os ensinamentos de Jesus Cristo. Isso, como se adiantou na postagem anterior, remete ao Evangelho de Mateus, capítulo 24, sobre a vinda Dele. 

São questões bastante relevantes para o papa Leão XIV abordar, para garantir o êxito de seu pontificado e o futuro da Igreja Católica. 

O papa Leão XIV terá a difícil missão de comandar a Igreja Católica (EFE/EPA/Angelo Carconi)


sexta-feira, 2 de maio de 2025

Breves do início do mês

1. Este mês começou anunciando a morte de Nana Caymmi, a grande cantora da MPB lembrada por artistas mas desprezada pelo governo, cuja politica costuma ser a de prestigiar a classe, por um detalhe: a filha de Dorival apoiava Jair Bolsonaro. 

2. Também anunciada a morte de uma atriz mirim com apenas 11 anos, Milena Brandão, vítima de um tumor cerebral. Se já é difícil aceitar a morte de uma pessoa idosa após meses de sofrimento num hospital, como Nana Caymmi, é ainda mais duro ler sobre a morte de uma criança. 

3. Carlos Lupi não resistiu à pressão e se demitiu do Ministério da Previdência, substituído por Wolney Queiroz. Em países onde se tolera menos a corrupção, uma roubalheira bilionária como a sofrida pelo INSS seria motivo de uma guerra civil. Por aqui, o preço será pago pelos aposentados. 

4. Não houve destaque nas festividades do dia do trabalhador, nem no Brasil, e nem em outros países. O único evento digno de nota foi o ditador de Cuba Miguel Diaz-Canel usar um turbante para lembrar os trabalhadores palestinos, considerados vítimas da opressão israelense. 

5. Por falar nisso, ainda não foram libertados os reféns do Hamas, usados mais como joguete político entre o grupo terrorista e o governo israelense. Qualquer atitude mais decisiva é difícil naquela região, onde há muitos interesses em jogo, e não só por motivações religiosas como a disputa por Jerusalém. 

.6. Também o mundo espera por outros acontecimentos, como o cessar fogo entre Rússia e Ucrânia e a escolha da sucessão de Francisco. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Basta um homem para pacificar o mundo?

Desde o início recente de seu novo mandato, o presidente americano Donald Trump está agindo de uma forma aparentemente incompatível para um senhor de 78 anos, pouco menos idoso em relação ao anterior, lembrado pelas atitudes aparentemente senis. 

Trump prometeu ser um "pacificador" do mundo, em seu primeiro discurso como atual presidente (canal NDTV/Youtube)

Ele quer pressa para pacificar as duas regiões mais conflituosas do mundo, onde os interesses da águia estão envolvidos: a Ucrânia e o Oriente Médio. A pretexto de ser o mais realista possível e evitar alimentar ilusões, Trump conversa com o lado mais forte, deixando o mais fraco em segundo plano. Ou seja, Israel e Rússia contra os palestinos e a Ucrânia. 

Suas soluções parecem assustar até os outrora mais entusiastas do magnata. Em Gaza, exterminar o grupo terrorista Hamas, que tiraniza o lugar, mas também praticamente causar uma diáspora palestina, dispersando a população em outros países árabes, enquanto reconstroi o pequeno território para depois ser anexado a Israel. Na Ucrânia, forçar o país a abrir-se mais à mineração das empresas americanas sem uma contrapartida militar para proteção do território, e permanecer fora da OTAN, cuja existência também é posta em dúvida. 

Há muitas conjeturas e especulações sobre essa nova política do "big stick", agora bem maior e mais ameaçadora em relação ao "porrete" de Theodore Roosevelt, o outro presidente que impulsionou a política externa dos Estados Unidos e a tornou a grande ave de rapina defensora dos interesses da potência então emergente mesmo derrubando governos e violando a soberania de outros países. A atuação trumpista foi comentada por analistas políticos e influenciadores como o russo Alexander Dugin, apontado como o "guru" do dirigente russo Vladimir Putin. Se todo este pessoal está certo ou errado, o futuro vai dizer, e o tom promete ser explosivo e impetuoso, como as ações de Donald Trump.

Mas bastará Trump para pacificar um mundo predestinado a ter conflitos e derramamento de sangue em toda a parte? Não é só no Leste Europeu e na sua região vizinha, a Ásia Ocidental, mas também em várias partes da África, como o Sudão sob guerra civil, a Nigéria ameaçada pelo Boko Haram e o Congo ameaçado de se desintegrar com a ativa presença de Ruanda. A imprensa não destacou nada sobre uma possível intervenção de Trump nessas áreas, pois o continente africano não é visto como prioridade para os Estados Unidos. Também não se divulga com tanta frequência a respeito de regiões com potencial de conflito capaz de mudar a geografia do planeta, como a Venezuela ou Taiwan. Talvez o presidente americano tenha tempo de resolver tudo isso posteriormente, mas isso seria respaldar a opinião de algumas vozes que ousam discordar dele, apontando-o como o "imperador do mundo", como o presidente do Brasil, Lula. 

De toda forma, Trump poderá mudar muita coisa no mundo, mesmo se fracassar em ser o grande pacificador. 


N. do A.: Enquanto isso, no Brasil, o governo Lula é cada vez mais questionado, não conseguindo calar as vozes discordantes mesmo em seu esforço para neutralizar Jair Bolsonaro. As revelações sobre o hipotético golpe não encontram respaldo nem em parte da imprensa, notavelmente inimiga do governo anterior e, até agora, aliada do atual. E existem muitos rumores sobre ações de Trump para retaliar Alexandre de Moraes, acusado de ser o principal sustentáculo do Executivo, mesmo sendo ele um membro de outro Poder, o Judiciário, com suas decisões contra lideranças e influências vinculadas ao bolsonarismo. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Breves de um período próximo do fim dos tempos (ou não)

1. Morreu o poeta Antônio Cícero, membro da ABL e um dos poucos literatos autênticos da casa. Ele também é um dos poucos brasileiros a receber eutanásia, por não suportar perder suas capacidades para o mal de Alzheimer. 

2. Antônio Guterres, secretário-geral da ONU, vai tentar conversar com o dirigente russo Vladimir Putin para acabar com o conflito com a Ucrânia. Há quem diga que é mais fácil a ONU acabar antes disso, pois o prestígio da instituição está em pandarecos, agravado pela...

3. ... guerra de Israel contra o terror islâmico; após matar o novo chefe do Hamas, Hassem Safiedinne, o ministro da Defesa Yoav Gallant ameaçou autorizar o ataque ao Irã e disse que todos verão a força do Estado hebreu. Os Estados Unidos temem que as forças do principal aliado na Ásia Ocidental extrapolem e ataquem usinas nucleares do país tiranizado pelos aiatolás. Por outro lado...

4. ,,, o presidente do Irã Masoud Pezeshkian ameaçou atacar o inimigo de uma forma "decisiva e impensável", durante a cúpula dos Brics, em Kazan, na Rússia. Na conferência, quase todos condenaram a ação israelense, mas, naturalmente, se omitiram ao falar das incursões russas na Ucrânia. 

5. Lula também participou, mas por videoconferência, pois está se recuperando de uma queda sofrida no Palácio do Alvorada; ele ainda está em período de avaliação de possíveis sequelas do traumatismo craniano. 

6. Após o Atlético Mineiro fazer três gols e humilhar o River Plate no seu estádio em Belo Horizonte, nesta edição da Libertadores, o Botafogo destruiu o Peñarol no Rio de Janeiro com goleada de 5 a 0 e somente uma catástrofe com a dimensão de um desastre nuclear ou uma guerra irá evitar uma possível final entre o Galo, eterno candidato a ser bicampeão de algo, e o Glorioso, que nunca sequer chegou perto de ganhar uma Libertadores. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Rumo a outubro

Setembro está terminando e outubro promete, com as eleições municipais e a reta final da campanha presidencial nos Estados Unidos. 

Muitos estão preocupados com os acontecimentos sobre os quais eles não possuem controle algum, como a guerra encarniçada entre a Rússia e a Ucrânia ou Israel ter, usando uma gíria dos anos 1980, "estourado a boca do balão", no mau sentido, dos grupos terroristas Hamas e Hizbollah, com seus ataques ferozes no Líbano, em Gaza, na Síria e até no Iêmen dos houthis, visando neutralizá-los definitivamente. As queimadas continuam, afetando a qualidade do ar e pressionando o preço dos produtos agricolas, além de devastarem o meio ambiente. Faz um calor atípico para o início da primavera, e a estiagem já afeta bastante o nível dos reservatórios para a produção de eletricidade e o fornecimento de água. E as decisões do governo, do Congresso e do STF?

Em tese, outros acontecimentos estariam sob o nosso controle, como as eleições municipais. A campanha para a prefeitura está ainda frenética em São Paulo, e isso repercute no Brasil todo. As cidades brasileiras em geral não apresentam campanhas políticas tão acirradas, e isso, até certo ponto, é bom, mas lembram alguns casos de assassinatos de candidatos pelos rivais, pessoalmente ou por meio dos "jagunços". 

Mas no cotidiano, onde se reúnem os acontecimentos mais controláveis, ainda há muita dificuldade. O trabalho de cada um, a administração do orçamento doméstico para pagar as contas e as compras do mês, o lazer nas horas de folga, acabam dependendo do imponderável, ainda mais em tempos tão incertos e aparentemente ameaçadores. 

Não falta quem faça a pergunta a cada fim de mês: sobreviveremos ao mês seguinte? Os mais pessimistas fazem a pergunta a cada dia, referindo-se ao amanhã. 


terça-feira, 13 de agosto de 2024

Enquete: quem está mais ferrado agora?

1. O Irã, por querer entrar em briga com Israel. 

2. Israel, por despertar a ira dos aiatolás. 

3. O Xandão, claro! Ele torrou recursos do TSE para forjar relatório contra os bolsonaristas no inquérito das tais "fake news" ("fake news" é o cacete, p@**a! Tá OK?)

4. O Brasil, com esses juros altos impostos pelo BC, companheiro!

5. O Maduro, que está mais enrolado e não convence ninguém ao dizer que ganhou as eleições!

6. O mundo! Vamos entrar numa 3G! Só os extraterrestres para nos salvarem da catástrofe!

7. Este blog, se continuar a fazer esses enquetes! Argh!

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Se 2024 fosse um personagem, seria viciado em "comer açúcar"

No debate de ontem na Band, não faltou bordoada e ataques aos adversários, chegando a ser uma diversão mórbida. Quem mais distribuiu "porrada" foi o grande protagonista da atração, Pablo Marçal (PRTB), que se mostrou exaltado e chamou os rivais de "politiqueiros", "conjunto teatral" e "candidatos fantoches", que vivem a "comer dinheiro público". Chegou até a soltar um "Meu nome é Marçal", lembrando o finado dr. Enéas. Na sua série de ataques, ele se referiu a Guilherme Boulos (PSOL), também chamado de "comunista" e "fã do Maduro", como "apoiador do Hamas" e "comedor de açúcar", neologismo para alguém viciado em cocaína. 

Debate da Band (do canal Radio BandNews FM)

Pois 2024 está parecendo um ser "comedor de açúcar", usando o termo candidato à viralização. Só hoje, dia 9, as más notícias vieram aos borbotões, como se o momento pelo qual passamos encarnasse um viciado em cocaína "na fissura" agredindo os leitores de portais e telespectadores de noticiários. 

Em Vinhedo, cidade paulista na região de Campinas, 61 pessoas perderam a vida num dos piores acidentes aéreos dos últimos anos, quando um avião da Voepass despencou e se espatifou sobre um condomínio residencial. Não houve vítimas fora da aeronave. Entre os passageiros, 15 eram médicos a caminho de um congresso de oncologia em São Paulo. 

Pior acidente aéreo da década no Brasil (Reprodução)

Ucrânia e Rússia trocam mísseis na fronteira e nenhum deles recua. É notável a resistência do país invadido pela Rússia, não parecendo temer a segunda maior força militar do mundo, equipada com o maior arsenal nuclear, graças à ajuda americana e europeia. 

Israel continua a sua caçada implacável contra alvos do Hamas e do Hizbollah, enquanto se prepara para um ataque iraniano em resposta à violação de seu espaço aéreo para matar o chefe do Hamas no último dia 31. 

A Petrobras divulga balanço sombrio, indicando a volta dos prejuízos, relembrando a sangria sofrida pela estatal no "Petrolão" ou "Quadrilhão do PT". No segundo trimestre do ano, ela perdeu estupendos R$ 2,6 bilhões. Isso pode repercutir na Bovespa e no dólar, próxima segunda feira. 

Até mesmo notícias do cotidiano estão pesadas, como a internação da ex-musa Regininha Poltergeist após um surto psicótico. 

Para enfrentar essa bestialidade e encontrar alguma notícia boa, só mesmo acompanhando os Jogos Olímpicos. No caso do Brasil, Isaquias Queiroz ganhou a prata nos 1.000 m, sua quinta medalha olímpica. Alison Piu dos Santos foi bronze nos 400 m com barreiras. E a dupla Duda e Ana Patrícia encarou as canadenses Melissa Humana-Paredes e Brandie Wilkerson, para conquistar o ouro no vôlei de praia, após vitória por 2 sets a 1 (26/24 - 12/21 - 15/10). As rivais, além de temíveis, chamavam a atenção pelos uniformes provocantes, fazendo as brasileiras parecerem recatadas com seus shorts. 

O vôlei de praia brasileiro volta a faturar o ouro olímpico, com Duda e Ana Patrícia (Carl de Souza/AFP) 

2024 ainda promete muito. Aguardemos.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Ainda temos mais cinco meses

2024 está sendo um duro teste para todos, que devem se preparar para o pior, pois ainda há margem para o agravamento das crises no mundo, principalmente na Venezuela, onde o ditador Nicolás Maduro já mandou prender mais de mil manifestantes contra a falta de divulgação de números de votação que respaldem (ou não) a vitória eleitoral do caudilho chavista. 

Os ataques feitos por Israel contra as lideranças dos grupos terroristas Hizbollah, no Líbano, e do Hamas, em Teerã, também lançam rumores sobre uma possível guerra mundial, capaz de provocar a sexta extinção em massa na história da Terra (a última foi há 66 milhões de anos, e as vítimas foram os dinossauros). 

Nem as notícias sobre as Olimpíadas geram alívio. Ainda repercutem as acusações de blasfêmia por parte de atores drag queens, ao supostamente terem parodiado a Última Ceia de Leonardo da Vinci, durante a abertura dos Jogos. Eles se defenderam, dizendo que a obra parodiada é O Banquete dos Deuses, de Jan van Bijlert, que está exposto em um museu na cidade francesa de Dijon, enquanto a obra de Leonardo está em Milão, na Itália. Não conseguiram convencer os mais exaltados. 

Para os brasileiros, ver a atuação da Seleção Brasileira de futebol feminino, perdendo de 2 a 0 da Espanha e ainda com Marta agredindo uma adversária com uma voadora e sendo expulsa ignominiosamente, era de causar espécie. Conseguiram avançar não por méritos próprios, mas porque as alemãs golearam Zâmbia por 4 a 1 e as americanss derrotaram as australianas, fazendo as brasileiras serem as melhores, ou menos piores, terceiras colocadas. Não mereceram, ao contrário de Bia Ferreira, a lutadora de boxe que empolgou o público e venceu a holandesa Chelsey Heijnen com autoridade, avançando para as semifinais. 

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Clima olímpico destruído (e não é só por causa da eleição na Venezuela)

As eleições venezuelanas foram consideradas mais importantes, para a mídia e para o futuro da América Latina, do que os Jogos em curso. Como era esperado, o ditador Nicolas Maduro foi proclamado vencedor da eleição, por um sistema eleitoral dominado pelos seguidores do regime. 

Os principais nomes da oposição, Maria Corina e Edmundo Gonzalez, protestaram, exigindo o resultado real das urnas, pois não houve um número divulgado. Celso Amorim, enviado brasileiro e um dos pouquíssimos observadores internacionais autorizados a entrar no país, foi conversar com o ditador e com reperesentantes da oposição. Mais convictos, representantes de outros governos contestaram o pleito e os embaixadores de sete países - Argentina, Chile, Costa Rica, Panamá, Peru, República Dominicana e Uruguai. Chama a atenção a inclusão do representante chileno nesta lista, pois o país andino é governado por Gabriel Boric, considerado também de "esquerda", como Maduro, mas ele adotou um tom quase tão duro quanto Javier Milei, o presidente argentino de "direita", contra as eleições de ontem. 

Nicolás Maduro proclamou sua vitória, em uma das eleições mais suspeitas dos últimos tempos (Juan Barreto/AFP)

Fora isso, os conflitos envolvendo Israel e as organizações terroristas Hamas e Hizbollah geraram mais um punhado de mortes de inocentes, com o bombardeio a uma escola em Gaza e o ataque a um campo de futebol nas Colinas de Golan atribuído ao Hizbollah, matando 10 israelenses, a maioria menores de idade. 

Na Inglaterra, um adolescente com transtornos mentais matou duas crianças e feriu outras seis com uma faca ao invadir uma escola de balé em Southport, pequena cidade próxima a Liverpool. O autor da barbárie foi preso e a polícia ainda investiga os motivos. 

Esta profusão de notícias impactantes (e horrendas) acaba com qualquer espírito olímpico, ainda mais uma edição tão contestada dos Jogos. Para o lado do Brasil, a expulsão da nadadora Ana Carolina Vieira por atitude agressiva contra a própria comissão técnica acabou recebendo os mesmos holofotes dos outros atletas. Rafaela Silva, judoca ouro no Rio, ficou sem medalha ao ser desclassificada na disputa pelo bronze com a japonesa Haruka Funakubo. Bia Haddad foi eliminada pela eslovaca Anna Schmiedlová por 2 sets a 0 (6-4 e 6-4) mas continua na briga em disputa de duplas, vencendo as chinesas Yuan e Zhang por 2 sets a 0 (também 6-4 e 6-4) com Luísa Stefani. Por outro lado, a skatista Rayssa Leal fez o que se esperava dela e conquistou a medalha de bronze, enquanto Larissa Pimenta ganha bronze no judô categoria 52 kg, ao derrotar a favorita Odette Giufridda. O também judoca Willism Lima perdeu a luta final para o japonês Hifume Abe, na categoria 65 kg, e acabou ficando com a prata. 


segunda-feira, 1 de julho de 2024

Começou um novo semestre

 Começamos um novo semestre neste ano cheio ce más e péssimas notícias e podemos constatar algumas coisas:

O Brasil está indo para um caminho certo. Mas indesejado para todos, exceto para quem quer transformar o país numa imensa Coréia do Norte. O presidente Lula faz ataques frequentes contra o presidente do BC Roberto Campos Neto e esbraveja contra a autonomia do BC, fazendo o mercado temer por uma nova era de instabilidade. Varejo e montadoras instaladas aqui querem maior taxação para os sites e para os carros elétricos chineses, ao invés de pressionarem por menos impostos. Enquanto isso, o governo pretende ampliar um Estado já muito grande, ao invés de torná-lo mais capaz de gerar bons serviços, sem tantos comissionados e "assessores de p* nenhuma", indicados para agradar aliados políticos. 

Há expectativas para saber o que o Partido Democrata irá fazer, pois até o New York Times quer Joe Biden fora da disputa, depois de sua performance no debate da semana passada. Entretanto, não importa o nome, nem mesmo Barack Obama, se fosse permitido a um ex-presidente com dois mandatos concluídos disputar uma nova eleição, conseguiria vencer Donald Trump. 

Existem rumores sobre novas revelações bombásticas a respeito das atividades de muitos governos e instituições, com a libertação do jornalista Julian Assange, fundador do Wikileaks, preso desde 2019 em Londres acusado de vazar dados confidenciais oficiais e de atentar contra a segurança dos Estados Unidos. Após um acordo onde ele confessou liberat informações sobre a guerra no Afeganistão e no Iraque, ele voltou para a Austrália. Outros "inimigos" do governo americano ainda são visados, como o ex-funcionário da NSA refugiado na Rússia, Edward Snowden, acusado por delitos semelhantes. 

Ainda continuam as guerras na Ucrânia e em Gaza, com desfechos ainda incertos. O país invadido pela Rússia está resistindo ainda, graças à ajuda ocidental, mas Gaza está em ruínas - e Israel não descansará enquanto não recuperar todos os reféns vivos ou mortos e dar cabo dos líderes do Hamas, boa parte deles desfrutando de confortáveis exílios enquanto o povo de Gaza sempre passava fome e era tiranizada pelo grupo terrorista, e agora teme pela sua existência. 

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Breves do começo da semana

Como acontece de vez em quando, segue algumas observações breves sobre o que aconteceu nos últimos dias. 

1. A pressão sobre o projeto de lei para endurecer penas para quem fizer o aborto com mais de 22 semanas de gestação foi bastante grande, a ponto do tema ser retirado da pauta da Câmara. Chega-se a sugerir que gestantes menores de idade estão sujeitas à prisão, como argumento contrário, algo improcedente. 

2. O presidente da Argentina Javier Milei é notícia por qualquer coisa, e sua viagem à Ucrânia para visitar o dirigente Volodymyr Zelensky para mostrar apoio e receber uma condecoração com a Ordem da Liberdade foi muito comentado. Enquanto isso...

3. ... Lula se esforça para haver um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia, mas ele é acusado de estar do lado russo pelo governo ucraniano, por não cobrar concessões. E o dirigente do gigante eurasiano anunciou uma visita para a Coréia do Norte, do ditador Kim Jong-un. 

4. Continuam os combates entre os israelenses e as forças do grupo terrorista Hamas, que ceifaram milhares de vidas inocentes, e agora o governo israelense anuncia pausa para favorcer a ajuda humanitária, apesar da oposição do próprio primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, cujo governo de coalizão está esfacelado pela divisão entre os moderados e os grupos religiosos ultraconservadores. 

5. Na Eurocopa, acompanha-se a trajetória dos maiores times, inclusive pela mídia brasileira, por ser importante acompanhar o desempenho das maiores ameaças à campanha do Brasil na Copa do Mundo (embora a Seleção esteja com uma campanha ridícula nas Eliminatórias); o maior destaque foi o acidente num lance entre Mbappé e o zagueiro austríaco Danso; o astro francês corre o risco de perder o resto da competição. 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Oriente Médio mais próximo (ainda) do abismo?

O acidente que vitimou o presidente do Irã Ebrahim Raisi, responsável pela repressão impiedosa aos protestos pró-democracia em seu país, e também pelos primeiros ataques diretos contra Israel na História, coloca mais incertezas no futuro do país islâmico. 

Raisi era cotado para suceder o todo poderoso ditador local, o líder supremo Ali Khamenei, uma manobra para evitar a nomeação do filho, Motjaba, para não parecer que o regime ultraconservador xiita esteja cedendo ao nepotismo. 

O presidente do Irã morreu num acidente de helicóptero no último domingo (Getty Images)

Enquanto isso, o Tribunal Internacional de Haia está agindo com aparente dureza contra os líderes do Hamas e contra o governo israelense pelas dezenas de milhares de mortes de civis em Gaza, enquanto boa parte dos reféns ainda está nas mãos assassinas do grupo terrorista. Os países árabes podem até imaginar Binyamin Netanyahu numa prisão aguardando julgamento, mas isso dificilmente irá acontecer. E é mais provável que os líderes do grupo terrorista sejam mortos, executados extrajudicialmente por forças de Israel, e não enfrentarem a Justiça internacional. 

Tudo isso lança mais nuvens sobre o futuro da explosiva região da Ásia Ocidental, embora não contribua, a princípio, para o aumento da tensão, pois o acidente de helicóptero não foi, a princípio, causado por sabotagem, e a ação de Haia, se coloca Israel como pária internacional, não deve ser tratada com tanta importância por Tel Aviv, que deve continuar a sua incursão em Gaza para tentar destruir o Hamas. 

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Mais próximo do indesejável?

No fim de semana, chegamos a um ponto perigoso com o conflito direto entre Israel e Irã. Após o temerário ataque à embaixada do Irã em Damasco, algo que significa uma agressão à soberania de um país, Teerã mandou centenas de drones e mísseis e, se não fosse pelo eficiente sistema de defesa israelense, haveria muitas mortes e estragos. 

Israel e Irã nunca chegaram a trocar ataques militares diretos (Agência Brasil)

Isso tudo gerou medo de uma escalada da guerra. Em tese, isso levaria facilmente à temida Terceira Guerra Mundial, mas o governo de Israel preferiu adiar um ataque direto ao país inimigo como retaliação. Preferiu apontar a agressão à ONU, que se dividiu. Os Estados Unidos, a França, a Alemanha, o Reino Unido e as potências ocidentais atacaram o regime dos aiatolás, enquanto a Rússia, a China, o Brasil e os países árabes foram dúbios, recebendo fortes críticas das comunidades judaicas por isso. 

Um confronto entre os dois países não é tão fácil, porque os dois são potências nucleares, e as instalações atômicas são de difícil acesso. O Irã, por exemplo, possui usinas nucleares espalhadas pelo seu território relativamente grande, maior que o Estado do Amazonas. Mesmo com um território pequeno, Israel consegue esconder suas ogivas, e não depende de energia nuclear. 

Ataques diretos também são dificultados pela distância entre os dois países. Os mísseis e os aviões de combate precisam sobrevoar o espaço aéreo de outros dois países (Síria ou Jordânia, e Iraque). Seria mais fácil um trabalho envolvendo os serviços de inteligência, inclusive com o uso de hackers para sabotar os programas de controle dos sistemas de energia e defesa. 

Isso poderia dificultar o alastramento do conflito, mas sempre há o emprego de aliados, como as forças americanas e européias de um lado, e os grupos terroristas islâmicos como o Hizbollah, os houthis e o próprio Hamas de outro. Não é nada bom para o andamento dos negócios no mundo, e eles já correm para evitar economias de alto risco como a do Brasil: a Bovespa vem apresentando quedas nos últimos dias e o dólar está em alarmantes R$ 5,18. 

Preparemo-nos para fortes acontecimentos. 

segunda-feira, 11 de março de 2024

Aumenta o temor

Robert Oppenheimer, o físico alemão naturalizado americano conhecido por ser o principal criador da bomba atômica, teve sua cinebiografia consagrada em quase todos os festivais de cinema em todo o mundo, inclusive no Oscar, ganhando o prêmio de melhor filme, melhor diretor para Christopher Nolan e melhor ator principal para Cillian Murphy, o irlandês ex-intérprete do impiedoso Thomas Shelby na série Pinky Blinders. 

O filme de 2023 mais premiado trata de um assunto angustiante, ainda mais em tempos de crise mundial (Divulgação/Universal Pictures)

Ninguém quer usar o invento, mesmo porque o uso não gerará vencedores, mas os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza fazem muita gente temer por isso. Também está aumentando as atividades militares em larga escala, como as manobras militares conjuntas no Golfo de Omã, por parte do Irã em conjunto com a Rússia e China. Eles alegam zelar pela segurança da região, por onde passam muitos navios mercantes. Não muito longe, no Mar Vermelho, também na principal rota marítima entre Europa, África e Ásia, continuam os ataques dos houthis contra as embarcações, debelados por americanos e britânicos, resultando na destruição de 28 drones lançados pelo grupo prõ-Irã estabelecido no Iêmen. 

Em Taiwan, a pressão chinesa pode envolver não só os Estados Unidos como a Rússia e os países do Leste e Sudeste Asiático. Embora seja bem pouco provável o estouro de uma guerra nuclear a partir dessa região no Pacífico, ela fará parte do contexto de um novo conflito em grande escala, caso isso ocorra. 

A Europa, epicentro das duas grandes guerras, ainda coloca pressão sobre o gigante russo, ainda mais com a adesão da Suécia na Otan. Como forma de intimidar, mais do que expressar sua real intenção, os russos aumentaram a frequência dos pronunciamentos envolvendo o invento de Oppenheimer. Temendo um possível, mas improvável, uso real da coisa, o Papa Francisco foi a voz discordante entre os ocidentais, e pediu um cessar fogo. Teve como resposta a chamada do embaixador da Ucrânia no Vaticano para voltar, uma forma de protesto diplomático.