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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

O melhor e o pior de dezembro

Mais uma vez, este blog irá anunciar quem merece o selo de "Orgulho Nacional". E a pesquisa não foi fácil, como sempre. 

Havia o caso da Arqtech Automação, empresa paranaense que venceu o KNX Award 2020 na categoria Eficiência Energética, com o projeto do prédio da Sanepar que utiliza energia fotovoltaica e possui um sistema de reaproveitamento da água. Isso foi em outubro. Vale o registro para mostrar a capacidade de inovação dos brasileiros. 

Também um policial teve a iniciativa de salvar quatro crianças que se afogaram em Itanhaém. Infelizmente, o cabo PM Diogo Gomes de Melo morreu, e o presidente Jair Bolsonaro disse que vai comparecer ao enterro. A iniciativa é louvável, se não estivéssemos em meio a uma pandemia, mas o presidente costuma ignorar as medidas de segurança, acreditando em uma volta à normalidade mesmo com a volta dos números assustadores de novos casos e mortes, enquanto não há um programa de vacinação definido. 

Então, o selo do "Orgulho" vai para outro representante da Polícia Militar, a tenente-coronel Cláudia Moraes, ganhadora do prêmio Espírito Público ao criar a Patrulha Maria da Penha, especializada em coibir a violência contra mulher. 

A tenente coronel da PM Cláudia Moraes

Por falar nisso, o assassino da juíza Viviane Arronenzi, seu próprio marido, o engenheiro Paulo José Arronenzi, é um dos candidatos ao selo "Vergonha Nacional", ao lado de celebridades que promovem aglomerações e são vistos como mau exemplo. Felipe Neto é um deles, pois jogou futebol com os amigos em plena pandemia, expondo todos ao risco da COVID-19. Pior fez a cantora Elba Ramalho, ao promover uma festa com mais de 500 pessoas em Trancoso. Neymar, já selado aqui com o selo da "Vergonha", torna-se hors concours. 

Promover aglomerações é pouco diante de um ato de violência contra a vida alheia, e portanto Arronenzi vai levar o selo. 

A violência contra a mulher, agora chamada de "feminicídio", não pode ser tolerada


quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Orgulho e vergonha de novembro

O mês passado foi de eleição e do contravertido dia da Consciência Negra. Isso faz lembrar dos poucos negros que conseguiram ser eleitos para vereador e, principalmente, prefeito. O número de políticos negros chega a ser comparável ao de seus colegas "amarelos" (descendentes de asiáticos), e muito inferior ao de políticos "brancos" (com pouca ou nenhuma ascendência negra). Este perfil é bem diverso da população brasileira. 

Mulheres e negras, então, é ainda uma raridade. Uma das eleitas vai comandar uma das maiores cidades do interior paulista, Bauru. Suellen Rosin já foi alvo de ataques racistas, mas não deve se intimidar por isso. Espera-se que faça um bom trabalho e não se deixe intimidar pelos delinquentes. 

Suellen Rosin (Patriotas), primeira mulher a comandar a cidade de Bauru

Enquanto isso, vimos Sérgio Moro aceitar um emprego de diretor da empresa americana Alvarez & Marçal, especializada em consultoria. Essa empresa serve a Odebrecht, uma das maiores envolvidas no "Quadrilhão do PT", investigado pelo mesmo Moro, quando era juiz em Curitiba. O ex-ministro da Justiça tem o direito de trabalhar onde quiser, mas tornar-se executivo de uma empresa parceira da Odebrecht parece uma ironia tragicômica, e por isso ele está recebendo críticas de todos os lados. Ministros de Estado não podem ser marcados com o selo "Vergonha Nacional", mas ex-ministros, sim. 

Porém, quem fez pior foram os vigilantes responsáveis pela morte do soldador João Alberto Silveira Freitas. Eles eram funcionários de uma empresa de segurança contratada pelo Carrefour em Porto Alegre, e devido ao assassinato foram demitidos. A cena brutal horrorizou o país. Embora a vítima não seja nenhum homem virtuoso, como mostram diversas reportagens e depoimentos, nada justifica alguém ser agredido daquela forma. Magno Braz Borges é um deles, e foi o responsável por asfixiar o soldador com o joelho. E vai levar o selo. 

Coisas como isto não podem se repetir em lugar algum deste mundo



terça-feira, 3 de novembro de 2020

Orgulho e vergonha de outubro

Como é praxe, o blog vai dizer quem ganhou o selo do Orgulho Nacional e da Vergonha Nacional. Desta vez, será sucinto. 

O Orgulho Nacional de outubro ficou para Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos. Ele completou 80 anos no mês passado.

 

Eterno orgulho nacional!

Já a Vergonha ficou mesmo para o senador que escondeu o dinheiro na cueca!

Senador Chico Rodrigues (DEM-RR) orgulhoso de seu selo por ter aplicado dinheiro nos fundos...


quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Orgulho e vergonha de setembro

Este blog gostaria de considerar a iniciativa da empresária Luiza Trajano como louvável, por reservar vagas para pessoas negras trabalharem em seu império comercial, o Magazine Luiza, mas a repercussão não foi a melhor possível, porque muita gente viu a estigmatização do racismo, ao invés de valorizar os negros. De qualquer forma, ela prova ser uma mulher de grande talento para os negócios, a tal ponto de ser uma das pessoas mais ricas do Brasil, segundo a revista Forbes. Por isso, ela recebe o selo de "Orgulho Nacional", por sua capacidade empreendedora, e não pela aparente boa intenção para com os negros. 

 

Luiza Trajano, a mulher mais rica do Brasil segundo a Forbes, é a dona do Magazine Luiza

Por outro lado, não é possível selar o ministro Ricardo Salles por sua política desastrosa para o meio ambiente, porque ele é alta autoridade, portanto hors concours. Wilson Witzel ainda é, formalmente, governador do Rio, e se encaixa no mesmo caso de Salles. O caso de Marcelo Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, é diferente. Prefeitos podem receber o selo, e ele, como governante da "Cidade Maravilhosa", foi acusado de explorar os tais "guardiões" que intimidam a população para impedir denúncias de mau atendimento nos hospitais. Isso não é tão grave quanto as acusações contra o governador Witzel (corrupção e chefia de organização criminosa).

Contudo, quem leva mesmo o selo de "Vergonha Nacional" é o irmão do prefeito da cidade mineira de Patrocínio, flagrado matando um candidato a vereador que estava fazendo denúncias contra a prefeitura numa live. O assassinato causou revolta no Brasil. 

Jorge Marra apareceu roubando o celular da vítima e atirou nela para impedir a denúncia contra o irmão em Patrocínio (MG)




terça-feira, 1 de setembro de 2020

Quem recebeu o selo do "Orgulho Nacional" (e o da "Vergonha") de agosto?

Começamos o mês de setembro, e portanto teremos mais quatro meses para enfrentar os desafios de um ano atípico. 

Todo começo de mês, há uma pessoa ou uma instituição para receber o selo de "Orgulho Nacional". Neste caso, é o Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, responsável pela produção de um soro para o tratamento da COVID-19, esta pandemia que alterou o curso da humanidade. Este produto, com até cem vezes mais potência para neutralizar o vírus em relação aos anticorpos humanos, demonstra a capacidade de muitos brasileiros em fazer algo construtivo, pelo bem do país. Os cavalos sofrem um pouco na hora de extrair o plasma, mas eles são bem tratados e o procedimento não tem questionamentos por nenhum defensor do direito animal. 

O Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ está produzindo soro a partir de anticorpos retirados do plasma de cavalos, para o combate à COVID-19. 

Enquanto isso, temos também muitos outros capazes de prejudicar o Brasil, entre eles alguns dos nossos representantes públicos que usam seus cargos para enriquecimento próprio, fomentar o crime ou um projeto de poder à custa da sociedade. Governadores e prefeitos, como é o caso de Wilson Witzel e Marcelo Crivella, são acusados de cometer atos que os tornariam indignos de seus cargos. Witzel é visto como beneficiário de um grande esquema de corrupção durante a pandemia, o chamado "Covidão" nos Estados. Crivella estaria se beneficiando do "trabalho" de alguns funcionários públicos chamados de "guardiões do Crivella", usados para dificultar o trabalho de órgãos da imprensa (principalmente a Rede Globo, adversária do prefeito) nas portas dos hospitais públicos. 

Por ser um ano eleitoral, é preciso ter cautela ao selar alguém eleito, a não ser quando o crime é muito grave, envolvendo a morte violenta de alguém, ou as acusações são tão escandalosas que ganham as manchetes dos jornais e a atenção das redes sociais. O caso da deputada Flordelis (PSD), mulher do pastor Anderson da Silva, assassinado em junho de 2019, parece se encaixar bem. Ela vai enfrentar um processo de cassação de mandato por causa do crime. Ela é acusada de mandar matar o marido durante disputa por poder político. Há outras acusações medonhas, como exploração sexual de vários dos seus 55 filhos, 4 naturais e 51 adotivos. É o suficiente para ela ganhar o selo de agosto. 

O assassinato do pastor Anderson aconteceu em 2019, mas só agora a deputada Flordelis, do Rio de Janeiro, vai enfrentar um processo de cassação


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Orgulho e vergonha de julho

Como já é costume neste blog, vou escrever sobre quem merece levar o selo de "Orgulho Nacional" e seu contraponto, o selo da "Vergonha". 

Para tornar tudo mais fácil de compreender, a partir deste mês irei dedicar pelo menos duas postagens a mostrar quem está se destacando, positivamente ou não. 

Quem recebe o selo de "Orgulho" é um PM que salvou uma mulher de 87 anos e três crianças de um incêndio no bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza. O soldado Welson Gomes da Silva se intoxicou com a fumaça e ficou dois dias internado. Recebeu um certificado de honra ao mérito e o comando da PM irá dar início a uma avaliação para promovê-lo a cabo. 

O soldado Welson salvou quatro pessoas num incêndio em Fortaleza e passou dois dias no hospital por ter inalado fumaça

Muito se fala do Felipe Neto, o influenciador considerado pela revista ISTOÉ como um exemplo de conscientização política; ele está em tenaz luta contra as fake news bolsonaristas, e foi convidado pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia para conversar no Congresso. Isto não pareceu motivo suficiente para ele receber o selo do "Orgulho", quando um PM arriscou a vida para salvar quatro pessoas, ainda mais porque ele parte da premissa que só bolsonaristas escrevem fake news, o que é só meia verdade. E meia verdade, neste caso, é uma mentira inteira. 

Por outro lado, Felipe Neto não recebe o outro selo apenas por ser acusado de "oportunismo" e de ser um "moleque" (é estranho um homem de 32 anos ser chamado assim, apenas por parecer ter menos idade) que, no passado, não considerava fake news algo tão perigoso. Existem casos piores, e um deles foi o desembargador Eduardo Siqueira, que deu um mau exemplo de comportamento ao rasgar a multa recebida de um guarda civil municipal de Santos, por não usar máscara na rua, e ainda o afrontar dizendo que o guarda era "analfabeto" e não tinha "autoridade nenhuma". Dias depois, ele se retratou e passou a usar máscara, mas não conseguiu evitar a repercussão no país inteiro. 

Assim, o "prêmio" vai para o senhor desembargador por seu exemplo para a sociedade. 

O desembargador mostrou a sua pretensa "superioridade" em Santos e ganhou o selo

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Orgulho e Vergonha de junho

Com o início deste mês, começa a metade final deste amaldiçoado ano. E julho começou com vendaval no sul do Brasil matando e causando prejuízos enormes, greves e manifestações de entregadores de aplicativos contra as más condições de trabalho, ameaça de gafanhotos na Argentina e no Uruguai, tempestade de areia do Saara atingindo a América, e a COVID-19 fazendo sua sexagésima milésima morte no Brasil. 

O início do mês também vai mostrar quem ganhou o selo de "Orgulho Nacional" e "Vergonha Nacional". Por razões exibidas na postagem anterior, não haverá os selos "Relevância Mundial" e "Vergonha Mundial".

De certa forma, quem recebeu o selo do "Orgulho" não deixa de ter relevância para o mundo, pois foi a primeira voluntária a receber a vacina-teste desenvolvida em Oxford, em colaboração com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde. Denise Abranches é coordenadora de odontologia do Hospital São Paulo, localizado na Vila Clementino (Zona Sul de São Paulo) e filiado à Unifesp.

Denise Caluta Abranches é a primeira brasileira a testar a vacina a ser desenvolvida em Oxford contra a COVID-19

Por outro lado, temos o caso de Sara Winter, a extremista representante dos "300 pelo Brasil". Seu mau exemplo não pode torná-la um símbolo da liberdade de expressão, mesmo porque o seu grupo representou perigo às instituições. Não se pode confundir fogos de artifício jogados em direção ao STF com o direito de opinar sobre equívocos e absurdos que os ministros do Supremo cometem em nome da interpretação das leis, interesses pessoais ou de terceiros, prejudicando a harmonia entre os Três Poderes e a reputação do Judiciário. Deve-se pressupor que os 11 membros da Corte, assim como o Presidente da República, ministros, deputados e senadores, sejam seres humanos e não deuses infalíveis e oniscientes, assim como ninguém neste mundo é.

Sara Winter exercendo o jus sperniandi e olhando orgulhosa para o seu prêmio

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Orgulho e vergonha de maio

Estamos já no meio de um ano praticamente arruinado pela pandemia do novo coronavírus e, mais recentemente, pelo agravamento do radicalismo político. Nos Estados Unidos e no Brasil, a violência pode ajudar o vírus a mandar mais gente para o cemitério e causar chagas na estrutura social e na economia. 

No mês passado, ficou muito fácil achar candidatos à "Vergonha Nacional", por suas contribuições para tentar transformar o Brasil numa aberração do Sistema Solar. Por outro lado, está difícil achar quem merece o selo de "Orgulho Nacional", para ajudar o país a ser realmente grande. 

O prêmio de "Orgulho Nacional" ficou para o Dr. Carlos Gil Ferreira, oncologista e autor de 150 artigos científicos sobre câncer, principalmente o de pulmão. Pelo conjunto do trabalho, recebeu o prêmio Partners in Progress, da American Society of Clinical Oncology (ASCO). Foi o primeiro médico não nascido nos Estados Unidos a ganhar o prêmio.

O Dr. Carlos Gil Ferreira foi o primeiro médico de fora dos EUA a ganhar um prêmio da American Society of Clinical Oncology

Por outro lado, foram vários os candidatos ao outro selo. Entre outros maus elementos, destacam-se duas figuras: Sara Winters, a líder dos "300 pelo Brasil", grupo antidemocrático, e Regina Duarte, a atriz que fez o pior papel de sua carreira ao se tornar Secretária de Cultura, não conseguir fazer nada relevante e ser fritada em pouco tempo, combatida tanto por antigos colegas quanto por membros do governo. Essas duas, no entanto, "só" arruinaram a sua reputação. Por exemplo, Winters, a ex-FEMEN, nada conseguiu além de fazer barulho (por enquanto). E a atriz foi a Porcina de novo: foi sem nunca ter sido, uma integrante do governo Jair Bolsonaro.

Mas nada prejudicou tanta gente quanto o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, ao instituir um rodízio desastroso, tentando retirar 50% da frota de carros. Só conseguiu agravar a superlotação no transporte público, expondo ainda mais os cidadãos paulistanos ao perigo do coronavírus. Por isso, ele vai receber o selo. João Dória Jr., governador e cúmplice desta ideia "brilhante", já recebeu o seu quando abandonou a prefeitura e deixou o neto do Mário Covas em seu lugar.

Para piorar, os dois bolaram um "super-feriadão" entre os dias 20 e 25 do mês passado, para forçar as pessoas a ficarem a casa. Anteciparam Corpus Christi (oficialmente, 11 de junho), Consciência Negra (20 de novembro) e a Revolução Constitucionalista (9 de julho). A iniciativa fracassou, e só fez a dupla virar motivo de piada, além de escancarar o fracasso em deter a expansão da pandemia.

Bruno Covas cometeu um ato que pode sepultar sua candidatura à reeleição para a prefeitura, além de agravar a crise sanitária com seu rodízio desastroso na capital paulista; ele se arrependeu, mas criou um super-feriadão inútil

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Orgulho e vergonha de abril

Este mês de abril foi realmente desafiador para o mundo inteiro devido à pandemia. Enquanto os países europeus como a Itália, a Espanha e a França estão prestes a saírem da pior fase da doença, no Brasil ela só está começando. 

Tudo poderia ser mais tranquilo se as disputas políticas fossem mais civilizadas por aqui. O presidente Jair Bolsonaro não está colaborando como deveria, sendo ainda visto por seus seguidores como um salvador contra a corrupção, a "velha política" (apesar das alianças políticas com o "Centrão" para aumentar a base parlamentar) e o comunismo, pintados como monstros a serem derrotados. Mesmo assim, nem ele pode estar acima do bem e do mal. 

Isso lembra o livro Além do Bem e do Mal, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Em sua passagem número 146, lê-se: 

"Quem deve enfrentar monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro."

E seu desdém com a pandemia e as mortes provocadas por ela, alegando que a responsabilidade pelo enfrentamento da doença é dos estados e municípios, repercutiu internacionalmente, fazendo piorar a sua imagem. E daí?, perguntou Bolsonaro. Daí que ele se comporta mais como um chefe de bando do que um chefe de governo, querendo colher os frutos de um eventual sucesso mas negando responsabilidades em caso de algum desastre. Sua aparente omissão virou assunto de crítica em todo o mundo. É bom relembrar: ele não pode ser considerado "vergonha nacional" por ser a mais alta autoridade do Brasil, sendo, portanto, hors concours neste quesito. E também não pode ser um "orgulho nacional" pelo mesmo motivo. 

Uma equipe médica em especial merece o selo de "Orgulho Nacional": a do hospital Norte d'Or, no Rio, que salvou a vida de uma mulher de 101 anos. Mesmo com COVID-19 e com um marcapasso implantado, a idosa conseguiu sobreviver, graças ao trabalho dedicado desses profissionais. 

Graças aos profissionais de saúde, como os do hospital Norte d'Or, a taxa de recuperação dos infectados pelo coronavírus é bastante expressiva
Já a "Vergonha" ficou para o apresentador Marcão do Povo, mais um que citou soluções simples mas erradas para resolver problemas complexos, como a pandemia. A "solução" dele: isolar os doentes em lugares específicos onde possam receber cuidados, enquanto o resto da população vive normalmente. Isso não é motivo para selá-lo, se ele não chamasse esses lugares de "campos de concentração", termo profundamente infeliz que novamente nos relembra o nazismo e o stalinismo, dois regimes totalitários nefastos. 

Ronaldinho Gaúcho escapou de ser apontado como "Vergonha Nacional" por causa do Carlos Bolsonaro, e escapou novamente em abril graças ao Marcão do Povo (foto com o selo). O ex-jogador é um "dibrador"

Os presidentes da Câmara Rodrigo Maia e do Senado David Alcolumbre, que querem se reeleger para os seus cargos, violando as regras do Congresso, não podem receber o selo por serem altas autoridades do país. Eventuais pessoas acusadas de desviarem verbas para o combate à COVID-19 ainda não são divulgadas pela imprensa e nem pelas redes sociais. E o ex-candidato a chefe da Polícia Federal Alexandre Ramagem, criticado por suas ligações com os filhos do presidente, não pode ser selado apenas por causa disso. 

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Orgulho e vergonha, nacional e internacional

Temos aqui mais uma postagem sobre quem merece ser apontado como "orgulho nacional". Como estamos em época de pandemia, devemos considerar os esforços dos profissionais da saúde, que arriscam suas vidas para salvar os outros. Muitos deles estão contraindo o coronavírus por conta dessa luta. Um deles é o infectologista David Uip, coordenador do combate à pandemia em São Paulo. Ele está fazendo um bom trabalho, embora no momento esteja sofrendo da doença. Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, é o grande coordenador dessa campanha contra o vírus, mas ele é hors concours, por ser alta autoridade federal.

O selo se estende aos outros profissionais de saúde que enfrentam o coronavírus

Por outro lado, a "vergonha nacional" vai para alguém que está mais atrapalhando do que ajudando o presidente Jair Bolsonaro no governo. Ele é apontado como chefe de um grupo influente, apelidado, pela imprensa, de "gabinete do ódio". Carlos Bolsonaro, o "02", não foi selado antes, ao contrário dos irmãos. Agora ele já tem um selo para chamar de seu, mas deve se consolar pelo fato do ex-presidente Lula, que se aproveita politicamente da situação para posar de estadista ser hors concours, como todos aqueles que já ocuparam a cadeira do Planalto.

Eu tenho o selo que nem os meus irmãos! Morra de inveja, Luladrão, porque você não merece selo nenhum! Merece é apodrecer na cadeia!
O vereador pelo Rio de Janeiro é mais um dos seguidores do polemista Olavo de Carvalho, autor de "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". O livro possui conteúdo relevante por desmistificar muitas ideias defendidas pela inteligentsia brasileira, particularmente aqueles devotos de Marx e Che Guevara, mas poucos dos seguidores de Olavo parecem realmente ter lido este livro. Ou parecem não compreendê-lo bem, e se guiam mais pelas idiossincrasias e contradições do "mestre", conhecido por sua incoerência, vaidade e misantropia mal disfarçada. Muitos deles, pejorativamente chamados de "olavetes", parecem membros de uma seita, apresentando o pior tipo de idiotia: aquela daqueles que se julgam mais inteligentes que outros, mas incapazes de se comportar como gente normal. É o caso do ex-secretário nacional da Cultura, Roberto Alvim, um tipo "degenerado" de olavista por ter imitado Goebbels, o chefe nazista (os nazistas, vergonha mundial ad aeternum, são "de esquerda", segundo a maioria dos defensores de Olavo). Olavistas mais ortodoxos, daqueles que não querem nem saber de ler o Mein Kampf do "esquerdista" Adolf Hitler, são alguns membros do governo, como Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Abraham Weintraub, da Educação.

Um olavete quando encontra um não-olavete
Este blog ia tentar colocar algo semelhante ao selo da "Vergonha Mundial", chamado "Orgulho Mundial", mas isso soaria algo forçado, pois o mundo não pode se orgulhar de nada vindo do Brasil e nem de qualquer outro lugar habitado (nem dos Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, Suíça, Arábia Saudita, Irã, Coréia do Norte, Namíbia...). No lugar de "Orgulho", este blog vai usar o termo "Relevância", sobre pessoas ou inventos criados aqui. É o caso do Inspire, projeto feito pela Escola Politécnica da USP, para baratear enormemente os custos dos ventiladores de emergência para facilitar a respiração de vítimas de doenças respiratórias, como a COVID-19. O Inspire inaugura, assim, o novo selo "Relevância Mundial".

O ventilador mecânico Inspire poderá salvar muitas vidas nos hospitais

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Orgulho e vergonha de fevereiro

29 de fevereiro só aparece de 4 em 4 anos e este foi cair num sábado, dia onde geralmente não há uma postagem. Entre o costume e o evento raro, fiquemos com este último. Aliás, em todo dia 29 de fevereiro foi escrito alguma coisa, em 2012 e 2016, pois este espaço foi criado em 2009. 

Aproveitando este dia bissexto, vamos à premiação com os selos de "Orgulho" e "Vergonha" deste mês prestes a findar. 

Mais uma vez, ficou difícil "selar" alguém com o "Orgulho", e desta vez uma instituição, e não uma pessoa, levou o prêmio. O Instituto Adolfo Lutz e sua equipe do Instituto de Medicina Tropical (IMT), que decodificaram o genoma do coronavírus encontrado no primeiro paciente brasileiro infectado. O trabalho foi feito em conjunto com a Universidade de Oxford, e descobriram que o código genético do agente infeccioso é semelhante ao encontrado na Alemanha. O Brasil precisa se orgulhar de ter um hospital com pessoal capacitado como o Adolfo Lutz. 

Infelizmente uma instituição ganhou o selo do "Orgulho" por um motivo ruim: a pandemia do coronavírus

Por outro lado, também ficou difícil escolher quem merecia o selo da "Vergonha", pois houve muitos casos assim no mês: a moça que matou a própria família em São Bernardo do Campo (ela foi indiciada neste mês junto com a namorada), o senador Cid Gomes (que tentou atropelar policiais amotinados com uma retroescavadeira), os próprios responsáveis pelo motim no Ceará, os "mordedores" citados em uma postagem (leia AQUI), o "youtuber" Robson Calabianchi (divulgador do "desafio da rasteira"), o depoente da CPI das Fake News Hans River do Nascimento (um dos autores das ofensas sexuais contra a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha, ao lado do próprio Presidente da República - mas este é hors concours e não pode receber selo algum neste blog). 

Todos eles merecem o selo da "Vergonha", mas apenas um ou dois podem receber. Como matar alguém tem peso importante para a escolha, o selo recairá mesmo sobre o casal de assassinas. 

A assassina da própria família e sua companheira; elas deveriam ter ganho o selo em janeiro, mas havia o terrorista que atacou a sede do Porta dos Fundos

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Primeiro "Orgulho" e "Vergonha" de 2020

Como foi feito no ano passado, serão apontados o "Orgulho Nacional" e a "Vergonha Nacional" para o mês anterior. 

Infelizmente, janeiro foi um mês ingrato para encontrar quem merece ganhar o selo de "Orgulho Nacional". Tivemos ótimos exemplos no ano passado. Felizmente, deu para encontrar algo interessante como os estudantes da UFBA e da Universidade Católica de Salvador que venceram o prêmio da NASA por apresentarem o seu projeto Ocean Ride, ou "carona pelo oceano", utilizando uma espécie de dispositivo parecido com o gerador de Van Der Graff para atrair os microplásticos e recolhê-los, podendo ser instalado em embarcações. Eles superaram outros 2.075 projetos vindos de 89 países. A notícia completa está AQUI, no site da UFBA. 

Os estudantes baianos fizeram bonito ao disputarem e ganharam o prêmio da NASA (Divulgação)

Por outro lado, estava difícil definir quem irá receber o prêmio da "Vergonha" porque candidatos não faltaram, desde as meninas acusadas de matar uma família inteira porque o pai era contra o namoro entre elas, até o sempre candidato Carlos Bolsonaro, o segundo filho do presidente atuante nas redes sociais para atiçar a militância, passando pelo foragido da Justiça para não responder ao atentado contra o Porta dos Fundos, e alguns envolvidos na manutenção de um dos programas mais execráveis na televisão brasileira, mas também um dos mais lucrativos, o BBB. 

Realmente foi difícil escolher, mas o fator morte pesou contra as duas principais suspeitas de terem matado a pauladas e depois carbonizado um casal e seu filho, respectivamente pais e irmão de uma delas, Ana Flávia Gonçalves. Carine Ramos, a namorada de Ana, era apontada como controladora e teria idealizado o crime brutal. O maior motivo não seria a oposição ao namoro, mas a herança financeira da família. O que dificulta a escolha das duas é a ausência de provas cabais contra elas. Quando houver provas, então elas não escaparão do selo de fevereiro ou qualquer outro mês. 

Por outro lado, Carlos Bolsonaro não comete crime ao mobilizar os acólitos do pai e dos seguidores do "guru" Olavo de Carvalho, e por enquanto pode se considerar o único dos três filhos políticos do presidente a não ter um selo de "Vergonha" para chamar de seu. Elementos do BBB 20 como o tal de Petrix só mostram os absurdos de um programa que glorifica o comportamento fátuo de certos candidatos a subcelebridade ávidos pela premiação no final do reality. 

Então o selo de janeiro ficará para o extremista responsável pelo atentado contra o humorístico Porta dos Fundos, em dezembro passado. O prédio foi incendiado pelo grupo e um deles foi identificado como sendo o empresário Eduardo Fauzi. O fato do grupo fazer um filme de comédia sem graça e de mau gosto envolvendo um Jesus Cristo gay, afrontando a religiosidade de milhões de brasileiros, não justifica um ato abominável como o feito por Fauzi e seu grupelho de nazifascistas defensores de um regime que representa um perigo para a democracia. No início do mês, descobriram que ele fugiu para a Rússia para não responder pelo ataque. Escapou de receber o "selo" por causa de Flávio Bolsonaro, mas não escapa agora. 

Eduardo Fauzi está na lista vermelha de Interpol, por fugir para a Rússia (Divulgação)