terça-feira, 1 de setembro de 2026

Peixe-leão avança

Com a mídia concentrada na guerra do Irã e nos escândalos envolvendo as decisões do Judiciário acerca do Banco Master e da candidatura de Renan Santos, este blog vai fazer algo um pouco diferente para diversificar os assuntos: abordar o problema de certas espécies invasoras. 

Os peixes-leão vermelhos (Pterois volitans), originários do Oceano Pacífico, estão devastando a fauna no Atlântico, desde a sua introdução imprudente nas costas da Flórida, por volta dos anos 1980, Aquaristas teriam liberado a espécie, sem o devido cuidado, ignorando que este peixe não existia no Atlântico. Voraz, com poucos predadores naturais, peçonhento e com veneno mortal, além de ter carne pouco apreciada, a espécie se espalhou pelo Atlântico central e pelo Mar do Caribe, até chegar ao Atlântico Sul, próximo às costas do Norte e do Nordeste brasileiros. 

500 espécimes foram capturados próximo à Bahia (Semac/Divulgação)

Recentemente, foram recolhidos 500 espécimes, como amostra deste desastre. A invasão desses animais na Bahia é bastante recente, e já prejudica a pesca comercial e artesanal no Estado. Em outras regiões, a situação é mais grave. 

Medidas como a captura seletiva para pesquisa e também para consumo desse peixe amenizam a crise, mas o monitoramento constante pelo Ibama e outras autoridades ambientais é um imperativo. Não se pode deixar tudo para a população, que não aprecia muito o peixe-leão, devido aos espinhos venenosos e à pouca familiaridade. Povos do Pacífico e do Índico estão mais acostumados, mas mesmo nessas regiões a espécie não é a mais comum nas receitas culinárias.

Isso mostra a necessidade de adotar medidas quando a situação ainda é controlável, pois a tendência de se negligenciar um problema é vê-lo aumentar. Isso vale no meio ambiente, na política, na economia e outras atividades humanas.