Após o vulcão Krakatoa, em 1883, na ilha homônima, ter acordado depois de um longo período adormecido, o mundo conheceu o horror de uma explosão pior do que aquela do monte Vesúvio, em 79, A humanidade voltou a sentir medo de vulcões, como os antepassados da Pré-História que interpretavam uma erupção como a fúria dos deuses.
Não foi a explosão mais devastadora, apesar do número elevadíssimo de mortes (36.000) e da praticamente destruição da ilha onde o vulcão estava localizado, entre Sumatra e Java, na parte ocidental do arquipélago de Sonda, parte das antigas Índias Holandesas, atual Indonésia. O Tambora foi muito mais violento, mas ocorreu num local mais remoto, na ilha de Tambora, localizada a leste do mesmo arquipélago de Sonda, e o Ocidente não ficou sabendo da erupção, embora tivesse sentido os efeitos dela: o inverno vulcânico de 1816, quando houve quebra de colheitas devido ao bloqueio dos raios solares pelas cinzas emitidas às toneladas por meio de uma violenta torrente que subiu por dezenas de quilômetros até a estratosfera. A mistura de cinza, pedra e gases incandescentes é conhecida como material piroclástico.
A explosão do Krakatoa foi ouvida na Índia e outros locais distantes, foi seguida de um tsunami que afetou todo o Oceano Índico e espalhou detritos, inclusive corpos humanos, até para a África, nos moldes do desastre de 2004. O antigo cume da montanha explodiu, mas gerou um novo vulcão, que cresceu rapidamente e é conhecido como "Anak Krakatau", ou o "filho do Krakatoa".
Esse "filho" já teve várias erupções, e elas não preocuparam os geólogos e nem mesmo os habitantes de Java e Sumatra, ilhas próximas do vulcão, mas a série de erupções neste mês foi muito mais forte, gerando preocupações com a possibilidade de uma atividade devastadora. É pouco provável que a erupção em si cause um inverno vulcânico ou algo semelhante, com a liberação do material piroclástico, mas um possível tsunami pode voltar a afetar o Oceano Índico, 22 anos depois da grande catástrofe de 2004.
| Um quadro da Nasa Brasil mostra a atividade do Anak Krakatau (Divulgação/Nasa Brasil) |
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